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Jornal Eletrônico da SBPC/PE #6 Ano: 2

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Notícias:

SBPC CONVOCA PARA “MARCHA PELA CIÊNCIA”

MARCHA PELA CIÊNCIA
Publicado em Artigo por Isaac Roitman, Blog Política Brasileira

PRÊMIO RICARDO FERREIRA AO MÉRITO CIENTÍFICO: CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E SOCIAIS, EDIÇÃO 2017
Facepe

PROJETOS DE PESQUISA ESTÃO SOB SÉRIO RISCO DE PARALISAÇÃO
Dirley Fernades, O Dia e JC Notícias

FRONTEIRAS À CIÊNCIA
Guilherme Perez Cabral, UOL Educação

ATIVIDADES DA “MARCHA PELA CIÊNCIA NO BRASIL” NO RIO DE JANEIRO
Ildeu Castro Moreira (Vice-presidente da SBPC)

PRINCIPAL REVISTA CIENTÍFICA DO MUNDO DIZ QUE TEMER E PSDB DESTRUÍRAM CIÊNCIA BRASILEIRA
https://falandoverdades.com.br

BRAZILIAN SCIENTISTS REELING AS FEDERAL FUNDS SLASHED BY NEARLY HALF
Nature

MILITÂNCIA UNIVERSITÁRIA E RESISTÊNCIA
Isabelle Maria Jacqueline Meunier, DCFL/UFRPE

DESMATAMENTO PODE COLOCAR AMAZÔNIA EM 'CICLO MORTAL', DIZ ESTUDO
Sérgio Matsuura, O Globo On-line

CARBONO ORGÂNICO DO SOLO É CHAVE PARA MITIGAÇÃO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS
CI Florestas

CIENTISTAS CHINESES DESENVOLVEM PAINÉIS SOLARES QUE FUNCIONAM MESMO COM CHUVA OU NEVOEIRO
Da Agência EFE / ABr e Ecodebate

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE PERDE METADE DOS RECURSOS NO ORÇAMENTO PARA 2017
Jaime Gesisky, WWF-Brasil

REFORMA OU REVOLUÇÃO
Isaac Roitman*, Correio Braziliense

O DIREITO À INFORMAÇÃO É FUNDAMENTAL NO CONTROLE POPULAR DO ESTADO
Vilmar Sidnei Demamam Berna*, Aliança RECOs

EXPERIMENTO DESAFIA COMPREENSÃO DO QUE É A LUZ
Site Inovação Tecnológica

USP OFERECE CURSOS GRÁTIS VIA INTERNET

 


SBPC CONVOCA PARA “MARCHA PELA CIÊNCIA”

 

No próximo dia 22 de abril, sábado, temos um compromisso com a agenda da ciência, que irá acontecer simultaneamente em todo o planeta. A Marcha pela Ciência está sendo convocada em mais de 400 cidades em todos os continentes, sobretudos nos Estados Unidos, onde começou a iniciativa, e Europa.
 
Trata-se de um evento mundial que pretende chamar a atenção de estudantes, professores, cientistas e pesquisadores, governantes e tomadores de decisão, e de toda a sociedade, sobre a necessidade de apoiar e preservar as instituições e a comunidade científica de todo o planeta. Esse apoio torna-se fundamental em um momento em que a atividade científica para o bem de todos sofre várias ameaças, como mudanças em políticas públicas, redução e desvio de verbas e financiamentos públicos, partidarização política da ciência e, o que mais assusta, a tomada de decisões políticas que não levam em consideração as evidências científicas. Isso ocorre nos Estados Unidos, de maneira gritante em relação ao que vêm demonstrando pesquisas relacionadas às mudanças climáticas, mas também em todo o planeta.
 
Os organizadores da Marcha pela Ciência entendem, como nós da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que a ciência está em todo lugar e afeta a vida de todos. Portanto, a aplicação da ciência para a sociedade não pode estar à margem das grandes tomadas de decisão no campo político. E o melhor caminho para garantir que a ciência possa influenciar diretamente nas políticas públicas é encorajar as pessoas a apreciar e se envolver com a ciência. Entendemos que o fortalecimento da ciência passa também pelo fortalecimento da democracia em todos os países.
 
No Brasil, a Marcha pela Ciência já está organizada na cidade de São Paulo e em Natal (RN), de acordo com a agenda oficial do evento internacional. O objetivo é reunir pessoas de toda a comunidade científica e acadêmica, e todos os interessados na ciência como um bem comum para a melhoria da qualidade de vida de todos, e como o melhor instrumento para a evolução do conhecimento humano. Conclamamos a todos á participarem, organizando no âmbito de suas cidades em suas instituições, atividades relacionadas.
 
A organização do evento em São Paulo definiu alguns princípios fundamentais para defender no âmbito da Marcha pela Ciência, que incluem:
 
1. A ciência serve ao bem comum
2. Educação científica de ponta
3. Pela comunicação científica aberta, honesta e ao alcance do público
4. Por políticas e regulamentos de interesse público baseados em evidências
5. Pelo financiamento das pesquisas científicas e suas aplicações
 
A SBPC apoia integralmente a iniciativa de realização da Marcha pela Ciência e convida a todos seus associados a participarem do evento. Esperamos, ainda, que as sociedades científicas também convidem seus associados e amigos a participar do evento, que deverá dar início a um grande movimento planetário pela ciência como um bem comum de toda a humanidade.
 
Atenciosamente,
Helena B. Nader
Presidente



Marcha pela Ciência

Publicado em Artigo por Isaac Roitman, Blog Política Brasileira – 11.04.2017

 

Atualmente vivemos um processo de transição, da sociedade industrial para a sociedade da informação e do conhecimento. Nesse contexto, para que as organizações possam garantir a sua sobrevivência e continuidade, de forma sustentável, num ambiente cada vez mais instável e competitivo, a geração do saber através da ciência adquire importância decisiva.

Os conhecimento de Ciência e Tecnologia (C&T) geraram aplicações que foram de grande benefício para a humanidade. No entanto, por terem sido desigualmente distribuídos, esses benefícios não contribuíram para a desigualdade entre os países industrializados e os países em desenvolvimento ou para diminuir as desigualdades sociais. Além do mais, em alguns casos, a aplicação dos avanços da C&T foram causa de degradação ambiental e fonte de desequilíbrios e exclusão social. O uso correto da C&T pode reverter essas tendências. Para tanto, é necessário um esforço conjunto entre aqueles que detêm as maiores capacidades em C&T e aqueles que enfrentam pobreza e exclusão social. Em suma, “um novo compromisso (contrato) social para com a ciência” deve se basear: na erradicação da pobreza, na harmonia com a natureza e no desenvolvimento sustentável.

No dia 22 de abril de 2017, cientistas e entusiastas de todo o mundo se unirão para marchar por mais visibilidade e credibilidade para a Ciência. Esse ato está previsto para acontecer em mais de 300 cidades de todo mundo. Será a primeira ação de um movimento global, visando defender o papel vital que a ciência desempenha para a saúde, para a economia, para a segurança e outras dimensões e que contribuem para a qualidade de vida de todos os terráqueos. Essa marcha será uma celebração para a Ciência. Em adição a marcha visará estimular muitas pessoas, que valorizam a Ciência, e que têm se mantido silenciosas apesar dos alertas dos cientistas do risco a própria continuidade da vida humana e o futuro do planeta.
SBPC comanda marcha no Brasil

No Brasil, comandada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) será também realizada a marcha. Ela pretende chamar a atenção de estudantes, professores, cientistas e pesquisadores, governantes e tomadores de decisão, e de toda a sociedade, sobre a necessidade de apoiar e preservar as instituições e a comunidade científica. Além disso a marcha será um instrumento importante para impedir o retrocesso da C&T em nosso país, que foi iniciado com a fusão recente do Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI) com o Ministério das Comunicações (MC). O contingenciamento recente de até 44% do orçamento destinado à Ciência e Tecnologia pode levar ao colapso toda a estrutura de desenvolvimento de pesquisa e inovação do país.

Na carta convocatória para a marcha, a presidente da SBPC, Helena Nader alerta que as atividades científicas sofrem várias ameaças, como mudanças em políticas públicas, redução e desvio de verbas e financiamentos públicos, que não levam em consideração as evidências científicas. O presidente da Academia de Ciências, Luiz Davidovich alerta “A crise não é só financeira, mas de desperdício de recursos. Grupos competentes vêm sendo financiados há anos ou até décadas e agora estão sob ameaça de desmonte.”
Conhecimento sem cortes

Os organizadores da Marcha pela Ciência no Brasil vão utilizar como palavra de ordem “Conhecimento sem cortes” para alertar a sociedade brasileira do desmonte em andamento do sistema de C&T no país. Várias marchas estão confirmadas. Em São Paulo, à partir das 14 horas no Largo da Batata. No Rio de Janeiro a concentração será realizada no Museu Nacional na Quinta da Boa Vista às 10 horas. Em Natal a concentração será feita no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A tendência é que esse movimento se espalhe e ocorra em outras cidades brasileiras em favor do futuro virtuoso do Brasil.

 


PRÊMIO RICARDO FERREIRA AO MÉRITO CIENTÍFICO: CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E SOCIAIS, EDIÇÃO 2017
Facepe

COMUNICADO

 A FACEPE concederá este ano o primeiro Prêmio Ricardo Ferreira ao Mérito Científico, a um destacado pesquisador com atuação em Pernambuco e contribuição científica de reconhecido impacto nacional na grande área das Ciências Humanas, Letras e Sociais.

Conforme estabelecido pela Resolução 002/2014 do Conselho Superior, foi designado pela Presidência da FACEPE um Comitê de Busca, o qual deverá colher indicações de candidatos por meio de consulta a instituições, analisa-las e submeter uma lista de dois a três nomes para escolha e decisão pelo Conselho Superior da FACEPE.

Foi instituído pela Resolução nº 001/2017 o Comitê de Busca do Prêmio Honorífico “Prêmio Ricardo Ferreira ao Mérito Científico: Ciências Humanas, Letras e Sociais”, edição 2017.

Em sua primeira reunião, o Comitê de Busca decidiu que deveria ser providenciada ampla divulgação desta oportunidade e que, considerando o perfil de potenciais candidatos, as indicações devem ser encaminhadas por programas de pós-graduação e por instituições com tradição de pesquisa nas áreas relacionadas a esta edição do Prêmio: Ciências Humanas, Letras e Sociais.
 
O Prêmio será entregue durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, em outubro do corrente ano. Em atendimento ao calendário, o Comitê de Busca deve entregar as indicações ao Conselho Superior até o final de julho.
 
Assim sendo, as indicações solicitadas às instituições precisam ser recebidas na FACEPE, aos cuidados de Mônica Mendonça, no período de 17/04/2017 a 02/06/2017.

As indicações submetidas ao Comitê de Busca pelas entidades qualificadas deverão ser devidamente justificadas e acompanhadas de currículo descritivo detalhado de cada candidato, bem como, de lista assinada por 20 pesquisadores com reconhecida e comprovada atuação na grande área do Prêmio, explicitando apoio à referida indicação. Cada pesquisador deve apoiar somente um dos nomes indicados.
 
Qualquer dúvida sobre a Premiação pode ser remetida ao email Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou esclarecida pelo telefone nº 3181 4612.



http://www.facepe.br/instituido-o-comite-de-busca-do-premio-ricardo-ferreira-ao-merito-cientifico-ciencias-humanas-letras-e-sociais-edicao-2017/ 

 


 

PROJETOS DE PESQUISA ESTÃO SOB SÉRIO RISCO DE PARALISAÇÃO
Dirley Fernades, O Dia e JC Notícias, 10/04/2013

Ministério da Ciência e Tecnologia sofreu corte de 44% nos recursos. E essa não é a única ameaça ao setor.

Rio - A comunidade científica brasileira está em pé de guerra. E vai à luta no próximo dia 22, em frente ao Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, portando tesouras de todos os portes e formatos, em manifestação que será replicada em frente a prédios simbólicos para a ciência nacional em diversas capitais. É o chamado “tesouraço”.

O motivo para a saída dos laboratórios para as ruas são as sucessivas tesouradas que o conhecimento brasileiro tem sofrido. No dia 30 de março, o governo, ao perceber que não conseguiria cumprir a meta de déficit primário para 2017 — R$ 143 bilhões — anunciou cortes no orçamento de todos os ministérios, com exceção da pasta da Saúde. No caso do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), a tesourada atingiu 44% do orçamento para 2017. Com isso, o valor é o menor que a área vai dispor em 12 anos. “É uma aberração. A construção do conhecimento científico não é como a obra de uma estrada, em que se pode recuperar o tempo depois. O prejuízo dessa medida para o nosso futuro é irreversível”, lamenta Helena Nader, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Editoria de Arte

Depois da queda, o coice. O Ministério da Educação também teve R$ 4,3 bilhões de seus recursos bloqueados — um percentual menor, já que a área conta com recursos mínimos garantidos por lei. Ato contínuo, o ministro Mendonça Filho declarou o fim do programa ‘Ciência sem Fronteiras’, que enviava alunos da graduação para um período de estudos em universidades no exterior. Na quinta-feira, mais uma notícia: o governo, enfim, liberou verbas para a realização da Olimpíada Brasileira de Matemática, uma iniciativa que envolve 17 milhões de estudantes, mas não o valor necessário para atender a todos os programas paralelos.

"É uma aberração. O prejuízo dessa medida para o nosso futuro é irreversível" Helena Nader, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Para Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), a tesourada nas áreas de conhecimento é um erro estratégico. “Outros países afetados pela crise global têm adotado uma opção diametralmente oposta: aumentam o investimento em ciência e tecnologia, ao invés de reduzi-lo. Eles sabem que esse é o melhor caminho para sair da crise de forma sustentável”, diz.

A seca para a ciência começou em 2014 e foi se ampliando. Em 2013, o orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia era de cerca de R$ 10 bilhões. Este ano, com o agravante de a área de Comunicações ter sido agregada à pasta, o valor será de R$ 3,2 bilhões. “É uma atitude míope”, diz Helena, que é bióloga e professora da USP.

Davidovich diz que o corte torna insustentável uma situação que já vinha difícil. As consequências são o fechamento de laboratórios que ficam sem material de trabalho e a interrupção de projetos que já tinham orçamento aprovado. “Uma geração inteira de pesquisadores vai ser prejudicada.

Erros de gestão comprometeram Ciência sem Fronteiras

Luiz Davidovich, presidente da ABC, chama a atenção para os riscos da tesourada. “Resultados exemplares da nossa ciência estão ameaçados”. Ele cita como exemplo o aumento da produtividade na agricultura, a exploração do petróleo em águas profundas e o enfrentamento de epidemias, campos nos quais a ciência brasileira vem se destacando. “Sem modernizar equipamentos de pesquisa, vamos perder competência construída ao longo de décadas”, alerta.

 

Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências, e Helena Nader, da SBPC, advertem: cortes comprometem competitividade do país


Divulgação

O ministro Gilberto Kassab diz ter esperança de reverter parte do corte, gestado no Ministério do Planejamento. A assessoria do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações informou em nota que está estabelecendo quais serão as prioridades da pasta para fazer a melhor distribuição de recursos possível. “O objetivo é que não haja suspensão ou cancelamento de projetos ou ações já em andamento”.

O fim do ‘Ciência sem Fronteiras’ para estudantes de graduação não é comemorado por ninguém na comunidade científica, ainda que haja críticas à formulação do programa, que nasceu no governo Dilma Rousseff. Uma das vozes que se levantou contra a decisão foi a de Miguel Nicolelis, talvez o mais respeitado cientista do país. “Brasil correndo a toda velocidade rumo ao passado! Sociedade que solapa sonhos da juventude comete o pior dos crimes! Nunca a juventude brasileira teve uma oportunidade como esta. Nunca a ciência brasileira foi tão oxigenada por novos ares e novas visões”, disse ele, no Twitter, frisando que o programa era elogiado em todo o mundo e permitiu que 108 mil jovens “conhecessem os horizontes da ciência”.

Em 2017, o programa vai oferecer 5 mil bolsas apenas para pós-graduação. A avaliação do Ministério da Educação é de que o programa tem custo muito alto. No ano passado, quando anunciou que o Ciência sem Fronteiras teria mudanças, a pasta informou que, no anterior, tinham sido investidos R$ 3,2 bilhões para atender 35 mil alunos e usou uma comparação curiosa: “Valor igual ao investido em alimentação escolar para atender 39 milhões de alunos”.

Para Davidovich, os problemas foram de gestão. “O número de estudantes foi exagerado. Não houve análise rigorosa e crítica do programa. Havia a promessa de que haveria ‘dinheiro novo’, mas recursos de fundos que deveriam ser aplicados em pesquisa acabaram alocados no Ciência sem Fronteiras”.

Faperj não paga pesquisa

A Faperj, instituição de fomento estadual à pesquisa de importância fundamental para a ciência brasileira, sofre tanto ou mais do que outros órgãos do governo com a situação caótica dos cofres fluminenses.

O órgão tem recursos garantidos pela Constituição Estadual. São no mínimo 2% da receita tributário do estado, segundo o artigo 332. Ciente de que não cobriria a determinação no ano passado, o governador Pezão reduziu o valor do repasse em 30%, via decreto assinado em 28 de dezembro.

O fato é que a Faperj não tinha destinado um centavo ao longo de todo o ano para custear pesquisas. A situação em 2017 permanece a mesma. Os escassos recursos que entram estão sendo direcionados para pagar bolsas de alunos, técnicos e professores envolvidos nos projetos, já que muitos dependem desses recursos para as despesas básicas. Com isso, equipamentos de ponta estão sem uso e laboratórios avançados montados em anos anteriores estão parados ou funcionam precariamente, eventualmente às custas dos pesquisadores.

Rodrigo Porto: campeão olímpico


Pouca verba para Olimpíada da Matemática

No dia 6 de junho acontece a primeira fase da 13ª edição da Olimpíada Brasileira de Matemática. Cerca de 18 milhões de estudantes de 51.373 escolas — número recorde — vão participar.

É uma iniciativa vitoriosa, mas que não pode se esgotar na competição, como advertem os educadores. Por isso foi criado o Programa de Iniciação Científica (PIC), que levava estudantes premiados na Olimpíada para aulas de matemática em universidades. No ano passado, no entanto, a Capes concluiu que não poderia destinar recursos de educação básica para pagar professores universitários.

O programa não aconteceu e a solução do Impa (Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada) foi criar o OBMEP nas Escolas. Os recursos foram direcionados a professores que, em 900 núcleos, deram aulas para 26 mil alunos, quatro vezes mais do que o PIC. Mas o PIC é para os craques da matemática. O IMPA quis voltar com o programa esse ano. O MEC resistiu a financiar. Apenas na quarta-feira, liberou uma parte. O Impa vai ter que arcar com o restante, um montante que deve chegar a R$ 2 milhões.

 


FRONTEIRAS À CIÊNCIA
Guilherme Perez Cabral, UOL Educação, 10/04/2017

O programa Ciência sem Fronteiras, para alunos de graduação, acabou. Mantém-se reduzido, segundo o MEC (Ministério da Educação), apenas para a pós-graduação.

Criado pelo Governo Federal em 2011, o programa tem entre seus objetivos promover, por meio de concessão de bolsas, a formação de estudantes brasileiros em instituições de ensino e pesquisa estrangeiras de excelência.

De acordo com a Constituição Federal, é dever do Estado a promoção da pesquisa, da ciência, da tecnologia e da inovação. Tudo em vista da solução dos problemas brasileiros e o desenvolvimento do sistema produtivo nacional. Ao fazer isso, o Estado garante o nosso direito fundamental ao desenvolvimento científico e tecnológico.

Trata-se de um direito transindividual. Diferentemente dos direitos individuais (liberdade, privacidade, etc.) e mesmo de direitos sociais, como a educação, não pode ser individualizado. Não tem um indivíduo isolado como seu detentor. Não dá para falar, portanto, no `meu` direito, na minha `parcela` exclusiva do direito à ciência e a tecnologia.

A titularidade se desprende do indivíduo e passa ao gênero humano (o mesmo ocorre, por exemplo, com o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado: não dá para distinguir, na natureza, a porção de ar respirável e de água não poluída que pertence a cada um). Por isso, é transindividual.

O Ciência sem Fronteiras busca promover o direito fundamental transindividual ao desenvolvimento científico e tecnológico. Investe no jovem, estimulando o intercâmbio acadêmico, de modo que ele, tornando-se um profissional altamente qualificado, possa participar ativamente do desenvolvimento do país no futuro. Isso é bom para todo mundo.
O MEC, porém, argumenta um `alto custo` na capacitação dos estudantes de graduação fora do país. Um gasto que, a seu ver, `após avaliação criteriosa`, não compensa. Fala que o montante gasto em 2015 equivale ao valor investido em merenda escolar para 39 milhões de alunos da educação básica.

A justificativa do Governo tem, pelo menos, dois problemas graves. Erros crassos ou pura má-fé.

Fico pensando na `avaliação criteriosa` que permite aos técnicos do MEC concluir que um programa com pouco mais de 5 anos de existência não vale a pena. Ciência, tecnologia e inovação demandam investimento e tempo. No nosso caso, um país de analfabetos funcionais, muito tempo. É evidente que não temos ainda excepcionais `retornos` dos estudantes que voltaram do intercâmbio.

Quanto às outras destinações que poderiam ser dadas ao investimento, incomoda o fato de que a história da merenda escolar nunca vem à tona quando a intenção do Governo é gastar para atender os próprios interesses (semana passada, falava-se na criação de novo ministério para dar cargos a aliados insatisfeitos e ninguém do Governo argumentou que melhor seria investir em merenda ou ciência).

Sem ciência, sem tecnologia, sem educação, o Brasil está condenado a continuar com a cara e os modos do Governo Federal e de seu ministro da Educação. Raso no raciocínio, atrasado, sem perspicácia nenhuma. Mal-educado.

 

 


ATIVIDADES DA “MARCHA PELA CIÊNCIA NO BRASIL” NO RIO DE JANEIRO
Ildeu Castro Moreira (Vice-presidente da SBPC)

No Rio de Janeiro, em reunião organizada pela ADUFRJ e apoiada pela SBPC e pela Fiocruz, foi discutida a organização das atividades nesta cidade, no dia 22/4 e também durante a semana de 23 a 28 de abril, dentro da Marcha pela Ciência no Brasil. Seria muito importante que atividades similares, ligadas à Marcha pela Ciência, ocorressem por todo o país nos diversos estados e nas instituições de pesquisa e ensino. Convidamos todas as pessoas interessadas, bem como as entidades científicas, educacionais e demais setores da sociedade civil a se juntarem a este movimento.


Vamos realizar uma atividade pública no dia 22/4, às 10h, na frente de um prédio simbólico da ciência no Brasil, o Museu Nacional (na Quinta da Boa Vista). Além de destacar a integração desta ação com a Marcha pela Ciência internacional e seus propósitos, a atividade terá o mote “Conhecimento sem cortes”, com o objetivo de denunciar e criticar os enormes cortes que ocorreram nos recursos para C&T (no país e no Rio de Janeiro), e também em outras áreas como educação, meio ambiente, cultura etc. Utilizaremos tesouras, pequenas e grandes (de papelão), para simbolizar os cortes (organizando um “tesouraço”) e, ao final da atividade, as tesouras serão descartadas em um grande recipiente.  


A intenção é que sejam realizadas atividades ao longo da semana (de 23/4 a 27/4) em instituições de pesquisa, como a Fiocruz e as unidades do MCTI no Rio de Janeiro, e em universidades, como a UERJ, a UFF, a UFRJ e a Unirio. Elas serão organizadas por cada instituição, convergindo para uma participação integrada, no dia 28/4, nas atividades do movimento nacional contra os cortes e o desmonte das políticas sociais. A ideia é que, em todas as atividades, haja o símbolo comum da Marcha pela Ciência no Brasil, assim como a palavra de ordem “Conhecimento sem cortes”. Um folder explicativo sobre a Marcha da Ciência no Brasil e os impactos dos cortes do governo será distribuído nestas atividades. A ADUFRJ dará apoio logístico ao ato do dia 22, na produção de faixas, cartazes e material de divulgação, que poderão também ser usados nos outros atos, caso seja do interesse das instituições.  


Uma sugestão que pode ser facilmente replicada em outras cidades do país, gerando uma unidade que pode render boas imagens de divulgação, é escolher um prédio simbólico da ciência no país (ou na região), como será feito no Rio de Janeiro, e realizar uma atividade que utilize as tesouras e a palavra de ordem comum "Conhecimento sem Cortes".  


Todas as atividades da Marcha da Ciência no Brasil, os contatos dos organizadores nas diversas instituições e cidades e outras informações estarão sendo noticiadas no Facebook “Marcha pela Ciência no Brasil”. É importante que todos o utilizem para divulgar as atividades em sua região. https://www.facebook.com/groups/726145034215388/

 


 

PRINCIPAL REVISTA CIENTÍFICA DO MUNDO DIZ QUE TEMER E PSDB DESTRUÍRAM CIÊNCIA BRASILEIRA
https://falandoverdades.com.br , 04/05/2017

 Reportagem publicada nesta semana pela Nature, principal revista de divulgação científica do mundo, mostra o desmonte da ciência brasileira com o mais recente corte feito pelo governo federal, de 44%, anunciado no fim de março; a revista diz que, somando-se a outras “desgraças”, Michel Temer também “demoliu o ministério da Ciência” quando tomou posse em maio de 2016 ao fundi-lo com o ministério das Comunicações; “O novo orçamento é uma bomba atômica contra a ciência brasileira”, comenta o físico Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências; cientistas estão “horrorizados”, destaca a publicação


247 – O gigantesco corte orçamentário de 44% contra a ciência brasileira, anunciado no dia 30 de março pelo governo Michel Temer, já repercute no exterior e deixa horrorizados os cientistas brasileiros.


Reportagem publicada nesta semana pela Nature, principal revista de divulgação científica do mundo, avalia que, somando-se a outras “desgraças” – como o prejuízo que já havia sido registrado no orçamento da área com a crise econômica brasileira –, Temer também “demoliu o ministério da Ciência” quando tomou posse em maio de 2016 ao fundi-lo com o ministério das Comunicações.


“Depois de anos de austeridade, os pesquisadores temem que o último corte dramático destrua a ciência do país”, diz a matéria. O corte deixará o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) com seu orçamento mais baixo em pelo menos 12 anos, com apenas R$ 2,8 bilhões, um corte de R$ 2,2 bilhões de reais dos R$ 5 bilhões de reais de financiamento que o governo tinha proposto originalmente para 2017.


“O novo orçamento é uma bomba atômica contra a ciência brasileira”, comenta o físico Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências, de acordo com a publicação.


Ele adverte que os cortes prejudicarão a pesquisa e o desenvolvimento nas próximas décadas. “Se estivéssemos em guerra, poderíamos pensar que essa era uma estratégia de uma potência estrangeira para destruir nosso país. Mas em vez disso, somos nós fazendo isso para nós mesmos”, lamenta.



Leia a matéria original da Nature abaixo

 


 

BRAZILIAN SCIENTISTS REELING AS FEDERAL FUNDS SLASHED BY NEARLY HALF
Nature, 03/04/2017

After years of austerity, researchers fear that the latest dramatic cut will destroy the country's science.

Scientists are unhappy at Brazilian president Michel Temer's drastic cut to the federal science budget.

Brazilian scientists have been left horrified by a 44% slash to the federal science budget, announced by the country's government on 30 March.

This will leave the Ministry of Science,Technology, Innovations and Communications (MCTIC) with its lowest budget in at least 12 years at just 2.8 billion reais, equivalent to US$898 million — a 2.2 billion reais cut from the 5 billion reais of funding that the government had originally proposed for 2017 (see ‘Drastic cuts’).

The cut is part of a general trimming of 42 billion reais from the federal budget, which amounts to 28% over all government departments — so the cut to science is particularly severe. President Michel Temer says the measure was a tough but necessary response to Brazil’s escalating fiscal deficit. The country faces the worst recession in its history, and recovery has been much slower than expected: gross domestic product growth predictions for 2017 were revised down from 1.4% to 0.5% last month.

Researchers argue that science has already taken too heavy a toll from the economic crisis. Since 2014, a series of funding cutbacks has meant abandoning a flagship exchange programme to enable Brazilian students to visit leading institutions abroad, and major projects — such as the Sirius synchrotron, a 1.75 billion reais machine — have been put in jeopardy. The number of research papers published in Brazil is also declining, according to one preliminary estimate from 2016.

Adding to those woes, Temer demoted the science ministry as he took office in May 2016 and fused it with the communications ministry. And a constitutional amendment passed by the new government has capped federal spending to inflation-level rises for 20 years, killing hopes that the tide may turn any time soon.

Fleeing scientists

The new budget is “an atomic bomb strike on Brazilian science”, says physicist Luiz Davidovich, president of the Brazilian Academy of Sciences. He warns that the cuts will cripple research and development for decades to come. “Were we at war, one could think this was a strategy by a foreign power to destroy our country. But instead it’s us doing this to ourselves.”

Sidarta Ribeiro, head of the Brain Institute at the Federal University of Rio Grande do Norte in Natal, Brazil, holds a similar apocalyptic view, saying: “This is an act of war against the future of Brazil. Scientists will flee the country.” He cites the case of Suzana Herculano-Houzel, a renowned neuroscientist who shut down her laboratory in 2016 and left Brazil for the United States. “If I hadn’t foreign money for research I’d be shutting down myself," he adds.

 

Fernando Peregrino, president of CONFIES, the Brazilian association of science funding agencies and university foundations, agrees. “There will be a huge break-up of teams which will be hard to rebuild,” he says. “We’ve climbed another step down.”

Scientists were concerned about funding before the announcement. Davidovich and Helena Nader, president of the Brazilian Society for the Advancement of Science (SBPC), pre-emptively wrote letters to Temer and to Henrique Meirelles, the minister of finance, warning of the impact of a potential cut on an already tight science budget. “The government has acted without listening to the State. It shows an utter shortsightedness,” Nader says.


The MCTIC told Nature that it has already started to gauge the full impact of the cuts. According to the ministry, actions to mitigate them will be announced shortly.

Ribeiro says the drastic cutbacks may have one silver lining: they may fuel the 22 April March for Science in Brazil. The SBPC formally joined this month’s march, inspired by the Trump-resistance movement in the United States, and has been calling on scientists all around Brazil to join. “We need to paint for war and occupy public spaces,” says Ribeiro. “Respectfully, but consistently.”

 


MILITÂNCIA UNIVERSITÁRIA E RESISTÊNCIA
Isabelle Maria Jacqueline Meunier, DCFL/UFRPE

As incessantes mudanças nos cenários políticos e socioeconômicos exigem constantes reflexões no meio universitário, de forma a questionar velhas certezas e guiar novas atitudes. Cabe à comunidade universitária buscar sempre uma compreensão mais clara do seu papel na sociedade e, atualmente, mais ainda, frente às inúmeras ameaças a direitos conquistados. Alguns desses direitos são conquistas sociais históricas e tem a ver com valores básicos de justiça social e democracia, valores que devem nortear a vida em sociedade. Outros estão intimamente relacionados à missão da Universidade e dizem respeito aos compromissos de natureza ética que a instituição assume com a educação integral, emancipatória, inclusiva e transformadora.


A ideia de Universidade Pública, gratuita, de qualidade, laica e socialmente referenciada é mais do que uma divisa bem formulada pelo movimento docente: é uma linha interseção entre vários pontos de vistas e matizes ideológicos que convivem no ambiente acadêmico, pluralista como deve ser. Esses valores devem ser defendidos, seja por nos considerarmos uma vanguarda pensante ou por percebermos nossa responsabilidade na resistência democrática. A defesa dos valores democráticos, dentro e fora da universidade, é algo que transcende paixões ou crenças, porque sem esses valores perdemos grande parte das nossas razões de existir. Séculos de luta pela educação como um valor universal e pelo desenvolvimento de homens e mulheres, como protagonistas da história, perdem sentido se aceitamos o trabalho docente como instrumento de educar para o medo, para a submissão, para o trabalho alienado e acrítico. Educar, apenas, não tem significado se o ato não for qualificado em um contexto de valores bem definidos.


Os desafios de sempre se apresentam, hoje, à Universidade brasileira, amplificados por problemas econômicos, crise de representatividade política (e de legitimidade) e reincidentes afrontas à democracia e aos avanços sociais. Diante disso, aumentam as responsabilidades de criar, produzir conhecimento, analisar a realidade e construir estratégias para mudá-la.  Em situações de tensão, somos obrigados a refletir sobre nossas práticas como docentes, estudantes, técnicos e cidadãos, porque elas exigem de nós novas atitudes de enfrentamento.  A importância dos múltiplos papéis da Universidade se avoluma e exige uma militância universitária que se dá em sala de aula, crítica e participativa, na pesquisa original, criativa e socialmente relevante, e na extensão que integra e democratiza o conhecimento. Mas também reverbera nas vivências diárias de estudantes, professores e técnicos, nas lutas pelo aperfeiçoamento de processos participativos de tomada de decisões na própria universidade, na mobilização pela garantia de direitos dos trabalhadores e na construção de novos espaços de interação e lutas, que se multiplicam em coletivos e fóruns. As reações que surgem hoje são expressões da resistência, resultado do pensamento crítico que deve encontrar abrigo no local onde se propõe construir conhecimento. Ainda são muito poucas e frágeis, se confrontadas às perdas e ameaças.  Mas existem e se ampliam frente aos desafios.

 

 


DESMATAMENTO PODE COLOCAR AMAZÔNIA EM 'CICLO MORTAL', DIZ ESTUDO
Sérgio Matsuura, O Globo On-line, 04/04/2017

Perda de cobertura florestal deixaria o ecossistema semelhante ao do Cerrado

Região desmatada na Amazônia: bioma tem ciclos cada vez mais desequilibrados –

RIO — Sob constante pressão do desmatamento e ameaçada pelas mudanças climáticas, a Floresta Amazônica corre o risco de entrar num “ciclo mortal” que pode levar o ecossistema a se transformar em algo mais parecido com o Cerrado. De acordo com um estudo liderado por pesquisadores do Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático, baseado na Alemanha, a perda de cobertura florestal provoca uma redução na umidade do ar, desbalanceando o sistema e tornando outras regiões mais suscetíveis ao desflorestamento. Modelos computacionais indicam que sob condições de seca, essas perdas adicionais, classificadas como “autoamplificadas”, variam entre 10% e 13%.

O 'círculo mortal' da Floresta Amazônica

O 'círculo mortal' da Floresta Amazônica

— Sabemos que a redução das chuvas aumenta o risco de perdas florestais e, por outro lado, as perdas florestais intensificam as secas. Por isso, mais secas levam a menos florestas, que geram mais secas e assim por diante — afirma Delphine Clara Zemp, pesquisadora do Instituto Postdam e líder do estudo publicado em março na revista “Nature”.

Esse efeito dominó tem potencial para desestabilizar o equilíbrio do ciclo das águas na Amazônia. Hoje, a umidade penetra no continente vinda do Oceano Atlântico, carregada pelos ventos alísios até o Andes. Durante o percurso, essa umidade se condensa em chuvas torrenciais, que suportam a riqueza do bioma. Mas grande parte dessa água, em média 70% nas áreas de floresta tropical, retorna para a atmosfera pela evapotranspiração — evaporação da água no solo e da transpiração das plantas — e continua o seu caminho em direção ao interior do continente.

Em áreas com a vegetação típica do Cerrado, só 57% do vapor d’água retorna para a atmosfera. E essas perdas vão se acumulando ao longo do caminho, aumentando o risco de secas nas regiões mais internas do continente e a consequente perda de cobertura florestal.

— A região da Amazônia possui dois estados de equilíbrio possíveis. Um deles é o atual, de floresta tropical, e o outro é o de Cerrado. Nós temos a floresta tropical porque as condições de umidade — com muitas chuvas — e de temperaturas amenas são favoráveis — explica Henrique Barbosa, pesquisador do Instituto de Física da USP e coautor da pesquisa. — Se você reduz as chuvas e aumenta as temperaturas, que é o que está acontecendo, o Cerrado passa a ser favorecido.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento voltou a crescer na Amazônia brasileira. No ano passado foram desmatados 7.989 km², aumento de 29% em relação ao ano anterior. Além da atividade humana local, a região sofre com a pressão global das mudanças climáticas: desde 2005, foram três períodos de seca intensos. As projeções indicam a ocorrência mais frequente de eventos climáticos extremos, com secas fortes e prolongadas.

— Mais do que determinar o que vai acontecer, esse estudo serve como um alerta — acredita a pesquisadora Marina Hirota, da Universidade Federal de Santa Catarina e coautora do estudo, ressaltando que não concorda com a previsão de savanização da Amazônia. — O que nós sabemos é que esse círculo vicioso, essa desestabilização, provoca perdas na floresta sem que o homem tenha que ir lá e desmatar.

BOA NOTÍCIA

Apesar das previsões, o estudo indica forte resiliência do ecossistema amazônico. Por ser heterogêneo, as diferentes espécies de plantas resistem de forma diversa aos períodos de seca, e fornecem maior resistência às alterações nos regimes de precipitação.

— Uma pessoa tem dez vasos com espécies de plantas diferentes na varanda, precisa viajar e pede para o vizinho regar. Por mais que ele regue todos os dias, ele coloca menos ou mais água, perturbando o sistema. Na volta da viagem, quatro plantas morreram, mas seis sobreviveram. Essa é a resiliência da heterogeneidade — exemplifica Marina. — É isso o que acontece na Amazônia. Em regiões diferentes, as florestas são diferentes, e algumas porções podem não sobreviver, mas outras certamente irão.

Carl Schleussner, outro coautor do estudo, concorda que com as mudanças nas chuvas previstas para o fim deste século, a Amazônia não morrerá.

— Mas grandes partes certamente estão em risco — alerta Schleussner.

 


CARBONO ORGÂNICO DO SOLO É CHAVE PARA MITIGAÇÃO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS
CI Florestas

Centenas de especialistas, cientistas, gestores de recursos naturais e acadêmicos de variadas regiões geográficas do mundo participaram este mês de dois grandes eventos internacionais sobre solos: o Painel Técnico Intergovernamental de Solos - ITPS, de 20 a 24 de março, e o encontro científico denominado Simpósio Global sobre Carbono Orgânico do Solo, de 21 a 23 de março, ambos sob a égide da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

A principal função do ITPS é proporcionar assessoramento científico e técnico à Aliança frente aos principais problemas de solos no mundo e ainda, para atender a solicitações específicas por parte de instituições globais e regionais. O ITPS foi estabelecido durante a primeira Assembleia Plenária da Aliança Mundial pelo Solo, realizada na sede da FAO, em Roma, em 2013.

O evento teve o objetivo revisar o papel dos solos e do carbono orgânico dos solos para dar suporte ao próximo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas - IPCC e a outros painéis intergovernamentais, bem como aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs). Para tal, discutiu alternativas para a preservação do carbono orgânico do solo e recarbonização de solos degradados.

O simpósio reuniu, pela primeira vez, a FAO, por meio da Aliança Mundial dos Solos, o ITPS, o IPCC, Interface para a Política da Ciência das Nações Unidas para o Combate à Desertificação - UNCCD-SPI e a Organização Meteorológica Mundial – OMM. Na ocasião, a Rede Internacional de Solos Pretos (Black Soil) foi lançada para apoiar e colaborar na manutenção de estoques de carbono orgânico dos solos produtivos do mundo.

A chefe-geral da Embrapa Cocais, Maria de Lourdes Mendonça Santos Brefin, expert em solos, é a representante, em seu segundo mandato, do Brasil e América Latina e Caribe no ITPS, desde 2013. O ITPS é o corpo técnico da Aliança Mundial de Solo - AMS (Global Soil Partnership – GSP) da FAO constituído por 27 especialistas de solos do mundo em busca da gestão sustentável do solo nas diversas agendas de desenvolvimento sustentável.

Segundo a pesquisadora, os solos nunca estiveram tão presentes em discussões conjuntas dos grandes painéis intergovernamentais do mundo, como o IPCC. Mas, graças aos trabalhos do Acordo de Paris, mais abrangente tratado intergovernamental sobre mudança climática criado até agora e do qual o Brasil é signatário, foi de comum acordo que o carbono orgânico do solo é o principal fator para mitigação das mudanças climáticas.
“A conscientização de que o manejo sustentável do solo é a chave para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas foi um processo que se iniciou com as pesquisas científicas e se fortaleceu com criação, desde 2012, da Aliança Mundial pelo Solo - AMS, cujas ações foram acolhidas pela comunidade internacional e que devem ser continuamente cultivadas para que se alcancem os objetivos propostos", destaca.

Maria de Lourdes lembra, com base no relatório da FAO apresentado no Simpósio, que os solos constituem a maior reserva de carbono terrestre, desempenhando papel crucial no balanço global de carbono e regulando os processos bioquímicos dinâmicos e o intercâmbio de gases de efeito estufa (GEE) com a atmosfera. Quando manejados de forma sustentável, desempenham papel fundamental na adaptação e mitigação das mudanças climáticas e na produção de serviços ecossistêmicos, armazenando carbono (sequestro de carbono) e diminuindo as emissões de gases de efeito estufa para a atmosfera. Além disso, os solos com alto teor de carbono orgânico são mais férteis e produtivos e atuam na purificação da água e são fonte de biodiversidade.
Por outro lado, continua a pesquisadora, quando o solo é mal manejado ou degradado (situação que atinge um terço dos solos no mundo!), o carbono sequestrado e outros gases de efeito estufa resultantes da degradação são reliberados de volta para a atmosfera. Além disso, na presença de alterações climáticas e perda de biodiversidade, os solos tornaram-se um dos recursos mais vulneráveis do mundo. Isso significa que o reservatório de carbono do solo da Terra poderia liberar quantidades maciças de gases de efeito estufa para a atmosfera, ou sequestrar mais deles, dependendo do manejo que se dá a eles, vis-à-vis suas características intrínsecas.

Os três temas principais do Simpósio foram: medição, mapeamento, monitoramento e relatórios sobre carbono orgânico dos solos; manutenção e / ou aumento das reservas de carbono orgânico dos solos (fomentar o sequestro) para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas e neutralidade da degradação do solo; e, o foco especial, a gestão de carbono orgânico dos solos em solos com alto carbono orgânico - turfeiras, permafrost e solos pretos.

Mais documentos disponíveis – Segundo alerta a publicação Carbono Orgânico do Solo: O Potencial Oculto, danos aos estoques de carbono do solo pelo mau manejo do solo dificultará os esforços para limitar o aumento da temperatura global e evitar o aumento das inundações, secas e outros impactos das mudanças climáticas.

Para ajudar a abordar barreiras técnicas e institucionais e fornecer informações importantes sobre como reverter as tendências negativas das perdas orgânicas do solo, sugere-se leitura sobre As Diretrizes Voluntárias da FAO para o Manejo Sustentável de Solos recentemente endossadas.

 



CIENTISTAS CHINESES DESENVOLVEM PAINÉIS SOLARES QUE FUNCIONAM MESMO COM CHUVA OU NEVOEIRO
Da Agência EFE / ABr e Ecodebate, 05/04/2017

Foto de arquivo


Uma equipe de cientistas de duas universidades chinesas desenvolveu painéis solares capazes de gerar energia também em dias de baixa insolação, inclusive com chuva ou nevoeiro, e período noturno, informa nesta segunda-feira o jornal oficial Diário do Povo.


“O objetivo é elevar a eficiência de conversão da luz direta até que volte a ter mais, gerando energia suficiente em condições de pouca luminosidade tais como chuva, nevoeiro, bruma ou à noite”, explicou ao jornal o professor Tang Qunwei, da Universidade Oceânica da China, responsável pelo projeto.


Outra equipe liderada pelo professor Yang Peizhi, da Universidade Pedagógica de Yunnan, também participa do desenvolvimento dessas placas solares, que segundo a imprensa oficial chinesa podem representar uma “revolução fotovoltaica”.


De acordo com a Agência EFE, a principal inovação dos painéis é o uso de um novo material chamado LPP (sigla em inglês de “fósforo de longa persistência”), que pode armazenar energia solar durante o dia para que seja colhida à noite.


“Só a luz parcialmente visível pode ser absorvida e transformada em eletricidade, mas o LPP pode armazenar energia solar a partir de luz não absorvida e perto da infravermelha”, explicou Tang, “permitindo a geração de energia contínua de dia e de noite”.


Esses avanços foram publicados em revistas científicas dos Estados Unidos e da Europa, que destacaram a queda de custos que a energia solar poderia ter graças a esse tipo de painel.


Boa parte da energia consumida na China procede de combustíveis fósseis (carvão e petróleo), mas, ao mesmo tempo, a segunda economia mundial é o país com mais centrais solares instaladas (com capacidade para mais de 77 gigawats).


Ref: A Solar Cell That Is Triggered by Sun and Rain Q. Tang, X. Wang, P. Yang, B. He, Angew. Chem. Int. Ed. 2016, 55, 5243.
http://dx.doi.org/10.1002/anie.201602114

 


 

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE PERDE METADE DOS RECURSOS NO ORÇAMENTO PARA 2017
Jaime Gesisky, WWF-Brasil

O Ministério do Meio Ambiente começou a semana fazendo contas. O mais incisivo corte no orçamento da área ambiental federal das últimas décadas anunciado no final da semana passada fez acender o alerta. O orçamento previsto para este ano – atualizado em fevereiro – de R$ 782 milhões caiu praticamente pela metade (43%), restando apenas R$ 446, 5 milhões para despesas de custeio ao longo do ano.


Não estão incluídos neste valor as emendas parlamentares, que dariam mais R$129 milhões de folga. O MMA não considera que esse recurso extra venha compor seu orçamento.


Assim, a pasta terá que se desdobrar este ano se quiser manter ações essenciais como fiscalização, atividades de licenciamento ambiental, combate ao desmatamento ilegal e queimadas e gestão de unidades de conservação.


Estas atividades estão centradas basicamente no Ibama, responsável pelo controle e fiscalização, e no Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), a quem cabe gerir, por exemplo, os parques nacionais, que já vinham sofrendo com a penúria.


Mas os cortes não se restringem a estas duas autarquias da área ambiental. Atingem em cheio também o Serviço Florestal Brasileiro (SFB), a Agência Nacional de Águas (ANA), o Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) e o Fundo Nacional sobre Mudança no Clima (FNMC). No entanto, o Ibama e o ICMBio ficam com a maior fatia dos recursos, cerca de 70% da pasta.


Lamentável


O Diretor Executivo do WWF-Brasil, Maurício Voivodic lamentou o corte na área ambiental em um momento em que o desmatamento aumentou na Amazônia e segue em alta no Cerrado. Ele lembrou ainda que é preciso fazer todo o esforço possível para garantir o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, as ações de fiscalização e controle e os investimentos em conservação da biodiversidade.


“O momento é sensível, pois o cenário aponta para a fragilização do licenciamento ambiental, a ataque sistemático para redução de áreas protegidas na Amazônia, comprometendo um dos principais ativos do país”, comentou.


A avaliação no MMA é de que ainda é cedo para se falar em quais as atividades finalísticas ficarão mais prejudicadas com o corte. Não há dúvidas, porém, de que os recursos são insuficientes e que o impacto poderá ser sentido na ponta. Inclusive podendo comprometer metas internacionais do país nos temas da biodiversidade e do clima. Por isso a apreensão nos corredores do ministério nesta semana. O que não se pode é parar.


Por isso, o Ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, tratou de defender as ações de sua pasta. Nesta terça-feira, o ministro iniciou um périplo pelo Palácio do Planalto e Ministério do Planejamento para tentar garantir que não faltem os recursos para ações cruciais, tentando minimizar os efeitos do corte sobre as atividades que estão sob seu comando.


É sobre a mesa dele que batem primeiramente os números do desmatamento – que aumentou 29% no ano passado em relação ao ano anterior –, os alertas de incêndio florestal, o comércio ilegal de madeira, o tráfico de biodiversidade.


Corte raso


Os cortes orçamentários não atingem apenas a área ambiental. Além do MMA, os ministérios dos Transportes, do Esporte, do Turismo, das Cidades, da Integração Nacional e do Planejamento, Orçamento e Gestão também tiveram seus orçamentos ceifados pela metade.


O exercício no MMA também vai no sentido de identificar medidas que possam ganhar mais efetividade com menor custo. Desde a redução na quantidade de viagens feitas pelos técnicos da pasta, com maior uso de reuniões virtuais, até o planejamento de ações conjugadas com outros órgãos como a Polícia Federal, por exemplo. Vale tudo para tentar reduzir os impactos do contingenciamento de gastos.


Para dar conta das responsabilidades, os órgãos do governo terão de trabalhar de forma solidária – o que é um grande desafio em momentos de pouca verba.
Trata-se de um dos mais duros golpes no orçamento para ações de custeio no governo federal nas últimas décadas. Os efeitos são imprevisíveis.


O desequilíbrio fiscal do Brasil significa um déficit de R$ 139 bilhões – podendo chegar a R$ 200 bilhões na opinião de alguns economistas ouvidos pelo WWF-Brasil, um rombo histórico e sem perspectivas de solução no curto prazo – o que projeta um cenário futuro sombrio, infelizmente não só para a área ambiental.


Sem credibilidade, o governo não tem como atrair investimentos, nem aumentar a receita. O jeito é cortar e remediar de modo amargo para tentar tirar o paciente do estado de coma em que se encontra.

 

 


 

REFORMA OU REVOLUÇÃO
Isaac Roitman*, Correio Braziliense, 07/04/2017

É legítimo afirmar que a reforma do ensino médio promove avanços como o tempo integral, a flexibilização e a introdução de itinerários formativos
Recentemente, por meio da medida provisória 746, foi aprovada a reforma do Ensino Médio. O argumento que esse tipo de reforma não deveria ser encaminhada por medida provisória e que deveria ser mais discutida pela sociedade tem sido usado por pessoas e entidades. Porém, vale a pena recordar que a melhoria da educação brasileira vem sendo discutida desde 1932 e que, no Manifesto dos Pioneiros da Educação, o diagnóstico foi feito e as soluções foram propostas. De lá para cá, o que observamos é que a nossa educação não melhorou. As escolas produzem um número razoável de analfabetos funcionais, os estudantes estudam para fazer provas e os egressos de nosso ensino básico não estão devidamente qualificados para o mercado de trabalho ou para o ingresso nas universidades e são desprovidos de valores como a ética, a solidariedade, o desapego, entre outros. Em adição, nossos professores não têm o reconhecimento de seu trabalho social e estão cada vez mais desencantados.

É legítimo afirmar que a reforma do ensino médio promove avanços como o tempo integral, a flexibilização e a introdução de itinerários formativos. É também pertinente indagar as razões do ensino médio ter sido o foco da reforma. Provavelmente pelos altos índices de reprovação e evasão e pelos resultados negativos de avaliação no Ideb (Índice de desenvolvimento da educação básica). Uma pergunta então emerge: de que adianta formatarmos um excelente ensino médio para egressos do ensino fundamental totalmente despreparados?

A resposta a essa questão nos leva à conclusão de que todo o sistema educacional precisa ser novamente construído, não através de tímidas reformas, mas, sim, por meio de uma verdadeira revolução. A educação deverá ser um dever do Estado desde a primeira infância, em que a brincadeira deve ser o principal instrumento pedagógico. O ensino infantil deve ser emoldurado pela alegria, pelo contato com a natureza, pela socialização em um cenário de atividades artísticas (música, dança, pintura, cinema etc.) e esportivas. No ensino básico e superior, devemos ter o protagonismo dos estudantes através do estudo de temas e resolução de problemas do cotidiano em substituição à aula expositiva. As famílias serão parceiras, ou melhor, cúmplices, na construção de uma educação de qualidade.

É chegada a hora de romper com o tradicional iluminismo educacional que insiste na transmissão de conteúdos e na formação social individualista e uma mídia perversa que constrói uma sociedade para servir ao mercado. É pertinente lembrar o pensamento de John Dewey, com quem Anísio Teixeira conviveu: “A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida”. Vamos todos participar dessa revolução.

*Isaac Roitman é professor emérito da Universidade de Brasília


 


O DIREITO À INFORMAÇÃO É FUNDAMENTAL NO CONTROLE POPULAR DO ESTADO
Vilmar Sidnei Demamam Berna*, Aliança RECOs

O direito à informação é a pedra fundamental da transparência administrativa e medida de controle popular do Estado e tem sua gênesis na Declaração Francesa de 1789 e na Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948.
 
A circulação de informações ambientais de qualidade é um dos pressupostos para o desenvolvimento sustentável e democrático de um país. Um público bem-informado é um sine qua non para a participação democrática, como o filósofo pragmatista, John Dewey, insistiu. Para ele, a disseminação da informação, incluindo a informação científica, é essencial para a construção da democracia.


 
"A menos que (os resultados de investigação) sejam lidos, não podem afetar de forma séria o pensamento e a ação de membros do público; restringem-se aos nichos retirados das bibliotecas, e são estudados e compreendidos somente por poucos intelectuais. (...) Uma apresentação técnica e erudita teria apelo somente aos tecnicamente intelectuais; não seria notícia para as massas" (DEWEY, 1956, p.183).
 
O progresso desenfreado disseminou uma falsa idéia de que os ecossistemas poderiam sustentar indiscriminadamente o crescimento econômico e que seriam capazes de se recuperar de todas as agressões provocadas pela produção ilimitada de bens. Desse modo, prevaleceu em nossa sociedade uma massificação da informação direcionada ao consumo, mais voltada para o lucro do que para a preservação ambiental, deixando em segundo plano, questões essenciais como a qualidade de vida, a saúde e o bem estar geral. Consumir primeiro, para depois cuidar da natureza, tornou-se uma regra despercebidamente aceita e seguida no mundo moderno. Sem dúvida, a transição das civilizações agrárias para a civilização industrial, sob a égide do capital, representou uma das principais rupturas para a alteração da relação homem-Natureza, na re-dinamização ou re-criação do mundo, inaugurando uma nova postura das sociedades com o meio planetário. O projeto moderno de dominação da natureza converteu os recursos ambientais em mercadoria última e a indústria passou a ser o instrumento potencializador do homem sobre as forças naturais. Em conseqüência, as ameaças desse novo modelo levam a humanidade a uma sociedade de risco e a sobrevivência do ser humano, como espécie, está posta progressivamente em tênue equilíbrio e irá depender de um esforço conjunto de toda coletividade no sentido da superação do atual estágio.
 
Desse modo, o direito de acesso a informação socioambiental funciona como fermenta do desenvolvimento sustentável e fonte de afirmação de valores, desempenhando importante papel no equacionamento da política ambiental, em que os cidadãos possam obter “melhores condições de atuar sobre a sociedade, de articular mais eficazmente desejos e idéias e de tomar parte nas decisões que lhe dizem respeito diariamente”.
 
A visibilidade é um dos traços do Estado democrático e o direito à informação consagra o princípio constitucional e administrativo da publicidade. Infere-se, portanto, que não há como prevenir danos causados por empreendimentos ambientais se não se tem conhecimento sobre as atividades que estão sendo realizadas ou controladas pela Administração, daí a importância de tornar públicas as informações. O princípio da publicidade contrapõe-se à teoria do poder absoluto, pois se pauta no desempenho da atividade estatal ante os olhares dos espectadores. O que é público deve estar aberto a todos ou a muitos “para ser visto, ouvido ou comentado; o que é privado, ao contrário, é o que está escondido da vista, o que é dito ou feito na privacidade ou em segredo de pessoas”.
 
A informação deve ser uma busca permanente de toda a sociedade, já que não é possível construir uma consciência cidadã por meio de omissões ou meias verdades, sobretudo quando uma garantia se reveste de um direito difuso, ou seja, quando alcança um número indeterminado de pessoas como é o caso de questões que envolvem o meio ambiente.
 
Assim, todo esforço para a correta utilização de um meio ambiente saudável e sustentável depende muito do grau de conhecimento que um povo tem sobre o ambiente em que vive, e não há conhecimento sem informação.


 
*escritor e jornalista, fundou a rebia - rede brasileira de informação ambiental (rebia.org.br), e edita deste janeiro de 1996 a revista do meio ambiente (que substituiu o Jornal do meio ambiente), e o Portal do meio ambiente (portaldomeioambiente.org.br). em 1999, recebeu no Japão o Prêmio global 500 da ONU para o meio ambiente e, em 2003, o Prêmio verde das américas.

 

 


 

EXPERIMENTO DESAFIA COMPREENSÃO DO QUE É A LUZ
Site Inovação Tecnológica -  04/04/2017


"Tudo tem uma certa 'nebulosidade' quântica associada, e os fótons não são os projéteis duros de luz que popularmente se imagina."[Imagem: UEA]



Identidades distantes

Físicos descobriram um novo mecanismo de criação de pares de partículas de luz - fótons - que tem um impacto significativo sobre a teoria e a prática da física quântica.
Eles demonstraram que, quando os fótons são criados em pares, eles podem emergir de pontos diferentes no espaço, em vez de surgir do mesmo local.

Pares de fótons - ou fótons idênticos - são largamente utilizados em processos de computação, criptografia e teletransporte quânticos porque eles nascem entrelaçados. O entrelaçamento quântico - ou emaranhamento - é o fenômeno pelo qual duas partículas são tão intimamente ligadas que qualquer coisa que afetar uma afetará imediatamente a outra.

A criação de fótons é um procedimento muito sutil e muito rápido, de forma que até agora os físicos assumiam que esses pares de fótons necessariamente se originariam do mesmo ponto no espaço. Mas o aumento na precisão dos experimentos mostrou que não é bem assim.

Nova incerteza

O entrelaçamento dos estados quânticos em cada par de partículas tem aplicações importantes na computação quântica, assim como em outras áreas da física, o que inclui o próprio entendimento da teoria quântica, até hoje motivo de grandes controvérsias entre os físicos.
"Até agora, assumia-se que esses pares de fótons vinham da mesma localização. A identificação de um novo mecanismo deslocalizado mostra que cada par de fótons pode ser emitido a partir de pontos espacialmente separados, introduzindo uma nova incerteza posicional de origem fundamentalmente quântica," explicou o professor David Andrews,da Universidade East Anglia, no Reino Unido.

A descoberta também é significativa porque coloca limites na resolução espacial e no próprio conceito de espaço - sem contar, é claro, em toda a teoria da luz e na definição de o que é a luz.

"Tudo tem uma certa 'nebulosidade' quântica associada, e os fótons não são os projéteis duros de luz que popularmente se imagina," disse o professor Andrews.

Bibliografia:

Nonlocalized generation of correlated photon pairs in degenerate down-conversion
Kayn A. Forbes, Jack S. Ford, David L. Andrews
Physical Review Letters
Vol.: Accepted Paper
DOI: http://journals.aps.org/prl/

 

 


USP OFERECE CURSOS GRÁTIS VIA INTERNET

 Quem se interessar ou conhecer alguém que possa querer fazer, a USP disponibilizou 27 cursos para fazer online e totalmente de graça. Se conhecerem jovens ou pessoas que queiram se aprimorar, vale a pena.

Seguem os cursos e links de cada um:

1. Física Básica
http://www.veduca.com.br/cursos/gratuitos/fisica-basica

2.Gestão de Projetos
http://www.veduca.com.br/assistir/gestao-de-projetos

3.Engenharia Econômica
http://www.veduca.com.br/assistir/engenharia-economica

4.Princípios de Sustentabilidade e Tecnologias Portadoras de Inovação
http://www.veduca.com.br/assistir/principios-de-sustentabilidade-e-tecnologias-portadoras-de-inovacao

5.Gestão do Desenvolvimento de Produtos e Serviços
http://www.veduca.com.br/assistir/gestao-do-desenvolvimento-de-produtos-e-servicos

6.Liderança, Gestão de Pessoas e do Conhecimento para Inovação
http://www.veduca.com.br/assistir/lideranca-gestao-de-pessoas-e-do-conhecimento-para-inovacao

7.Gestão da Inovação
http://www.veduca.com.br/assistir/gestao-da-inovacao

8.Medicina do Sono
http://www.veduca.com.br/assistir/medicina-do-sono

9.Oceanografia - Sistema Bentônico
http://www.veduca.com.br/assistir/oceanografia-sistema-bentonico

10.Eletromagnetismo
http://www.veduca.com.br/assistir/eletromagnetismo

11.Probabilidade & Estatística
http://www.veduca.com.br/assistir/probabilidade-e-estatistica

12.Sistemas Terra
http://www.veduca.com.br/assistir/sistemas-terra

13.Produção mais Limpa (P+L) e Ecologia Industrial
http://www.veduca.com.br/assistir/producao-mais-limpa-pl-e-ecologia-industrial

14.Instrumentos de Política e Sistemas de Gestão Ambiental
http://www.veduca.com.br/assistir/instrumentos-de-politica-e-sistemas-de-gestao-ambiental

15.Fundamentos de Administração
http://www.veduca.com.br/assistir/fundamentos-de-administracao

16. Visões do Brasil, Século XIX
http://www.veduca.com.br/assistir/visoes-do-brasil-seculo-xix

17.Escrita Científica: Produção de Artigos de Alto Impacto
http://www.veduca.com.br/assistir/escrita-cientifica-producao-de-artigos-de-alto-impacto

18.Escrita Científica
http://www.veduca.com.br/cursos/gratuitos/escrita-cientifica

19.Tópicos de Epistemologia e Didática
http://www.veduca.com.br/assistir/topicos-de-epistemologia-e-didatica

20.Atualidade de Sérgio Buarque de Holanda
http://www.veduca.com.br/assistir/atualidade-de-sergio-buarque-de-holanda

21.Economia Monetária - Moeda e Bancos
http://www.veduca.com.br/assistir/economia-monetaria-moeda-e-bancos

22.Empirismo e Pragmatismo Contemporâneos
http://www.veduca.com.br/assistir/empirismo-e-pragmatismo-contemporaneos

23.Filosofia e Intuição Poética na Modernidade
http://www.veduca.com.br/assistir/filosofia-e-intuicao-poetica-na-modernidade

24.Ciência Política: Qualidade da Democracia
http://www.veduca.com.br/assistir/ciencia-politica-qualidade-da-democracia

25.História do Brasil Colonial II
http://www.veduca.com.br/assistir/historia-do-brasil-colonial-ii

26.Enunciação
http://www.veduca.com.br/assistir/enunciacao

27. Libras
http://www.veduca.com.br/cursos/gratuitos/libras


SECRETARIA REGIONAL DE PERNAMBUCO

Prof. Marcos Antonio Lucena - Secretário Regional

Profa. Rejane Mansur Nogueira - Secretária Adjunta

 

José Antônio Aleixo da Silva (Editor)Professor titular da UFRPE e membro da Diretoria da SBPC.

Bianca Pinto Cardoso
Designer do Jornal

 

Sobre a SBPC-PE

Somos uma Secretaria Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), entidade civil e sem fins lucrativos voltada para a defesa do avanço científico, tecnológico e do desenvolvimento educacional e cultural do Brasil.

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