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Jornal Eletrônico da SBPC/PE #2 Ano: 2

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Notícias:

SBPC PUBLICA NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE NOTÍCIA VEICULADA NO SITE DO MCTIC

BRASIL VAI SE INCORPORAR A MARCHA PELA CIÊNCIA

“ORDEM NO CAMPO”, UMA PERIGOSA E PERNICIOSA MISTIFICAÇÃO!
Resposta do Grupo de Trabalho da SBPC sobre o Código Florestal

ACADEMIA PERNAMBUCANA DE CIÊNCIAS - CONVITE PARA PALESTRA “CIÊNCIA VERSUS ESPIRITUALIDADE?”

ANTES DAS DECISÕES SOBRE A MP 746 (SOBRE A REFORMA DO ENSINO MÉDIO)

DENTRE 20 PAÍSES, JOVENS BRASILEIROS SÃO OS MAIS DESMOTIVADOS

A UNIÃO EUROPEIA PÓS-BREXIT E PÓS-GLOBALIZAÇÃO

CIENTISTAS GASTAM MAIS DE 30% DO TEMPO DE ESTUDO COM BUROCRACIA DOS PROJETOS

COMUNIDADE CIENTÍFICA ALERTA PARA MORTANDADE DE MACACOS POR CAUSA DA FEBRE AMARELA

FLORESTAS PLANTADAS: QUALIDADE DO PRODUTO BRASILEIRO É AVAL PARA EXPORTAR

LANÇADO PROJETO PARA CONSTRUÇÃO DE COMPUTADOR QUÂNTICO

BRASILEIRO CONSTRÓI EQUIPAMENTO PARA CIÊNCIAS DOS MATERIAIS

RENOVÁVEIS TRANSFORMAM ZONA RURAL DA ALEMANHA

SEIS NOVAS PROFISSÕES NA ÁREA DE TECNOLOGIA DEVEM MOVIMENTAR O MERCADO

LANGUAGE A BARRIER TO FLOW OF SCIENTIFIC KNOWLEDGE

 


SBPC PUBLICA NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE NOTÍCIA VEICULADA NO SITE DO MCTIC

JC Notícias de 14.02.2017

A notícia informava, incorretamente, que a presidente da SBPC, Helena Nader, havia entregue um documento com 30 mil assinaturas de pesquisadores “em agradecimento ao presidente Michel Temer pela liberação de recursos da Fonte 900”. Na verdade, o documento entregue era um abaixo-assinado, organizado pela SBPC, para deixar claro ao presidente da República a reivindicação dos signatários, de reverter a modificação no orçamento do MCTIC, e sua mobilização em favor da ciência no Brasil

Leia abaixo a nota na íntegra:

SBPC – Nota de Esclarecimento

O site do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) informou, de maneira incorreta, em 24/01/2017, que a presidente da SBPC, Helena Nader, “entregou um documento com mais de 30 mil assinaturas de pesquisadores nacionais e internacionais em agradecimento [grifo nosso] ao presidente Michel Temer pela liberação dos recursos da Fonte 900 …”.

Na verdade, o que foi entregue ao presidente foi o abaixo-assinado organizado pela SBPC em que os signatários pedem ao presidente que “reverta a recente e preocupante modificação no orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC)”, decorrente da alteração feita pelo Congresso Nacional na Lei Orçamentária de 2017, transferindo cerca de R$ 1,7 bilhão, originalmente alocado na Fonte 100, que tem recursos cobertos pelo Tesouro Nacional, para a Fonte 900 que não têm origem conhecida, correspondendo a recursos denominados como “Condicionados”.

Enquanto o abaixo-assinado estava em curso, o governo federal fez a reversão das Fontes.

Helena Nader entregou o documento no dia 24/01/2017, no auditório do CNPq, durante a instalação do Conselho Consultivo do MCTIC e de seis comissões temáticas de apoio ao Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia. Estavam presentes os presidentes da maioria das instituições signatárias do manifesto datado de 30 de dezembro de 2016, tais como, Academia Brasileira de Ciências (ABC), Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação (Consecti), dentre outras.

A presidente da SBPC entregou o documento ao presidente da República para deixar clara a reivindicação dos signatários e sua mobilização em favor da ciência no Brasil. Helena Nader, ao entregar o abaixo assinado salientou que se tratava do movimento das comunidades acadêmica, científica, tecnológica e de inovação, pela reversão do orçamento e que as mesmas estariam alertas para o cumprimento do que estabelece a Lei.

Por solicitação da SBPC, o site do MCTIC corrigiu a informação quanto ao objetivo do abaixo-assinado logo após a publicação da notícia. Contudo, pessoas que leram a informação inverídica ainda a têm como correta. Alertar essas pessoas é a razão desta Nota de Esclarecimento.

Leia abaixo o texto integral do abaixo-assinado entregue ao presidente Michel Temer.
Diretoria da SBPC, 13/02/2017

LOA 2017 – NÃO À TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS DA FONTE 100 PARA A FONTE 900

“Os abaixo assinados, professores, pesquisadores, estudantes e demais profissionais que atuam em Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), dirigimo-nos a V. Ex.ª. para que reverta a recente e preocupante modificação no orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). A alteração realizada pelo Congresso Nacional na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LOA) 2017, transfere parte importante dos recursos de CT&I – cerca de R$ 1,7 bilhão, originalmente alocados na Fonte 100 (recursos cobertos pelo Tesouro Nacional), para a Fonte 900 (Recursos Condicionados), cuja origem e existência são incertas. Salientamos que a transferência para a fonte 900 não tem recursos assegurados, tanto que passam a ser chamados de “recursos condicionados”, de acordo com manual orçamentário. A fonte 900 inclusive põe em dúvida o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, que exige para cada empenho a definição clara da fonte de recursos. Qual a fonte real que o governo utilizará para honrar os pagamentos prometidos pela LOA 2017 à área de CT&I se a fonte usada está “condicionada” a um apontamento futuro dependente de nova lei?

Além da aprovação da PEC 55, que estabeleceu um teto global para as despesas em nível federal, essa redução tão drástica na área de CT&I configura um equívoco, principalmente ao se considerar que atividades de pesquisa são indispensáveis para que se encontrem soluções inovadoras, criativas e exequíveis para os graves problemas da Nação.

O corte contra o qual nos manifestamos tem sua maior parcela (R$1,1 bilhão) destinada ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para programas de formação, capacitação e fixação de pesquisadores. Na prática, interrompem-se pesquisas e teses de mestrado e doutorado, e desagregam-se grupos de pesquisa. Atinge também R$ 700 milhões destinados à pesquisa e desenvolvimento em Organizações Sociais e à administração do MCTIC.

Urge retornar à Fonte 100 os itens transferidos para a Fonte 900.

Assim, contamos com a compreensão e providências de V. Ex.ª. no sentido de restaurar o nível de prioridade orçamentária que as atividades em CT&I fazem jus frente à sua importância para o desenvolvimento do País”.

 

 

BRASIL VAI SE INCORPORAR A MARCHA PELA CIÊNCIA

José Antônio Aleixo da Silva, 17/02/2017

O movimento programado para o dia 22 de abril deste ano é uma iniciativa de cientistas americanos preocupados com os rumos da ciência nos Estados Unidos e está tomando proporções mundiais.
 
No Brasil, foi uma iniciativa de alguns físicos, atuantes na SBF, e a proposta foi logo encampada pela ADUFRJ que decidiu apoiar e articular outras entidades e ações a serem feitas. Atualmente, existe um grupo de instituições organizando o evento em caráter nacional e no dia 14 deste mês, em reunião do Conselho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, ficou decidido que iremos participar efetivamente da Marcha pela Ciência.
 
Em Pernambuco, a Secretaria Regional da SBPC, Espaço Ciência e outras instituições que desejarem participar irão organizar o evento, provavelmente, no dia 25 ou 26 de abril, e esperamos contar com a participação de todas as instituições de ensino e pesquisa do Estado.
 
Também existe a possibilidade de um grande evento em Brasília para a mesma data.

Assim que tivermos informações detalhadas do evento divulgaremos neste jornal eletrônico e em nosso site.
 
Conheça sobre a origem do evento no texto abaixo.
https://www.marchforscience.com/

SCIENCE, NOT SILENCE

The March for Science is a celebration of our passion for science and a call to support and safeguard the scientific community. Recent policy changes have caused heightened worry among scientists, and the incredible and immediate outpouring of support has made clear that these concerns are also shared by hundreds of thousands of people around the world. The mischaracterization of science as a partisan issue, which has given policymakers permission to reject overwhelming evidence, is a critical and urgent matter. It is time for people who support scientific research and evidence-based policies to take a public stand and be counted.

ON APRIL 22, 2017, WE WALK OUT OF THE LAB AND INTO THE STREETS.

We are scientists and science enthusiasts. We come from all races, all religions, all gender identities, all sexual orientations, all abilities, all socioeconomic backgrounds, all political perspectives, and all nationalities. Our diversity is our greatest strength: a wealth of opinions, perspectives, and ideas is critical for the scientific process. What unites us is a love of science, and an insatiable curiosity. We all recognize that science is everywhere and affects everyone.

Science is often an arduous process, but it is also thrilling. A universal human curiosity and dogged persistence is the greatest hope for the future. This movement cannot and will not end with a march. Our plans for policy change and community outreach will start with marches worldwide and a teach-in at the National Mall, but it is imperative that we continue to celebrate and defend science at all levels - from local schools to federal agencies - throughout the world.

All proceeds will go to funding the March for Science. Any additional support will be used to promote science outreach and education.

Note: Our official merchandise is sold at store.marchforscience.com from bonfire.com.  There are several ads on Facebook for identical clothing sold at teechip — these stores are not associated with us and the sellers do not send the money raised to the March for Science.

MARCH WITH US

The March for Science is an international movement, led by organizers distributed around the globe. This movement is taking place because of the simultaneous realization by thousands of  scientists, and science enthusiasts that that staying silent is no longer an option.  There are marches being planned across the United States and internationally.

 We encourage everyone to follow to local organizers to stay updated, and reach out if you want to help!

Find a March Near You

There are marches planned across the United States, and internationally. However, if you can't find a march in your area, please use the form below to help us best connect you with local organizers and keep you to date with the latest march information. If you are interested in starting a march in your area, please keep us up to date by emailing Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

 

 

“ORDEM NO CAMPO”, UMA PERIGOSA E PERNICIOSA MISTIFICAÇÃO!
Resposta do Grupo de Trabalho da SBPC sobre o Código Florestal

Obs: o texto publicado no Estadão está em grafia normal, em negrito e o itálico é a resposta do GT do Código Florestal da SBPC

No Editorial do dia 13 de fevereiro de 2017, do Jornal o Estado de São Paulo, os fatos estão subvertidos, apresentando os delírios de um ruralismo atrasado, onde os legítimos interesses ambientais de toda a sociedade se curvam aos interesses e conveniências momentâneos de lucro com degradação. O artigo “Ordem no Campo” é mais um artigo tentando ludibriar a sociedade apresentando apenas os benefícios do agronegócio, sem explicitar ou discutir os impactos dessa atividade altamente necessária.

Até o final do ano passado, quase quatro milhões de imóveis rurais – uma área total de 399.233.861 hectares – estavam inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR), um registro eletrônico obrigatório para todas as propriedades no campo instituído pela Lei 12.651/12, o chamado Novo Código Florestal. O número representa 76% dos imóveis rurais registrados pelo Censo do IBGE de 2006 (5.175.636 unidades). Uma reportagem publicada pelo Estado no início de fevereiro revelou a adesão majoritária ao CAR, salvo no Nordeste, onde o prazo de registro dos imóveis foi prorrogado para os pequenos produtores.

Os dados do CAR foram integrados ao Sistema de Inteligência Territorial Estratégica (Site) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A correlação entre as informações técnicas do CAR, como a geocodificação das propriedades por satélite, e os mapas de exploração do Site divididos por tipos de área – preservação permanente, reserva legal, interesse social e utilidade pública, entre outras categorias – revelou a importância da atividade agropecuária para a preservação ambiental, contrariando uma ideia erroneamente difundida de que o agronegócio contribui para a degradação do meio ambiente. Como toda generalização, esta também não haveria de resistir à objetividade dos dados.

Vale destacar que a presença das florestas na paisagem brasileiras é anterior ao Agronegócio e, aliás, a área de floresta deveria ser hoje muitíssimo maior, se tivéssemos tido um bom planejamento agrícola e ambiental na expansão histórica da fronteira agrícola brasileira, não desmatando áreas de baixa aptidão agrícola, como várias pastagens e mesmo culturas perenes hoje em relevo muito declivoso ou com afloramento rochoso, sem possibilidade de tecnificação, na Mata Atlântica e até na Amazônia. Isso se agrava se considerarmos que por décadas existiu uma lei florestal desde 1965, que determinava a obrigatória presença de florestas nativas no meio rural, lei que foi total e deliberadamente descumprida, gerando crime ambiental, conforme pode ser documentado e até identificado o proprietário responsável pelo descumprimento, com base nas imagens históricas de satélite. Esse descaso com a legislação vigente gerou um grande passivo a ser recuperado pelo Agronegócio. Bom seria que a prática de respeito à vegetação nativa por parte do Agronegócio, sobretudo nas médias e grandes propriedades, fosse produto de uma compreensão voluntária,sobre a importância dessa vegetação para o provimento de serviços ambientais, como solo, água, biodiversidade, inclusive serviços benéficos para a própria agricultura praticada pelo Agronegócio, como polinização de culturas agrícolas, aumentando produtividade, já amplamente demonstrado cientificamente, declarando mais uma vez a interdependência da agricultura com os ambientes naturais da paisagem. Não aceitar ou enxergar isso é um atraso desnecessário e incondizente com o Agronegócio.

Em São Paulo, os imóveis rurais preservam em vegetação nativa uma área correspondente a 15,3% do Estado. A área preservada pelos agricultores é maior do que a soma de todas as unidades de conservação e terras indígenas. Em outros Estados, a contribuição da agropecuária para o meio ambiente é ainda maior. Em Mato Grosso, as áreas de atividade agropecuária garantem duas vezes mais proteção ambiental do que as unidades de conservação em terras indígenas. E a abrangência tende a aumentar, pois embora tenha havido um incremento de 12,5% dos imóveis rurais do Centro-Oeste inscritos no CAR em relação ao número do Censo de 2006, ainda há propriedades sem o registro obrigatório. A participação da agricultura brasileira nos esforços de preservação ambiental foi apresentada nas Conferências do Clima, em Paris e Marrakesh, e da Biodiversidade, em Cancún, como um trunfo do Brasil no cumprimento de suas metas climáticas, tanto pelo governo federal como por organizações não governamentais.
O registro eletrônico obrigatório no CAR levou os imóveis rurais à legalidade. No momento do cadastro, caso haja alguma irregularidade, o produtor assume o compromisso de saná-la com o Programa de Recuperação Ambiental (PRA). Com bom andamento em 17 Estados, o PRA amplia a prestação de serviços ambientais pelos agricultores e lhes oferece segurança jurídica pela exploração regular das áreas.

É preciso lembrar que o imenso passivo ambiental produzido pelos agricultores, sobretudo pelos grandes proprietários rurais, não desapareceu, ele apenas foi mascarado na nova lei, mais uma vez contrariando os interesses da sociedade para benefício de poucos. Essa nova lei fez desaparecerem milhões de hectares de danos e crimes ambientais, não com compensações ou recuperações bem planejadas e executadas, mas com uma arguta penada congressual. Acreditamos que esse estratagema primário certamente não encontrará guarida no STF. O sonho de uma segurança jurídica fictícia baseada na destruição e enterramento de milhões de hectares de florestas, cerrados, mangues, restingas e outros, hoje sob uma coberta de pastagens improdutivas, vastíssimas áreas degradadas e abandonadas, irregularmente estabelecidos ao arrepio da lei, é um pesadelo com hora certa para terminar, tão logo o verdadeiro STF faça valer o legítimo interesse de todos contra as espertezas de poucos.

Fruto de extenso debate em audiências públicas e privadas, além dos ensejados no Congresso Nacional, o projeto do Novo Código Florestal foi aprovado na Câmara por 410 votos e no Senado por 59 votos. Consenso no governo federal, defendido em sua integralidade pela Embrapa, pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Ibama – e sem retrocessos ou ofensas à Constituição –, o diploma legal assegura aos produtores rurais a segurança de suas atividades mediante as respectivas garantias de proteção ambiental.

Os acordos tramados e executados nas ante salas e corredores escuros de legislativo, muitas vezes induzidos ou com concordância do executivo, visando apenas privilegiar alguns no presente e prejudicar o futuro de todos, não podem frustrar, e não frustrarão o direito coletivo. Porque ainda persiste na sociedade como um todo e no judiciário sensível a essas vozes, o justo clamor de se salvaguardar os direitos de se preservar o presente, garantindo o futuro das próximas gerações. O rio que foi enterrado ontem, que se enterra hoje e que se pretende continuar enterrando no futuro, para garantir um falso lucro de poucos, não pode persistir sob a proteção dessa nova lei de 2012. Como podemos beneficiar que não cumpriu a lei anterior e prejudicar quem cumpriu? Como podemos proteger nascentes com apenas 15m de florestas? Como podemos não proteger nascentes intermitentes, responsáveis pela existência da maioria dos cursos d’água do Nordeste? Como aceitar que o Agronegócio seja beneficiado da mesma forma que os pequenos proprietários rurais?

Os avanços trazidos em 2012 pelo Novo Código Florestal, no entanto, estão ameaçados por Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) ajuizadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pelo PSOL, que questionam no Supremo Tribunal Federal (STF) a validade de 58 dos 84 artigos da Lei 12.651/12. Em São Paulo, o Tribunal de Justiça (TJ-SP) suspendeu os efeitos da Lei Estadual 15.684/15, que trata do PRA, gerando enorme insegurança jurídica para milhares de produtores rurais impedidos de regularizar seus imóveis e apresentar as devidas ações de recuperação ambiental.

Saudemos assim o Tribunal de Justiça de São Paulo que demonstrou estar lutando para preservar os direitos dos cidadãos e a essência da Constituição Federal em vigor, que a nova lei ambiental deixou espaço para ser burlada. Que persista essa luta em todas as instâncias jurídicas cabíveis, para que definitivamente essa página de descaso ambiental seja virada, já que o benefício de uma conservação e recuperação bem feita é de todos e principalmente do Agronegócio, pelos serviços ambientais que são prestados.

Relator das ADIs no STF, o ministro Luiz Fux negou as liminares solicitadas pela PGR e realizou uma consulta pública, quando declarou que “a lei está valendo e tem sido aplicada, mas também tem havido muito descumprimento sob a invocação de sua inconstitucionalidade, ainda em grau inferior”. É chegado o momento de a Suprema Corte dar a palavra final, ratificando a vigência do Novo Código Florestal, e, assim, assegurar a ordem no campo.

Por fim, não há mais espaço no país para que o interesse de alguns suprimir ou restringir o direito de todos. É fundamental, portanto, que o ministro Fux e todo o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidam já pela inconstitucionalidade da maior parte dessa lei ambiental de 2012, tal qual apontam categoricamente as ADIs em análise, mas que consigamos cessar a imensa degradação diária do país. A única e verdadeira segurança da lei é o seu pleno cumprimento, e não a sua subversão favorecendo os poderosos do momento. O Editorial do Jornal O estado de São Paulo “A Ordem no Campo” é apenas mais uma tentativa de ludibriar a opinião pública, favorecendo seus financiadores.


 

 

ACADEMIA PERNAMBUCANA DE CIÊNCIAS - CONVITE PARA PALESTRA “CIÊNCIA VERSUS ESPIRITUALIDADE?”

Tendo o questionamento: “Ciência e Espiritualidade são caminhos antagônicos, complementares ou indivisíveis no entendimento da realidade?

Como fio condutor da apresentação o palestrante pretende subsidiar um debate sobre a temática “Ciência e Espiritualidade” que vem crescendo nos meios acadêmicos em todo mundo, inclusive com o estabelecimento de cursos, disciplinas (eletivas ou obrigatórias), tanto na graduação quanto na pós-graduação (lato e stricto sensu) e, até mesmo, sendo o foco de programas específicos em nível de mestrado. Para melhores entendimentos a Academia Pernambucana de Ciências (APC) tem a grata satisfação de convidar V.Sa. para a reunião-almoço do dia 18 de fevereiro (sábado) próximo das 9:30h às 11:45h no Círculo Militar do Recife situado na Av. Agamenon Magalhães Boa Vista, com estacionamento interno.

Palestrante: Acadêmico Professor AURÉLIO MOLINA DA COSTA
Médico (UFRJ 1979) - Professor Universitário                    
Membro das Academias de Medicina e Pernambucana de Ciências- Mestrado na (1983) e Doutorado (1989) ambos na University of Leeds, Inglaterra.

 


ANTES DAS DECISÕES SOBRE A MP 746 (SOBRE A REFORMA DO ENSINO MÉDIO)

Antonio Ibañez Ruiz e Luiz Roberto Alves * - 09.02.2017



Grupos de estudantes da educação pública de nível médio ocuparam escolas em vários estados e afirmaram as objeções à MP 746, seja ao seu conteúdo, seja à sua forma legislativa de apresentação. Por via de regra, não foram ouvidos e sentidos. No entanto, seu potencial de consciência da própria educação é crescente e não se resolve por esquálida peça de propaganda de sala de aula. O incômodo é partilhado por pais, pesquisadores, educadores e demais pessoas sensíveis à área.

Enquanto isso, a MP avança no parlamento, com ares messiânicos e utilitaristas. Os itens que se seguem buscam contribuir para a superação de novos conflitos, restabelecer valores da história recente da educação brasileira e fazer jus aos direitos educacionais das ricas gerações de adolescentes em processo de formação, bem como dos adultos que retomam estudos nesse nível.

A MP é desnecessária por, pelo menos, dois motivos. Primeiramente, porque o sujeito-estudante não foi efetivamente ouvido. Investigações científicas sob enfoque qualitativo e enquetes disponíveis remetem ao fato indispensável de que essa voz pode definir novas referências para modos de organização e percursos formativos desse nível educacional. Em segundo lugar, em razão de ser a MP bastante inferior à riqueza das Diretrizes Nacionais Gerais para a Educação de Nível Médio, atualizada pelo Conselho Nacional de Educação e homologada em 2011. Ao lado delas, há ainda todo o corpo de normas que entrelaça os percursos de ensino médio e ensino profissional e evita equívocos sobre a importância dos componentes curriculares, quer da Base Nacional, quer da Parte Diversificada.

Uma política de fomento teria de considerar o que pensam os estudantes em sua diversidade sociocultural e regional; ato contínuo, avaliar as experiências de comunidades de trabalho e sistemas denominados Ensino Médio Inovador e Pacto pela Melhoria do Ensino Médio, mais o corpo de normas e diretrizes construído após o advento da Lei 9394/1996. Esse conjunto de conhecimentos levaria a superar em muito disposições da MP, especialmente os riscos de diversos sistemas educacionais, sob contingências econômico-financeiras, negarem percursos e componentes curriculares em face dos direitos, da qualidade e das exigências dos estudantes e da sociedade, como narrou a Conferência Nacional de Educação 2014 (Conae).

Os milhões do governo federal não são suficientes para a indução educativa da Federação. Ademais, a construção de um projeto de vida e o alcance de autonomia pelos estudantes sugerem que tais atos se realizem não somente por escolhas do que é ofertado, mas com a participação em todo o processo de organização e vivência afetiva do conhecimento. Nessa prática, tanto serão diminuídos os erros de escolha quanto se iniciará na educação de nível médio um senso de carreira, não de candidatura a uma vaga.

É da natureza do CNE ouvir e dialogar intensa e extensamente com organizações e instituições da sociedade. A oitiva e o diálogo devem aumentar. Um documento legal não deve, pois, criar condicionamento de oitiva a duas instituições, embora respeitadas, como Undime e Consed. Oitiva legalizada cria privilégio de poder.

Por que forçar um fomento salvacionista na direção da desejada e indispensável educação integral se a combinação de várias metas e estratégias do Plano Nacional de Educação (2014) já a concretiza com valor maior? Quem tem medo de realizar um plano que foi resultado de tantos debates e esforços? Ora, o CNE criou, o MEC homologou e em seguida publicou, dentro dos prazos do PNE, Política Nacional de Formação Inicial e Continuada de Professores, divisor de águas entre sucesso e fracasso de qualquer política educacional para esse e outros níveis. A ideia de currículo e de formação do magistério, na MP, é esquelética, considerado o que já se avançou nessas interfaces.

A leitura do mundo documental em educação pós-1988 e da vida brasileira orienta e ensina sobre o sentido de educar — e amar — as gerações em processo formativo. Essa MP termina como algo aquém do PNE, aquém das diretrizes e aquém dos desejos e necessidades dos também sujeitos da educação, os estudantes.

*Antonio Ibañez Ruiz e Luiz Roberto Alves, educadores, foram membros do Conselho Nacional de Educação (CNE)

 

 


 

DENTRE 20 PAÍSES, JOVENS BRASILEIROS SÃO OS MAIS DESMOTIVADOS

Gabriela Varella - Revista Época - 17/02/2017


Uma pesquisa sobre a Geração Z, conhecida como a população nascida em meados dos anos 1990, mostra que a maior parte dos jovens são pessimistas quanto ao futuro. Os brasileiros foram os que mais apresentaram sentimentos de desmotivação. O estudo “Geração Z: Pesquisa da Cidadania Global” entrevistou 20.088 jovens de 20 países, com idades entre 15 e 21 anos, e mapeou as prioridades profissionais, valores pessoais e de cidadania desse grupo. O estudo foi conduzido pela Fundação Varkey, organização que apoia a capacitação de educadores, criadora do prêmio Global Teacher Prize, uma espécie de Nobel dos professores.

O ranking de bem-estar dos jovens foi medido pela escala Warwick-Edimburgo de Bem-Estar Mental, desenvolvida pela Universidade de Warwick em parceria com a Universidade de Edimburgo, à serviço do departamento de saúde pública de Edimburgo, na Escócia — o NHS Health Scotland. O teste consiste em cada indivíduo atribuir notas de 1 a 5 em cada resposta sobre experiências pessoais. Quanto mais alta a avaliação, maior o nível de bem-estar. O Brasil teve o pior desempenho entre os 20 países. Apenas 16% dos jovens afirmam se sentir emocionalmente bem e menos da metade dos brasileiros — 46% — acreditam que o país é um bom lugar para se viver. Na pesquisa, o sentimento que definia a satisfação era o de não pensar demais nos próprios problemas, a ausência de ansiedade, não sentir-se intimidado, nem rejeitado ou solitário. Os melhores índices de bem-estar foram os de jovens da Indonésia, com 40% de afirmações positivas, e de Israel, com 38%.

Os homens são mais propensos a se declararem felizes do que as mulheres. O mesmo ocorre com os jovens de países emergentes. Eles sentem-se mais felizes do que os jovens de países desenvolvidos. Os maiores temores dessa geração são motivados pelo terrorismo: oito em cada dez têm medo do extremismo e 81% temem a guerra. Dentre as outras preocupações, foram citadas a desigualdade social (69%), alterações climáticas (66%), pandemias (62%) e o ritmo acelerado das mudanças tecnológicas (30%). Por outro lado, existe um predomínio de confiança na tecnologia, vista por 84% dos entrevistados como uma perspectiva de esperança para o futuro.

Qual a opinião dos jovens sobre imigração?

Há receptividade de boa parte dos jovens em todo o mundo em relação ao acolhimento a imigrantes: 43% afirmam que o governo não está fazendo o suficiente para enfrentar a crise dos refugiados. Em 14 países, a juventude é favorável a facilitar o emprego dos imigrantes em seu país. De acordo com a pesquisa, a Índia liderou o ranking de apoio aos exilados. Por lá, 47% têm uma visão positiva sobre o auxílio aos refugiados. Uma exceção é a Turquia — que já recebeu mais de 3 milhões de refugiados — onde 49% dos jovens afirmam que o governo fez mais do que devia ao receber os exilados do país vizinho. Assim como os indianos, a China e o Brasil demonstram uma atitude positiva na acolhida de refugiados. Para 45% dos brasileiros o país deveria oferecer caminhos mais fáceis para os imigrantes viverem e trabalharem no país.

Em todos os países que participaram da pesquisa, os jovens são favoráveis à maior tolerância e ao fim do preconceito racial, religioso e de gênero. Dentre os entrevistados, 89% se mostraram favoráveis à igualdade entre homens e mulheres; 74% apoiam a política de direitos a transexuais; 66% aprovam o aborto seguro às mulheres e 63% querem a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. “Os jovens creem apaixonadamente no direito de cada um ter a vida que escolher, livre de qualquer tipo de preconceito”, afirma Vikas Pota, executivo-chefe da Fundação Varkey.

Religião

A fé e o compromisso com a religião foi um dos tópicos mais populares entre os motivos que trazem felicidade aos jovens na África e nas Américas. Oito em cada dez africanos (77%) enxergam a fé como algo relevante em suas vidas. No entanto, quase 39% dos jovens dos demais países dizem que a religião não tem nenhum significado em sua vida pessoal. A religião foi especialmente impopular para os europeus na pesquisa. Considerando jovens de todas as nacionalidades presentes na pesquisa, 64% demonstram ser tolerantes e respeitar a decisão de amigos seguirem outras religiões. Nesse ponto, a exceção foi a Nigéria. Por lá, 43% acreditam que a religião é determinante para decidir se convém ter ou não amizade com alguém.

Carreira

A Geração Z tem um mal em comum: pouco tempo para dormir, descansar, praticar exercícios e outras atividades pessoais. Nesse ponto, somente 17% se dizem satisfeitos. O grau mais elevado de bem-estar quanto a necessidades pessoais é na Nigéria — ainda assim, menos da metade (41%) dos jovens deram respostas positivas. Israel apresentou o pior resultado nesse quesito. Apenas 8% dos jovens israelenses se mostraram satisfeitos com o tempo que têm para cuidar da vida pessoal.

O dinheiro é motivo de preocupação e ansiedade para metade dos jovens que responderam à pesquisa. A educação é a maior preocupação para 46% deles. Os maiores índices de apreensão são na Coreia do Sul e no Canadá, que estão entre os melhores países nos rankings de matemática e leitura do PISA (Programa de Avaliação Internacional de Estudantes), avaliação trienal feita pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

 

 


 

A UNIÃO EUROPEIA PÓS-BREXIT E PÓS-GLOBALIZAÇÃO

Marcos Formiga, Revista Nordeste


A incapacidade de concordar com fatos básicos é o resultado direto de uma agressão sem fronteiras contra as instituições democráticas. Foi isso que vimos nos EUA, no Reino Unido e em todo mundo. E é esse o grande problema para as democracias
Francis Fukuyama, Dez. 2016.

I. O Sonho Comum. A União Européia- UE, composta por 28 países,resultou da evolução política de recuperação da II Grande Guerra (1939 a 1945). Foi a resposta,não programada, ao acirramento da Guerra Fria (1947 – 1991) abastecida pelos Estado Unidos (EUA) e a então União Soviética(URSS). Também, para neutralizar os efeitos maléficos do desvario de uma corrida armamentista, da ameaça da Guerra Nuclear e da expansão desenfreada do imperialismo hegemônico, tanto da esquerda, quanto da direita. A Europa buscou, na integração econômica regional de países majoritariamente de porte médio (território, população e renda), uma alternativa viável para o crescimento e bem-estar social, medidos em padrões de qualidade de vida.

O “sonho comum”, iniciado na década de 1950, tem origens na Comunidade Européia do Carvão e do Aço – CECA e na Comunidade Européia de Energia Atômica – CEEA/Euratom. Prosseguiu, ao viabilizar a unificação comercial e alfandegária com a Comunidade Econômica Européia (1957), inicialmente, formada apenas por seis países: Alemanha, Bélgica, França, Itália, Luxemburgo e Países Baixos. Sob o Tratado de Roma (1957), estas organizações evoluem, paulatinamente, para uma união política que pelo Tratado de Maastricht (1993) passa a se chamar “União Européia” compreendendo a livre circulação de bens, pessoas e a unificação monetária (EURO). O Acordo de Schengen, via Tratado de Amsterdam (1997), consolida definitivamente esse arranjo. Por último, o Tratado de Lisboa (2007), reforma o funcionamento da União Européia.

Especialistas internacionais em integração regional consideram a experiência européia a melhor referência de integração entre nações, comparando-a à boa prática na Região Nordeste do Brasil levada a cabo pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste– SUDENE, criada e implementada,entre 1959 e 1964, pelo economista Celso Furtado, quando trabalhou em três governos democráticos: Juscelino Kubitschek (1956 a 1961), Jânio Quadros (1961) e João Goulart (1961 a 1964). A SUDENE tornou-se um case mundial de desenvolvimento regional. Por mérito, na Redemocratização em 1985, Furtado foi designado Embaixador Brasileiro junto à Comunidade Econômica Européia – CEE, em Bruxelas.

Em um contexto institucional evolutivo, a Revolução Tecnológica e os saltos frequentes na mudança dos paradigmas de produção e consumo formam os ingredientes capazes de viabilizar e robustecer a tendência da globalização econômica. A distensão política à época no palco real dos grandes atores europeus: Mikhail Gorbachev (URSS - 1985 a 1991), Margaret Thatcher (UK - 1979 a 1990), François Mitterrand (França - 1981 a 1995), Helmut Kohl (Alemanha - 1982 a 1998), Felipe González (Espanha – 1982 a 1996), Mario Soares (Portugal - 1976 a 1996)junto à liderança religiosa do Papa João Paulo II (1978 a 2005), colaborou, em primeiro lugar, para a queda do Muro de Berlim (1989). Em segundo, para a dissolução da União Soviética (1991), pavimentando, assim, o caminho da aceleração da globalização revelando novos atores à cena mundial como a China e outros emergentes: Brasil, Rússia, Índia e África do Sul – BRICS. Com a ruína da Ex União Soviética e vitória da Guerra Fria, os Estados Unidos atingiam,no mandato do ex-presidente Bill Clinton (1993 a 2001), o apogeu de potência econômica, quando emerge o policentrismo e parece prevalecera bonança do desenvolvimento global. A UE experimenta, então, um período crescente de moderada expansão econômica, regada pelo comércio internacional. Entretanto, chega 2008, com uma nova crise econômica mundial pondo em xeque o sonho, que não acabou, porém, desafiando as benesses (desiguais) da globalização econômica, das migrações humanas, e da integração regional da Europa.

II. O Novo Quadro Socioeconômico Europeu. De 1980 até a primeira década do novo século os países da EU registraram crescimento econômico generalizado (Bônus da Globalização) e alguns ônus ocasionais. De repente, com a crise, prevalecem os ônus. Nesta transição, a maioria européia continua a demandar paz, prosperidade e qualidade de vida para a população (“o sonho comum”), todavia, passa a conviver com perturbação política, instabilidade econômica e social, migrações descontroladas e desigualdade intrarregional.

Em realidade, os maiores bônus da globalização ocorreram nas regiões metropolitanas de países que já apresentavam melhor crescimento (Alemanha, Reino Unido e França). Quando o sul do Continente, parte geograficamente majoritária e menos desenvolvida, afogou-se em persistente crise fiscal (Crise da Zona do Euro), três países da franja mediterrânea são chamados pejorativamente de “Piigs” (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha).O fato tornou,a alguns,difícil ou impossível pagar ou refinanciara dívida pública sem a ajuda de terceiros (Grécia), enquanto países líderes europeus relutavam em fazê-lo. Em consequência, a UE sacrifica seu ideário de maior equidade e coesão social passando a agir segundo a prática tradicional (“status quo”) do flanco financeiro-bancário.

Sem maiores análises da etiologia da crise, as potências prescrevem o receituário neoliberal da austeridade fiscal. De repente, a esperança desenhada pelos ideólogos do Tratado de Roma (1957) e do Acordo de Luxemburgo (1965)se rende à desesperançada pouco criativa “troika” (Comissão Européia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu). Em vez de aprofundar a compreensão das múltiplas causas reais da crise do Euro e propor soluções que mitigassem desigualdades, preferiu inspirar-se no famigerado e fracassado “Consenso de Washington” – modelo desacreditado há mais de duas décadas – imposto com poucas variações.

Desde então, prevalece por uma década, um panorama de desempenho econômico pífio, alto desemprego (especialmente entre jovens) e quase recessão, em alguns
países. No flanco social,testemunha da longevidade da crise, o Continente Europeu assiste atônito o crescimento descontrolado da imigração ilegal e aumento de refugiados, agravados pelos contínuos naufrágios de barcos improvisados na travessia de levas em fuga da guerra, perseguições étnicas e religiosas,falta de perspectiva de futuro: Síria, Afeganistão, Kosovo, Albânia, Paquistão, Nigéria, Irã, Iraque, Ucrânia, Líbia, Estado Islâmico –ISIS), e da fome endêmica (Etiópia, Sudão e parte do Norte da África).Diante deste quadro aterrado, a Europa e o mundo se renderam à “banalidade do mal” e observam passivamente, a morte de milhares, com estranha e injustificável desumanidade. O Papa Francisco tem sido a voz destacada, quase única, a “Clamar no Deserto” da indiferença. Os países europeus assediados pelos imigrantes ilegais e refugiados esquecem que parte substancial de seu desenvolvimento se deveu à exploração secular,de onde retiraram ou saquearam de tudo, das ricas colônias africanas e do Oriente Médio: riquezas minerais, vegetais, biológicas, alimentos tropicais e tesouros históricos e arqueológicos. Hoje, negam o essencial: abrigo e alimento.

Em meio à grave turbulência, registram-se, em escala assustadoramente crescente, atentados terroristas. Difícil estabelecer, com precisão, relações de causa e efeito entre tais fenômenos (crises fiscais e financeiras, trabalho, migrações ilegais, terrorismo). Paira um clima de insegurança agravado pelos atentados nas capitais: Madrid (2004), Londres (2005), Paris (2015/2016),Bruxelas (2015/2016) e Berlim (Natal de 2016). O Subcontinente europeu considerado o mais seguro no Pós-Guerra, agora,respira insegurança e incerteza.

III. Atual Cenário Político Europeu. Devido à manutenção da crise econômica na região do Euro e a instabilidade generalizada, a explosiva combinação de imigração descontrolada e ilegal com terrorismo atingiu em cheio o sistema de democracia representativa. No cenário político constata-se, atualmente, uma escassez de lideranças moderadas, pródigas na década de 1980. O regionalismo construtivista vigente nas primeiras décadas da Comunidade Econômica Européia – CEE, e alicerce dos fundamentos da UE,cede espaço, cada vez mais amplo, a movimentos, ora nativistas e nacionalistas, ora xenófobos e racistas. Exemplificando,o primeiro foi a Yugoslavia, verdadeiro mosaico étnico dos Balcãs, que após o desaparecimento do Marechal Tito, protagoniza violentos episódios como o massacre de Srebrenica. Ao mesmo tempo, fracionam-sevários países menores(Servia e Herzegovina, Croácia, Kosovo, Montenegro e Macedônia), bem como a então Checoslováquia em República Tcheca e Eslovênia. A tendência separatista prossegue, mesmo ainda não realizada: Escócia do Reino Unido e Região da Catalunha da Espanha. Fora da Zona do Euro, sobressaem a tentativa de separação da Chechênia, e a invasão real da Rússia sobre a Crimeia– legalmente pertencente a Ucrânia. O registro de tais acontecimentos explica, em parte, o que ora ocorre, e pode, hipoteticamente, acontecer na Europa do Euro.

O chamado Brexit (saída do Reino Unido da União Européia) é uma parte importante da irracionalidade política que domina o cenário mundial, agravada pela recente eleição do presidente americano Donald Trump. Neste caso, o poder da mídia é parte da equação que leva  ao poder um milionário animador de programa televisivo, na contramão da lógica e contrariando seus próprios correligionários do Partido Republicano, a partir de um apelo populista e autoritário em discursos vazios, de bravatas e insultos ilimitados. Ademais, o apoio legal,mas eivado de injustiça, do sistema eleitoral indireto onde o vencedor em cada Estado recebe todos votos daquele colégio eleitoral, levou à derrota no espaço de dezesseis anos deste século, dois candidatos do Partido Democrata (Al Gore - 2000 e Hillary Clinton - 2016), majoritários no voto popular.Aí está mais uma evidência da crise atual da democracia representativa que atravessa fronteiras transcontinentais.

O Reino Unido, em especial a Inglaterra, sempre viu a União Européia com certa desconfiança. Tardou em efetivar a adesão, porém, sem o Euro como moeda única. Paradoxalmente, depois da Alemanha que graças à União Européia consagrou-se líder do Subcontinente, o Reino Unido logrou os melhores benefícios. Londres, com sua vocação histórica de cidade global, aberta à difusão e prática de ideias e conceitos inovadores, consolidou-se como maior centro financeiro da Europa. Escócia e Irlanda do Norte, parte do Reino Unido, por meio de seus eleitores e Parlamentos, reagem e tentam permanecer na União Européia, a despeito da saída do Estado líder,a Inglaterra. A explicação é que embora consideradas regiões periféricas do Reino Unido, contrariando outros países, se beneficiando da integração econômica.

Depois de Tony Blair (1997 a 2007) o Reino Unido atravessa uma crise de liderança que atingiu os dois maiores partidos oponentes: Conservador e Trabalhista. Esta crise fez surgir, em nossa opinião, uma maior abertura política, independente do que representa, pois a diversidade parece ser um aperfeiçoamento democrático britânico que permitiu surgirem: os Partidos Liberal (não tão novo, mas capaz de viabilizar um governo de coalizão com o vice primeiro ministro no primeiro mandato de David Cameron(2010 a 2016), e de Independência do Reino Unido – UKIP, assumidamente eurocético, cujo líder Nigel Farage participou ativamente no decisivo levante dos brios da população interiorana e eleitores idosos que levou ao resultado do plebiscito em junho de 2016 (Pro saída da União Européia). Contrariamente, a maioria dos eleitores de Londres e das grandes cidades inglesas, preferiu a permanência.

Estávamos na Inglaterra imediatamente após a consulta, e em conversas com nativos, predominantemente londrinos, constamos a grande perplexidade e preocupação.Concluo que a saída da UE parece uma declaração explícita de nacionalismo exacerbado, racismo e xenofobia. Segundo os jovens, o Reino Unido vai perder com a saída.O futuro dirá.

Notei ainda entre os ingleses, de forma subreptícia, um certo temor, não declarado, de serem liderados pela Alemanha. Sobre esta aparente causa não assumida, basta a História para comprovar. A rivalidade, quase sempre bélica, persiste sob a forma moderna de permanente desconfiança mútua. Se a não adesão ao Euro representou um aspecto positivo para a economia inglesa, nesta fase inicial da saída, já há reflexos na depreciação da Libra. Os ingleses, eméritos comerciantes, ao se afastarem politicamente da UE tentam preservar sua fatia no mercado a qual enquanto integrantes do bloco, cresceu em exportações para o Continente. Dispondo apenas de prospectivas frágeis ou reversão de expectativas, características comuns em nossos dias, ainda não se pode antecipar, de fato, o que virá, tanto na Europa do Euro, quanto nas Ilhas Britânicas. Vivemos em permanente estado de surpresa e perplexidade, intransigência e intolerância.

Tanto no Brexit quanto na eleição de Trump nos EUA, se houvesse “uma cláusula de arrependimento”, enquetes apontam que tais decisões, seriam revistas devido ao clima de intempestividade e pouca reflexão sobre as consequências. No entanto, não se pode apagar a História, mesmo recente. Ambos, britânicos e americanos, terão de arcar com as consequências reais de opções típicas da “cultura do esquecimento da pós modernidade liquida”.

Adicionalmente, não podemos esquecer que Grécia, Itália e Espanha, são também exemplos de sistemas de representação em crise. A falta de uma Reforma Política que aperfeiçoe a Democracia não é falha exclusiva do Brasil. Aqui e alhures, os donos do poderá evitam com a defesa intransigente do “status quo”.

IV. A Europa do Euro no Curto Prazo. O panorama de descrença construído nos últimos anos, parece, irá vigorar por mais tempo. Mudanças acontecem, mas não na velocidade almejada pelos descontentes. As próximas eleições em pauta podem funcionar como observatório.

A Europa do Euro passará por dois testes eleitorais neste ano. As duas maiores economias, Alemanha e França, elegerão novos governos. Na Alemanha, a tendência, embora não seja uma afirmativa, aponta que a Primeira Ministra Angela Merkel e seu Governo de coalizão Democracia Cristã e Social-Democracia tem chance efetiva de reeleição para um terceiro mandato, replicando o governo de H. Koll, responsável pela bem-sucedida reunificação das duas Alemanhas. Tal coligação foi derrotada em eleições regionais recentes, ao crescerem críticas à Sra. Merkel pela aparente flexibilidade da política de imigração.Além disso, a coligação terá de enfrentar o fortalecimento político dos “verdes” e sua maior conscientização sobre ameaças reais das mudanças climáticas, e uma população com exigências crescentes sobre sustentabilidade.

No momento a Alemanha vive a idade de ouro da supremacia econômica européia, e alguns afirmam que com a saída de cena do Presidente Barack Obama (USA 2009 a 2017) restará, incontestavelmente, Angela Merkel como única liderança política mundial. Os demais chefes atuais de governo formam uma plêiade de líderes de segundo escalão, sem forte reconhecimento às suas competências pessoais, nem à capacidade assertiva de projeção de poder e liderança em um mundo de relativa paz global, mas, de desassossego interno na maioria das nações.

Na França a análise é mais complexa. O pífio desempenho do governo socialista de François Hollande (maio 2012,a maio de 2017) aumentou o reconhecimento a François Mitterrand último grande estadista no país. A popularidade tão baixa de Hollande o fez antecipar a desistência em concorrer a um novo mandato, fato inédito na França das últimas seis décadas. As opções no horizonte não são animadoras: Conservadores gaullistas virão com François Fillon, devido as primárias do partido refutarem o retorno de Nicolas Sarkozy (2007 a 2012), outro governo mal avaliado. O partido Socialista, aparentemente, não dispõe de nome de peso para suceder Hollande, e dificilmente, o fará. Manuel Valls, ex-primeiro Ministro de Hollande, lidera as intenções de voto nas primárias que escolherão o candidato socialista até o final de janeiro de 2017.

Assusta ao mundo, aparentemente mais do que à França, a hipótese da eleição de Marine Le Pen líder direitista da Frente Nacional, pois vivemos época de extremos, além do clima. Para tal candidata fluem eleitores frustrados com os três últimos presidentes (Jacques Chirac - 1995 a 2007, Sarkozy e Hollande), em ambiente de crescente xenofobia e preconceito racial, agravado pela não obrigatoriedade do voto e absenteísmo eleitoral em alta. Ponderadamente, a França tem características próprias e um sistema eleitoral que costuma produzir um segundo turno, que funciona como uma espécie de revisão, ou “cláusula de arrependimento” não existentes no sistema eleitoral americano, nem na consulta britânica.

O politizado e fortemente ideologizado processo eleitoral francês poderá levara Sra. Le Pen a uma vitória no primeiro turno, mas, espera-se, o segundo repita o feito dos socialistas na eleição de 1995 entre Jacques Chirac v.s Jean-Marie Le Pen (Pai de Marine) quando seus eleitores preferiram “tapar o nariz” – votando em Chirac para evitar o que julgavam um mal maior. A trilogia francesa que inspira o mundo: Liberdade, Fraternidade e Igualdade exibida em vermelho, azul e branco na bandeira nacional, mais uma vez, ressurge como farol a iluminar uma redefinição ao melhor caminho para o Continente Europeu.

V. Europa: Pós-Globalização ou Desglobalização?Em um mundo em processo permanente de transformação algumas lideranças defendem a existência de um início de Desglobalização, entendida como processo de diminuição da interdependência e integração entre certas unidades nacionais ao redor do mundo, tipicamente Estados-nação. Julgamos que isto dificilmente acontecerá: o que assoma no horizonte, de fato, é uma reformulação da Globalização, como prova da necessária revitalização de sua dinâmica. Mudanças na condução da globalização serão benéficas ao seu aperfeiçoamento, em especial, com relação aos países de pequeno porte, até agora menos beneficiados no processo.

Globalização, como a Internet, são irreversíveis. É impossível pensar o Planeta sem a rede mundial que alimenta vida e economia digitais, e vice e versa. O mundo espera que a Pós-Globalização compartilhe seu foco excessivo em ganhos econômicos expandindo-o às arenas sociais e corrigindo desigualdades históricas e seculares. Esse cenário configura uma tentativa desejável de aproximar a agenda do Fórum Econômico Mundial de Davos Suíça,com a do Fórum Social Mundial, debutado em Porto Alegre, em janeiro de 2001, com o slogan “um outro mundo é possível”.

O mundo e a Europa atravessam momento difícil. Em tempos de soluções autoritárias e retrocessos na democracia, afirma o presidente Obama “a democracia não funciona sem oportunidades a todos”. No entanto, avaliamos que a Europa não irá se afastar do caminho de unificação. Após protagonizar duas grandes guerras no último século, como nenhum outro continente, aprendeu inexistir opção à vista salvo lutar pela permanência da integração. Será possível administrar ameaças reais de afastamento (Brexit)e ações de Desglobalização. Um grande obstáculo, todavia, será sublimar a tentação de uma liderança hegemônica (Alemanha) incompatível em uma organização política e social de aproximação de povos, culturas e negócios.

Para a UE fluir em tempo de Pós-Globalização terá de aperfeiçoar e inovar seu ultrapassado modelo de gestão, modernizando, flexibilizando, agilizando e simplificando processos decisórios. Diante da crise, clama por um choque de gestão inovadora disruptiva. Para lograr êxito, terá que se libertar do excesso de burocracia que caracteriza organismos multilaterais. Suas instituições precisam dispensar, no mínimo atenuar, a influência perniciosa da família ONU sediada em New York, e, principalmente, daquelas localizadas na própria Europa.UNESCO em Paris, FAO em Roma, OIT e OMC em Genebra, são exemplos de estruturas institucionais a evitar.

Sem saudosismo, tais elucubrações são frutos de observação continuada da evolução política desses países, além de consultas, conversas com pessoas que igualmente pensam e se preocupam com o futuro político muito além de suas próprias fronteiras. Neste cenário somos espécies de “eleitores mundiais”.

Já não nos contentamos em participar da escolha de nossos próprios dirigentes. Queremos saber e temos o dever de emitir opinião sobre políticas e lideranças que alteram o rumo das nações e continentes. E se não podemos, ainda, votar em mais de um país, ao que tudo indica, o mundo do futuro caminhará nesta direção. Enquanto não chegamos lá, torceremos pelo destino da Europa e melhores escolhas de seus dirigentes.
O projeto europeu, ao longo de mais de seis décadas de contínua associação de novas nações, tem muito a persistir, ainda no âmbito restrito da Europa Ocidental, com a almejada inclusão da Noruega e Suíça. A consolidação em processo, confere um desafio maior e crescente, qual seja, expandir um enorme potencial de abrangência enquanto vislumbra uma união que avança em direção aos países do Leste Europeu.

A evolução contínua da ideia original do estadista francês Robert Schuman (1886-1963), grande negociador dos grandes tratados do final da Segunda Guerra Mundial condecorado pelo Parlamento Europeu, do qual foi o primeiro Presidente, com o título de “Pai da Europa”, agora,cresce em importância. Trata-se do desafio permanente, ao longo do Século XXI, para construção de uma verdadeira Grande Europa (Europa Ocidental unificada ao Leste Europeu),

A Globalização, até agora, foi forte aliada ao êxito relativo da UE. A Pós-Globalização, em vez de ameaça, poderá se tornar esteio para a consolidação da Grande Europa.
Brasília, janeiro de 2017

* Marcos Formiga, Professor do Centro de Estudos do Futuro da UnB

 

 


CIENTISTAS GASTAM MAIS DE 30% DO TEMPO DE ESTUDO COM BUROCRACIA DOS PROJETOS

Paula ferreira – O Globo - 13/02/2017


Muitos relatórios para preencher e trâmites demorados para mudar a destinação de recursos financeiros estão entre as queixas de cientistas que desenvolvem trabalhos de pesquisa no Brasil. Um levantamento feito pelo Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e Institutos de Pesquisa (Confies) revela que os cientistas gastam, em média, mais de 30% do tempo de estudo com a gestão dos projetos. Na maioria das vezes, a burocracia ocasiona demora na aquisição de insumos e gera perdas reais nos resultados da pesquisa.

— O Brasil tem uma qualidade muito boa de pesquisa, mas não consegue transformar esse conhecimento em bens e serviços. O problema do país não é só falta de recursos, é a agilidade para fazer a relação entre universidade, governo e empresas para gerir esses recursos — critica Fernando Peregrino, diretor de Orçamento e Controle da COPPE/UFRJ e presidente do Confies. — Se conseguirmos fazer isso, vamos nos tornar uma potência. Temos vários projetos prejudicados pela burocracia, porque o fluxo de recursos é lento.

Dos 301 cientistas que responderam à pesquisa, 69% afirmaram que o grau de burocracia aumentou nos últimos anos. Quando perguntados sobre a quantidade de formulários que precisam preencher para solicitar apoio ao projeto, 63% disseram que o número é maior que antes. Considerando a amostra do levantamento, 64% dos projetos têm financiamento público.

O pesquisador Oscar Rosa Mattos coordena o Laboratório de Ensaios Não Destrutivos, Corrosão e Soldagem (LNDC) da UFRJ e conta que , de fato, a burocracia é um grande obstáculo ao desenvolvimento de pesquisa de ponta. Entre as questões citadas por Oscar estão a dificuldade de mudar uma verba destinada a pessoal para custeio ou de comprar um insumo que não esteja previsto inicialmente. Processos aparentemente simples exigem solicitações demoradas e não seguem a rapidez exigida pela pesquisa.

— Se quisermos montar um equipamento e durante o processo chegarmos à conclusão de que para montá-lo precisaremos não de dez mas de cinco parafusos, mas além disso, precisarmos comprar mais dois voltímetros, não podemos. Temos que pedir para todo mundo— explica Mattos. — A burocracia exige a previsão de tudo o que vai acontecer durante a pesquisa. Isso não existe.

DECRETO DE REGULAMENTAÇÃO

Embora em 2015 tenha sido aprovada a emenda constitucional 85, que torna inovação uma área prioritária para o Estado, e flexibiliza o remanejamento de recursos, na prática, os pesquisadores defendem que é necessária uma regulamentação mais detalhada. Diante disso, oito entidades ligadas à pesquisa científica, entre elas a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) formaram um grupo de trabalho e realizaram reuniões com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) para formular um decreto de regulamentação da atividade de pesquisa. A proposta foi encaminhada ao governo na última quarta-feira e tem a intenção de reduzir a burocracia no financiamento e na gestão dos projetos.

Entre as sugestões, os pesquisadores propõem que as importações de insumos e instrumentos necessários à pesquisa tenham “tratamento prioritário e simplificado” na alfândega e que esses materiais sejam liberados em, no máximo, 48 horas. Eles pedem ainda que a transposição de recursos de uma categoria de gasto para outra possa ser feita sem autorização prévia, a qualquer momento, sendo necessária justificativa apenas na prestação de contas.

— Do jeito que está, é impossível usar a verba para pesquisa de maneira racional. Criou-se uma burocracia infernal e acabamos usando o recurso de uma maneira muito aquém do que poderíamos — diz Mattos.

 


COMUNIDADE CIENTÍFICA ALERTA PARA MORTANDADE DE MACACOS POR CAUSA DA FEBRE AMARELA\

Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio e EcoDebate, 17/02/2017


Bugio – Alouatta seniculus / Imagem: Luciano Malanski – ICMBio


 
Em nota, especialistas de instituições de pesquisa e conservação sobre primatas disponibilizam informações sobre o ciclo da doença e pedem à mídia – jornais, rádios, TVs e sites de notícias – que ajude na divulgação correta dos dados.

Representantes da comunidade científica brasileira, ligados à área da conservação dos primatas, expediram na quarta-feira (15) nota à imprensa alertando para um desastre ambiental “gravíssimo” que ocorre neste momento: a mortandade sem precedentes na história do país de macacos da Mata Atlântica em função do vírus da febre amarela.

Na nota, os especialistas mostram-se preocupados, não só com a dimensão das mortes de animais, mas, também, com a disseminação de “informações equivocadas”, que dão a entender que os macacos são responsáveis pela “existência do vírus” e “por sua transmissão aos humanos”.

Isso não procede, fazem questão de destacar os estudiosos, que pedem na nota o apoio da imprensa nacional (jornais, rádios, TVs e sites na internet) para a divulgação das informações corretas.

Segundo eles, os macacos, assim como os humanos, não transmitem o vírus. Pelo contrário, são vítimas da doença. Ao serem contaminados, os primatas cumprem a função de “sentinela”, ou seja, alertam para o surgimento da doença. Por isso, em vez de molestados, devem ser preservados.

As “informações equivocadas”, ressaltam os pesquisadores, já estão levando pessoas, principalmente nas áreas rurais onde ocorre o surto, a maltratarem ou, até, matarem macacos para, supostamente, se proteger da febre amarela, como ocorreu entre 2008 e 2009 no Rio Grande do Sul. “Isso não pode se repetir”, diz a nota.

O documento é subscrito por primatólogos, zoólogos, ecólogos, veterinários, epidemiologistas e gestores públicos, membros de conceituadas universidades, sociedades científicas, centros de pesquisa e instituições voltadas para a conservação dos primatas.

SERVIÇO:
Para obter mais informações, seguem contatos dos subscritores da nota.

Dr. Carlos R. Ruiz-Miranda
Universidade Estadual Norte Fluminense

Dr. Danilo Simonini Teixeira
Presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia

Dr. Júlio César Bicca-Marques
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

Dr. Leandro Jerusalinsky
Coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Ministério do Meio Ambiente

M. Sc. Luis Paulo Ferraz
Secretário Executivo da Associação Mico Leão Dourado

M. Sc. Marco Antônio Barreto de Almeida
Centro Estadual de Vigilância em Saúde, Secretaria Estadual da Saúde, Rio Grande do Sul

Dr. Sergio Lucena Mendes
Universidade Federal do Espírito Santo

 

 


FLORESTAS PLANTADAS: QUALIDADE DO PRODUTO BRASILEIRO É AVAL PARA EXPORTAR

CI Floretas – 07.02.2017


Com a queda do consumo no mercado doméstico, as empresas deste segmento têm conquistado o mercado externo, que vem sendo influenciado, principalmente, pela qualidade do produto brasileiro. As florestas plantadas respondem por 91% da madeira produzida para fins industriais, no país.

Floresta de eucalipto em Alagoas (foto) mostra que o Brasil está investindo nas florestas comerciais produtivas


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O setor de florestas plantadas está entre poucos que tiveram condições para atravessar, com certo equilíbrio, o período desfavorável da economia brasileira. Com a queda do consumo no mercado doméstico, as empresas deste segmento têm conquistado o mercado externo, que vem sendo influenciado, principalmente, pela qualidade do produto nacional, como é o caso da celulose, reconhecida por sua excelência.

A análise é da presidente-executiva da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Elizabeth Carvalhaes: "O ano de 2016 foi muito difícil para nosso setor, principalmente devido à retração do mercado doméstico. A falta de comprador e de clientes no cenário interno fez com que as empresas buscassem espaço em outros países, expandindo as suas fronteiras".

De janeiro a novembro de 2016, os volumes exportados de celulose, painéis de madeira e papel apresentaram evolução na comparação com o mesmo período do ano passado, colaborando para o resultado positivo do saldo da balança comercial do setor, que superou US$ 6 bilhões (aumento de 2,3%) no período. Segundo a Ibá, a celulose contribuiu com US$ 4,8 bilhões (-0,1%), o papel com US$ 1,0 bilhão (+9,7%) e os painéis de madeira com US$ 220 milhões (+29,4%).

Também de janeiro a novembro do ano passado, foram embarcadas 11,7 milhões de toneladas de celulose (+11,6%), 1,9 milhão de toneladas de papel (+2,5%), 932 mil metros cúbicos de painéis de madeira, (+65,2%). No mercado interno, as vendas de papel registraram 4,9 milhões de toneladas (-0,4%), entre janeiro e novembro de 2016, enquanto as do segmento de painéis de madeira totalizaram mais de 5,7 milhões de metros cúbicos (-3,3%).

Por sua vez, a produção brasileira de celulose totalizou 17,1 milhões de toneladas (+8,5%) e a de papel manteve-se estável, em 9,5 milhões de toneladas.

Expectativas para 2017

Para 2017, a Ibá espera que o Brasil apresente um desempenho melhor que o do ano passado. "Precisamos direcionar os esforços no fortalecimento do mercado doméstico e, posteriormente, inserir definitivamente o país no mercado mundial. Portanto, torna-se fundamental endereçar reformas importantes que contribuam diretamente para a produção e a competitividade das empresas, como é o caso da trabalhista, além da redução da burocracia para fomentar os investimentos necessários", sugere Elizabeth.

"Nossa expectativa é positiva, com perspectivas de alcançarmos, logo no início do ano, o segundo lugar no ranking mundial em produção de celulose, ultrapassando grandes produtores como o Canadá e a China, o que deve aumentar a visibilidade do país no mercado internacional", prevê a executiva, acrescentando: "Discussões sobre a precificação do carbono e a emissão de títulos verdes podem representar grandes oportunidades para o Brasil captar investimento no médio prazo".

Serviços ambientais

Conforme a Ibá, o setor também se destaca na prestação de serviços ambientais, evitando o desmatamento de matas nativas, preservando o solo e as nascentes e recuperando áreas degradadas, além de contribuir como fonte de energia renovável. Em 2015, foram produzidos, a partir de energia limpa, 65,1 milhões de gigajoules, ou seja, 67% do consumo energético do setor.

O plantio de árvores ainda ajuda na redução dos gases do efeito estufa e no sequestro de carbono, uma vez que cada hectare de floresta em desenvolvimento é capaz de absorver de 150 a 200 toneladas de gás carbônico. Com 7,8 milhões de hectares de eucalipto, pinus e demais espécies: acácia, araucária, paricá e teca (base 2015), as florestas plantadas têm grande importância como cadeia produtiva do agronegócio e respondem por 91% da madeira produzida para fins industriais no país e geram 1,7 bilhão de toneladas de CO2 equivalente estocado. O segmento conta ainda com 5,6 milhões de hectares de áreas naturais preservadas.

De acordo com relatório Ibá 2016 (com base em 2015), o setor respondeu por 3,8 milhões de empregos diretos e indiretos e movimentou R$ 69 bilhões, o equivalente a 6% do Produto Interno Bruto (PIB). No ano passado, as exportações renderam US$ 9,0 bilhões (incremento de 5,9% em relação ano anterior), o equivalente a 4,7% das vendas externas brasileiras.

Dados do relatório informam que os projetos de investimento das empresas, voltados para o aumento dos plantios, ampliação de fábricas e novas unidades, de 2016 a 2020, são estimados em R$ 40 bilhões.

Referência em produtividade

"Temos um parque industrial moderno, com a melhor engenharia genética arbórea entre todos os países e a produtividade de nossas florestas plantadas é a maior do mundo. Por este e outros motivos, hoje o setor brasileiro de florestas plantadas destaca-se no mundo todo", afirma Eizabeth.

Segundo a Ibá, a produtividade média dos plantios de eucalipto no Brasil alcançou 36 metros cúbicos por hectare ao ano, enquanto a dos pinus foi de 31 metros cúbicos por hectare ao ano. Nos últimos cinco anos, a produtividade do eucalipto aumentou 0,7% ao ano, enquanto a do pinus caiu 1,1% ao ano, em especial, por causa da conversão em áreas de eucalipto.

No mesmo período, os plantios de eucalipto cresceram 2,8% ao ano e atualmente ocupam 5,6 milhões de hectares. Com uma área de 1,6 milhão de hectares, o cultivo de pinus vem caindo a uma taxa de 2,1% ao ano.

1º Fórum de Agronegócio Florestal

Apostando no bom momento do setor, a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), a Innovatech e o Painel Florestal promoverão o 1º Fórum Agronegócio Florestal. O evento está programado para o dia 14 de março de 2017, em São Paulo, capital, com o tema "O protagonismo da floresta plantada no agronegócio brasileiro".


Fonte: Equipe Sociedade Nacional de Agricultura de São Paulo (SNA/SP)

 

 



LANÇADO PROJETO PARA CONSTRUÇÃO DE COMPUTADOR QUÂNTICO

Site Inovação Tecnológica -  02.02.2017

Estas são as câmaras de vácuo onde os qubits ficarão. É por causa delas que o computador quântico será tão grande: cada uma medirá 4,5 x 4,5 metros.[Imagem: Bjoern Lekitsch et al. - 10.1126/sciadv.1601540]



Faça o seu

Uma equipe internacional divulgou o primeiro projeto prático para a construção de um computador quântico em larga escala, que deverá se tornar o computador mais poderoso da Terra.

A equipe já se prepara para construir um protótipo em pequena escala para testar o conceito. A máquina completa, quando for construída conforme descrita no projeto, deverá ter o tamanho de um campo de futebol e poderá custar cerca de US$ 120 milhões.

O tamanho é um problema, mas o custo não o coloca muito distante dos supercomputadores eletrônicos atuais, sobretudo levando em conta o que se espera de seu desempenho - a expectativa é que os computadores quânticos revolucionem a indústria, a ciência e as transações comerciais e bancárias em uma escala semelhante à da passagem dos papéis para os computadores atuais.

O projeto, disponibilizado para que outras equipes possam tentar construir seus próprios protótipos, é resultado do trabalho de uma equipe composta por pesquisadores das universidades de Sussex (Reino Unido), Aarhus (Dinamarca), RIKEN (Japão) e Siegen (Alemanha), e da empresa Google (EUA).

Projeto de computador quântico

O plano se baseia no uso de qubits formados por átomos eletricamente carregados (íons), confinados em uma armadilha eletromagnética. Esta abordagem permite que o computador funcione a temperatura ambiente, ao contrário de um modelo supercondutor alternativo, que requer que todo o sistema seja resfriado a temperaturas muito baixas.

As portas lógicas, os blocos básicos de cálculo, são bem mais simples do que os sistemas largamente usados em pesquisa, baseados em laser. O problema é que isso exigiria alinhar um feixe de laser individual em cada qubit, o que é tecnicamente muito problemático quando se parte para um número de qubits capazes de fazer cálculos práticos. A equipe preferiu usar micro-ondas, o que simplificou muito o sistema.


 

Ilustração dos módulos básicos de cálculo, cada um contendo 36 x 36 junções, cada uma controlada por mesas coordenadas X-Y-Z para manter o alinhamento. [Imagem: Bjoern Lekitsch et al. - 10.1126/sciadv.1601540]



Para a comunicação interna, a abordagem mais comum, mas igualmente desafiadora, era interligar os módulos de cálculo usando conexões de fibra óptica. Em vez disso, o projeto prevê o uso de conexões criadas por campos elétricos, que permitem que os íons sejam transportados de um módulo para outro. Esta nova abordagem permite velocidades de conexão 100.000 vezes mais rápidas entre os módulos de computação quântica individuais em comparação com a tecnologia de fibras, embora resulte em um equipamento muito maior.

Outra inovação é um sistema de correção de erros, já que os qubits são muito frágeis, tendendo a perder os dados rapidamente. Para resolver esse problema, a equipe propõe usar qubits estáticos, para manter os dados, e qubits "de medição" para transferir os dados - são esses qubits de medição que transportarão os dados, empurrados pelos campos elétricos.

Desta forma, o computador quântico terá uma estrutura modular, com pequenos circuitos sendo acrescentados até atingir o poder computacional desejado - se tudo funcionar como previsto, não deve haver limites para o poder de processamento além do tamanho da máquina.

Módulo ilustrando como os dados e os qubits de medição interagem nas portas lógicas para executar o código. Os qubits de dados são estáticos e os qubits de medição trafegam entre as portas. [Imagem: Bjoern Lekitsch et al. - 10.1126/sciadv.1601540]


Era da computação quântica

Em termos práticos, um computador quântico modular como o agora projetado deverá ocupar um enorme barracão de alta tecnologia, repleto de sofisticados aparelhos de vácuo necessários para manter os qubits livres de interferência, dentro de circuitos integrados de silício - a instalação deverá lembrar os prédios dos supercomputadores atuais, mas com um aspecto mais parecido com o de um laboratório.

Agora é esperar para ver se o protótipo que a equipe está começando a construir funcionará conforme o projeto. Se funcionar, poderemos estar entrando definitivamente na era da computação quântica.

Bibliografia:

Blueprint for a microwave trapped ion quantum computer
Bjoern Lekitsch, Sebastian Weidt, Austin G. Fowler, Klaus Mølmer, Simon J. Devitt, Christof Wunderlich, Winfried K. Hensinger Science Advances Vol.: 3, no. 2, e1601540 DOI: 10.1126/sciadv.1601540
 


 

BRASILEIRO CONSTRÓI EQUIPAMENTO PARA CIÊNCIAS DOS MATERIAIS

Agência Fapesp -  03.02.2017

"A técnica de PLD permite a fabricação não somente de filmes finos simples com monocamadas, mas também a formação de heteroestruturas complexas, por meio da utilização de um carrossel de seis alvos, em sincronia com o laser," explica Cichetto.[Imagem: Divulgação]

 


Deposição a laser

Pesquisadores do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF), em São Paulo, construíram um sistema de Deposição a Laser Pulsado, ou PLD (Pulsed Laser Deposition).

"O PLD utiliza um feixe de laser pulsado de alta intensidade e energia para bombardear um ou mais alvos em uma câmara de vácuo. O feixe atinge o alvo - um material cerâmico, por exemplo -, que transita do estado sólido para plasma, e o 'transporta' até um substrato - superfície a ser revestida -, recobrindo-o", explica o pesquisador Leonélio Cichetto Júnior, responsável pela montagem e construção do equipamento durante sua tese de doutorado.

O aparelho de última geração já está sendo utilizado nas pesquisas com filmes finos supercondutores e para aplicação em memórias ferroelétricas, investigações sobre o grafeno e nanofios, entre outras.

Novos tipos de memória

O equipamento beneficiará as pesquisas de instituições em todo o país, que poderão utilizá-lo para realizar seus experimentos.

"Nos últimos anos a técnica PLD vem-se tornando cada vez mais atraente por seu baixo custo e pela possibilidade de variar os parâmetros sobre um vasto leque de possibilidades, como densidade de energia, grau de ionização, temperatura do substrato e a disposição geométrica dos equipamentos dentro da câmara de deposição", afirma o pesquisador, que está utilizando seu equipamento para desenvolver novos tipos de memórias para computador.

"O composto niquelato de lantânio (LaNiO¬3) é um material interessante com aplicações promissoras na fabricação de filmes finos nanoestruturados", afirmou. Já o titanato de bário (BaTiO3), uma cerâmica policristalina, tem propriedades como piezoeletricidade e pode ser utilizado na fabricação de memórias dielétricas/ferroelétricas.

Heteroestruturas

Para entender as propriedades físicas desses materiais, Cichetto vem estudando a deposição de filmes finos desses materiais em diferentes substratos, utilizando o PLD, além de outras técnicas como difração de raios X, microscopia eletrônica de varredura e de força atômica, entre outras.

"A técnica de PLD permite a fabricação não somente de filmes finos simples com monocamadas, mas também a formação de heteroestruturas complexas, por meio da utilização de um carrossel de seis alvos, em sincronia com o laser," concluiu Cichetto.

 

 


 

RENOVÁVEIS TRANSFORMAM ZONA RURAL DA ALEMANHA

Valor Econômico de 10/02/2017



Moradora de Vlotho, cidade no norte da Alemanha com pouco mais de 20 mil habitantes, a empresária Martina Klöckner Scherfeld, 57 anos, trocou de fornecedor de energia no ano passado. Saiu o Estado e entrou seu vizinho, pequeno agricultor que produz energia de biomassa do milho e a comercializa na região.

A conta ficou mais barata e os moradores do bairro já falam em construir uma piscina aquecida coletiva. Assim, eles poderiam aproveitar o tempo livre com vista para as montanhas mesmo quando as temperaturas chegassem mais perto de zero, como agora.
Na prática, Martina deixou de usar a rede pública de energia de sua cidade e passou a se beneficiar de um sistema de microgeração distribuída. A descentralização da produção é também um dos pilares da “transição energética” alemã, uma maneira de reduzir custos de transmissão, minimizar perdas e diminuir o impacto ambiental do consumo de energia.

Mais que isso, ela está mudando a configuração de muitas pequenas cidades na zona rural alemã, diz Dagmar Dehmer, repórter de sustentabilidade do jornal “Der Tagesspiegel” há mais de 15 anos. Além da biomassa, multiplicam-se pelo país fazendas de geração comunitária de energia eólica, que não só dão mais segurança ao abastecimento dessas regiões, como geram empregos e aumentam a arrecadação de impostos. “Com esses recursos, algumas cidades têm conseguido construir novas escolas, espaços públicos”.

A energia eólica é hoje a principal fonte renovável utilizada no país, responsável por 12% do total produzido, quase metade da participação das fontes limpas, 30%. A solar ocupa a segunda posição, com 6% do total e um pesado mecanismo de incentivo chamado de “feed-in tariff”.

A Lei das Fontes de Energias Renováveis (EEG), do início dos anos 2000, garantiu por até 20 anos aos produtores um valor fixo pela energia que entra no sistema. A diferença entre esse preço e o efetivamente praticado pelo mercado é bancada pelos consumidores através da EEG Umlage, cobrada as contas de luz. No início, a sobretaxa era pequena. Entre 2010 e 2015, contudo, diante da multiplicação de painéis fotovoltaicos pelo país, o preço de mercado despencou de 34 centavos por kilowatt-hora para 9 centavos e a participação da sobretaxa no preço médio da energia saltou de 8,8% para 21,8%.

A lei, que chegou a ser criticada por causa do aumento expressivo dos subsídios nos últimos anos, vem sendo modificada, inclusive com ajuste das tarifas fixas. Agora que a capacidade instalada atingiu uma massa crítica, o plano do governo é começar a realizar leilões de energia solar de forma constante a partir deste ano, para que esse segmento passe a funcionar pelas leis de mercado, sem incentivos.

O Estado também tem participação importante como financiador da transição energética, especialmente no fomento à inovação. O Ministério de Energia prevê gastar neste ano quase 2,5 bilhões de euros em energia e sustentabilidade, rubrica que inclui incentivos ao desenvolvimento de tecnologias que ajudarão o país a construir a ponte para a economia de baixo carbono. O valor é quase dez vezes o limite de empenho de 2017 do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, a mais importante fonte de financiamento público para a inovação do Brasil, R$ 930 milhões.

 

 


SEIS NOVAS PROFISSÕES NA ÁREA DE TECNOLOGIA DEVEM MOVIMENTAR O MERCADO

BusinessLeaders, 14/02/2017



Técnico em manutenção de drones, desenvolvedor de robôs, Youtuber e especialista em IoT

Crédito: Banco de Imagens  /  Fonte: Microcamp



Profissões até recentemente desconhecidas são a nova tendência no mercado de trabalho, como técnico em manutenção em drones e celulares, desenvolvedor de aplicativos, de robôs e de dispositivos vestíveis, youtuber e especialista em internet das coisas. São carreiras com grandes perspectivas de crescimento nos próximos anos em função da evolução da tecnologia.

De olho neste cenário, a rede de escolas de informática Microcamp, há 40 anos ano mercado, incluiu em seu cronograma de cursos para 2017, módulos que prepararam os jovens para as carreiras em alta.

São profissões novas que surgem no meio da maior crise econômica no Brasil - principalmente para os jovens entre 14 e 24 anos, que representam 27,7% de um total 12,3 milhões de desempregados, segundo dados recentes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) – e acabam sendo uma luz no fim do túnel.
Veja abaixo algumas destas novas áreas com perspectivas de trabalho:

Desenvolvedor de aplicativos

 

É um dos mercados mais atraentes para empreendedores iniciantes pois oferece oportunidades interessantes em várias frentes. É possível criar aplicativos para celulares Apple e Android seja para consumidores, para empresas e para o poder público. É, segundo Helder Hidalgo, coordenador de cursos da Microcamp, um curso onde o aluno entra sem saber nada de informática e sai criando aplicativos e só recebem o certificado de conclusão após entregarem o aplicativo na Apple Store ou Google Play.

Youtuber

 

Até há alguns anos, fazer um vídeo e compartilhá-lo na internet era um hobby, mas de um tempo para cá isso virou um negócio rentável e a profissão dos sonhos de muitos jovens. Christian Figueiredo, Kéfera, Rezende Evil, entre outros, são youtubers que começaram gravando e compartilhando vídeos e hoje fazem sucesso no Youtube mais do que muita celebridade de televisão. Mas é um mercado que exige esforço, dedicação e conhecimentos em ferramentas, principalmente audiovisuais. “Nosso objetivo é preparar jovens para a carreira de youtuber, para protagonizarem filmes em seu próprio canal da rede social. Para isso vão aprender desde postura correta, definição de roteiros e scripts, até a edição dos vídeos”, revela Hidalgo.

 Especialista em Internet das Coisas

 

Trata-se de um conceito mundial que conecta qualquer objeto utilizado no dia a dia à internet, como eletrodomésticos, meios de transportes, roupas, tênis. O termo, embora pouco conhecido para quem não é da área tecnológica, com certeza fará parte do cotidiano das pessoas, pois de acordo com a ABI Reserch, até 2020, cerca de 30 bilhões de dispositivos estarão conectados à Internet das Coisas (IoT).

Com o propósito de automatizar processos e antecipar trabalhos, a Internet das Coisas precisará de pessoas qualificadas para programá-la, principalmente dentro das pequenas e médias empresas, que buscam reduzir os seus custos tendo a tecnologia como principal aliada.

 Técnico em Manutenção em Drones

 

O mercado de drones crescerá 32% por ano em média, durante a próxima década e atingirá US$ 30 bilhões, segundo projeções da ABI Research. Só para 2017, a estimativa é um faturamento de cerca de R$ 200 milhões, incluindo vendas de equipamentos, treinamentos de pilotos e prestação de serviços.

Discutido anualmente no maior evento de drones do país, o DroneShow, o setor tem percebido que além da falta de união entre as empresas desta área, para realizarem ações conjuntas, também existe a ausência de qualificação dos profissionais envolvidos.

Com base nesta perspectiva e falta de qualificação profissional, a Microcamp acredita que o segmento de drones demandará de especialistas para atender o público em potencial. “O mercado está em ebulição e agora é o momento para se preparar para atender quem usa drones não apenas como hobby, mas profissão”, explica Hélder Hidalgo.

 Desenvolvedor de Dispositivos Vestíveis

 Os gadgets – dispositivos tecnológicos - permitem uma maior interação do usuário com seu smartphone, para coleta de dados ou simulação de uma outra realidade, por exemplo. Dentro da categoria de tecnologia vestível estão os óculos de realidade virtual, os smartwatches – ou relógios inteligentes – e as pulseiras inteligentes.

De acordo com a International Data Corporation (IDC), o setor teve um crescimento de 171,6% somente em 2015 e tem se ampliado bastante por conta dos relógios inteligentes. Estima-se que mais de 80 milhões de dispositivos vestíveis tenham sido vendidos até hoje em todo o mundo e que até 2020, este número chegue a 213,6 milhões.

 Desenvolvedor de Robô Social

Robôs sociais e caseiros são máquinas criadas especialmente para fazer companhia para as pessoas, interagir com elas e realizar pequenas tarefas domésticas. Exemplos: robôs que jogam futebol, que dançam, que tocam instrumentos, que conversam falando frases, que tentam imitar bebês, animais de estimação e desta forma interagem com o ser humano.

Jibo, um robô em fase de produção desenvolvido pela cientista Cynthia Breazeal, do Instituto de Tecnologia de Masschusetts (MIT) é um exemplo. Ele foi projetado para fazer vídeos e fotos, ler e-mails, pedir comida, atender e fazer ligações, entre outras tarefas.

É um mercado em franca expansão, pois os robôs sociais começaram a ganhar popularidade e estima-se que num futuro próximo, cada casa poderá ter um robô familiar.

“Nosso objetivo é a criação de robôs com a utilização do arduino, que é uma placa que torna mais fácil e econômica a criação de dispositivos inteligentes capazes de interagir com o ambiente. Ou seja, com esta placa é possível desenvolver robôs de uma forma mais rápida e barata”, conclui Helder Hidalgo.

 

 


 

LANGUAGE A BARRIER TO FLOW OF SCIENTIFIC KNOWLEDGE

SciDevNet – 06.02.2017

 

Language is still a major barrier to the transfer of scientific knowledge even though English is increasingly used as the global language of science, a study has found.

The research, published in the journal PLOS Biology, highlights a practical problem that scientists in many parts of the world, including francophone Africa, have long struggled with.

Its authors took a close look at scientific documents on biodiversity conservation published in 2014. The documents — more than 75,000 in total — were written in 16 different languages.

For about every ten documents, roughly six were in English and three in other languages.

The numbers suggest that English remains a leading language within scientific communities.
 
But the results also underline the fact that a great deal of research is still conducted in languages other than English, and that they end up having little visibility.

That is particularly true for universities and research centres in several African countries that do not use English as their primary language.

"I have long been interested in how language barriers could affect science in general,” Tatsuya Amano, lead researcher on the study, told SciDev.Net. “However, this problem has rarely been tackled by scientific communities so far."

Native English speakers tend to assume that all important knowledge is available and can be communicated in English, according to Amano. On the other hand, he notes, non-native English speakers tend to think that conducting research in English is the first priority, and often they end up ignoring non-English language science.

"Ignoring such non-English knowledge can cause biases in our understanding of study systems," the researchers wrote in their paper.

“A francophone researcher will always need more time than a native English speaker to produce a paper of equal scientific quality.”

Cheikh Becaye Gaye, past director general for research in Senegal

Amano is confident the findings could be useful to other fields beyond biodiversity conservation, which was the focus of the study.

Cheikh Becaye Gaye, who served as director general for research in Senegal, says he is far too familiar with the problem raised by Tatsuya Amano and his colleagues.

"In the area of scientific knowledge transfer, there is a gap between the production [of research] in English and that in other languages, including French,” says Gaye. “And with respect to Africa, that obstacle to universal science is made more acute by the low schooling rate among African populations."

Gaye adds that francophone researchers are aware of the issue and have committed efforts towards learning English so they could overcome the barrier that stands between them and their English-speaking colleagues.

However, he suggests they still face a large obstacle.

"The outputs are never going to be the same in terms of deliverables, in the sense that a francophone researcher will always need more time than a native English speaker to produce a paper of equal scientific quality," explains Gaye.

That is a frustration that Amano, a non-native English speaker originally from Japan, can identify with. This led him and his research team to propose a number of approaches to tackle the language barrier issue.

Their suggestions include approaches for compiling non-English knowledge, using non-English keywords in literature searches, and increasing the visibility of non-English literature through the development of a journals database and use of well-recognised online repositories.

To facilitate the "multi-lingualisation" of knowledge currently available in English, they suggest making translations of published papers available as lay summaries on journals’ websites as well as in supporting information, preprints and post-prints of the original papers.


“Ideally, scientific communities should consider and adopt our suggestions in order to tackle this issue and, as a result, achieve the compilation of less biased scientific knowledge and its smooth application to local issues," says Amano.

This piece was produced by SciDev.Net’s Sub-Saharan Africa-French desk.
References

(1) Languages Are Still a Major Barrier to Global Science

 

 


SECRETARIA REGIONAL DE PERNAMBUCO

Prof. Marcos Antonio Lucena - Secretário Regional

Profa. Rejane Mansur Nogueira - Secretária Adjunta

 

José Antônio Aleixo da Silva (Editor)Professor titular da UFRPE e membro da Diretoria da SBPC.

Bianca Pinto Cardoso
Designer do Jornal

 

Sobre a SBPC-PE

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