Notícias

Jornal Eletrônico da SBPC/PE #4

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Notícias:

SBPC PROTESTA CONTRA NOVA LEI GERAL DO LICENCIAMENTO AMBIENTAL.

BARRAGENS “CONCEITO DE BASE ZERO (CBZ)”: FAZENDA CAROÁ É EXEMPLO DE CONVIVÊNCIA COM O CLIMA DO SEMI-ÁRIDO.

A VESPA E A TARÂNTULA

MANIFESTAÇÃO DO CONSELHO DA SBF SOBRE A SITUAÇÃO DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO DO PAÍS.

UM FUTURO ALÉM DA IMAGINAÇÃO.

QUAIS SÃO OS PAÍSES COM MELHOR EDUCAÇÃO E O QUE PRECISAMOS FAZER PARA CHEGAR LÁ

O JEITO ERRADO DE AVALIAR A EDUCAÇÃO

REITORES AFIRMAM IMPOSSIBILIDADE DE CORTE DE PONTO DE DOCENTES EM GREVE

META DE 25 GIGAWATTS DE ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA EM 2030 DEVE TRAZER MAIS DE R$ 125 BILHÕES EM INVESTIMENTOS AO PAÍS

ADVINHE QUEM VAI TOMAR CONTA DO ARSENAL NUCLEAR DOS EUA?

FOGUETE BRASILEIRO LEVARÁ OITO EXPERIMENTOS AO ESPAÇO

SATÉLITE DE ESTUDANTES BRASILEIROS É LANÇADO NO JAPÃO

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência é signatária da nota de repúdio ao substitutivo do Deputado Mauro Pereira que trata sobre a nova legislação de licenciamento ambiental. Leia a nota abaixo.

Nota de Repúdio ao substitutivo do Deputado Mauro Pereira ao Projeto de Lei n.º 3.729/2004


O Projeto de Lei n.º 3.729/2004 pretende estabelecer a nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental, tema altamente complexo e com destacada relevância para a sociedade brasileira. Apresentado em 15.09.2016, o substitutivo do Deputado Federal Mauro Pereira (PMDB/RS) não foi objeto de nenhum debate, audiência pública, sessão deliberativa ou qualquer outra forma de apreciação e aprofundamento, seja por parte dos Deputados Federais, seja por parte da sociedade nacional.
Considerando-se a recente divulgação de escândalos de corrupção para privilegiar interesses privados em detrimento de interesses públicos; a notória importância do licenciamento ambiental para todos os setores da sociedade, incluindo o papel do Poder Público no âmbito do desenvolvimento nacional; e a complexidade e profundidade dos temas envolvidos, além das diversas lições apreendidas a partir da experiência acumulada em casos práticos, é preciso que a Câmara dos Deputados esteja adequadamente apropriada das diversas facetas que a matéria apresenta, para que possa, ao final, tomar decisões acertadas, ao encontro do interesse público e do atendimento à Constituição Federal. É fundamental que haja um amplo debate nacional sobre o tema.
O substitutivo apresentado pelo Deputado Federal Mauro Pereira figura, entre os textos em tramitação, como aquele que pretende impor os mais graves retrocessos à legislação atualmente em vigor, além do notável baixo nível de técnica legislativa, o que prejudica a interpretação dos dispositivos, podendo gerar insegurança jurídica e ampliação de ações judiciais. Exemplos de retrocessos incluídos no texto: dispensa de licenciamento para atividades poluidoras específicas, criação de licenciamento autodeclaratório, permissão aos Estados e Municípios para flexibilizar exigências ambientais sem qualquer critério, possibilidade de autorizações tácitas por vencimento de prazos e de suspensão de condicionantes ambientais por decisão unilateral do empreendedor, e eliminação da responsabilidade socioambiental de instituições financeiras por atividades por elas apoiadas, entre outros.
Eventual aprovação da referida proposta, ainda mais sem os imprescindíveis debates públicos, geraria inúmeras consequências negativas, como o significativo aumento de risco de ocorrência de desastres socioambientais, como o verificado em decorrência do rompimento da barragem de rejeitos em Mariana (MG), a ausência de prevenção, mitigação e compensação de impactos decorrentes de empreendimentos, a reiterada violação de direitos das populações atingidas, a ampliação dos conflitos sociais e socioambientais e a absoluta insegurança jurídica aos empreendedores e ao Poder Público.
Diante disso, as organizações abaixo assinadas repudiam qualquer tentativa de aprovação do substitutivo ao Projeto de Lei n.º 3.729/2004 apresentado pelo Deputado Mauro Pereira, principalmente sem que sejam realizados debates amplos, mediante audiências públicas, com a participação dos mais diversos especialistas de diferentes setores da sociedade em relação aos complexos temas envolvidos na matéria.
 


 

BARRAGENS “CONCEITO DE BASE ZERO (CBZ)”: FAZENDA CAROÁ É EXEMPLO DE CONVIVÊNCIA COM O CLIMA DO SEMI-ÁRIDO.

Reportagem do Globo Rural.

No local existe água em boa quantidade para os rebanhos e as pessoas.
A Fazenda Caroá, no município de Afogados da Ingazeira, em pleno sertão de Pernambuco é um exemplo de convivência com o clima do semiárido. Na propriedade do engenheiro mecânico José Artur Padilha, os efeitos de uma das piores secas da história são limitados. Os animais não passam fome e existe água em boa quantidade para os rebanhos e as pessoas.

No sertão devastado pela estiagem mais severa em décadas, a água determina a sobrevivência dos bichos, das plantas e o sofrimento dos homens. Nas comunidades rurais, o latão vira banco nas carroças puxadas pelos animais. A água é escassa e são necessárias várias viagens por dia para suprir a necessidade das famílias. Em plena seca, a água brota da terra. Esse é resultado do trabalho do produtor que uniu os conhecimentos da profissão à observação da natureza. O produtor construiu 350 pequenas barragens curvadas ao longo do rio que corta a propriedade.

O conceito das barragens é muito simples. Em todo o leito do rio, da nascente até a foz, são construídos diques de pedra de margem a margem. São arcos posicionados de modo que a parte côncava fique virada para a foz do rio. Na época da chuva, a água e o solo das encostas descem e ficam represados. A água se infiltra no solo e se armazena no lençol freático. Na época da seca, o subsolo está cheio de água. Para captá-la, é preciso construir unidades de armazenamento como cacimbas de pedra. De cada cacimba saem canos que levam a água para toda a fazenda. O sistema funciona por gravidade. A pressão é tanta que a água aflora com força. A estrutura artesanal se mantém através da pressão exercida pelo próprio material.

O projeto ajuda a abastecer cem bebedouros e cinco casas. As barragens impedem que a camada fértil do solo seja levada pelas enxurradas e promove a regeneração do terreno, além de guardar a água infiltrada no subsolo. O resultado é que não falta alimento para os animais nas áreas úmidas. O gado encontra capim ao longo das barragens. Até as abelhas, que sumiram do semiárido, podem ser vistas na propriedade abastecidas pelos bebedouros. Os animais silvestres da caatinga ficam a salvo da sede e da fome.
VEJA O VIDEO ABAIXO

https://www.youtube.com/watch?v=S6Wb23WOclU

 


 

A VESPA E A TARÂNTULA

Celso Pinto de Melo *

Em algumas espécies de tarântulas da família Theraphosidae, as longas pernas cobertas por pelos podem alcançar a envergadura de um prato de jantar. Essas aranhas gigantes parecem figuras saídas de um filme B de terror: após matar pequenos pássaros e roedores com suas presas venenosas de quase 4 cm de comprimento, sugam suas vítimas, rapidamente liquefeitas pela ação de seus sucos digestivos. E, no entanto, as tarântulas são por sua vez predadas por vespas da família Ichneumonidae, oito vezes menores em tamanho. Na época da postura, as vespas fêmeas dessa família ativamente procuram tarântulas, para lhes aplicar uma picada venenosa no ventre, que as paralisa sem matar. Arrastam então a aranha imobilizada até sua toca, quando um único ovo é depositado no interior de seu corpo. Pelos próximos dias ou semanas, a aranha permanecerá viva, porém sem reação, enquanto a larva lhe consome inicialmente os órgãos não vitais, só a matando pouco antes de eclodir sob a forma de pupa.

Há séculos a relação entre parasitas e hospedeiros fascina e perturba teólogos e cientistas, incluindo o próprio Darwin. Como a Natureza poderia ser tão fria e dura, a ponto de permitir que a larva de uma espécie consuma gradualmente outro ser, imobilizado, porém vivo, que lhe serve de nutriente vital? Por quais mecanismos teriam as larvas “aprendido” a preservar os órgãos essenciais de suas vítimas até quase o momento final? Por que a tarântula não desenvolveu mecanismos de defesa e se deixa predar?

Países também se deixam internamente destruir pela ação de agentes exógenos. No atual desmonte do projeto de nação brasileira, passivamente assistimos nos serem levados os instrumentos e mecanismos de sobrevivência como país soberano. Pré-sal e independência energética, a indústria naval e a afirmação das empresas de engenharia que nos ajudaram a atingir o posto de oitava economia do mundo moderno, os projetos de autonomia tecnológica na defesa e na capacitação do ciclo nuclear, tudo nos está sendo sugado de dentro para fora. Diferentemente da tarântula, porém, nossos parasitas não são apenas de natureza externa. Brasileiros que introjetaram uma visão de nação caudatária participam ativamente desse processo. O nosso organismo social sucumbe com rapidez, na predação voraz de direitos sociais e trabalhistas, pela prioridade dos predadores em transferir nossas riquezas para o que realmente lhes interessa, a garantia do pagamento dos juros que sustentam o rentismo interno e externo. Tal como no ataque da vespa Ichneumonidae,a sobrevivência da vítima nunca esteve em questão: condenada está desde o primeiro momento, mas sua morte não ocorrerá antes da exaustão de suas energias vitais.

A vespa esmeralda (Ampulex compressa) serve como exemplo perturbador do domínio e controle da vontade alheia. Muito menor que seu alvo, uma espécie de barata do gênero Periplaneta, não pode arrastar sua presa até o local de incubação. Por conta disso, desenvolveu um processo ainda mais sofisticado de ataque: com duas picadas seguidas em locais específicos do sistema neuronal da vítima, lhe inibe a reação de fuga, mas não a capacidade de caminhar. E assim, tal qual um autômato zumbi, a barata se deixa docilmente conduzir pelas antenas até a toca de seu algoz, como um fiel cão doméstico puxado pela guia. Estamos sendo vorazmente predados pela junta financeira que nos comanda, com seus asseclas na mídia, judiciário e corporações a nos ensinar de modo alegre e faceiro que a pilhagem de nossos recursos vitais servirá ao nosso próprio bem. A corrupção (de alguns) seria o nosso grande mal, não a iníqua divisão estrutural de nossa sociedade, em que há quinhentos anos a parte majoritária do povo brasileiro é pensada apenas como composta por serviçais à disposição de uma supostamente mais esclarecida minoria (branca). A nossa vespa esmeralda encontra outros apoiadores domésticos em um congresso sabidamente comprometido com os interesses dos atores externos e internos responsáveis pela pilhagem que agora se faz às claras.

Não há mais resquícios de pudor: como a tarântula, a nação assiste anestesiada à sua destruição por dentro, com a paulatina dissolução de seu tecido social e desintegração de sua estrutura orgânica. Tudo de acordo com a mais perfeita ordem e legalidade, com todos os rituais formais de uma democracia que passivamente se deixa suicidar. Até quando, cabe a alguns poucos ainda perguntar.

José Mujica recentemente nos ensinou que só está de fato derrotado quem deixa de lutar pelo que acredita. Contrariamente a uma aranha anestesiada, não há imperativo biológico que nos impeça a resistência e a luta. Eles pensam que duram para sempre. Queimaram seus navios, partiram para o tudo ou nada, na tentativa de em seis meses fazer a sociedade regredir 60 anos. Mas a história não para. Aos poucos, o que nos resta de consciência e dignidade fará juntar os cacos do país para enfim expulsar e castigar os usurpadores, regenerar os tecidos sociais danificados e permitir nosso soerguimento como nação soberana, esperamos que dessa vez por fim definitivamente mais justa.

* Celso Pinto de Melo é Prof. Titular do Departamento de Física da UFPE


 

MANIFESTAÇÃO DO CONSELHO DA SBF SOBRE A SITUAÇÃO DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO DO PAÍS.

 O Conselho da Sociedade Brasileira de Física – SBF, reunido em 25 de novembro de 2016, considera seu dever como órgão máximo da SBF manifestar-se publicamente em relação à grave situação do país, em particular nas áreas de ciência e tecnologia e de educação. A SBF é atualmente a maior sociedade científica do Brasil, com cerca de 13.000 associados entre pesquisadores, professores e estudantes de física. Ela comemora, neste ano, seu cinquentenário de criação e, ao longo de sua história, sempre agiu e se manifestou firme e construtivamente em prol do avanço da física e do desenvolvimento científico, tecnológico e educacional do país. Externamos, com esta manifestação, nossa profunda preocupação com o atual quadro político, econômico e social, e tecemos as seguintes considerações sobre pontos que julgamos críticos para o país :

 

1) Os recursos para a ciência e tecnologia atingiram um patamar crítico em 2016 (R$ 4,6 bilhões), o valor mais baixo dos últimos 10 anos, 52% menor do que aqueles investidos em 2010 (R$ 9,6 bilhões). A principal fonte de financiamento às atividades de CT&I, o orçamento do MCTIC, será ainda menor no próximo ano, como previsto no Projeto de Lei Orçamentária Anual - PLOA 2017. Esta redução drástica de recursos ocorre no final de um período em que a C&T cresceu significativamente no país, segundo diversos indicadores, como o número de pesquisadores, de artigos científicos publicados e patentes. Mesmo com o corte de bolsas de iniciação científica e de pós-graduação no país e a suspensão da concessão de bolsas de pós-graduação no exterior, quase todo orçamento do CNPq está comprometido com o pagamento de bolsas, restando muito pouco para outros investimentos. A citada redução gera dificuldades sérias e crescentes para o CNPq, para a Finep e para os institutos do MCTIC no atendimento do objetivo principal dessas instituições que é promover o desenvolvimento da ciência e tecnologia no país. Recursos adicionais recentes, que possibilitaram o pagamento de diversos compromissos em atraso, nem de longe resolveram a situação crítica do CNPq. Apenas 101 propostas de Institutos Nacionais de C&T (INCTs) serão financiadas, mas todas as 253 propostas aprovadas no mérito deveriam sê-lo, sob o risco de prejudicar significativamente a CT&I no Brasil o que, em consequência, terá um impacto muito negativo para a ciência brasileira e para sua maior e necessária internacionalização. O Programa INCT, pela grande relevância para o país, deveria ser considerado uma política de Estado prioritária, ainda mais que é realizado em parceria com as FAPs estaduais.

 

Por outro lado, o orçamento da Capes, uma agência fundamental para a pós-graduação e a pesquisa no país, atingirá em 2017 o seu nível mais baixo, desde 2013. O orçamento, que alcançou R$ 7,3 bilhões em 2015, terá no próximo ano cerca de R$ 4,8 bilhões.  Vários programas importantes do MEC para as escolas e para a formação de professores tiveram também seus recursos muito diminuídos, como os editais para feiras de ciência e olimpíadas de ciências (a SBF coordena as olimpíadas brasileiras de física),que, em 2016, atingiram os valores mais baixos dos últimos anos. Neste contexto deve-se também citar o corte de bolsas de mestrado e doutorado já realizado pela CAPES ao longo deste ano.

 

2) Apesar dos protestos da comunidade científica brasileira, por meio de suas entidades representativas como a SBF, a SBPC, a ABC e outras, em relação à extinção/fusão do MCTI, o processo se concretizou com a criação do MCTIC. A sua recente estruturação, realizada sem que fosse cumprida a promessa do Ministro Kassab de consultar a comunidade científica, feita em reunião com entidades científicas em São Paulo, significou um grave retrocesso para a área de CT&I. Ela consolidou a criticada fusão com o Ministério das Comunicações, tendo promovido o rebaixamento das mais importantes agências financiadoras da pesquisa e da inovação, o CNPq e a FINEP, e fez o mesmo com a AEB e CNEN, ao quarto nível hierárquico do ministério. Ocorreu, ainda, a extinção da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social – SECIS e o rebaixamento do Departamento de Popularização e Difusão da C&T à categoria de coordenação. A atitude do governo federal de conduzir tal modificação à revelia da comunidade científica brasileira, aliada aos acentuados cortes de recursos, evidenciam o descaso deste governo em relação ao desenvolvimento científico e tecnológico do país, e atestam, de fato, que a área não é uma prioridade nas atuais políticas governamentais.

 

3) Na área educacional, a reforma do Ensino Médio proposta pelo governo por intermédio da Medida Provisória 746/2016, encaminhada ao Congresso Nacional, constitui um procedimento totalmente inadequado para promover o debate e a mobilização nacional, que são necessários para enfrentar um desafio tão complexo e que envolve milhões de estudantes, professores, profissionais da educação, pais e outros atores. Como já manifestado anteriormente em nota da SBF,  a reforma proposta pelo governo, feita de forma açodada, significará um retrocesso e não atenderá às necessidades prementes de melhoria na qualidade de ensino e de redução da evasão escolar. Julgamos que a MP 746 deve ser revogada e que se proceda a discussões sobre a reformulação do Ensino Médio na forma de um Projeto de Lei que garanta a participação efetiva de todas as instituições, entidades e profissionais envolvidos. A SBF, assim como outras sociedades científicas vinha, desde 2015, participando das discussões sobre a educação básica, como a formulação de uma Base Nacional Comum Curricular; no entanto, as entidades científicas e educacionais foram colocadas à margem deste debate de políticas educacionais. Uma questão que traz grande preocupação à SBF, e que deve ser considerada com a devida responsabilidade, é a situação crítica do financiamento às universidades públicas.

 

4)  A aprovação da PEC 55 (antiga PEC 241), em trâmite no Senado Federal, terá um efeito desastroso para o desenvolvimento científico e tecnológico e para a educação no Brasil. Se aprovada ela limitará à taxa da inflação, pelos próximos 20 (vinte) anos, o crescimento dos gastos públicos. No caso da ciência e tecnologia, o orçamento do MCTIC ficará congelado no valor mais baixo dos últimos 15 anos, e que já é hoje claramente insuficiente. Tal emenda, que altera profundamente disposições constitucionais, está sendo levada à frente sem ter sido debatida com a sociedade ou submetida ao crivo democrático da população brasileira. Ao congelar por duas décadas os investimentos públicos para ciência e tecnologia, educação, saúde e outras áreas sociais, a PEC 55 coloca em sério risco o futuro da educação e da pesquisa nas universidades e instituições públicas de pesquisa, bem como afeta direitos sociais de grande parte da população brasileira.

 

O programa econômico e político, denominado “Uma Ponte para o Futuro”, que o governo atual busca implementar no país, e que não resultou de um processo de debate democrático com a sociedade brasileira, não menciona nem uma vez, em toda a sua extensão, a palavra “ciência”. É sabido que as medidas econômicas propostas, onde foram implantadas, levaram à contenção de investimentos e ao aumento da vulnerabilidade social.  Países mais desenvolvidos ou com desenvolvimento acelerado estão fazendo exatamente o oposto do que faz o governo federal: investem mais em ciência e tecnologia para fortalecer suas economias, gerar inovações e superar os momentos de crise e de recessão econômica. 

 

5) A SBF considera essencial a garantia dos princípios humanos fundamentais sobre os quais se edifica uma sociedade democrática. Neste sentido, expressa sua preocupação com as recentes notícias de violência em manifestações públicas pelo país, particularmente em relação a professores e a estudantes secundaristas e universitários. A violência e uso desnecessário de força, que cerceiam a liberdade de expressão e a manifestação cidadã, não são compatíveis com a democracia.  Destacamos a importância de ser respeitado o estado de direito, e particularmente a Constituição Federal, bem como a diversidade e os deveres e direitos de cidadania dos brasileiros, e de fortalecer a democracia no país.

 

Ao apresentar publicamente sua posição em relação a estes cinco pontos, o Conselho da SBF o faz com a certeza de que Sociedade Brasileira de Física é uma entidade científica com responsabilidade diante de seus associados e da sociedade brasileira e comprometida com a construção de um futuro melhor para o Brasil. Reiteramos a importância e competência da SBF e de seus associados, em sua área de atuação, e nos manifestamos dispostos a participar dos debates sobre a situação atual do país, buscando contribuir com soluções e alternativas para o aprimoramento das políticas públicas nas áreas de ciência e tecnologia e de educação."

 

http://www.sbfisica.org.br/v1/index.php?option=com_content&view=article&id=833

 


 UM FUTURO ALÉM DA IMAGINAÇÃO.

Eugênio Mancini, Revista Brasil e Energia Petróleo e Gás, edição de dez/2016

Em 1998, a Kodak tinha 170 mil funcionários e vendia 85% do papel fotográfico utilizado no mundo. Em apenas 3 anos, o seu modelo de negócio foi extinto e a empresa desapareceu. O mesmo acontecerá com muitos negócios e indústrias nos próximos 10 anos e a maioria das pessoas nem vai se aperceber disso. As mudanças serão causadas pelo surgimento de novas tecnologias.

Conforme exposto na Singularity University Germany Summit, em abril deste ano, o futuro nos reserva surpresas além da imaginação. A taxa de inovação é cada vez mais acelerada e as futuras transformações serão muito mais rápidas que as ocorridas no passado. Novos softwares vão impactar a maioria dos negócios e nenhuma área de atividade estará a salvo das mudanças que virão. Algumas delas já estão acontecendo e sinalizam o que teremos pela frente. O UBER é apenas uma ferramenta de software e não possui um carro sequer, no entanto, constitui hoje a maior empresa de táxis do mundo. A Airbnb é o maior grupo hoteleiro do planeta, sem deter a propriedade de uma única unidade de hospedagem.

Nos EUA, jovens advogados não conseguem emprego. A plataforma tecnológica IBM Watson oferece aconselhamento jurídico básico em poucos segundos, com precisão maior que a obtida por profissionais da área. Haverá 90% menos advogados no futuro e apenas os especialistas sobreviverão. Watson também orienta diagnósticos de câncer, com eficiência maior que a de enfermeiros humanos. Em 10 anos, a impressora 3D de menor custo reduziu o preço de US$18.000 para US$400 e tornou-se 100 vezes mais rápida. Todas as grandes empresas de calçados já começaram a imprimir sapatos em 3D. Até 2027, 10% de tudo o que for produzido será impresso em 3D. Nos próximos 20 anos, 70% dos empregos atuais vão desaparecer.

Em 2018, os primeiros carros autônomos estarão no mercado. Por volta de 2020, a indústria automobilística começará a ser desmobilizada porque as pessoas não necessitarão mais de carros próprios. Um aplicativo fará um veículo sem motorista buscá-lo onde você estiver para levá-lo ao seu destino. Você não precisará estacionar, pagará apenas pela distância percorrida e poderá fazer outras tarefas durante o deslocamento. As cidades serão muito diferentes, com 90% menos carros, e os estacionamentos serão transformados em parques. O mercado imobiliário também será afetado, pois, se as pessoas puderem trabalhar enquanto se deslocam, será possível viver em bairros mais distantes, melhores e mais baratos. O número de acidentes será reduzido de 1/100 mil km para 1/10 milhões de km, salvando um milhão de vidas por ano, em todo o mundo. Com o prêmio 100 vezes menor, o negócio de seguro de carro será varrido do mercado.

Os fabricantes que insistirem na produção convencional de automóveis irão à falência, enquanto as empresas de tecnologia (Tesla, Apple, Google) estarão construindo computadores sobre rodas. Os carros elétricos vão dominar o mercado na próxima década. A eletricidade vai se tornar incrivelmente barata e limpa. O preço da energia solar vai cair tanto que as empresas de carvão começarão a abandonar o mercado ao longo dos próximos 10 anos. No ano passado, o mundo já instalou mais energia solar do que à base de combustíveis fósseis. Com energia elétrica a baixo custo, a dessalinização tornará possível a obtenção de água abundante e barata.

No contexto deste futuro imaginário, os veículos serão movidos por eletricidade e a energia elétrica será produzida a partir de fontes não fósseis. A demanda por petróleo e gás natural cairá dramaticamente e será direcionada para fertilizantes, fármacos e produtos petroquímicos. Os países do Golfo serão os únicos fornecedores de petróleo no mercado mundial. Neste cenário ameaçador, as empresas de O&G que não se verticalizarem simplesmente desaparecerão.

No Brasil, o modelo de negócio desenhado para a Petrobras caminha no sentido oposto. Abrindo mão das atividades que agregam valor ao petróleo e abandonando a produção de energia verde, a Petrobras que restar não terá a mínima chance de sobrevivência futura. A conferir.

 


 

QUAIS SÃO OS PAÍSES COM MELHOR EDUCAÇÃO E O QUE PRECISAMOS FAZER PARA CHEGAR LÁ

BBC - IG EDUCAÇÃO - 06/12/2016

Mais uma vez os países da Ásia ocupam os primeiros lugares no ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês) – e Cingapura, uma cidade –estado pouco maior que o Vaticano e Mônaco onde a maioria da população é de origem chinesa, é líder indiscutível.

A prova coordenada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) foi aplicada no ano passado em mais de 500 mil jovens de 15 a 16 anos em 70 países e territórios, incluindo o Brasil.

O Pisa mediu o desempenho em Ciências, Leitura e Matemática. Os dez lugares com os melhores resultados foram Cingapura, Japão, Estônia, Taiwan, Finlândia, Macau, Canadá, Vietnã, Hong Kong e China.

A avaliação acontece a cada três anos e oferece um perfil básico de conhecimentos e habilidades dos estudantes, reúne informações sobre variáveis demográficas e sociais de cada país e oferece indicadores de monitoramento dos sistemas de ensino ao longo dos anos.

Apesar de alguma melhora em Ciências e Matemática em lugares como o Peru e a Colômbia, os países da América Latina seguem apresentando um desempenho muito distante das nações que lideram a avaliação.

A melhor posição entre os latino-americanos foi para a cidade de Buenos Aires – um 38º lugar em ciências. A pior foi a da República Dominicana, 70º – e último – lugar em Ciências e Matemática.

A OCDE explicou que o Pisa não trouxe um resultado geral para a Argentina porque o pequeno número de colégios participantes da avaliação no país não permitiu que fossem obtidos resultados estatísticos consistentes.

Andreas Schleicher, diretor de educação da OCDE e coordenador das provas do Pisa, destacou à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC, cinco mudanças que o Brasil e a América Latina em geral devem fazer para melhorar sua educação.

1) Encarar a desigualdade

Muito pode ser melhorado na educação brasileira e latino-americana. Mas Schleicher aponta um `elefante na sala`, um problema grave e dominante falado por poucos. `Este problema é a desigualdade. E para dizer a verdade, a desigualdade na América Latina é, em sua maior parte, planejada`, disse Schleicher.

`Basicamente, se você vem de uma família com recursos, vai frequentar um colégio talvez privado, se formar e depois o governo lhe dará muito dinheiro quando você conseguir uma das poucas vagas nas universidades públicas. Você se sairá bem`, afirmou.

`Mas se você vem de uma família pobre, acabará em uma escola com menos professores preparados, dificilmente terá a oportunidade de alcançar a educação superior ou acabará em uma instituição privada de pouco prestígio, pagando do próprio bolso para ter um diploma medíocre.`

Schleicher observa que `muito poucos países da América Latina têm a coragem de encarar essas desigualdades`.

`O Chile vem tentando com muita dificuldade. E me impressiona o que o Peru está fazendo: colocando os colégios públicos e privados em um mesmo plano, de maneira que as escolas privadas não possam receber dinheiro público, devem escolher. Acho que é um enfoque corajoso.`

O dirigente da OCDE destacou o caso de países que adotam políticas rigorosas – como aqueles que mandam bons professores para colégios que estão em desvantagem. `Vou dar um exemplo. Na China, se você é vice-diretor de um colégio muito bom e quer virar diretor, primeiro terá que provar a sua capacidade em um colégio com problemas.`

No Vietnã, que ficou em 8º no Pisa, também se quer assegurar que as crianças que precisam de mais oportunidades tenham acesso ao ensino de qualidade. `Isso não existe na América Latina`, disse Schleicher.

Mas ele cita um exemplo positivo que vem do estado brasileiro do Ceará. `Me impressionou muito o que estão fazendo lá. Se uma escola está no topo do ranking estadual, recebe mais dinheiro, mas o valor não pode ser gasto nessa escola: ela deve usá-lo para ajudar outra escola que tenha maus resultados.`

`Dessa forma, a escola boa recebe mais verbas, prestígio, mais pessoal e programas, mas esse conhecimento vai para as escolas que realmente necessitam dele. Creio que é uma forma muito inteligente de encarar a desigualdade.`

2) Tornar a carreira de professor mais atraente

E não se trata apenas de pagar melhores salários, segundo Schleicher. `Alguns países da América Latina pagam muito bem os professores. Estou me referindo a fazer com que a profissão de professor seja muito mais atraente intelectualmente`, explicou.
`Isso significa oferecer mais oportunidades para que os professores colaborem, investir mais na profissionalização.`

Para Shleicher, faltam esses elementos na região. `Na América Latina, cada professor é tratado da mesma forma, e os governos acham que sabem o que os professores deveriam fazer.`

Para coordenador do Pisa, uma das principais funções das escolas é dar uma vida melhor aos alunos.

`Na maioria dos países latino-americanos, a profissão é muito estática. É uma espécie de trabalho industrial, como numa fábrica.`

Nesse sentido, avalia, Brasil e vizinhos poderiam aprender muito com países como Cingapura, Vietnã ou China. `Em Cingapura, por exemplo, se faz algo muito simples. Algumas aulas são gravadas em vídeo, e semanalmente os professores se reúnem, assistem aos vídeos, conversam, analisam e vão, eles mesmos, estabelecendo a melhor prática.`

`Isso não gasta muito tempo nem dinheiro, mas tem um impacto profundo. Os professores são os donos da sua profissão. E quase toda escola tem uma comunidade profissional que colabora e aprende.`

Cingapura também determina que cada professor gaste cem horas em atividades ou cursos de desenvolvimento profissional por ano. `Ultimamente tenho visto que a maioria dos professores têm cursos de mestrado. Mas não se trata de aprender apenas na universidade`, opinou o representante da OCDE.

`Na minha opinião, o melhor treinamento para eles acontece nos próprios colégios, observando boas práticas, aprendendo com os melhores professores. Creio que isso é o que falta na América Latina.`

3) Ensinar a pensar como um cientista

`Creio que um grande desafio para a América Latina é afastar-se de um sistema centrado no ensino de conteúdos, quer dizer, priorizar que os estudantes aprendam a pensar como um cientista, um matemático, um filósofo ou um historiador`, disse Schleicher.

`É importante que os estudantes compreendam realmente a essência da sua disciplina e se apaixonem por ela.`

`Se eles são bombardeados com conteúdo, terão aprendido conhecimento. Mas na América Latina vejo grandes deficiências na capacidade de participação dos estudantes, de entusiasmar-se com o que aprendem.`

No leste da Ásia também são usados métodos de ensino tradicionais, mas centrados na compreensão de conceitos. Você é capaz de planejar uma experiência? Pode desenvolver sua própria hipótese e depois fazer uma experiência para prová-la? Consegue distinguir um fato de uma hipótese? Tudo isso pode ser resumido, segundo Schleicher, em pensar como um cientista.

Um ensino de conteúdos significa apenas aprender quantas patas tem uma aranha ou a fórmula química da água.

4) Ensinar poucas coisas, mas em profundidade

Os sistemas de ensino com melhor desempenho focam em três coisas, afirma Schleicher. Em primeiro lugar, demandam rigor – ou seja, o nível de exigência dos alunos é muito alto. Em segundo, se concentram em aprender poucas coisas, mas `muito, muito bem`. E em terceiro está um elemento que Schleicher chama de coerência ou progressão na aprendizagem.

Professores precisam ter mais oportunidades de desenvolvimento profissional, avalia coordenador do Pisa.

`Na América Latina, os livros de texto são maiores do que no Japão, onde o importante é ensinar pouco e em profundidade`, afirmou.

`Geralmente, o que vemos na América Latina é que os estudantes não aprendem algo no quarto ano do ensino fundamental e aquilo voltará a aparecer, de maneira distinta, no quinto e no sexto ano.`

`Coerência significa que primeiro se aprende algo muito bem, compreende-se e depois se avança para o passo seguinte.`

5) Melhorar o ensino pré-escolar

De acordo com o especialista, existe um vínculo direto entre o ensino pré-escolar e o desempenho posterior dos alunos. `Vi muito progresso na América Latina na educação para crianças maiores de três anos`, disse Schleicher.

`Mas creio que novamente o desafio é a qualidade do ambiente de aprendizagem. O acesso à educação pré-escolar na América Latina avançou, mas a qualidade deve melhorar.`

`Deve haver um componente de educação forte, e não me refiro apenas à aprendizagem tradicional, mas a competências sociais, emocionais. Sempre se deve assegurar que quem educa essas crianças seja qualificado.`

Schleicher também falou sobre outro problema grave na educação secundária no Brasil e vizinhança: a evasão ou abandono escolar. `A primeira coisa que deve ser perguntada aos países da região é por que os estudantes não estão completando sua educação. E o grande problema é: a relevância, opinou.

`Muitos jovens não vêem que o aprendizado vai ajudá-los na vida. Esse problema deve ser encarado, não se pode manter os alunos na escola como se ela fosse uma prisão.`

`Se você fosse dono de um supermercado e visse que, de 100 clientes que entram, uns 30 vão embora diariamente sem comprar nada, você passaria a se perguntar: por que as pessoas não querem ficar no meu supermercado?`

`Não costumamos fazer essa pergunta quando se trata de ensino. Acreditamos que a resposta é fazer uma escola obrigatória, afirmou Schleicher.

`A resposta está em garantir que as escolas realmente ajudem os alunos a ter um trabalho melhor, uma vida melhor.`

 

 


 

O JEITO ERRADO DE AVALIAR A EDUCAÇÃO

Helio Gurovitz - REVISTA ÉPOCA - 11/12/2016

Não é exatamente uma novidade que a educação brasileira é uma lástima. A maior prova disso vem a cada três anos, quando costumam ser divulgados os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, ou Pisa, a prova da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que compara, em 72 nações, alunos na faixa dos 15 anos, cujos conhecimentos são avaliados em três áreas: leitura, ciências e matemática. Não necessariamente pelos números – em geral não há surpresa: o Brasil piora ou fica na mesma. Mas, pela profusão de reportagens e artigos que veem neles aquilo que não dizem, consideram-nos um retrato fiel do ensino no país e acreditam que, para sanar os problemas da nossa educação, basta melhorar a nota em avaliações do tipo.

Tragédia das tragédias: em matemática, nossa média caiu de 389 para 377, depois de subir desde 2003 (era 356). Na prática, isso nada significa. Tanto faz tirar 3,6, 3,8 ou 3,9 na prova – é pau do mesmo jeito (a média foi 490). Quer dizer que os alunos brasileiros sabem hoje menos matemática que há três anos? De jeito nenhum. A estatística não permite dizer isso. Provavelmente sabem tanto quanto sabiam – muito pouco. Nas demais áreas, o quadro é semelhante: nota 401 em ciências (11 a mais que em 2006) e 407 em leitura (11 a mais que em 2000). A tragédia é igual, embora a chiadeira tenha sido menor. O maior problema nem está no desconhecimento de estatística de quem lê os números. Está em lhes atribuir o poder sobrenatural de medir a qualidade do ensino. O ministro da Educação, Mendonça Filho, afirmou que o Pisa revela nossa “tragédia”, nosso “fracasso retumbante”. É verdade que, desde a primeira edição, em 2000, estamos entre os 10% piores. Mas que significa isso? De novo, muito pouco.

Há tempos os critérios do Pisa vêm sendo torpedeados. Dois anos atrás, um grupo de especialistas em educação enviou um protesto formal à OCDE. O ranking do Pisa, dizem, é extremamente sensível a pequenas variações nas questões ou na amostragem dos alunos. Países como Suíça e Finlândia pulam para cima e para baixo sem mudança em suas escolas. Estatísticos contestam que a prova reflita de modo fiel os conhecimentos avaliados – pois tirar a mesma nota jamais significou saber tanto quanto. Ainda que refletissem, a metodologia usada no Pisa não permite inferir dos números a qualidade do ensino nos vários países, muito menos compará-los. Finalmente, o Pisa mede competências importantes, mas não as mais necessárias no mundo contemporâneo. “Exames como o Pisa avaliam habilidades cognitivas”, diz o educador chinês Yong Zhao em Who’s afraid of the big bad dragon? (Quem tem medo do dragão mau?). Mas as qualidades mais necessárias na economia moderna, como criatividade e empreendedorismo, “têm mais a ver com habilidades não cognitivas: confiança, resiliência, determinação, mentalidade, traços de personalidade, traquejo social e motivação”. Nada disso é mensurável numa prova.

Radicado nos Estados Unidos, Yong faz em seu livro uma crítica veemente, precisa e bem informada ao ensino em sua terra natal e noutros países asiáticos que transformaram a educação numa batalha por notas em testes. Ele afirma que um traço comum une China, Coreia do Sul, Vietnã e Cingapura (campeã do Pisa neste ano): o autoritarismo, que impõe aos alunos uma disciplina férrea e lhes subtrai o gosto pelo aprendizado. Yong descreve escolas chinesas que se tornaram fábricas de notas, onde os alunos são adestrados como cães, qualquer desvio das normas é punido severamente – e a trapaça é endêmica. “A educação chinesa sufoca a criatividade, asfixia a curiosidade, suprime a individualidade e arruína a saúde das crianças. Angustia alunos e pais, corrompe professores e líderes. Perpetua injustiça social e desigualdade”, afirma. “Aquilo que deu à China seu desempenho deslumbrante no Pisa lhe custou caríssimo.” Yong mostra como os milhares de fraudes na ciência e na indústria chinesa em tempos recentes derivam dessa cultura. É essa a educação modelo para o mundo?

A disseminação dos testes como o Pisa conferiu à educação um caráter aparentemente objetivo, tentador para os empresários brasileiros, acostumados a avaliar seus negócios por meio de indicadores numéricos. Mas a educação não pode se resumir a isso. Alunos podem tirar 10 na prova, mas deixar a desejar na característica mais importante para os negócios desses mesmos empresários – inovação. “Eles ficam bons para resolver problemas previsíveis, mas não em descobrir soluções novas radicais ou em inventar novos problemas a resolver”, diz Yong. Como disse Millôr Fernandes sobre o xadrez, a prova do Pisa é uma ótima ferramenta para avaliar a capacidade de fazer a prova do Pisa. Educação é outra coisa – bem mais difícil que apenas tirar uma boa nota.

 


REITORES AFIRMAM IMPOSSIBILIDADE DE CORTE DE PONTO DE DOCENTES EM GREVE

Informativo da ANDES, 06/12/2016

A Associação Nacional Dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) enviou um ofício nesta segunda-feira (5) ao Ministro da Educação, José Mendonça Filho, no qual afirma a impossibilidade de corte de ponto dos docentes e servidores técnico-administrativos em educação em greve.

O ofício da entidade que representa os reitores das universidades federais é uma resposta à Mensagem 557862, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), de 30 de novembro, que ordena os dirigentes da administração pública federal direta, autárquica e fundacional a observar a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que autoriza o corte de ponto dos servidores em greve.

Segundo a Andifes, entretanto, “a decisão do STF admite e reconhece como legítima a possibilidade de acordo com os grevistas, que certamente é de interesse público, pois viabiliza a reposição de atividades não realizadas, mas necessárias, especialmente as aulas que completarão os calendários acadêmicos. Dessa forma, um eventual acordo concretizado impediria o desconto, se ainda não realizado, ou o inutilizaria, se já feito”.

A entidade ressalta ainda, em seu ofício ao MEC, as dificuldades operacionais para realizar o corte de ponto dos servidores em greve. A Andifes cita ainda a portaria 02/2012 do MPOG a qual não inclui a possibilidade de pagamento, no mês de janeiro do ano seguinte ao exercício financeiro, dos salários não pagos em razão de greve, o que pode gerar problemas em caso de equívocos no corte de ponto ou de acordo para a compensação dos dias parados.

“Ainda quanto a isso, cabe destacar que o desconto salarial pode ser realizado a qualquer tempo na folha de pessoal. O pagamento dos valores dos dias de greve, diante de eventual acordo, por outro lado, não segue a mesma regra, como já dito, adotando-se a sistemática do exercício anterior. Trata-se, portanto, de duas medidas igualmente adequadas a atender ao interesse público de proteção do erário – o desconto imediato e o desconto ulterior –, sendo que a primeira delas é extremamente mais gravosa aos servidores e aos gestores que a última e, portanto, desnecessária e desproporcional”, afirma a Associação Nacional dos Dirigentes das Ifes, que ressalta não ter tempo hábil de acatar as ordens do governo federal.

Eblin Farage, presidente do ANDES-SN, afirma que o corte de ponto fere o direito de greve dos servidores públicos e que não é a primeira vez que governos tentam criminalizar a luta dos trabalhadores. "De forma imediata, o posicionamento da Andifes contra o corte de ponto é importante, apesar de ser estritamente técnico e burocrático. Esperávamos um posicionamento político dos reitores, em defesa da autonomia universitária e do direito de greve dos professores e técnicos. Em anos anteriores, as mesmas ameaças ao nosso direito de greve foram feitas e sempre resistimos mantendo a mobilização e a luta por uma universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada", disse.

MPOG orienta corte de ponto

Na última quarta-feira (30), a Secretaria de Gestão de Pessoas e Relações do Trabalho no Serviço Público do MPOG encaminhou orientação, via Siapnet, aos Dirigentes de Gestão de Pessoas dos Órgãos e das Entidades de Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional acerca do corte de ponto dos servidores em greve.

A notificação, cópia da qual a imprensa do ANDES-SN teve acesso, menciona a decisão do Pleno do STF sobre desconto dos dias não trabalhados e aponta que cabe aos dirigentes observar a decisão do STF na condução dos processos administrativos.

Em resposta à solicitação de entrevista encaminhada pela imprensa do ANDES-SN na sexta-feira (2), a assessoria de comunicação do MPOG confirmou o envio da mensagem, e afirmou que a mesma “está fundamentada no julgamento do Recurso Extraordinário 693456, pelo Supremo Tribunal Federal (STF)” e que por conta dessa decisão do STF, “a administração pública deve fazer o corte do ponto dos grevistas”. O MPOG ainda ressaltou que, em caso de descumprimento da orientação, o ministério adotará as sanções cabíveis, inclusive de ordem disciplinar.


 


META DE 25 GIGAWATTS DE ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA EM 2030 DEVE TRAZER MAIS DE R$ 125 BILHÕES EM INVESTIMENTOS AO PAÍS

Thiago Nassa, EcoDebate, 09/12/2016

    As novas projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), lançadas em recente nota técnica, com a meta de 25 gigawatts (GW) em potência instalada da fonte solar fotovoltaica até 2030, estão cada vez mais alinhadas com as expectativas setor fotovoltaico brasileiro e mobilizarão mais de R$ 125 bilhões em investimentos ao País na construção dos projetos.

A previsão é do presidente-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), Dr. Rodrigo Sauaia. Segundo ele, as novas projeções divulgadas pelo governo federal são positivas, na medida em que sinalizam um esforço concreto de diversificar a matriz elétrica nacional por meio do aumento da participação de fontes renováveis com baixa emissão de gases de efeito estufa (GEE).

Para Sauaia, o grande destaque vai para a fonte solar fotovoltaica, cuja participação na matriz elétrica brasileira será fortemente ampliada de 0,01% em 2015 para mais de 10% em 2030, um crescimento de mil vezes em um horizonte de 15 anos, maior crescimento relativo do período.

Segundo a nota técnica da EPE, intitulada “O Compromisso do Brasil no Combate às Mudanças Climáticas: Produção e Uso de Energia”, documento que serviu de base para a definição das metas nacionais de redução de emissões de gases de efeito estufa, conforme os compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris, que entrou em vigor em novembro de 2016, os 25 GW de energia solar fotovoltaica que farão parte da matriz elétrica brasileira de 2030 estarão divididos em 17 GW de geração centralizada solar fotovoltaica (usinas de grande porte) e 8,2 GW de geração distribuída solar fotovoltaica (sistemas em edifícios residenciais, comerciais, industriais, públicos e na zona rural).

“Apesar de representar um avanço considerável frente às projeções anteriores, a ABSOLAR recomenda uma meta nacional de 30 GW em energia solar fotovoltaica até 2030, levando em consideração o envolvimento tanto do governo federal, quanto de governos estaduais e municipais”, diz Sauaia.

De acordo com dados da ABSOLAR, o segmento de micro e minigeração distribuída solar fotovoltaica, que registrou crescimento de 320% em 2015, conta atualmente com mais de 6000 sistemas em todo o país, representando mais de 42 MW em potência instalada, o equivalente a mais de R$ 375 milhões em investimentos privados.

Já no segmento de geração centralizada, o País conta atualmente com 3,3 GW em projetos da fonte solar fotovoltaica contratados via leilões de energia, o que deverá movimentar mais de R$ 13,5 bilhões até 2018. “A estimativa preliminar da ABSOLAR para 2017 aponta para um volume de novas contratações para a fonte solar fotovoltaica de 2 GW por meio de leilões de geração centralizada”, comenta Sauaia. “Simultaneamente, estimamos que o mercado de geração distribuída solar fotovoltaica continuará em forte trajetória ascendente, com destaque para clientes residenciais e comerciais, motivados a reduzir os seus gastos com energia elétrica”, acrescenta.

Os compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris, que busca combater as mudanças climáticas e limitar o aumento da temperatura do planeta, incluem metas para reduzir em 37% as emissões nacionais de GEE até 2025 e em 43% até 2030, ambas em relação ao ano-referência de 2005. Adicionalmente, o país se comprometeu a ampliar a participação das fontes renováveis não-hídricas (solar, eólica e biomassa) na matriz elétrica brasileira para pelo menos 23% até 2030.

 


ADVINHE QUEM VAI TOMAR CONTA DO ARSENAL NUCLEAR DOS EUA?

José Monserrat Filho *

“A guerra é uma negociata. Sempre foi. Possivelmente a mais antiga, sem dúvida a mais rentável, certamente a mais viciosa. É a única na qual os lucros são contados em dólares e as perdas em vidas.”
Smedley Darlington Butler, major general do Corpo de Fuzileiros     Navais dos EUA. (1)

Ele mesmo. Donald Trump, o magnata que ganhou as eleições presidenciais americanas no Colégio Eleitoral, mas perdeu no voto direto por mais de dois milhões de sufrágios, e que promete fazer qualquer negócio para “recuperar a grandeza dos EUA” – slogan repetido ad nauseam, mas que não se sabe bem o que significa, nem se tem algum limite.
    
Em 20 de janeiro de 2017, o novo morador da Casa Branca assume o comando da maior potência militar do planeta e, ato contínuo, passa a controlar todas as armas nucleares do país.

A julgar pelo que disse durante a campanha eleitoral e tem dito como presidente eleito, é difícil avaliar com clareza seu senso de responsabilidade e seu real grau de sanidade. Há quem diga que ele gosta de brincar com o fogo. Tanto que já nomeou para comandar o Pentágono o general reformado James Mattis, apresentado como “militar linha-dura” (2) e que é conhecido pelo apelido de “Mad Dog” (cachorro louco), que não diz tudo, mas sugere muita coisa. Isso, claro, ainda não garante que aceite de bom grado uma aventura nuclear, que poderia desperdiçar à toa boa parte de sua fortuna. Mas nunca se sabe. Quem de cabeça fria poria a mão no fogo por Trump?
    
A verdade é que os EUA realizaram mais testes nucleares do que o resto do mundo junto e que são o único país a ter usado bombas atômicas contra outro país (Japão, em Hiroshima e Kagasaki, nos dias 6 e 9 de agosto de 1945). Além do mais, ocupa de longe o primeiro lugar entre as 10 maiores potências detentoras dessas armas de destruição em massa. E é a única potência com armas nucleares instaladas em outros países (Bélgica, Alemanha, Itália, Holanda e Turquia), dentro do programa nuclear da Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN (NATO, em inglês).
    
Os EUA têm o maior gasto militar do mundo, com 596 bilhões, seguido da China, com 215 bilhões (estimados), da Arábia Saudita, com 87,2 bilhões, da Rússia, com 66,4 bilhões, do Reino Unido, com 55,5 bilhões, da Índia, com 51,3 bilhões, e da França, com 50,9 bilhões – tudo em dólares americanos, segundo relatório de 2016 do SIPRI (Stockholm International Peace Research Institute – Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo), relativo a 2015. (3)
    
Em 2015, aliás, o mundo inteiro gastou um trilhão e 676 bilhões de dólares em armas e atividades militares. Para o SIPRI, se comparamos os gastos militares globais com as despesas previsíveis dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável do Milênio – Agenda 2030 (4), aprovados pelas Chefes de Estado e Governo e altos representantes das Nações Unidas em 27 de setembro de 2015, é fácil imaginar o que já poderia ter sido conquistado se parte dos gastos militares tivessem sido redirecionados para financiar as metas do Milênio. Pouco mais de 10% desses gastos seriam suficientes para eliminar a pobreza extrema e a fome no mundo, cumprindo os objetivos 1 e 2. E menos de 10% bastariam para atender ao objetivo 4, da Educação. Pouco menos da metade dos gastos militares permitiriam alcançar a maioria dos objetivos visados, para os quais é essencial dispor de meios financeiros adicionais.
    
No início do presente ano, 2016, nove países detinham 15.395 armas nucleares – 4.120 delas à disposição de forças operativas e outras 1.800 mantidas em alto estado de alerta. Os nove países, pela ordem de quantidade de armas, são: Rússia, EUA, Reino Unido, França, China, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte. A Rússia aparece em 1º lugar, com 7.290 ogivas, e os EUA em 2º, com 7 mil – o que é visto como empate tecnico. A informação é do mesmo relatório do SIPRI.
    
O relatório do SIPRI tem um dado aparentemente positivo: “O número total de ogivas nucleares está diminuindo no mundo, graças sobretudo às reduções, por parte dos EUA e Rússia, de seus arsenais nucleares, como efeito do Tratado sobre Medidas para Redução e Limitação das Armas Estratégicas Ofensivas (Novo Start), de 2010, e de reduções unilaterais.” Acontece, alerta o SIPRI, que “desde o princípio de 2011, nenhum dos dois países promoveu grandes reduções em suas forças nucleares instaladas” e, como se isso fosse pouco, “tanto os EUA, quanto a Rússia, puseram em marcha extensos e custosos programas de modernização” (de armas nucleares). Ademais, “todos os demais Estados”, com arsenal nuclear bem menor, “estão desenvolvendo ou implantando novos sistemas de armas ou anunciaram a intenção de fazê-lo”.
    
Já houve nos EUA quem pretendesse resolver o impasse da Guerra Fria com o lançamento de armas nucleares. Foi o general Douglas MacArthur (1880-1964), chefe supremo das Forças Armadas dos EUA na Guerra contra o Japão. Ele comandou as tropas das Nações Unidas (EUA e aliados) na Guerra da Coreia (25/06/1950-27/07/1953), durante o governo de Harry S. Truman (1884-1972). Seis meses após o início da Guerra da Coreia, em janeiro de 1951, MacArthur passou a defender a ideia de atacar a China e a Coreia do Norte com bombas atômicas, como Truman decidira no caso do Japão.
    
Desta feita, no entanto, Truman achou que a operação podia não dar certo e apostou no fim do conflito. MacArthur se deu mal: demitido do comando em 11 de abril de 1951, foi julgado, logo em maio e junho, pelo Congresso dos EUA, que concluiu: o general violou a Constituição do país ao desrespeitar as ordens do presidente. (5) A posição de Truman acabou vingando em julho de 1953, quando Dwight D. Eisenhower (1890-1969) já era presidente dos EUA desde o começo do ano e Josef Stalin (1878-1953), que ajudara Mao Tse Tung (1893-1976) na Coreia, já tinha morrido, em 5 de março. O conflito coreano terminou com um simples e frágil armistício (trégua), e não com um desejável acordo de paz (até hoje não assinado). Esse é um dos graves problemas pendentes.
    
Poderia Trump ser o McArthur de hoje? Provavelmente, não. Mas também não é impossível.  Só Deus sabe.    
    
No artigo “Mister Trump e a bomba” publicado na revista Arms Control Today, seu diretor Daryl G. Kimball, escreve: “Durante décadas, os presidentes dos EUA – de ambos os partidos – foram confrontados com uma série de perigos com armas nucleares. Até hoje, apesar de várias falhas e ordens próximas, evitamos a catástrofe e limitamos a disseminação de armas nucleares a nove estados. Mas, com a eleição de Donald Trump, os EUA e o mundo adentram um território nuclear desconhecido e perigoso.” (6)
    
Kimball considera que de 20 de janeiro em diante, “o poder devastador do arsenal nuclear dos EUA estará sob o controle de um comandante-chefe impetuoso e impulsivo”. A seu ver, ao longo da campanha eleitoral, Trump deu declarações “profundamente preocupantes”, deixando claro que “ele está longe de entender os perigos incomparáveis das armas nucleares” e “não tem condições de administrar seus riscos”.
    
Perguntado se poderia usar armas nucleares, Trump não negou. Deu uma resposta dúbia, evasiva: "Bem, é uma última postura absoluta ... [mas] se quiser ser imprevisível", o que foi interpretado como se, em caso de crise, ele admitisse se envolver com armas nucleares... Afirmou também que seria aceitável se o Japão ou a Coréia do Sul buscassem suas próprias armas nucleares para combater a Coréia do Norte, porque, segundo ele, "isso vai acontecer de qualquer maneira".
    
Prometeu, ainda, "desmantelar" o acordo com o Irã, de 2015, de que participam seis potências mundiais. Se tentar "renegociar" o acordo, adverte Kimball, poderá estimular a rápida reconstituição da capacidades nuclear do Irã (que teme as bombas de Israel), paralizará os principais aliados dos EUA e criará condições para nova guerra no Oriente Médio, ainda mais desastrosa. Para Kimball, isso significa que “se Trump ou o Congresso liderado pelos republicanos sabotarem o acordo com o Irã, terão graves consequências geopolíticas”. Na sua visão, ao contrário de Obama, que entrou na Casa Branca com um plano detalhado para reduzir a ameaça nuclear, “Trump não tem uma estratégia discernível para gerenciar os desafios nucleares mais assustadores do nosso tempo”.
    
Como tratará a Coreia do Norte? Na campanha, ele disse que estaria disposto a conversar com o líder da Coréia do Norte. Mas também sugeriu tercerizar o caso à China. Kimdall tem uma ideia razoável e construtiva a respeito: Pequim só entrará em campo para valer se contar o apoio claro dos EUA para um diálogo renovado e de amplo alcance com a Coreia do Norte. Quer dizer, um diálogo renovado e amplo com a própria China também. Terá Trump cabeça para tanto?
    
Se tiver (os milagres acontecem quando menos se espera), o mundo estará bem mais seguro do que hoje. Será o fim da nova Guerra Fria, ora em pleno andamento (com gastos de muitos bilhões, como já vimos.) Mudando de rumo, o mundo poderá até adotar “Uma proibição completa de testes nucleares”, como em boa hora propõe o atual Secretário de Energia dos EUA, Ernest J. Moniz (7), deixando um nobre e oportuno recado para Trump.

    
* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e ex-Chefe da Assessoria Internacional do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Agência Espacial Brasileira (AEB). E-mail: <Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.>.
    
Referências
    
1) “War is a racket. It always has been. It is possibly the oldest, easily most profitable, surely the most vicious. It is the only one in which the profits are reckoned in dollars and the losses in lives.” Butler, Smedley Darlington (1881-1940), War is as Rocket (A Guerra é como uma negociata), Dragon Nikolic (Editor), 2012, p. 1. Crítico das guerras empreendidas pelos EUA, Butler foi, no entanto, até sua morte, o soldadomais condecorado da história americana. A frase aparece como epígrafe do livro de Luis Alberto Muniz Bandeira, A Desordem Mundial – O Espectro da Total Dominação, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016.
    
2) O Globo, 02/12/2016.
    
3) <https://www.sipri.org/sites/default/files/SIPRIYB16-Summary_ESP.pdf>.
    
4) <https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/>.
    
5) Stein, R. Conrad, The Korean War – The Forgotten War, USA, NJ: Enslow Publichers, 1954.
    
6) <https://www.armscontrol.org/aca/977>.
    
7)<http://science.sciencemag.org/content/354/6316/1081.full>. Science, 2 de dezembro.
    

 

 



FOGUETE BRASILEIRO LEVARÁ OITO EXPERIMENTOS AO ESPAÇO

CTA e Boletim Eletrônico de 05/12/2016

O foguete de pequeno porte e combustível sólido foi desenvolvido em parceria com a Agência Espacial Alemã. [Imagem: CTA]



Operação Rio Verde

Teve início no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, uma campanha que culminará como lançamento de um foguete com oito experimentos científicos e tecnológicos nacionais.

A Operação Rio Verde é um desdobramento do Programa Microgravidade, que financia os projetos da comunidade técnico-científica brasileira por meio de voos suborbitais.

A campanha começou com o lançamento de um Foguete de Treinamento Básico (FTB), na semana passada, para confirmação do apronto dos meios operacionais e de apoio. O próximo será um foguete de sondagem VSB-30, carregando os experimentos.

Após o lançamento e o voo em ambiente de microgravidade, os experimentos devem ser recuperados em alto mar por helicópteros da Força Aérea Brasileira (FAB), com apoio de embarcações da Marinha.

Experimentos

Veja a seguir a descrição dos experimentos que irão ao espaço no VSB-30.

1. MPM-A: Novas tecnologias de meios porosos para dispositivos com mudança de fase, desenvolvidos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Os minitubos de calor fazem uso do calor latente de fusão e do efeito capilar para transportar energia de uma fonte quente para uma fria. Esses dispositivos podem ser utilizados para o controle térmico tanto de equipamentos eletrônicos no espaço como em terra.

2. MPM-B: Tem a mesma finalidade do MPM-A, mas enquanto o fluido de trabalho do experimento MPM-A é o metanol, o MPM-B utiliza o fluido refrigerante denominado HFE7100.

3. VGP2: Os efeitos da microgravidade real no sistema vegetal cana-de-açúcar, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Trata-se de um experimento biológico que tem por objetivo avaliar os efeitos na microgravidade sobre o DNA da cana-de-açúcar.

4. E-MEMS: Sistema para determinação de atitude de veículos espaciais, desenvolvido pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). O objetivo deste experimento é fazer uso de sensores comerciais para determinação de atitude de sistemas espaciais.

5. SLEM: Solidificação de ligas eutéticas em microgravidade, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Este experimento contempla o desenvolvimento, construção e qualificação de um forno elétrico com capacidade de fundir (300°C) amostras de 3 materiais distintos. Ao atingir o ambiente de microgravidade, o forno é desligado e ocorre a solidificação das ligas.

6. GPS: Modelos de GPS (Sistema de Posicionamento Global) para aplicações em veículos espaciais de alta dinâmica, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com a colaboração do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Esse equipamento fornece a latitude, longitude e altitude da carga útil durante todas as fases do voo do foguete.

7. SMA: Sensor Mecânico Acelerométrico, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Servirá para ativação de linhas de ignição, após submetida a uma aceleração entre 4 e 6 vezes a aceleração da gravidade. Com esse dispositivo, ainda em fase de qualificação, objetiva-se elevar a segurança do veículo, evitando-se, por exemplo, que sistemas pirotécnicos sejam acionados antes do tempo previsto.

8. CCA: Circuito de Comutação e Atuação, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Modelo de desenvolvimento do sequenciador de eventos pirotécnicos e comutação de energia funcional.
 



Preparação dos dois estágios de propulsão do foguete VSB-30, antes da conexão da carga útil. [Imagem: IAE/CTA]



Voo suborbital

Todos os experimentos estarão a bordo da plataforma Carga Útil MICROG2, que será instalada no VSB-30 V11.

O VSB-30 foi desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), em parceria com o Centro Aeroespacial Alemão (DLR) para viabilizar estudos e pesquisas em ambiente de queda livre, sem rotações e acelerações por até seis minutos, em condições que caracterizam o ambiente de microgravidade.

O foguete VSB-30, composto por dois estágios propelidos a combustível sólido, deverá alcançar uma altitude de aproximadamente 260 km. O vôo terá a trajetória de uma parábola e não terá energia suficiente para injetar a carga útil em órbita. Por este motivo, é denominado voo suborbital.

Nesta trajetória, após a separação da carga útil dos estágios propulsores, os experimentos ficarão por aproximadamente seis minutos em ambiente de microgravidade, antes de caírem de volta, descendo de paraquedas no oceano, onde serão recuperados.

 


 

SATÉLITE DE ESTUDANTES BRASILEIROS É LANÇADO NO JAPÃO

Agência Brasil e Site Inovação Tecnológica,  14/12/2016

O nanossatélite dos estudantes brasileiros foi levado ao espaço pelo cargueiro espacial japonês que está levando suprimentos para a ISS. [Imagem: JAXA]



UbatubaSat

O nanossatélite UbatubaSat, desenvolvido por alunos do ensino fundamental de Ubatuba (SP), foi lançado nesta sexta-feira do Centro Espacial Tanegashima, no Japão, rumo à Estação Espacial Internacional(ISS).

A primeira etapa do lançamento foi transmitida ao vivo pela Jaxa, agência espacial do Japão.

A expectativa é que o satélite seja finalmente liberado no espaço no próximo dia 19 e, a partir do dia 21, já esteja na órbita operacional esperada. A liberação final será feita por um lançador especial de nanossatélites montado no laboratório japonês Kibo.

O UbatubaSat poderá ser o primeiro satélite totalmente desenvolvido no Brasil a funcionar em órbita, de onde poderá registrar a distância de sondas espaciais, detectar a formação de bolhas no espaço e também fazer contato com radioamadores e transmitir mensagens que foram gravadas por estudantes.

Satélite de estudantes

O projeto UbatubaSat foi idealizado pelo professor Cândido Osvaldo de Moura. A iniciativa surgiu no início de 2010, quando ele teve conhecimento de que uma empresa norte-americana estava desenvolvendo um veículo lançador e vendia os kits de montagem de pequenos satélites que pudessem ser lançados pela empresa.
Cândido levou o desafio para a sala de aula. Na época, ele era professor da Escola Municipal Presidente Tancredo de Almeida Neves (Etec), em Ubatuba. "A gente achou que seria interessante fazer um satélite desses com os alunos da quinta série. Eles tinham em média dez anos de idade e poderiam ser os mais jovens do mundo a desenvolver um projeto espacial", conta o professor.

Segundo Cândido, este tipo de satélite pequeno, também conhecido como cubesat, foi criado nos anos 1990 para servir como experiência pedagógica nas universidades. Com apoio técnico e financeiro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Agência Espacial Brasileira (AEB), o professor adaptou a experiência para os alunos mais jovens.

Sucesso

O satélite levou três anos para ficar pronto. A construção foi conduzida por seis alunos, mas desde 2010 cerca de 400 estudantes já passaram pelo projeto, que engloba outras atividades de desenvolvimento científico.

Cândido e seus alunos acompanharam o lançamento do satélite da sede do Inpe, em São José dos Campos (SP). "A maior conquista é o aprendizado do aluno. O que a gente quis foi colocar os alunos em contato com a ciência e a tecnologia desde cedo. Este sucesso a gente já conquistou", disse Cândido.

 


 

AUMENTO DE EMISSÕES DE METANO AMEAÇA LUTA CONTRA AQUECIMENTO GLOBAL (ESTUDO)

AFP e Portal da UOL, 12/12/2016

O aumento nos últimos 10 anos das emissões de metano, potente gás do efeito estufa, ameaça tornar a luta contra o aquecimento global ainda mais difícil, disseram pesquisadores nesta segunda-feira.

"Deve-se tentar quantificar e reduzir as emissões de metano urgentemente", afirmaram em um editorial esses pesquisadores, que coordenaram um balanço mundial realizado por 81 cientistas de 15 países.

Depois de uma leve diminuição entre 2000 e 2006, a concentração de metano na atmosfera aumentou 10 vezes mais rapidamente na década seguinte, afirma o estudo, publicado na revista científica Earth System Science Data.

"Manter o aquecimento abaixo dos 2°C já é um desafio considerável", afirmaram, em referência ao objetivo da comunidade internacional estabelecido no final de 2015 no Acordo de Paris.

"Tal objetivo se tornará cada vez mais difícil se as emissões de metano não forem reduzidas forte e rapidamente", alertaram.

Os pesquisadores trabalham com várias hipóteses para explicar este aumento, como a exploração dos combustíveis fósseis ou, mais provavelmente, as atividades agrícolas.

As concentrações aumentaram cada vez mais rápido desde 2007, com uma forte aceleração em 2014 e 2015.

A tal ponto que nenhum dos cenários intermediários do último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a autoridade científica de referência sobre o clima, mostrou esta evolução.

"A velocidade de aumento se aproxima de maneira preocupante ao cenário mais pessimista", ressalta Marielle Saunois, da Universidade de Versailles Saint Quentin, em uma coletiva de imprensa em Paris.

O metano, o segundo principal gás de efeito estufa relacionado com as atividades humanas, depois do dióxido de carbono (CO2), contribui com 20% do aquecimento atual.

Até agora, os esforços contra as mudanças climáticas se concentraram no CO2, emitido em grande parte a partir de combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás), e que representa 70% dos gases de efeito estufa.

No entanto, o metano é 28 vezes mais poderoso do que o CO2, embora permaneça menos tempo no ar, cerca de 10 anos.

Grande potencial de ação

O metano é mais difícil de se controlar do que o CO2, porque está mais difuso e provém em grande parte de fontes naturais, como zonas úmidas e formações geológicas.

No entanto, de acordo com o estudo, 60% das emissões de metano estão vinculadas às atividades humanas, sendo que 36% delas procedem da agricultura, da pecuária e do tratamento de resíduos.

Os pesquisadores priorizam essa hipótese para explicar o aumento das emissões. Segundo a FAO, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, o número de cabeças de gado passou de 1,3 bilhão em 1994 para a 1,5 bilhão 20 anos depois.

Mas eles também não excluem o papel dos combustíveis fósseis neste aumento.

No total, 21% das emissões de metano se devem à exploração de carvão, petróleo e gás, dado que, desde sua extração até suas redes de distribuição, os vazamentos de metano são muito frequentes.

"A partir dos anos 2000, há uma grande exploração de carvão na China, e a exploração de gás nos Estados Unidos também está em aumento", afirma Saunois.

Por outro lado, o permafrost, o solo congelado das altas latitudes, também pode liberar metano quando se funde.

Apesar deste ser um dos grandes temores dos climatologistas, nesta fase ainda "não vemos um aumento anormal das concentrações", diz o pesquisador e coautor Philippe Bousquet, acrescentando que estas "emissões podem aumentar com o tempo, mas isso ocorrerá ao longo de décadas".

Em relação ao forte aumento das emissões nestes dois últimos anos, os cientistas não encontram explicações.

"Pode ser de origem natural", diz Bousquet. "Mas se se prolonga por mais do que três ou quatro anos, seria necessariamente humano", acrescenta.

Embora não se saiba a origem exata, pode-se adotar medidas para reduzir ou capturar metano: metanizadores nas fazendas, modificação dos protocolos de irrigação dos arrozais, evitar os vazamentos, etc.

"Podemos reduzir estas emissões mais facilmente, de maneira menos coercitiva, do que as de CO2, apoiando ao mesmo tempo a inovação e o emprego. Portanto, não devemos renunciar a isto", insiste Philippe Bousquet.

 


PORTUGUÊS QUER PROVAR QUE EINSTEIN ESTAVA ERRADO E MEDIRÁ VELOCIDADE DA LUZ

Fernando Cymbaluk, Do UOL, em São Paulo, 07/12/201615h45


 
João Magueijo, físico português

O físico português que desafiou Einstein imaginando que a velocidade da luz pode variar está mais próximo de testar se sua ideia radical está certa. João Magueijo celebra grandes avanços. O que era fruto da imaginação de um estudante rebelde virou uma previsão precisa, com o cálculo de um índice que pode ser colocado à prova. O recente estudo publicado na revista "Physical Review" golpeia o que parecia um inabalável pilar da física erguido por Albert Einstein, o de que a velocidade da luz é, e sempre foi, constante.

A imaginação foi o começo de tudo para Magueijo. Desde que foi descoberto o Big Bang, os físicos não conseguem explicar como o Universo chegou ao seu tamanho e estado atual. Imagine você que o Universo observável é do tamanho de uma sala, e que o Big Bang ocorre quando ligamos um aquecedor que está encostado na parede. O problema é que não teria dado tempo para que o ar quente (luz e energia) viajasse até todos os cantos da sala e se misturasse de forma homogênea. Mas e se a luz tivesse acelerado no primeiro arranque do cosmo? Foi isso que o físico pensou.

A ideia apresentada na década de 1990 significava contestar uma premissa que sustenta diversas teorias, como a da relatividade. Até então, todas as tentativas de explicação do cosmo nascente levaram em consideração a velocidade da luz como imutável.

Passados 20 anos, as propostas de Magueijo ganharam maturidade, na forma de previsões e construções de modelos matemáticos.
 
A ideia de que a velocidade da luz poderia ser variável era radical quando proposto pela primeira vez, mas com uma previsão numérica, ela se torna algo que os físicos podem realmente testar. Se verdadeiro, isso significaria que as leis da natureza não foram sempre as mesmas que são hoje"

Para colocar a teoria à prova, seriam usadas imagens geradas por telescópios especiais que detectam a radiação cósmica de fundo em micro-ondas. Se imaginarmos os físicos que buscam decifrar o mistério do início do universo como arqueólogos, essa radiação pode ser comparada a uma espécie de fóssil da luz.

É possível ver índice ao qual Magueijo chegou bate com espectros dessa onda. O físico acredita que testes podem ser realizados a partir de 2022.

 


Reprodução/Sciencemag



Ao formular a teoria da relatividade, Albert Einstein estabeleceu como premissa que a velocidade da luz é constante. Esse postulado tornou-se um pilar da física moderna

Da imaginação para a calculadora

A radiação cósmica de fundo, detectável hoje, é o resultado de uma época em que o universo era quente e denso --apenas 380 mil anos após o Big Bang. Ela nos mostra flutuações que levaram à formação das galáxias. Há um índice que indica a intensidade dessas flutuações, que para a maioria das teorias fica em torno de 0,9.

Trabalhando com Niayesh Afshordi, no Instituto Perimeter no Canadá, o físico chegou ao índice de 0,96478. O número previsto pelos cientistas incorpora a ideia de que as flutuações foram motivadas por uma velocidade variável da luz no início do universo, permitindo que as bordas distantes fossem conectadas à medida que o universo se expandia. A velocidade da luz teria caído à medida que a densidade do universo mudava.

"Foi um momento de transição do universo, com transformações dramáticas, brutais", afirma o físico. Com isso ele quer dizer que, apesar de existirem ainda situações extremas, como fronteiras de buracos negros, em que as leis da física mudam, no universo atual as variações de velocidade que a luz pode sofrer são minúsculas.

Assim, a teoria da relatividade não cai por terra, mas teria de ser revista. O que, para Magueijo, pode ser visto como menos radical, é mais um ganho para a teoria.

"Não é que quero ser conservador, continua a haver mudança. Filosoficamente, é grande a diferença, mudamos fundamentos da física. Tecnicamente, não muito. O que se ganha é poder fazer contas", diz.

ESA

Radiação cósmica de fundo, registro de quando o universo tinha 370 mil anos detectado pela sonda espacial Planck

"A inflação perde valor científico"

Além de desafiar Einstein, Magueijo teve de confrontar outra teoria, a da inflação. Criada na década de 1980 e com mais adeptos, a teoria inflacionária explica o início do Universo preservando as leis da física como a conhecemos. Para ela, o Universo estabilizou-se quando era incrivelmente pequeno. Após isso, passou por uma fase de expansão extremamente rápida, mas de maneira uniforme.

A teoria inventa um "campo de inflação", um conjunto de condições que só existiam na época.

Magueijo comemora o avanço com relação à teoria rival. "Temos vantagem experimental, de poder testar a teoria, coisa que a inflação não faz", diz. Ele aponta como fraqueza da teoria inflacionária o fato de ela não prever um número concreto e, assim, não poder ser verificada experimentalmente.

"A da variação da velocidade da luz tem essa vantagem, possui aplicação concreta. A falta de previsibilidade está a minar a credibilidade científica da inflação", diz.

Ver o que era considerado suicídio acadêmico se tornando uma teoria cada vez mais aceita anima Magueijo. "Há um grupo de Roma que mostra que velocidade da luz varia com a cor", conta.

Ele não maldiz os primeiros passos, de dificuldades para se publicar artigos e de desconfiança dos pares.

Ideia nova tem que despertar dúvida, e o cientista que a propôs [tem que] ser capaz de responder as perguntas que surgem."

Assim, o português radical que desafia Einstein mostra ser fiel a uma outra de suas premissas. A de que para o avanço da ciência, como disse uma vez o físico alemão, a imaginação é mais importante que o conhecimento.


 

THE TWO FACES OF WINDOWS 10: TECH TIP

J.D. Biersdorfer, The New York Times, 12/12/2016


 

To switch to the Windows 10 desktop interface from Tablet Mode, open the Action Center and tap Tablet Mode to turn it off.

Q. I did something in my Windows 10 laptop’s settings and now my apps are all over the desktop and every program opens in full screen. What is this and how do I fix it?

A. Because the system can run on touch-screen devices as well as traditional mouse-and-keyboard desktop systems, Windows 10 has a Tablet Mode that shifts the user interface from a “point-and-click” to “a tap-and-drag” method of input. This makes it easier to take advantage of the touchscreens on some laptops and tablet-laptop hybrid models, but it can also be awkward if you did not intend to use Windows 10 that way.

It is possible that Tablet Mode got turned on accidentally in the Windows 10 Action Center, the panel of shortcuts to system settings and controls that opens when you click the dialogue box icon on the bottom-right corner of the screen. You can also open the Action Center when you press the Windows and A keys, tap four fingers on the laptop’s trackpad or swipe left from the right edge of the touch screen.

When the Action Center pane is open, it can be easy to inadvertently tap the Tablet Mode square in the grid of other controls and turn on the feature. To switch back to the regular Windows 10 desktop interface, open the Action Center again and tap the Tablet Mode square again to turn it off.

You can change the way Tablet Mode behaves in the main Windows 10 settings. Go to the Start menu, open Settings and select System. On the next screen, choose Tablet Mode. Here, you can set the computer to always open in desktop mode when you log in, ask before switching between modes, or hide the taskbar and its icons if you are using the computer like a tablet.

Personal Tech invites questions about computer-based technology to Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. This column will answer questions of general interest, but letters cannot be answered individually.

 


SECRETARIA REGIONAL DE PERNAMBUCO

Prof. Marcos Antonio Lucena - Secretário Regional

Profa. Rejane Mansur Nogueira - Secretária Adjunta

 

José Antônio Aleixo da Silva (Editor)Professor titular da UFRPE e membro da Diretoria da SBPC.

Bianca Pinto Cardoso
Designer do Jornal

 

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