Notícias

Jornal Eletrônico da SBPC/PE #21 Ano: 4

Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa
 

 


 

Notícias:

SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA (SBPC) E ACADEMIA PERNAMBUCANA DE CIÊNCIAS (APC) ENCAMINHAM OFICIO AO MINISTRO MARCOS PONTES DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA, INOVAÇÕES E COMUNICAÇÕES, SOLICITANDO NOMEAÇÃO DA DIRETORIA DO CETENE.

ACADEMIA PERNAMBUCANA DE CIÊNCIA (APC) PROMOVEU O I ENCONTRO PERNAMBUCANO DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA: CONHECENDO PERNAMBUCO.

CIÊNCIA JOVEM PROVA O QUANTO É VALIOSO INVESTIR EM CONHECIMENTO

PROJETO DESENVOLVIDO NA UFPE É CAPAZ DE COLETAR ÁGUA CONTAMINADA PELO ÓLEO DE FORMA RÁPIDA E SEM RISCO DE CONTATO DIRETO DO COLETO

RECIFE É A PRIMEIRA CIDADE NO PAÍS A PROPOR MUDANÇAS CLIMÁTICAS COMO DISCIPLINA NAS ESCOLAS

ESTUDANTES DA UFPE VENCEM HACKATHON NASA SPACE APPS CHALLENGE

COMUNIDADE ACADÊMICA ELOGIA DEFESA POR DEPUTADOS DE MAIS INVESTIMENTO EM CIÊNCIA, TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO

RELATÓRIO DE CPI DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS SUGERE COBRANÇA DE MENSALIDADE

INVESTIDA QUE LEVOU CULTURA PARA O TURISMO É A MESMA QUE AMEAÇA A CIÊNCIA

CONHEÇA OS GANHADORES DO PRÊMIO MERCOSUL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA

CONHEÇA AS 30 PROFISSÕES PROMISSORAS PARA A INDÚSTRIA

A “INTERNACIONALIZAÇÃO” DA GESTÃO FLORESTAL

AGRICULTURA: UMA ATIVIDADE EM MOVIMENTO

GOVERNO LIBERA CANA-DE-AÇÚCAR NA AMAZÔNIA E NO PANTANAL

MATO GROSSO APROVA LEI QUE AMPLIA EM QUATRO VEZES O CONSUMO DE MADEIRA SEM REPOSIÇÃO. 


 

Secretária Regional: Maria do Carmo Figueredo Soares
Secretaria Regional Adjunta: Marília Regina Costa Castro
 

José Antônio Aleixo da Silva (Editor)
Professor titular da DCFL/UFRPE
Conselheiro da SBPC

Paulo Henrique PontesDesigner do Jornal

 


 

SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA (SBPC) E ACADEMIA PERNAMBUCANA DE CIÊNCIAS (APC) ENCAMINHAM OFICIO AO MINISTRO MARCOS PONTES DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA, INOVAÇÕES E COMUNICAÇÕES, SOLITICANDO NOMEAÇÃO DA DIRETORIA DO CETENE.

 

SBPC-236/Dir.

Excelentíssimo Senhor

Ministro MARCOS PONTES

Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC)

Brasília, DF

 

Senhor Ministro,

Localizado na cidade do Recife/PE, o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE) é uma das unidades de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), na forma do disposto no Decreto nº 8.877, de 18 de outubro de 2016. De acordo com o seu Regimento Interno, o CETENE é dirigido por um Diretor, cujo cargo, em comissão, é provido pelo Ministro do MCTIC.

A Diretoria do CETENE é nomeada a partir de lista tríplice elaborada por um Comitê de Busca, designado pelo MCTIC. Neste sentido, foi publicado no Diário Oficial da União nº 243, de 19 de dezembro de 2018, o Edital nº 316/2018/SEI-MCTIC, com o objetivo de iniciar o processo seletivo para o novo(a) Diretor(a) do CETENE. 

Conforme previsto no referido Edital, o processo de seleção foi composto por análise dos currículos, documentos e propostas dos interessados, exposições orais públicas dos projetos de gestão, entrevistas individuais perante o Comitê de Busca e indicação da lista tríplice ao MCTIC, visando à escolha e nomeação do(a) novo(a) Diretor(a).

O Comitê de Busca para o CETENE foi presidido pela Dra. Débora Foguel, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além dos seguintes componentes: Dr. Antônio Gomes de Souza Filho, da Universidade Federal do Ceará (UFC); Dra. Mercedes Maria da Cunha Bustamante, da Universidade de Brasília (UnB); Dr. Oswaldo Luiz Alves, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP); e Dra. Vanderlan da Silva Bolzani, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP).

No dia 22 de fevereiro de 2019, concluídos os trabalhos do Comitê de Busca, o envelope contendo os nomes indicados foi devidamente entregue ao então Subsecretário de Unidades Vinculadas do MCTIC, Sr. Lorenzo Jorge Eduardo Cuadros Justo Junior, acompanhado em comissão pelo Coordenador-Geral das Unidades de Pesquisa do MCTIC, Sr. Cesar Augusto Rodrigues do Carmo.

Diante do exposto, e considerando que já se passaram mais de 08 (oito) meses da entrega da lista tríplice, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Pernambucana de Ciências (APC), solicitam de Vossa Excelência que seja nomeado(a) com urgência o(a) Diretor(a) do CETENE, respeitando-se a lista tríplice elaborada pelo Comitê de Busca, a fim de que o CETENE possa dar o devido cumprimento a sua missão institucional, apoiando o desenvolvimento tecnológico e econômico da região Nordeste, além de promover a integração entre a sociedade, a inovação e o conhecimento, ações estas impactadas pela ausência de uma Diretoria respaldada por uma nomeação oficial para tal responsabilidade. Ressalte-se, ainda, a necessidade de se iniciar o processo de planejamento institucional do CETENE para médio e longo prazos e se realizarem ações em consonância com as diretrizes da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em vigor por este MCTIC.

Na certeza de termos nosso pleito atendido, reiteramos protestos de estima e consideração.

 

Recife, 07 de novembro de 2019.

 

ILDEU DE CASTRO MOREIRA

Presidente da SBPC

 

JOSÉ ANTÔNIO ALEIXO DA SILVA

Presidente da APC

 

MARIA DO CARMO FIGUEREDO SOARES

Secretária-Regional da SBPC em Pernambuco

 

 


 

ACADEMIA PERNAMBUCANA DE CIÊNCIA (APC) PROMOVEU O I ENCONTRO PERNAMBUCANO DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA: CONHECENDO PERNAMBUCO.

 

A APC promoveu durante os dias 31 de outubro e 01 de novembro, no Auditório do Instituto Aggeu Magalhães/UFPE, o I Encontro Pernambucano de Educação, Ciência e Tecnologia: conhecendo Pernambuco.

Na abertura do evento foram entregues os Prêmios de Mérito Científico Ricardo Ferreira ao Professor Sérgio Machado Rezende e Mérito Científico Naíde Teodósio a Professora Belmira Lara da Silveira Andrada da Costa. Prêmio Mérito Jovem Cientista Marcionilo Lins ao Professor Tiago Henrique Napoleão e Prêmio Mérito Jovem Cientista Rachel Gevertz a Professora Jessyka Flavyanne Ferreira Vilela que recebeu na sessão de encerramento do evento.

 Após o ocorreu a palestra “HISTÓRICO DAS ACADEMIAS DE CIÊNCIAS NO MUNDO”,
 pelo Acad. Mauro Carneiro dos Santos que também fez a saudação aos 20 novos acadêmicos que tomaram posse.

 

Foto dos acadêmicos presentes na solenidade de posse.

 

No turno da tarde acorreram as mesas redondas:

 “O PAPEL DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS NO DESENVOLVIMENTO DE PERNAMBUCO”
Anália Ribeiro (Reitora do IFPE); Moacyr  Araujo (Vice-reitor da UFPE); Maria José Sena (Reitora da UFRPE); Pedro Falcão (Reitor da UPE); Helinando Oliveira (Pró-reitor da UNIVASF) Coordenador: Acad. Anísio Brasileiro de Freitas Dourado.

“DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO NAS INSTITUIÇÕES DE PESQUISA DE PERNAMBUCO” Suzana Montenegro (APAC); Benedito Alberto Macedo (CESAR), Frederico Toscano (CETENE); Sinval Brandão (FIOCRUZ); Gabriel Maciel (IPA); Antônio Vaz (ITEP); Coordenador: Vice-presidente da APC André Freire Furtado.

No segundo dia, turno da manhã, ocorreram seguintes as palestras:

“EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA E INOVAÇÃO INDUSTRIAL (EMBRAPII) NO DESENVOLVIMENTO DO BRASIL”. 
Palestrante: Álvaro José Abackerli,  Coordenador de Acompanhamento Técnico da Embrapii. Coordenador: Acad. Amaro Henrique Pessoa Lins.

“A SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA E O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL” Palestrante: Ildeu de Castro Moreira – Presidente da SBPC Coordenador: Presidente da APC José Antônio Aleixo da Silva.

PAULO FREIRE, O PATRONO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA”
Palestrante: Silke Weber – Ex-secretária de Educação de Pernambuco Coordenadora: Secretária Reginal da SBPC/PE Maria do Carmo Figueredo Soares.

No turno da tarde, as palestras foram as seguintes:

“FOMENTO À PESQUISA E DESENVOLVIMENTO NO ESTADO DE PERNAMBUCO”
Palestrantes: Aluísio Lessa – Secretário de C&T-PE
Fernando Jucá – Presidente da FACEPE: Coordenador: Acad. Abraham Benzaquem Sicsu.

“CIÊNCIA E TECNOLOGIA NO DESENVOLVIMENTO DE PERNAMBUCO”
Palestrante: Tânia Bacelar – Academia Pernambucana de Ciências Coordenadora: Acad. Lucia Carvalho de Pinto Melo

 “CIÊNCIA E TECNOLOGIA NO DESENVOLVIMENTO DE BRASIL”.

Palestrante: Sérgio Machado Rezende – Ex-Ministro de C&T do Brasil Coordenador: Acad. Ivon Palmeira Fittipaldi

 

Participaram do evento 358 pessoas. O II Encontro Pernambucano de Educação, Ciência e Tecnologia ocorrerá durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2021.

 


 

CIÊNCIA JOVEM PROVA O QUANTO É VALIOSO INVESTIR EM CONHECIMENTO

Jairo Lima e Juliana Muta, Blog da Folha, 06.11.2019

 

O secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Aluísio Lessa, foi quem declarou aberta a Ciência Jovem 2019Foto: Divulgação

 

Está aberta a 25ª edição da Ciência Jovem. Na tarde desta quarta-feira (6), a cerimônia de abertura reuniu alunos, professores, membros da academia, científica, representantes do Governo do Estado e empresários. Todos emanados em prol do conhecimento, cientes do quanto a ciência é valiosa.
Coube ao diretor do Espaço Ciência, museu vinculado à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, as primeiras palavras. Ele ressaltou a grande proporção que o evento tomou. "A Ciência Jovem é uma revolução pedagógica, que é preparada durante todo o ano letivo. Temos aqui trabalhos de todos os estados e de todas as regiões de Pernambuco. Ficamos muito satisfeitos por chegar a 1/4 de século com este volume. Aproveitem toda a feira", declarou.
O presidente da Academia Pernambucana de Ciências (APC) José Aleixo, exaltou o evento e criticou a postura da União, que tem cortado verbas de bolsas e pesquisas. "É uma honra para a academia participar da Ciência Jovem. Quem atualmente ocupa o Governo Federal tem feito ataques à Ciência, mas esse povo está com os dias contados. Enquanto eles dizem que somos todos Paraíba, somos todos Ciência Jovem", afirmou.
O secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Aluísio Lessa, foi quem declarou aberta a Ciência Jovem 2019. O gestor da SECTI destacou a importância que é dada pelo Governo do Estado à feira. "O Governo de Pernambuco trata educação, a ciência e o acesso ao conhecimento como prioridade. O professor Pavão está de parabéns por conduzir a iniciativa, que é de alcance nacional e internacional, para a sua 25ª edição. A Ciência Jovem é a prova de que a ciência move o mundo", concluiu.

 



 

PROJETO DESENVOLVIDO NA UFPE É CAPAZ DE COLETAR ÁGUA CONTAMINADA PELO ÓLEO DE FORMA RÁPIDA E SEM RISCO DE CONTATO DIRETO DO COLETOR

ASCOM da UFPE, 08.11.2019

 

O drone é resultado do projeto de pesquisa do DQF em conjunto com o Lika

Um projeto de pesquisa científica da UFPE e da UFRPE desenvolve equipamento, baseado em drone e robótica, capaz de adquirir amostras de águas contaminadas pelo óleo cru para análise muito mais rapidamente que os métodos convencionais, e sem necessidade de contato direto de profissionais envolvidos na coleta do material oleoso.

Fotos: Divulgação

Professor Vagner (de branco) segurando o drone

 

Desenvolvido no Centro de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN) da UFPE, os pesquisadores estiveram na praia do Paiva, por trás do Porto de Suape, e em áreas circunvizinhas ainda manchadas pelo óleo, no dia 30 de outubro, para a coleta de amostras de águas contaminadas, tanto do mar como dos manguezais, destinadas à análise. Na próxima semana, a ação continua com monitoramento e averiguação da dispersão do óleo no mesmo local. 

 

Equipe é formada por docentes da UFPE e da UFRPE e alunos da UFPE

 

Financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (FAPECE) , o projeto é desenvolvido no Departamento de Química Fundamental (DQF)  , no CCEN, coordenado pelo professor Vagner Bezerra dos Santos, juntamente com os alunos de pós-graduação e graduação em Química, respectivamente, Ian Rasque e Lucas Cesar; como também no Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (Lika) , da UFPE, com o professor Jones Albuquerque, da UFRPE e o aluno da Pós-Graduação em Ciência da Computação  Lucas Sampaio.

A drone com função robótica, desenvolvido por tecnologia nacional e de baixo custo, atua sobrevoando a área contaminada e utiliza um sistema automatizado de amostragem acoplado, que armazena a água contaminada em frascos adequados para análise. Estes fracos são acoplados ao drone por meio de peças confeccionadas com impressão 3D, produzidas especificamente a este propósito.

 

Mapa indica locais onde o drone fez a coleta da água

 

Com esta inovação e tecnologia, pode-se dar um feedback mais rápido sobre a potabilidade das águas afetadas, os seus potenciais riscos e a condição dos corpos hídricos afetados pelo derramamento do óleo, por meio do monitoramento. Outra grande especialidade do drone é a capacidade de coletar amostras em locais de difícil acesso como manguezais, pontos entre rochas, corais etc. Esse aspecto garante autonomia do equipamento, segurança ao profissional coletor e rapidez no processo de apuração das amostragens. Todo o material coletado está sendo armazenado, refrigerado e enviado para análise nos laboratórios do DQF e da UFPE.

 


 

RECIFE É A PRIMEIRA CIDADE NO PAÍS A PROPOR MUDANÇAS CLIMÁTICAS COMO DISCIPLINA NAS ESCOLAS

Isabelle Barbosa, Folha de Pernambuco, 07.11.2019

 

A proposta, que deve atender os estudantes do 5º ao 9º ano, está em fase de desenvolvimento e precisa passar pela Câmara Municipal do Recife para ser colocada em prática

 

Prefeito Geraldo Julio na Conferência Brasileira do Clima

Foto: Lidiane Mota/Folha de Pernambuco

 

O Recife é a primeira capital do País e a segunda no mundo a desenvolver o projeto de lei municipal que impõe as mudanças climáticas como disciplina obrigatória nas escolas. O anúncio foi feito pelo prefeito da cidade, Geraldo Julio, durante o segundo dia da Conferência Brasileira de Mudança do Clima, realizada no Bairro do Recife, área central.
A proposta, que deve atender os estudantes do 5º ao 9º ano, está em fase de desenvolvimento e precisa passar pela Câmara Municipal do Recife para ser colocada em prática. A iniciativa foi divulgada um dia depois que a Itália anunciou a mesma medida, sendo o primeiro país no mundo a implementar na grade curricular dos estudantes, uma disciplina sobre as questões climáticas.

“A gente espera que a partir de 2020 o currículo escolar municipal possa conter as mudanças climáticas como disciplina. Essa implantação é de importância muito grande porque muda a atitude das crianças, que, por sua vez, influenciam as famílias. E, com isso, os adultos passam a ter um novo comportamento”, afirmou Geraldo Julio, que se reuniu na ocasião com os prefeitos Ary Vanazzi, do Rio Grande do Sul; Rui Palmeira, de Maceió, e Roberto Cláudio Bezerra, de Fortaleza.
Durante o encontro, os gestores relataram quais medidas cada um dos municípios desenvolvem para reduzir os impactos climáticos e criticaram o Governo Federal pela falta de interesse com o tema.
“Os municípios precisam ter suas iniciativas, mas a ajuda da União é importante para que essas medidas sejam efetivadas. Fizemos recentemente a maratona verde, na qual foram plantadas dez mil árvores em apenas uma semana, além de plano de sustentabilidade e uma de redução de emissão de gases”, afirmou o prefeito do Recife, que disse estar implantando iluminação em LED em 40% dos pontos da cidade, com o objetivo de reduzir o consumo de energia.
“O meio ambiente não pode ser objeto de disputa. Temos emergência na sobrevivência das espécies. A fauna e a flora estão sendo atingidas”, afirmou o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio Bezerra. “É importe assistir, no Recife, aos poderes locais se reunirem diante desse tema tão importante, e que não faz parte da pauta do povo. Nós cumprimos esse papel diante de um Governo Federal tão reativo ao assunto”, continuou.
De acordo com o prefeito de Maceió, Ruy Palmeira, a cidade alagoana possui diversas práticas sustentáveis que precisam ser ampliadas com a ajuda federal. “As cidades precisam estar à frente das situações climáticas. Temos semáforos que utilizam energia solar e usamos os restos da construção civil para pavimentar a cidade. Mas estamos com decreto de calamidade pública. Cerca de 1.700 famílias vão ser removidas do bairro de Pinheiros porque a prática da mineração na área está criando rachaduras em diversas casas perto das praias”, relatou Ruy, afirmando que a retirada dos moradores deve acontecer ainda nesta semana. “Não podemos deixar avançar assim como aconteceu em Mariana e Brumadinho”.
Ainda na ocasião, o prefeito do município de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, Ary Vanazzi, contou que a cidade desenvolve planos de saneamento e educação ambiental e que a preservação florestal na localidade é de 22%. “Queremos chegar em 2024 com 30% de área preservada. Estamos realizando a recuperação dos rios poluídos e desflorestando áreas, e precisamos pressionar para que o Governo Federal possa tomar ações”.


Óleo no Nordeste


Ao final do encontro, todos os prefeitos presentes assinaram uma carta em que cobram do Governo Federal, medidas para que sejam culpabilizados os envolvidos no derramamento de óleo que atinge o Nordeste do País. O documento pede apoio integral a todos os trabalhadores da pesca que foram prejudicados; a busca de apoio da comunidade acadêmica para que se possa mensurar a amplitude dos efeitos ambientais do desastre; além de um levantamento de dados sobre a qualidade das praias do Nordeste, e a ampla divulgação das praias afetadas como efeito reparador do atraso de medidas do governo federal



 

ESTUDANTES DA UFPE VENCEM HACKATHON NASA SPACE APPS CHALLENGE

Mario Fontes, Folha de Pernambuco, 28.10.2019

 

Equipe da "Opta", da UFPE, que venceu o Nasa Space Apps ChallengeFoto: UFPE/Divulgação

 

Estudantes da Universidade Federal de Pernambuco venceram o Nasa Space Apps Challenge, um hackathon promovido globalmente pela Nasa. A edição do Recife foi realizada no espaço Apolo 235 do Porto Digital nos dias 18 e 20 deste mês.

A equipe que conquistou a primeira posição é formada pelos estudantes Amanda Gomes (Design), Claudio Oliveira (Ciência da Computação), Jônathas Souza (Design) e Marina Araújo (Design) e pela bióloga Beatriz Melo, formada pela UFPE.

Elaborado para ser usado em sala de aula por professores de ciências, o projeto chamado “Opta” é uma plataforma web que usa a base de dados da Nasa para criar um ambiente gamificado, voltado para alunos de 12 a 13 anos. Temas como aquecimento global e mudança climática são abordados de forma acessível, em linguagem didática. “Nosso objetivo é fazer as crianças perceberem o impacto de suas ações no futuro”, explica Marina Araújo.

No hackathon, os participantes recebem desafios reais desenvolvidos pela Agência Espacial Americana e, para solucionar as questões, recebem acesso a dados da Nasa. Os participantes formam suas equipes e trabalham de forma intensiva para criar uma solução dentro do tema escolhido em 48 horas, com o desejo de criar soluções de impacto mundial. 

No caso do projeto “Opta”, as escolhas cotidianas entre carro e bicicleta ou entre alimentação baseada em produtos animais ou vegetais foram calculadas em pegadas de carbono deixadas no planeta, de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU). “Esta agenda é um plano de ação para as pessoas, para o planeta e para a prosperidade”, define a ONU.

A equipe está trabalhando no projeto para participar da competição mundial e já ganhou, na competição local, quatro semanas de intercâmbio e óculos de realidade virtual, dentre outros prêmios.

Os dois primeiros lugares vão participar da etapa global, cujo prêmio principal é uma visita ao Nasa Kennedy Space Center, na Flórida, nos Estados Unidos.

 


 

COMUNIDADE ACADÊMICA ELOGIA DEFESA POR DEPUTADOS DE MAIS INVESTIMENTO EM CIÊNCIA, TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO

Renato Grandelle, O Globo, 05.11.2019

 

Presidente da Câmara e lideranças de 18 partidos argumentam que recursos são fundamentais para desenvolvimento econômico

 

Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência: discussão sobre orçamento é estratégica Foto: Bárbara Lopes / Agência O Globo

 

RIO — Um artigo defendendo o investimento em educação , ciência e tecnologia como pontos cruciais para o desenvolvimento econômico do país, assinado por lideranças da Câmara dos Deputados e publicado no GLOBO esta terça-feira, foi elogiado por representantes da comunidade científica.

Intitulado "A base do progresso", o texto teve, entre seus signatários, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), lideranças da oposição, da maioria e da minoria, além de líderes de 18 partidos de diferentes espectros políticos, do PT e PSOL ao PSDB e DEM.

OS parlamentares condenam a proposta de fusão da Capes e do CNPq — uma medida que, segundo o governo federal, geraria ganhos operacionais. Na verdade, reforçam os deputados, as agências prestam missões complementares .

A Capes, que integra o Ministério da Educação, avalia e dá suporte aos cursos de pós-graduação. Seu orçamento para 2020 foi cortado quase que pela metade.

Já o CNPq, presente no organograma da pasta de Ciência e Tecnologia, fomenta projetos de pesquisa e incentiva jovens promissores. Nele, o orçamento para a seção de incentivo a projetos e rede de pesquisa e desenvolvimento será reduzido em 88% no ano que vem .

Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências, diz que o artigo representa "um grande momento do Congresso":

— É uma tentativa suprapartidária de evitar cortes orçamentários que estão destruindo o futuro do país — define. — Hoje, uma nação só é competitiva no mercado internacional se investir em soft power: biotecnologia, produção de medicamentos, rede 5G. Não podemos depender exclusivamente da exportação de commodities.

O texto sublinha que, nos anos 1990, o PIB brasileiro era maior do que o da China. A economia do país asiático disparou nos últimos 30 anos amparada em um investimento expressivo em pesquisa e desenvolvimento. O governo chinês investe dez vezes mais neste setor do que o Brasil.

'Estratégia de sobrevivência'

A comunidade acadêmica já levou mais de 1 milhão de assinaturas ao Congresso reivindicando a manutenção das bolsas do CNPq, destaca Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

— Tivemos planos localizados para ciência e tecnologia nos anos 2000, mas eles não foram transformados em uma política de Estado — explica. — A discussão sobre o orçamento é uma estratégia de sobrevivência. Fico satisfeito em ver que os deputados estão conscientes da necessidade de mais recursos para tecnologia e inovação.

Presidente da Comissão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) no Conselho Nacional de  Educação (CNE), Eduardo Deschamps reconhece que o país precisa, a curto prazo, ajustar as contas públicas. No entanto, considera que, a médio e longo prazo, a melhoria da produtividade depende de investimentos em educação, ciência e tecnologia.

— Esta é a chave para o desenvolvimento sustentável e a redução da desigualdade. Do contrário, continuaremos com nossa trajetória errática, em que oscilamos entre surtos de desenvolvimento e grandes recessões.

O ensino fundamental, destaca Deschamps, já está praticamente universalizado no país . No entanto, o panorama do ensino médio ainda é preocupante, porque seu conteúdo deve ser ajustado a habilitações profissionais.

— Avançamos nos anos de escolaridade, mas ainda não houve um ganho significativo em produtividade — ressalta.

 


 

RELATÓRIO DE CPI DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS SUGERE COBRANÇA DE MENSALIDADE

Carta Capital, 06.11.2019

 

Texto ainda sugere PEC para ‘fortalecer’ a fiscalização de repasses de verba pública para as universidades para ‘combater práticas ilícitas’

Uma das propostas do relatório final da CPI da gestão das universidades públicas, aprovado ontem na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), é a cobrança de mensalidade de quem tem condições financeiras nas universidades estaduais paulistas USP, Unicamp e Unesp. O argumento é o de que a cobrança é uma das sugestões para que as universidades encontrem fontes alternativas de receita. Hoje, o orçamento das universidades estaduais provém de um repasse de 9,57% do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

Há outras sugestões nesse sentido, como a concessão de espaços nos campi universitários para a iniciativa privada, cobrança de estacionamento de automóveis, criação de fundo patrimonial para viabilizar doações, além da alienação de propriedades inutilizadas.

Escrito pela deputada estadual Valéria Bolsonaro (PSL), o texto ainda recomenda a aprovação de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para “fortalecer” a fiscalização de repasses de verba pública para as universidades e suas fundações de apoio, “a fim de identificar, corrigir e responsabilizar todos os agentes que tenham incorrido em práticas ilícitas contra o erário”. Para passar a valer, a PEC precisa ser aprovada em duas votações por pelo menos três quintos dos 94 membros da Alesp – 57 deputados precisam ser favoráveis. 

O relatório ainda aponta possíveis irregularidades nas diárias pagas a servidores das três universidades. Na USP, o documento aponta “número expressivo” de diárias nacionais pagas a funcionários com motivações genéricas, como “curso”, “banca”, “vistoria” e “reunião”. Também foram identificadas descrições incompreensíveis, como “x”, “1”, “093137”, “ddllllel” e “bie 0322”. Na Unesp, aponta irregularidades no pagamento recorrente de diárias em quantia superior a 50% dos salários de dois servidores, o que é proibido por lei. Na Unicamp, aponta falhas no Portal da Transparência da instituição, como ausência da contagem do total de diárias por servidor e ausência do valor de algumas despesas com diárias.

A CPI das universidades públicas foi instaurada em abril, sob a justificativa de investigar gastos públicos excessivos nas universidades e um possível “aparelhamento de esquerda”. À época, parlamentares da base de apoio do governador João Doria (PSDB), alegaram a necessidade de investigar como “questões ideológicas estariam impactando no orçamento”. Á época, pesquisadores das universidades reagiram à criação da CPI por considerá-la vaga, e temerem a possibilidade da investigação forçada levar a uma desvinculação de verbas das universidades.

  


 

INVESTIDA QUE LEVOU CULTURA PARA O TURISMO É A MESMA QUE AMEAÇA A CIÊNCIA

Maurício Tuffani, Direto da Ciência, 07.09.2010

Plano é desenraizar completamente a área da Cultura para submetê-la com eficácia às diretrizes da ala ideológica do governo.

Eu já havia me acostumado com o fato de que, desde o início do atual governo, consultar o Diário Oficial da União havia se transformado em um exercício desagradável. Mas hoje, um dia após a publicação do decreto que liberou plantios de cana-de-açúcar na Amazônia e no Pantanal, podemos perceber que não ha limites não só para retrocessos, mas também para avacalhações. Dez meses após rebaixar o Ministério da Cultura à condição de uma secretaria do Ministério da Cidadania, o presidente Bolsonaro a transferiu para a pasta do Turismo.

Na página 17 (Seção 1) do DOU de hoje está o Decreto nº 10.107, assinado ontem por Bolsonaro, que estabelece:

Art. 1º Ficam transferidos do Ministério da Cidadania para o Ministério do Turismo:

I – a Secretaria Especial de Cultura;

II – o Conselho Nacional de Política Cultural;

III – a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura;

IV – a Comissão do Fundo Nacional de Cultura; e

V – seis Secretarias.

Art. 2º Ficam transferidas as seguintes competências do Ministério da Cidadania para o Ministério do Turismo:

I – política nacional de cultura;

II – proteção do patrimônio histórico, artístico e cultural;

III – regulação dos direitos autorais;

IV – assistência ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária nas ações de regularização fundiária, para garantir a preservação da identidade cultural dos remanescentes das comunidades dos quilombos;

V – desenvolvimento e implementação de políticas e ações de acessibilidade cultural; e

VI – formulação e implementação de políticas, programas e ações para o desenvolvimento do setor museal.

 

É completamente absurdo subordinar a Cultura e sua Política Nacional a um ministério com atribuições que podem até ter alguma interseção com a cultura, mas tem outro foco de prioridades institucionais. Já era inadequado a secretaria resultante do rebaixamento do Ministério da Cultura  ter sido alocada no Ministério da Cidadania. Não bastasse esse desarranjo, sua situação agora se torna pior, independentemente do fato de passar para o comando do ministro Marcelo Álvaro Antônio, acusado de envolvimento com candidaturas laranjas do PSL.

Na verdade, não dá para acreditar que haja tanta incompetência. Tudo indica que por trás da avacalhação, plano é desenraizar completamente a área da Cultura para submetê-la com eficácia às diretrizes da ala ideológica do governo. Filho do missionário R.R Soares, líder da Igreja Internacional da Graça, o ex-deputado federal Marcos Soares (DEM-RJ) é o mais cotado para assumir a secretaria, informaram ontem Jussara Soares e Paula Ferreira, no jornal O Globo.

No final das contas, muito além de questões orçamentárias, a razão de ser da truculência contra a Cultura é a mesma da investida que chegou a ser ensaiada contra a Ciência e Tecnologia –  e que por enquanto está apenas arrefecida – por meio dos planos de fusão da Capes com o CNPq e de esvaziamento da Finep. Assim como nos Estados Unidos sob Donald Trump, como na Hungria sob Viktor Orbán e em outros países atingidos pelo avanço do ultraconservadorismo, no Brasil cultura e ciência também estão sob ataque.

Em tempo (atualização às 17h34): O que é ruim sempre pode piorar. Em edição extraordinária nesta tarde, o Diário Oficial da União informa que o presidente Jair Bolsonaro nomeou o dramaturgo Roberto Alvim (nome artístico de Roberto Rego Pinheiro) para o cargo de Secretário Especial da Cultura. Além de, em setembro, ter ofendido em redes sociais a atriz Fernanda Montenegro, chamando-a de “sórdida” após ela posar fantasiada de bruxa a ser queimada com livros, em agosto Alvim anunciou o lançamento de uma “máquina de guerra cultural” e convocou “artistas conservadores”. Enfim, a transferência da secretaria e a nomeação de seu titular são uma dupla afronta à Cultura

 



CONHEÇA OS GANHADORES DO PRÊMIO MERCOSUL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Agência Brasil e CNPq, 01.11.2019

 

Este é o menor dos computadores desenvolvidos pela equipe Caninos Loucos.

[Imagem: Divulgação]

Computadores de tecnologia aberta

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) entregou nesta quinta-feira (31) o Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia a estudantes e pesquisadores dos países-membros ou associados ao bloco (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela).

Esta edição recebeu 175 trabalhos de candidatos de noves países, e os vencedores foram do Brasil, do Uruguai e da Argentina, com estudos ligados à indústria 4.0.

Um dos premiados foi o professor Marcelo Zuffo, na Universidade de São Paulo (USP), para quem o país precisa "sair da torre de marfim" e desenvolver ideias que "conversem" com as necessidades da sociedade.

Junto com uma equipe de pesquisadores, ele tem desenvolvido computadores de placa única utilizando software e hardware livres. Ou seja, tecnologias abertas à reprodução e distribuição.

A equipe, batizada de Caninos Loucos, trabalha com a criação de três computadores, de um minúsculo computador de poucos centímetros, a um supercomputador. "É uma plataforma com 512 núcleos de processamento, 512 gigabytes de disco e 2 terabytes de disco rígido para aplicações em inteligência artificial. E tudo com tecnologias abertas," explicou ele.

Segundo Zuffo, a meta é fabricar esses computadores, distribui-los e permitir a reprodução da tecnologia. O projeto teve apoio de empresas e também arrecadou verba por meio de campanhas de financiamento coletivo. O prêmio de US$ 10 mil recebido hoje será usado para financiar a produção de mais computadores.

"Muitos celulares usam software livre. Usam Android, e a Android tem o Kernel Linux. Foi assim que a indústria viabilizou esse tipo de plataforma. Se a gente quer viabilizar Internet das Coisas, a Indústria 4.0 nessa região do mundo, nós temos que apostar em tecnologias abertas", enfatizou.

 

Matar só as ervas daninhas

Outro premiado foi Thiago Ramires, que desenvolveu um modelo de análise de plantações de cana-de-açúcar para identificar onde há ervas daninhas e, com isso, evitar a aplicação de herbicidas em cima da lavoura. A plantação é mapeada com o uso de um drone, que tira várias fotos, estas por sua vez analisadas por um programa de inteligência artificial, capaz de identificar os pontos exatos onde há erva daninha.

"Assim, conseguimos adaptar o drone para fazer pulverização local. Em vez de pulverizar o campo inteiro, [o drone] vai localmente, onde existe a invasão de erva daninha. E erva daninha você não consome. Então, o resto fica limpo, além de reduzir muito o custo", explicou o ganhador do Prêmio Jovem Pesquisador.

"A ciência só tem valor se ela impacta a sociedade, em qualquer nível. Queremos revelar a possibilidade de fazer tecnologia localmente, gerando emprego, renda e riqueza. Se o Produto Interno Bruto da Internet das Coisas, este ano, é US$ 1 trilhão, a América Latina tem que ter um quinhão nessa parte. Como não temos no Brasil grandes empresas de tecnologia nesse setor, a única estratégia são tecnologias abertas e livres. É o que estamos fazendo", afirmou o professor Zuffo.

 

Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia

Veja a seguir todos os premiados:

 

INICIAÇÃO CIENTÍFICA

Vencedor: Vitor Emanoel Gonçalves Pereira: "Automatização do Cultivo Hidropônico como Solução às Demandas da Agricultura 4.0: Utilização da Internet das Coisas (IOT) e Serviços em Nuvem". Orientador: André Bellieny Roberto da Silva

Menção Honrosa: Dalila Vaine Siqueira: "Sistema de monitoramento empregando automação e internet das coisas para o tratamento biológico de efluente têxtil". Orientadora: Ana Elisa Stefani Vercelheze

 

ESTUDANTE UNIVERSITÁRIO

Vencedor: Álvaro Cabrera: "Evaluación de las competencias necesarias para la trasformación 4.0 en el sector agropecuario: hacia un modelo holístico de implementación". Orientador: Daniel Jurburg Melnik

Menções Honrosas

Yago Daniel Souto: "Desenvolvimento de um estudo e construção de um bastão solar para obtenção de dados periódicos do solo". Orientador: Hidalyn Theodory Clemente Mattos de Souza

Martin Medina: "Expandiendo los límites de los negocios de las criptomonedas por medio del merged mining". Orientador: Esteban Mocskos

 

JOVEM PESQUISADOR

Vencedor: Thiago Gentil Ramires: "Previsão da invasão de plantas daninhas em cultivar de cana-de-açúcar usando imagem multiespectral"

Menção Honrosa: Gregório Couto Faria: "AI-brain: Dispositivo Polimérico Inteligente Aplicado à Agricultura 4.0"

 

PESQUISADOR SÊNIOR

Everton Castelão Tetila: "Uma abordagem de aprendizagem profunda para contagem automática de insetos-praga na soja". Orientador: Hemerson Pistori

Menção Honrosa: Jorge Otávio Trierweiler: "Avaliação, Diagnóstico e Manutenção de Controladores Preditivos na Indústria 4.0"

 

INTEGRAÇÃO

Vencedor: Marcelo Knörich Zuffo: "Família de Computadores de Placa Única para Plataforma Latino Americana de IoT e Indústria 4.0"

Menção Honrosa: Lucas Saldanha Ferreira: "Aplicação de visão computacional para automatização do processo de reconhecimento de placas de aço bruto"

 


 

CONHEÇA AS 30 PROFISSÕES PROMISSORAS PARA A INDÚSTRIA 4.0

Agência Brasil - 27/10/2019

 

Profissões do futuro

A transformação digital em busca de competitividade levará setores tradicionais da indústria a criar vagas de nível médio e superior em ao menos 30 profissões. Essas profissões foram agora listadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

A projeção inclui oito setores da indústria e contou com a participação de 20 especialistas, envolvendo representantes de empresas, de sindicatos de trabalhadores e de universidades, além de analistas do próprio Senai.

A chamada indústria 4.0 já produz transformações em setores como o automotivo, de alimentos e bebidas e de petróleo e gás, integrando o mundo físico e o virtual por meio de tecnologias digitais, como internet das coisas, megadados e inteligência artificial.

Automotivo, alimentos e construção civil

O setor automotivo está entre os que mais demandará profissionais para vagas ligadas à transformação digital, que trará tecnologias como a robótica colaborativa para a rotina da produção. Segundo o estudo do Senai, entre 31% e 50% das empresas do segmento vão criar vagas de mecânico de veículos híbridos, mecânico especialista em telemetria, programador de unidades de controles eletrônicos e técnico em informática veicular.

Na indústria de alimentos e bebidas, está prevista a criação de oportunidades para técnicos em impressão de alimentos, especialista em aplicações de tecnologias de informação e comunicação para rastreabilidade de alimentos e especialista em aplicações de embalagens para alimentos.

Já na construção civil, são cinco as profissões listadas: integrador de sistema de automação predial, técnico de construção seca, técnico em automação predial, gestor de logística de canteiro de obras e instalador de sistemas de automação predial.

 

 

[Imagem: Senai/Divulgação]

 

TI, têxtil e máquinas

Com a transformação digital se espalhando por diversos setores, os profissionais de tecnologia da informação são os que têm pela frente um dos futuros mais otimistas e terão oportunidades em todos os setores da economia. Entre as ocupações que devem ganhar mais relevância nesse segmento está o analista de internet das coisas, o engenheiro de cibersegurança, o analista de segurança e defesa digital, o especialista em megadados e o engenheiro de softwares.

Um dos pioneiros do início da industrialização no Brasil e no mundo, o setor têxtil continuará a se transformar, com novas tecnologias colaborando para a concepção e a fabricação de novas peças. Roupas capazes de emitir informações a partir do tecido ou de sensores estão entre as inovações que ganharão mais popularidade, e profissionais como o técnico de projeto de produtos de moda, o engenheiro de fibras têxteis e o designer de tecidos avançados estarão por trás dessas transformações.

As outras dez profissões listadas estão nas áreas de Máquinas e Ferramentas (projetista para tecnologias 3D, operador de High Speed Machine, programador de ferramentas CAD/CAM/CAE/CAI e técnico de manutenção em automação); de Química e Petroquímica (técnico em análises químicas com especialização em análises instrumentais automatizadas, técnico especialista no desenvolvimento de produtos poliméricos e técnico especialista em reciclagem de produtos poliméricos); e de Petróleo e Gás (especialista em técnicas de perfuração, especialista em sismologias e geofísica de poços e especialista para recuperação avançada de petróleo).

 


 

A “INTERNACIONALIZAÇÃO” DA GESTÃO FLORESTAL

Profª. Isabelle Meunier, Departamento de Ciência Florestal – UFRPE

 

Além das grandes convenções ambientais internacionais, como a de Combate à Desertificação, da Diversidade Biológica e sobre as Mudanças do Clima, o sistema diplomático internacional desenvolveu, juntamente a governos, sociedade organizada e pesquisadores, outros meios de articular os atores globais em prol de objetivos comuns.

Iniciativas internacionais para definir princípios e critérios que assegurem o manejo sustentável das florestas representam instrumentos importantes para ajudar os países a formular e desenvolver políticas públicas e assim alcançar a gestão responsável e eficaz das suas florestas, além de proporcionar instrumentos de coleta, análise e disseminação de informações florestais confiáveis, ​​necessárias ao monitoramento e avaliação das condições das florestas.

Manejo florestal sustentável aqui é compreendido como o conjunto de diretrizes, estratégias e ações que permitem a administração e o uso das florestas e das terras com vocação florestal de forma e em intensidade que se mantenha a diversidade biológica, a produtividade, a capacidade de regeneração, a vitalidade e seu potencial de cumprir, agora e no futuro, as funções ecológicas, econômicas e sociais relevantes a níveis local e global e sem causar danos a outros ecossistemas, conforme definição da FAO.

Importantes avanços na implementação dessa visão de manejo florestal sustentável, envolvendo a comunidade internacional, foram obtidos a partir dos anos 1990, quando iniciados trabalhos conjuntos para definição de critérios e indicadores. Ao longo dessa década, cerca de 150 países, integrando um ou mais de um dos processos regionais e internacionais, endossaram critérios e indicadores como uma ferramenta importante para avaliar e monitorar a situação e as tendências dos recursos florestais nacionais, ajudando a construir um entendimento comum sobre o manejo florestal sustentável e as responsabilidades de cada país frente a necessidade de promover o uso e a conservação das florestas.

Entre esses processos incluem-se a Conferência Ministerial de Proteção às Florestas na Europa, que acolheu os critérios definidos pelo Processo de Helsinki; o Processo de Montreal (para florestas boreais e temperadas da América, Ásia e ilhas do Pacífico); o acordo da Organização Internacional de Madeiras Tropicais, do qual o Brasil é signatário; o Processo de Tarapoto (envolvendo os países que possuem florestas tropicais na Bacia Amazônica, incluindo o Brasil), o Processo de Lepaterique (América Central), além de iniciativas na África e na Ásia.

São esforços internacionais que contribuem para desenvolver uma estrutura comum capaz de descrever, monitorar e avaliar o estado, as tendências e o progresso do manejo florestal sustentável nos países membros. Os princípios, critérios e indicadores acordados em cada iniciativa se constituem em referência internacional para formuladores de políticas nacionais e fortalecem as parcerias, favorecendo inclusive as ajudas internacionais para sua implementação.

Nas diferentes iniciativas internacionais pode-se identificar áreas temáticas comuns, relativas aos grandes objetivos da gestão florestal: a  conservação da diversidade biológica; a manutenção da capacidade produtiva dos ecossistemas florestais; a manutenção da saúde e vitalidade dos ecossistemas florestais; a  conservação e manutenção do solo e dos recursos hídricos; a manutenção da contribuição da floresta ao ciclo global de carbono; a manutenção e valorização de múltiplos benefícios socioeconômicos de longo prazo, para atender as necessidades das sociedades; e a estrutura legal, institucional e econômica para a conservação florestal e manejo.

Foi esse consenso em torno de princípios gerais que possibilitou o Brasil receber quase meio bilhão de dólares ao longo de vigência do PPG7 - Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil, aplicados com êxito na conservação das florestas e desenvolvimento de práticas de uso sustentável da biodiversidade. Essa compreensão fez a União Europeia, em julho próximo passado, decidir-se pela intensificação da sua ação para proteger as florestas a nível mundial, criando um observatório do desmatamento, da degradação florestal e das alterações da cobertura florestal mundial, assim como das causas associadas, reforçando sistemas de vigilância florestal e partilhando práticas inovadores de bioeconomia sustentável, energias renováveis, agricultura inteligente, entre outras.

Assim, vê-se que a comunidade internacional sabe não ser possível tratar a questão florestal olhando apenas para os limites do território nacional e compreende as iniciativas multinacionais como possibilidades de fortalecimento para a gestão responsável das florestas e não como ameaça à soberania dos países. Perceber a Terra como “nossa casa” é entender as responsabilidades comuns e a urgência da atuação coletiva. Fora disso o que há são patriotadas enganadoras e bravatas irresponsáveis. 

 


 

AGRICULTURA: UMA ATIVIDADE EM MOVIMENTO

Fernando Mendes Lamas*, FEDRAPDP, 07.11.2019

Novos conhecimentos, produtos, práticas e serviços são colocados à disposição dos produtores pela pesquisa brasileira - Foto: Lilian Alves/Embrapa

 

Produzir alimentos, fibras e energia para atender as necessidades da população é um dos desafios da agricultura. Logicamente, esta produção precisa ser sustentável sob o ponto de vista econômico, social e ambiental. Não sendo atendido um dos três pilares da sustentabilidade, a atividade não é efetivamente sustentável. Por esse motivo, é cada vez maior o desafio para aqueles que estão direta ou indiretamente envolvidos com a produção agrícola em qualquer parte do mundo.

Em ambiente tropical, como é o caso do Brasil, este desafio é ainda maior. Plantas daninhas, fungos, vírus e bactérias que atacam as plantas cultivadas encontram condições ótimas para crescerem e se desenvolverem. Portanto, a sua capacidade de causar dano econômico é maior, quando comparado a regiões de clima temperado.

No Brasil, ao longo dos últimos anos, tem-se conseguido vários avanços que favorecem a produção sustentável de alimentos, fibras e energia. No entanto, ainda é preciso avançar tanto na geração quanto na adoção de tecnologias, muitas vezes consideradas simples, mas que fazem toda a diferença, como exemplo, o controle da erosão. A falta de controle da erosão dos solos agrícolas traz consequências altamente maléficas para toda a sociedade. O potencial produtivo dos solos agrícolas é reduzido, a conservação/manutenção das estradas rurais tem os seus custos elevados e o tratamento da água para consumo humano também fica mais caro.

Tecnologias, como o Sistema Plantio Direto (SPD) - que consiste no não revolvimento do solo, solo coberto com material vegetal e rotação de culturas quando realizada em solos onde o controle da erosão é adequado -, trazem um conjunto de vantagens para o crescimento e desenvolvimento das plantas, melhorando significativamente a sustentabilidade da produção.

Sempre pensando nas ações sustentáveis da produção agropecuária, novos conhecimentos, produtos, práticas e serviços são colocados à disposição dos produtores pela pesquisa brasileira. Um exemplo disso é a tecnologia desenvolvida pela Embrapa para o melhor aproveitamento do uso do fósforo pelas plantas - nutriente essencial, finito, do qual o Brasil importa boa parte do que consome. Trata-se de um inoculante que solubiliza o fósforo contido nos solos para incorporação pelas plantas.

Outro excelente exemplo do que a pesquisa é capaz de produzir é a redução da dose de um determinado herbicida por meio da nanotecnologia. Muitas vezes pode parecer algo abstrato, mas tudo isto está muito próximo. Hoje existem tratores autônomos (funcionam sem operadores) e já estão sendo lançados veículos de carga (caminhões) também autônomos. Inserir as novas tecnologias nos sistemas de produção é algo premente para reduzir impactos ambientais, melhorar a qualidade daquilo que é produzido, reduzir custos e melhorar a produtividade.

A produção de alimentos sintéticos também já está bem próxima de todos nós. A produção de proteína animal, carnes e ovos, em laboratório, está deixando de ser algo para um futuro distante, para se tornar quase uma realidade. A tecnologia já está dominada. O tecido sintético já é bem conhecido e está cada vez ocupando mais espaço. Com a fibra sintética (derivada do petróleo) já se produz tecidos para cama, mesa, banho e vestuário, com características que se aproximam daqueles produzidos com fibra de algodão.

O avanço da biotecnologia, de tecnologias de informação e o desenvolvimento de novos materiais a partir da nanotecnologia são exemplos daquilo que está impulsionando a agricultura cujos efeitos previstos são espetaculares quando se pensa em automação, desenvolvimento de novos produtos, melhoria da eficiência energética, aumento da produtividade da terra e do trabalho.

Em resumo, produzir alimentos, fibra e energia para atender às necessidades da população, tanto sob o ponto de vista quantitativo, quanto qualitativo, exige que cada novo conhecimento seja incorporado aos diferentes sistemas de produção vegetal e/ou animal para a melhoria dos índices de produtividade e redução dos impactos ambientais.

Isso demanda, de todos que estão envolvidos com a produção agropecuária, constante aprimoramento, para que se possa identificar aquilo que é mais adequado para cada condição, tendo como referencial a melhoria dos sistemas de produção. Desta forma, é preciso estar sempre em movimento, atualizado, para que seja possível incorporar na agricultura os elementos indispensáveis à sua sustentabilidade e que, a cada dia, estão mais disponíveis, graças aos avanços da fronteira do conhecimento.

 

* Fernando Mendes Lamas, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste,

 


 

GOVERNO LIBERA CANA-DE-AÇÚCAR NA AMAZÔNIA E NO PANTANAL

Diário de Pernambuco, 07.11.2019

 

 

Um decreto assinado por Bolsonaro e pelos ministros Paulo Guedes (Economia) e Tereza Cristina (Agricultura) nesta quarta-feira (6) libera o cultivo de cana-de-açúcar na Amazônia e no Pantanal.

O ato revoga o decreto 6.961, de 2009, que estabelecia o zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar, prevenindo, entre outras definições, a expansão do cultivo da cana para a Amazônia e o Pantanal, considerados biomas mais frágeis.

À época, a medida do governo federal respondia à desconfiança internacional sobre um atrelamento da produção brasileira de biocombustíveis a desmatamento e degradação da Amazônia.

Em nota, o Observatório do Clima afirma que os dois ministros que assinam a revogação do decreto, "tidos como a 'ala razoável' do governo, jogam na lama a imagem internacional de sustentabilidade que o etanol brasileiro construiu a duras penas".

Para assessores do Ministério da Agricultura e Pecuária ouvidos pelo reportagem, a revogação do decreto não significa permissão para novos desmatamentos.

O entendimento da pasta é que o desmate já estaria inibido pelo Código Florestal e pelo programa Renovabio -que concede incentivos para produção de biocombustível, excluindo do programa produções obtidas em áreas desmatadas após 2018.

Segundo fontes do Mapa, o decreto foi revogado para incentivar investimentos do setor sucroenergético, permitindo o financiamento da cana-de-açúcar nos casos em que ela poderia ser mais eficiente do que outras opções de biocombustíveis já autorizadas nesses biomas.

"O zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar teve seu papel no passado e ficou justamente lá, um passo atrás, servindo apenas como mais um dos tantos arcabouços burocráticos brasileiros diante da modernidade do Código Florestal e do comprometimento absoluto do setor em avançar", disse em nota o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Evandro Gussi.

Nos últimos anos, a delegação brasileira nas conferências de clima da ONU têm incluído forte representação do setor, que busca, junto ao Ministério da Agricultura e ao Itamaraty, promover os biocombustíveis como uma solução de curto prazo para a transição energética necessária ao cumprimento do Acordo de Paris. A defesa brasileira da produção sem desmatamento deve ser conferida pelos pares internacionais na próxima COP do Clima, em dezembro.

 


MATO GROSSO APROVA LEI QUE AMPLIA EM QUATRO VEZES O CONSUMO DE MADEIRA SEM REPOSIÇÃO

Afonso Benites, El País, 03.11.2019

 

Iniciativa de autoria do Governo Mauro Mendes é apresentada em ano que a Amazônia apresentou recordes em incêndios florestais. Estado é o maior desmatador do bioma, atrás apenas do Pará

 

Funcionários em madeireira legal no Mato Grosso.

 

No estado amazônico de Mato Grosso, cada empreendimento que utiliza a madeira como matéria-prima poderá, a partir dos próximos meses, consumir até 297.000 árvores por ano sem precisar fazer a reposição florestal. A quantidade equivale a 49.500 metros cúbicos de toras madeira e se refere ao produto comercializado legalmente, não ao que é considerado desmatamento ilegal. Antes, esse consumo era limitado a 12.000 metros cúbicos (ou 72.000 árvores). Cada metro cúbico equivale a mais ou menos seis unidades de árvores. A lei prevê que a empresa que utiliza a madeira como matéria-prima deve compensar esse consumo com a plantação de árvores a partir de determinada quantidade de uso. A madeira é usada, principalmente, para gerar energia a pequenas, médias e grandes empresas, de secadoras de grãos a produtoras de etanol.

O aumento da quantidade em que se permite o consumo sem reposição se deve a um projeto de lei complementar de autoria do Governo do Estado que foi aprovado por 15 a 4, no último dia 22 de outubro na Assembleia Legislativa. Para passar a valer, depende apenas da sanção do governador Mauro Mendes (DEM), o que deve ocorrer nas próximas semanas. Este é o primeiro dos nove Estados da região amazônica a fazer essa modificação.

O projeto prevê que só deve repor a madeira retirada da natureza quem consumir mais de 49.500 metros cúbicos anuais. Um estudo informal feito pelo Ministério Público mato-grossense constatou que neste ano nenhuma empresa registrou consumo superior a 24.000 metros cúbicos. “Diante dos dados, a conclusão a que se chega é que se criou um limite muito alto”, avaliou o coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do Instituto Centro Vida (ICV), Vinicius Silgueiro. Essa organização é uma das que tem se tornado referência na área ambiental no Mato Grosso.

Apesar de se tratar do produto que é comercializado legalmente, a mudança legislativa acendeu um sinal de alerta entre ambientalistas que atuam na região amazônica. Ela ocorre em um momento em que o Mato Grosso se consolida como o maior produtor de madeira tropical da Amazônia, assim como o segundo maior desmatador do bioma, atrás apenas do Pará. De janeiro a setembro deste ano, Mato Grosso registrou desmatamento em 1.617 quilômetros quadrados de seu território, conforme dados do sistema Deter-B, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

No Brasil, a floresta atinge nove Estados e neste ano bateu recordes em registros de incêndios florestais, o que gerou uma das principais crises do Governo de Jair Bolsonaro (PSL). “Este momento tão crítico, em que o desmatamento e os incêndios aumentam, não é o mais adequado para se discutir uma lei que flexibiliza a exploração da floresta”, afirma o pesquisador Paulo Amaral, do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Na opinião de Silgueiro, por ora, não é possível vincular um “aumento automático do desmatamento”. “Mas não podemos descartar essa hipótese porque geralmente a fiscalização é baixa”, destacou o especialista. Um levantamento realizado pelo ICV em parceria com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e publicado no último dia 17 mostra que 39% de toda madeira produzida no Mato Grosso provém de desmatamento irregular. Foram 60.400 hectares de florestas exploradas ilegalmente entre agosto de 2016 e julho de 2017, últimos dados disponíveis nos registros oficiais.

Curiosamente, ao mesmo tempo em que apresenta essa mudança legislativa, o governador Mendes pediu mais contribuição financeira para o combate ao desmatamento ilegal na Amazônia em um evento internacional sobre florestas em Nova York, em setembro. “Precisamos que o mundo, os países mais ricos do mundo compareçam, não só no nosso estado, no nosso país. Compareçam às áreas de florestas tropicais, fazendo sua parte, dando as contrapartidas financeiras já prometidas e pactuadas em reuniões que já aconteceram ao redor do planeta”, declarou em um painel do qual participou ao lado de outros governadores.

Em nota, a Secretaria de Meio Ambiente justificou que a mudança na lei é uma adequação ao Código Florestal Brasileiro; negou que ela seja um estímulo ao desmatamento; afirmou que uma câmara técnica com representantes da sociedade civil e de órgãos públicos debateu amplamente o assunto e alegou que o objetivo era classificar os consumidores de madeira de acordo com o porte do empreendimento. “A partir do limite estabelecido pela legislação, o empreendedor está obrigado a apresentar um projeto para indicar como ele irá suprir a demanda por matéria-prima lenhosa por meio de um Plano de Suprimento Sustentável (PSS)”, diz trecho da nota enviado à reportagem.

De fato, o Código Florestal cita o PSS, mas em nenhum momento trata do limite de 49.500 metros cúbicos de madeira como parâmetro para definir o tamanho dos consumidores. Cabe a cada Estado definir esse limite.

 

O pequi e os “correntões”

Outro assunto tratado no projeto de lei foi a autorização para se derrubar o pequizeiro (pé do fruto pequi) no bioma amazônico. Antes, a lei complementar 233 de 2005 proibia o corte e a comercialização dessa árvore assim como das espécies seringueira e castanheira em todo Estado. As duas últimas seguirão protegidas, desde que estejam em área nativa, primitiva e regenerada. Enquanto que o pequizeiro só estará protegido no cerrado, caso se confirme a sanção da lei. O problema é que um terço do Estado é uma espécie de área de transição entre o cerrado e a Amazônia. “Não dá para saber onde começa um e onde termina o outro. É misturado”, alertou Silgueiro.

Na opinião de um deputado estadual que fez oposição ao projeto, o petista Lúdio Cabral, ao aprovar essa mudança, o Governo quis facilitar o desmatamento de áreas para a plantação de lavouras ou pastos para os rebanhos bovinos. “Sem proteger o pequizeiro, fica mais fácil desmatar com máquinas ou ‘correntão’, pois o pequizeiro não estará mais no meio do caminho”, afirmou. O “correntão” é uma técnica ilegal na qual dois tratores usam uma corrente afixada em cada ponta deles para derrubar toda a vegetação que encontram pela frente enquanto percorrem o mesmo percurso paralelamente. Vídeos na internet mostram como é o seu funcionamento.

A minúscula oposição à gestão Mauro Mendes busca alguma maneira legal de evitar que essa lei passe a vigorar. Antes de ser aprovado no dia 22, o projeto foi rejeitado no início do mês. Naquela ocasião, havia a previsão de que cada empreendimento poderia consumir até 50.000 metros cúbicos de toras sem a necessidade de reflorestar. Com aquela derrota, a base governista apresentou uma emenda a outra proposta legislativa, a que tratava do pequizeiro, e mudou o limite de consumo  

 

 


  

José Antônio Aleixo da Silva (Editor)
Professor titular da DCFL/UFRPE
Conselheiro da SBPC

Paulo Henrique Pontes

Designer do Jornal

Sobre a SBPC-PE

Somos uma Secretaria Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), entidade civil e sem fins lucrativos voltada para a defesa do avanço científico, tecnológico e do desenvolvimento educacional e cultural do Brasil.

Últimas notícias

© 2016 SPBC Regional Pernambuco. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Dev3code

Search