Notícias

Jornal Eletrônico da SBPC/PE #9 Ano: 2

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Notícias:

PRÊMIO GEORG MARCGRAVE DE BIODIVERSIDADE E DESENVOLVIMENTO SOCIOAMBIENTAL 2016 – 2017
CCBA

EVENTO NO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE PERNAMBUCO (IFPE): TECNOLOGIAS VERDES, MEIO AMBIENTE E PROPRIEDADE INDUSTRIAL

POR QUE O BRASIL TEM TÃO POUCOS CIENTISTAS?
Luiz Davidovich*, Ascom ABC

REITORES DA UFMG E PUC MINAS DIVULGAM CARTA ABERTA SOBRE FATOS RECENTES DA POLÍTICA BRASILEIRA

PARCERIA ENTRE UNIVERSIDADE E INDÚSTRIA PRODUZ GANHOS PARA TODOS
Agência Fapesp

VÍRUS ZIKA PODE SER USADO NO TRATAMENTO DE TUMOR CEREBRAL, AFIRMAM PESQUISADORES
BBC Brasil

CONSTRUINDO PONTES ENTRE CIÊNCIA DA BIODIVERSIDADE E TOMADA DE DECISÃO
Paula Drummond de Castro *, Biota +10, FAPESP

PLANTAS BRASILEIRAS RECÉM-DESCOBERTAS JÁ CORREM RISCO DE EXTINÇÃO
IHU On-line

10 IMPACTOS CAUSADOS PELA REDUÇÃO DE ÁREAS NATURAIS NO BRASIL
Carlos Nobre, Carlos Eduardo Young, Fábio Olmos e Marcelo Dantas*, Ecodebate

GOVERNO PREPARA ESTÍMULO À MINERAÇÃO SEM SALVAGUARDA AMBIENTAL, ALERTA WWF-BRASIL
Jaime Gesisky, WWF_Brasil

SAMAMBAIAS INSPIRAM ARMAZENAMENTO DE ENERGIA 30 VEZES MAIS EFICIENTE
Site Inovação Tecnológica

VIAGEM INTERESTELAR VAI DURAR NO MÍNIMO 69 ANOS - VEJA POR QUÊ
New Scientist

VIAGEM NO TEMPO É POSSÍVEL COM TARDIS DO ESPAÇO-TEMPO
UBC

7-MILLION-YEAR-OLD FOSSILS WIDEN DIVIDE BETWEEN HUMANS AND CHIMPS
Cheryl Jones*, News Palaeontology

BIOLOGY NEEDS MORE STAFF SCIENTISTS
Steven Hyman*, Nature

 


 

PRÊMIO GEORG MARCGRAVE DE BIODIVERSIDADE E DESENVOLVIMENTO SOCIOAMBIENTAL 2016 – 2017
CCBA, 16.05.2017

Visando os desafios ambientais de Pernambuco, CCBA lança projeto de desenvolvimento socioambiental.

Georg Marcgrave é considerado um pioneiro no estudo da biodiversidade brasileira. Alemão, nascido em Liebstadt na Saxônia, Marcgrave chegou ao Recife em 1638 após estudos em diversas universidades europeias. Integrando a comitiva do Conde Maurício de Nassau, Marcgrave realizou diversas expedições no nordeste brasileiro, registrando a fauna e a flora e também as primeiras observações meteorológicas sistemáticas no país. Os resultados podem ser conferidos no livro "História Natural do Brasil" e em um herbário que reúne a mais antiga coleção de plantas do Brasil. 

Partindo deste pioneirismo ambiental do naturalista e tendo em vista os desafios ambientais em Pernambuco, o Centro Cultural Brasil-Alemanha lança o Prêmio Georg Marcgrave de biodiversidade e desenvolvimento socioambiental, com o intuito de reconhecer, valorizar e apoiar grupos da população de baixa renda nas áreas urbanas e rurais que apresentam práticas ou tecnologias socioambientais exemplares, estimulando a apresentação de pequenos projetos para concorrer ao prêmio.
 
O Prêmio (1º lugar: R$ 3.000,00, 2º lugar:  R$ 2.000,00 e 3º lugar:  R$ 1.000,00 para pequenos projetos) foi instituído pelo CCBA no final de 2016 e as inscrições podem ser feitas até 31 de maio de 2017. Abaixo encontram-se o edital e os documentos e formulários necessários para a inscrição:
 
- Edital (em PDF)
- Carta de recomendação
- Ficha de inscrição
- Histórico do grupo
- Formulário para material ilustrativo
- Formulário para o miniprojeto
A documentação completa deve ser enviada em PDF para Christoph Ostendorf (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.) até o dia 31 de maio de 2017. Caso haja dúvidas, ficamos à disposição para mais informações e orientações.

 


EVENTO NO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE PERNAMBUCO (IFPE): TECNOLOGIAS VERDES, MEIO AMBIENTE E PROPRIEDADE INDUSTRIAL

PROMOÇÃO: ITEP | IFPE | UFPE | INPI

DATA: 31.05 a 02.06
Evento gratuito
Inscrições até 28.05, pelo do link https://goo.gl/forms/kfgKcO5EOnyPxHo32
Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. | 2125.1691

PROGRAMAÇÃO:
31.05 – Quarta-feira | 8h às 17h
Workshop
“Propriedade Industrial e Meio Ambiente: Conjunções e impactos”
Dr. Douglas Santos (INPI)
IFPE Campus Pesqueira (Auditório) Pesqueira-PE

01.06 – Quinta-feira | 8h às 17h
Workshop
“Propriedade Industrial e Meio Ambiente: Conjunções e impactos”
Dr. Douglas Santos (INPI)
ITEP (Auditório Pelópidas Silveira) Recife-PE

02.06 – Sexta-feira | 9h às12h
Mesa-redonda
Tecnologias Verdes, Meio Ambiente e Propriedade Industrial
UFPE (Auditório III da Biblioteca Central) – RECIFE-PE

Ciclo de Palestras
9h – Abertura – Positiva UFPE - Diretoria de Inovação
9h15 – Palestra 1 – Centro de Energias Renováveis: energia solar -
Profª. Dra. Olga Vilela (UFPE)
10h – Palestra 2 – Centro de Energias Renováveis: energia eólica -
Profº. Dr. Alexandre Costa (UFPE)
10h45 – Palestra 3 – Patentes Verdes - Dr. Douglas Santos (INPI)
11h30 – Debate – Mediadores da mesa - Profº. Dr. Raimundo Nonato (UFPE) e Profº MSc. Sérgio Aguiar (Positiva - UFPE)

12h30 – Encerramento

Auditório do Departamento de Energia Nuclear - UFPE


POR QUE O BRASIL TEM TÃO POUCOS CIENTISTAS?
Luiz Davidovich*, Ascom ABC,  18.05.2017

 Por que o Brasil tem tão poucos cientistas?

O Brasil possui, segundo a Unesco, cerca de 700 pesquisadores por milhão de habitantes, enquanto a China possui 1.100, a Rússia 3.100, a União Europeia 3.200, os Estados Unidos 3.900, Coréia e Singapura 6.400, Israel 8.300. Na América Latina, o Brasil está em segundo lugar, abaixo da Argentina, que tem 1.200 pesquisadores por milhão de habitantes. Mas está muito distante ainda dos países desenvolvidos, embora esteja formando 18 mil doutores por ano.

Por que o Brasil tem tão poucos pesquisadores? Como fazer para aumentar esse número? Como estimular jovens a seguirem carreiras científicas? Essas questões são extremamente relevantes para o futuro do país, e não devem ser pensadas apenas como desafios para as universidades, e sim para as escolas e a educação como um todo.

Há, no Brasil, várias iniciativas interessantes que visam despertar os jovens para a ciência que têm ajudado milhares de crianças a ter contato com a ciência experimental, despertando a curiosidade, a paixão pelo conhecimento e o raciocínio lógico. Mas o Brasil precisa promover a aproximação do mundo da ciência não para mil, mas para milhões de crianças.

É claro que essa meta exige que o ensino básico promova o contato dos alunos com a ciência, por meio de atividades tipo "mão na massa", envolvendo experimentos e estimulando a reflexão crítica. E, para que isso ocorra, é necessário que os professores tenham formação adequada. É importante também que sejam atraídos bons candidatos para os cursos de formação de professores.

Na Coréia do Sul, futuros professores do ensino fundamental, considerado o ciclo mais importante para a formação do aluno, devem estar entre os 5% superiores do National College Entrance Examination, o vestibular sul-coreano, devem necessariamente ser educados em uma Universidade Nacional e têm emprego praticamente garantido, com bons salários iniciais, comparáveis aos de outros graduados. Já os professores do ensino médio não precisam ser educados em Universidades Nacionais: em 2005, 59.000 candidatos disputavam 5.000 posições.

A carreira do professor também é valorizada em outros países. Na Finlândia os professores do ensino fundamental são os mais prestigiados, recebendo os salários mais altos. Em Singapura, todos os professores têm asseguradas 100 horas pagas de desenvolvimento profissional por ano. Nos Estados Unidos, diferentes cidades desenvolvem sistemas alternativos de formação de professores para a educação básica: Boston, Chicago e Nova Iorque têm um programa de residência, com seleção rigorosa de candidatos, provenientes de vários cursos de graduação, e que têm emprego garantido em escolas públicas, uma vez admitidos no programa.

Enquanto isso, no Brasil, as melhores universidades públicas formam professores para a educação básica em cursos noturnos, separados dos cursos de bacharelado dessas instituições, pois os alunos precisam trabalhar durante o dia. Recentemente, a formação dos professores tem sido aprimorada por cursos de aperfeiçoamento, os mestrados profissionais apoiados pela Capes, em áreas como matemática, física, letras, artes e história. Um esforço meritório, que deve ser complementado, no entanto, por mudanças radicais nos cursos de licenciatura, de modo que seja alcançado o fator de escala necessário para um país como o Brasil.

Assim, o aumento do número de pesquisadores no Brasil passa por uma reformulação profunda dos cursos de formação de professores para a educação básica. É preciso atrair os melhores alunos, através da valorização da profissão, e promover cursos diurnos de licenciatura, oferecendo, mediante editais que selecionem instituições pela qualidade do quadro docente e das instalações laboratoriais, bolsas de estudo que permitam aos alunos a plena dedicação aos estudos. Disciplinas comuns com outros cursos de graduação devem ser oferecidas. Os programas devem incluir as técnicas "mão na massa" de ensino de ciências. E ter como docentes os melhores professores da instituição.

A precariedade da educação básica é um grande obstáculo ao desenvolvimento social e econômico do Brasil. Soluções existem. Mas é necessário implementá-las.




* Luiz Davidovich, Presidente da Academia Brasileira de Ciências.


 

 



REITORES DA UFMG E PUC MINAS DIVULGAM CARTA ABERTA SOBRE FATOS RECENTES DA POLÍTICA BRASILEIRA

 Os reitores da UFMG, Jaime Ramirez, e da PUC Minas, Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, divulgaram na noite de hoje, 18 de maio, carta aberta sobre os fatos recentes da política brasileira na qual defendem “uma rigorosa e rápida apuração de todas as denúncias, independente de nomes e cargos nelas citados” e que os poderes constituídos garantam o funcionamento das instituições e a liberdade dos movimentos sociais.

Carta aberta dos Reitores da UFMG e PUC Minas


A vida política e social no Brasil vem sofrendo, nos anos mais recentes, seguidos e cada vez mais preocupantes abalos. Tal cenário leva à sensação de que a corrupção se tornou sistêmica e profundamente enraizada na sociedade brasileira, gerando instabilidade e desesperança com relação ao futuro do país. Nem o reconhecimento das exceções, infelizmente tão poucas, dissipa a impressão de que a corrupção se estabeleceu como modo operativo prevalente, sobre o qual se tem a expectativa de obtenção não apenas de poderes político e econômico, mas também da impunidade.

Pouco mais de um ano depois do impedimento da ex-presidente da República - cujas razões e modo de processamento ainda dividem a sociedade -, o País se vê sobressaltado com novas e graves denúncias que envolvem diretamente o presidente da República e outros ocupantes de cargos políticos estratégicos no cenário nacional. Como inevitável decorrência, surgem incertezas de toda ordem sobre os rumos e cenários futuros da República, em termos dos desdobramentos que podem trazer os fatos que vieram à tona nesta quarta-feira, 17 de maio de 2017.

É nesse cenário, conturbado e dramático da vida nacional que manifestamos de público a defesa de uma rigorosa e rápida apuração de todas as denúncias, independentemente de nomes e cargos nelas citados, e que os Poderes constituídos, em sua missão de resguardar a democracia e a defesa intransigente do Estado de direito, garantam o pleno funcionamento das instituições democráticas, a liberdade dos movimentos sociais e de todas as instâncias de representação social.

A crença na democracia tem essencial significado: o de que, pela ética, correção e sentimento republicano, a sociedade buscará permanentemente a garantia do direito à justiça, liberdade e paz para todos. Se, por um lado, a dissonância e divergências de posicionamentos e perspectivas políticas são naturais na vida democrática, por outro, o respeito às leis e à defesa do estado de direito e a busca do bem comum e da justiça social devem colocar-se como princípios inarredáveis da vida pública.

Prof. Jaime Arturo Ramírez
Reitor da Universidade Federal de Minas Gerais

Prof. Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães
Reitor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais



PARCERIA ENTRE UNIVERSIDADE E INDÚSTRIA PRODUZ GANHOS PARA TODOS
Agência Fapesp,  22.05.2017


Dois mundos


De um lado uma indústria ávida por solucionar problemas internos com inovação e aumentar a produtividade. Do outro, pesquisadores com conhecimento científico e capacidade técnica.
Assim, qualquer esforço para reunir indústria e centros de pesquisa em parcerias duradouras pode resultar em ganhos para ambas as partes.


"Ao reunir indústria e centro de pesquisa, todos saem ganhando. A indústria entra com a parte monetária e nós [universidade] com os recursos humanos.


Antigamente, achava-se que quem trabalhasse com a indústria estava vendendo a universidade. Porém, provamos o contrário. Desde o começo, mostramos que para que houvesse o desenvolvimento do país e da universidade era preciso que a indústria utilizasse o conhecimento acadêmico," afirmou o professor Elson Longo, do Centro de Pesquisa para o Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF).


Para ficar em apenas um exemplo dos benefícios financeiros e tecnológicos dessa cooperação, a longa parceria entre o CDMF e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) gera recursos financeiros para o centro de pesquisa de R$ 100 milhões por ano. Desde 1995, quando começou a parceria, foram 32 patentes depositadas e 132 artigos científicos publicados.


Os ganhos para a indústria também são enormes. Os centros de pesquisa têm capacidade de analisar e resolver problemas que baixam a produtividade, desenvolvendo soluções inovadoras a partir de pesquisa e conhecimento científico.


"Brinco que fazemos o papel de bombeiros ao extinguir alguns problemas das indústrias. Observo, no entanto, que muitas vezes, a indústria não sabe onde estão os laboratórios nas universidades que podem contribuir para o desenvolvimento de pesquisas. Precisamos quebrar essabarreira entre esses dois mundos," disse Ernesto Chaves Pereira, também do CDMF.


Os dois pesquisadores falaram sobre a parceria universidade-indústria em uma palestra durante a EXPOMAFE - Feira Internacional de Máquinas-Ferramenta e Automação Industrial, realizada em São Paulo na semana passada.


De soluções simples a soluções mundiais


Muitas vezes, o trabalho dos pesquisadores está em desenvolver soluções simples tiradas de uma boa dose de observação.


Ernesto conta que, em uma ocasião, uma multinacional buscou o CDMF para solucionar um problema de retrabalho por corrosão de peças: "Era um galpão enorme de peças armazenadas e a empresa tinha um prejuízo imenso. A solução que demos? Feche a porta e proteja as peças da sujeira. Com isso, a empresa deixou de gastar muito dinheiro."


Já a parceria com empresas como Dow Química, Petrobras e White Martins levou ao desenvolvimento de novos materiais. Para a White Martins, por exemplo, a equipe de pesquisadores desenvolveu um material refratário que gerou um ganho econômico de R$ 32 milhões para a empresa em cinco anos e passou a ser usado por várias indústrias no mundo.


"A indústria de vidro sabia que poderia triplicar a produção se usasse uma atmosfera de oxigênio. Fizemos isso, desenvolvemos um novo refratário e a indústria em todo o mundo utiliza os refratários desenvolvidos no nosso laboratório", disse o professor Elson.


As parcerias também são firmadas com pequenas empresas ou polos manufatureiros. É o caso das empresas de cerâmica dos polos de Pedreira e Porto Ferreira, do interior do Estado de São Paulo. "Melhoramos o produto em resistência mecânica. Com isso adquirimos um conceito mais elevado de cerâmica para o polo", exemplificou o professor Elson.


 

VÍRUS ZIKA PODE SER USADO NO TRATAMENTO DE TUMOR CEREBRAL, AFIRMAM PESQUISADORES
BBC Brasil, 19.05.2017

Pesquisadores têm avançado em estudos sobre o vírus da zika

O vírus Zika poderia ser usado no tratamento de tumor cerebral. É o que acreditam cientistas da Universidade de Cambrigde, no Reino Unido.

Em um estudo pioneiro, eles vão testar o efeito do vírus sobre o glioblastoma, forma mais comum e agressiva de tumor no cérebro.

Segundo os pesquisadores, cerca de 2,3 mil pessoas são diagnosticadas por ano com esse tipo de câncer na Inglaterra - e menos de 5% dos pacientes sobrevivem mais de cinco anos à doença.

Em seu trabalho, os cientistas vão tentar confirmar se o Zika pode destruir as células cancerosas no cérebro.

 De acordo com eles, os tratamentos existentes contra o glioblastoma são limitados por causa da incapacidade de atravessar a barreira hematoencefálica - estrutura que atua principalmente para proteger o sistema nervoso central - e do fato de que as doses devem ser mantidas baixas para evitar danos ao tecido saudável.

O vírus Zika, por sua vez, consegue atravessar a barreira hematoencefálica e poderia atingir as células cancerosas, poupando o tecido cerebral adulto normal e abrindo assim uma nova possibilidade de atacar a doença.

"Esperamos mostrar que o vírus Zika pode retardar o crescimento do tumor cerebral em testes de laboratório. Se pudermos aprender lições a partir da sua capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica e atingir as células-tronco seletivamente, poderíamos ter na mão a chave para futuros tratamentos", explica o pesquisador Harry Bulstrode, da Universidade de Cambridge.

Esperança

Testes em laboratório já indicaram anteriormente que a infecção pelo Zika durante a gravidez ataca as células-tronco do cérebro em desenvolvimento dos bebês, reforçando a crença de que o vírus causa más-formações fetais, como a microcefalia.

Mas em adultos, uma vez que o cérebro já está totalmente desenvolvido, o vírus geralmente não causa nada além do que os sintomas de uma gripe.

Os pesquisadores afirmam que, no caso do glioblastoma, as células cancerosas se assemelham às do cérebro em desenvolvimento, o que sugere que a infecção por zika poderia atacá-las também.

Segundo a ONG Cancer Research UK, que está financiando a pesquisa, essa fase inicial de testes vai investigar como o vírus mira as células-tronco e fornecer um ponto de partida para desenvolver novos tratamentos que buscam atacar o tumor cerebral e preservar o tecido saudável ao seu redor.

Os cientistas vão testar células tumorais em ratos em laboratório.

"A infecção pelo Zika em bebês e crianças é uma grande preocupação para a saúde global, e o foco tem sido descobrir mais sobre o vírus para encontrar novos tratamentos possíveis. Estamos adotando uma abordagem diferente e queremos usar esses novos insights para ver se o vírus pode ser usado para combater um dos mais complexos tipos de câncer", diz Bulstrode.

Iain Foulkes, diretor de pesquisa e inovação do Cancer Research UK, reforça a urgência de se encontrar novas formas de tratamento para o glioblastoma.

"Precisamos urgentemente de novos insights e tratamentos para combater o glioblastoma, uma das formas mais comuns de tumores cerebrais e difíceis de tratar", diz Foulkes.

"A pesquisa de Bulstrode é uma forma incrivelmente inovadora de expandir a compreensão de como podemos vencer essa doença, que ainda é um grande desafio", acrescenta.

 


 

CONSTRUINDO PONTES ENTRE CIÊNCIA DA BIODIVERSIDADE E TOMADA DE DECISÃO
Paula Drummond de Castro *, Biota +10, FAPESP, Maio de 2017

 

Favorecer a interface entre ciência e tomada de decisão pressupõe a ampliação dos diálogos com diferentes grupos de interesse.

 
(c) Frank Sonnenberg.

Para se reduzir os riscos e o grau de incerteza inatos de qualquer processo decisório, o acesso a informações de qualidade é um passo fundamental para se elaborar as melhores escolhas. Captar e incorporar as diferentes perspectivas sobre um processo decisório igualmente colabora em sua legitimação e, portanto, na direção das melhores escolhas. Logo, aproximar ciência e tomada de decisão pressupõe boas informações e diálogo.

No âmbito da conservação e uso sustentável da biodiversidade, uma iniciativa intergovernamental nasceu buscando favorecer a interface entre ciência e política por meio da disponibilização da melhor informação existente para subsidiar a tomada de decisão acerca da biodiversidade e serviços ecossistêmicos. Trata-se da IPBES, Intergovernamental Platform on Biodiversity and Ecosystem Services, criada em 2012 e coordenada no âmbito das Nações Unidas pelo PNUMA, PNUD, FAO e UNESCO. Este mecanismo foi criado para fornecer informação científica em resposta às demandas dos policy makers. Atualmente participam 126 governos. Leia mais sobre o IPBES em matérias já publicadas no Boletim (Marco Conceitual, Relatório sobre polinizadores, Metodologias ).

Foi nesta toada que o Brasil se engajou e lançou em fevereiro de 2017 a versão nacional da plataforma, a Brazilian Platform on Biodiversity and Ecosystem Services – BPBES. Atualmente a BPBES está organizada como um Grupo de Trabalho da SBPC, que conta com apoio do MCTI/CNPq, do Programa Biota/Fapesp e da Fundação Brasileira para Desenvolvimento Sustentável.

A BPBES tem como proposta central inserir as questões acerca da Biodiversidade e dos Serviços Ecossistêmicos como elemento estratégico de política pública, contribuindo para um modelo inovador e sustentável de desenvolvimento socioeconômico do Brasil. “É trazer a biodiversidade e serviços ecossistêmicos para dentro do processo de desenvolvimento do país ao invés de tratá-la como um apêndice”, explica Fabio Scarano, um dos coordenadores da Plataforma. Para isso, a Plataforma Brasileira pretende reunir o conhecimento disponível e de ponta para elaborar o primeiro Diagnóstico Brasileiro sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos no Brasil.

O primeiro diagnóstico, com lançamento previsto para maio de 2018, terá como público alvo tomadores de decisão tanto do setor público como privado. O documento conterá sínteses do conhecimento sobre as tendências em cada bioma (Amazônia, Mata Atlântica, Caatinga, Cerrado, Pantanal, Pampa, incluindo sistemas aquáticos continentais e zonas costeiras e marinhas), seus principais vetores mudança e a sinergia entre eles, as interações multiescalares entre as dimensões ecológica e social; as opções de governança, arranjos institucionais e tomadas de decisão. “O diagnóstico não pretende ser prescritivo, ou seja, não dirá o que cada um deve ou não fazer. Terá um tom propositivo, buscando incluir a biodiversidade e serviços ecossistêmicos no centro do processo de desenvolvimento do país. O objetivo não é o de dar apenas más notícias, mas sobretudo de enfatizar soluções que já existem, já estão em curso, o seu potencial de replicação e sua escalabilidade.” Explica Scarano.

Para isso, espera-se caminhar para diversificar o quadro autoral do Diagnóstico em diferentes dimensões, tanto em termos regionais, de biomas, de ambientes (aquático terrestre, marinho), quanto de tipo de conhecimento (científico e não científico). Parte dos autores também integra o grupo de autores da Plataforma Internacional.

Estabelecendo pontes: contribuições para o diálogo intersetorial

Para garantir que o Diagnóstico possa pautar as ações dos tomadores de decisão a BPBES pretende estabelecer diálogo e incorporar as contribuições decorrentes de discussões com diversos grupos focais envolvidos com as questões de biodiversidade e serviços ecossistêmicos.

Como ponto de partida foi elaborado o documento base “Contribuições para o Diálogo Intersetorial: a Construção do Diagnóstico Brasileiro sobre Biodiversidade E Serviços Ecossistêmicos”. Até o presente momento, já foram mobilizados técnicos do governo de diferentes ministérios e representantes de organizações não governamentais. Estão previstas reuniões com representantes da indústria, agronegócio, grupos indígenas, grupos internacionais e mídias. A ideia é que estas contribuições enriqueçam a estrutura final do Diagnóstico e apontem caminhos para os tomadores de decisão.

Simplesmente disponibilizar informações científicas de alta qualidade não garante seu uso. Trabalhar a informação, com a orientação dos grupos de interesse potencializa seu uso, alcance e impacto. “Nós vivenciamos isto no Estado de São Paulo com o Programa Biota. Começamos o Programa de uma forma ingênua achando que disponibilizando gratuitamente a informação na internet era suficiente para que gestores públicos utilizassem a informação. Não é. Você precisa traduzir esta informação para uma linguagem que possa ser utilizada, que foi a elaboração dos mapas “Áreas prioritárias para incremento da conectividade” e “Áreas prioritárias para restauração da vegetação nativa”. Os mapas orientaram a Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo e a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo a delimitarem o zoneamento de plantio soja no estado. Enfim, você consegue ter um instrumento que pode ser utilizado pelo gestor. É essa ideia da Plataforma.” Sublinha o coordenador do Programa Biota e da BPBES, Carlos Joly.

Para conhecer mais sobre a Plataforma Brasileira e seus produtos visite o site: https://www.bpbes.net.br/
 
* Paula Drummond de Castro é bióloga, mestre e doutora em Política Científica e Tecnológica. Desenvolve sua linha de pesquisa em gestão e planejamento de ciência, tecnologia e inovação com ênfase em conservação, recuperação e uso sustentável da biodiversidade. Também é editora do Biota Highlights.

 

 

PLANTAS BRASILEIRAS RECÉM-DESCOBERTAS JÁ CORREM RISCO DE EXTINÇÃO
IHU On-line, 12.05.2017

Plantas brasileiras recém-descobertas já correm risco de extinção. Entrevista especial com Renato Goldenberg
 

Foto: IHU



Apesar de a biodiversidade brasileira ser conhecida no mundo todo como a mais rica e diversificada do planeta, ainda existem enormes dificuldades e desafios quando se trata de conhecer a flora de regiões como o Sul da Bahia, o Espírito Santo e a Amazônia, diz o engenheiro agrônomo e biólogo Renato Goldenberg à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por telefone.

Pesquisador do projeto “Diversidade da flora vascular e status de conservação das espécies endêmicas em três unidades de conservação da Floresta Atlântica Montana no estado do Espírito Santo”, Goldenberg tem pesquisado e classificado novas espécies de plantas no Espírito Santo e afirma que mesmo espécies recém-descobertas já correm risco de extinção. Segundo ele, isso ocorre, de um lado, porque há dificuldades em estudar as plantas dessas regiões, visto que o “histórico de coletas é muito pobre” se comparado a grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro e, de outro, porque as espécies descobertas “ocorrem em uma área intensamente habitada na periferia da região metropolitana de Vitória, e é muito difícil conservar qualquer espécie da biodiversidade em regiões como essa por conta da superpopulação”.

Na entrevista a seguir, Goldenberg também comenta a necessidade de se pesquisar a biodiversidade da Amazônia e do Cerrado. “É mais urgente estudarmos a flora da Amazônia, justamente porque não a conhecemos completamente. De outro lado, em razão da taxa de destruição, é urgente estudarmos o Cerrado, porque em meio século ele deixará de existir”, aconselha. Apesar dessa demanda, frisa, “agora existe o risco de não conseguirmos tocar os projetos” por conta da crise brasileira.

 
Renato Goldenberg | Foto: UFPR

Renato Goldenberg é graduado em Engenharia Agronômica pela Universidade de São Paulo – USP, mestre e doutor em Biologia Vegetal pela Unicamp. Atualmente é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como está sendo feita a sua pesquisa de identificação e classificação de novas plantas em três unidades de conservação no Espírito Santo? Essa pesquisa se restringe a áreas do Espírito Santo ou envolve outras regiões do país?
Renato Goldenberg – O projeto do qual essa pesquisa faz parte foi financiado pela Fundação Grupo Boticário da Natureza em 2008. O projeto financiou a coleta, por parte da nossa equipe, de plantas em três Unidades de Conservação – UCs no Espírito Santo. Depois que essas plantas são coletadas, há um longo processo de maturação e identificação de todas elas, justamente porque a identificação das espécies é muito demorada. Uma planta coletada em 2009, por exemplo, há sete anos, fica num herbário pelo qual passam especialistas do mundo todo. No Brasil, em geral, essas plantas ficam no herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Para saber se uma determinada espécie de planta é nova ou não, primeiro temos que ter acesso a toda a bibliografia já publicada sobre esse gênero, e isso inclui analisar os materiais fundadores, ou seja, trabalhos sobre tipos nomenclaturais publicados em francês, em 1850, em inglês, em 1871, e em latim, em 1828, os quais nos permitem identificar as famílias das plantas. A maior parte desses trabalhos não está no Brasil e essa é uma grande dificuldade que temos ao trabalhar com diversidade, justamente porque as primeiras espécies descobertas no Brasil foram descritas no final do século passado, e os primeiros coletores e botânicos não eram brasileiros, mas alemães, franceses, ingleses ou norte-americanos. Logo, os tipos nomenclaturais estão listados no exterior e a pesquisa sobre a identificação de novas espécies se torna mais difícil.

Para saber se a espécie de uma planta é nova, tenho que compará-la com toda a bibliografia existente, ou seja, não pode ser com 99% da bibliografia, mas com 100%. Além disso, é preciso comparar todos os tipos nomenclaturais, e com base nessas comparações chegamos à conclusão de se a espécie é nova ou não. Apesar de todo esse processo, nossa finalidade não é descrever uma espécie nova, e sim compreender quais são as espécies que existem.

Biodiversidade desconhecida

Feita essa explicação inicial sobre como funciona o processo de descobrir e descrever novas espécies, posso dizer que a Mata Atlântica é um ambiente biodiverso e algumas regiões da Mata Atlântica são mais bem amostradas do que outras regiões do país, justamente porque toda a região do Rio de Janeiro, principalmente a que está localizada atrás dos morros cariocas, foi o primeiro lugar em que se começou a coletar espécies no Brasil. O Rio de Janeiro tem dois dos cinco maiores herbários do país. Do mesmo modo, São Paulo e os estados do Sul têm várias universidades que possuem herbários importantes. O problema começa justamente quando queremos conhecer a biodiversidade de estados como o Espírito Santo ou de regiões como a do sul da Bahia, que são lugares extremamente diversos desses estados que mencionei anteriormente e onde o histórico de coletas é muito pobre.

A verdade é que nós botânicos – e com isso vou fazer uma autocrítica -, costumamos sempre coletar as espécies nos mesmos lugares, o que dificulta a descoberta de novas espécies

Sabemos que existem diversas espécies restritas que ocorrem só nesses lugares e que nunca foram coletadas. Logo, tentando responder a sua pergunta, a pesquisa foi realizada no Espírito Santo justamente para tentar identificar a biodiversidade da região. Entretanto, o ritmo de descrição das espécies novas é proporcional ao conhecimento da flora. Assim, a quantidade de espécies novas descritas para São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul é superbaixa, enquanto a quantidade de novas espécies existentes no Espírito Santo e na Bahia é enorme. Nos últimos 15 anos pesquisando a biodiversidade do Espírito Santo, só eu, trabalhando individualmente com uma família, já descrevi entre 20 e 30 espécies. Na Bahia, por exemplo, também foram encontradas entre 20 e 30 novas espécies.

IHU On-Line – Que outras regiões do Brasil ainda são potenciais para o descobrimento de novas espécies, além da Bahia e do Espírito Santo?

Renato Goldenberg – A verdade é que nós botânicos – e com isso vou fazer uma autocrítica -, costumamos sempre coletar as espécies nos mesmos lugares, o que dificulta a descoberta de novas espécies. Ainda existem vários locais ao longo da Mata Atlântica que são pouco coletados por dificuldade de acesso. Mesmo nos estados em que são feitas muitas coletas, como no Rio de Janeiro e em São Paulo, muito material novo e desconhecido ainda pode ser coletado. Além do Espírito Santo e da Bahia, existem algumas regiões mais ao Norte, no Nordeste, de altitude mais elevada, onde existem florestas mais úmidas, que também são lugares ricos em biodiversidade, mas onde são realizadas poucas coletas. Especialmente nas montanhas do Espírito Santo e da Bahia e ao Leste e ao Sul de Minas Gerais, ainda existem bastantes espécies para serem conhecidas.

IHU On-Line – Em quais biomas brasileiros as plantas são mais desconhecidas?

Renato Goldenberg – No Brasil como um todo, certamente na Amazônia e, nesse sentido, é mais urgente estudarmos a flora da Amazônia, justamente porque não a conhecemos completamente. De outro lado, em razão da taxa de destruição, é urgente estudarmos o Cerrado, porque em meio século ele deixará de existir.

IHU On-Line – Um dos fatos que chamam a atenção na sua pesquisa é que algumas das plantas recém-descobertas correm risco de extinção. Já é possível identificar os fatores que põem essas plantas em risco e que medidas poderiam ser tomadas para que a espécie possa se desenvolver?

Renato Goldenberg – Primeiro vou explicar como analisamos e como entendemos o risco de extinção e depois vou comentar o tópico da conservação. Existem critérios técnicos que determinam se uma espécie corre ou não risco de extinção: o primeiro deles leva em conta a distribuição geográfica da espécie, e o segundo critério considera o local onde essas plantas ocorrem, justamente para verificar se a quantidade de plantas no local é pequena ou não, se o local é ameaçado por algum tipo de empreendimento, por mudanças climáticas ou pelo que quer que seja.

O que acontece com essas espécies descobertas no Espírito Santo é que elas ocorrem em uma área intensamente habitada na periferia da região metropolitana de Vitória, e é muito difícil conservar qualquer espécie da biodiversidade em regiões como essa por conta da superpopulação. Nós coletamos essas espécies no campo e encontramos, para duas dessas espécies, populações superpequenas. As duas espécies que estão ameaçadas têm pelo menos uma população de cada uma delas dentro de uma Unidade de Conservação, que é a Reserva Biológica de Duas Bocas, no município de Cariacica. Ainda assim elas estão sob risco porque a quantidade de plantas existentes é muito pequena. É possível que daqui a alguns anos alguém colete plantas iguais em outros lugares e, por conta disso, podemos mudar a estatística em relação ao risco de extinção delas, embora seja pequena a probabilidade de plantas como essas serem encontradas em outros lugares.

Então, devido à distribuição geográfica restrita, à ocorrência de pouquíssimas espécies e à pressão que ocorre sobre essas áreas naturais onde essas plantas se desenvolvem, elas têm um risco de extinção bastante alto. Elas só não estão criticamente em perigo porque existem populações dentro das Unidades de Conservação. Apesar disso, há uma preocupação com o desenvolvimento dessas espécies, justamente porque está em curso uma revisão de áreas de proteção ambiental no país para atender a interesses econômicos.
É necessário minimamente mantermos as Unidades de Conservação tais como elas estão
Sobre a segunda parte da sua pergunta, acerca de como preservar essas espécies que estão em extinção, eu diria que em primeiro lugar é preciso conter o que o governo está querendo fazer, ou seja, é fundamental não intensificar a atuação humana sobre as Unidades de Conservação. É necessário minimamente mantermos as Unidades de Conservação tais como elas estão. Em segundo lugar, diria que existem ações individuais que podemos efetuar sobre essas plantas. Essas ações envolvem a conscientização das pessoas que vivem ao redor dessa biodiversidade, e a conscientização da administração das UCs de que existem plantas que só ocorrem em determinadas Unidades.

IHU On-Line – Há um discurso recorrente sobre a importância de se conhecer e preservar a biodiversidade brasileira. Nesse sentido, quais são os incentivos dados para a realização desse tipo de pesquisa no país?

Renato Goldenberg – Você me faz essa pergunta em uma época muito difícil para nós. Sempre foi difícil fazer pesquisa no Brasil, porque nunca recebemos muitos incentivos, principalmente em termos financeiros, mas pelo menos existiam instituições com um peso e com recursos humanos suficientes para manter esse tipo de pesquisa andando. Hoje em dia não sabemos se teremos universidade pública e financiamento do CNPq para os próximos anos; aliás, não sei se terei meu emprego como professor da universidade pública daqui a cinco anos, porque a pressão atualmente é muito grande. Os cortes recentes no CNPq não são restritos à nossa área; os cortes de verbas e de financiamento do CNPq são para o país inteiro, para todos os pesquisadores. Portanto, não é só esse tipo de pesquisa que desenvolvo que está correndo perigo, na verdade é todo o sistema de ensino e pesquisa no Brasil que está em risco.

O incentivo e o investimento sempre foram insuficientes no país, mas era um insuficiente com o qual conseguíamos dar andamento aos trabalhos. Agora, no entanto, existe o risco de não conseguirmos tocar os projetos. Desculpe meu pessimismo, talvez seja exagerado, mas hoje temos, basicamente, financiamentos do governo e de algumas poucas fundações particulares. Inclusive, no Brasil há muito poucas fundações particulares que apoiam a pesquisa. Existem alguns programas da Fundação Boticário e da Natura, principalmente da Fundação Boticário que, tradicionalmente, financia pesquisa, especificamente, de conservação e em alguns casos de conhecimento das espécies nativas para a conservação. Fora isso, a maior parte dos programas de financiamento é feita pelo CNPq.

IHU On-Line – De outro lado, existem financiamentos de fundações estrangeiras que têm interesse em estudar a biodiversidade brasileira?

Renato Goldenberg – Não. O que existem são iniciativas individuais de alguns poucos pesquisadores. São projetos de pesquisadores estrangeiros, que envolvem pesquisadores brasileiros, e eu mesmo faço parte de um desses projetos. Cada país financia a sua pesquisa com restrições ao financiamento de pesquisadores estrangeiros, e isso é completamente compreensível. Eu participo, por exemplo, de um projeto com um grupo de pesquisadores do Jardim Botânico de Nova York. Não recebo nenhum incentivo financeiro para isso. Eles me dão apenas um “apoio moral”, e a nossa produção científica é boa por causa deles, porque eu posso enviar alunos para trabalhar nos laboratórios de lá, o que é bastante importante, e eles financiam pesquisas de campo quando vêm fazer alguma pesquisa no Brasil.

No país existe um grande preconceito e medo em relação aos pesquisadores estrangeiros que vêm para cá, porque em geral se acha que eles vão roubar nossas pesquisas ou a biodiversidade, mas não é o caso, eles não têm a intenção de levar o nosso patrimônio para fora

 


10 IMPACTOS CAUSADOS PELA REDUÇÃO DE ÁREAS NATURAIS NO BRASIL
Carlos Nobre, Carlos Eduardo Young, Fábio Olmos e Marcelo Dantas*, Ecodebate, 24.05.2017

Brasnorte, MT, Brasil: Árvore em meio a plantação de soja.
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)


Recentemente, o governo federal propôs a redução de mais de 1 milhão de hectares da área de unidades de conservação (UCs), que inclui áreas do Pará, na Amazônia, e de outras regiões do Brasil.


A mudança, que já foi aprovada por uma comissão mista de deputados e senadores, acontece por meio de uma ferramenta ágil e destinada apenas a assuntos urgentes: as medidas provisórias. No último dia 16 de maio, a MP 756 foi aprovada pela Câmara dos Deputados, que autoriza a mudança de categoria de parques nacionais e de florestas nacionais e os transforma em áreas de preservação ambiental (APAs), cujas restrições para exploração são menores.


A proposta atinge uma região que sofre com o desmatamento há anos. Apesar da redução do índice histórico de desmatamentos na Amazônia, em 2016 ainda foram registrados 8 mil km² pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) – área equivalente a quase uma vez e meia o Distrito Federal, que tem 5,7 mil km². As consequências dessas ações não afetam somente quem vive perto das florestas, mas abrange todo o País, de Norte a Sul, sem contar o impacto causado na fauna, na flora e nos serviços ambientais daquelas áreas reduzidas pela proposta.


Confira dez fatos e impactos que a redução de florestas causa para o meio ambiente e para a população:


1. A falta ou excesso de chuva no Brasil é influenciada pela Amazônia
É na Amazônia que são formados os rios aéreos ou voadores, que são massas de ar carregadas de vapor d’água. A floresta amazônica atrai a umidade evaporada pelo oceano e cria correntes de ar que transportam essa umidade em direção ao Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. De acordo com o biólogo e diretor da Permian Brasil, Fábio Olmos, existem diversos estudos que mostram que a segurança hídrica nacional depende da Amazônia. “Tanto os centros urbanos como o campo, a região mais povoada do País ou a mais remota, dependem dos serviços ambientais fornecidos pela floresta e outros ecossistemas naturais. Isso sem nem mencionar a questão das emissões de gases de efeito estufa associadas ao desmatamento, que intensificam a mudança global do clima”, afirma ele, que também é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.


2. Conservação da natureza não está na lista da maioria dos governantes
Parece ser uma triste verdade. As recentes mudanças anunciadas pelo governo brasileiro demonstram que as regras atendem aos interesses de poucos e não a vontade de muitos. No Pará, os limites do Parque Nacional do Rio Novo, Parque Nacional do Jamanxim e da Área de Proteção Ambiental do Tapajós correm sérios riscos de serem alterados. Essas últimas mudanças aconteceram por meio das Medidas Provisórias 756 (aprovada pela Câmara dos Deputados na terça, 16 de maio) e 758, que, além do Pará, também propõe alteração na área do Parque Nacional de São Joaquim, em Santa Catarina.


3. Não estamos reduzindo o desmatamento
Por cerca de 10 anos, até a celebração do Acordo de Paris na Conferência de dezembro de 2015 (COP21), a redução de desmatamentos na Amazônia era destaque global ano após ano: a taxa anual foi reduzida em 83% e oscilou entre 5 a 6 mil km²/ano até 2015. Em 2016, no entanto, os desmatamentos medidos pelo sistema PRODES do INPE registraram quase 8 mil km² na região. Entre as causas, pode-se apontar tanto as reduções orçamentárias dos órgãos ambientais reguladores, como mudanças do Código Florestal Brasileiro, em 2012, que anistiaram desmatamentos ilegais do passado, encorajando o descumprimento da lei.


4. O Brasil é um país que não cumpre acordos internacionais
O Acordo de Paris foi assinado em 2015 por dezenas de países que se comprometeram a parar e reduzir o aquecimento global e suas consequências. O ideal é que as nações signatárias promovam mudanças para que o aumento não supere 1,5°C. O Brasil foi protagonista nas negociações que concretizaram o pacto e se comprometeu a reduzir em 37% as emissões de gases de efeito estufa até 2025, 43% até 2030 em relação às emissões de 2005, e zerar o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030. Ou seja, até lá, o Brasil está dizendo que continuará tendo desmatamento ilegal na Amazônia; e, quanto aos demais Biomas, o compromisso brasileiro não traz metas específicas. De acordo com o climatologista Carlos Nobre, membro da Academia Brasileira de Ciências e da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, com as constantes reduções de áreas protegidas e o aumento do desmatamento, dificilmente chegaremos à meta de desmatamento zero, que já era desafiadora. “A relação entre o desmatamento, a floresta e o clima é real e nos afeta diariamente. Não podemos perder o trem da história, pois o custo será o futuro de nossa e das próximas gerações”, analisa Nobre.


5. O clima do planeta está esquentando
A temperatura média do planeta está aumentando e isso é perigoso! Dados divulgados pela Nasa, agência espacial americana, e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), em janeiro deste ano, confirmam que a temperatura do planeta bateu recordes pelo terceiro ano consecutivo. Em 2016, o planeta estava 0,99 grau Celsius mais quente que a média do século XX. Há grande consenso científico de que a maior parte do aquecimento observado nos últimos 60 anos é devido ao aumento da concentração de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO2), decorrente da emissão de combustíveis fósseis, do desmatamento, entre outros. Quanto menos áreas naturais tivermos, pior ficará a situação.


6. Quando uma floresta é derrubada, as outras regiões também são afetadas
Além do impacto no regime de chuvas, as florestas também atuam como reguladores do clima, proteção de rios e das espécies que vivem nelas, entre muitos outros fatores. O recente surto de febre amarela que alarmou o Brasil é consequência do desmatamento da Mata Atlântica, por exemplo.


7. Pecuária é uma das atividades mais poluentes
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) lançou o relatório Estado das Florestas do Mundo 2016 e concluiu que, no Brasil, mais de 80% do desmatamento está ligado à conversão de terras em terrenos de pasto. Além disso, o relatório analítico do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa) do Observatório do Clima mostra que as emissões diretas e indiretas do agronegócio representam dois terços das emissões brasileiras de gases de efeito estufa.


8. Medidas provisórias deveriam ser usadas com mais cautela
Na hora de mudar ou propor normas, o governo tem três caminhos possíveis: as medidas provisórias (MPs), os decretos e os projetos de lei. Os decretos podem ser feitos apenas pelo presidente, governadores e prefeitos para determinadas leis. Os projetos de lei são a maneira mais tradicional e “certa” de se propor uma mudança, mas também são mais lentas e burocráticas. É aí que surgem as MPs, que devem ser usadas apenas em casos relevantes e urgentes e quem define isso é o presidente da República. Uma medida precisa ser aprovada em no máximo 120 dias e tem força de lei imediata. Usar uma MP para alterar a área de uma unidade de conservação, por exemplo, é uma distorção grave da lei, de acordo com o advogado especializado em causas ambientais, Marcelo Dantas, que é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza. “Se as alterações sugeridas na Amazônia são urgentes a ponto de pedir uma medida provisória, certamente elas atendem a interesses específicos e que divergem da opinião da população. Essa manobra foi feita para driblar a burocracia e reduzir a resistência na aprovação”, explica.


9. Florestas e áreas de preservação podem gerar emprego e renda
Acreditar que desmatamento e danos ambientais estão ligados ao desenvolvimento é um pensamento, no mínimo, atrasado. Carlos Eduardo Young, economista e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, defende o conceito de economia verde: uma prática que estimula atividades associadas à preservação ambiental, uso eficiente de recursos e inclusão social. “As atividades ‘verdes’ tendem a ser mais intensivas em mão de obra e em produtos manufaturados com maior conteúdo de inovação”, explica.


10. O desmatamento das áreas naturais induz a mais violência no campo
Há no Brasil uma tradição de que, se for estabelecido um uso produtivo da terra, é possível ter direito à sua posse. Nesse ponto de vista, a taxa de desmatamento tende a aumentar e dar a oportunidade para que grileiros reclamem para si o direito à posse; e o resultado: violência. De acordo com o artigo “Direitos de Propriedade, Desmatamento e Violência: Problemas para o Desenvolvimento da Amazônia”, publicado em 2014, nos municípios onde há mais desmatamento, a taxa de homicídios também é maior. Para o pesquisador Carlos Eduardo Young, que é membro da Rede de Especialistas e um dos autores do artigo, “há inúmeros estudos que apontam como o processo de desmatamento é acompanhado por atos de violência, que vão do conflito entre posseiros e grileiros, até a expulsão dos antigos moradores da floresta. Casos, ainda, que podem resultar em homicídio”, explica.


*Carlos Nobre, Carlos Eduardo Young, Fábio Olmos e Marcelo Dantas fazem parte da Rede de Especialistas de Conservação da Natureza, uma reunião de profissionais, de referência nacional e internacional, que atuam em áreas relacionadas à proteção da biodiversidade e assuntos correlatos, com o objetivo de estimular a divulgação de posicionamentos em defesa da conservação da natureza brasileira. A Rede foi constituída em 2014, por iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

 


 

 

GOVERNO PREPARA ESTÍMULO À MINERAÇÃO SEM SALVAGUARDA AMBIENTAL, ALERTA WWF-BRASIL
Jaime Gesisky, WWF_Brasil, 23.05.2017

 

 Amazônia concentra maior número de pedidos de pesquisa e lavra.
 
Atrair investimentos é a palavra de ordem no governo como resposta a uma das maiores recessões da história do Brasil. Para isso, o governo prepara um pacote para beneficiar o setor de mineração. A expectativa é aumentar em 50% a participação mineral no PIB brasileiro e reverter a paralisia em que o setor se encontra nos últimos anos.

Essa paralisia, segundo diagnóstico oficial, decorre da insegurança jurídica criada pelo debate da mudança do marco regulatório, proposta ao Congresso em junho de 2013, e que seria sinônimo de maior intervenção estatal nos negócios.

O pacote circula de forma reservada no governo atende pelo nome de Programa para a Revitalização da Indústria Mineral Brasileira, que lança mão de instrumentos como medidas provisórias, decretos e projetos de lei.

O governo planeja liberar 2,5 milhões de km2 para a participação do capital estrangeiro em mineração na faixa de fronteira com os países vizinhos, desde o estado do Amapá até o Rio Grande do Sul.

Uma área de 46 mil km2 entre os estados do Pará e do Amapá proibida à mineração desde 1984 poderá ser aberta em breve à iniciativa privada como uma das medidas previstas pelo governo Temer para engordar o PIB brasileiro.

A região conhecida como Reserva Nacional de Cobre tem elevado potencial de ouro e outros metais, dois grandes depósitos de fosfato e centenas de garimpos de ouro. A liberação da área deve ser feita por meio de decreto da Presidência da República entre um conjunto de medidas que deve ser anunciado em breve.

Além disso, o pacote pretende licitar via leilão eletrônico milhares de áreas “em disponibilidade” para pesquisa, cujos requerimentos caducaram.

Os dados constam de um levantamento do WWF-Brasil sobre as principais medidas em análise no governo e que almejam abrir perspectivas ao setor minerário sem, contudo, garantir segurança para o meio ambiente.

As principais preocupações são quanto ao avanço da atividade sobre as áreas protegidas e ao provável estímulo de flexibilização das regras do licenciamento ambiental, em plena discussão no governo. Embora o licenciamento não seja objeto principal do documento, o tema está no radar da ONG.

Mudança na estratégia

Da proposta de mudança no marco regulatório do setor minerário que vinha sendo tratada no Congresso Nacional, o governo deve aproveitar muito pouco, como a criação de uma agência reguladora para o setor, em substituição ao atual Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM), vinculado ao Ministério de Minas e Energia.

Para começar, o governo deve retirar de tramitação projeto de lei 5.807/2013, que reformula o marco regulatório da mineração.

No cenário ainda a possível liberação da faixa de fronteira para a participação do capital estrangeiro em atividade de mineração. Essa área corresponde a 27% do território nacional (2,5 milhões de km2).

A proposta será incorporada pelo relator do projeto de lei do Senado 398/2014, Fernando Bezerra Coelho (PSB/PE), pai do atual ministro de Minas e Energia.

Em vez de mudar o atual Código de Mineração, o governo quer apenas regulamentar, por decreto, mudanças feitas durante o governo Fernando Henrique Cardoso e que abriram a mineração no país ao capital estrangeiro. O decreto tem por objetivo encurtar o tempo entre o requerimento de pesquisa e a liberação da atividade mineral, que pode durar 12 anos.

O governo também deve enviar ao Congresso projeto de lei alterando a base de cálculo da Compensação Financeira pela Exploração dos Recursos Minerais (CFEM), que passará a incidir sobre o faturamento bruto e não mais sobre a receita líquida. A expectativa é aumentar a arrecadação (até dobrar), que foi de 1,8 bilhão em 2016.

A proposta não altera o percentual da receita que cabe à União, Estados e municípios e passa a gestão da arrecadação para a Secretaria de Receita Federal. As alíquotas incidentes sobre minério de ferro sofrerão variação (de 2% a 4%), de acordo com a cotação internacional da tonelada da commodity. As demais substâncias serão taxadas entre 0,2% (lavra garimpeira de ouro, por exemplo) e 3% (bauxita, manganês).

Também deve aumentar os investimentos em mineração, o governo já incluiu em setembro passado quatro áreas estudadas pelo Serviço Geológico do Brasil no Programa de Parcerias para Investimentos para licitação ao mercado, o que deve ocorrer ainda em 2017. Somam quase 111 mil hectares as áreas de carvão, cobre, chumbo, zinco e fosfato em Goiás, Tocantins e Pernambuco.

Há mais 20 mil processos de áreas requeridas para pesquisa “em disponibilidade”. A intenção é licitar rapidamente pacotes dessas áreas, por meio de leilões eletrônicos.

Cuidado

Numa primeira leitura, é possível afirmar que, da maneira como está sendo planejada pelo governo, o aumento da atividade mineral poderá levar a tensão sobre áreas protegidas no país. Basta sobrepor a base de dados com os pedidos de pesquisa e lavra do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) ao mapa das áreas protegidas para que se acenda o sinal de alerta, conforme mostra a análise do WWF.

 E tem mais. Se passarem as medidas de flexibilização das regras do licenciamento ambiental como querem alguns setores do governo, do Congresso, e de parte do setor industrial, o Brasil poderá retroceder nas salvaguardas socioambientais para grandes obras.

“Não dá para apostar todas as fichas nos investimentos e esquecer as salvaguardas ambientais e sociais”, alerta Maurício Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil.

Há apenas uma única e discreta menção no pacote do governo sobre ações relativas a barragens de rejeitos de mineração, numa alusão ao traumático rompimento da barragem de Fundão, num subdistrito de Mariana (MG), em novembro de 2015, tido como o maior desastre ambiental ocorrido no Brasil.

 


SAMAMBAIAS INSPIRAM ARMAZENAMENTO DE ENERGIA 30 VEZES MAIS EFICIENTE
Site Inovação Tecnológica -  11.05.2017

Sendo 30 vezes mais eficiente em escala de laboratório em relação às opções até agora disponíveis, este protótipo pode mudar o jogo. [Imagem: RMIT University]
    
Fractais

Inspirado nos veios naturais da samambaia, este protótipo pretende não apenas ser o sucessor das atuais baterias, como também ser a resposta para que as necessidades dos aparelhos portáteis sejam supridas a partir da energia solar.

Copiando a solução que a natureza encontrou para preencher um espaço da maneira mais eficiente possível - através de intrincados padrões que se autorrepetem, conhecidos como fractais -, o novo tipo de eletrodo aumenta a densidade das tecnologias de armazenamento de energia similares em nada menos do que 3.000%.
Mais do que isso, o protótipo baseado em grafeno abre uma nova rota para o desenvolvimento de sistemas "tudo em um", capazes de captar e armazenar a energia solar, sistemas estes que estão se tornando possíveis graças aos filmes finos flexíveis.
Quando totalmente desenvolvida, uma solução assim permitirá a fabricação de celulares, notebooks e até edifícios autoalimentados, que não dependerão inteiramente da rede de energia elétrica para se recarregar - parte, ou até mesmo toda a energia, virá da luz solar.

Supercapacitores

Este novo eletrodo supereficiente foi projetado para trabalhar com supercapacitores, que são dispositivos de armazenamento de eletricidade que se recarregam e descarregam muito mais rapidamente do que as baterias.

Os supercapacitores têm sido combinados com a energia solar há algum tempo, mas seu uso mais amplo como solução de armazenamento tem permanecido restrito devido à sua capacidade limitada. Sendo 30 vezes mais eficiente em escala de laboratório em relação às opções até agora disponíveis, este protótipo pode mudar este quadro.

Litty Thekkekara, da Universidade de RMIT, na Austrália, destaca o fato de que sua criação é baseada na tecnologia de películas finas flexíveis, o que torna suas aplicações potenciais incontáveis.

"A possibilidade mais promissora é usar este eletrodo com uma célula solar, para fornecer uma solução de colheita e armazenamento de energia total em um único chip. Podemos fazer isso já com as células solares existentes, mas elas são volumosas e rígidas.

"O futuro real reside na integração do protótipo com uma célula solar de película fina flexível. Filmes finos solares poderiam ser usados em virtualmente qualquer lugar que você possa imaginar, de janelas a painéis de carro, telefones ou relógios inteligentes. Nós não precisaríamos mais de baterias para recarregar nossos telefones ou estações de recarregamento para nossos carros híbridos," entusiasma-se pesquisador.

Para que essas aplicações passem do reino das possibilidades para a realidade, a equipe agora terá que integrar seu eletrodo com as células solares orgânicas. Como inúmeras equipes ao redor do mundo trabalham nessa área, não será necessário esperar muito para ver estes testes começarem a ser feitos.

Bibliografia:
Bioinspired fractal electrodes for solar energy storages
Litty V. Thekkekara, Min Gu
Nature Scientific Reports
Vol.: 7, Article number: 45585
DOI: 10.1038/srep45585

 


VIAGEM INTERESTELAR VAI DURAR NO MÍNIMO 69 ANOS - VEJA POR QUÊ
New Scientist,  17.05.2017

 

Está com pressa para chegar a outra estrela? Então não trace curso para a estrela mais próxima. [Imagem: NASA/ESA/H. Bond (STScI)/M. Barstow (University of Leicester)]

Tão longe, tão perto

Com tantas estrelas no céu, parece natural assumir que a mais próxima de nós seria o melhor alvo para inaugurarmos uma era de viagens interestelares, já que seria mais rápido chegar até lá.

Mas não é bem assim - pelo menos não com a tecnologia que parece mais ao nosso alcance.

Um trio de astrofísicos do Instituto Max Planck para Pesquisa de Sistemas Solares, na Alemanha, garante que poderíamos alcançar e orbitar Sirius, a estrela mais brilhante do nosso céu noturno, em apenas 69 anos.

Isto apesar do fato de que ela está duas vezes mais distante do que as nossas estrelas mais próximas, no sistema Alfa Centauro, cuja viagem exigiria mais de um século.
Os resultados surpreenderam os pesquisadores, mas eles afirmam que a matemática é simples.

Ir à estrela ou passar pela estrela

Tudo começou com o projeto Starshot, que anunciou a intenção de enviar nanonaves espaciais a Alfa Centauro em uma viagem de 20 anos.

Logo em seguida, René Heller e seus colegas se deram conta de que, se tudo corresse conforme planejado, as nanonaves passariam chispando pela estrela e seus planetas, com apenas alguns segundos para coletar dados - mais ou menos como a sonda New Horizons passou por Plutão, viajando rápido demais para conseguir entrar em órbita.
Eles calcularam então que seria necessário brecar a espaçonave, elevando a missão para cerca de 140 anos.

E ninguém iria querer simplesmente passar por um sistema estelar que possui o exoplaneta mais parecido com a Terra que já detectamos.


Os defensores das velas solares estão depositando suas esperanças em painéis ultrafinos de grafeno, que absorvem fótons com alta eficiência. [Imagem: NASA]

Viagem a Sirius

Agora a mesma equipe usou seus cálculos para levar em conta que brecar uma espaçonave depende da intensidade disponível de energia luminosa na estrela de destino, já que a missão está sendo projetada para usar uma forma de propulsão chamada vela solar, que aproveita o impulso dos fótons da luz estelar - ou de um canhão laser na Terra, ao menos na parte inicial da viagem.

Sirius está a 8 anos-luz de distância, duas vezes mais do que Alfa Centauro, mas é 16 vezes mais brilhante, de forma que sua luz ajudaria a nave espacial a acelerar e depois desacelerar de modo muito mais intenso.

E, como a trio destaca, a matemática é simples: O tempo que leva para viajar para um sistema estelar e, em seguida, conseguir ficar por lá, é uma função da distância dividida pela raiz quadrada da luminosidade da estrela. Assim, levaria menos tempo para viajar para Sirius em comparação com Alfa Centauro.

Os resultados apontam um tempo de viagem de 69 anos para visitar Sirius - contra os 140 anos para visitar Alfa Centauro.

Bibliografia:
Optimized trajectories to the nearest stars using lightweight high-velocity photon sails
René Heller, Michael Hippke, Pierre Kervella
DOI: https://arxiv.org/abs/1704.03871

 


VIAGEM NO TEMPO É POSSÍVEL COM TARDIS DO ESPAÇO-TEMPO
UBC,  19.05.2017

Além de permitir a viagem no tempo, a matéria exótica pode possibilitar a velocidade de dobra - alguns astrofísicos acreditam que haja matéria exótica em estrelas de nêutrons.[Imagem: NASA]

TARDIS matematicamente possível

Um matemático e um físico canadenses criaram um modelo matemático para uma máquina do tempo que, ainda que não seja viável no presente, também não se pode dizer que seja impossível de ser construída.

David Tsang e Ben Tippett, da Universidade da Colúmbia Britânica, são especialistas na teoria de Einstein e em buracos negros - mas confessam que também gostam de ficção científica nas horas vagas.

"As pessoas pensam que viagens no tempo sejam algo ficcional. E nós tendemos a pensar que não é possível porque não o fazemos de fato. Mas, matematicamente, é possível," garante Tippett.

E, usando matemática e física, eles provaram.

Deduzindo fórmulas e triturando um bocado de números, Tsang e Tippett criaram um modelo matemático de uma TARDIS - o nome foi obviamente dado em homenagem à máquina do tempo do Dr. Who, mas eles conseguiram forjar uma sigla que fizesse sentido em seu trabalho: Traversable Acausal Retrograde Domain in Space-time, algo como domínio retrógrado não-causal no espaço-tempo.


 
Outros cientistas acreditam que o futuro pode afetar o passado. [Imagem: Cortesia Shutterstock/Sam72]

Máquina do espaço-tempo

Os dois pesquisadores descrevem sua máquina do tempo como uma bolha na geometria espaço-tempo que transporta seu conteúdo para trás e para a frente através do espaço e do tempo enquanto percorre um grande caminho circular. Os cálculos indicam que a bolha, em determinadas condições, se move através do espaço-tempo a velocidades maiores do que a velocidade da luz, permitindo que ela se mova para trás no tempo.

Para explicar isso, a dupla defende que a divisão do espaço em três dimensões, com o tempo em uma dimensão separada, é incorreta. As quatro dimensões devem ser imaginadas simultaneamente, afirmam, onde diferentes direções estão conectadas, como um contínuo espaço-tempo.

Usando a teoria de Einstein, eles explicam que é a curvatura do espaço-tempo a responsável pelas órbitas curvas dos planetas. Em um espaço-tempo "plano", ou não-curvado, os planetas e estrelas iriam se mover em linhas retas. Contudo, na vizinhança de uma estrela, que tem massa enorme, a geometria do espaço-tempo torna-se curva e as trajetórias retas dos planetas próximos seguirão a curvatura e circularão ao redor da estrela.

"A direção temporal da superfície do espaço-tempo também apresenta uma curvatura. Existem evidências mostrando que, quanto mais perto de um buraco negro estivermos, mais lentamente o tempo se move. [Nosso] modelo de uma máquina do tempo usa o espaço-tempo curvo para dobrar o tempo em um círculo para os passageiros, e não colocá-lo em uma linha reta. Esse círculo nos leva de volta no tempo," explica Tippett.


Ainda que não permita ir de fato ao passado ou ao futuro, as pesquisas sobre viagem no tempo podem ser usadas de forma prática na segurança da informação. [Imagem: mptvimages.com]

Matéria exótica

Embora seja possível descrever esse tipo de viagem no tempo usando equações matemáticas, os pesquisadores duvidam que alguém chegue a construir uma máquina para demonstrar esse princípio porque o material para isso não existe - ainda.

"H.G. Wells popularizou o termo 'máquina do tempo' e deixou as pessoas com a ideia de que um explorador precisaria de uma 'máquina ou caixa especial' para realmente realizar viagens no tempo. Embora seja matematicamente viável, ainda não é possível construir uma máquina do espaço-tempo porque precisaríamos de materiais - que chamamos de matéria exótica - para dobrar o espaço-tempo nesses modos impossíveis, mas eles ainda não foram descobertos.

"Estudar o espaço-tempo é tanto fascinante quanto problemático. E também é uma maneira divertida de usar a matemática e a física. Especialistas em meu campo têm explorado a possibilidade de máquinas matemáticas do tempo desde 1949. E [nossa pesquisa] apresenta um novo método para fazer essas viagens," concluiu Tippett.

Bibliografia:
Traversable acausal retrograde domains in spacetime
Benjamin K. Tippett, David Tsang
Vol.: 34, Number 9
DOI: 10.1088/1361-6382/aa6549

 


 

7-MILLION-YEAR-OLD FOSSILS WIDEN DIVIDE BETWEEN HUMANS AND CHIMPS
Cheryl Jones*, News Palaeontology, 23.05.2017

A new study on human evolution sparks struggle of Darwinian proportions. Cheryl Jones reports.

This is a 7.24 million year old upper premolar of a Graecopithecus from Azmaka, Bulgaria. Wolfgang Gerber, University of Tübingen

A row has erupted over claims the human and chimpanzee lineages might have split hundreds of thousands of years earlier than previously thought.

Research based on a study of the ancient skeletal remains of the species Graecopithecus freybergi, from the eastern Mediterranean, is published in two papers in the journal PLoS One.

A big international team of researchers co-led by Madelaine Boehme, of the University of Tubingen, Germany, says that G. freybergi might be the common ancestor of members of the genus Homo and of chimps.

The research team contends the split might have occurred in the eastern Mediterranean.

Palaeontology

The study of prehistory is confounded by a sparse fossil record that has nevertheless generated a dizzying number of possible family trees. It is exacerbated by problems in the dating of material from archaeological sites that have been disturbed.

The team did CT scans of a lower jawbone from Greece and an upper premolar tooth from Bulgaria dated to between 7.18 million and 7.27 million years old. But it drew anatomical data on other species, including gorillas, and chimps, from the scientific literature or casts of the remains.

Debbie Argue, an evolutionary biologist at the Australian National University, in Canberra, says more fossil evidence is needed to confirm the taxonomic status of G. freybergi.

Argue’s colleague Colin Groves says more comparisons should have been made with the genus Ouranopithecus, also from Europe, as candidates for the common ancestor.

“In the past, the two genera have been thought of as the same,” he says.

But Boehme says the database of fossil material “is not so bad”. “The conclusion may sound extravagant to some experts, but these two papers are just the beginning,” she says. “The forthcoming years will see a revolution in our ideas of human evolution.”

Cheryl Jones is a science writer and co-author of “The Bone Readers: atoms, genes and the politics of Australia’s deep past”, published by Allen & Unwin.

 


BIOLOGY NEEDS MORE STAFF SCIENTISTS
Steven Hyman*, Nature, 16.05.2017

Independent professionals advance science in ways faculty-run labs cannot, and such positions keep talented people in research, argues Steven Hyman.


 
Maria Nemchuk/Broad Inst.

Staff scientist Stacey Gabriel co-authored 25 of the most highly cited papers worldwide in 2015.

Most research institutions are essentially collections of independent laboratories, each run by principal investigators who head a team of trainees. This scheme has ancient roots and a track record of success. But it is not the only way to do science. Indeed, for much of modern biomedical research, the traditional organization has become limiting.

A different model is thriving at the Broad Institute of MIT and Harvard in Cambridge, Massachusetts, where I work. In the 1990s, the Whitehead Institute for Biomedical Research, a self-governing organization in Cambridge affiliated with the Massachusetts Institute of Technology (MIT), became the academic leader in the Human Genome Project. This meant inventing and applying methods to generate highly accurate DNA sequences, characterize errors precisely and analyse the outpouring of data. These project types do not fit neatly into individual doctoral theses. Hence, the institute created a central role for staff scientists — individuals charged with accomplishing large, creative and ambitious projects, including inventing the means to do so. These non-faculty scientists work alongside faculty members and their teams in collaborative groups.

When leaders from the Whitehead helped to launch the Broad Institute in 2004, they continued this model. Today, our work at the Broad would be unthinkable without professional staff scientists — biologists, chemists, data scientists, statisticians and engineers. These researchers are not pursuing a tenured academic post and do not supervise graduate students, but do cooperate on and lead projects that could not be accomplished by a single academic laboratory.

Physics long ago saw the need to expand into different organizational models. The Manhattan Project, which during the Second World War harnessed nuclear energy for the atomic bomb, was not powered by graduate students. Europe's particle-physics laboratory, CERN, does not operate as atomized labs with each investigator pursuing his or her own questions. And the Jet Propulsion Laboratory at the California Institute of Technology in Pasadena relies on professional scientists to get spacecraft to Mars.

A different tack

In biology, many institutes in addition to the Broad are experimenting with new organizational principles. The Mechanobiology Institute in Singapore pushes its scientists to use tools from other disciplines by discouraging individual laboratories from owning expensive equipment unless it is shared by all. The Howard Hughes Medical Institute's Janelia Research Campus in Ashburn, Virginia, the Salk Institute of Biological Sciences in La Jolla, California, and the Allen Institute for Brain Science in Seattle, Washington, effectively mix the work of faculty members and staff scientists. Disease-advocacy organizations, such as the ALS Therapy Development Institute in Cambridge, do their own research without any faculty members at all.

Each of these institutes has a unique mandate, and many are fortunate in having deep resources. They also had to be willing to break with tradition and overcome cultural barriers.

At famed research facilities of yore, such as Bell Labs and IBM Laboratories, the title 'staff scientist' was a badge of honour. Yet to some biologists the term suggests a permanent postdoc or senior technician — someone with no opportunities for advancement who works solely in a supervisor's laboratory, or who runs a core facility providing straightforward services. That characterization sells short the potential of professional scientists.

The approximately 430 staff scientists at the Broad Institute develop cutting-edge computational methods, invent and incorporate new processes into research pipelines and pilot and optimize methodologies. They also transform initial hits from drug screens into promising chemical compounds and advance techniques to analyse huge data sets. In summary, they chart the path to answering complex scientific questions.

Although the work of staff scientists at the Broad Institute is sometimes covered by charging fees to its other labs, our faculty members would never just drop samples off with a billing code and wait for data to be delivered. Instead, they sit down with staff scientists to discuss whether there is an interesting collaboration to be had and to seek advice on project design. Indeed, staff scientists often initiate collaborations.

Naturally, tensions still arise. They can play out in many ways, from concerns over how fees are structured, to questions about authorship. Resolving these requires effort, and it is a task that will never definitively be finished.

“Faculty members would never just drop samples off with a billing code and wait for data to be delivered.”

In my view, however, the staff-scientist model is a win for all involved. Complex scientific projects advance more surely and swiftly, and faculty members can address questions that would otherwise be out of reach. This model empowers non-faculty scientists to make independent, creative contributions, such as pioneering new algorithms or advancing technologies. There is still much to do, however. We are working to ensure that staff scientists can continue to advance their careers, mentor others and help to guide the scientific direction of the institute.

As the traditional barriers break down, science benefits. Technologies that originate in a faculty member's lab sometimes attract more collaborations than one laboratory could sustain. Platforms run by staff scientists can incorporate, disseminate and advance these technologies to capture more of their potential. For example, the Broad Institute's Genetic Perturbation Platform, run by physical chemist David Root, has honed high-throughput methods for RNA interference and CRISPR screens so that they can be used across the genome in diverse biological contexts. Staff scientists make the faculty more productive through expert support, creativity, added capacity and even mentoring in such matters as the best use of new technologies. The reverse is also true: faculty members help staff scientists to gain impact.

Our staff scientists regularly win scientific prizes and are invited to give keynote lectures. They apply for grants as both collaborators and independent investigators, and publish regularly. Since 2011, staff scientists have led 36% of all the federal grants awarded for research projects at the Broad Institute (see ‘Staff-led grants’). One of our staff scientists, genomicist Stacey Gabriel, topped Thomson Reuters' citation analysis of the World's Most Influential Scientific Minds in 2016. She co-authored 25 of the most highly cited papers in 2015 — a fact that illustrates both how collaborative the Broad is and how central genome-analysis technologies are to answering key biological questions.


Source: Broad Inst.

At the Broad Institute's Stanley Center for Psychiatric Research, which I direct, staff scientists built and operate HAIL, a powerful open-source tool for analysis of massive genetics data sets. By decreasing computational time, HAIL has made many tasks 10 times faster, and some 100 times faster. Staff scientist Joshua Levin has developed and perfected RNA-sequencing methods used by many colleagues to analyse models of autism spectrum disorders and much else. Nick Patterson, a mathematician and computational biologist at the Stanley Center, began his career by cracking codes for the British government during the cold war. Today, he uses DNA to trace past migrations of entire civilizations, helps to solve difficult computational problems and is a highly valued support for many biologists.

Irrational resistance

Why haven't more research institutions expanded the roles of staff scientists? One reason is that they can be hard to pay for, especially by conventional means. Some funding agencies look askance at supporting this class of professionals; after all, graduate students and postdocs are paid much less. In my years leading the US National Institute of Mental Health, I encountered people in funding bodies across the world who saw a rising ratio of staff to faculty members or of staff to students as evidence of fat in the system.

That said, there are signs of flexibility. In 2015, the US National Cancer Institute began awarding 'research specialist' grants — a limited, tentative effort designed in part to provide opportunities for staff scientists. Sceptical funders should remember that trainees often take years to become productive. More importantly, institutions' misuse of graduates and postdocs as cheap labour is coming under increasing criticism (see, for example, B. Alberts et al. Proc. Natl Acad. Sci. USA 111, 5773–5777; 2014).

Faculty resistance is also a factor. I served as Harvard University's provost (or chief academic officer) for a decade. Several years in, I launched discussions aimed at expanding roles for staff scientists. Several faculty members worried openly about competition for space and other scarce resources, especially if staff scientists were awarded grants but had no teaching responsibilities. Many recoiled from any trappings of corporatism or from changes that felt like an encroachment on their decision-making. Some were explicitly concerned about a loss of access and control, and were not aware of the degree to which staff scientists' technological expertise and cross-disciplinary training could help to answer their research questions.

Institutional leaders can mitigate these concerns by ensuring that staff positions match the shared goals of the faculty — for scientific output, education and training. They must explain how staff-scientist positions create synergies rather than silos. Above all, hiring plans must be developed collaboratively with faculty members, not by administrators alone.

The Broad Institute attracts world-class scientists, as both faculty members and staff. Its appeal has much to do with how staff scientists enable access to advanced technology, and a collaborative culture that makes possible large-scale projects rarely found in academia. The Broad is unusual — all faculty members also have appointments at Harvard University, MIT or Harvard-affiliated hospitals. The institute has also benefited from generous philanthropy from individuals and foundations that share our values and believe in our scientific mission.

Although traditional academic labs have been and continue to be very productive, research institutions should look critically and creatively at their staffing. Creating a structure like that of the Broad Institute would be challenging in a conventional university. Still, I believe any institution that is near an academic health centre or that has significant needs for advanced technology could benefit from and sustain the careers of staff scientists. If adopted judiciously, these positions would enable institutions to take on projects of unprecedented scope and scale. It would also create a much-needed set of highly rewarding jobs for the rising crop of talented researchers, particularly people who love science and technology but who do not want to pursue increasingly scarce faculty positions.

A scientific organization should be moulded to the needs of science, rather than constrained by organizational traditions.
* Steven Hyman directs the Stanley Center for Psychiatric Research at the Broad Institute of MIT and Harvard.

 


SECRETARIA REGIONAL DE PERNAMBUCO

Prof. Marcos Antonio Lucena - Secretário Regional

Profa. Rejane Mansur Nogueira - Secretária Adjunta

 

José Antônio Aleixo da Silva (Editor)Professor titular da UFRPE e membro da Diretoria da SBPC.

Bianca Pinto Cardoso
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