Notícias

Jornal Eletrônico da SBPC/PE #22 Ano: 4

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Notícias:

NOTA DA ANDIFES SOBRE AS DECLARAÇÕES DO MINISTRO DA EDUCAÇÃO SOBRE AS UNIVERSIDADES FEDERAIS

NOTA DA SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA SOBRE MANIFESTAÇÃO DA ANDIFES

NOTA DA ACADEMIA PERNAMBUCANA DE CIÊNCIAS SOBRE A MANISFESTAÇÃO DA ANDIFES.

NOTA DA UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO SOBRE AS DECLARAÇÕES DO MINISTRO DA EDUCAÇÃO.

NOTA PÚBLICA DA ABC EM DEFESA DA UNIVERSIDADE PÚBLICA, DA CIÊNCIA E DA EDUCAÇÃO.

NOTA DO ANDES EM REPÚDIO ÀS DECLARAÇÕES DE ABRAHAM WEINTRAUB EM ENTREVISTA AO JORNAL DA CIDADE.

NOTA DE ESCLARECIMENTO DA UNB SOBRE DECLARAÇÕES DO MINISTRO DA EDUCAÇÃO.

NOTA PÚBLICA SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUÍMICA.

ACADEMIA PERNAMBUCANA DE CIÊNCIA PROMOVE DEBATE SOBRE INSTALAÇÃO DE USINA NUCLEAR EM ITACURUBA-PE

FORUM DAQS ACADEMIAS DE CIÊNCIAS DE PERNAMBUCO: CARTA DAS ACADEMIAS DE CIÊNCIAS.

EXTERMINADORES DO FUTURO

GOVERNO CRIA AMARRAS PARA IMPEDIR QUE BRASIL FIQUE ENTRE OS DEZ MAIORES PRODUTORES DE CONHECIMENTO

PRECISAMOS PROTEGER A CIÊNCIA QUE NOS PROTEGE DOS DESASTRES NATURAIS

PROFESSORES DENUNCIAM QUE CAPES RETIROU HOMENAGEM A PAULO FREIE EM PLATAFORMA ONLINE

FUNDO DO BRANCO MUNDIAL PARA PANDEMIAS PRIVILEGIA INVESTIDORES PRIVADOS

DESAFIOS DO SÉCULO 21 – COMO FUNCIONA A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL? 


 

Secretária Regional: Maria do Carmo Figueredo Soares
Secretaria Regional Adjunta: Marília Regina Costa Castro
 

José Antônio Aleixo da Silva (Editor)
Professor titular da DCFL/UFRPE
Conselheiro da SBPC

Paulo Henrique PontesDesigner do Jornal

 


 

NOTA DA ANDIFES SOBRE AS DECLARAÇÕES DO MINISTRO DA EDUCAÇÃO SOBRE AS UNIVERSIDADES FEDERAIS

 

O ministro da educação do Brasil, Abraham Weintraub, parece nutrir ódio pelas universidades federais brasileiras. Afinal, as instituições das quais deveria cuidar, cabendo ao Ministério estruturar e aperfeiçoar, são a todo momento objeto dos ataques de sua retórica agressiva. Todos já vimos tal agressividade ser dirigida, por exemplo, contra estudantes (sobretudo as suas lideranças), contra professores — tratados como marajás, “zebras gordas” — e mesmo contra gestores (sobretudo gestoras), como se fossem adversários. Vemos ser desvalorizada a produtividade das nossas instituições e serem atacadas, em particular, as áreas pertencentes às humanidades. E, a todo momento, números são chamados a servir à imagem distorcida de que as universidades são excessivamente caras e que, portanto, deveriam sofrer ainda mais restrições orçamentárias. Já o vimos, enfim, classificar as universidades federais como o lugar da “balbúrdia”, invocando outrora essa razão para um bloqueio orçamentário.

Entretanto, em vídeo recentíssimo, o Ministro Abraham Weintraub ultrapassa todas as fronteiras que devem limitar, sobretudo, os atos de um gestor público do alto escalão da República. Sem fazer quaisquer mediações, afirma que as Universidades Federais são “madraças de doutrinação”, ofendendo a um só tempo toda a comunidade acadêmica e a fé muçulmana; afirma ademais que foi criada uma “falácia” segundo a qual as universidades federais precisam ter autonomia, ignorando que essa “falácia” na verdade é mandamento previsto na Constituição brasileira (art. 207) e que um ministro de Estado atentar contra ela constitui crime de responsabilidade (art. 4º, “caput”, c/c art. 13, I, Lei 1.079/50); e afirma, ultrapassando todos os limites, que algumas universidades federais têm “plantações extensivas de maconha” com o uso até instrumentos tecnológicos para seu cultivo, além de afirmar que “laboratórios de química” das universidades se transformaram em usinas de fabricação de drogas sintéticas, como metanfetamina. Enfim, estende essa suspeição a todas as instituições, pois, segundo ele, “cada enxadada é uma minhoca”.

Se o Sr. Ministro da Educação busca, mais uma vez, fazer tais acusações para detratar e ofender as universidades federais perante a opinião pública, mimetizando-as com organizações criminosas, ele ultrapassa todos os limites da ética pública, indo aliás muito além até de limites que já não respeitava. Nesse caso, o absurdo não tem precedentes. De outro lado, se o Sr. Ministro, enquanto autoridade pública, efetivamente sabe de fatos concretos, sem todavia apontar e denunciar às autoridades competentes de modo específico onde e como ocorrem, preferindo antes usá-los como instrumento de difamação genérica contra todas as universidades federais brasileiras, poderá estar cometendo crime de prevaricação. Assim, diante dessas declarações desconcertantes, a ANDIFES está tomando as providências jurídicas cabíveis para apurar eventual cometimento de crime de responsabilidade, improbidade, difamação ou prevaricação.

A ANDIFES reitera, na contramão da retórica do Sr. Ministro da Educação, aquilo que todos os indicadores e rankings nacionais ou internacionais, públicos ou privados, demonstram de modo inequívoco: as universidades públicas são o berço da produção da ciência e tecnologia do nosso país, são essenciais à soberania nacional, ao desenvolvimento econômico e à formação das nossas futuras gerações. São, enfim, um verdadeiro patrimônio do povo brasileiro, que precisa ser valorizado, cuidado e incentivado.

 

DIRETORIA DA ANDIFES

http://www.andifes.org.br/declaracoes-do-ministro-da-educacao-sobre-as/

 


 

NOTA DA SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA SOBRE MANIFESTAÇÃO DA ANDIFES.

 

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - SBPC manifesta seu integral apoio à nota pública da Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior – Andifes, Declarações do ministro da Educação sobre as universidades Federais, e reitera sua solidariedade às universidades públicas brasileiras, que estão sendo duramente criticadas, de forma injusta e inverídica, pelo atual Ministro da Educação.

 

São Paulo, 22 de novembro de 2019.

 

Ildeu de castro Moreira

Presidente da SBPC 


 

NOTA DA ACADEMIA PERNAMBUCANA DE CIÊNCIAS SOBRE A MANISFESTAÇÃO DA ANDIFES.

A Academia Pernambucana de Ciências (APC) vem de público apoiar na integra a nota redigida pela Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES) contra as desastrosas declarações no Ministro da Educação Abraham Weintraub, referentes às Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) e expressa sua completa solidariedade a essas instituições responsáveis pelo ensino superior de qualidade e da quase totalidade da pesquisa e desenvolvimento tecnológico do País.

 

Recife 22 de novembro de 2019

 

Prof. José Antônio Aleixo da Silva

Presidente da APC


 

NOTA DA UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO SOBRE AS DECLARAÇÕES DO MINISTRO DA EDUCAÇÃO.

 


 

NOTA PÚBLICA DA ABC EM DEFESA DA UNIVERSIDADE PÚBLICA, DA CIÊNCIA E DA EDUCAÇÃO.

Academia Brasileira de Ciências, 23.11.2019

 

A universidade pública tem prestado um inestimável serviço ao Brasil, contribuindo para o avanço da ciência e da inovação e para a formulação de políticas públicas que levem a um país moderno e menos desigual. A formação de profissionais qualificados e a realização de pesquisas avançadas em medicina, agricultura, energias renováveis, novos materiais, nanotecnologia e biodiversidade, entre outras, beneficiam a saúde da população, a segurança alimentar, a indústria nacional e promovem um futuro sustentável para o país. Fortalecem sua economia e seu protagonismo internacional 

É lamentável, assim, que o titular do Ministério da Educação, um dos mais importantes do país, vilipendie e calunie esse grande patrimônio nacional, propagando denúncias não fundamentadas, que atingem brasileiros empenhados na construção do futuro do Brasil. Com essa atitude, desmerece o cargo que ocupa. Deveria, pelo contrário, estimular os jovens a prosseguir em seus estudos e a ingressar nas instituições que ataca.

A incontinência verbal do ministro prejudica a nação brasileira. É hora de recuperar a integridade do Ministério da Educação. E de promover a educação não apenas como política de Estado, fundamental para o desenvolvimento nacional, mas também como balizadora da conduta dos cidadãos e das autoridades governamentais.

 

Rio de Janeiro, 23 de novembro de 2019. 

Luiz Davidovich

Presidente da Academia Brasileira de Ciências


 

NOTA DO ANDES EM REPÚDIO ÀS DECLARAÇÕES DE ABRAHAM WEINTRAUB EM ENTREVISTA AO JORNAL DA CIDADE.

 

Desde a posse de Jair Bolsonaro, a ala “ideológica” de extrema direita tem utilizado sistematicamente os órgãos do executivo para avançar em sua “guerra cultural”. O Ministério da Educação tem sido um espaço privilegiado, de onde emanam os mais diversos e infundados impropérios e ataques descabidos à ciência e ao projeto de educação pública, gratuita e de qualidade historicamente defendido pelo ANDESSN.

Infelizmente, a agenda de ataques e desqualificações que partem do MEC continua forte e intensa. Desde ontem, em um trecho de entrevista concedida ao “Jornal da Cidade” (um organismo de imprensa explicitamente favorável ao governo Bolsonaro) que tem circulado nas redes sociais, vemos Abraham Weintraub afirmando que as universidades federais são espaços de “doutrinação” e que abusam da autonomia universitária para, no interior do seu espaço físico, cultivar “plantações extensivas de maconha” (SIC) ou mesmo desenvolver “laboratório de droga sintética, de metanfetamina”. Tudo isso, ainda segundo o atual ministro, resulta de “uma estrutura muito bem pensada durante muito tempo” nas universidades federais.

Tal como em outras situações, Abraham Weintraub não apresenta nenhum dado que fundamente suas gravíssimas acusações. Apesar de afirmar que descobriu universidades que plantam extensivamente maconha ou produzem metanfetamina, o senhor ministro não apresenta uma única evidência que fundamente sua acusação. Trata-se, portanto, apenas de mais um ataque produzido por um governo que escolheu tomar a educação e a ciência como inimigos e obstáculos a serem combatidos e eliminados.

Desde os primeiros dias do governo Bolsonaro, o MEC foi aparelhado por seguidores de um astrólogo que têm nas universidades públicas um de seus principais inimigos. Ricardo Vélez-Rodríguez, o primeiro ministro da educação indicado por Jair Bolsonaro, tomou posse em 02 de janeiro afirmando explicitamente que combateria o “marxismo cultural”. Por conta dessa guerra, o MEC ficou meses inoperante. 

Após longa crise no MEC, o governo Bolsonaro nomeou Abraham Weintraub, quem, desde então, apenas intensificou os ataques expressos por seu antecessor. Por conta desses ataques, o ANDES-SN emitiu notas de repúdio. Por exemplo, repudiamos: a declaração em que o atual ministro ameaçou contingenciar verbas da UFBA, UFF e UNB por “balbúrdia” (ver Circular nº 163/19), suas afirmações pedindo para que professore(a)s sejam denunciado(a)s (o que repercutiu até mesmo na grande mídia: https://glo.bo/35wmCyt) e, mais recentemente, repudiamos os ataques emitidos contra docentes de universidades federais, o(a)s quais foram qualificado(a)s por Weintraub como “zebras gordas” (ver Circular nº 389/19).

Por conta das declarações infundadas chamando docentes de universidades federais de “zebras gordas”, que absorvem uma “fortuna” do orçamento público, o ANDES-SN interpelou judicialmente o Ministro da Educação solicitando explicações sobre suas declarações, já que não apresentou qualquer estudo sobre a composição salarial do(a)s docentes de universidades e institutos federais de educação superior.

Da mesma forma, interpelaremos judicialmente o atual ministro solicitando provas de que as universidades são centros de plantio e produção de drogas e tomaremos todas as medidas cabíveis frente a mais um dos inúmeros ataques contra a educação.

Sabemos que as desqualificações proferidas por Weintraub cumprem a função de justificar seus inúmeros ataques contra a educação que se expressam especialmente em cortes no orçamento, tal como vimos ao longo de 2019. Recentemente, o governo Bolsonaro apresentou PL sobre o PPA 2020-2023 que corta em quase 34,9% as despesas com capital, o que significa inviabilizar a educação pública.

Por isso, mais uma vez, reafirmamos que resistiremos ao projeto de destruição da educação pública e gratuita que hoje é dirigido por Weintraub e Bolsonaro e que estaremos nas ruas lutando pela recomposição do orçamento da educação, contra o FUTURE-SE e em defesa da educação, ciência e tecnologia públicas, assim como da autonomia universitária.

 

Brasília (DF), 22 de novembro de 2019.

DIRETORIA DO ANDES-SINDICATO NACIONA


 

NOTA DE ESCLARECIMENTO DA UNB SOBRE DECLARAÇÕES DO MINISTRO DA EDUCAÇÃO.

Ascom, Gabinete da Reitora, 24.11.2019

 

A Administração da Universidade de Brasília (UnB) tomou conhecimento de um post divulgado no Twitter pelo ministro da Educação com referência a uma operação policial ocorrida em área supostamente da UnB. A esse respeito, esclarecemos que:


  1. A referida operação foi realizada em abril de 2017, em uma área não localizada na UnB. Trata-se de área de Cerrado próxima ao campus Darcy Ribeiro. Foram apreendidos vasos com maconha no local. Segundo as primeiras impressões da polícia, as plantas eram mantidas por um grupo, sendo dois estudantes da Universidade e uma terceira pessoa não pertencente à comunidade acadêmica. Na ocasião, as forças de segurança da Universidade deram todo o apoio à polícia.

  2. Imediatamente, a Administração determinou a abertura de uma sindicância interna, para a apuração de responsabilidades. No processo, foi confirmado, por meio de um parecer técnico, que o local da apreensão não pertence à UnB.

  3. Após a apuração, não houve, na Justiça, confirmação de autoria de crime pelos dois estudantes. Dessa forma, eles não foram condenados. A comissão de sindicância interna recomendou o arquivamento do processo.

A Administração repudia veementemente a associação equivocada da imagem da Universidade a práticas ilícitas. O fato é ainda mais grave quando ocorre de maneira recorrente e por parte de um gestor público cujo papel é o de promover a educação, em seus diversos níveis.
A UnB é uma das principais instituições de ensino superior da América Latina e a oitava melhor do Brasil, segundo o ranking Times Higher Education (THE), com crescente excelência acadêmica, nas mais diversas áreas. As manifestações do ministro demonstram profundo desconhecimento e desrespeito acerca do papel constitucional de nossa instituição. Assim como outras universidades públicas federais, a Universidade de Brasília é patrimônio de todo o povo brasileiro.
É importante esclarecer que a UnB atua dentro da legalidade e vem aprimorando suas estratégias e ações de segurança, com medidas como a colocação de câmeras e de cadeiras elevadas nos estacionamentos. Mesmo com seu maior campus (Darcy Ribeiro) totalmente aberto e integrado à cidade, as medidas já promoveram a redução de 86% nas ocorrências no local, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do DF. Além disso, a questão das drogas afeta toda a sociedade e é, portanto, um desafio para o poder público de maneira geral.
A Universidade reitera o compromisso com sua missão institucional, educadora, para a melhoria das condições de vida da população e o desenvolvimento socioeconômico no DF e do país.


Márcia Abrahão

Reitora

Enrique Huelva

Vice-reitor

 


 

NOTA PÚBLICA SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUÍMICA.

 

A Sociedade Brasileira de Química (SBQ) é uma sociedade científica que tem por finalidade congregar profissionais ligados à Química e áreas afins com o propósito de desenvolver, divulgar e promover a pesquisa, a educação e a aplicação responsável do conhecimento químico em prol do desenvolvimento da nação. Seu quadro inclui professores, pesquisadores, estudantes e empresários, entre outros.
Por meio desta nota, a Diretoria e o Conselho Consultivo da SBQ veementemente repudiam a declaração do Ministro da Educação Abraham Weintraub, veiculada em vídeo recente, de que em unidades de Química das Universidades Federais ocorre o desenvolvimento de "laboratórios de droga sintética, metanfetamina". Tal declaração, entre outras, demonstra um completo desconhecimento, da parte do Sr. Ministro, da realidade dos departamentos e institutos de Química das Universidades Públicas Brasileiras, principalmente das Universidades Federais, onde a maioria da ciência de ponta realizada nesse país vem sendo conduzida. O Brasil contribui com 2,9% de toda a ciência produzida no mundo, o que o coloca em 13º lugar dentre todos os países na geração de conhecimento, e a área de Química contribui sobremaneira para essa posição de destaque da ciência brasileira. Além disso, os departamentos e institutos de Química das Universidades Federais são responsáveis por inúmeros avanços científicos que beneficiam a impactam a sociedade brasileira. Por exemplo:

Onde os brasileiros acham que estão alguns dos laboratórios de apoio da Petrobrás? Sim, eles estão nas Universidades Federais, dando todo suporte que o Brasil necessita de tecnologia na área de petróleo e gás.

Onde estão as grandes centrais analíticas e os nascedouros de empresas que fazem o desenvolvimento de metodologias para o controle de impurezas nos medicamentos genéricos que nós brasileiros utilizamos?Novamente, sem as Universidades isso não seria possível.
Onde são desenvolvidos os protocolos para a detecção de drogas e explosivos, fundamentais para os laboratórios da polícia investigativa? Mais uma vez, nas Universidades Federais.
Poderíamos listar inúmeros outros serviços diretos e indiretos que a Química desenvolvida nas nossas Universidades Federais presta aos cidadãos brasileiros, além dos profissionais que continuamente forma. 

É absolutamente estarrecedor e incompreensível a sequência de ataques que o Sr. Ministro vem proferindo contra as Universidades Federais, usando de dados infundados ou algum problema pontual, numa tentativa aparentemente premeditada de macular a imagem de nossas Universidades. Não se tem notícias, por exemplo, de registros onde o Sr. Ministro enaltece a realidade, comprovada por quaisquer agências brasileiras ou internacionais, que demonstram que a maioria absoluta da pesquisa científica realizada no Brasil é feita dentro de Universidades Públicas. Os números, bem conhecidos do Sr. Ministro, são claros: das 50 instituições que mais publicam ciência no Brasil, 49 são públicas, sendo 36 Universidades Federais. Outra cobrança recorrente dele é a questão prática da pesquisa. Ora, sem pesquisa básica não existirá pesquisa aplicada, mas recente levantamento das mais de 800 "empresas filhas" da UNICAMP mostrou que elas têm um faturamento anual de R$7,9 bilhões. Isso é retorno direto na forma de empregos e impostos para o país e merece ser enaltecido.
Finalmente, cabe destacar que a Diretoria e o Conselho Consultivo da SBQ se orgulham da grande comunidade química brasileira, que tem nas Universidades Federais uma parcela significativa de sua representação, e tem um reconhecimento internacional que deveria ser motivo de orgulho para toda a população brasileira. As graves acusações do Sr. Ministro não são, certamente, dirigidas a essa comunidade. A pesquisa e o ensino em Química nesse país são um assunto sério e exato. Não existe espaço para suposições ideológicas. Se o Sr. Ministro possui dados que comprovem alguma ação isolada relacionada as suas declarações, se tem conhecimento de algum caso pontual de desvio de conduta, que aponte, nomeie os responsáveis, denuncie à Polícia Federal, como é sua obrigação. Caso contrário, estará prevaricando e poderá responder por isto.


DIRETORIA E CONSELHO CONSULTIVO DA SBQ

(Sociedade Brasileira de Química)

22 de novembro de 2019.

 


 

ACADEMIA PERNAMBUCANA DE CIÊNCIA PROMOVE DEBATE SOBRE INSTALAÇÃO DE USINA NUCLEAR EM ITACURUBA-PE

 


 

FORUM DAQS ACADEMIAS DE CIÊNCIAS DE PERNAMBUCO: CARTA DAS ACADEMIAS DE CIÊNCIAS.

 

As Academias de Ciências de PE, congraçadas no seu Segundo Fórum, reconhecem, por unanimidade, sua responsabilidade social com o desenvolvimento educacional e o seu papel na avaliação das políticas públicas quanto ao alcance de uma educação com competência.

Educação com competência entendida como um processo de valorização dos conhecimentos, habilidades e atitudes efetivamente orientados para o desenvolvimento local ecologicamente sustentável com visão holística universal. 

A competência educacional é a necessidade mais básica para o reconhecimento das potencialidades humanas e transmissão dos conhecimentos e culturas, responsáveis pela evolução civilizacional. 

A formação de professores e a valorização das escolas, a partir do nível mais elementar de ensino e território geográfico-administrativo, começando a ser trabalhado em Pernambuco por “bacias energéticas”, são os pilares do desenvolvimento científico e tecnológico. 

A ciência mais básica é a educacional. E as ferramentas tecnológicas mais relevantes para o progresso sócio-administrativo-econômico são as promotoras de integração multidisciplinar, em todas as áreas do conhecimento. 

Sem professores do ensino fundamental, bem formados, bem remunerados e valorizados, toda a cadeia de profissionalização dos sistemas de trabalho é distorcida, tendo-se como consequência crescentes índices de analfabetos funcionais e alfabetizados improdutivos. 

Escreveu o genial cientista Stephen Hawking, no seu livro “Breves respostas para grandes questões”, publicado após a sua morte, o seguinte:
“Quando pensamos nas coisas que sabemos fazer na vida, há grandes chances de que as saibamos graças a um professor”.

E, mais adiante adicionou:

 “A base para o futuro da educação deve residir em escolas e professores inspiradores. As escolas, no entanto, oferecem apenas uma estrutura elementar onde às vezes a rotina de decoreba, equações e provas pode indispor os jovens contra a ciência.”

Hawking asseverou ainda:

“Porém, o que está reservado aos jovens de hoje? Posso dizer com confiança que serão mais dependentes da ciência e da tecnologia do que qualquer geração anterior. Eles precisam saber mais sobre ciência do que qualquer um antes deles, porque ela faz parte de suas vidas diárias de uma maneira sem precedentes.”

Não só professores inspiradores, mas também pais que estimulem, nos filhos, o prazer pelo conhecimento têm um importante papel na melhoria sempre crescente da educação. Já na Grécia, entre os séculos VII e VI A.C. o fabulista Esopo advertira: “Não se pode censurar os jovens preguiçosos, quando o responsável por eles serem assim é a educação de seus pais”.

Na verdade, os pais que não se interessam pela educação dos filhos criam sérios obstáculos à tarefa dos professores por mais inspiradores que sejam eles.

Mais do que nunca, precisamos retornar ao espírito da Renascença onde o ser humano preocupava-se com o conhecimento como um todo e não apenas setorizado, onde pontificou a figura multidisciplinar de um dos maiores gênios de todos os tempos, Leonardo Da Vinci. 

O encontro permanente das academias de ciências de Pernambuco pode e deve reativar essa necessidade de intercâmbio de ideias, evitando o isolacionismo das especializações.

Importa também motivarmos os jovens para comparecer às conferências acadêmicas, conscientizando-os da necessidade de atualização com as rápidas e complexas mudanças do mundo moderno. 

Nunca o futuro esteve tão próximo do presente e deveremos estar preparados para lidar competentemente com ele. Quem não se atualiza, estaciona no tempo e se transforma num zumbi do passado. 

Não somos apenas responsáveis pelo hoje, mas também pelo amanhã, embora continuemos como guardiões das grandes conquistas do passado. 

Do ponto de vista da temporalidade, não somos a face de Jano mas uma entidade de feição tríplice e verdadeiro sentinela da preservação da Natureza. E a educação é a mais eficaz ferramenta para a realização deste desiderato.

 

Recife, 22 de novembro de 2019


EXTERMINADORES DO FUTURO

Vera Magalhães, O Estado de São Paulo, 24.11.2019

 

Salles e Weintraub demonstram desprezo pelas áreas que comandam

De todas as áreas em que Jair Bolsonaro escolheu ministros a partir de critérios ideológicos, as que mais comprometem o presente e o futuro do Brasil são Educação e Meio Ambiente. Não à toa, a semana que passou foi tomada por mais demonstrações de incompetência e inadequação aos cargos por parte de Ricardo Salles e Abraham Weintraub.

Uma característica em comum norteia a atuação de ambos: eles nutrem profundo desprezo pelas áreas que comandam. No caso do titular do Meio Ambiente, ele considera sustentabilidade, preservação, mudança climática e outros temas concernentes à sua pasta bobagens, maquinações da esquerda contra o desenvolvimento do País, agendas a serem superadas.

O problema de Weintraub é de outra natureza: vindo de uma carreira acadêmica apagada, sem nenhuma produção intelectual relevante, ele demonstra ter recalque da academia, dos intelectuais e pesquisadores, se julga perseguido pela universidade e adota, como ministro, um discurso revanchista. Em ambos os casos, ter pessoas com essas perspectivas a determinar políticas públicas é uma temeridade, e os resultados nefastos já se mostram. O desempenho de Salles em 11 meses é o desmonte da estrutura de fiscalização ambiental no País. Deliberada. Em comum acordo com o presidente. Resultou no recorde de desmatamento em uma década e na lambança no combate ao inédito vazamento de óleo nas praias brasileiras.

E o recorde tende a não ser um ponto fora da curva, porque todas as deliberações do Ministério do Meio Ambiente vão na direção de aprofundar o afrouxamento das punições e limitações: o Ibama flexibilizou os critérios para multar serrarias que compram madeira ilegal, se estuda o fim da moratória da soja, projeto de lei que corre no Senado libera o plantio de cana na Amazônia, e o governo prepara medidas para permitir mineração em terras indígenas.

Weintraub se transformou no ministro da balbúrdia, como bem definiu Priscila Cruz, do Todos pela Educação, em artigo depois da mais nova diatribe do ministro, que deu uma entrevista delirante em que aponta a existência de grandes extensões de plantação de maconha em universidades federais.

Enquanto usa o Twitter para lacrar, ofender, bloquear e fazer guerra cultural, o País segue sem saber qual é a proposta do MEC para a substituição do Fundeb, a partir de 2021. As prioridades da pasta, em vez de temas centrais como este, são a perseguição a professores a partir de um canal de denúncias e a disseminação das escolas cívico-militares, cujos resultados acadêmicos são questionados pelos especialistas.

Não se espera de um ministro do Meio Ambiente que seja um braço direito da Agricultura. Nem que o da Educação atue como um inimigo de professores, reitores e da comunidade educacional. Comandar áreas pressupõe, na gestão pública ou na iniciativa privada, compreender suas necessidades, liderar equipes a partir do compromisso com metas e defender os interesses do seu setor no conjunto da administração ou da empresa. Salles e Weintraub fazem justamente o contrário: tratam subordinados como conspiradores, sabotam os objetivos das próprias pastas e atuam como linhas auxiliares de outras áreas do governo, puxando o saco do presidente para se manterem nos cargos.

Nas duas áreas, há uma consolidada e pública série histórica de dados que permitirá aferir em tempo real o desastre de tanto chorume ideológico transformado em política de Estado. Neste momento, não adiantará a Bolsonaro terceirizar a responsabilidade para os auxiliares que escolheu e chancelou, como tem feito. A História carimbará em seu governo retrocessos em campos que impactam de forma brutal o futuro do País. A conta já começou a chegar.

 


 

GOVERNO CRIA AMARRAS PARA IMPEDIR QUE BRASIL FIQUE ENTRE OS DEZ MAIORES PRODUTORES DE CONHECIMENTO.

Wanderley de Souza*, 19.11.2019


Há alguns anos já se percebe um claro posicionamento da área econômica do governo federal no sentido de criar amarras para evitar que a ciência brasileira alce voo e coloque o país entre os dez maiores produtores de conhecimento (hoje somos o décimo terceiro), condição que permitiria uma maior integração com o setor produtivo e geração de riqueza. Na teoria, muitos reconhecem a importância do investimento em ciência e tecnologia (C&T) para propiciar o desenvolvimento. Afinal, estão aí os exemplos de Japão, Coreia do Sul, China, Cingapura, para ficar apenas na Ásia, que decidiram investir fortemente em C&T, o que levou em alguns anos a que alcançassem posições crescentes na economia internacional baseada na produção de bens gerados por alta tecnologia. A opção brasileira tem sido até agora usar o avanço propiciado pela pesquisa científica em alguns setores, como é o caso do agropecuário, para exportar produtos de baixo valor agregado.
Uma simples análise da evolução do orçamento da área de C&T — que inclui o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), o CNPq e a Capes — mostra avanços consideráveis até 2013-2014, com investimento de R$ 10 bilhões. Ao invés deste orçamento continuar crescendo, como em outros países, entrou em declínio ano a ano, chegando a R$ 6 bilhões em 2018 e 2019, com projeção, baseada na nova Lei Orçamentária, de ficar em R$ 4,2 bilhões em 2020. Se o ano de 2019 já se mostra difícil, o de 2020 tende a ser pior, já que a previsão é de que corresponda a menos da metade do que foi executado em 2013 em valores nominais, sem levar em consideração a inflação e a variação cambial numa área que se baseia no uso de equipamentos e insumos importados.

O pequeno orçamento de 2019 criou tantos problemas que chegou a todos os principais órgãos da imprensa. Jornais publicaram editoriais defendendo a área científica e apontando para o equívoco do setor econômico em reduzir os recursos, interrompendo centenas de projetos, levando à migração para o exterior de dezenas de pesquisadores jovens e criando um ambiente de desânimo e desesperança de universitários de seguir carreira científica.

O ano de 2019 ainda entra para a história como o que marca um nítido enfraquecimento do ministério que cuida de ciência e tecnologia. Em vez de o ministério buscar o apoio da comunidade científica, procurou desde logo desestruturar o sistema, tentando retirar a secretaria executiva do FNDCT da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), onde se encontra desde antes da criação do próprio ministério. Não teve êxito devido a uma reação articulada pela comunidade científica junto ao Congresso Nacional. Mais recentemente, tentou novamente mudar o sistema com proposta encaminhada ao Conselho Diretor do FNDCT no sentido de esvaziar o papel da Finep. Novamente, houve reação dos representantes da comunidade científica no referido conselho.

Agora vem a equipe econômica, sob a liderança do ministro Paulo Guedes, propor ao Congresso dois projetos de emenda constitucional que poderão representar um tiro de morte no sistema de C&T. O primeiro se refere a recolher os recursos que não foram utilizados por cerca de 280 fundos públicos, alcançando cerca de R$ 280 bilhões e que seriam utilizados para abater a dívida pública, que iria de R$ 5 trilhões para R$ 4,7 trilhões. Desconheço a natureza de todos estes fundos setoriais. No entanto, entre eles temos um conjunto de fundos que foram criados com recursos do setor privado e em áreas específicas (petróleo e gás, energia, setor mineral, entre outros) com destinação específica para apoio ao desenvolvimento científico e tecnológico e que deveria ficar sob a administração do FNDCT.

São esses os recursos mais nobres que vêm permitindo o crescimento da atividade científica, especialmente a montagem de uma infraestrutura laboratorial necessária para a pesquisa em áreas de fronteira. A comunidade científica brasileira, de forma unânime e categórica, repele esta proposta e conclama a sociedade, o setor empresarial que acredita no potencial da inovação tecnológica para o desenvolvimento nacional, e os membros do Congresso a não permitirem que esta atitude lesa-pátria seja praticada, comprometendo o futuro do país. Importantes lideranças, tendo à frente o deputado Rodrigo Maia como presidente da Câmara, acabam de manifestar publicamente (artigo em 5 de novembro, no GLOBO) posição clara no sentido de que “ciência e tecnologia não são a causa da crise que enfrentamos, mas, aliadas à educação, podem ser a resposta”. Surpreende que medidas desvalorizando a atividade científica sejam propostas por uma equipe que inclusive se beneficiou de bolsas governamentais para a realização de cursos de pós-graduação em importantes centros universitários no exterior. Deveriam estar entre os primeiros a defender um sistema pujante de desenvolvimento científico como mola propulsora ao desenvolvimento.

Um segundo projeto de emenda constitucional visa a facilitar o processo de privatização de um conjunto significativo de empresas públicas listadas em alguns jornais de grande circulação no último fim de semana. Entre elas menciono aqui a Finep, empresa não dependente do governo e vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnolologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura e responsável pelo grande desenvolvimento do setor agropecuário, que hoje contribui significativamente para nossa pauta de exportações. Aqui também conclamamos para uma reação vigorosa da sociedade contra uma política de empobrecimento do Estado brasileiro.


*Wanderley de Souza é professor da UFRJ .


 

PRECISAMOS PROTEGER A CIÊNCIA QUE NOS PROTEGE DOS DESASTRES NATURAIS

Coalizão Ciência e Sociedade*, Direto da Ciência, 22.11.2019

 

Está em curso um enfraquecimento das ações e estruturas geradas a partir de investimentos públicos feitos ao longo de décadas.

Ainda sob o impacto do desastre de derramamento de petróleo em vasta extensão da costa brasileira e da recente divulgação dos dados que demonstram o aumento do desmatamento na Amazônia (previsto, infelizmente), o início do período de chuvas em várias regiões brasileiras nos remete a outra situação complexa que demanda alertas precoces e monitoramento continuado.

No Brasil, a maior parte das ameaças naturais com risco de desastre está relacionada a fatores climáticos. Geralmente, é nos períodos chuvosos que acontecem as inundações e os deslizamentos de terra, assim como durante a seca aumentam os riscos de estiagem e incêndios. Isso foi lamentavelmente constatado pelo maior desastre natural da história do país, que ocorreu em 2011 na região serrana do Rio de Janeiro e que, sem qualquer alerta aos moradores, ceifou mais de 900 vidas.

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) foi criado naquele ano como uma resposta imediata a essa tragédia. Sua criação objetivou capacitar o país em pesquisas multidisciplinares sobre desastres naturais e atuar diretamente no monitoramento e na emissão de alertas de risco, baseados na melhor ciência disponível. O sistema de alerta de risco de desastres naturais desenvolvido pelo Cemaden é único na América Latina, e tem como foco a prevenção de riscos de enxurradas, enchentes, inundações, movimentos de massa e impactos devastadores de secas, para evitar perdas de vidas e de bens materiais, e colapso de safras e de infraestrutura (estradas, pontes, redes elétricas, etc.).

Como parte integrante do sistema nacional de gestão de riscos de desastres naturais, ao longo dos seus oito anos de atuação o Cemaden ajudou a desenvolver e implantar um sistema de detecção e prevenção de desastres naturais. Com esse sistema, evita-se a morte de milhares de pessoas, particularmente nos municípios com maior risco de desastres no Brasil, em função da qualidade dos alertas e da articulação com profissionais da Defesa Civil.

Rede de monitoramento

Milhares de sensores automáticos espalhados por todo o país (pluviômetros, sensores hidrológicos e sensores geotécnicos para detecção de movimentos de massa) formam uma rede de monitoramento com a mais moderna tecnologia, coordenada em uma Sala de Operações de alerta funcionando 24 horas por dia e 365 dias por ano, com um corpo técnico-científico altamente capacitado com mestres e doutores em hidrologia, geologia, meteorologia, geografia e ciências sociais e em outras áreas relevantes. Tais profissionais analisam a interação complexa entre os impactos causados pelo meio físico, deflagrador dos desastres naturais, e as vulnerabilidades dos sistemas sociais e naturais.

As atividades de monitoramento e avaliação de riscos de desastres incluíram, por exemplo, os impactos das secas no Sistema Cantareira em São Paulo em 2014 e 2015 e no Semiárido brasileiro de 2012 a 2018, além de milhares de alertas de riscos de deslizamentos em encostas e inundações, gerando subsídios para a tomada de decisão por gestores públicos. A consolidação do Cemaden, que levou o Brasil a elevar seu patamar de entendimento e alerta de desastres naturais por meio de ciência robusta e inovadora, combinada com uma estrutura operacional sem precedentes no país, aponta o melhor caminho para reduzir a vulnerabilidade de numerosas populações humanas que vivem em áreas de risco.

Há importantes lições a serem aprendidas com o exemplo do Cemaden: emissão de alertas precoces, redes de monitoramento contínuo e gestão integrada de situações de crise com respaldo da melhor ciência disponível.

Dificuldades e incertezas

Sabemos como fazer. No entanto, parece que avançamos na direção contrária. Está em curso um enfraquecimento das ações e estruturas geradas a partir de investimentos públicos feitos ao longo de décadas e que alavancaram a ciência no Brasil, permitindo a geração de respostas para a sociedade brasileira no enfrentamento de complexos problemas socioambientais. Vemos uma série de dificuldades e incertezas associadas a propostas de restruturação de instituições, cortes orçamentários que afetam a condução de projetos de pesquisa, reduzindo bolsas de estudo e de pesquisa e a manutenção da infraestrutura das instituições.

A questão é por que não avançamos na prática e na expansão da experiência bem-sucedida de alerta e monitoramento de desastres naturais para outros setores que envolvem riscos ambientais severos e sistemas socioecológicos vulneráveis, em vez de questionar a credibilidade e a transparência de dados científicos e propor mudanças arbitrárias de reorganização de órgãos de fomento e instituições de pesquisa que comprometem o funcionamento da ciência brasileira e, consequentemente, o desenvolvimento pleno do país?

 

* A Coalizão Ciência e Sociedade reúne 70 pesquisadores de instituições de pesquisa de todas as regiões brasileiras.

 


 

PROFESSORES DENUNCIAM QUE CAPES RETIROU HOMENAGEM A PAULO FREIE EM PLATAFORMA ONLINE

Revista Forum, 26.11.2019

"Plataforma Freire" surgiu com novo nome: "Plataforma Capes de Educação Básica"

Inúmeros professores usaram as redes sociais nesta terça-feira (26) para denunciar uma ação que parece ter partido do Ministério da Educação (MEC), que modificou o nome da “Plataforma Freire” para “Plataforma Capes de Educação Básica”.

A plataforma foi criada em 2009 pelo então ministro Fernando Haddad com objetivo atuar na formação de professoras da Educação Básica com cursos de atualização. “Ao mesmo tempo em que coloca em prática o Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica, a plataforma homenageia o educador brasileiro Paulo Freire”, diz texto sobre a plataforma presente no site da Capes.

O professor e pesquisador Fernando Cássio, da UFABC, criticou duramente a mudança que retirou a homenagem a Paulo Freire. “A Capes foi fundada em 1951, e nem nos tempos da ditadura os seus dirigentes se portaram de forma tão covarde e submissa ao governo de plantão. É uma vergonha. A homenagem a Paulo Freire tem a ver com a própria função da plataforma, que é fazer a gestão dos projetos envolvendo formação de professores nas universidades e institutos federais (p. ex. Pibid)”, disse. “A mudança do nome não tem nada a ver com política pública. É tosquice mesmo”, completou.

João Bueno, da UEPB, também denunciou a mudança. “Olha aí , mais uma canalhice desse desministro da educação . Hoje a Plataforma Freire da Capes ficou fora do ar para reparos . Voltou agora é retiraram o nome Freire! Mudaram o nome da Plataforma!”, tuitou

“Alguém tem informações sobre a retirada do nome ‘Freire’ da página de login da Plataforma Freire da CAPES? Não vejo nada na imprensa e nenhuma comunicação oficial. Provocação canalha, se for ação deliberada…”, questionou Rodrigo Firmino, da PUCPR.

“A #CAPES, submissa a Bolsonaro e Weintraub, excluiu a palavra “Freire” de sua Plataforma de Educação Básica. É uma provocação grave e um ataque indigno. Mas Paulo Freire é muito maior. Ele não é um nome, é um autor. E suas ideias jamais irão morrer. Elas existem dentro de nós”, disse ainda o educador Daniel Cara.

 


 

FUNDO DO BRANCO MUNDIAL PARA PANDEMIAS PRIVILEGIA INVESTIDORES PRIVADOS

Redação do Diário da Saúde, 20.11.2019

 

A crise de ebola continua, mas o dinheiro só foi liberado para os investidores privados.

[Imagem: LSE/Divulgação]

Lucro com prioridade sobre saúde

O esquema de financiamentos do Banco Mundial para lidar com pandemias atende mais aos interesses do setor privado do que o interesse da população em relação à segurança global da saúde, afirmam especialistas.

Esta é a conclusão de um relatório intitulado Serviços de Financiamento de Emergência Pandêmico: lutando para cumprir sua promessa inovadora, publicado pela renomada revista médica British Medical Journal (BMJ).

Os Financiamentos de Emergência Pandêmicos (FEP) foram criados após o surto de ebola na África Ocidental em 2014-16, expondo a lacuna entre os compromissos dos países em lidar com surtos e sua capacidade real de responder, em parte devido à falta de financiamento.

O relatório revela que o FEP de fato não liberou qualquer financiamento por meio de seu plano de seguro, apesar de ter sido estabelecido em 2016 para criar um mercado inovador de seguros contra riscos de pandemia, utilizando fundos do setor privado em troca de taxas de juros lucrativas.

Isso ocorreu enquanto outros fundos de emergência (como o Fundo de Contingência para Emergências, da Organização Mundial da Saúde ou o Fundo Central de Resposta de Emergência da Organização das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários) têm sido consistentemente liberados.

Enquanto isso, o relatório mostra que o FEP pagou US$ 114,5 milhões a investidores privados na forma de cupons, financiados principalmente por financiadores públicos. Isso levou os autores a sugerir que o FEP parece estar servindo mais aos interesses dos investidores privados do que contribuindo para a segurança global da saúde.

Pandemia de lucros

O FEP propõe dois mecanismos de pagamento - uma janela de seguro e uma janela de caixa. A janela do seguro é construída para desembolsar fundos sempre que seus critérios - como certos números de casos, mortes ou países afetados - forem atendidos.

"Nossa análise sugere que os critérios para a janela de seguro do FEP são muito rigorosos para mitigar os riscos à segurança global da saúde. Mais do que isso, uma avaliação recente do esquema mostrou que mais dinheiro foi pago aos investidores do que aos países elegíveis que enfrentam surtos de doenças.

"Apenas US$ 51,4 milhões foram desembolsados pela janela de caixa, mas US$ 114,5 milhões foram pagos aos investidores em meados de 2019; Austrália, Alemanha, Japão e a Associação Internacional de Desenvolvimento pagaram US$ 175,6 milhões no esquema. Dessa forma, em seu formato atual, o sistema parece favorecer os investidores do setor privado em detrimento da segurança global da saúde," afirma o relatório.

A análise vem a público em um momento importante, quando as discussões e os preparativos para um segundo FEP no Banco Mundial estão em andamento e a crise do ebola - que crucialmente precisava de financiamento no início do surto - continua.

 

Checagem com artigo científico:

Artigo: Pandemic Emergency Financing Facility: struggling to deliver on its innovative promise
Autores: Bangin Brim, Clare Wenham
Publicação: BMJ - British Medical Journal
Vol.: 367:l5719, DOI: 10.1136/bmj.l5719

 

 

 


DESAFIOS DO SÉCULO 21 – COMO FUNCIONA A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL?

Por Fernando D´Angelo | 24 de Novembro de 2019 às 15h00

 

Algoritmos de Inteligência Artificial já são realidade e estamos rodeados de dispositivos com esta tecnologia. Mas como funciona a Inteligência Artificial? Quais os tipos de IA existentes? Para que servem? Onde estão sendo utilizadas? Neste artigo, trago uma visão prática dos principais modelos de Inteligência Artificial.

Para explicar o que é IA, é importante entendermos a diferença entre os sistemas computacionais tradicionais e a IA. Em resumo a computação tradicional trabalha com informações exatas, enquanto a IA tenta trabalhar com informações inexatas. Como exemplo, se temos uma foto onde aparecemos sem óculos e outra com óculos, um sistema computacional tradicional não será capaz de afirmar que as duas fotos são relativas à mesma pessoa. Já os algoritmos de IA possuem a capacidade de afirmar, com um grande grau de certeza, que as duas fotos são relativas à mesma pessoa.

 

A grande vantagem da Inteligência Artificial é a capacidade de lidar com situações inexatas e incertezas

Mas como a IA trabalha nesses cenários? É fácil... basta desenvolver algoritmos computacionais capazes de imitar (ou melhor, simular) quem sabe lidar bem com esses ambientes de incerteza... ou seja, imitar os seres vivos e a natureza. E daí vem o nome “Inteligência Artificial”.

Um outro ponto importante é que os algoritmos de Inteligência Artificial têm a capacidade de aprender e evoluir (é o chamado Machine Learning). Ou seja, não são algoritmos estáticos (computação tradicional) e sim algoritmos que aprendem através dos dados. E quanto mais dados e testes são feitos, mais os sistemas de IA evoluem. E então, quando esse “cérebro artificial” está pronto e devidamente “afinado”, ele pode ser copiado e replicado.

É por isso que o sistema de IA dos veículos da Tesla, atualmente, são mais eficientes que os humanos na direção. E quanto mais esses veículos rodam e capturam informações, mais cenários desconhecidos passam a ser considerados e a IA continua evoluindo! E a cada atualização do software essa evolução é replicada a todos os veículos.

IMPORTANTE: Em ambientes com aprendizado supervisionado por humanos, dizemos à IA as respostas certas durante um período de treinamento, e então ela seguirá essas regras. Mas em ambientes não-supervisionados, a própria IA é responsável por analisar, agrupar e tomar as próprias decisões e conclusões, e muitas vezes os modelos por ela gerados não são compreendidos pelos humanos (apesar de muitas vezes se mostrarem mais eficientes que nós).

E se o objetivo é simular a natureza e os seres vivos, existem então diversos de algoritmos com objetivos diferentes, todos sob o nome de Inteligência Artificial. Os principais (existem inúmeros outros) seguem abaixo:

Sistemas preditivos

Tem o objetivo de analisar dados e, com base nesses dados (normalmente do passado), fazer previsões para o futuro. Parte do algoritmo de IA dos carros da Tesla são baseados em sistemas preditivos, que fazem o carro brecar, acelerar, virar, etc.

Reconhecimento de padrões

Esses sistemas tem o objetivo de identificar padrões em dados (imagens, sons, informação). Um bom exemplo são os algoritmos de IA que, analisando imagens de ressonância magnética de pessoas com e sem Alzheimer conseguiram identificar os padrões de quem tem Alzheimer, e então relacionar com pessoas sem Alzheimer. Esse tipo de sistema possibilitou identificar pessoas com potencial futuro de ter Alzheimer.

Sistemas cognitivos

Sistemas Cognitivos tem o objetivo de entender e interagir com os humanos através de nossa língua, e para isso, precisam fazer reconhecimento de voz, interpretação do que está sendo falado ou escrito (semântica, gramática, ironias, abreviações, ambiguidades, etc) e aprender a falar (até com sotaque, em alguns casos). É o caso do Watson da IBM.

Sistemas de classificação

Têm por objetivo classificar dados por semelhança. Esses sistemas são a versão digital do algoritmo biológico que temos e que permite que identifiquemos uma pessoa mesmo que ela esteja de cabelo cortado, esteja usando óculos, ou até tenha mudado a cor dos olhos. Um bom exemplo é o sistema de reconhecimento facial do Facebook, que te identifica até em fotos que você nem sabia que era você!

E, normalmente, os projetos que envolvem IA são uma composição de vários sistemas de Inteligência Artificial que se complementam.

Atualmente existem plataformas online que permitem que mesmo sem conhecimento de algoritmos de IA, possamos criar soluções baseadas em inteligência Artificial, tais como o IBM Bluemix e Watson, o ML Studio (Microsoft), Google Cloud for AI, e uma série de outras plataformas de Inteligência Artificial. Importante: Não é necessário conhecer algoritmos, mas é necessário conhecer os conceitos e aplicações das diversas opções disponíveis.

 

Bora participar deste novo universo de possibilidades?
Este artigo foi inspirado nas palestras da HSM Expo 2019, onde tive a oportunidade de assistir Yuval Harari, Fred Gelli, Hugh Herr e muitos outros feras que estão vivendo essa revolução.

 

 


  

José Antônio Aleixo da Silva (Editor)
Professor titular da DCFL/UFRPE
Conselheiro da SBPC

Paulo Henrique Pontes

Designer do Jornal

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