Notícias

Jornal Eletrônico da SBPC/PE #4 Ano: 2

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Notícias:

PALESTRA NA ACADEMIA PERNAMBUCANA DE CIÊNCIAS

A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CENTROS E MUSEUS DE CIÊNCIA (ABCMC) ENCAMINHA CARTA AO MCTIC RECLAMANDO SOBRE DESMONTE GRADUAL DE MUSEUS DE CIÊNCIAS NO BRASIL

AS MULHERES NA CIÊNCIA E AS EXPECTATIVAS PARA O SÉCULO XXI
Vanderlan da S. Bolzani*, Nossa Ciência, Edição 63, Ano 3

MULHERES ENFRENTAM TABUS E PRECONCEITOS PARA SE DESTACAR NO MEIO CIENTÍFICO
Agencia Brasil

COMO É SER MULHER NA CIÊNCIA, SEGUNDO 4 PESQUISADORAS BRASILEIRAS
Marina Demartini, Revista Exame

MULHERES JÁ PRODUZEM METADE DA CIÊNCIA DO BRASIL, DIZ LEVANTAMENTO
Everton Lopes Batista e Sabine Righetti, Folha de São Paulo, reproduzido no Notícias da ABC.

DEPOIMENTO: EXCLUSÃO DA MULHER É VISTA COM NATURALIDADE NAS SOCIEDADES
Muna Zeyn*, Informativo Semanal ICArabe

EN CARGOS ALTOS, LAS MUJERES CASI DESAPARECEN DE LA ONU
Thalif Deen, Inter Press Service, 08/03/2017

SURPRISING NEW STUDY: BRAZIL NOW A GLOBAL LEADER IN GENDER EQUALITY IN SCIENCE
Shannon Sims,  Forbes.

USP TEM NOVE CURSOS ENTRE OS 50 MELHORES DO MUNDO
Daniel Mello - Agência Brasil.

PESQUISA PIONEIRA REVELA LIMITAÇÕES E IMPACTOS DE RANKINGS UNIVERSITÁRIOS
Carlos Orsi, Informativo da Unicamp.

EDUCAR PARA A DEMOCRACIA
Antônio Gois, O Globo.


APTIDÕES PSÍQUICAS INCOMUNS DO SER HUMANO

APC –Academia Pernambucana de Ciências tem a grata satisfação de convidar V.Sa, para a reunião-almoço do dia 18 de março (sábado) próximo das 9:30h às 11:45h no Círculo Militar do Recife situado na Av. Agamenon Magalhães Boa Vista, com estacionamento interno.

Palestrante: VALTER DA ROSA BORGES

Bacharel em Direito pela UFPE (1959), Procurador de Justiça aposentado do Ministério Público de Pernambuco. Lecionou Sociologia na Universidade Federal de Pernambuco e Direito Civil na Universidade Católica de Pernambuco.Idealizador e fundador do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas (1973) e da Academia Pernambucana de Ciências (1978) Criou e apresentou o programa “O GRANDE JURI” na TV Universitária (1964-1982) e publicou 25 livros.Foi conferencista em vários congressos e simpósios de Parapsicologia, no Brasil e na Argentina.



A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CENTROS E MUSEUS DE CIÊNCIA (ABCMC) ENCAMINHA CARTA AO MCTIC RECLAMANDO SOBRE DESMONTE GRADUAL DE MUSEUS DE CIÊNCIAS NO BRASIL

Rio de Janeiro, 6 de março de 2017

Ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações
Dr. Gilberto Kassab

Sr. Ministro,

A Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência (ABCMC), fundada em 15 de julho de 1999, surgiu para unir ideias, compartilhar experiências, projetos e possibilitar um grande intercâmbio entre os Centros e Museus de Ciência de todo o Brasil. Faz parte  da sua missão promover diálogo com as autoridades públicas, nas suas diversas instâncias, no sentido de contribuir para o fortalecimento de programas de divulgação científica e de articulação de uma Política Nacional de Popularização da Ciência. O
diálogo com esse Ministério, que coordena as políticas públicas federais para a popularização da ciência, se deu de forma proveitosa desde a fundação da nossa entidade.

Depois de um longo período de ampliação do campo da popularização da ciência, e dos centros e museus de ciências em particular, acompanhamos com pesar o atual momento de grande perplexidade e receio quanto ao futuro desse campo. Esse desenvolvimento foi especialmente verificado a partir dos anos 1980, conforme pode ser observado nas edições de 2005, 2009 e 2015 do Guia de Centros e Museus de Ciência do Brasil, coordenado pela ABCMC, que registram respectivamente 110, 190 e 268 instituições
dessa natureza no país. Apesar do grande desenvolvimento citado acima, trata-se de uma política historicamente muito recente, com importantes questões a serem equacionadas. Por exemplo, podemos observar no Guia 2015 que muitas capitais não dispõem sequer de um museu de ciência de porte, que possa atender à população local e funcionar como centro propulsor da popularização da ciência nesses Estados.

Lamentamos, ainda, o desmonte gradual de museus históricos, como a Estação Ciência e o Museu de Ciência e Tecnologia da Bahia (MCT/BA), entre outros que passam por dificuldades até para permanecerem funcionando. O museu Estação Ciência (USP) iniciou um processo de dispersão de profissionais altamente qualificados para outras unidades da universidade, depois veio o fechamento provisório e finalmente foi
anunciado o fechamento definitivo dessa referência do nosso campo.

Exemplo de decadência, decorrente da falta de consciência em relação à importância da
popularização da ciência para a formação cidadã de jovens e adultos, é o caso do Museu de Ciência e Tecnologia da Bahia. O MCT/BA, que tem um papel histórico de pioneirismo entre os museus interativos brasileiros, há muitos anos vem sendo sucateado, assim como sua unidade móvel, o “Ciência Móvel”. Trata-se de um patrimônio do estado da Bahia que foi ao longo dos anos posto à deriva. O seu prédio,
especialmente projetado para servir de sede para o museu, portanto, portador de valor histórico, foi transformado em área administrativa e a população privada do seu importante acervo.

Outros museus vivem em permanente expectativa quanto à própria sobrevivência, por dificuldades financeiras, políticas e administrativas, inclusive alguns ameaçados de extinção. Nos últimos tempos nos chegaram relatos preocupantes desse tipo de problemas sobre alguns espaços de Vitória (ES), como o Planetário de Vitória (1995), a Praça da Ciência (1999), a Escola da Ciência – Física (2000) e a Escola da
Ciência – Biologia e História (2001); sobre a Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (FZB), que presta relevantes serviços à sociedade por meio de seus três órgãos, o Museu de Ciências Naturais, o Jardim Botânico e o Parque Zoológico; sobre o Museu Ciência e Vida, implantado no Município Duque de Caxias (RJ), que passa pelas mesmas dificuldades do Estado do Rio de Janeiro. Algumas instituições afirmam que
montaram grupos de trabalho para tratar dessas questões, mas as dificuldades vêm se perpetuando ao longo do tempo.

É inadmissível a situação dessas instituições, que fizeram história na área da popularização da ciência, sobre as quais não sabemos qual será o final e consideramos imperiosa uma ação desse Ministério, órgão máximo das políticas públicas para a área, através de iniciativas no seu próprio âmbito e de articulações com outras instâncias governamentais que possam reverter esse difícil momento. Uma questão que certamente viria atender a algumas necessidades imediatas de muitos museus seria a liberação dos restos a pagar da Chamada MCTI/CNPq/SECIS nº 85/2013 - Apoio à criação e ao
desenvolvimento de Centros e Museus de Ciência e Tecnologia com recursos do FNDCT. Pelo que sabemos dos R$ 20 milhões previstos no edital, mais da metade desse valor ainda não foi liberado.

Por outro lado, a comunidade dos centros e museus de ciência reclama por informações desse Ministério a respeito de novos editais para a área, neste ano de 2017. Os editais se mostraram um importante mecanismo de alocação de meios, dado o seu caráter democrático e sua exigência de projetos qualificados. Como grande parte dos centros e museus de ciência desenvolve outras atividades de popularização da ciência, essa comunidade demanda também apoios e editais específicos para Olimpíadas
Científicas, Feiras e Mostras Científicas, projetos Ciência Móvel, Planetários Móveis e eventos em geral da área, como a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e o Biênio da Matemática, que a ABCMC também participa da Coordenação Nacional e que engloba a Olimpíada Internacional de Matemática, em 2017, e o Congresso Internacional de Matemáticos, em 2018.

O atual documento da ENCTI (Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação- 2016/2019) ao definir a temática “Ciências e Tecnologias Sociais” como um de seus temas estratégicos, confere especial atenção à importância da educação científica da população brasileira como forma de garantir a soberania do país no século XXI nos âmbitos nacional e internacional. Essa temática tem sido continuamente
contemplada em documentos estratégicos na área de Ciência e Tecnologia, frutos das Conferências Nacionais de Ciência e Tecnologia que aconteceram, em 2001, 2005 e 2010. Nesta última, na IV Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, foi aprovada a agenda “Pop Ciência 2022”, à qual sugerimos especial atenção. O tema da Educação Científica da população brasileira também foi foco da ENCTI 2012-
2015. A atual ENCTI, ao definir como um de seus objetivos “Desenvolver e difundir conhecimento e soluções criativas para a inclusão produtiva e social, a melhoria da qualidade de vida e o exercício da cidadania”, estabelece a meta “Promover a melhoria da educação científica, a popularização da C&T e a apropriação social do conhecimento” como uma das estratégias associadas ao referido objetivo.

O cenário exposto evidencia o papel estratégico da Divulgação e Popularização da Ciência e Tecnologia e a necessidade do reconhecimento da socialização da cultura científica enquanto determinante para a formação cidadã e para o crescimento da produção científica e tecnológica do país e, consequentemente, de dar sequência à implantação de políticas estruturantes para o setor, assim como ao oferecimento de meios mais robustos, regulares e sistemáticos que garantam a continuidade do
desenvolvimento do campo da popularização da ciência, através de editais e outras formas de fomento.

Agradecemos a atenção e nos colocamos à disposição para discutir as questões elencadas acima e outras que sejam colocadas em pauta e contribuir para o enfrentamento dos desafios, que ainda são muitos, para a melhoria da educação científica e da popularização da cultura científica em nosso país.

Atenciosamente,

José Ribamar Ferreira
Diretor Presidente
Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência (ABCMC)
Prédio Sede do Museu da Vida / COC / sala 214
Av. Brasil, 4365 – Manguinhos – CEP 21040 – 900
Rio de Janeiro – RJ – Brasil

 


 

AS MULHERES NA CIÊNCIA E AS EXPECTATIVAS PARA O SÉCULO XXI
Vanderlan da S. Bolzani*, Nossa Ciência, Edição 63, Ano 3, 10/03/2017

 

Nesse artigo a professora Vanderlan Bolzani descreve as inúmeras barreiras encontradas pelas mulheres e os avanços concretos obtidos nas últimas décadas

Desde a celebração do Ano Internacional da Química, em 2011 (AIQ-2011), tenho participado de várias conferências internacionais sobre o papel das mulheres na ciência. Esses eventos, vistos em seu conjunto, mostram um painel diversificado, com protagonistas de muitos países, de diferentes etnias e crenças. Mas com um ponto em comum. Graças à sua atuação como cientistas, essas mulheres conseguiram se destacar em um campo de atividade bastante valorizado pela sociedade, no qual os homens ainda predominam de forma marcante.

Governos, organizações internacionais como a ONU, e associações científicas empenham-se hoje em promover, estimular e apoiar iniciativas que levem à mudança das estruturas sociais responsáveis pela desigualdade entre homens e mulheres no campo da educação e da ciência. Nesse sentido, nós pesquisadoras e educadoras que vivemos neste início do século XXI, apesar de ainda enfrentarmos inúmeras barreiras para a realização profissional, podemos nos beneficiar de avanços concretos obtidos nas últimas décadas.
Nunca é demais lembrar que a presença efetiva das mulheres no espaço oficial da ciência é, em termos históricos, muito recente, alcançando algo em torno de um século apenas. Uma inclusão que exigiu das pioneiras coragem e muita perseverança para se defrontar com a tradição. O caso de maior visibilidade e impacto é, sem dúvida, o de Marie Sklodowska Curie (1867 – 1934) primeira mulher a receber o Prêmio Nobel nas áreas de Física (1903) e Química (1911) e primeira cientista a receber a dupla premiação. Polonesa, vivendo no período em que seu país estava sobre dominação do império russo, filha de um professor de física e matemática comprometido com a causa do nacionalismo polonês, Marie Curie construiu sua trajetória com uma tenacidade admirável. Soube burlar as proibições de estudo superior para as mulheres no contexto de então, e conseguiu articular sua ida a Paris onde, anos depois, se inseriu nos grupos científicos que realizavam a pesquisa mais avançada em Física e Química na Europa, e portanto, no mundo. O reconhecimento ao seu trabalho científico se deve, principalmente, a ter desvendado uma nova área de conhecimento, a radioquímica.

O exemplo de Marie Curie e de outras pioneiras nesse momento do final do século XIX e início do século XX abriu caminho para a luta pela redução da desigualdade entre homens e mulheres na ciência. Entre essas pioneiras está a inglesa Rosalind Franklin (1920-1958), pesquisadora da área de biofísica cujos estudos sobre a difração do raio-X contribuíram para a determinação da estrutura do DNA. Assim como a também inglesa Dorothy Crowfoot Hodgkin (1910-1994), bioquímica que recebeu o Prêmio Nobel de Química em 1964 por seu trabalho no campo da cristalografia do raio-X, conhecimento que se tornou amplamente utilizado e propiciou, entre outros avanços, a descoberta da estrutura da insulina.

O número de cientistas criativas, talentosas e bem sucedidas foi crescendo ao longo do século XX e construindo uma nova mentalidade para homens e mulheres em substituição à “tradição”. Mas se essa mudança trouxe uma prova de qualidade, não se traduziu, entretanto, em um processo de participação igualitária das mulheres nas faixas média e alta das carreiras e, sobretudo, nos postos de direção.

O fenômeno da sub-representação das mulheres nas carreiras científicas e, de forma geral, no campo conhecido como STEM (da sigla em inglês science, technology, engineering and mathematics) está presente nos países de economias avançadas e continua sendo um desafio para educadores e formuladores de políticas públicas.

Nos EUA, levantamento realizado em 2013, mostrou que apesar de as mulheres constituírem 46% da força de trabalho ocupavam apenas 27% dos postos em ciência e engenharia. São números que representam um avanço se comparados aos de 2003, mas revelam também a dificuldade em vencer as barreiras das estruturas tradicionais.

Na Comunidade Européia, essa realidade pode ser vista nos dados que tratam da trajetória da carreira acadêmica de homens e mulheres. Informações do relatório SHE Figures, da Comissão Europeia, de 2012, mostram que na etapa inicial da carreira acadêmica os postos para jovens doutores estão divididos entre 70% (homens) e 30% (mulheres). Já na etapa final das carreiras, quando são considerados pesquisadores seniores, apenas 10% das mulheres chegam a essa condição.

No Brasil, a sub-representação das mulheres é um fenômeno em movimento e vem se alterando rapidamente na base da pirâmide educacional. Segundo o censo do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), de 2000 a 2012, o número de mulheres que concluiu o ensino médio é ligeiramente superior ao de homens. Nos cursos de graduação, considerando-se todas as carreiras, aí incluídas áreas onde a predominância feminina é marcante como pedagogia, letras, ciências humanas, em 2012, elas representam 57,1% dos concluintes.

O ano de 2010 marca o ponto de equilíbrio quanto ao gênero, no número de pesquisadores registrados no CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

Os 128,6 mil pesquisadores então relacionados na base de dados do órgão estavam divididos igualmente entre homens e mulheres. Uma mudança frente à situação que a pesquisa identificou no início do levantamento (1995) quando essa proporção mostrava 60% para homens e 40% para mulheres.  Ao mesmo tempo, ao final desse período (1995 – 2010) o número de mulheres (52%) ultrapassou o de homens (48%) como líderes dos grupos de pesquisa registrados no CNPq.

Não há dúvida que as ações que ampliam a participação feminina na atividade científica devem gerar ganhos substantivos nos próximos anos. Mas, os números totalizados não revelam a desigualdade da proporção entre ambos quando se olha para as áreas de conhecimento isoladamente. Assim, áreas “tradicionalmente” tidas como masculinas e femininas continuam com perfil de distribuição fortemente desigual. Por exemplo, em ciências agrícolas essa proporção é de 74% (H) e 36% (M); em ciências exatas e da terra, que engloba física, química e matemática, de 68% (H) e 32% (M); engenharias, 71% (H) e 39% (M).

Os números para avaliar essa realidade são mais escassos quando se trata de identificar a divisão de gênero nos postos de direção e chefias da Universidade, a grande empregadora de pesquisadores no país. No entanto, um reflexo desse desequilíbrio pode ser visto nos quadros dirigentes das principais sociedades científicas do país, onde as lideranças femininas continuam sendo uma exceção merecedora de registro. As mudanças neste panorama, em qualquer parte do mundo, dependerão de nós, que devemos continuar a luta por um mundo mais equilibrado, onde cientistas mulheres e homens sejam protagonistas não apenas da geração do conhecimento que desvendem os segredos do universo, mas, também sejam lideranças na luta de construção de um mundo mais harmonioso para as futuras gerações.

* Vanderlan da S. Bolzani é Professora Titular do Instituto de Química de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (IQAr-Unesp), vice-presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Unesp (FUNDUNESP) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

 


MULHERES ENFRENTAM TABUS E PRECONCEITOS PARA SE DESTACAR NO MEIO CIENTÍFICO
Agencia Brasil, 08.03.2017

Há mais mulheres (57%) do que homens (43%) cursando universidades no Brasil, segundo o último Censo da Educação Superior, elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Nacionais Anísio Teixeira (Inep) em 2012. Porém, a situação se inverte quando as estatísticas são relacionadas às ciências como matemática, computação e engenharias. Nessas áreas, o número de homens é maior do que o de mulheres em todas as regiões do país.


Para a professora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Brasília, Lourdes Bandeira, a explicação para a baixa participação das mulheres no meio científico está na própria essência da ciência. “As qualidades das ciências, engenharias e matemática foram criadas com base em características masculinas como objetividade, força e destreza. Esse ideal cria uma espécie de “pirâmide inversa” nas quais as mulheres são maioria em atividades relativas ao trabalho de cuidado (como enfermagem, nutrição, pedagogia e assistência social) e minoria em áreas da tecnologia, matemática e engenharias”.


Os números refletem uma situação visível em salas de aulas de universidades pelo país. De acordo com a professora de engenharia da computação da Universidade de Brasília, Aletéia Favacho de Araújo, nenhuma aluna se matriculou na turma em 2014. Para ela, a falta de mulheres na área gera dois problemas: o desestímulo à participação feminina e o preconceito com mulheres que ingressam na área.


Aletéia, Adriana Pereira Ibaldo (do Instituto de Física da UnB) e a aluna de engenharia mecânica Bárbara Xavier relataram à Agência Brasil que as mulheres nesse meio enfrentam a desconfiança de colegas, a obrigação de conciliar tarefas do lar com o trabalho e as dificuldades de crescer em um ambiente em que são minoria.


Retrocessos na área da computação
Professora de engenharia da computação na UnB, Aleteia convive diariamente com a desigualdade entre homens e mulheres no mundo da programação. “Em uma ocasião, uma caloura chegou na porta da sala e perguntou se era a turma de engenharia da computação. Os alunos responderam que sim, mas completaram: a sala não é sua, você não tem louça para lavar em casa? A menina saiu chorando”, relata.


Para ela, o campo da programação regrediu em relação à participação feminina. “Quando eu entrei na graduação [na década de 90], eram 18 alunas em uma turma de 40. Hoje, chego a dar aula em turmas sem nenhuma mulher. A média é de duas mulheres a cada 30 alunos. As que entram tendem a ir se isolando dos colegas. Isso também prejudica a própria formação”, aponta. Quando era aluna, Aletéia lembra que quebrou tabus para seguir na computação.


“Na graduação e no mestrado, até que eu não sofri preconceitos. Mas no doutorado teve uma ocasião em que o professor pediu para desenvolver um programinha. Estávamos em cinco e eu falei para fazermos em grupo. Um rapaz disse que não iria fazer porque eu era menina. O choro ficou engatado na garganta. Eu fiz o trabalho com outro rapaz e o nosso resultado foi melhor. Depois, eles pediam: vamos fazer trabalho juntos. Eu respondia: vocês são meninos. Não faço grupo com meninos”.


Mãe de dois filhos (uma menina de sete anos e um menino de um), a professora acredita que a educação em casa pode mudar esse quadro no futuro. “As meninas têm que ser incentivadas a gostar de Lego [blocos de montar], a gostar de matemática. Mas o que é coisa de menina hoje? É cuidar da casa? Ela não pode gostar de matemática? Por que os pais não brincam com as filhas da mesma forma que brincam com os filhos? Só quando isso mudar, a mentalidade vai mudar”.


O estereótipo da "abnegada da ciência"


Desde criança, a professora de física da UnB, Adriana Ibaldo, tinha muito bem definida a área que seguiria: as ciências. “A minha paixão começou aos 4 anos. Mas foi no ensino médio que me decidi pela química [primeira graduação]”. Foi nesta época que ela começou a enfrentar as primeiras barreiras. “No Ensino Médio, já há um certo preconceito para quem tentar buscar a carreira em ciências. Era como se fosse um desperdício você optar pelas ciências mais básicas”, conta.


Na primeira graduação, o fato de ser mulher não provocava discriminação. “Na química, a proporção homem-mulher é menos assimétrica do que na física. Quando eu fui para a física, senti o preconceito maior”, afirma.


A professora da UnB acredita que a física é a área das exatas que tem o ambiente mais hostil. “Há uma crise entre a definição de feminilidade e qualidade de trabalho no meio. Quando você pensa em cientista, a primeira imagem que vem à cabeça é masculina. A gente começa a sentir a diferenciação só por ser mulher”, afirma. É justamente por estar “fora do estereótipo” que ela enfrentou os maiores desafios.


“Para eles, se você não seguir o estereótipo da abnegada da ciência, se você gosta de uma academia, de maquiagem ou se interessa por outros assuntos, isso é um atestado de burrice. A situação é sutil, você percebe a maneira como as pessoas falam com você. Elas são mais didáticas do que o necessário”, disse Adriana.
Adriana também relata que as mulheres têm mais dificuldades de ser ouvidas, por serem minoria. “Você está numa reunião, aí fala o tópico A. Ninguém dá crédito. Mas se um homem falar a mesma coisa, ele é ouvido”, afirma.


Escolhas desde a infância


Aos 26 anos, a estudante brasiliense Bárbara Xavier é uma das duas únicas alunas de sua turma do sexto semestre de engenharia mecânica da UnB. A história dela é um exemplo sobre como a escolha pela ciência tem influência da educação.


“A minha infância foi muito diferente em relação às minhas amigas. Sempre gostava de atividades ao ar livre. A minha mãe me dava boneca e eu perguntava. Por que você acha que eu quero brincar de cuidar de menino? Isso não é brincadeira. O modo de brincar me influenciou nas minhas escolhas”.

Bárbara acredita que suas principais amigas não tiveram a mesma oportunidade de escolher um curso para estudar. “Muitas achavam estranha a minha escolha. Mas eu sabia que elas não tinham dimensão do que estavam falando. Elas simplesmente não têm as ciências como opção”, diz.


Para seguir no ramo, Bárbara evita confrontos com os colegas quando eles falam coisas desagradáveis. “O fato de eu estar em constante contato com meninos desde a infância fez eu me acostumar com o que eles falam. Como não sou uma pessoa muito questionadora, evito bater de frente. Só que isso não quer dizer que não ocorre. Você está em um universo masculino. Então é obrigada a se submeter a situações em que as mulheres não ficam tão confortáveis”, diz.


Uma dessas situações aconteceu com uma colega que já saiu do curso de engenharia mecânica. “O Centro Acadêmico (CA) era cheio de pôsteres de mulheres nuas. Não é legal ser mulher e ficar vendo isso. Eu não reclamei, mas ela reclamou e o presidente do CA na época colocou em votação e venceu o não. No fim, houve uma discussão e tiraram”.
Para mudar esse quadro, Bárbara participa em um projeto da universidade que apresenta a meninas adolescentes os caminhos da ciência. “Levar um projeto como esse para a escola é interessante porque você mostra esse mundo para elas", afirma a estudante.


A estudante acredita que não apenas ela, mas a ciência ganha com todo esse trabalho de conscientização. “A mulher tem algumas qualidades que o homem não tem. Ela cuida dos mínimos detalhes e uma percepção no micro que o homem não tem”, afirma.

 

 


COMO É SER MULHER NA CIÊNCIA, SEGUNDO 4 PESQUISADORAS BRASILEIRAS
Marina Demartini, Revista Exame, 08/03/2017.

Elas contam como a falta de modelos e de incentivo, e até ser mãe, faz com que muitas mulheres desistam ou nem comecem a carreira científica

 

Bergmann: "eu afirmei que não poderia ser impedida só porque queria amamentar meu filho." (L'Oreál/Unesco/)



São Paulo – Em 1997, Thaísa Bergmann tinha acabado de dar à luz a seu primeiro filho quando recebeu uma proposta irrecusável: estudar durante três meses em um observatório internacional no Chile. A cientista brasileira não pensou duas vezes e aceitou a proposta. Ela tinha apenas uma condição: levar o bebê de quatro meses na missão.


Bergmann já era um rosto conhecido pela comunidade científica internacional. Seis anos antes, ela havia descoberto um disco de gás ao redor de um buraco negro, algo que contribui até hoje para o entendimento da evolução de galáxias. Mesmo com esse currículo, a astrofísica encontrou dificuldades quando pediu ao diretor do observatório para levar o filho ao Chile.


“Ele disse que a situação era irregular, pois o bebê atrapalharia o funcionamento do dormitório, que ficava dentro do observatório”, conta Bergmann em entrevista a EXAME.com. “Ele falou que eu não poderia ir, mas eu afirmei que não poderia ser impedida só porque queria amamentar meu filho.”


A determinação de Bergmann foi mais forte do que a decisão do diretor. Após algumas discussões, chegaram à solução de colocar ela, a babá e o bebê em uma casa perto do observatório. “Eu precisava subir e descer uma montanha várias vezes ao dia para ver o meu filho”, lembra a astrofísica.


Apesar de a insistência da astrofísica ser louvável, não são todas as mulheres que conseguem ter o apoio necessário para continuar na carreira científica após uma gravidez.


Um estudo publicado no periódico Harvard Business Review revelou que 41% dos cientistas, engenheiros e tecnólogos de alto nível são do sexo feminino. Porém, 52% dessas pesquisadoras desistem da carreira. O que chamou a atenção dos autores é que o êxodo das mulheres acontece em uma época específica, entre a metade e o final de seus 30 anos de idade.


Para os pesquisadores, a desistência está parcialmente relacionada com o fato de que o trabalho científico demanda longas horas de pesquisas e viagens fora do expediente. Como as mulheres geralmente vivem duas rotinas, trabalho externo e gestão do lar, poucas conseguem sustentar as pressões da carreira.

Werneck: “Se fosse contabilizar minhas horas de trabalho, eu faço muito mais do que é exigido.” (L'Oréal/Divulgação)


Fernanda Werneck, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), relata em entrevista a EXAME.com que é complicado balancear a maternidade com o trabalho. “Eu viajo muito. Às vezes, eu preciso ficar um mês em um lugar que não tem telefone.”


Werneck tinha 24 anos e estava na metade do mestrado quando descobriu que estava grávida. “Eu fiquei assustada quando soube, ainda mais porque estava em uma situação provisória.” Segundo a cientista, bolsista não tinha direito a licença maternidade na época. “Agora, existe um tipo de auxílio, mas não é pago. Se você tem 24 meses para fazer o curso, você pode fazer em 28, mas quando chegar em 24 você para de receber a bolsa”, explica.


Werneck conta que outro problema que percebe quando uma cientista se torna mãe é a falta de incentivo da universidade. “Não são todas as instituições que possuem creches com preços em conta.” Além disso, para ela, falta flexibilização na profissão. “Eu tenho sorte que não preciso bater ponto. Porém, as cobranças são as mesmas. Se fosse contabilizar minhas horas de trabalho no campo, no Inpa e em casa, eu faço mais horas do que é exigido.”


Claro que os homens cientistas também trabalham horas intermináveis. No entanto, um estudo europeu mostrou que os pesquisadores do sexo masculino não precisam se preocupar tanto com tarefas domésticas. De acordo com o relatório, os homens geralmente escolhem parceiras que possam ficar em casa para cuidar dos filhos, enquanto as mulheres comumente se casam com cientistas.


Werneck é uma dessas pesquisadoras. Ela comenta que tem sorte, pois seu marido também é biólogo e sempre a apoiou. “Agora que a nossa filha está maior, nós até fazemos viagens ao campo junto. Antes, eu ia e ele ficava ou o contrário acontecia.” Ela acredita que o homem só precisa fazer a parte dele, “sem que pareça um favor”.


Você não pode se tornar o que nunca viu

Muito antes de se tornar mãe, Thaísa Bergmann conta que a primeira barreira que precisou quebrar foi entender que a ciência não era um hobby, mas uma profissão. “Eu não tive modelos em casa ou incentivo no colégio. Para o meu pai, menina tinha que fazer uma profissão de meio turno para conseguir cuidar da família.”


Sem ideia do que fazer, a astrofísica seguiu os passos de uma prima e decidiu fazer arquitetura. Seis meses depois, ela pediu transferência para o curso de física. “Um professor que me dava aula de física dentro do curso me ofereceu uma bolsa de iniciação científica. Foi o suficiente para que levantasse uma pulga atrás da orelha.”


Essa falta de referência, segundo Werneck, é o que faz muitas meninas desistirem da profissão. “Nós não temos muitas referências. Quando eu ganhei o prêmio da L’Oréal e da Unesco para Mulheres na Ciência, eu ouvi de algumas mulheres que elas olhavam para a minha conquista como um estímulo para não parar.”


Um estudo de 2017, comissionado pela Microsoft, revelou que meninas na Europa começam a se interessar nas áreas de ciência, tecnologia, matemática e engenharia aos 11 anos. Contudo, elas perdem interesse quando chegam aos 15 anos. O questionário foi feito com 11.500 garotas em doze países da Europa.


De acordo com o levantamento, a conformidade com as expectativas sociais, os estereótipos de gênero e a falta de modelos são as principais causas desse êxodo. O estudo também indica que a presença de professoras como mentoras na área científica tem mais impacto na escolha da carreira do que o encorajamento familiar.
É o que também pensa Bergmann. A astrofísica acredita que a falta de mulheres na ciência começa no ensino fundamental. “Falta professores e professoras com formação nos campos da engenharia e da ciência que ensinem os temas de maneira atraente para as meninas”, explica. “Os meninos são ensinados a estudar mais matemática, enquanto as garotas aprendem que devem focar em profissões como atriz ou modelo.”

Para Priscila Kosaka, doutora em química e integrante do Instituto de Microeletrônica de Madri, na Espanha, o apoio da família foi importante, mas o apadrinhamento de alguns professores foi fundamental para que se tornasse cientista. “A doutora Maria José Sales, da Universidade de Brasília, vibra com cada conquista minha até hoje e a minha orientadora de doutorado, Denise Petri, me deu a oportunidade de aprender a fazer ciência.”


A pesquisadora associada da Nasa e vice-reitora da Universidade Católica de Washington D.C., nos EUA, Duília de Mello, aponta que também é preciso ter chefes que apoiem a inserção de cientistas do sexo feminino no mercado de trabalho.


“Quando comecei no Instituto do Hubble, o nosso diretor incentivava a contratação de mulheres. Porém, quando ele saiu e entrou outro, que não tinha essa percepção, muitas mulheres talentosíssimas preferiram sair do instituto”, conta. “Agora, essas mesmas pesquisadoras estão em outros lugares até melhores e fazendo a diferença.”

 Kosaka: “Minha orientadora de doutorado, Denise Petri, me deu a oportunidade de aprender a fazer ciência.” (Joan Costa/CSIC/Divulgação)


Mansplaining e Maninterrupting

Quando decidem entrar em uma faculdade de exatas ou biológicas, muitas mulheres se deparam com dois termos: o mansplaining e o maninterrupting.


O primeiro é a junção das palavras inglesas man (homem) e explaining (explicar), e acontece quando uma pessoa do sexo masculino fala didaticamente sobre um assunto como se a mulher não fosse capaz de entender. A palavra também pode ser usada quando um homem tenta explicar de forma variada e errada algo que a mulher já havia dito corretamente.


“Já aconteceu comigo de um homem utilizar minha originalidade intelectual ou falar do meu trabalho por mim”, conta Fernanda Werneck. De acordo com a bióloga, o que acontece em muitos grupos de pesquisa é que os créditos vão para os homens. “Já estive em situações parecidas em que pessoas usaram meu trabalho para conseguir financiamento.”

Mello: “A mulher faz a pergunta, o homem não deixa ela terminar e já vem outro “traduzindo” o que ela falou.” (Nasa/Tommy Wiklind/Divulgação)


Esse tipo de comportamento é revelado no filme Estrelas Além do Tempo. No longa, A cientista negra Katherine Johnson, uma das pessoas responsáveis por fazer os cálculos para levar o homem à Lua, realiza a maior parte do trabalho de seu supervisor, mas nunca tem seu nome creditado nas pesquisas. Isso prejudicou o reconhecimento dela como pesquisadora e figura a ser seguida por outras mulheres.


O segundo termo, o maninterrupting, se caracteriza quando uma mulher não consegue concluir seu raciocínio, pois é constantemente interrompida por um homem. Em 2014, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de George Washington, nos EUA, apontou que pessoas do sexo feminino são significativamente mais interrompidas do que os homens.


“Notamos esse tipo de comportamento em reuniões. A mulher faz a pergunta, o homem não deixa ela terminar e já vem outro “traduzindo” o que ela falou”, lembra Mello. A vice-reitora acredita que isso ajuda a inibir as cientistas do sexo feminino a não fazerem perguntas e a não sentarem nas primeiras cadeiras de uma sala de aula.
Para Werneck, as mulheres não podem se fechar em uma bolha pelo medo de serem recriminadas. “É preciso dizer o que você acha que é injusto. Não dá para fazer pesquisa científica sem que haja comunicação.” Ela ainda diz que mulheres são melhores em alguns aspectos, enquanto homens têm mais facilidade com outros assuntos. Por isso, “o negócio é unir forças para não virar uma guerra de sexos.”

 


 

MULHERES JÁ PRODUZEM METADE DA CIÊNCIA DO BRASIL, DIZ LEVANTAMENTO
Everton Lopes Batista e Sabine Righetti, Folha de São Paulo, 08/03/2017, reproduzido no Notícias da ABC de 10/03/201.

No Dia da Mulher, a Folha de São Paulo publicou matéria sobre a crescente presença de mulheres na ciência e o aumento da produção feminina na área, que se aproxima de se equiparar a dos homens. A diretora da ABC Márcia Barbosa e as Acadêmicas Mayana Zatz e Thaisa Storchi-Bergmann ilustraram o rol de nomes femininos na ciência e reconheceram a mudança que vem acontecendo no meio. Lembram, no entanto, que ainda é preciso mudar a forma como as meninas são apresentadas às áreas de conhecimento na infância, já que ainda são postas muitas barreiras entre mulheres e ciências exatas nessa fase do aprendizado.Confira a matéria completa dos jornalistas Everton Lopes Batista e Sabine Righetti:

A proporção de mulheres que publicam artigos científicos -principal forma de avaliação na carreira acadêmica- cresceu 11% no Brasil nos últimos 20 anos. Agora elas publicam quase a mesma quantidade que os pesquisadores homens (49%).

Os resultados são parte do relatório Gender in the Global Research Landscape (gênero no cenário global de pesquisa, em tradução livre), lançado nesta quarta (8) pela Elsevier, maior editora científica do mundo. O material traz um levantamento de dados da publicação acadêmica feita por mulheres em 11 países e na União Europeia em dois períodos: de 1996 a 2000 e de 2011 a 2015.

Os dados mostram que, dentre os países pesquisados, Brasil e Portugal são os que mais contam com autoras em trabalhos científicos (49% do total).

 

Isso é percebido no cotidiano dos cientistas: "Eu não tinha as estatísticas, mas já diria que hoje nós mulheres somos metade da produção científica nacional", diz Mayana Zatz, geneticista do Centro de Genoma Humano da USP.

Em outros seis países (Reino Unido, Canadá, Austrália, França e Dinamarca) o número de publicações por mulheres já atingiu pelo menos 40% do total, considerado patamar de igualdade.

Nos dados entre os anos de 1996 e 2000, somente Portugal contava com taxas superiores a 40%.

A quantidade de pesquisadoras, no entanto, muda de acordo com a área do conhecimento, segundo o relatório.

SAÚDE

Hoje, são elas que dominam as publicações de medicina no país: uma em cada quatro estudos publicados na área por pesquisadores brasileiros tem uma cientista mulher como principal autora.

Nas chamadas ciências duras, no entanto, elas ainda estão em minoria. De acordo com o levantamento da Elsevier, publicações de áreas como ciências de computação e matemática têm mais do que 75% de homens na autoria dos trabalhos na maior parte dos países pesquisados.

"Áreas de exatas são um problema porque desde a primeira infância as meninas vão sendo afastadas", diz Márcia Barbosa, física da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e especialista em gênero.

Fato: um estudo publicado na revista científica "Science" em fevereiro mostrou que a partir dos seis anos as meninas começam a se achar menos inteligentes do que os meninos na escola -que, acreditam elas, lideram e fazem grandes descobertas.

"Temos uma cultura de que a menina tem de ser uma princesinha que, por exemplo, não pode se sujar", diz Barbosa. "Ciências exigem experimentação."


TETO DE VIDRO

A igualdade na distribuição de autoria dos trabalhos científicos observada no Brasil não se reflete, no entanto, nos cargos científicos de liderança. Reitores de universidade, chefes de departamentos e coordenadores de linhas de pesquisa ainda são, em sua maioria, homens.

É isso que os estudiosos de gênero chamam de "teto de vidro": um bloqueio invisível que as mulheres não conseguem quebrar para chegar ao topo.

"As mulheres vão sumindo ao longo da carreira. É como se houvesse um vazamento de mulheres pelo caminho", diz Marcia. Para a especialista, é preciso ter políticas que entendam e trabalhem o fenômeno. "Não podemos ver isso como algo dado e natural."

Tamara Naiz, historiadora e presidente da ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos) afirma que a mulher precisa lidar com diversos entraves ao longo da carreira científica. Um deles, diz ela, é a falta de proteção com relação a maternidade.

"Quando uma mulher é aprovada em um curso de pós-graduação, é comum ela ouvir de orientadores que não poderá engravidar para que a pesquisa não seja interrompida", conta.

"Se somos cientistas tão capazes quanto os homens, por que isso não se reflete em igualdade de salários e de oportunidades?", questiona Naiz. "O resultado do levantamento mostra que, mesmo partindo de condições desiguais, a mulher consegue desenvolver uma pesquisa tão boa quanto a de um homem."

IMPACTO

Isso pode ser observado nos números. No Brasil, a qualidade dos trabalhos publicados por homens e por mulheres -medido pela quantidade de vezes em que um estudo é citado em outros trabalhos, que é chamado de "impacto",- também é semelhante.

As brasileiras recebem 0,74 citação por estudo publicado, enquanto os cientistas homens do país têm 0,81 citação em seus trabalhos.

O impacto dos artigos científicos publicados por homens e por mulheres é semelhante até nos países em que a produção de ciência é bastante desigual.

No Japão, por exemplo, as mulheres são autoras de apenas dois em cada dez trabalhos científicos. Os artigos delas, no entanto, recebem 0,94 citação -número bem próximo do impacto dos trabalhos dos homens daquele país (0,96).

O levantamento foi feito com a base de dados da Elsevier, a Scopus, que lista autores de mais de 62 milhões de documentos em cerca de 21,5 mil revistas acadêmicas.

Como a identificação de gênero não é necessária em publicações científicas, um segundo processo atribui gênero aos nomes contando com conjuntos de informações de cada país que relacionam nome e sexo com pelo menos 80% de certeza.

 


 

DEPOIMENTO: EXCLUSÃO DA MULHER É VISTA COM NATURALIDADE NAS SOCIEDADES
Muna Zeyn*, Informativo Semanal ICArabe, 10/03/2017

 

    Sou de origem árabe e filha da primeira geração de migrantes. Posso dizer que, sobre o que as mulheres do século passado passaram, estamos, hoje, em outra situação. É evidente que essa situação pode ser considerada mais confortável, mas, o problema em relação à mulher é sempre o mesmo.

Independentemente da cultura - árabe, islâmica, judaica, católica ou budista -, a situação da mulher é a mesma. Há um entendimento de que a mulher é secundária e convive com a exclusão, como se fosse uma causa natural em relação ao gênero feminino. Portanto, neste 8 de março, não só para nós mulheres árabes, estamos reagindo contra o preconceito. Pinça-se uma situação em relação à mulher árabe e não se percebe o todo que uma mulher árabe e as mulheres, internacionalmente, enfrentam. Há uma discriminação cultural tremenda em relação à mulher árabe como se todas fossem violentadas, discriminadas, subjugadas e excluídas. Como se todas vivessem a mesma realidade que mulheres de determinadas tribos africanas vivem. Há uma responsabilidade da opinião publica internacional de romper com esse preconceito.

Vejo que fazemos o nosso papel aqui na sociedade brasileira, veja o número de mulheres que temos em situação de destaque, e como nós nos relacionamos com a sociedade brasileira. Temos uma relação de contribuição, construção e de combate a uma das maiores chagas em relação à mulher. No meu caso, trabalho há mais de 30 anos no combate à violência doméstica, hoje muito falada e discutida. Há programas do Estado brasileiro em relação à violência doméstica, porém, os dados são os mesmos. Veja o carnaval de 2017 e o número de mulheres que foram violentadas no Rio de Janeiro: em cada quatro minutos, uma mulher foi violentada. Um problema assim como a morte materna, a desigualdade salarial e a desigualdade em oportunidade em cargos de comando. E quando se discute a mulher na política, uma área em que trabalho há muitos anos, é uma tragédia. Os partidos ainda não se prepararam para receber as mulheres, seja o partido que for. Temos uma discriminação de gênero muito forte e essa luta não é só das mulheres árabes, é de qualquer mulher, seja branca, negra, africana, árabe ou não árabe. Não importa.

Quero me solidarizar e dizer a importância de o mundo perceber, hoje, as mulheres que estão refugiadas e em que condições vivem essas mulheres. Agora mesmo, alguma mulher, com a sua família e os seus filhos, deve estar peregrinando em busca de uma segurança para poder viver. O planeta tem uma responsabilidade muito maior do que ficar falando que a mulher árabe é submissa, é isso e aquilo. Tem que se dizer e se saber em que condições essas mulheres vivem e o porquê vivem.

A mídia desinforma ao invés de informar. A mídia não coloca a garra de uma mulher árabe, o afeto que uma mulher árabe trás, como cria os seus filhos e se relaciona com a sociedade e a comunidade. Não conhece a mulher árabe e a solidariedade da mulher árabe. Porque se há algo que faz diferença nos conflitos armados, é a solidariedade entre as mulheres, independente de elas serem árabes, judias, islâmicas ou católicas. Não importa: sendo mulher, uma pega na mão da outra e se liberta.

O dia de 8 de março é mais um dia de luta, mais um dia de combate e mais um dia de esperança. Espero que, em 2018, possamos estar dizendo que os números de violência, de desempregadas e de desigualdade salarial estão melhorando. Essa é a minha esperança e essa é a minha luta.
 
*MUNA ZEYN é assistente social formada pela FMU e pós-graduada pela PUC. Desde o período universitário militante dos movimentos sociais em defesa da mulher, pelas políticas públicas de moradia, saúde e direitos sociais.

 


EN CARGOS ALTOS, LAS MUJERES CASI DESAPARECEN DE LA ONU
Thalif Deen, Inter Press Service, 08/03/2017

Campaña de la ONU por un planeta 50-50 en 2030.

NACIONES UNIDAS, 8 mar 2017 (IPS) - La Organización de las Naciones Unidas (ONU) ha sido cuestionada por defender a capa y espada el empoderamiento femenino y los derechos de las mujeres, cuando es incapaz de llevarlo a la práctica dentro de su propia estructura.

Tanto la Asamblea General, el mayor órgano de decisión dentro de la ONU, y el Consejo de Seguridad, el más poderoso con poder de veto, se han inclinado de forma abrumadora por los hombres, en detrimento de las mujeres, en sus 71 años de existencia.

Además, la Secretaría de la ONU y sus 35 agencias trabajan, sin mucho éxito, para implementar una vieja resolución que aboga por la paridad entre hombres y mujeres, en especial en cargos altos y de decisión.

Nueve a cero y 68 a tres

El primer blanco de las críticas por la desigualdad de género dentro de la ONU es la Asamblea General, de 193 miembros, que solo ha elegido a tres mujeres para presidir el plenario, Vijaya Lakshmi Pandit, de India (1953), Angie Brooks, de Liberia (1969), y la jequesa Haya Rashed Al-Jalifa, de Baréin (2006), contra 68 hombres que han ocupado el cargo.

Pero el peor probablemente sea el Consejo de Seguridad, de 15 miembros, que sigue eligiendo a hombres para el máximo cargo dentro de la ONU, el de secretario general, con el visto bueno de la Asamblea General. Y el año pasado, quizá, fue el peor de todos por el gran número de candidatas calificadas.

En el caso de ese órgano, la disparidad es de cero mujeres a nueve hombres que han ocupado el cargo de secretario general a lo largo de la historia: Trygve Lie, de Noruega, Dag Hammarskjold, de Suecia, U. Thant, de Birmania (actualmente Myanmar), Kurt Waldheim, de Austria, Javier Pérez de Cuellar, de Perú, Boutros Boutros-Ghali, de Egipto, Kofi Annan, de Ghana, Ban Ki-moon, de Corea del Sur, y, actualmente, Antonio Guterres, de Portugal.

En el marco de la conmemoración por el Día Internacional de la Mujer, este 8 de marzo, la ONU publicó el estudio “El estatus de las mujeres en el sistema de la ONU”, de 36 páginas, que actualiza la situación en materia de paridad dentro del foro mundial y señala la falta de avances y los desafíos que quedan por delante.

“Hay algunos avances alentadores hacia la paridad de género en todo el sistema de la ONU, aunque no es uniforme y avanza a una velocidad insuficiente. El cambio que necesitamos no ocurrirá sin un enfoque múltiple y comprometido”, puntualizó la directora de ONU Mujeres, Phumzile Mlambo-Ngcuka.

“La igualdad no es una cuestión estadística”, observó. “Es de mentalidad, aun cuando la ONU lanzó una campaña mundial a favor de la paridad de género 50:50 en todos los ámbitos de la vida para 2030”. precisó.

El foro mundial cuenta actualmente con 94.000 funcionarios y funcionarias y 78.000 consultores y consultoras en el mundo.

Según el estudio, solo cinco de las 35 “entidades” de la ONU lograron o superaron la paridad 50:50: ONU Mujeres, con 78,9 por ciento de funcionarias, la Corte Internacional de Justicia, con 57,1, Onusida, con 50,8, la Organización de las Naciones Unidas para la Educación, la Ciencia y la Cultura (Unesco), con 50,6 y la Organización Mundial del Turismo, con 50 por ciento.

Luego figuran otras 17 entidades de la ONU con una relación de 40 a 49 por ciento, incluida la Secretaría, y 13 con paridades que rondan 40 por ciento.

“En tanto que mayor entidad dentro del sistema de la ONU, la Secretaría (en su sede de Nueva York) tiene posibilidades de generar un impacto en toda la organización hacia el equilibrio de género”, observa el estudio.

“Sin embargo, esa dependencia tiene la menor representación femenina en todos sus niveles dentro del sistema”, revela.

“Existe una correlación negativa entre la representación femenina y los cargos más altos; a mayor cargo, menor proporción de mujeres”, precisa el documento.

“El mayor defasaje ocurre entre los (cargos profesionales) P-2 y P-3, y P-4 y P-5 con 12,2 y 5,9 por ciento respectivamente. Esa disminución indica que hay obstáculos que frenan la carrera de las mujeres dentro de la ONU”, analiza.

Mavic Cabrera-Balleza, coordinadora internacional de la Red Global de Mujeres Constructoras de Paz, recordó: “el secretario general Kofi Annan promovió con fuerza los derechos de las mujeres y Ban Ki-moon abogó por la equidad de género”.

“Y como dijo el actual secretario general Antonio Gutérres, el objetivo inicial para una representación equitativa en la ONU se fijó en 2000”. Él tendrá un papel fundamental, pero “no podemos depender solo de él”, alertó.

Además de los países miembros, la sociedad civil también tiene que desempeñar un papel fundamental en la selección o que recomendar personas con experiencia y antecedentes en materia de empoderamiento femenino, derechos de las mujeres e igualdad de género, añadió Cabrera-Balleza.

Sanam Naraghi-Anderlini, una de las fundadoras y directora ejecutiva de la Red Internacional de Acción de la Sociedad Civil (ICAN) dijo a IPS que en un mundo con un creciente número de mujeres con educación terciaria y trabajando, es inconcebible que la ONU no tenga o no pueda lograr la equidad entre hombres y mujeres en todos los niveles de su estructura.

“No es un problema de demanda, ¿será de suministro?”, planteó. “No precisamente, si miramos los datos duros, para lograr la paridad para los subsecretarios generales, el secretario general tendría que contratar a 67,5 mujeres, y para los de (directores) D2, a otras 109, y para los D1 a 848,5”, precisó.

“Puede parecer mucho, pero si miramos a la sociedad civil, al sector privado y a muchos gobiernos, las mujeres están presentes, listas y dispuesta”, subrayó.

Para lograr la paridad, muchos de los hombres que son profesionales P-4 y P-5 y directores D1 y D2 tendrán que pagar el precio por las muchas generaciones de varones que ocuparon esos cargos, a menudo independientemente de sus capacidades, observó Naraghi-Anderlini, especialista en cuestiones de género e inclusión del equipo de reserva de expertos de la ONU.

Por su parte, Ian Richards, presidente del comité coordinador de Asociaciones y Sindicatos Internacionales, observó: “la organización está en la época de las tinieblas en lo que respecta a arreglos laborales flexibles con pocas dependencias que ofrezcan o desearían ofrecer asistencia para el cuidado infantil, y el sistema de promoción carece de objetividad, con lo que se arraigan de forma inconsciente preferencias y tendencias”.
Una de las cuestiones que el informe no analiza, pero debería, es que 30 por ciento de sus funcionarios son consultores. Sus honorarios se negocian de forma individual con sus superiores, en vez de estar sujetos a una escala salarial, y no hay investigaciones sobre las diferencias en materia de remuneración entre hombres y mujeres por el mismo trabajo.

Cabrera-Balleza se mostró conforme con la designación por Guterres de varias mujeres en altos cargos.

“Pero me decepciona que las calificaciones para esos cargos no incluyan experiencia en igualdad de género. El llamado solo menciona ‘gran compromiso con los valores y principios rectores de la ONU y familiaridad con el sistema de la ONU’”, observó.

“Los antecedentes en equidad de género deberían estar explícitos a la hora de hacer un llamad y de contratar a alguien, y también en los términos de referencia para todos los funcionarios de la ONU. No puede y no debe asumirse que existen”, subrayó.

“Debemos de tener presente que promover el estatus de las mujeres y lograr la equidad de género en el sistema de la ONU no es un juego de números. Necesitamos mujeres y hombres que representen los intereses de las mujeres, que luchen por los derechos de las mujeres”, observó.

“Necesitamos tener un historial, no solo un compromiso. Cualquiera puede declarar su compromiso con los derechos de las mujeres y la igualdad de género, pero solo unos pocos tienen antecedentes”, añadió.

En un mundo ideal, opinó Naraghi-Anderlini, el secretario general debería asumir este desafío y concentrarse en que solo los mejores hombres y mujeres ingresen, permanezcan y avancen en el sistema de la ONU.

“Todos y todas deben adherir a los valores centrales de la ONU, de derechos humanos iguales, pluralismo y paz. Pero las capacidades y conocimientos requeridos deben ser tan variados y diversos como las sociedades en las que busca estar presente y ser efectiva”, apuntó.

Traducido por Verónica Firme (Versão original em inglês)

 


SURPRISING NEW STUDY: BRAZIL NOW A GLOBAL LEADER IN GENDER EQUALITY IN SCIENCE
Shannon Sims,  Forbes, 08/03/2017

Brazilian women take part in the commemoration of the International Women's Day at Paulista Avenue in Sao Paulo, Brazil on March 8, 2017.  (Photo: NELSON ALMEIDA/AFP/Getty Images)


Surprising news today: Brazilian women are leading the world when it comes to a key measurement on science, surpassing the ranking of the United States, the United Kingdom and the European Union.


The massive study on Gender in the Global Research Landscape, published today by Elsevier, identifies 12 "comparator" countries, including among them the United States, the European Union (counted as one), the United Kingdom, Portugal, Chile, Mexico, and Brazil. Using measurements on everything from the number of times a scientific article is cited to the proportion of women among inventors, the study shines a bright light on gender disparity – and progress – in academia and the sciences in general.


In the study, Brazil stands out for its progress in closing the gender gap over the past two decades. The proportion of women who publish scientific articles  – which is considered the principal form of career evaluation for academics – rose 11% in Brazil over the past 20 years. Today, Brazilian women publish nearly half of the country's scientific scholarly articles, approaching gender parity in one of the fields that has historically left women behind.


Among all the countries studied, Brazil and Portugal ranked highest in the percentage of female authors of scientific scholarly articles, with 49% of scientific scholarly articles in the two countries now written by women.


The finding on Brazil is even more robust considered in light of the fact that in Portugal women authored 27,561 scientific articles between 2011 and 2015; in Brazil, over the same period, women authored nearly five times that number (153,967 articles).

Brazilian women take part in the commemoration of the International Women's Day at Paulista Avenue in Sao Paulo, Brazil on March 8, 2017. The International Women's Day is marked worldwide with rallies and strikes. (Photo: NELSON ALMEIDA/AFP/Getty Images)


Meanwhile, in the United States and the United Kingdom, only 40% of scientific scholarly articles were authored by women between 2011 and 2015, compared to 49% in Brazil. In the European Union, 41% of scientific scholarly articles were published by women. Ranking lowest in the study is Japan, where only 20% of scholarly scientific articles were written by women.


Most encouraging of all, Brazil's strong showing in this report signals a significant improvement in Brazilian women's participation in the sciences. During the period of 1996 to 2000, only 38% of the scholarly scientific articles published by Brazilians were authored by women. That is, just since 2000, Brazilian women have reached near-parity with men when it comes to scientific authorship.


Brazil also fares well in other indicators featured in the study. The proportion of female inventors in Brazil rose from 11% to 17% between 1996 and 2015. Today, the proportion of female inventors in Brazil is higher than in the United States (14%), United Kingdom (12%) or the European Union (12%).


The results are sobering news for those monitoring women's progress in the sciences in the US, UK, and EU, not to mention Japan. But the study's results are positive, if surprising, news for anyone who cares about women in Brazil.


Typically, news about women in Brazil tends to be of a negative nature. In recent years, socially conservative movements in Brazil, including those linked to the powerful evangelical church, have made progress in pushing a conservative vision of a woman's place. That push has often prompted backlash from feminist groups, as in the case of the hilarious feminist meme that circulated in response to an article about the "demure" now-First Lady of Brazil.


Politically, women have lost ground over the past few years in Brazil. The country's first female president was impeached in September. Her successor, the current president Michel Temer, filled his cabinet with white men, drawing sharp criticism from women's rights advocates. Of Brazil’s 513 congressional representatives, only 53 are women, placing Brazil at #115 in a global ranking of female political representation. A series of high-profile violent crimes against women have drawn even more attention to the current status of women in Brazil.

Brazilian acting President Michel Temer (R) and Senator Aecio Neves during the new ministers inauguration ceremony at Planalto palace in Brasilia, on May 12, 2016. Temer said his new cabinet must work to restore the country's 'credibility,' in his first address after assuming power from suspended predecessor Dilma Rousseff pending her impeachment trial. (Photo: ANDRESSA ANHOLETE/AFP/Getty Images)


Wednesday's report offers optimism to Brazilian women's rights monitors, but that optimism should be tempered. Across the countries compared, the study found that, compared to men, women tend to have a lower scholarly output on average. (That is, on average, women publish fewer papers per researcher than men.)


And although on average women and men tend to have similar citation and download impacts, in Brazil, women's articles are still cited less frequently than their male counterparts' articles. This disparity seems to also be true of the other Latin countries – Portugal, Chile, and Mexico – included in the study.


Despite Brazilian women's successes in publishing scientific articles, as in other countries, unequal pay remains a persistent issue in Brazil. In 2013, the World Bank found that in Brazil, a woman's hour of work is still worth a fourth less than that of a man. Tamara Naiz, president of Brazil's National Association of Post-Graduates, commented to the Brazilian newspaper Folha de São Paulo, "The result of this study shows that, even coming from unequal conditions, a woman can develop research that is just as good as that of a man."


Naiz added, "If we are scientists just as capable as men, then why is this not reflected in equal pay and equal opportunities?"

 


USP TEM NOVE CURSOS ENTRE OS 50 MELHORES DO MUNDO
Daniel Mello - Agência Brasil - 08/03/2017

A Universidade de São Paulo (USP) tem nove cursos classificados entre os 50 melhores do mundo, segundo ranking elaborado pela consultoria britânica especializada em ensino superior Quacquarelli Symonds. Foram avaliadas mais de 1,1 mil instituições de ensino superior em 74 países. O levantamento levou em conta a avaliação das faculdades por integrantes do meio acadêmico e por empresas e a relevância da produção científica.


Na USP tiveram destaque os cursos de odontologia, na 18ª posição, engenharia de minérios e minas (25ª), ciências da atividade física (31ª), arquitetura (35ª), agricultura (35ª), ciência veterinária (38ª), arte e design (42ª), antropologia (42ª) e direito (50ª).


A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) tiveram dois cursos classificados entre os 50 melhores no ranking mundial. A faculdade de odontologia da Unicamp ficou na 27ª posição e a de agricultura e ciência florestal, em 43ª. O curso de odontologia da Unesp ficou em 33º lugar e o de veterinária, em 47º.


O curso de antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ficou na 49ª posição e o de educação física da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na 45ª.




PESQUISA PIONEIRA REVELA LIMITAÇÕES E IMPACTOS DE RANKINGS UNIVERSITÁRIOS
Carlos Orsi, Informativo da Unicamp, 09/03/2017

Trabalho mostra efeitos de levantamentos na gestão das universidades e nas políticas públicas


 “Sou da lógica de que a gente só conhece o que a gente pode medir. Se a gente não mede, é percepção. Sua universidade é inclusiva? Mostre. Sua universidade é produtiva? Mostre”. Assim a jornalista e pesquisadora Sabine Righetti explica sua visão da necessidade de indicadores de desempenho da educação superior, sejam ou não consubstanciados em rankings. Righetti defendeu a tese de doutorado “Qual é a melhor? Origem, limitações e impactos dos rankings universitários”, defendida no Instituto de Geociências (IG) da Unicamp, como parte do Programa de Pós-Graduação em Política Científica e Tecnológica. A tese teve orientação do professor Renato Pedrosa, coordenador do Laboratório de Estudos sobre Ensino Superior (LEES).


A tese em si representa um levantamento pioneiro do que a literatura especializada traz sobre os impactos dos rankings universitários na gestão das universidades, nas políticas públicas e na decisão dos alunos, além da análise desses impactos sobre uma instituição específica, a Universidade de São Paulo (USP). “É o primeiro trabalho em português nesse sentido”, disse Righetti. “A literatura que uso é bem atual. Para ter uma ideia, uma de cada quatro referências que uso foi publicada a partir de 2011, ano em que comecei a tese”.

 

A jornalista Sabine Righetti, autora da tese: “Nenhuma universidade brasileira, nenhuma instituição de ensino superior do país sabe onde está seu egresso"


Durante o período de elaboração do trabalho, ela também participou da criação do Ranking Universitário Folha (RUF), publicado pelo jornal Folha de São Paulo, e que classifica as 195 universidades brasileiras com base em indicadores de pesquisa, ensino, percepção do mercado e inovação.


“Se os indicadores serão usados para definir políticas, ou para se valorar como universidade de qualidade, é outra questão. Agora, indicador tem que ter. De impacto social, de tudo”, disse. A pesquisadora lembra que, embora a avaliação da pós-graduação já tenha tradição no Brasil, por meio da atuação da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), a avaliação da graduação é muito mais recente. “Só se começou a falar em avaliação da graduação muito recentemente, há toda a polêmica em torno do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), e ainda enfrenta uma reação negativa”.


Righetti menciona, como especialmente preocupante, a ausência de indicadores sobre a situação dos estudantes egressos das universidades. “Toda vez que vou apresentar o RUF numa instituição, a universidade ou a associação de classe dos docentes responde que o melhor indicador para se avaliar se uma universidade é boa é o egresso: afinal, onde está o egresso – está empregado, onde está, etc.”, aponta.


“Aí respondo: também acho. Onde está o seu egresso? Ninguém sabe. Nenhuma universidade brasileira, nenhuma instituição de ensino superior do país, sabe onde está seu egresso. Quer dizer, o país não sabe, o MEC não sabe, a gente está criando cursos, aprovando cursos, definindo políticas sem saber se quem faz Física se forma e trabalha em Física, se quem faz Jornalismo, Medicina... Não se tem a mais vaga ideia. Não existe esse indicador”.


História


Na elaboração de sua tese, a pesquisadora retomou a história dos rankings universitários. O primeiro, elaborado ainda na década de 80 pela revista americana US News & World Report, tratava apenas de universidades dos Estados Unidos, e tinha o propósito de orientar estudantes estrangeiros em busca de um bom lugar para fazer um curso superior naquele país.


“Imagine: são os anos 80, não existe internet, estou na China ou na Arábia Saudita e quero estudar nos EUA, mas não tenho a menor ideia de para onde eu vou”, descreve Righetti. “A US News percebeu a lacuna e falou, vou fazer um ranking. Só que, como a ideia inicial era orientar alunos, todos os indicadores do US News estão voltados para ensino. Visto hoje, é um ranking bem peculiar, porque é voltado para a cabeça do aluno”.


Essa peculiaridade resume uma das lições trazidas pelo estudo dos rankings universitários: as listagens e as classificações não são verdades absolutas, mas dependem dos critérios de entrada e do peso relativo dado a cada indicador. “Rankings medem o que se entende por qualidade de uma universidade. A questão é que o que se entende por o que é uma universidade de qualidade, muda”, resume a pesquisadora. “A literatura estima que existam 50 rankings nacionais, como o RUF, cada um específico para seu país. E eles são completamente diferentes. Porque o que se entende como uma universidade boa na China é completamente diferente de uma universidade na Rússia, na América Latina. Então, essa é a grande graça dos rankings: porque é subjetivo, é local, é regional”.


O trabalho do ranking da US News foi pioneiro, também, no impacto  social: criado para orientar estudantes, acabou se transformando num instrumento com efeitos muito além de sua proposta inicial. “O ranking começou a orientar tudo, até doação: um milionário vai doar dinheiro para uma universidade, se Harvard perde posição no ranking ele escolhe outra. E as universidades percebem isso”, exemplificou.


“Então, o ranking acabou servindo para uma série de funções: em política pública, em política de ciência, política de ensino, escolha do aluno, escolha do de gestor: porque as próprias universidades começam a se modificar para conseguir boas posições nos rankings”.


Mundo


Depois de uma primeira onda de rankings nacionais, em 2003 surge a primeira classificação global de universidades, o Ranking Acadêmico de Universidades do Mundo (ARWU, na sigla em inglês), publicada pela Universidade Jiao Tong, de Xangai. “É interessante ver que esse ranking vem de uma lógica muito diferente do americano”, disse a pesquisadora. “Nos Estados Unidos, era um grupo de mídia, com objetivos próprios, a organizar a lista. Os rankings nacionais que vieram depois, no Chile, no Canadá, da Alemanha, por exemplo, também eram de grupos de mídia”.


Já o de Xangai atende a uma demanda específica do governo chinês. “Eles queriam saber, na comparação com o mundo, como estão as universidades chinesas. E o governo fez isso pensando em investir nas melhores do país, era uma demanda muito clara”. Nesse momento, descreve Righetti, a China cria seu próprio conceito de boa universidade. “E que é muito diferente dos outros rankings. Por exemplo, no ranking chinês, uma universidade de qualidade tem que ter muitos ganhadores de Prêmio Nobel. Boas universidades são aquelas que publicam na Science e na Nature. Não publicou na Science e na Nature você não é uma boa universidade. Essa é a definição de uma boa universidade na China”.


Ela nota que essa lógica – “completamente orientado para pesquisa nas chamadas hard sciences” – é completamente diferente da do ranking US News, que analisa questões como o grau de seletividade da escola na hora de aceitar estudantes. “E as universidades chinesas não vão bem no ranking de Xangai”, aponta. “As duas melhores chinesas, que são Pequim e Xangai, elas estão no grupo 101-150, que é o mesmo grupo da USP. Mas vão melhor no ranking britânico Times Higher Education (THE), que tem duas chinesas entre as 50 melhores do mundo. Quer dizer, é uma coisa meio esquizofrênica: as universidades da China são melhor avaliadas na metodologia britânica do que na chinesa”.


Efeitos


Em sua tese, a pesquisadora não faz um balanço do impacto social dos rankings – se a influência dessas listagens sobre estudantes, governos ou mesmo gestores universitários é boa ou ruim. Mas isso não a impede de expressar uma opinião pessoal na entrevista: “Acho que nenhum instrumento de avaliação pode ser único. Talvez os rankings possam fazer parte de uma avaliação. Mas não podem decidir, só eles, uma política pública”.


Quanto à importância que as instituições de educação superior dão, ou devem dar, aos rankings, Righetti diz que “cada universidade tem de ver o que ela quer”.
“Por exemplo, para uma universidade que tem interesse em fazer pesquisa com colaboração internacional, o ranking é uma boa porta de entrada. Isso até eu fiz um estudo de caso da USP durante a elaboração da tese. Entrevistei o reitor e ele disse que, quando a USP começou a aparecer nos rankings, começou também a ter mais reconhecimento internacional. Você estar classificado como a melhor da América Latina, ou uma das melhores, num ranking que é muito disseminado no mundo inteiro pode ser uma porta de entrada. Se a universidade quiser isso, quiser colaboração internacional, pode ser interessante”.


Mas também há instituições que optam pela via oposta: “Por exemplo, a Minerva, que é uma universidade dos Estados Unidos criada por um ex-dirigente de Harvard, não está nem aí para ranking. O nicho dele é outro: quer criar uma lógica de ensino diferente, não faz produção científica”.


O mais importante, diz a pesquisadora, é a universidade definir seus objetivos e utilizar a informação contida nos rankings de acordo. “Se ela quer se firmar como uma universidade que é muito forte em extensão, que tem uma ação muito forte na sua região, que tem um impacto social, coisas que costumam não aparecer em rankings, que seja”.  


Righetti insiste, no entanto, que com ou sem ranking, quantificar é preciso: “Fala-se muito de indicadores que não estão nos rankings. Mas que também não são medidos, então como se sabe? Muitas universidades dizem que têm um impacto social forte na região em que atuam. Mas como elas medem isso? De repente a universidade vai mal nos rankings porque sua proposta é outra. Mas, sem indicadores, como ela sabe se está cumprindo a proposta?”


A pesquisadora viajou no início do ano para o Lemann Center, em Stanford (EUA), para transformar a tese em artigos e num livro que ampliará o trabalho inicial.

 


 

EDUCAR PARA A DEMOCRACIA
Antônio Gois, O Globo, 13/03/2017

 Em tempos polarizados, estudo mostra que escola tem papel essencial ao preparar jovens para identificarem notícias falsas


Pouco importa se a notícia é falsa ou verdadeira. Quanto mais ela confirmar nossas opiniões pré-concebidas sobre algum assunto, maior é a probabilidade de acreditarmos. E o oposto é verdadeiro: se o argumento contraria alguma de nossas crenças arraigadas, é grande a chance de rejeitarmos aquela evidência, por mais sólida que seja. Este comportamento, conhecido como viés de confirmação, já foi bastante estudado. Um estudo publicado na edição do mês passado do “Jornal da Associação Americana de Pesquisa Educacional” volta ao assunto, desta vez com foco no papel das escolas.


No trabalho, os pesquisadores Joseph Kahne e Benjamin Bowyer, das universidades da Califórnia e de Santa Clara, aplicaram um questionário a 2.101 americanos de 15 a 27 anos. Primeiramente, os jovens eram apresentados a três conjuntos de afirmações sobre um tema que divide radicalmente opiniões na sociedade americana: aumentar ou não impostos sobre os mais ricos.


O primeiro conjunto de argumentos apresentados era basicamente emotivo: uma frase com uma opinião forte sobre o assunto, e uma ilustração caricata. O segundo era baseado em evidência, no caso um gráfico com fonte oficial citada. E o terceiro conjunto de argumentos era grosseiramente falso: uma afirmação de que 90% dos ricos não pagavam imposto nenhum e outra dizendo que 1% dos americanos mais ricos pagavam 90% de todos os impostos arrecadados.


Um dos primeiros resultados da pesquisa confirma o que já sabemos pela literatura acadêmica do assunto: a maioria dos jovens (58%) deu crédito às informações grosseiramente falsas, quando estas confirmavam suas opiniões prévias.


O principal interesse dos autores, porém, era identificar habilidades que podem ser desenvolvidas no âmbito da escola. Para isso, foram feitas perguntas que primeiro mediam o grau de conhecimento dos jovens sobre o sistema político americano, e depois que tentavam identificar se, na escola, eles haviam participado de atividades de orientação sobre como encontrar informações confiáveis on-line e de discussão sobre a importância de avaliar a partir de evidências argumentos que embasam opiniões pessoais. Em inglês, essa competência é chamada de “media literacy”, algo como a capacidade de julgar a precisão de informações divulgadas em meios de comunicação de massa, incluindo hoje as mídias sociais.


Para surpresa dos autores, o nível de politização não apareceu na pesquisa como um fator relevante. Jovens com maior conhecimento sobre política eram tão ou mais propensos quanto os demais a acreditarem apenas nos argumentos, falsos ou verdadeiros, que confirmassem suas opiniões. O fator que realmente se mostrou significativo para identificar jovens com mais capacidade para identificar a precisão de uma informação foi a participação que tiveram, ainda na escola, em atividades destinadas justamente a desenvolver essa habilidade.


Em tempos de radicalização política, crise do jornalismo e uso deliberado de mídias sociais para influenciar a opinião pública com notícias falsas, trabalhar para desenvolver nos jovens essa capacidade de julgar adequadamente a precisão de informações e de valorizar o debate feito a partir de evidências é um esforço cada vez mais fundamental para o funcionamento de uma democracia.

 


 

A VERDADE SOBRE O BUTANTAN
Jorge Kalil*, Folha de São Paulo, 09/03/2017

O Instituto Butantan está sob ataque. O noticiário negativo se repetiu nas últimas semanas sem que fosse defendida a instituição, uma referência na área de saúde no Brasil e no mundo.

Dirigi o Butantan de 2011 até o início deste ano. Não tenho mais ligação com o instituto, mas me sinto na obrigação de protegê-lo. Mais do que isso, de expor a verdade.

O Butantan superou a crise em que esteve imerso. Trabalhou duramente para isso. É consenso que voltou a ser um centro de excelência na ciência e na produção de soros e medicamentos.

Quando assumi, uma fábrica que deveria produzir 20 milhões de vacinas contra a gripe não tinha entrado em operação por não atender as normas da vigilância sanitária. O problema foi sanado, e a capacidade máxima de operação foi atingida em dois anos.

Com ampliações, a fábrica ultrapassou a marca de 54 milhões de doses contra gripe em 2016. Em 2018, entregará 80 milhões, quatro vezes a previsão inicial.

Outros projetos essenciais para o país deslancharam. Está na fase final de testes uma vacina contra a dengue desenvolvida em parceria com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH). O Butantan já dispõe de financiamento federal para terminar os estudos e construir uma fábrica para produzi-la.

A zika ganhou prioridade. Como integrante do consócio mundial Zikaplan, o Butantan recebe recursos da União Européia e do governo americano para estudos de uma vacina.

O instituto disponibilizou ainda uma vacina mais barata contra o HPV, que já está sendo administrada na rede pública.

Deficiências do passado estão sendo superadas. Foi preciso modernizar a produção de doses contra hepatite B, tétano, coqueluche e difteria. Terminamos a construção da moderníssima fábrica de medicamentos contra a raiva.

Um dos maiores desafios foi encontrar uma saída para outra fábrica, a de hemoderivados. Erguida com um projeto técnica e economicamente inviável, ela não opera desde 2010. Agora finalmente se vislumbra uma solução para esse equipamento.

Os ganhos de qualidade da gestão se refletiram na receita do Butantan, que saltou de R$ 300 milhões para R$ 1,6 bilhão em seis anos.

Conquistas como essas seriam aplaudidas em qualquer país. Avanços que ajudam a resolver problemas nacionais são a chave para transformar o Brasil em uma economia exportadora de alta tecnologia.Por que, então, o Butantan tem sido tão enxovalhado?

Em primeiro lugar, é preciso reconhecer: o instituto atravessou uma grave crise derivada de erros administrativos e desmandos que o levaram,em 2009, a uma grave situação econômica e financeira incompatível com sua reputação.

Fui incumbido de sanar esses problemas. Tinha como credenciais uma longa e respeitada carreira como cientista na área imunológica, além do fato de ter ajudado o Instituto do Coração (Incor) a superar uma grande crise administrativa.

Mas o Butantan não está sob fogo por conta de suas finanças, afinal já recuperadas.
Dotado de grande visibilidade, prestígio e aprovação da sociedade, tornou-se alvo de disputas políticas.

Reforço que são mentirosas as acusações utilizadas para derrubar minha gestão e que tenho os documentos comprobatórios a quem se interessar.

Saio com orgulho de ter ajudado a devolver o Butantan aos trilhos da excelência. Agradeço o trabalho e apoio de todos os colaboradores do instituto. Merecem respeito o espírito público e o zelo com que essa equipe sempre trabalhou. Com a consciência tranquila, sigo contribuindo como cientista e professor.

*JORGE KALIL, professor titular de medicina da USP, foi diretor do Instituto Butantan (de 2011 a fevereiro deste ano)

 


A REALIDADE VIRTUAL E A AUMENTADA VÃO TRANSFORMAR A EDUCAÇÃO? AINDA NÃO
Tatiana Klix, PORVIR , 09/03/2017

A tecnologia já possibilita que qualquer pessoa possa visitar Paris, surfar no Havaí, andar por dentro das pirâmides do Egito e entrar em um combate da guerra do Vietnã sem se deslocar. Também permite visualizar fora da tela de um computador ou aparelho móvel a imagem em 3D e em movimento do aparelho reprodutor humano ou do motor de um carro. Tais experiências proporcionadas por tecnologias de realidade virtual e aumentada – que vêm sendo aplicadas e têm causado transformações em vários segmentos, como a indústria de jogos, a medicina e a engenharia – aos poucos estão chegando às escolas levando consigo a promessa de revolucionar a educação. Mas como isso vai acontecer e quando as tecnologias de RV e RA se tornarão populares na sala de aula? Qual será a sua contribuição para o aprendizado? Quais os riscos envolvidos em seu uso intensivo?
Durante o SXSWEdu 2017, evento sobre inovação na educação realizado esta semana em Austin, nos EUA, mais de 20 sessões debateram o tema. O Porvir acompanhou algumas delas para tentar responder a essas perguntas e desvendar qual será o papel das realidades virtual e aumentada na educação. A conclusão é que as expectativas, pelo menos por enquanto, são maiores do que os resultados obtidos em aplicações práticas. As tecnologias estão evoluindo, mas seu uso pedagógico é restrito e controverso.

É muito tentador acreditar que levar alunos para viagens virtuais e ensinar a partir de imagens interativas tornará a experiência de aprendizado mais eficaz e divertida. Ou quem não gostaria de aprender geometria visualizando figuras em 3D que se movimentam? Também é difícil negar o quão engajador pode ser ensinar a história da escravidão no Brasil se os alunos tiverem uma experiência imersiva em uma senzala.

Essas tecnologias podem ser eficientes em alguns casos e contextos, para determinados alunos, mas não são efetivas para serem usadas em qualquer aula.

Apesar desses atrativos, não existem pesquisas que mostrem como a realidade virtual beneficia os alunos, segundo Evan Schiff, pesquisador e desenvolvedor de conteúdos e ferramentas tecnológicas. Em sua palestra “The Reality of Virtual – VR Adoption in Schools” (A Realidade do Virtual – A Adoção da Realidade Virtual em escolas), ele enfatizou que a RV não vai salvar a educação. “Essas tecnologias podem ser eficientes em alguns casos e contextos, para determinados alunos, mas não são efetivas para serem usadas em qualquer aula e ainda não sabemos para onde elas vão nos levar”, afirmou. Por isso, poucas escolas abriram suas portas para RV e são raros os conteúdos educacionais disponíveis com intenções pedagógicas claras.

Na sessão “Separating Hype from Reality: AR/VR & Learning” (Separando o Hype da Realidade: RA/RV e Aprendizado), Linda Bush, que desenvolve tutorias online para Pearson, afirmou que quando alunos têm contato com a realidade virtual pela primeira vez sempre acontece um momento “uau”. Passado o impacto da novidade, no entanto, o que se observa é que eles não querem perder a relação com o professor, têm vontade de compartilhar o que estão vendo e experimentando com colegas e querem criar conteúdos. Seu depoimento está conectado com as tendências em RV/RA apresentadas pela consultora para aprendizado imersivo Maya Georgieva na sessão “VR & Mixed Reality Trends: Insights for Educators” (Tendências em RV & Realidades Mistas: Insights para Educadores). Ainda existem poucos criadores de conteúdos educacionais para essas tecnologias, mas segundo a cofundadora da Digital Bodies, eles devem se preocupar em promover aprendizado experiencial, contar histórias e narrativas, promover desafios e proporcionar trocas sociais e a colaboração. Ela citou a plataforma AltspaceVR como uma pioneira nessa tendência. “É o Facebook com realidade virtual”, explicou ao mostrar telas da plataforma que permite a interação com outros usuários em um ambiente virtual.
O futuro é a realidade aumentada, que mistura o mundo real com vídeos e apresentações em 3D.

Dan Moller, do estúdio de criação The Mill, que esteve na sessão “Separando o Hype da Realidade: RA/RV e Aprendizado”, disse que os desenvolvedores de jogos já estão conseguindo criar experiências nas quais os usuários conseguem interagir com o ambiente no qual ficam imersos e com outros jogadores, mas ainda não existem materiais pedagógicos assim. Presente no mesmo painel, Mark Christian, diretor de tecnologias imersivas da Pearson, é pouco entusiasta da evolução do uso da realidade virtual em escolas. Segundo ele, a realidade virtual tira o aluno totalmente do mundo real e isso não é resposta para a educação. “O futuro é a realidade aumentada, que mistura o mundo real com vídeos e apresentações em 3D”, afirmou.

Um dos desafios para a popularização de ambas as tecnologias é a preparação dos professores para o seu uso. Segundo Evan Schiff, não é possível formar educadores para usar realidade virtual enquanto ela não for realmente popular também fora da escola. Para o desenvolvedor, ensinar todos educadores desde o básico, como o que é um óculos de realidade virtual até como fazer o uso pedagógico de experiências imersivas, tem um custo muito alto, além de ser ineficiente. “Para aplicar na escola, os professores têm que querer usar RV e ser envolvidos na criação das ferramentas e conteúdos educacionais. Não pode ser de cima para baixo, mas de baixo para cima.”

Na realidade virtual não tem textura, cheiro, gosto, temperatura, não acontece nada inesperado, ou seja, não é a experiência

Herb Coleman, doutor e professor da Austin Community College, é ainda mais pessimista em relação ao uso de realidade virtual na educação. Sua palestra tinha como título a seguinte provocação: “VR Will NOT Save Education; VR Might Destroy It” (RV Não Vai Salvar a Educação; Mas Pode Destruí-la). Segundo o pesquisador, trocar experiências reais por virtuais sem um propósito pedagógico claro é um risco. Ele alerta que ao permitir que as pessoas visitem lugares distantes ou tenham experiências como esquiar e surfar, elas não estão realmente nesses lugares e tendo a experiência completa. “Na realidade virtual a experiência não tem textura, cheiro, gosto, temperatura, não acontece nada inesperado, ou seja, não é a experiência. Um passeio com a turma segue sendo mais interessante”.

Ao longo de sua apresentação, também contradisse outros argumentos daqueles que veem a realidade virtual como uma tecnologia transformadora para o aprendizado. Entre eles, o de que as experiências contribuirão para o desenvolvimento da empatia nos alunos. “Será que a gente precisa mesmo que um aluno se sinta no meio de um bombardeio para desenvolver empatia? Será que todos os textos, fotos, vídeos e notícias não são o suficiente?”, afirmou.

Além disso, ele chama a atenção para o fato de que os dispositivos de realidade virtual não foram desenvolvidos para crianças e que existem inclusive alertas dos fabricantes para que elas não os usem. Por isso, recomenda que os professores tenham objetivos claros com atividades envolvendo realidade virtual e não façam um uso massivo de experiências imersivas. “Se a ideia é fazer uma aula emocionante e divertida, pode ser legal, mas isso não é a solução para o aprendizado”, concluiu.

 


 

CASA TOTALMENTE IMPRESSA EM 3D DEMOROU SÓ 24 HORAS A FAZER
Vítor Martins, Google, Pplware, 05/03/2017

As impressoras 3D estão a ganhar o seu espaço e já vimos, mesmo que no segmento da construção civil, que este será um passo gigante. Com estas máquinas iremos ter casas mais baratas e com um fabrico muito mais rápido.

A casa que mostramos agora foi construída em 24 horas e custou cerca de 10 mil euros.

 Atualmente uma habitação T1 construída nos tradicionais materiais em Portugal, betão, bloco, tijolo e outros materiais para erguer a estrutura, deverá custar entre os 30 e os 50 mil euros (em algumas zonas). Na Rússia construíu-se uma casa com 38 metros quadrados, perfeitamente habitável com recurso a uma impressora 3D.

 

 

A obra esteve ao cargo da empresa Apis Cor que tem uma impressora que usa tecnologias modernas de injeção de betão para fabricar as casas. Os acabamentos são à parte… a colocação das portas, janelas, o isolamento termo-acústico e as tubagens foram colocados no mesmo dia porque o material já permitia, inclusive os trabalhos de pintura.

http://videos.sapo.pt/1Fz6k4Zp7h35aeO0k5rF

Esta impressora tem contudo, e como de pode ver no vídeo, alguns problemas com as baixas temperaturas, mas foram resolvidos com uma tenda que envolveu a máquina e foi colocada a temperatura ideal para a impressão.

A casa tem a mesma segurança que uma casa convencional, onde os alicerces foram projectados para dar a estabilidade assim como as questões de resistência e isolamento estiveram ao cargo da fibra de vidro e poliuretano. É uma casa mais ecológica, mais económica e com certificação energética.

Cada metro quadrado custa 275 dólares, logo pelos 38 metros quadrados o preço ronda os 10 mil dólares.

 


AÇO QUE IMITA OSSO RESISTE 100 VEZES MAIS À FADIGA
Site Inovação Tecnológica -  10/03/2017

 

É difícil imitar com precisão a estrutura dos ossos, mas os metalurgistas estão chegando lá. [Imagem: Motomichi Koyama et al. - 10.1126/science.aal2766]

Aço imune à fadiga

Introduzir no aço uma nanoestrutura laminada, similar à encontrada nos ossos, torna o metal muito mais resistente às rachaduras em micro e macro escalas que surgem a partir do estresse repetitivo.

O desenvolvimento, não apenas de novos tipos de aço, mas também de outras ligas metálicas com esta estrutura, tem potencial para melhorar a segurança de todas as estruturas metálicas - de máquinas e veículos a edifícios - que devem suportar cargas cíclicas.

A questão chave é que o aço torna-se suscetível a trincas e rachaduras quando é submetido repetidamente a cargas - pense em uma ponte metálica, por onde passam veículos e caminhões; após a passagem de cada veículo, o aço da ponte retorna ao estado de "repouso", sem carga. Isto resulta na chamada "fadiga" do material.

Motomichi Koyama e seus colegas da Universidade Kyushu, no Japão, foram buscar inspiração nos ossos, que também são submetidos a essa ciclagem constante, mas possuem uma resistência superior à do aço devido à sua subestrutura hierárquica e laminada.

Aço nanoestruturado

Para começar a trabalhar, a equipe procurou por tipos de aço cujas estruturas já são naturalmente comparáveis à do tecido ósseo. Eles identificaram dois: o aço perlítico ferrita-cementita e o aço de plasticidade induzida de martensita-austenita.

Partindo da estrutura original, os pesquisadores fizeram melhorias adicionais em ambos os tipos de aço, de modo que eles passassem a apresentar características as mais próximas possíveis daquelas dos ossos, que tipicamente resistem muito bem à propagação de rachaduras.

As melhorias deram resultado, com os dois aços otimizados mostrando-se significativamente mais resistentes à fadiga do que qualquer tipo de aço industrial. A equipe submeteu seu aço nanolaminado a ciclos repetidos de estresse, verificando que o desenvolvimento das fissuras microscópicas foi adiado em 107 ciclos em relação aos dois tipos de aço originais.

A equipe agora pretende otimizar ainda mais as melhorias, para que o aço torne-se resistente a amplitudes maiores de estresse. Em seu artigo, eles já propõem vários mecanismos que pretendem testar para obter essa melhoria adicional. Também será necessário estudar como passar o método usado em laboratório para a escala industrial.

Bibliografia:

Bone-like crack resistance in hierarchical metastable nanolaminate steels
Motomichi Koyama, Zhao Zhang, Meimei Wang, Dirk Ponge, Dierk Raabe, Kaneaki Tsuzaki, Hiroshi Noguchi, Cemal Cem Tasan
Science
Vol.: 355 Issue 6329 1055-1057
DOI: 10.1126/science.aal2766

 


 

PRÓPOLIS PRODUZIDA NO SUL DO PAÍS POSSUI SUBSTÂNCIAS COM AÇÃO ANTI-INFLAMATÓRIA, ANTIOXIDANTE, ANTIBACTERIANA E ATÉ ANTICANCERÍGENA
Ivanir Ferreira, Jornal da USP

Além do seu sabor suave e alto valor comercial, a própolis orgânica produzida no sul do País possui propriedades químicas com potencial farmacológico para várias doenças. As substâncias agem como anti-inflamatório, antioxidante, antibacteriano e até como anticancerígeno. Estas foram as conclusões de um estudo de pesquisadores da Escola de Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP em Piracicaba, feito em apiários no sul do Paraná e norte de Santa Catarina.

A qualidade da própolis produzida pelas abelhas varia de acordo com a origem botânica. No Brasil, já foram classificadas pelo menos 13 variantes. Para serem consideradas orgânicas, as flores, brotos e cascas de onde são coletadas as substâncias, devem respeitar a ordem natural de produção, sem adição de agrotóxicos ou pesticidas. As 78 amostras utilizadas na pesquisa foram obtidas em áreas de preservação permanentes e zonas de reflorestamento, o que garantiu que a própolis estivesse livre de agentes poluidores, de pesticidas, fertilizantes e metais pesados, conforme avaliação de certificadoras nacionais e internacionais.

Abelha operária (Apis mellifera) coletando própolis verde de alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia) – Foto: Michel Stórquio Belmiro via Wikimedia Commons
 
Em laboratório, as amostras foram agrupadas em sete perfis químicos. Segundo o engenheiro agrônomo, Severino Matias Alencar, professor associado da Esalq e orientador de Ana Paula Tiveron, que coordenou a pesquisa, todas as variantes apresentaram “alto poder sequestrante contra espécies reativas de oxigênio” — substâncias químicas que, quando presentes em excesso no organismo, causam diversos problemas às células humanas, resultando no desenvolvimento várias doenças como as neurodegenerativas, cânceres, anemia, isquemia além de oxidação da LDL (o mau colesterol ).

A pesquisa demonstrou também a eficácia da própolis como anti-inflamatória e antibacteriana. O composto apresentou ação contra diversos tipos de micro-organismos: o Streptococcus mutans e S. sobrinus — agentes associados ao desenvolvimento da cárie; o Streptococcus oralis — que induz ao surgimento da placa bacteriana e à endocardite (doença infecciosa do coração); o S. aureus — que pode causar acnes, furúnculos, celulites e doenças graves como meningite e pneumonias; e o Pseudomonas aeruginosa — patogênico oportunista associado às infecções hospitalares.

Severino Alencar, orientador da pesquisa. A novidade deste trabalho foi encontrar propriedades farmacológicas importantes também na própolis orgânica brasileira – Foto: Gerhard Waller/Esalq

De acordo com Alencar, diferentemente da própolis europeia, rica em flavonoides, a própolis brasileira é caracterizada pela presença de derivados de ácido cinâmico prenilado, que possui atividade sequestrante de radicais livres e significativa ação anti-inflamatória e antimicrobiana. A novidade deste trabalho foi encontrar propriedades farmacológicas importantes na própolis orgânica brasileira, que não só se destaca pela suavidade mas também por seu alto valor econômico.

Exportação

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de própolis, exportando anualmente cerca de 160 toneladas, perdendo apenas para a China. O consumo de produtos orgânicos, além de fazer bem à saúde, incentiva produtores rurais a manterem boas práticas agrícolas para preservação ambiental, utilizando de forma responsável o solo, a água, o ar e demais recursos naturais.

Pesquisa investigou a eficácia da própolis anti-inflamatório e antibacteriano – Foto: Epukas via Wikimedia Commons
 
“O estudo também traz outros benefícios, como a garantia de patentes brasileiras com a geração de conhecimento em instituições nacionais”, lembra o engenheiro agrônomo. Há uma estimativa de que 44% das patentes mundiais com própolis tenham sido depositadas pelos japoneses que importam cerca de 80% da própolis brasileira para consumo interno. Embora o Brasil seja um dos maiores produtores, possui um reduzido número de patentes concedidas em relação aos trabalhos publicados. A pesquisa feita na Esalq foi desenvolvida em parceria com pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal de Alfenas (Unifal), MG.

Em novembro de 2016, o assunto Os benefícios farmacológicos da própolis orgânica produzidas no sul do Brasil foi tema de um artigo publicado em revista científica internacional, a Plos One, da Public Library of Science, EUA. Assinaram o texto, Ana Paula Tiveron, Severino Matias de Alencar e outros pesquisadores. Chemical Characterization and Antioxidant, antimicrobial, and anti-inflammatory activities of South Brasilian Organis Propolis.

 


 PERTO DE COMPLETAR CINCO ANOS, CÓDIGO FLORESTAL AINDA TEM PONTOS A IMPLEMENTAR
Débora Brito - Repórter da Agência Brasil, 12/03/2017

O Código Florestal estabelece que o responsável por propriedade situada em área de preservação permanente deve manter e recompor a vegetação explorada. Arquivo/Marcelo Camargo/Agência Brasil


Quase cinco anos depois de sua aprovação, o Código Florestal (Lei 12.651/2012) ainda não foi totalmente implementado. Organizações ambientais avaliam que, dos 14 pontos do novo código que elas consideram prioritários, apenas a inscrição de propriedades rurais no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar) tem funcionado de forma satisfatória e com providências de melhoramento em curso.


A avaliação é do Observatório do Código Florestal e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), que divulgaram estudo sobre a implementação do código desde 2012 a 2016. O relatório conclui que a implementação do código tem caminhado a passos lentos.


“A gente fez praticamente um diagnóstico do Código Florestal, analisando todos os instrumentos previstos pela lei 12.651, de 2012. Avaliamos por meio de entrevistas, consultas, conversas e de todo trabalho de articulação o nível de implementação de cada instrumento do código”, explicou Tiago Reis, pesquisador do IPAM e coordenador do estudo.


O que diz o Código


Depois de intenso debate no Congresso Nacional, o Código Florestal foi sancionado em maio de 2012 e é a principal legislação que regula o uso do solo em imóveis rurais no Brasil. A lei estabelece normas gerais sobre a proteção e exploração de florestas e outros tipos de vegetação e recursos hídricos em propriedades de produção pecuária e agrícola, além de parâmetros para a delimitação de áreas de preservação permanente e de reserva legal. O código prevê ainda mecanismos de prevenção de incêndios florestais e instrumentos econômicos e financeiros para garantir a preservação da mata nativa.


De acordo com o código, o responsável por propriedade situada em área de preservação permanente deve manter e recompor a vegetação explorada. Os produtores devem executar o manejo do uso do solo e dos recursos hídricos de forma sustentável, respeitando os limites correspondentes a cada tipo de produção, propriedade e vegetação.


A margem de área preservada varia de 20% a 80%, dependendo do bioma onde a propriedade está inserida. Os produtores devem ainda seguir as exigências de licenciamento e ser inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR).


“É uma legislação muito complexa, inovadora, conciliatória, capaz de favorecer tanto a produção quanto a conservação, mas ela precisa ser implementada de forma completa”, avaliou Tiago Reis.

O Cadastro Ambiental Rural deve mapear 460 milhões de hectares de propriedades. Destes, 401 milhões já foram registrados. Arquivo/Valter Campanato/ABr
Cadastro Rural


Para o pesquisador, o ponto que mais avançou foi o Cadastro Ambiental Rural (CAR). O cadastro é um registro eletrônico de âmbito nacional, obrigatório para todos os imóveis rurais e que foi criado com o objetivo de auxiliar no processo de regularização ambiental das propriedades rurais.


O cadastro é feito online, com as informações georreferenciadas. Um sistema anota a propriedade em cima do território e a informação já é automaticamente utilizada para cruzar dados com outros bancos, como por exemplo o que anota as terras indígenas.


Por meio do cadastro, os gestores locais podem fazer o levantamento das informações do imóvel e mapear as áreas para controle, monitoramento, planejamento e diagnóstico da situação ambiental.


Segundo o Ministério do Meio Ambiente, até 31 de janeiro foram cadastrados no sistema mais de 3,95 milhões de imóveis rurais, totalizando uma área de 401.055.948 hectares. A expectativa é que sejam mapeados 460 milhões de hectares. O estudo considera os números expressivos, mas critica que os dados estão apenas parcialmente disponíveis para consulta, com insuficiência de análise e de validação.


“É fundamental que o CAR seja fortalecido como meio de implementação do Código Florestal e de combate ao desmatamento. A transparência ativa e completa das informações contidas no Sicar e o engajamento de empresas, bancos e da sociedade civil, junto aos governos, são meios para fortalecer o CAR neste momento crítico de aumento do desmatamento e da ilegalidade na produção agropecuária brasileira”, diz trecho do documento.


"Ritmo possível"


O Serviço Florestal Brasileiro, órgão responsável pelas concessões e monitoramento das reservas florestais no país, informou à Agência Brasil que os dados do CAR foram disponibilizados no final do ano passado. As únicas informações que ainda não podem ser divulgadas são o nome e o CPF do produtor rural, além de outros dados relacionados ao patrimônio. As informações indisponíveis são consideradas “sensíveis” e são mantidas em sigilo de acordo com uma portaria ministerial.


O Sistema Florestal também reforçou que o processo de implementação está seguindo o ritmo possível dada a complexidade dos mecanismos previstos na legislação. “O processo de implantação do cadastro é progressivo. A discussão do Código Florestal foi tão importante, tão intensa quanto a Constituinte, levou décadas. E dentro do possível, ele está sendo implementado de forma progressiva e evolutiva”, explicou Raimundo Deusdará, diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro (SFB).


Deusdará destacou o cadastro como uma iniciativa pioneira do Brasil no registro de imóveis rurais e ressaltou que é um dos poucos sistemas que podem ser acessados diretamente pelo público. “Isso não tem precedentes no mundo, não há nenhum cadastro geoespacial como o do Brasil. (…) E está disponível a todo cidadão por meio da consulta pública”, disse.


O diretor esclareceu que os dados também podem ser acessados diretamente nos estados, mas reconheceu que é possível rever a portaria que impõe regras de segurança de informação aos gestores do sistema.


Lacunas


Outros setores que avançaram foram algumas iniciativas de incentivo à restauração de áreas degradadas e o aprimoramento de políticas de zoneamento econômico-ecológico (ZEE). Contudo, o estudo destaca a persistência de desafios para a implementação completa do Código Florestal, como a lentidão da regulamentação dos programas de regularização e a ausência dos mecanismos de incentivo financeiro a produtores que cumprem a legislação.


Os pesquisadores defendem que as políticas de concessão de crédito rural estejam vinculadas à regularização ambiental dos imóveis. E sugerem que produtores que promovem práticas ambientais positivas sejam premiados com linhas de créditos mais acessíveis.

 

Relatório considera que é urgente implementar a compensação financeira pelas reservas ambientais e a possibilidade de quem tem reserva excedente negociar seus ativos florestais. Marcelo Camargo/Agência Brasil


“Reconhecemos que alguns instrumentos são muito complexos, exigem uma articulação muito profunda entre diversos atores, e demandam também interesse político de todos os envolvidos. Mas alguns instrumentos não têm tido a mesma atenção que o cadastro. Por exemplo, o programa de incentivos econômicos não está regulamentado nem implementado. De fato, isto é um problema, porque não oferece ao produtor rural todas as condições para seguir a legislação”, critica Reis.


Segundo os pesquisadores, a falta de compensações financeiras, aliada à extensão do prazo de cadastramento dos produtores, pode atrasar o processo de redução do desmatamento e das mudanças climáticas. De acordo com o estudo, o código tem um papel primordial, pois pode contribuir para evitar a emissão de cerca de 87 bilhões de toneladas de gás carbônico (CO2) em áreas de preservação permanente e de reserva legal.


“No ano passado, tivemos aumento no desmatamento e isso pode ter relação com o aumento do prazo (de maio do ano passado para dezembro deste ano) para o cadastro, já que alguns produtores podem ter interpretado a flexibilização do prazo como uma brecha ou fragilidade da legislação e relaxaram nas ações de preservação”, argumentou Reis.


Entre as compensações financeiras previstas no código e que ainda não foram regulamentadas, o IPAM considera que a mais urgente é a Cota de Reserva Ambiental (CRA). Esta cota é um título correspondente a um hectare de área de reserva legal e instituído voluntariamente sobre a vegetação excedente aos percentuais exigidos pela lei. Por esta cota, o produtor que tem excesso de reserva legal pode negociar seu ativo florestal com outro produtor que tem reserva insuficiente. “A cota já tem condição de ser implementada, vários setores já se alinharam, é só uma questão do governo coordenar e colocar o instrumento em prática”, recomendou Reis.


O SFB, no entanto, alerta que a implementação do sistema de cotas é complexa e requer cuidados. “A CRA é um instrumento novo e envolve uma política de segurança na transação do papel. Ela implica em direitos e deveres das propriedades e empresas. Na prática não é tão simples, porque é preciso comprovação da existência do ativo florestal. Estamos trabalhando para desenvolver o sistema com segurança ambiental e jurídica”, explicou Deusdará.


O diretor explicou que o sistema ainda não foi implementado nos últimos cinco anos, porque primeiro era necessária a efetivação do cadastro rural, em seguida é preciso aperfeiçoar o sistema de análise e validação das informações registradas. O objetivo é que todas as informações declaradas pelos proprietários rurais passem por filtros automáticos de análise antes de serem validadas. Pelo módulo de análise automatizada, problemas como a inserção de propriedades em terras indígenas, por exemplo, automaticamente poderão ser filtradas.


E, por último, segundo o diretor, é preciso verificar quais são as propriedades que estarão aptas para se dirigir às cotas. Deusdará esclareceu que a distinção será possível a partir do desenvolvimento de um sistema de monitoramento eficaz, com segurança para quem compra e vende os títulos. O monitoramento das áreas preservadas será feito por sistema de satélite, que está em fase de testes.


Efetivação do Código


As organizações civis ainda avaliam que o governo federal tem deixado a desejar no papel de coordenação entre as várias instituições responsáveis pela efetivação da política. Os institutos criticam a ausência de “um fórum permanente de debate aberto e transparente com a sociedade civil, com os estados e com os municípios sobre o Código Florestal” e a falta de “um plano faseado e coerente para colocar em prática os instrumentos”. Para esses grupos, “a implementação do Código Florestal tem ocorrido de maneira descoordenada”.


Os pesquisadores cobram maior engajamento dos governos locais, do setor rural e das empresas e instituições de mercado, além de representantes da sociedade civil, para a implementação efetiva do Código Florestal. “Apesar desses esforços, quase cinco anos se passaram e o desafio da efetiva implementação do novo código permanece. Entre lacunas legais, sistemas de informação incompletos, falta de transparência ativa e completa, burocracia conflitante, atrasos, indefinições de competências e, de certa forma, falta de prioridade na agenda política, o renovado Código Florestal requer mais atenção dos diversos atores, sejam eles governamentais ou da sociedade civil em geral”, conclui o estudo.


Em resposta, o diretor do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), Raimundo Deusdará, declarou que o sucesso do cadastro rural demonstra que essa articulação com os estados existe. E destacou que a discussão sempre ocorreu e ela evoluiu, além de depender de vários fatores, como a diferença de capacidade dos estados.


“O novo código florestal tem cinco anos. Querer impor um ritmo maior que o que já conseguimos é ponderar o impossível. Em todos os países que levamos a experiência do cadastro, por exemplo, recebemos a impressão de que fomos muito rápidos. O ritmo é muito superior a qualquer outro software”, defendeu Deusdará.


Na última terça-feira (7), o SFB começou uma série de rodadas de negociações com as entidades da sociedade civil, representantes do setor agropecuário, além de empresas agrícolas operadores do mercado para definir os parâmetros da norma que deve regular o funcionamento das cotas de reserva ambiental.


Para marcar os cinco anos da nova lei, as organizações planejam uma série de ações para os meses de maio e junho, quando devem definir juntos aos estados e o governo federal estratégias de implementação do código.

 


 

IBM PLANEJA REVOLUCIONAR A COMPUTAÇÃO QUÂNTICA
Blog do Ethewaldo Siqueira e Financial Times, 06.03.2017

Matéria do Financial Times de hoje, (06) explica que o grupo está dando os primeiros passos para viabilizar a produção da computação quântica, tornando-se a primeira grande empresa de tecnologia a tentar colher dividendos desta nova forma revolucionária de computação.

A maioria dos pesquisadores concorda que a produção dos computadores baseados em mecânica quântica em grande escala – teoricamente tornando-os massivamente mais poderosos do que as máquinas existentes –, ainda está distante.

No entanto, a IBM tem feito pequenas demonstrações de sistemas que se aproveitam de efeitos quânticos como o super posicionamento, no qual um elétron pode existir em dois estados ao mesmo tempo. Ao tornar possível representar nessas máquinas um "1" e um "0" ao mesmo tempo, os bits quânticos, (ou qubits), serão capazes de assumir cálculos muito mais complexos do que os computadores realizam hoje. Essas máquinas serão capazes de aproveitar apenas uma pequena porção dos benefícios quânticos, mas poderiam superar até mesmo os supercomputadores mais poderosos de hoje.

Executivos da IBM acreditam que as primeiras máquinas quânticas prontas estarão disponíveis em breve, mas não divulgaram nenhuma previsão.

 


SECRETARIA REGIONAL DE PERNAMBUCO

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Profa. Rejane Mansur Nogueira - Secretária Adjunta

 

José Antônio Aleixo da Silva (Editor)Professor titular da UFRPE e membro da Diretoria da SBPC.

Bianca Pinto Cardoso
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