Notícias

Jornal Eletrônico da SBPC/PE #16 Ano: 4

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Notícias:

71ª REUNIÃO ANUAL DA SBPC ENCERRA-SE COM APROVAÇÃO DOS CONGRESSISTAS E DO PÚBLICO
UFMS Notícias, 27.07.2019

NOVOS DIRETORES, CONSELHEIROS E SECRETÁRIOS REGIONAIS DA SBPC TOMAM POSSE
JC Notícias, 29.07.2019

JUSTIÇA SUSPENDE EXTINÇÃO DE CARGOS NA UFPE, URFPE E IFPE
Folha de Pernambuco, 31.07.2019

EX-PRESIDENTES DO CNPQ DIZEM QUE DÉCADAS DE INVESTIMENTO EM PESQUISA ESTÃO EM RISCO
Notícias da ABC, 27.07.2019

ASSOCIAÇÃO DE REITORES DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS DIVULGA CARTA SOBRE PROGRAMA FUTURE-SE
FURG, 29.07.2019

‘GOVERNO BOLSONARO É UM PESADELO’, DIZ SIDARTA RIBEIRO, NEUROCIENTISTA
Maria Teresa Cruz, Ponte, 26.07.2019

EX-MINISTRO DA EDUCAÇÃO CRITICA "FUTURE-SE" E DIZ QUE BOLSONARO VÊ ENSINO COMO AMEAÇA
Lu Sudré, Brasil de Fato, 30.07.2010

"O MUNDO ESTÁ PERPLEXO COM O DESMONTE DA EDUCAÇÃO NO BRASIL", CONSTATA MIGUEL NICOLELIS

CIÊNCIA PARA SUPERAR O ESCÁRNIO DO GOVERNO BOLSONARO
Luiz Roberto Alves*, Revista Forum, 29.07.2019

DESTRUIR O INPE É ABRIR MÃO DE NOSSA SOBERANIA
Fernando Reinach, O Estado de São Paulo, 27.07.2019

AUMENTO DO DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA É INCONTESTÁVEL, DIZ CARLOS NOBRE
Elton Alisson, Agência FAPESP, 30.07.2019

SALLES DEFENDE NOVO SISTEMA DE ALERTA DE DESMATAMENTO
Renato Grandelle, O Globo, 31.07.2019

NOVO SATÉLITE AVALIARÁ INFLUÊNCIA DOS AEROSSÓIS ATMOSFÉRICOS NA FORMAÇÃO DE NUVENS
André Julião, Agência FAPESP, 01.08.2019

POR QUE TODO MUNDO ESTÁ MIGRANDO PARA PROCESSAMENTO DE IMAGENS EM NUVEM?
Drone Show, 27.07.2019

NOTÍCIA DO LANÇAMENTO NA INTERNET DA WDL, A BIBLIOTECA DIGITAL MUNDIAL. QUE PRESENTE DA UNESCO PARA A HUMANIDADE INTEIRA!!!

JARED DIAMOND: WHY DO SOCIETIES COLLAPSE


 

Secretária Regional: Maria do Carmo Figueredo Soares
Secretaria Regional Adjunta: Marília Regina Costa Castro
 

José Antônio Aleixo da Silva (Editor)
Professor titular da DCFL/UFRPE
Conselheiro da SBPC

Matheus Santos Veras
Designer do Jornal

 


 

71ª REUNIÃO ANUAL DA SBPC ENCERRA-SE COM APROVAÇÃO DOS CONGRESSISTAS E DO PÚBLICO
UFMS Notícias, 27.07.2019

 

Com ampla aprovação dos congressistas e do público, a 71ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada pela primeira vez na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), encerra hoje as atividades contabilizando não somente recordes, mas comemorando um amplo legado em prol da ciência pelos frutíferos debates, análises, inserções e congregação da comunidade científica, acadêmica e sociedade em atividades que ocorreram de 21 a 27 de julho.

A 71ª Reunião teve 21.250 inscritos de 599 municípios brasileiros, tendo sido realizados 12.434 credenciamentos no local. Pela programação científica, foram realizadas 68 conferências, com estimativa de 8.366 participantes, média de 123 pessoas por sessão. “Esse é um número bem interessante”, disse o secretário-geral da SBPC, Paulo Hoffmann, ao anunciar o balanço do evento.

As 79 mesas-redondas reuniram 6.602 participantes, as sessões especiais, 1.940 pessoas, os 24 encontros mais 929 e as quatro assembleias, 287. Foram realizados 43 minicursos, com 1.403 participantes. “Número bem alto, com grande participação dos congressistas”, completou o secretário.

Foram apresentados 600 pôsteres, oriundos de 23 estados e do Distrito Federal, sendo 249 pôsteres de Mato Grosso do Sul. A sessão reuniu 152 pôsteres de Ciências Humanas, 96 de Ciências da Saúde, 84 Ciências Exata e da Terra, 79 de Ciências Biológicas, 75 de Ciências Agrárias, 55 de Ciências Sociais Aplicadas, 47 de Engenharias e 39 de Linguística, Letras e Artes.

“Foram destacados oito trabalhos, de todos os submetidos, seguindo a opinião de 130 professores avaliadores. Esses trabalhos foram apresentados a sessão de Pôsteres e avaliados presencialmente. Dos oito, dois foram premiados e seis receberam menção honrosa, entre eles dois da UFMS.  A atividade como um todo recebeu muitos elogios dos autores e do público participante”, afirmou Hofmann.

Para o presidente da SBPC, professor Ildeu de Castro Moreira, a 71ª reunião foi um evento memorável. “Em especial num difícil momento em que estamos vivendo no Brasil. A SBPC tem essa tradição de estar lutando sempre pela ciência, pela tecnologia, pela educação, pelos direitos humanos, pela democracia, por um país mais justo, menos desigual. Este momento é a festa da ciência e, ao mesmo tempo, temos aqui milhares e milhares de jovens que são a esperança do Brasil”.

O presidente destacou que é importante uma atitude positiva, mas com firmeza. “A Reunião Anual traz um certo bálsamo de afirmação para todos nós. Em especial com a participação dos jovens, como na FETEC, onde alunos de 12 a 14 anos expuseram lindíssimos trabalhos. Estamos muitos satisfeitos, nem nas nossas previsões imaginávamos essa repercussão. A UFMS deu uma amostra da capacidade de fazermos coisas bem feitas”, afirmou.

Ildeu salientou ainda que os números colocados mostraram participação muito intensa de todos. “Tivemos aqui cerca de 40 instituições da sociedade científica presentes. Discutimos grandes problemas nacionais da ciência, celebramos os 150 anos da Tabela Periódica, o Ano Internacional das Línguas Indígenas, discutimos várias moções que serão levadas ao Governo federal e ao Congresso Nacional”.

O reitor da UFMS, professor Marcelo Turine, e a vice-reitora, professora Camila Ítavo, agradeceram à SBPC pela oportunidade de realização da Reunião Anual na UFMS, assim como a todos os colaboradores – professores, técnicos-administrativos e alunos (510 monitores) que colaboraram para a realização do evento.

“A ciência é mágica, estou muito feliz com esse momento da SBPC, os 40 anos da federalização, e é um orgulho para todos nós servidores e estudantes. Conseguimos mobilizar um exército de pessoas, em prol da educação, da ciência, batemos o recorde de participação com 21.250 inscrições e praticamente 35 mil pessoas participaram das atividades da nossa Universidade esta semana”, afirmou o reitor.

Pesquisa de satisfação realizada pela UFMS apontou que 82,9% dos consultados classificaram a reunião da SBPC como ótima ou boa. A programação científica recebeu a mesma avaliação de 93,9%, a organização de 87,7%, atendimento e informação, 85,3%, alimentação 75,7% e credenciamento, 71,9%.

“Os nossos monitores deram um show de orientação no atendimento ao público. Obter 82,9% de bom e ótimo em um evento na grandeza que é a SBPC nos faz vitoriosos”, expôs o reitor.

A vice-reitora Camila Ítavo, coordenadora local da SBPC, destacou alguns números que marcaram a 71ª SBPC como a participação de 7.115 estudantes de 145 escolas do estado, mais de 50 atendimentos em Libra e 40 em línguas estrangeiras, 55 apresentações culturais, 78 expositores, a oferta de mais de duas  mil refeições por dia, o envolvimento de 560 pessoas na limpeza, 40 brigadistas, 500 seguranças, atendimento de 250 crianças no espaço família e as 158 pessoas que estiveram na liderança de suas equipes.

“Nenhuma palavra será suficiente para agradecer o que tivemos juntos, tudo em prol da Instituição que tanto amamos e da ciência brasileira. Somos gratos por estarem em MS e levarem um pouco de nós e deixaram muito conosco”, afirmou Camila, que também destacou a importante participação das famílias no evento.

A organização local e nacional da SBPC agradeceram o apoio dos parceiros: UCDB, UEMS, IFMS, UFGD, Uniderp, Unigran, Prefeitura de Campo Grande, Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, Famasul, Faems, Fiems, Fecomércio, Fapec, Fundect, Embrapa, Guaicurus, Sebrae, Capes, CNPq, Finep, Sistema OCB/MS, Sicredi, Energisa, Intituto Arara Azul, Ministério da Educação (MEC), Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Comando Militar do Oeste, Tribunal de Contas, Base Aérea de Campo Grande, Solurb e Consulado Geral do Paraguai.

A 72ª Reunião Anual da SBPC será realizada em julho de 2020 na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

O reitor da Instituição, professor José Daniel Diniz Melo, convidou a todos para o evento e disse que sai impressionado da edição atual. “A UFMS é bem organizada, a gestão é feita com muito cuidado. Quem é da UFMS tem de ter muito orgulho da Instituição”.

A organização nacional da SBPC e o reitor da UFRN foram homenageados ao final com o troféu “Amigo da UFMS” e com o selo comemorativo dos 40 anos de federalização da Universidade.

Texto: Paula Pimenta

Fotos: Leandro Benites

 


 

NOVOS DIRETORES, CONSELHEIROS E SECRETÁRIOS REGIONAIS DA SBPC TOMAM POSSE
JC Notícias, 29.07.2019

A cerimônia foi realizada no dia 25 de julho, durante a 71ª Reunião Anual da SBPC, em Campo Grande

A nova diretoria da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) tomou posse no dia 25 de julho, na Assembleia Geral Ordinária dos Sócios, durante a 71ª Reunião Anual da SBPC, em Campo Grande. Na cerimônia, também tomaram posse novos membros do Conselho e os 20 secretários regionais e 13 secretários adjuntos que atuam em 16 estados da federação.

O físico e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ildeu de Castro Moreira, foi reeleito presidente da entidade para o biênio 2019-2021.  Para ele, os desafios dessa próxima gestão continuam grandes, diante do cenário de crise e desmonte da educação, da ciência e da tecnologia no País.

Para os dois cargos de vice-presidente, foram eleitos a socióloga Fernanda Sobral, da Universidade de Brasília (UnB), e o biólogo Aldo Malavasi. Paulo Roberto Petersen Hofmann foi reeleito ao cargo de secretário-geral. Para as três vagas de secretários, foram eleitos Sidarta Ribeiro (reeleito), professor titular e diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Claudia Linhares Sales, professora da Universidade Federal do Ceará e ex-secretária-regional da SBPC-CE, e Vera Maria Fonseca  de Almeida e Val, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Como tesoureiras, foram reeleitas Lucile Maria Floeter-Winter e Roseli de Deus Lopes, ambas da Universidade de São Paulo.

 

Conselho 

Também tomou posse parte do Conselho (quadriênio 2019-2023). Para os estados que compreendem a área A (Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) tomou posse Rosa Elizabeth Acevedo Marin.

Anderson Stevens Leônidas Gomes e Maria Bernardete Cordeiro de Sousa tomaram posse para a área B (Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe).

Ana Maria Bonetti, Lia Zanotta Machado e Paulo Sergio Lacerda Beirão para os estados da área C, que compreende o Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso.

Para os estados da área D (Espirito Santo e Rio de Janeiro), os empossados foram Debora Foguel, Luiz Bevilacqua, Sergio Lucena Mendes e Renato Sergio Balão Cordeiro.

Em São Paulo, região da área E, foram empossados Renato Janine Ribeiro, Vanderlan da Silva Bolzani, Dora Fix Ventura e Carlos Frederico Martins Menck.

O novo conselheiro da área F (Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) é Álvaro Toubes Prata.

 

Secretaria regional

Os secretários regionais (biênio 2019-2021) também foram empossados na última semana. Veja abaixo os eleitos:

 

ACRE
Rosana Cavalcante dos Santos

 

ALAGOAS
Secretária Regional: Eliana Silva de Almeida

Secretário Regional Adjunto: Leonardo Viana Pereira

 

AMAZONAS
Secretário Regional: Sanderson Castro Soares de Oliveira

 

BAHIA
Secretário Regional: Mitermayer Galvão dos Reis

 

CEARÁ
Secretário Regional: José Xavier Neto

Secretário Regional Adjunto: Armênio Aguiar dos Santos

 

DISTRITO FEDERAL

Secretário Regional: Cássio Costa Laranjeiras

 

GOIÁS
Secretária Regional: Márcia Cristina Hizim Pelá – reeleição

Secretário Regional Adjunto: Edson José Benetti – reeleição

 

MARANHÃO
Secretário Regional: Antonio José Silva Oliveira

Secretária Regional Adjunta: Ana Lucia Alexandre de Oliveira Zandomoneghi

 

MATO GROSSO DO SUL

Secretário Regional: Além-Mar Bernardes Gonçalves

Secretário Regional Adjunto: Nalvo Franco de Almeida Junior

 

MINAS GERAIS

Secretário Regional: Luciano Mendes de Faria Filho

 

PARÁ
Secretário Regional: Genylton Odilon Rego da Rocha – reeleição

 

PARANÁ
Secretária Regional: Elizabeth de Araújo Schwarz – reeleição

Secretário Regional Adjunto: Cid Aimbiré de Morais Santos – reeleição

 

PERNAMBUCO
Secretária Regional: Maria do Carmo Figueiredo Soares

Secretária Regional Adjunta: Marilia Regina Costa Castro

 

RIO GRANDE DO NORTE

Secretária Regional: Selma Maria Bezerra Jerônimo

Secretária Regional Adjunta: Denise Carvalho Lopes

 

RIO GRANDE DO SUL

Secretária Regional: Ângela Terezinha de Souza Wyse

Secretário Regional Adjunto: Enio Passiani

 

RIO DE JANEIRO

Secretário Regional: Ligia Bahia

Secretário Regional Adjunto: Marta Feijó Barroso

 

SANTA CATARINA

Secretário Regional: André de Ávila Ramos – reeleição

Secretário Regional Adjunto: Luiz Claudio Miletti – reeleição

 

SÃO PAULO – Subárea I


Secretária Regional: Marimélia Porcionatto – reeleição

Secretária Regional Adjunta: Irene Ficheman – reeleição

 

SÃO PAULO – Subárea II

Secretário Regional: Marcelo Alves da Silva Mori

 

SÃO PAULO – Subárea III

Secretária Regional: Berenice Camargo Damasceno – reeleição
Secretário Regional Adjunto: Francis de Morais Franco Nunes

Jornal da Ciência


 

JUSTIÇA SUSPENDE EXTINÇÃO DE CARGOS NA UFPE, URFPE E IFPE
Folha de Pernambuco, 31.07.2019

 

UFPEFoto: Divulgação

Em liminar concedida na manhã desta quarta-feira (31), o juiz federal Felipe Mota Pimentel de Oliveira, titular da 38ª Vara da JFPE, no exercício da 5ª Vara Federal, suspendeu, por solicitação do Ministério Público Federal (MPF), os artigos 1º e 3º do Decreto n° 9.725, de 12 de março de 2019, que extingue milhares de cargos em comissão e funções de confiança nas unidades das Universidades Federais e Institutos Federais, além de exonerar os eventuais ocupantes dos cargos que deixam de existir por força do decreto, a partir de 31 de julho de 2019.

De acordo com o MPF, a partir da referida data, seriam extintos 372 cargos e/ou funções comissionadas na UFPE; 83 cargos e/ou funções comissionadas na UFRPE, além de 107 da UFAPE; e, por fim, 105 cargos e/ou funções comissionadas no IFPE. Tal ação viola o artigo 84 da Constituição Federal, uma vez que direciona-se a cargos ocupados. Por outro lado, afeta diretamente a gestão das universidades e institutos federais, aos quais a Constituição de 1988 atribui autonomia administrativa e de gestão financeira e patrimonial. O MPF destaca, ainda, ser diminuto o valor que a manutenção dessas funções representa nos orçamentos das universidades e institutos federais, razão pela qual, diante dos impactos administrativos e efeitos concretos deletérios à administração das universidades e institutos federais, trata-se de medida, além de ilegal e inconstitucional, também, desarrazoada e desproporcional.
Em sua decisão, o magistrado destacou que, além dos argumentos apresentados pelo MPF, no presente caso, a adequação do decreto com outras normas constitucionais, tais como a moralidade, a impessoalidade e o próprio princípio republicano, deve ser igualmente analisada. Isto porque, em um contexto de constante altercação pessoal travado entre autoridades políticas contra a Instituições Públicas Federais de Ensino - com declarações, por parte das primeiras, que denotam intensas e explícitas emoções negativas, paixões e ressentimentos -, há razões suficientes para que se possa legitimamente questionar se a medida ora impugnada é efetivamente fruto de uma autêntica consciência republicana acerca dos problemas reais da nação ou se, em verdade, não passa da incapacidade de separar o público e o privado, os afetos da razão, a necessidade do revanchismo.

“No momento em que autoridades públicas, destemperadamente, manifestam-se, em rede nacional, no exercício de suas funções, de modo a revelarem mais emoções que argumentos, mais irracionalidade que técnica, mais compromissos privados que políticas assertivas (sejam tais políticas de quaisquer lado do espectro ideológico), tais manifestações produzem efeitos”, explicou Felipe Mota, que segue... “No presente caso, o efeito é a suspeição que este juízo, cumprindo a Constituição da República Federativa do Brasil, impõe à presunção de legitimidade que deveria pairar sobre os motivos do decreto impugnado, em vista do aparente descompasso que há entre ele e a moralidade, a finalidade e a impessoalidade que devem reger os atos públicos, descompasso esse revelado pelos compromissos de foro íntimo (não republicanos) tão viscerais como os expressados pelas autoridades em relação ao tema. Reforce-se: a presunção de legitimidade é essencial ao Estado Democrático de Direito bem como ao exercício regular das funções e burocracias estatais. Porém, essa prerrogativa do ato não é prerrogativa pessoal da autoridade e muito menos serve para a realização de desejos ou afetos com o verniz de republicanismo. Ou seja, a presunção de legitimidade não alberga a concretização pública de paixões ou interesses pessoais”, expõe a decisão.

Por fim, o magistrado destaca: “Em uma República, acaso exista dúvida em relação aos motivos que ensejaram o ato de uma autoridade - se o teor dos motivos são republicanos ou não republicanos -, desde que essa dúvida seja razoável e causada por posturas não condizentes com o decoro do cargo, a Constituição exige que o ato e/ou seus efeitos sejam sustados”.

Confira a decisão, na íntegra:

https://docdro.id/sSHWrj9


 

EX-PRESIDENTES DO CNPQ DIZEM QUE DÉCADAS DE INVESTIMENTO EM PESQUISA ESTÃO EM RISCO
Notícias da ABC, 27.07.2019

Em uma carta a ser lida na noite de quinta (25), sete ex-presidentes do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) afirmam que o órgão, um dos principais responsáveis pelo fomento à pesquisa no país, está em perigo.

Estão em risco “décadas de investimentos em recursos humanos e infraestrutura para a pesquisa e inovação do país”, diz o documento, obtido com exclusividade pela Folha.

Segundo os ex-presidentes, há um déficit de R$ 330 milhões apenas para o pagamento das bolsas. A entidade também já tem reduzido outras formas de incentivo à pesquisa, como editais universais para custeio de projetos e bolsas especiais, como as de pesquisadores visitantes.

Sem recursos, o CNPq, criado em 1951, não vai conseguir pagar a maior parte de suas bolsas de pós-graduação já a partir de setembro.

Intitulado “Manifesto dos ex-presidentes do CNPq”, o texto será lido na assembleia geral da 71ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), que acontece nesta semana no campus da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

Uma das formas para se obter o recurso é por meio de um projeto de lei a ser aprovado pelo Congresso Nacional que autoriza o governo a liberar os recursos. Segundo disse à Folha João Luiz de Azevedo, que também palestrou na reunião da SBPC, está sendo costurado um acordo para a liberação de R$ 310 milhões, além do descontingenciamento dos recursos da instituição (atualmente 11% está retido).

Se tudo der certo, a expectativa de Azevedo é que o orçamento volte para o patamar histórico de R$ 1,2 bilhão, o que permitiria que o CNPq honrasse seus compromissos e mantivesse o mesmo nível de atividade de fomento à pesquisa.

“Conclamamos […] as instâncias competentes do executivo e legislativo federal, a empreender todos os esforços na reversão deste quadro sombrio, com a imediata recomposição orçamentária para evitar o caos da interrupção no pagamento das bolsas. Especialmente esperamos que de imediato o Governo Federal faça valer o acordo acertado com o Congresso Nacional por ocasião da votação do PLN 4/19 (que autoriza o governo federal a realizar operações de crédito de até R$ 248,9 bilhões para pagar despesas correntes), em destinar ao CNPq, ainda em 2019, orçamento e recursos via crédito suplementar no montante de R$ 330 milhões”, escrevem os ex-presidentes —José Tundisi, Esper Cavalheiro, Erney Camargo, Carlos Alberto Aragão de Carvalho FilhoGlaucius OlivaHernan Chaimovich e Mario Neto Borges.

Outro meio de conseguir recursos seria o descontingenciamento do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), que recebe recursos originários de impostos, juros de empréstimos, royalties da produção de petróleo e gás, da concessão de estradas, geração de energia hidrelétrica, entre outros.

O fundo rende R$ 5 bilhões anualmente, mas, neste ano, apenas R$ 600 milhões estão livres para uso do governo.

Mesmo que houvesse recursos privados para a área, eles não resolveriam o problema por causa de limitações impostas pela Emenda Constitucional 95, a Lei do Teto de Gastos, que impedem o crescimento do montante acima do total estabelecido pelo Orçamento. A regulamentação de novos fundos que possam receber esses recursos, diz Oliva, está entre as possibilidades para tentar, no futuro, ampliar o orçamento do CNPq.

Segundo Oliva, presidente da instituição entre 2011 e 2014, e organizador da carta, é importante o esforço neste momento por que há estudantes de pós-graduação, que são a grande força de trabalho da pesquisa no país, que podem ficar sem remuneração no período.

“Isso leva a um caos na vida do bolsista. É um impacto em quase todos os grupos de pesquisa e de pós-graduação do país. Esses estudantes, de mestrado, doutorado e pós-doutorado têm na bolsa sua única fonte de renda. A bolsa exige dedicação exclusiva — não pode dirigir Uber, não pode vender sanduíche. Isso significa que essas pessoas vão estar completamente desprovidas de recursos e que vão ter que se virar, ir atrás de meio de subsistência e deixar a pesquisa”, afirma.

Os valores das mensalidades das bolsas de mestrado e doutorado atualmente são, respectivamente, R$ 1.500 e R$ 2.200.

Abaixo, a íntegra do manifesto:

 

Manifesto dos ex-presidentes do CNPq

Nós, ex-presidentes do CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, manifestamos nossa grande preocupação frente à grave condição orçamentária e financeira da agência que coloca em risco décadas de investimentos em recursos humanos e infraestrutura para pesquisa e inovação no Brasil.

Desde o início deste ano as lideranças do MCTIC, do CNPq e toda a comunidade científica vêm, sem sucesso, alertando para o déficit de cerca de R$ 330 milhões no orçamento para bolsas em 2019, agravado com o subsequente contingenciamento que reduziu ainda mais os recursos disponíveis para as atividades do fomento do Conselho. Como resultado desta situação a suspensão do pagamento de todas as bolsas do CNPq a partir de setembro deste ano é iminente. Este fato, inédito por mais de 30 anos na história da agência, colocará milhares de estudantes no país e no exterior em situação de risco e abandono. Por falta de recursos, o CNPq anunciou também a suspensão do edital periódico para bolsas no segundo semestre de 2019, e não se vislumbra nenhuma condição de reposição, ainda que parcial, do valor das bolsas de IC, mestrado e doutorado, cujo ultimo reajuste ocorreu a mais de 6 anos. Neste cenário, toda uma geração de pessoal altamente qualificado na pós-graduação brasileira será afetada, e como consequência, já se observa expressiva evasão de estudantes, baixa procura pela pós-graduação stricto sensu, esvaziamento dos laboratórios de pesquisa e perda de nossos melhores talentos jovens para o exterior.

Quanto ao fomento, projetos de pesquisa aprovados em anos anteriores seguem sem pagamento integral. O Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), que historicamente supriu parte expressiva dos recursos necessários para a execução de programas centrais do CNPq como o Edital Universal e o programa dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia – INCTs, está contingenciado em cerca de 90% de sua arrecadação e, portanto, impossibilitado de fazer repasses para atendimento das demandas. Nem mesmo a captação de recursos de parceiros privados tem sido possível por não haver espaço orçamentário para preenchimento com recursos externos, devido à emenda constitucional do teto de gastos (EC-95).

Além disso, o CNPq tem sido fortemente contingenciado nos recursos de custeio operacional e limitado em pessoal técnico pela inexistência de concursos públicos de reposição de quadros há quase dez anos, o que tem resultado em crescente dificuldade na manutenção de atividades e programas seminais para o sistema nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, como as Plataformas Lattes e Carlos Chagas e o acompanhamento e avaliação de projetos e programas.

O CNPq, criado em 1951, tem sido ao longo de sua história, o vetor fundamental do desenvolvimento da ciência e da economia do Brasil. A nação não pode jamais perder este patrimônio construído ao longo de décadas pelo esforço conjunto de cientistas e a sociedade brasileira. O impacto da pesquisa nacional nos diversos campos da atividade econômica e nas políticas públicas do país são evidentes e foram amplamente destacados no Manifesto dos Ex-Ministros de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação recentemente divulgado, o qual subscrevemos integralmente.

Conclamamos, assim, as instâncias competentes do executivo e legislativo federal, a empreender todos os esforços na reversão deste quadro sombrio, com a imediata recomposição orçamentária para evitar o caos da interrupção no pagamento das bolsas. Especialmente esperamos que de imediato o Governo Federal faça valer o acordo acertado com o Congresso Nacional por ocasião da votação do PLN 4/19 (que autoriza o governo federal a realizar operações de crédito de até R$ 248,9 bilhões para pagar despesas correntes), em destinar ao CNPq, ainda em 2019, orçamento e recursos via crédito suplementar no montante de R$ 330 milhões. É também fundamental que a Lei Orçamentária Anual de 2020 contemple os recursos necessários para o pagamento integral das bolsas ao longo do ano e que permitam ao CNPq retomar a sua capacidade de fomento à pesquisa e à inovação em todo o território brasileiro.

 

José Galizia Tundisi

Esper Abrão Cavalheiro

Erney Felício Plessmann Camargo

Carlos Alberto Aragão de Carvalho Filho

Glaucius Oliva

Hernan Chaimovich Guralnik

Mario Neto Borges

Brasil, julho de 2019


 

ASSOCIAÇÃO DE REITORES DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS DIVULGA CARTA SOBRE PROGRAMA FUTURE-SE
FURG, 29.07.2019

 Em documento, Andifes reitera defesa da educação pública, gratuita e de qualidade

Foto: Reprodução/Andifes 

A diretoria da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) publicou nesta segunda-feira, 29, a Carta de Vitória. O documento reúne encaminhamentos discutidos durante a 176ª Reunião Ordinária do Conselho Pleno da entidade, realizada em Vitória nos dias 25 e 26 de julho, e que contou com a participação de reitores e reitoras de universidades e institutos federais de ensino superior de todo o país – dentre elas, a reitora da FURG, Cleuza Maria Sobral Dias.

Conheça abaixo a íntegra da Carta de Vitória.

"O sistema de universidades federais é um patrimônio de nosso povo. Elas representam uma das apostas mais significativas da sociedade brasileira no conhecimento, na ciência, na formação de recursos humanos, no desenvolvimento social e tecnológico, na cultura e nas artes. A educação pública é, desse modo, uma recusa sistemática do atraso e da ignorância, uma opção atual e de longo prazo pela civilização.

Assim, em primeiro lugar, todo debate sobre orçamento deve ter em conta metas pactuadas pela sociedade, tal como expressas no Plano Nacional de Educação — no caso, em especial, a Meta 12, que é a da expansão, com qualidade, da educação superior em nível de graduação, tendo entre seus objetivos a garantia de aumento expressivo das novas matrículas no segmento do ensino público. As universidades têm contribuído, de resto, para o cumprimento de todas as metas do PNE, pois são decisivas ao esforço nacional em prol da educação, em todos os níveis e dimensões. Em segundo lugar, tratando-se de um sistema vital para a sociedade, o debate sobre financiamento, mesmo voltado a medidas de longo prazo, perde bastante do seu sentido, caso não haja uma garantia do funcionamento imediato de nossas instituições, que ora enfrentam um severo bloqueio de recursos orçamentários e ainda não têm definido o orçamento de 2020.

Foi, porém, nesse contexto de dificuldade orçamentária que os reitores tomaram conhecimento do “Programa Institutos e Universidades Empreendedoras e Inovadoras — Future-se”. No dia 16 de julho, uma primeira e mais reservada apresentação foi dirigida pelo Sr. Secretário do Ensino Superior a reitores das universidades e institutos federais. No dia seguinte, 17 de julho, houve nova apresentação, amplamente divulgada e transmitida. Enfim, no dia 18 de julho, foi conhecida a minuta de um projeto de lei, com a abertura de consulta pública e a informação de que será encaminhada ao Congresso Nacional no próximo dia 28 de agosto. Esse, pois, o tempo de definição da proposta do MEC.

Disponível esse material, o debate teve início em todo país. Dessa forma, em nosso Conselho Pleno, dirigentes debateram e trouxeram muitos questionamentos. Naturalmente, foi reiterado diversas vezes o quão delicado é travar tal debate sem garantia de recursos suficientes para os próximos meses. Em 10 de julho do corrente ano, a Andifes já oficiara ao Excelentíssimo Senhor Ministro da Educação sobre a preocupante situação orçamentária e financeira que atravessam as universidades federais (Ofício Andifes no 094/2019). E a Comissão de Orçamento da Andifes manifestou-se em Vitória sobre iminente colapso orçamentário do sistema: “Com a manutenção pelo governo federal do bloqueio orçamentário, muitas das Universidades ficarão, dentro de poucos dias, impossibilitadas de (a) pagar suas despesas contínuas, como conta de energia elétrica; (b) honrar com os contratos de serviços terceirizados, como os de vigilância e limpeza; (c) comprar materiais, como os necessários para o funcionamento cotidiano de salas de aula e laboratórios.”

Feita a ressalva de que elementos interessantes do programa não são novos e antes reconhecem o que já se pratica virtuosamente no ambiente e no contexto da legislação de nossas universidades, alguns elementos novos não parecem interessantes. Foram questionados, assim, pontos específicos do Programa Future-se. Por exemplo, com a exigência de firmar-se contrato de gestão abrangente com uma Organização Social, as universidades ver-se-iam profundamente atingidas em sua autonomia administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e mesmo em sua autonomia didático-científica, em conflito com o artigo 207 da Constituição Federal de 1988. Outro exemplo: a proposta de constituição de um Fundo de Investimento sugere um descompromisso crescente com o financiamento público do ensino superior, no que atentaria contra no artigo 55 da LDB (Lei No 9.394, de 20/12/1996), segundo o qual: “Caberá à União assegurar, anualmente, em seu Orçamento Geral, recursos suficientes para manutenção e desenvolvimento das instituições de educação superior por ela mantidas”.

Além desses aspectos estruturantes, que podem comprometer a natureza da instituição e reduzir o compromisso do estado com o financiamento público do ensino superior, foi observado que o Programa exige a modificação explícita de 16 leis vigentes, contrariando ainda normativas dos órgãos de controle, no que se refere ao trânsito de recursos privados e recursos públicos. Foram feitas, também, ponderações sobre o método de obtenção de um orçamento adicional para as universidades. Com efeito, a simples formulação da proposta atesta o reconhecimento pelo governo da atual e progressiva defasagem orçamentária das universidades, assim como reconhece a excelência da pesquisa e das atividades desenvolvidas em nossos espaços; entretanto, em vez de centrar esforços na retirada dos efeitos perversos da Emenda Constitucional 95, que atingem todo o serviço público e, especialmente, a educação, o Programa oferece uma solução apenas para aquelas instituições que se disponham a renunciar à forma atual de exercício da autonomia garantida pela constituição e a aderirem a um fundo de investimento, sem que estudos mais detidos amparem ou corroborem a viabilidade desse Fundo, mesmo no longo prazo. Diante dos imensos desafios da educação pública, questionou-se assim a falta de estudos de impacto e mesmo a viabilidade das soluções apresentadas, sendo possível ver antes vagueza e imprecisão nos pontos em que o governo sugere haver inovação e ousadia.

Muito a debater, muito a esclarecer. Como é de nossa tradição, não apreciaremos de forma açodada proposta dessa magnitude e de impacto tão estruturante. O diálogo e a argumentação são nossos elementos, e caracterizam nossa postura diante de autoridades e membros da academia. A Andifes sabe então que, no tempo próprio e com a urgência de cada instituição, cada um dos nossos Conselhos Universitários, a quem cabe deliberar sobre a adesão ou não a programas desse porte, não deixará de travar o debate mais aprofundado e cuidadoso. Nesse sentido, também a Andifes realizará seminários, com todos os envolvidos, para debate de todos os seus aspectos e consequências.

A Andifes mobilizará especialistas, dará voz a nossas comunidades e procurará atuar juntamente com outras entidades científicas, assim como dialogará com todos os parlamentares preocupados com os destinos da educação em nosso país. A Andifes conclama, assim, todas as universidades federais a avaliarem os aspectos estruturantes da proposta, assim como suas consequências, à luz dos princípios constitucionais e dos valores mais elevados que orientam a vida universitária. Conclama, enfim, toda comunidade acadêmica e todos os interessados no futuro da educação pública, gratuita, inclusiva e de qualidade, a participarem ativamente desse debate, com a consciência de caber-nos uma manifestação clara e coletiva, por todos os meios, diante do parlamento e da sociedade, tão logo exista uma versão definitiva do projeto de lei.

Vitória – ES, 26 de julho de 2019."


 

‘GOVERNO BOLSONARO É UM PESADELO’, DIZ SIDARTA RIBEIRO, NEUROCIENTISTA
Maria Teresa Cruz, Ponte, 26.07.2019

 Cientista achou ‘estranho’ ser filmado por militares durante palestra e critica ‘polêmica’ sobre drogas: ‘farmácias vendem maconha há dois anos’

Sidarta Ribeiro fala sobre os cortes do governo federal em encontro na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul | Foto: SBPC/Jardel Ribeiro

Não faz nem um mês que o neurocientista Sidarta Ribeiro, um dos mais respeitados em sua área no Brasil, professor titular e vice-diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), esteve em Paraty (RJ) divulgando seu novo livro “O oráculo da noite”, que fala de sonhos. Mas, para ele, no atual momento político que o país atravessa, tem sido difícil sonhar. “A gente está vivendo uma situação catastrófica para a ciência, a educação e o meio ambiente. Isso é um pesadelo, não é um sonho bom”, disse Sidarta, em entrevista à Ponte.

Na última terça-feira (24/7), conforme divulgado em reportagem da Ponte, Ribeiro estava fazendo uma apresentação sobre os riscos para a ciência e tecnologia diante dos cortes do governo federal que afetam em cheio a pesquisa no país, quando foi gravado por militares no auditório da (UFMS) Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande. O pesquisador falava como coordenador da Comissão de Financiamento à Pesquisa e de Política Científica da SBPC (Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência), durante o 71º encontro anual da entidade. “Achei a situação inédita, me senti desconfortável pela forma com que eles estavam se comportando, mas mantive o que foi planejado”, afirmou.

Sidarta Ribeiro é cuidadoso ao fazer afirmações sobre a motivação da gravação, mas faz um alerta sobre a versão do Exército, de que os militares estavam na sala e fizeram a gravação por desejo e interesse individual. “A desculpa que eles deram não é implausível. Mas eu acho que se fosse o caso de atitude privada, eles teriam usado o celular para filmar e estariam na cadeira, não ficariam atrás e se locomovendo em cima das pessoas. Quando você está só interessado, você não está preocupado em documentar detalhes. Eles estavam tentando documentar em detalhes”, atestou.

Militares durante a apresentação de Sidarta Ribeiro na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul | Foto: divulgação

O neurocientista manifestou preocupação com as recentes decisões do governo Bolsonaro, que impactam a política de drogas, o livre debate e prevê um cenário catastrófico para a ciência e educação. “Eles não querem o debate. Para eles, o contraditório tem que ser exterminado”, critica. E diagnostica: “Avalio que a maconha para a medicina do século 21 é como o antibiótico para a medicina do século 20”.

Confira a entrevista:

Ponte – Qual a leitura possível do que aconteceu na última terça-feira na SBPC? 

Sidarta Ribeiro – Eu não tenho informação suficiente para saber, ter uma interpretação segura. Mas há três possibilidades. A primeira é considerar que o Exército está falando a verdade, que aqueles quatro agentes estavam lá como indivíduos privados, muito interessados no conteúdo da palestra. A segunda possibilidade é que eles estavam lá por orientação de algum superior para documentar o que era falado, o que acho que é mais provável devido a postura deles, os equipamentos que eles estavam usando, o posicionamento deles na sala, tudo que aconteceu lá sugere isso. A primeira é benigna, a segunda não muito e a terceira é pior, que seria para intimidar, para incomodar a gente.

 

Ponte – Antes de começar a sua apresentação você percebeu o que estava acontecendo ou só se deu conta depois?

Sidarta Ribeiro – Antes de eu começar eles já se posicionaram. Eu olhei, percebi, achei a situação no minimo inédita, já que nunca tinha visto nada parecido, mas, de novo: lá fora estava cheio de militares, eles estavam com um estande. A desculpa que eles deram não é muito crível, mas ela não é completamente implausível. Eu acho que se fosse o caso de atitude privada, eles teriam usado o celular para filmar e estariam nas cadeiras, não ficariam atrás, em pé, se locomovendo em cima das pessoas. Quando você está só interessado, você não está preocupado em documentar detalhes. Eles estavam tentando documentar em detalhes. Teve uma senhora que se levantou e falou que ela era dos anos 60, que só nos anos 60 acontecia coisas assim, se mostrou indignada. Eles ficaram aparentemente constrangidos, sentaram nas cadeiras, mas não foram embora e continuaram ali filmando.

 

Ponte – Você ficou constrangido, pensou em mudar alguma coisa do tema que iria falar?

Sidarta Ribeiro – Eu fiz uma apresentação que foi integralmente formada por documentos, que foram apresentados com imagem. Quando eu percebi aquela situação, me senti desconfortável, mas pensei: isso pode não significar nada. Até porque nós, cientistas, somos patriotas, assim como os militares são patriotas. Eu decidi que não ia fazer ironia, piada, nada, e nem diminuir a carga da crítica. Porque a crítica é forte, mas é uma crítica de toda a sociedade, desse grupo de trabalho que eu estava representando. Estava ali o Glaucius Oliva, a Helena Nader, entre outros e eu basicamente pensei: “vou manter o que foi planejado”.

 

Ponte – Seu último livro “O oráculo da noite” é sobre sonhos. Está dando para sonhar ultimamente?

Sidarta Ribeiro – A gente está vivendo uma situação catastrófica para a ciência, a educação e o meio ambiente. Catastrófica. Integrantes da SBPC foram removidos do Conad [Conselho Nacional de Políticas de Drogas] e do Conama [Conselho Nacional do Meio Ambiente]. Isso é um pesadelo, não é um sonho bom.

Sidarta Ribeiro traz previsões sobre a falta de investimento na pesquisa científica que trará consequências no curto e médio prazo | Foto: Divulgação/SBPC/Jardel Ribeiro

 

Ponte – Sobre essa extinção do Conad, quais as consequências possíveis?

Sidarta Ribeiro – O Conad já era um órgão em que já éramos minoria, até pela forma como ele era estruturado pela lei 11.343/2006. A sociedade civil tinha menos assentos que o governo. Ou seja, era um local onde não tinha maioria para ganhar nada, mas era um local para expressar ideias, para fazer o exercício do contraditório. No governo Temer não foi fácil nossa relação com o Conad. Houve dificuldade para indicar representante, existia uma má vontade, mas ainda assim nós tínhamos a nossa representação. Mais recentemente, já no governo Bolsonaro, eles aprovaram a nova política de drogas, basicamente de inspiração do Osmar Terra [Ministro da Cidadania], que é uma política de drogas regressiva na nossa opinião. No ano passado, a SBPC aprovou, por unanimidade, que a proibição de drogas é anticientífica e que nos deveríamos regularizar e regulamentar todas as drogas de acordo com seus potenciais benéficos e danosos. Nós éramos uma voz dissonante junto a outras vozes da sociedade, mas éramos minorias. Quando ele faz um movimento para expurgar a sociedade civil do Conad e do Conama, em grande medida, se trata de não ter o contraditório. Não se trata de vencer as discussões, até porque eles sempre tiveram maioria. Se trata de homogeneizar as opiniões, visões. Se trata de algo muito grave quando falamos em política pública. 

 

Ponte – Ainda sobre o debate das drogas, esse ano a Fiocruz divulgou uma pesquisa que ficou embargada no ano passado e que mostra resultados importantes, na contramão de algumas ideias do governo, que tentou desqualificar a instituição. Como vê isso?

Sidarta Ribeiro – A pesquisa da Fiocruz foi um levantamento muito amplo sobre o padrão de uso de drogas no Brasil e ele se segue a outros levantamentos anteriores. Se você observar os números, eles são todos compatíveis, não mudaram radicalmente. Essa pesquisa foi embargada no governo Temer e não tem nenhuma boa razão científica para isso, afinal foi feita com dinheiro público, melhores metodologias, os resultados são compatíveis com resultados anteriores, é bem consistente. O que pega nessa pesquisa é que ela demole a ideia de epidemia de drogas no brasil. Epidemia é uma coisa que se alastra rapidamente e o consumo de drogas não está se alastrando rapidamente pelo país. Isso não está acontecendo. Mas esse discurso de epidemia é para justificar essa nova política de drogas no país, que baseada na internação compulsória, que objetiva dar dinheiro para comunidades terapêuticas religiosas, uma espécie de Lei Rouanet para essas comunidades religiosas. E tem uma coisa grave: se você olhar os números, todo o auê que é feito em cima da maconha e crack, a prevalência dessas drogas é muito baixa. Se houvesse uma epidemia de drogas no Brasil, seria de álcool, já que 66% dos brasileiros já fez uso de álcool. A pesquisa foi embargada por questões ideológicas. 

 

Ponte – E a legalização da cannabis. A discussão atravessa governos, existe há anos e parece não caminhar, apesar de alguns tímidos avanços. A que atribui?

Sidarta Ribeiro – Se você for na farmácia, agora, e pedir um remédio chamado “mevatyl”, você vai ter ali um tarja preta importado que é composto de THC e CDB [Tetrahidrocanbinol e Canabidiol, compostos maconha]. Ele é uma espécie de maconha simplificada, só que ele custa R$ 2.800. Às vezes estou falando disso na universidade e algum aluno diz: “mas professor, isso é polêmico”. E eu rebato: não tem nada de polêmico nisso. Já esta vendendo em qualquer drogaria, há dois anos e ninguém sabe disso direito. As pessoas ficam surpresas. A gente não está discutindo a legalização da maconha. A maconha já está legalizada para quem tem dinheiro. A gente está discutindo o acesso para pessoas pobres e mesmo da classe média. Há três posições sobre o tema hoje no Brasil: tem a posição medieval do Osmar Terra, que é a do Bolsonaro, de que droga é uma coisa ruim, que tem que acabar com a droga, embora com certeza eles comprem remédio na drogaria. Tem a posição da Anvisa, que é a posição do mercado, que defende legalizar desde que seja passando por grandes empresas e encarecendo o produto. E tem a terceira posição que é a posição dos pais de pacientes, dos cultivadores cooperados, que mostra que o extrato da planta contém tudo que é necessário, ele é muito mais eficiente e mais barato. Aquele que custa R$ 2.800, vai sair R$ 30, R$ 50.  O cultivo cooperativizado está sendo utilizado e dando certo na Espanha. 

 

Ponte – Você é a favor de qual para a realidade brasileira?

Sidarta Ribeiro – Essa não é a posição da SBPC, é a posição do Sidarta, certo? Na minha opinião, eu, que sou neurocientista, coordenador científico da Plataforma Brasileira de Política de Drogas, acho que a melhor solução é permitir o auto cultivo. Eu pessoalmente não sou contra e nem acho viável excluir o mercado, mas a gente tem que garantir o cultivo e produção da maconha medicinal no Brasil a um custo baixo. Se é o Estado que vai fazer isso, maravilha. Se ele não vai fazer, as pessoas têm que poder fazer. Como neurocientista avalio que a maconha para a medicina do século 21 é como o antibiótico para a medicina do século 20. Vai mudar tudo. Da oncologia à geriatria, passando pela neurologia. Aplicação para Parkinson, para câncer. É uma coisa importante demais para deixar apenas nas mãos de grandes empresas multinacionais. Não estou dizendo que elas não têm que participar, mas as pessoas não podem ser obrigadas a comprar delas. E tem algo a ser considerado, existe em curso uma guerra entre o governo e a Anvisa…

 

Ponte – Sim, o ministro Osmar Terra falou que vai acabar com a Anvisa….

Sidarta Ribeiro – Primeiro o governo falou em acabar com a Ancine, agora o Osmar Terra vem a público e fala em acabar com a Anvisa. No fundo, o que eu vejo é que a solução para eles é acabar com o debate, com o contraditório. 

 

Ponte – E podemos falar que isso é uma política de Estado ou mais uma visão individual de alguns personagens do governo?

Sidarta Ribeiro – É a política desse governo.

 

Ponte – Se eu te pedisse para apontar, na sua área de atuação, uma ou duas decisões do governo que considere mais perigosas, o que diria?

Sidarta Ribeiro – A forma com que eles lidam com o meio ambiente, a questão dos agrotóxicos, o desmatamento, a questão indígena, a venda das empresas brasileiras, como a Embraer, o tratamento da educação, como estão lidando com as universidades, o comportamento histriônico do Ministro da Educação, Abraham Weintraub, esse decreto nº 666 de hoje que permite a expulsão de qualquer estrangeiro, que permite que qualquer estrangeiro seja extraditado baseado numa série de coisas, uma delas é denúncia de órgãos de inteligência. É difícil dizer o que é pior nesse governo. 

 

Ponte – Você mencionou que os cortes não começaram agora, mas que se acentuaram. A que você atribui esse agravamento?

Sidarta Ribeiro – O discurso que nós não temos dinheiro para educação é um discurso neoliberal. É um discurso de que nós somos um país fadado a vender commodities e força bruta de trabalho. Há alguns anos a gente vem vendo um cerceamento, mas agora os cortes são muito mais profundos e têm caráter de de opinião. Algumas universidades estão tendo reitores escolhidos sem a participação da comunidade acadêmica, que nem concorreram. Veio o decreto que o governo poderá interferir nos pró- reitores e reitores de centro. A autonomia da universidade está sendo fortemente ferida. Esse projeto “Future-se”, ele não é exatamente novo e não necessariamente ruim, mas  é muito ruim falar: “a gente vai inventar uma nova maneira de financiar a universidade desfinanciando ela”, descumprindo a constituição. Não dá para defender isso. Se a gente falasse: “Vamos cumprir a constituição e vamos aumentar o aporte através de outras estratégias”, aí tudo bem. Mas isso não é o que esta acontecendo. Estão querendo colocar as universidades sob o comando de organizações sociais, tirando a autonomia de gestão. É um debate que começou mal. A questão da ciência é uma situação gravíssima. O FNDTC [Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico], que é a principal fonte de recurso [para desenvolvimento científico], está contingenciado em 90%. A lei não esta sendo cumprida. O CNPq vai parar em setembro, faltam R$ 340 milhões, que eles avisaram que não vão aportar. Serão cortadas 84 mil bolsas. Isso é um evento de catástrofe, de extinção da ciência brasileira e denota um projeto de desmonte do Estado.

 

Ponte – E motivado por quê?

Sidarta Ribeiro – O que posso especular? falta de patriotismo? interesses estrangeiros?

 

Ponte – Muita gente não consegue entender na prática como esses cortes afetarão no médio e longo prazo a vida das pessoas. Como explicar?

Sidarta Ribeiro – As pessoas não percebem que a ciência está em tudo. Elas não percebem que o pré-sal só foi descoberto por causa da colaboração da Petrobras com as universidade, elas não percebem que o programa de álcool passou por pesquisa, então tem carro flex por isso. Elas não percebem que a qualidade e expectativa de vida aumentaram e isso tem a ver com a saúde publica, com o SUS, com pesquisa e com as vacinas da Fiocruz. Elas não percebem que o próprio agronegócio só chegou onde chegou porque foi feita a pesquisa para fazer a fixação de nitrogênio com bactérias. O zika vírus, que a gente teve uma crise e em quatro meses o Brasil tinha dois artigos na Nature e na Science, e tinha a Celina Turchi [uma médica e cientista especialista em epidemiologia das doenças infecciosas] entendendo a relação com a microcefalia. A gente tem um parque tecnológico considerável e estávamos caminhando para sermos os melhores do mundo. De repente, tudo isso está sendo desmontado. A quem interessa? Não é aos brasileiros e brasileiras.


 

EX-MINISTRO DA EDUCAÇÃO CRITICA "FUTURE-SE" E DIZ QUE BOLSONARO VÊ ENSINO COMO AMEAÇA
Lu Sudré, Brasil de Fato, 30.07.2010

Renato Janine alerta para o risco de se submeter a educação pública às variações do mercado financeiro

Cortes orçamentários, declarações confusas e ausência de projeto. Para Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação, os primeiros sete meses de Jair Bolsonaro (PSL) na Presidência da República refletem a concepção retrógrada de um político que enxerga na universidade pública uma ameaça.

Desde o anúncio do congelamento de 30% na verba do Ministério, estudantes, professores e trabalhadores vêm denunciando nas ruas o desmonte do ensino público. Como resposta, o governo apresentou o programa "Future-se", que prevê a criação de um fundo de cerca de R$ 102 bilhões para atrair investimentos privados nas instituições de ensino superior do país. 

Em entrevista ao Brasil de Fato, Janine critica essa proposta. “O risco que muitas pessoas sentem é que ele talvez leve o governo a parar de financiar o ensino público federal. É esse o receio que existe nas universidades: que o 'Future-se' represente, junto com várias outras ações, uma desresponsabilização, uma destruição da universidade federal”, alerta o ex-ministro, que também é cientista político e professor titular de Ética e Filosofia Política da Universidade de São Paulo (USP).

Entre as estratégias do programa, está a negociação de cotas do fundo na bolsa de valores. “Quando se tem ações na bolsa, elas podem subir ou cair. Ora, não se pode submeter nem a educação e nem a saúde a um orçamento arriscado. Deve-se garantir os recursos. Se em certos momentos há uma crise econômica, essas são as áreas que mais devem ser protegidas”, lembra Janine. 

Daqui a duas semanas, no dia 13 de agosto, haverá uma nova mobilização nacional nas ruas contra as políticas educacionais do governo Bolsonaro.

 

Confira entrevista na íntegra:

 

Brasil de Fato: Em linhas gerais, como o senhor avalia a atual gestão da pasta da Educação?

Renato Janine Ribeiro: Os cortes podem acontecer e muitas vezes acontecem. A minha gestão foi marcada por ser a primeira gestão que teve que encarar redução de verbas, e, por conseguinte, cortes. Contudo, há uma diferença muito grande entre se fazer cortes com critérios e sem critérios. O que estamos vivendo hoje é uma situação de cortes sem critério. O discurso do governo sobre a educação é um confuso e não foi apresentado na campanha eleitoral. 

Na campanha, quando Bolsonaro falava de educação, era muito mais para dizer que ele queria retornar aos costumes de 50 anos atrás, e que a educação deveria passar por esse tipo de retorno. No entender dele, representaria um Brasil mais moral. 

Essa mudança que o governo Bolsonaro sinalizou muito vaga. Quando o governo tomou posse, não tinha um projeto para a área. Tinha coisas mais firmes em outros pontos, mas na área da educação não tinha um projeto. E começou a fazer declarações a esmo, sem coerência entre elas, de modo que isso acabou trazendo uma insegurança para a sociedade. 

A própria declaração que ele pretendia retirar dinheiro do ensino superior para repassar para a educação básica veio acompanhada de uma redução da verba da própria educação básica e de uma desatenção para as grandes pautas dessa área.

Duas pautas da educação básica são prioritárias, e uma delas é a Alfabetização na Idade Certa, um programa que o governo do Ceará criou em 2007 e que foi incorporado pelo MEC em escala nacional em 2013. Esse programa precisa ser desenvolvido e melhorado. Já tivemos anos de estudos a respeito, de como fazer e do que não fazer. Disso praticamente não se falou.

A outra questão é o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), o qual permite pagar melhor salário aos professores da educação básica nos municípios e estados mais pobres, e que vai expirar ano que vem, 2020. Precisa haver uma Emenda Constitucional prorrogando o Fundeb ou teremos uma situação calamitosa na educação básica.

Até agora, o governo não sinalizou quais são as propostas dele. Na verdade, com uma série de medidas de contenção de recursos, com cortes de destinação de recursos, o receio é que o governo deixe o Fundeb perecer.

Estou citando esses casos específicos para mostrar que as medidas que estão sendo tomadas pelo governo no setor não indicam um projeto formatado para a educação.  Mesmo o "Future-se", programa traçado para a universidade e o ensino superior, é uma contradição: se o governo tivesse como prioridade a educação básica, ele não teria começado pelo ensino superior.

 

Que impactos esse programa pode ter, na prática?

O problema do "Future-se", além de estar muito pouco esclarecido e ter um prazo de debate curto, é que ele introduz um financiamento para o ensino superior que viria, em parte, do setor privado, por meio de fundos cotados na bolsa de valores, inserindo um elemento de risco.

Quando se tem ações em bolsa, elas podem subir ou cair. Ora, não se pode submeter nem a Educação nem a Saúde a um orçamento arriscado. Deve-se garantir certos recursos. Se em certos momentos há uma crise econômica, são as áreas que têm que ser mais protegidas. Uma porque lida com a própria vida das pessoas, outra com o futuro.

O que nós estamos vendo é um certo desinteresse do governo em priorizar essas questões. Quando se introduz o elemento de risco no ensino superior e na pesquisa, é complicado. 

Soma-se a isso um erro de diagnóstico, porque o comentário feito é que não haveria hoje cooperação entre o setor privado e as universidades. Porém, há mais de 30 anos, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) dá bolsas para empresas chamarem jovens pesquisadores para trabalharem. Desde 2005, existe a chamada Lei do Bem, que facilita a cooperação do professor universitário com o setor privado. 

Também temos há alguns anos a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que é um órgão privado com forte relação com o governo, que coopera com empresas privadas para fazer com elas se beneficiem da melhor tecnologia – aumentando a cooperação entre universidade e empresa.

O fato de que já existe indica também que já existe conhecimento acumulado sobre em quais pontos essa cooperação pode ser aprimorada. Não deveríamos jogar fora o que existe, e sim, aprimorar o que está em funcionamento. 

 

O "Future-se" é um risco para a continuidade do ensino público superior?

O risco que muitas pessoas sentem é que ele talvez leve o governo a parar de financiar o ensino público federal e que represente, junto com várias outras ações, uma desresponsabilização, uma destruição da universidade federal. 

Isso soma-se à determinação de que quem nomeia pró-reitor e diretor é o governo, e não mais o reitor, o que afeta diretamente a autonomia universitária – ainda mais em um cenário em que não se nomeia o mais votado nas eleições de candidato a reitor… Todos esses pontos representam um nível de intervenção do governo federal sobre as universidades que não se via antes.

A última vez que foram nomeados reitores que não eram os mais votados, no governo Fernando Henrique Cardoso [PSDB], se não me engano, isso causou muito transtorno, muita briga dentro das universidades. 

Isso deveria ser mais bem discutido. Há uma preocupação grande não só com o orçamento da universidade, não só com a gratuidade do ensino, mas com a própria autonomia da universidade como órgão que faz pesquisa e formação de recursos. 

 

Podemos afirmar que, neste cenário, o desenvolvimento da ciência brasileira está comprometido?

Está comprometido. A recente desqualificação dos dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a intervenção nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tudo isso indica que o governo não está querendo pautar sua ação pelos indicadores objetivos que a ciência proporciona.

A ciência proporciona indicadores objetivos sobre o clima, sobre a presença de veneno na lavoura, sobre a proporção de pessoas que sofrem doenças. E todos esses indicadores o governo está querendo suprimir.

Se o governo suprime esses dados, a política pública vai ser levada às cegas. Não tem como. Assim como nenhuma pessoa sensata iria plantar soja sem conhecer a tecnologia a respeito, nenhuma pessoa sensata pode governar o país sem conhecer a ciência da sociedade: a sociologia.

É muito preocupante que haja tantas pessoas que não percebem os riscos que isso traz para o Brasil e o retrocesso que isso tudo pode representar.

 

Segundo o estudo mais recente da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), a maioria dos estudantes das federais são mulheres, pretos e pardos, e de baixa renda. Os cortes do governo Bolsonaro podem ameaçar o acesso dessas populações é educação formal?

É claro que pode ameaçar. Essa situação toda pode ficar precária, porque a inclusão depende de uma série fatores: das bolsas, dos restaurantes universitários, etc. E os cortes podem ameaçá-los, sim. 

 

O que significa, do ponto de vista histórico, simbólico, a adoção dessas medidas para a área da educação logo no primeiro semestre do governo Bolsonaro? 

Significa que a Educação não é uma pasta prioritária para o governo atual. O governo não vê na educação as mesmas expectativas, promessas e esperanças que os últimos governos, desde Itamar Franco [PMDB]. Todos eles viram a educação como um fator de emancipação, de melhora de vida econômica e um fator de desenvolvimento do país.

O governo Bolsonaro parece ver a educação como um perigo de formar as pessoas para o que chama de "imoralidade". Parece considerar que a educação teria favorecido o fim de uma sociedade na qual as pessoas "obedeciam quem mandava" – na qual, portanto, a mulher obedecia o marido, os homossexuais não saíam a público. Parece que eles associam essa mudança na sociedade à forma de educação e, por isso, uma das prioridades deles é restaurar uma sociedade de costumes de 50 anos atrás, como Bolsonaro disse na campanha eleitoral.

Eles dizem isso junto à ideia de que é preciso favorecer, sobretudo, os setores que aumentam o PIB [Produto Interno Bruto]. Acontece que não se pode separar assim. Os setores que aumentam o PIB precisam de qualidade e, para se ter qualidade, é preciso dados. Por exemplo: não vai aumentar o PIB escondendo o desmatamento. Não vai aumentar o PIB ocultando o aquecimento global. Não vai melhorar o PIB negando verbas de pesquisa. Isso, mesmo nas áreas científicas, não só nas áreas de humanas.

Estamos em uma situação muito periclitante na sociedade brasileira.

 

Qual a sua perspectiva para a mobilização popular nesse cenário de sucateamento da educação?

Isso depende de nós. O descontentamento com as medidas do governo é muito grande. As pessoas do mundo universitário estão realmente empenhadas em defender a universidade. É preciso que a sociedade perceba que a universidade pública é um patrimônio público da sociedade brasileira e não pode ser destruído.

É preciso que isso não seja feito só por quem está na universidade. É preciso que seja feito também por quem está fora da universidade. As lutas contra essas pautas regressivas do governo Temer [MDB] e Bolsonaro têm sido fracas, insuficientes. Tanto que a reforma trabalhista passou com a promessa de criar 5 milhões de empregos, e o desemprego aumentou. 

A reforma da Previdência está passando, e agora os próprios defensores estão dizendo que ela não vai criar empregos. Então, é preciso lutar na defesa dos direitos e na defesa de criação de novos postos de trabalho, além da defesa da universidade. É preciso que as pessoas realmente lutem. 

 

Edição: Daniel Giovanaz


 

"O MUNDO ESTÁ PERPLEXO COM O DESMONTE DA EDUCAÇÃO NO BRASIL", CONSTATA MIGUEL NICOLELIS
Instituto Humanitas Unisinos, 27.07.2019

O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis vive há três décadas no exterior e roda o mundo para divulgar sua pesquisa científica. Por isso, não tem dúvidas ao sentenciar: a comunidade internacional está perplexa com os desmontes e cortes na educação pública anunciados pelo governo brasileiro, chefiado por Jair Bolsonaro (PSL).

“O mundo inteiro está pasmo. Revistas internacionais de ciência dedicaram espaços que o Brasil nunca ganha, como por exemplo na Nature, para falar do total espanto e choque que é qualquer governo de um país como o nosso tentar criminalizar e afogar as universidades, ao invés de promover, defender e ampliar seus horizontes”, diz.

Em maio, estudantes e professores protagonizaram protestos massivos por todo o país após o anúncio do cortes de bolsas e da redução do orçamento das instituições federais, que respondem por mais de 90% da pesquisa científica no país.

Nicolelis é um dos principais nomes da ciência brasileira. O engenheiro biomédico foi considerado, em 2009, um dos 20 maiores cientistas da atualidade pela revista Scientific American.

Professor da Duke University, nos Estados Unidos, ele lidera o Projeto Andar de Novo. O trabalho já logrou que dois paraplégicos voltassem a caminhar por meio do desenvolvimento de um dispositivo de estimulação muscular e de uma interface cérebro-máquina.

De passagem por São Paulo (SP), o cientista conversou com o Brasil de Fato antes de uma palestra no Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

Na entrevista, ele lembra que o extinto programa Ciência Sem Fronteiras levou o Brasil para outro patamar no mercado científico internacional. “Foi um dos maiores programas de fellowships científicas do mundo”, defende.

Ele afirma que o asfixiamento das universidades públicas, a perseguição das ciências humanas e a redução científica impactam em perda de soberania do país. “Nenhum país distribui colaboração ou know-how espacial. O Brasil teve que construir tudo na força da sua própria competência científica, no CTA [Centro Técnico Aeroespacial] de São José dos Campos e aplicando na base de Alcântara. E nós estamos dando de mão beijada isso.”

O pensamento crítico, lembra o cientista, é o antídoto para conter o avanço de pensamentos anticientíficos como o terraplanismo e teorias que negam as mudanças climáticas – que cada vez mais ganham espaço internacionalmente.

A entrevista é de Rute Pina, publicada por Brasil de Fato, 26-06-2019. Eis a entrevista.

 

A pauta da educação movimentou, neste semestre, os maiores protestos no país. E o tema também esteve no centro de algumas crises do governo, que culminou em queda, por exemplo, do primeiro ministro nomeado para pasta. Qual sua avaliação da gestão da educação pelo governo federal nestes seis meses?

O fato que a educação mobilizou tanta gente no Brasil mostra que ela é central no discurso e no pensamento da sociedade brasileira. O grande drama, que sinto, é a falta de aprofundamento dessa questão. Falar que é a favor da educação, todo mundo é a favor. E a gente viu que o tema foi capaz de mobilizar talvez o maior número de pessoas [nas ruas] desde a eleição. O que é surpreendente, por um lado. Mas, por outro, não é porque todas as famílias e camadas sociais brasileiras sabem que a esperança de seus filhos, netos e todos os jovens têm — e o país tem — de um futuro melhor reside nas oportunidades educacionais.

Eu acho que o que mobilizou mais ainda, que é muito diferente de qualquer outra coisa que a gente viu em muito tempo — eu não me lembro nem no governo militar de ter visto nada semelhante — é a perspectiva de asfixiamento das universidades e institutos federais. Eles correspondem a mais de 90% da produção científica do Brasil. E o almejo da grande maioria dos jovens brasileiros de cursar um ensino superior de alto nível, que se transformou em uma das maiores malhas educacionais de ensino superior público do mundo.

Então, eu acho que no momento em que a sociedade brasileira começou a ver declarações, medidas e decretos que claramente apontavam para um estrangulamento das universidades federais, gerou-se um fator catalisador. Essas expressões, curiosamente, se desenvolveram a partir da perspectiva de se perder esse grande patrimônio nacional, que é a rede universitária federal. E, evidentemente, que até agora a gente não viu qual é a proposta do governo para os ensinos superior, básico nem ensino nenhum. O que a gente viu foi uma crise atrás da outra.

Não só eu, mas o mundo inteiro está pasmo. Revistas internacionais de ciência dedicaram espaços que o Brasil nunca ganha, como por exemplo na Nature, para falar do total espanto e choque que é qualquer governo de um país como o nosso tentar que criminalizar e afogar as universidades, ao invés de promover, defender e ampliar seus horizontes. Basicamente usar o corte de verbas como a grande estratégia para calar o pensamento intelectual, o pensamento dos jovens, dos professores e dos funcionários. É uma grande calamidade.

 

O governo tem como alvo prioritário as ciências humanas, fala muito da ideologização da sociologia e filosofia, mas a extensão desses cortes também afeta a totalidade da produção científica…

Em nenhuma das duas bandeiras faz nenhum sentido, né. Eu sou um cientista biomédico. E não existiria ciência biomédica sem a filosofia. A ciência humana é a ciência do homem, por definição. O estudo do homem, das suas relações sociais, antropológicas, as suas ambições e anseios. Então, não se pode criar essa separação. Essa separação não faz o menor sentido. E evidentemente ela não contribui em absolutamente nada para o avanço da educação dos nossos jovens. Você remover o ensino de filosofia, sociologia do Ensino Médio, por exemplo, é um descalabro tão grande do ponto de vista intelectual que fica até difícil comentar. Você não vê qual o parâmetro que pode levar esse tipo de proposta.

E não é só aqui [que isso é visto com preocupação], mas fora do Brasil também. Eu estava dando uma palestra na Universidade de Lisboa há quase dois meses. Era o dia da primeira manifestação dos estudantes no Brasil. Quando eu contei aos estudantes e professores da universidade o que estava acontecendo no Brasil e pedi o apoio deles, foi um choque. O Brasil forneceu estudantes para Portugal, por exemplo, com o Ciência Sem Fronteiras, que Portugal nunca teve. Os EUA tiveram um fluxo de 25 mil estudantes brasileiros. E, pela primeira vez na minha vida, eu vi universidades americanas como o MIT [Instituto de Tecnologia de Massachusetts] e [Universidade de] Harvard abrirem escritórios em São Paulo e Rio de Janeiro para recrutar os melhores estudantes brasileiros. Eles viram não só que o talento humano era muito grande, mas eles recebiam o dinheiro do governo brasileiro para receber cada um desses alunos.

[O Ciências Sem Fronteiras] foi um dos maiores programas de fellowships científicas do mundo. Quando eu fui para a China, os chineses estavam falando desse programa e da admiração do fato de que 108 mil brasileiros foram para o exterior estudar, no limite do conhecimento humano, para ver o que existia e voltar para cá, né. Então, na realidade, o que choca é a própria falta de lógica e noção da proposta. Você iniciar o governo tratando como inimigo a universidade pública brasileira, você está pedindo para ter problemas de grande porte.

É preciso dar continuidade a essa manifestação de desagravo. Não adianta se ela for pontual, apenas. Claro que passa a emoção daquele dia de manifestações, que foram muito parecidas com as manifestações das Diretas Já, quando eu era aluno aqui no Brasil. Mas você precisa dar continuidade a isso porque é óbvio que é uma estratégia que não vai ser posta de lado. Ela vai continuar. E existem universidades que daqui a alguns meses não tem como funcionar. Elas não têm como desempenhar suas funções.

 

E como todo esse contexto reposiciona o país, geopoliticamente, e em relação à soberania?

O Brasil estava tendo uma ascendência meteórica com os investimentos que foram feitos tanto pelo Ministério da Educação quanto pelo Ministério da Saúde e [Ministério da] Ciência e Tecnologia. Essa ascendência foi notada em número de publicações, na qualidade das publicações, na qualidade de alunos brasileiros, na penetração dos cientistas brasileiros no mercado internacional de ciência… Isso era tudo muito claro. Era tangível. Você podia medir, ver.

O mercado internacional de ciência não é fácil de se penetrar. Existem uma série de preconceitos. Eu vivo há 31 anos nos EUA, conheço de cor e salteado como você faz para impedir que certas áreas da ciência de ponta tenha a participação de países como Brasil. Na pesquisa aeroespacial, por exemplo. Na minha visita à Alcântara [no Maranhão] uns anos atrás, eu descobri que nenhum país distribui colaboração ou know-how espacial. O Brasil teve que construir tudo na força da sua própria competência científica, no CTA [Centro Técnico Aeroespacial]de São José dos Campos e aplicando na base de Alcântara. E nós estamos dando de mão beijada isso. Nem sabemos o que vamos acontecer ali dentro.

Então, esse momento, que já vem desde 2015, quando o Brasil deixou de ser governável, com a preparação do impeachment e do golpe, e depois, no governo [de Michel] Temer, a curva, eu chamo, é de ascensão e o crash da ciência brasileira. De repente, se puxou o tapete. Então imagina, você foi para fora do Brasil com uma bolsa do governo brasileiro para fazer uma pesquisa em astrofísica na Harvard e, agora, você é um doutor em astrofísica e quer voltar para o Brasil… Você vai para onde? Você vai trabalhar onde? Você vai reposicionar o Brasil nessa área como? A conclusão é essa: é uma grande tragédia que compromete drasticamente a soberania do Brasil. Não agora, somente, mas em várias décadas que estão por vir ainda.

 

Uma pesquisa do INCT, divulgada nesta semana, mostra que 67% dos jovens brasileiros têm interesse por ciência, o que é um dado…

Maravilha!

 

…muito positivo. Mas, em contrapartida, um a cada quatro, acredita que vacinas fazem mal. E 54% afirmam que os cientistas exageram, por exemplo, com relação a mudanças climáticas. Teorias terraplanistas, por exemplo, estão ganhando espaço em todo o mundo… Como o sr. enxerga o avanço dessas teorias anti-científicas?

É um fenômeno histórico da humanidade, né. O que é mais assustador no momento atual é que, com a interconectividade global que existe, você consegue espalhar esse tipo de absurdo muito rapidamente. Você consegue criar movimentos, por exemplo, teve um congresso de terraplanistas nos EUA, perto de onde moro. Quer dizer, os caras foram no espaço, fotografaram a terra. Se você tinha qualquer dúvida, teve gente lá em cima que fotografou. A evidência é óbvia. Circunavegaram a terra antes de sair para o espaço. Não dá nem para entrar em um debate como esse…

Sobre a questão climática, toda a evidência disponível e experimental de gente séria que trabalha na área evidente que demonstra o impacto humano…

 

Então o que explica essa negação de evidências?

A falta da formação do pensamento crítico. Os sistemas educacionais ao longo do mundo não estão conseguindo dar conta de formar pessoas que conseguem pensar criticamente. E isso não é um fenômeno nacional. Nos EUA, eu moro em uma região do país onde isso é muito frequente. E os cientistas são atacados até mesmo fisicamente.

Então, é quase curioso que depois de todo o desenvolvimento que nós experimentados cientificamente nós estejamos voltando para uma época, com toda a tecnologia que foi desenvolvida, toda a hiperconectividade… Eu falo isso no meu livro, inclusive: estamos voltando para uma época em que parece que voltamos 800 anos atrás. Estamos negando princípios básicos da descoberta científica que são clássicas. E isso é muito preocupante.

Para mim, isso é um reflexo claro do momento em que o mundo vive de como as tecnologias digitais estão reprogramando nossos cérebros, como elas estão alterando nossa percepção da realidade e como é tão fácil uma pessoa criar uma realidade paralela e conseguir administrar ela para milhões de outras pessoas. Na minha opinião, esse é um dos problemas mais sérios que nossa espécie enfrenta nesse instante: como não transformar o ser humano em um robô, num autômato, que não tem mais a capacidade de pensar por si só e de ser crítico.

É um bombardeio, se você for parar para pensar. Se você olha para o que sai hoje nas redes sociais, é um contínuo bombardeio de teorias da realidade. E se você não tiver o mínimo de formação, o mínimo de capacidade de discernir o que é real e o que não é, fica muito difícil. Às vezes, quase impossível com as manipulações de imagens e de vídeo que são feitas hoje.


 

CIÊNCIA PARA SUPERAR O ESCÁRNIO DO GOVERNO BOLSONARO
Luiz Roberto Alves*, Revista Forum, 29.07.2019

 Luiz Roberto Alves: “Galileu Galilei sempre teve razão: a terra não é plana, como não é medíocre o cérebro das novas gerações de brasileiros e brasileiras”

Cerca de trinta mil pessoas, entre inscritos e curiosos, transitaram pelos espaços da UFMS-Campo Grande para ver, fazer e compartilhar Ciência entre 21 e 27 de julho, embora o senhor Jair Messias não veja produção científica nas instituições federais de ensino, pesquisa e extensão. Ninguém tem culpa da cegueira e da atrocidade interiores. Malgrado isso, a ciência eppur si muove.

Quem acompanha a SBPC, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, desde os tempos da ditadura cívico-militar, pode observar que suas reuniões anuais se abrem continuamente para a difusão científica entre estudantes dos vários níveis, famílias e demais cidadãos que acreditam na educação e na ciência como fundamentos da sociedade democrática e do progresso social.

Nesta 71ª reunião, primeira no Mato Grosso do Sul, estiveram lado a lado ciência, cultura e política. A apresentação de seiscentos pôsteres de todas as áreas do conhecimento nos fizeram lembrar que mestres das universidades brasileiras estão a orientar estudantes sem o preconceito que exala do governo central, capaz de separar ciências da natureza e ciências da cultura. Ora, suas diferenças não são de valor, pois se complementam na busca de explicações para os fenômenos da vida e do mundo, mas sim de métodos, procedimentos, estratégias e objetos de trabalho. Por isso, já não vemos a hora em que termine esse ciclo brutal de mando político capaz de conspurcar o que a história da educação e do ensino já tinham estabelecido como fundamentos. Como se sabe, um pôster, quer de menino/a do ensino fundamental, quer de acadêmico/a, significa longo tempo de trabalho, com observações, levantamento de dados, experimentos, análises e sínteses, o que vale para todas as ciências.

Ocorreu nessa reunião que os espaços dedicados à juventude estavam próximos aos palcos, onde foi possível ver e ouvir quer a música regional matogrossense, quer o rap/hip hop, ou encenações clássicas, sempre com a participação de estudantes, professores, funcionários e pessoas interessadas na vida universitária. Ademais, as muitas instalações de instituições científicas com mostras do seu mister profissional e orientações para as diferentes áreas do conhecimento se transformaram numa grande mostra da cultura científica brasileira.

Não nos enganemos, o que não pode ocorrer quando se trata de ciência e cultura é que haja contingenciamentos estéreis, que sinalizam sempre a existência de privilégios contábeis em governos barbaramente liberais, como o atual no Brasil. Se a juventude tiver bolsas de estudo para iniciação científica desde o ensino médio e sequência, fará até chover, por via de seus desejos e competências científicas.

Por esta razão, pareceu insuportável à juventude reunida no teatro Glauce Rocha, dia 21, que o representante do indesculpável ministro da Educação, sr. Weintraub, viesse com seu canto de sereia a apresentar o Future-se, projeto de auto-venda da universidade pública brasileira, que sugere diminuição de financiamento governamental e a corrida atrás de patrocínios capazes de desequilibrar as relações entre pesquisa básica e pesquisa aplicada e, enfim, pesquisa, ensino e extensão de serviços à comunidade num país imensamente desigual.

Felizmente, o tal Future-se já foi competentemente criticado e deve ter o mesmo destino do Pacto que seria firmado entre Executivo, Legislativo e Judiciário, isto é, o nada. O MEC ainda voltará a ser sério, dirigido por pesquisadores e educadores. Aí serão construídas políticas de educação nos termos dos documentos das CONAES, das Diretrizes do CNE, do PNE e dos que encaminham o Sistema Nacional de Educação.

Tomara a inteligência brasileira não fique de joelhos, ou cócoras, diante das pressões, do escárnio, do deboche e dos crimes verbais dos plantonistas de Brasília. Por enquanto, vários segmentos dos poderes estão nessas posições vexatórias. Por isso, cresce a violência física e simbólica em todos os cantos do país. De fato, este país nunca conseguiu oferecer garantias de que significativos blocos de elite e mesmo inteligência e poder não se submetam aos plantonistas, eleitos ou indicados, e esse é o único “jeito” pervertido de existir na sociedade brasileira. Os “jeitos” dos pobres são, de fato, frutos da violência construída na história.

Mas a SBPC de Mato Grosso do Sul produziu mensagens para as próximas reuniões científicas. Foram aprovadas 22 moções pelos quase trezentos sócios presentes. Elas caminharam entre proposições de política científica, repúdio a desmonte de programas e projetos, uso de medicamentos, respeito às terras indígenas e quilombolas, ampliação de sócios jovens e dignidade das instituições de fomento à pesquisa diante da competência dos jovens em acelerar a ciência a favor do desenvolvimento econômico, social, cultural e educacional. Tais moções e proposições já serão conhecidas da sociedade brasileira nos próximos dias. Convém ficar atento a elas.

As próximas reuniões científicas do Brasil, em quaisquer áreas do saber, estarão preparadas para agendas e pautas capazes de dar continuidade aos sinais e valores estabelecidos pela SBPC. Em primeiro lugar, ampliar a presença de jovens, a fim de que eles próprios ganhem estímulos e confiança na criação e compartilhamento dos conhecimentos e saberes. Do mesmo modo, muita atenção às leituras críticas diante das informações desencontradas e mesmo censuradas que advêm dos organismos governamentais e das mídias que visam somente o lucro e se valem dos acadêmicos exibicionistas. Em terceiro lugar, com a mesma importância, destaque máximo para os sentidos da educação, da ciência e da cultura na construção dos saberes e seu papel de investimento para as mudanças sociais.

Os nossos dilemas não terão de ser maiores do que as nossas forças. Galileu Galilei sempre teve razão: a terra não é plana, como não é medíocre o cérebro das novas gerações de brasileiros e brasileiras.

* Luiz Roberto Alves. Professor e Pesquisador Sênior da ECA-USP. Conselheiro Nacional da Educação (CNE) entre 2012 e 2016. Educador na área básica e pública por vinte anos. Tem escrito obras sobre educação, cultura brasileira, comunicação e políticas públicas

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.


 

DESTRUIR O INPE É ABRIR MÃO DE NOSSA SOBERANIA
Fernando Reinach, O Estado de São Paulo, 27.07.2019

Se nosso monitoramento for abandonado, organizações internacionais assumem tarefa.

De uma janela do avião é possível ver o solo passar lá embaixo. Um avião comercial voa a 900 km/h a 10 quilômetros do solo. Agora imagine se você estivesse em um dos satélites usados pelo Inpe para monitorar o desmatamento da Amazônia. Eles estão a 500 quilômetros de altura e viajam a 20.000 km/h. Lá de cima, telescópios poderosos fotografam continuamente o solo e enviam as imagens por meio de sinais de rádio. Os cientistas do Inpe comparam imagens do mesmo local obtidas em diferentes datas, identificam as áreas em que a floresta foi cortada, somam, e calculam o total. O conceito é simples, mas o diabo está nos detalhes. 

Pela janela do avião, você vai perceber que grande parte do solo está coberto por nuvens. Sabemos que a cada instante mais de 50% da superfície do planeta esta coberta por nuvens. Pior: algumas áreas na Amazônia passam a maior parte do tempo cobertas por nuvens. 

Você deve ter percebido que no Google Maps não existe uma nuvem sequer sobre o Brasil. Como é possível se metade do país esta sempre coberta por nuvens? Fácil, basta emendar imagens coletadas em datas diferentes, todas obtidas com o céu azul. De forma simplificada, é isso que o Inpe tenta fazer no projeto Prodes. Ao longo do ano, o Inpe seleciona as imagens da Amazônia com menos nuvens obtidas no período das secas. Com elas, o Inpe constrói uma espécie de fotomontagem da Amazônia. Aí ele compara essa montagem com ado ano anterior e determina as áreas que foram desmatadas. 

As áreas desmatadas são então mascaradas para não se correr o risco de serem identificadas novamente nos anos seguintes. Como cada desmate é identificado diretamente nas imagens de satélite, e só são computadas áreas onde o corte foi total, o número obtido é muito confiável. A principal incerteza no Prodes é a estimativa das áreas desmatadas em regiões onde não foi possível obter imagens sem nuvens. 

Essa estimativa é feita usando a taxa de desmatamento em áreas vizinhas em que não havia nuvens. E esses números são bem menos confiáveis. O problema é causado pelo fato de os satélites utilizados pelo Inpe somente sobrevoarem uma mesma área uma vez a cada 16 dias, o que diminui a chance de obter imagens sem cobertura de nuvens. Já há satélites que revisitam cada área com maior frequência e sua utilização provavelmente diminuiria muito a incerteza inerente à tecnologia usada hoje. 

Os dados do Prodes permitem acompanhar o ritmo de desmatamento ano a ano, mas não servem para alertar os órgãos de fiscalização. Quando uma área desflorestada é identificada pelo Prodes, os culpados estão longe e a madeira já foi retirada da Amazônia. 

Para resolver esse problema, o Inpe criou um sistema de alerta rápido, que informa o governo quando um desmatamento esta ocorrendo ou acabou de ocorrer. Esse sistema, o Deter, emite boletins diários e funciona de maneira diferente. Cada foto sem nuvens recebida é analisada e comparada com a última foto dessa área que existe no arquivo. Quando um novo desmatamento é detectado, o Inpe envia localização da área para os órgãos de fiscalização. O sistema é rápido e permite a atuação dos fiscais antes de a madeira desaparecer e o dinheiro chegar no bolso do dono do motosserra. 

Mas há desvantagens. Ele não monitora toda a Amazônia a cada dia, mas somente as áreas sem nuvem fotografadas naquele dia e isso dificulta comparações e extrapolações. Imagine que em janeiro de 2017 as áreas sem nuvens se concentravam no centro da Amazônia, enquanto Rondônia estava coberta de nuvens. Como no centro da Amazônia ocorrem menos desmatamentos, o desmate medido em janeiro de 2017 é pequeno. Já em janeiro de 2018 as áreas sem nuvens se concentram em Rondônia, um local com muitos desmatamentos, e o centro da Amazônia é que agora está encoberto. 

Assim, em janeiro de 2017 uma área pequena de desmatamento é detectada, já em janeiro de 2018 a área é maior Se compararmos desmatamento detectada pelo Deter em janeiro de 2018 com a de janeiro de 2017 o aumento vai ser enorme. Mas essa não é uma comparação válida pois estamos comparando peras com maças: Rondônia com o centro da Amazônia. Essa característica do Deter, e o cuidado que devemos ter com comparações entre dados do Deter, estão descritas nos documentos técnicos do programa. Apesar disso, essas comparações são divulgadas mensalmente e causam grande confusão, pois os níveis de desmate flutuam loucamente de um mês para o outro. Parece ser o caso agora: o Deter detectou aumento brutal no desmatamento em junho de 2019. Pode ou não ser representativo do que está ocorrendo em toda a Amazônia. Vamos ter que esperar os dados do PRODES para ter certeza. 

Ao longo dos anos, a tecnologia dos satélites melhorou muito e os métodos de detecção nas imagens também. O Inpe tentou acompanhar esse progresso. Os satélites usados inicialmente só conseguiam detectar áreas desmatadas maiores que 30 hectares (um hectare é equivalente a um quarteirão em São Paulo: 100 metros por 100 metros). Essa é uma área enorme e pequenos desmatamentos passavam despercebidos. 

Hoje o Inpe usa imagens de satélites melhores e pode detectar desmatamentos de 6 hectares. Mas é possível melhorar. Há satélites que detectam desmatamentos de 10 m² (algumas árvores) e revisitam uma mesma área quase diariamente. Entretanto, o número de imagens que precisam ser analisadas se um satélite como esse for usado é enorme. Essas imagens tampouco são gratuitas, como as usadas hoje pelo Inpe. Além de só detectar áreas grandes, o Inpe não consegue detectar de modo consistente desmatamentos parciais (onde só as grandes árvores são cortadas) e tampouco se preocupa em monitorar as áreas que são reflorestadas por plantio ou por terem sido abandonadas. No sistema atual, uma vez desmatada, essa área deixa de ser monitorada. No caso dessa área ser novamente tomada pela floresta, ela deveria ser reincorporada na conta da floresta em pé. 

Os últimos 10 anos trouxeram duas importantes mudanças que ainda não foram incorporadas nas análises do Inpe. A primeira é o novo Código Florestal, lei aprovada em 2012 que regula a proteção das florestas. No caso da Amazônia, ela permite que um proprietário desmate até 20% da área de sua propriedade. Para tanto, tem de possuir uma autorização do governo. Os outros 80% da área têm de ser preservadas como Reserva Legal. Essa lei também exige que certas áreas, como beiras de rios, jamais sejam desmatadas, são as Áreas de Proteção Permanente (APPs). No Brasil, parte dos desmatamentos é legal e foi autorizado pelo governo e parte do desmatamento é ilegal. É preciso que as áreas de desmate legal sejam computadas de maneira separada dos desmates ilegais. Conhecer os dois números e como evoluem ao longo do tempo é imprescindível e isso ainda não é feito. O que necessita ser combatido é o desmate ilegal. A divulgação dos dados brutos de desmate dá a falsa impressão de que todos os desmatamentos são ilegais, o que não é verdade. 

Outro grande progresso nos últimos anos foi a criação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), um mapa digital de cada propriedade que é feito usando um GPS. O CAR delimita o perímetro da propriedade e dentro dela o perímetro das áreas de Reserva Legal, das APPs, e das áreas desmatadas. Além disso, contém o nome, CPF ou CNPJ do proprietário. A beleza do CAR é que, combinado às imagens de satélite, ele é o instrumento perfeito fiscalizar o cumprimento do Código. O CAR de cada propriedade pode ser sobreposto facilmente às fotos de satélite, da mesma maneira que o Google Maps desenha as ruas e indica os restaurantes sobre seus mapas. 

Com isso, quando o Inpe detectar um desmatamento saberá imediatamente o dono da área, se o desmatamento foi em reserva legal ou em área de proteção permanente e se foi feito sem autorização. Assim, a cada ano não somente poderemos saber quantos quilômetros quadrados foram desmatados na Amazônia, mas quem desmatou e se foi ilegal. Com esses dados, multar desmatamentos ilegais é um passo automático. Da mesma maneira que a integração de radares, câmaras fotográficas e a identificação das chapas dos veículos permite a identificação de carros em alta velocidade, imagens de satélites acopladas aos cadastros do CAR permitirão identificar automaticamente os desmates ilegais na Amazônia, com o bônus de não criar suspeitas sobre proprietários rurais que cumprem a lei. 

O Brasil foi um dos primeiros países a usar satélites para monitorar suas florestas, possui agora legislação rígida que regula o desmate e um cadastro em que as áreas a serem protegidas estão mapeadas. O próximo passo é juntar essas ferramentas em um sistema que realmente permita abolir o desmate ilegal no Brasil. 

O governo, no lugar de criticar o Inpe, deveria investir na atualização e melhora do sistema. Se nosso sistema de monitoramento for abandonado ou destruído, não tenham dúvida, organizações internacionais assumirão essa tarefa e aí o governo vai ter de justificar dados de desmate coletados por terceiros. Isso sim é abrir mão de parte da soberania nacional. 

Mais informações: 

  1. PRODES: Metodologia para o Cálculo da Taxa Anual de Desmatamento na Amazônia Legal. INPE, versão de 30/10/2013. 

2-  DETER-B: The New Amazon Near Real-Time Deforestation Detection System. IEEE Journal Of Selected Topics In Applied Earth Observations and Remote Sensing, vol. 8  201


 

AUMENTO DO DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA É INCONTESTÁVEL, DIZ CARLOS NOBRE
Elton Alisson, Agência FAPESP, 30.07.2019

 

Nos próximos dias serão divulgados dados do monitoramento de um ano completo, obtidos pelo Inpe, que deverão confirmar a constatação, disse Carlos Nobre em palestra na 71ª Reunião Anual da SBPC (foto: Elton Alisson / Agência FAPESP)

Alvo de recente questionamento, o aumento no desmatamento na Amazônia nos últimos meses, em comparação com 2018, é incontestável. O aumento foi apontado pelo sistema de monitoramento por satélites Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e deverá ser confirmado antes de dezembro com o lançamento dos dados obtidos durante um ano completo por outro sistema de monitoramento da instituição, o Prodes.

Nos próximos dias deverão ser divulgados os dados do Deter para o período de agosto de 2018 a julho de 2019. Entre outubro e novembro, sairão os dados do Prodes para o mesmo período, que são utilizados para verificação do Deter. O Prodes usa dados do satélite Landsat – sistema que existe desde 1989 – e apresenta os dados consolidados sobre o desmatamento total apenas uma vez por ano.

A afirmação foi feita por Carlos Nobre, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), durante palestra na 71ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada de 21 a 27 de julho na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande.

“Os números da série anual do Prodes, que compreende o período de agosto de 2018 a julho de 2019, devem confirmar o que os dados dos últimos meses mostraram: que o desmatamento da Amazônia nos últimos 12 meses foi muito maior do que no período anterior”, disse Nobre, que é pesquisador aposentado do Inpe.

“Temos que partir do princípio de que está realmente ocorrendo um aumento do desmatamento na Amazônia”, disse. Segundo ele, o questionamento dos dados sobre o desmatamento da Floresta Amazônica nos últimos três meses indicados pelo Deter é infundado. Isso porque a margem de incerteza do sistema varia de 10% a 12%.

O sistema apontou que o desmatamento na Amazônia em quilômetros quadrados (km²) aumentou nos meses de maio, junho e nos primeiros 20 dias de julho, respectivamente, 34%, 91% e 125% em relação aos mesmos meses em 2018.

“Esses percentuais de aumento estão muito além da margem de incerteza. A probabilidade de que o desmatamento da Amazônia está aumentando está acima de 99%”, disse Nobre.

Os dados do Deter são disponibilizados desde o lançamento do sistema, em 2004, pelo Inpe. Já os do Prodes – que foi o primeiro sistema de monitoramento de desmatamento na Amazônia criado pelo órgão em 1989 – ficaram embargados no início e só passaram a ser disponibilizados em 2002.

“Esses dados públicos permitiram um enorme entendimento das causas do desmatamento e municiaram as políticas de combate que tiveram grande sucesso durante vários anos”, disse Nobre.

O eventual embargo dos números de desmatamento obtidos pelo Deter e o Prodes ou a descontinuação desses dois sistemas causariam enormes prejuízos para o país e fariam o Inpe perder o protagonismo mundial no desenvolvimento de sistemas de monitoramento florestal, afirmou.

“Não divulgar os dados do desmatamento do Inpe não faria o problema desaparecer, porque hoje há muitos grupos em todo o mundo que fazem esse tipo de mapeamento. Mas o Inpe, que desenvolveu o melhor sistema de monitoramento de florestas tropicais do mundo ao longo dos últimos 30 anos, perderia sua liderança”, disse Nobre.

De acordo com o pesquisador, o Brasil, por intermédio do Inpe, foi o primeiro país do mundo a fazer esse tipo de monitoramento florestal por satélite. Os sistemas desenvolvidos pelo instituto ajudaram a capacitar pesquisadores de 60 países e muitos países tropicais usam os algoritmos criados na instituição.

Enquanto os sistemas de monitoramento desenvolvidos por outras instituições no mundo, baseados em big data e algoritmos automáticos de inteligência artificial, apresentam hoje uma margem de erro acima de 20%, a do Prodes é de 5 a 6%, comparou Nobre. “Isso representa um enorme aperfeiçoamento desse sistema de monitoramento, que é resultado de 30 anos de avanço científico”, disse. 

 

Confiança nos dados

Em coletiva de imprensa no dia 26 de julho, na reunião da SBPC, o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, disse que “não tem dúvidas de que os dados produzidos pelo Deter estão corretos e são confiáveis, mas foram usados com o objetivo incorreto”.

“Os dados do Deter não são para medição do desmatamento, mas para alerta de desmatamento, para auxiliar o Ibama nas ações de fiscalização. Seria errado utilizá-los para indicar desmatamento”, disse Pontes à Agência FAPESP. “Os dados do Prodes é que têm a finalidade de medir desmatamento, mas demoram um certo tempo para ser compilados.”

O ministro destacou que o Inpe é uma instituição conceituada, cujo trabalho é reconhecido internacionalmente, e que continuará a desempenhar suas funções como sempre fez. “O fato de perguntarmos sobre a variação de um dado é normal é já aconteceu anteriormente”, disse.


O portal TerraBrasilis é uma plataforma web desenvolvida pelo Inpe para acesso, consulta, análise e disseminação de dados geográficos gerados pelos projetos de monitoramento da vegetação nativa do instituto, como o Prodes e o Deter: http://terrabrasilis.dpi.inpe.br/.


 

SALLES DEFENDE NOVO SISTEMA DE ALERTA DE DESMATAMENTO
Renato Grandelle, O Globo, 31.07.2019

Ministro critica interpretação de dados de ferramenta que monitora devastação do bioma; diretor de instituto denuncia falta de diálogo com Ibama

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, admitiu que dados do Deter estão corretos, mas criticou comparação entre índices registrados a cada mês Foto: Geraldo Magela / Agência Senado/6-6-2019 

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RIO — Em meio a críticas sobre a escalada da devastação da Amazônia , o ministro do Meio Ambiente , Ricardo Salles , criticou a forma como os índices medidos pelo sistema Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real) são interpretados e defendeu a criação de um novo sistema de monitoramento. 

O Deter é uma ferramenta criada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais ( Inpe ) para alertar para evidências de alteração da cobertura florestal, municiando operações de órgãos como o Ibama . A taxa de desmatamento é calculada por outro índice, o Prodes , divulgado anualmente. 

Segundo o Inpe, os alertas de desmatamento em junho atingiram 920,4 km². No mesmo mês em 2018, este índice foi de 488,4 km². Comparando ambos os dados, trata-se de um aumento de 88%. 

— (Esta entrevista) é para dizer que realmente os percentuais que foram divulgados na imprensa não estão corretos, não porque o Inpe errou, mas porque quem os interpretou o fez de maneira equivocada — criticou Salles, em entrevista coletiva improvisada. — Daqui pra frente, é construir um sistema que seja mais rápido na detecção, que permita orientar as ações de controle e comando. 

Embora tenha reconhecido que o desmatamento aumentou, Salles indicou supostas “distorções numéricas” do Deter, como a duplicidade da contagem de áreas e o atraso para computação de alertas. O diretor do Inpe, Ricardo Galvão , concorda que o Deter não foi criado para medir o desmatamento, mas sublinha que o número de alertas aumentou 88%. 

Galvão, no entanto, lembra que Salles já culpou o Deter pela falta de ações do Ibama contra o desflorestamento. É, para ele, uma “mentira fajuta”. 

— O Deter foi criado pela ministra Marina Silva , no governo Lula , e, desde então, graças aos alertas, houve uma redução violenta no desmatamento. Mas o ministro Salles acabou com a interlocução entre Ibama e Inpe , provocando uma queda no número de operações. 

Secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl alerta que o número de operações de fiscalização ambiental do Ibama na Amazônia caiu 70% de janeiro a abril em relação ao mesmo período do ano passado. 

— O Deter tem um grau de precisão menor do que o usado pelo Prodes para medir o desmatamento, então ele oferece uma análise conservadora sobre a perda da cobertura florestal. Assim, é um bom indicador da tendência do desflorestamento da Amazônia — explica. — Não é brigando com a régua que se resolve o problema. 

Ontem, o presidente Jair Bolsonaro prometeu um “dado real” sobre desmatamento do bioma: 

— Um fazendeiro no Amazonas, por exemplo, tinha uma reserva de 80%... aqueles 20% que ele está há anos sem usar, quando ele desmata e cresce (...), o Inpe pode dizer que aquele desmatamento é suspeito. Tem que ir lá alguém do Ibama e comprovar. Não pode jogar esses números. 

O desmatamento legal é aquele que não viola as normas do Código Florestal , que estabelece um percentual de terras dentro de uma propriedade que deve ser protegida. Esse percentual — Reserva Legal — varia de acordo com o bioma. Na Amazônia, por exemplo, equivale a 80% da propriedade. A área restante é passível de exploração. Ainda assim, são vetadas as áreas consideradas de preservação permanente, como o entorno de cursos d’água. O terreno que não viola as limitações só pode ser explorado economicamente com licença ambiental do Ibama. 

(Colaboraram Gustavo Maia e Jussara Soares)


 

NOVO SATÉLITE AVALIARÁ INFLUÊNCIA DOS AEROSSÓIS ATMOSFÉRICOS NA FORMAÇÃO DE NUVENS
André Julião, Agência FAPESP, 01.08.2019

– Um satélite do tamanho de um pão de forma coletará dados durante um ano sobre os aerossóis atmosféricos e sua influência na formação das nuvens na Terra.

O pequeno satélite foi desenvolvido pelo grupo liderado por Vanderlei Martins, professor da University of Maryland, Baltimore County (UMBC), nos Estados Unidos, com apoio da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos. Aerossóis são pequenas partículas suspensas na atmosfera terrestre, como poeira, sal marinho e pólen, mas também incluem aquelas de origem antropogênica, como fuligem de queimadas e poluição urbana. Martins foi bolsista de doutorado e de pós-doutorado da FAPESP e professor no IFUSP, antes de se mudar para os Estados Unidos.

O HARP CubeSat, como é chamado, deverá ser embarcado em outubro em uma missão não tripulada para levar suprimentos para a Estação Espacial Internacional (ISS). Ao chegar lá, será lançado no espaço junto com outros pequenos satélites desenvolvidos por diferentes grupos de pesquisa a partir de uma miniestação de lançamento na ISS.

O projeto do HARP CubeSat foi apresentado por Martins na Escola São Paulo de Ciência Avançada em Aerossóis Atmosféricos, que ocorre até o dia 2 de agosto no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IFUSP). Com 156 alunos do Brasil e de outros 33 países, a Escola tem apoio da FAPESP por meio do programa Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA).

“Trabalhamos as medidas de aerossóis atmosféricos com vários tipos de sensores, sejam de solo, embarcados em aviões ou em satélites. Cada tipo tem uma abrangência diferente”, disse Martins à Agência FAPESP

“O HARP CubeSat faz imagens parecidas com as de uma câmera de celular, mas também obtém outras informações com o objetivo de fazer medidas científicas. As imagens que ele fizer serão usadas para reproduzir parâmetros geofísicos, como a quantidade e o tipo de poluição da atmosfera”, disse Martins, um dos fundadores da empresa AirPhoton, de equipamentos de medidas de poluição de ar.

Henrique de Melo Jorge Barbosa, professor no IFUSP e organizador da Escola São Paulo de Ciência Avançada em Aerossóis Atmosféricos, colabora no projeto do HARP CubeSat.

Barbosa trabalha no desenvolvimento do algoritmo para analisar as medidas feitas pelo sensor do satélite, o HARP (sigla de Hyper Angular Rainbow Polarimeter) e obter as propriedades dos aerossóis e das nuvens. Parte do trabalho foi realizada durante o período em que passou na UMBC entre 2017 e 2018, com Bolsa de Pesquisa no Exterior da FAPESP.

“O sensor HARP a bordo do CubeSat registra duas imagens por segundo, em três estados de polarização simultâneos e quatro comprimentos de onda, com alta resolução espacial. Isso permite observar o mesmo ponto na superfície da Terra e mais de 60 perspectivas diferentes. Quando lançado e operado continuamente em alta resolução, será o sensor ambiental produzindo a maior quantidade de dados a partir do espaço”, disse Barbosa.

Uma dificuldade, entretanto, é que, depois de um ano em órbita, o HARP CubeSat começará a cair e se desintegrará na atmosfera. Outra limitação é que um satélite pequeno como o CubeSat não tem a capacidade de armazenar e transmitir para a Terra a enorme quantidade de dados, e estes são reduzidos a umas poucas imagens de baixa resolução por dia.

Mas o grupo do professor Martins já prepara o HARP2, a próxima geração do sensor HARP, que será um dos instrumentos a bordo do satélite PACE ( Plankton, Aerosol, Cloud, Ocean Ecosystem), uma nova missão da Nasa dedicada a medir propriedades do oceano e da atmosfera e que tem lançamento previsto para 2023.

A bordo do satélite PACE, o sensor HARP2 coletará e transmitirá uma quantidade de dados muito maior do que é possível com um CubeSat, e será capaz de monitorar o globo terreste inteiro a cada dois dias.

 

Aerossóis atmosféricos

Sensores como o HARP são fundamentais para aumentar a compreensão sobre os aerossóis atmosféricos, partículas líquidas ou sólidas em suspensão no ar que têm grande influência no balanço climático global.

“Entre os ingredientes importantes para as mudanças climáticas globais, temos os gases do efeito estufa e os aerossóis atmosféricos. Esses têm impactos muito grandes no clima, na formação de nuvens, na chuva e no funcionamento dos ecossistemas e são muito pouco compreendidos em geral. A Escola São Paulo de Ciência Avançada em Aerossóis Atmosféricos foi pensada para disseminar o conhecimento que temos sobre o papel dos aerossóis atmosféricos”, disse Paulo Artaxo, professor do IF-USP, membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), supervisor do pós-doutorado de Martins e um dos professores da Escola.

Durante a palestra de abertura do evento, no dia 22, Artaxo explicou que os aerossóis influenciam diretamente o balanço de radiação da atmosfera, causando um efeito de resfriamento da Terra. Ao longo do último século, eles foram determinantes no crescimento ou na diminuição da temperatura global do planeta. No entanto, são poderosos poluentes atmosféricos.

“Na cidade de São Paulo, a fumaça preta que sai do cano de descarga dos ônibus, por exemplo, é muito prejudicial para a saúde humana. Por isso, as grandes cidades do mundo estão diminuindo as emissões dos aerossóis. Hoje, eles matam cerca de 30 milhões de pessoas por ano, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde”, disse.

 

Visitas e experimentos

Durante a Escola São Paulo de Ciência Avançada em Aerossóis Atmosféricos, os alunos visitam laboratórios de pesquisa na USP e no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen).

Os alunos também realizarão um experimento no terraço do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP, com vista para o Parque do Ibirapuera. Eles usarão um pequeno dispositivo acoplado a um smartphone. O dispositivo utiliza o sensor de luz presente nesses aparelhos para medir os aerossóis atmosféricos a partir da quantidade de luz detectada. O experimento é parte das atividades práticas da Escola.

Além de Artaxo e Martins, o primeiro dia da Escola contou com os pesquisadores Alfred Wiedensohler, do Leibniz Institute for Tropospheric Research, da Alemanha, e Hans-Christen Hansson, da Stockholm University, da Suécia.

O evento tem ainda a presença de Lorraine Remer (Joint Center for Earth Systems Technology, Estados Unidos), Ilan Koren (Weizmann Institute of Science, Israel), Luiz Machado (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Eduardo Landulfo (Ipen), Maria Kanakidou (Universidade de Creta, Grécia) e Helmuth Horvath (Universidade de Viena, Áustria).

A Escola São Paulo de Ciência Avançada em Aerossóis Atmosféricos terá ainda uma mesa-redonda sobre saúde com Simone El Khouri Miraglia, da Unifesp, e Pedro Jacobi, da USP.

Mais informações sobre a Escola: http://spsas-aerosols.if.usp.br

Leia mais sobre pesquisas com aerossóis atmosféricos em: agencia.fapesp.br/29519, agencia.fapesp.br/27044, agencia.fapesp.br/25371, agencia.fapesp.br/24177, agencia.fapesp.br/22366 e agencia.fapesp.br/18691.


 

POR QUE TODO MUNDO ESTÁ MIGRANDO PARA PROCESSAMENTO DE IMAGENS EM NUVEM?
Drone Show, 27.07.2019

De profissionais autônomos a grandes corporações e órgãos públicos. A rotina e o mercado de trabalho não permitem mais o gasto de tempo e o alto investimento em qualquer setor. Especialmente no mercado de drones, uma alternativa tem chamado a atenção como uma boa saída em ganho de tempo, custo-benefício e economia. O processamento de imagens em plataforma on-line oferece diversas vantagens e facilidades que vamos te contar neste artigo.

A tecnologia dos drones se consolidou e, na grande maioria dos casos, é mais prático e mais barato utilizar um sistema de processamento de imagens on-line, possibilitando acesso a máquinas e servidores ultra potentes em nuvem do que utilizar máquinas físicas.

Quer saber por quê?

 

Praticidade e escalabilidade

O processamento de imagens em nuvem é muito mais prático, por ser on-line e automatizado. Na Mappa, por exemplo, basta criar um cadastro e o principal trabalho é inserir as imagens no sistema através de um upload e, nesse processo, selecionar os produtos de interesse.

Pronto, só clicar em um botão e aguardar o mapa ficar pronto. Não é necessária a aquisição de um software para o processamento das imagens capturadas pelos drones que, muitas vezes, só podem ser instalados em uma máquina e dependem de um profissional treinado para realizar várias etapas de processamento, correndo o risco até de o computador travar e perder horas de trabalho. Assim, ao invés de ficar limitado a um hardware e processar um mapa por vez, com a Mappa, o usuário pode processar de qualquer notebook, basta ter acesso a internet, realizar o login e upar as imagens.

Com o processamento on-line das imagens, fica mais fácil tornar o negócio escalável. O tempo que era destinado exclusivamente ao processamento em máquina física, pode ser utilizado para outras atividades mais estratégicas.

Mapas, topografia e análises agronômicas 

Da topografia à agricultura. No processamento em nuvem, todos os resultados são gerados em um só lugar e você pode gerenciá-los de forma simples sem ocupar memória do seu computador. A Mappa, por exemplo, pode gerar todos e até mais produtos de processamento que softwares como Metashape ou Pix4D oferecem. A etapa de processamento de imagens na Mappa inclui ortomosaico, curvas de nível, MDT, MDS e índices de vegetação – sem custo adicional.

E mais, diferente dos softwares de mercado, na Mappa ainda é possível solicitar o pós processamento dos mapas gerados (análises agronômicas). Essa ferramenta é um grande diferencial para agregar valor ao seu produto final. As análises vão desde altimetria do terreno até produtos agronômicos específicos, como contagem de plantas, linhas/falhas de plantio, saúde da vegetação, localização de daninhas, classificação de biomassa, geração de shapefiles para aplicação de insumos e mais! Conheça todos os produtos gerados na Mappa.

Liberdade para os seus projetos

Você escolhe! Os mapas processados ficam armazenados no seu login e podem ser visualizados no próprio ambiente da plataforma, podendo realizar medições e análises visuais de forma rápida e interativa, sem falar na praticidade de compartilhamento dos projetos em apenas um clique. Além disso, é possível realizar o download dos mapas em seu formato padrão (geralmente .tiff ou .shp), dos relatórios de qualidade (.pdf), produtos cartográficos (.pdf) e análises solicitadas. Essa funcionalidade permite ao usuário baixar os materiais processados na Mappa e trabalhar em algum outro software SIG, como o Arcgis e similares.

 

Custo x benefício

A aquisição da licença de um software de processamento de imagens somada ao custo de um computador de excelente configuração para rodar o programa resulta em um custo inicial de pelo menos R$ 30 mil. Os softwares de processamento de imagens de drones disponíveis, necessitam de computadores de altíssimo desempenho e configuração, não contam com pós-processamento de imagens (análises agronômicas) e, todas as atualizações realizadas costumam ser cobradas.

Já na Mappa, você encontra uma solução pronta para o seu negócio. No plano anual, por exemplo, o investimento mensal é de apenas R$ 499, com processamento ilimitado de imagens – além das vantagens e benefícios que o assinante tem dentro da plataforma. Além disso, há um plano de processamento de imagens sob demanda, com uma mensalidade de R$39,90 em que se paga somente o que for processado. A comparação dos planos você pode ver aqui.

Gestão e compartilhamento

Pelo fato de a Mappa estar em um ambiente on-line, depois de processados, todos os ortomosaicos e mapas gerados ficam no sistema para visualização, gerenciamento, compartilhamento e download. Além disso, os relatórios de qualidade, reports e análises solicitadas também ficam disponíveis para visualização ou download. Tudo em um só lugar. Ou seja, a memória do seu computador não é ocupada, facilitando também a gestão dos seus mapas, pois é possível compartilhar todos os mapas com clientes ou entre equipes – sem custo adicional.

Já tem software de processamento? Você também pode se beneficiar das vantagens do sistema. Realize o upload de ortomosaicos processados para gerenciamento e armazenamento em nuvem ou para solicitar algum produto de pós-processamento.

Com todos esses pontos, o que podemos concluir?

Os mapas iniciais processados em softwares são os mesmos encontrados na Mappa, que oferece ainda mais vantagens e possibilidades:

  • pós processamento de imagens (análises agronômicas exclusivas);
  • mais rapidez e automatização dos processos;
  • gestão e compartilhamento de projetos;
  • inclusão de pontos de controle;
  • download dos mapas;
  • menor custo;
  • suporte e consultoria.


Para conhecer mais, acesse https://mappa.ag e faça seu cadastro gratuito para testar por 14 dias.


 

NOTÍCIA DO LANÇAMENTO NA INTERNET DA WDL, A BIBLIOTECA DIGITAL MUNDIAL. QUE PRESENTE DA UNESCO PARA A HUMANIDADE INTEIRA!!!

Já está disponível na Internet, no site  www.wdl.org

Reúne mapas, textos, fotos, gravações e filmes de todos os tempos e explica em sete idiomas as jóias e relíquias culturais de todas as bibliotecas do planeta.
Tem, sobretudo, caráter patrimonial" , antecipou em LA NACION Abdelaziz Abid, coordenador do projecto impulsionado pela UNESCO e outras 32 instituições. A BDM não oferecerá documentos correntes, a não ser "com valor de  patrimônio, que permitirão apreciar e conhecer melhor as culturas do mundo em idiomas diferentes:árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português. Mas há documentos em linha em mais de 50 idiomas".

Os tesouros incluem o Hyakumanto darani , um documento em japonês publicado no ano 764 e considerado o primeiro texto impresso da história; um relato dos azetecas que constitui a primeira menção do Menino Jesus no Novo Mundo; trabalhos de cientistas árabes desvelando o mistério da álgebra; ossos utilizados como oráculos e esteiras chinesas; a Bíblia de Gutenberg; antigas fotos latino-americanas da Biblioteca Nacional do Brasil e a célebre Bíblia do Diabo, do século XIII, da Biblioteca Nacional da Suécia.
Embora seja apresentado oficialmente  na sede da UNESCO, em Paris, a Biblioteca Digital Mundial já está disponível na Internet, através do sítio:www.wdl.org


O acesso é gratuito e os usuários podem ingressar directamente pela Web, sem necessidade de se registrarem.


Permite ao internauta orientar a sua busca por épocas, zonas geográficas, tipo de documento e instituição. O sistema propõe as explicações em sete idiomas (árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português), embora os originas existam na sua língua original.


Desse modo, é possível, por exemplo, estudar em detalhe o Evangelho de São Mateus traduzido em aleutiano pelo missionário russo Ioann Veniamiov, em 1840. Com um simples clique, podem-se passar as páginas um livro, aproximar ou afastar os textos e movê-los em todos os sentidos. A excelente definição das imagens permite uma leitura cômoda e minuciosa.


Entre as jóias que contem no momento a BDM está a Declaração de Independência dos Estados Unidos, assim como as Constituições de numerosos países; um texto japonês do século XVI considerado a primeira impressão da história; o jornal de um estudioso veneziano que acompanhou Fernão de Magalhães na sua viagem ao redor do mundo; o original das "Fábulas" de La Fontaine , o primeiro livro publicado nas Filipinas em espanhol e tagalog, a Bíblia de Gutemberg, e umas pinturas rupestres africanas que datam de 8.000 A .C.


Os seus responsáveis afirmam que a BDM está sobretudo destinada a investigadores, professores e alunos.


 

JARED DIAMOND: WHY DO SOCIETIES COLLAPSE

https://www.ted.com/talks/jared_diamond_on_why_societies_collapse/transcript

I think all of us have been interested, at one time or another, in the romantic mysteries of all those societies that collapsed, such as the classic Maya in the Yucatan, the Easter Islanders, the Anasazi, Fertile Crescent society, Angor Wat, Great Zimbabwe and so on. And within the last decade or two, archaeologists have shown us that there were environmental problems underlying many of these past collapses. But there were also plenty of places in the world where societies have been developing for thousands of years without any sign of a major collapse, such as Japan, Java, Tonga and Tikopea. So evidently, societies in some areas are more fragile than in other areas. How can we understand what makes some societies more fragile than other societies? The problem is obviously relevant to our situation today, because today as well, there are some societies that have already collapsed, such as Somalia and Rwanda and the former Yugoslavia. There are also societies today that may be close to collapse, such as Nepal, Indonesia and Columbia. 

What about ourselves? What is there that we can learn from the past that would help us avoid declining or collapsing in the way that so many past societies have? Obviously the answer to this question is not going to be a single factor. If anyone tells you that there is a single-factor explanation for societal collapses, you know right away that they're an idiot. This is a complex subject. But how can we make sense out of the complexities of this subject? In analyzing societal collapses, I've arrived at a five-point framework — a checklist of things that I go through to try and understand collapses. And I'll illustrate that five-point framework by the extinction of the Greenland Norse society. This is a European society with literate records, so we know a good deal about the people and their motivation. In AD 984 Vikings went out to Greenland, settled Greenland, and around 1450 they died out — the society collapsed, and every one of them ended up dead. 

Why did they all end up dead? Well, in my five-point framework, the first item on the framework is to look for human impacts on the environment: people inadvertently destroying the resource base on which they depend. And in the case of the Viking Norse, the Vikings inadvertently caused soil erosion and deforestation, which was a particular problem for them because they required forests to make charcoal, to make iron. So they ended up an Iron Age European society, virtually unable to make their own iron. A second item on my checklist is climate change. Climate can get warmer or colder or dryer or wetter. In the case of the Vikings — in Greenland, the climate got colder in the late 1300s, and especially in the 1400s. But a cold climate isn't necessarily fatal, because the Inuit — the Eskimos inhabiting Greenland at the same time — did better, rather than worse, with cold climates. So why didn't the Greenland Norse as well? 

The third thing on my checklist is relations with neighboring friendly societies that may prop up a society. And if that friendly support is pulled away, that may make a society more likely to collapse. In the case of the Greenland Norse, they had trade with the mother country — Norway — and that trade dwindled: partly because Norway got weaker, partly because of sea ice between Greenland and Norway. 

The fourth item on my checklist is relations with hostile societies. In the case of Norse Greenland, the hostiles were the Inuit — the Eskimos sharing Greenland — with whom the Norse got off to bad relationships. And we know that the Inuit killed the Norse and, probably of greater importance, may have blocked access to the outer fjords, on which the Norse depended for seals at a critical time of the year. 

And then finally, the fifth item on my checklist is the political, economic, social and cultural factors in the society that make it more or less likely that the society will perceive and solve its environmental problems. In the case of the Greenland Norse, cultural factors that made it difficult for them to solve their problems were: their commitments to a Christian society investing heavily in cathedrals; their being a competitive-ranked chiefly society; and their scorn for the Inuit, from whom they refused to learn. So that's how the five-part framework is relevant to the collapse and eventual extinction of the Greenland Norse. 

What about a society today? For the past five years, I've been taking my wife and kids to Southwestern Montana, where I worked as a teenager on the hay harvest. And Montana, at first sight, seems like the most pristine environment in the United States. But scratch the surface, and Montana suffers from serious problems. Going through the same checklist: human environmental impacts? Yes, acute in Montana. Toxic problems from mine waste have caused damage of billions of dollars. Problems from weeds, weed control, cost Montana nearly 200 million dollars a year. Montana has lost agricultural areas from salinization, problems of forest management, problems of forest fires. Second item on my checklist: climate change. Yes — the climate in Montana is getting warmer and drier, but Montana agriculture depends especially on irrigation from the snow pack, and as the snow is melting — for example, as the glaciers in Glacier National Park are disappearing — that's bad news for Montana irrigation agriculture. 

Third thing on my checklist: relations with friendlies that can sustain the society. In Montana today, more than half of the income of Montana is not earned within Montana, but is derived from out of state: transfer payments from social security, investments and so on — which makes Montana vulnerable to the rest of the United States. 

Fourth: relations with hostiles. Montanans have the same problems as do all Americans, in being sensitive to problems created by hostiles overseas affecting our oil supplies, and terrorist attacks. And finally, last item on my checklist: question of how political, economic, social, cultural attitudes play into this. Montanans have long-held values, which today seem to be getting in the way of their solving their own problems. Long-held devotion to logging and to mines and to agriculture, and to no government regulation; values that worked well in the past, but they don't seem to be working well today. 

So, I'm looking at these issues of collapses for a lot of past societies and for many present societies. Are there any general conclusions that arise? In a way, just like Tolstoy's statement about every unhappy marriage being different, every collapsed or endangered society is different — they all have different details. But nevertheless, there are certain common threads that emerge from these comparisons of past societies that did or did not collapse and threatened societies today. One interesting common thread has to do with, in many cases, the rapidity of collapse after a society reaches its peak. There are many societies that don't wind down gradually, but they build up — get richer and more powerful — and then within a short time, within a few decades after their peak, they collapse. For example, the classic lowland Maya of the Yucatan began to collapse in the early 800s — literally a few decades after the Maya were building their biggest monuments, and Maya population was greatest. 

Or again, the collapse of the Soviet Union took place within a couple of decades, maybe within a decade, of the time when the Soviet Union was at its greatest power. An analogue would be the growth of bacteria in a petri dish. These rapid collapses are especially likely where there's a mismatch between available resources and resource consumption, or a mismatch between economic outlays and economic potential. In a petri dish, bacteria grow. Say they double every generation, and five generations before the end the petri dish is 15/16ths empty, and then the next generation's 3/4ths empty, and the next generation half empty. Within one generation after the petri dish still being half empty, it is full. There's no more food and the bacteria have collapsed. So, this is a frequent theme: societies collapse very soon after reaching their peak in power. 

What it means to put it mathematically is that, if you're concerned about a society today, you should be looking not at the value of the mathematical function — the wealth itself — but you should be looking at the first derivative and the second derivatives of the function. That's one general theme. A second general theme is that there are many, often subtle environmental factors that make some societies more fragile than others. Many of those factors are not well understood. For example, why is it that in the Pacific, of those hundreds of Pacific islands, why did Easter Island end up as the most devastating case of complete deforestation? It turns out that there were about nine different environmental factors — some, rather subtle ones — that were working against the Easter Islanders, and they involve fallout of volcanic tephra, latitude, rainfall. Perhaps the most subtle of them is that it turns out that a major input of nutrients which protects island environments in the Pacific is from the fallout of continental dust from central Asia. Easter, of all Pacific islands, has the least input of dust from Asia restoring the fertility of its soils. But that's a factor that we didn't even appreciate until 1999. 

So, some societies, for subtle environmental reasons, are more fragile than others. And then finally, another generalization. I'm now teaching a course at UCLA, to UCLA undergraduates, on these collapses of societies. What really bugs my UCLA undergraduate students is, how on earth did these societies not see what they were doing? How could the Easter Islanders have deforested their environment? What did they say when they were cutting down the last palm tree? Didn't they see what they were doing? How could societies not perceive their impacts on the environments and stop in time? And I would expect that, if our human civilization carries on, then maybe in the next century people will be asking, why on earth did these people today in the year 2003 not see the obvious things that they were doing and take corrective action? It seems incredible in the past. In the future, it'll seem incredible what we are doing today. And so I've been trying to develop a hierarchical set of considerations about why societies fail to solve their problems — why they fail to perceive the problems or, if they perceive them, why they fail to tackle them. Or, if they tackle them, why do they fail to succeed in solving them? 

I'll just mention two generalizations in this area. One blueprint for trouble, making collapse likely, is where there is a conflict of interest between the short-term interest of the decision-making elites and the long-term interest of the society as a whole, especially if the elites are able to insulate themselves from the consequences of their actions. Where what's good in the short run for the elite is bad for the society as a whole, there's a real risk of the elite doing things that would bring the society down in the long run. For example, among the Greenland Norse — a competitive rank society — what the chiefs really wanted is more followers and more sheep and more resources to outcompete the neighboring chiefs. And that led the chiefs to do what's called flogging the land: overstocking the land, forcing tenant farmers into dependency. And that made the chiefs powerful in the short run, but led to the society's collapse in the long run. 

Those same issues of conflicts of interest are acute in the United States today. Especially because the decision makers in the United States are frequently able to insulate themselves from consequences by living in gated compounds, by drinking bottled water and so on. And within the last couple of years, it's been obvious that the elite in the business world correctly perceive that they can advance their short-term interest by doing things that are good for them but bad for society as a whole, such as draining a few billion dollars out of Enron and other businesses. They are quite correct that these things are good for them in the short term, although bad for society in the long term. So, that's one general conclusion about why societies make bad decisions: conflicts of interest. 

And the other generalization that I want to mention is that it's particularly hard for a society to make quote-unquote good decisions when there is a conflict involving strongly held values that are good in many circumstances but are poor in other circumstances. For example, the Greenland Norse, in this difficult environment, were held together for four-and-a-half centuries by their shared commitment to religion, and by their strong social cohesion. But those two things — commitment to religion and strong social cohesion — also made it difficult for them to change at the end and to learn from the Inuit. Or today — Australia. One of the things that enabled Australia to survive in this remote outpost of European civilization for 250 years has been their British identity. But today, their commitment to a British identity is serving Australians poorly in their need to adapt to their situation in Asia. So it's particularly difficult to change course when the things that get you in trouble are the things that are also the source of your strength. 

What's going to be the outcome today? Well, all of us know the dozen sorts of ticking time bombs going on in the modern world, time bombs that have fuses of a few decades to — all of them, not more than 50 years, and any one of which can do us in; the time bombs of water, of soil, of climate change, invasive species, the photosynthetic ceiling, population problems, toxics, etc., etc. — listing about 12 of them. And while these time bombs — none of them has a fuse beyond 50 years, and most of them have fuses of a few decades — some of them, in some places, have much shorter fuses. At the rate at which we're going now, the Philippines will lose all its accessible loggable forest within five years. And the Solomon Islands are only one year away from losing their loggable forest, which is their major export. And that's going to be spectacular for the economy of the Solomons. People often ask me, Jared, what's the most important thing that we need to do about the world's environmental problems? And my answer is, the most important thing we need to do is to forget about there being any single thing that is the most important thing we need to do. Instead, there are a dozen things, any one of which could do us in. And we've got to get them all right, because if we solve 11, we fail to solve the 12th — we're in trouble. For example, if we solve our problems of water and soil and population, but don't solve our problems of toxics, then we are in trouble. 

The fact is that our present course is a non-sustainable course, which means, by definition, that it cannot be maintained. And the outcome is going to get resolved within a few decades. That means that those of us in this room who are less than 50 or 60 years old will see how these paradoxes are resolved, and those of us who are over the age of 60 may not see the resolution, but our children and grandchildren certainly will. The resolution is going to achieve either of two forms: either we will resolve these non-sustainable time-fuses in pleasant ways of our own choice by taking remedial action, or else these conflicts are going to get settled in unpleasant ways not of our choice — namely, by war, disease or starvation. But what's for sure is that our non-sustainable course will get resolved in one way or another in a few decades. In other words, since the theme of this session is choices, we have a choice. Does that mean that we should get pessimistic and overwhelmed? I draw the reverse conclusion. 

The big problems facing the world today are not at all things beyond our control. Our biggest threat is not an asteroid about to crash into us, something we can do nothing about. Instead, all the major threats facing us today are problems entirely of our own making. And since we made the problems, we can also solve the problems. That then means that it's entirely in our power to deal with these problems. In particular, what can all of us do? For those of you who are interested in these choices, there are lots of things you can do. There's a lot that we don't understand, and that we need to understand. And there's a lot that we already do understand, but aren't doing, and that we need to be doing. Thank you.


 

Prof. Marcos Antonio Lucena - Secretário Regional

Profa. Rejane Mansur Nogueira - Secretária Adjunta

 

José Antônio Aleixo da Silva (Editor)
Professor titular da DCFL/UFRPE
Conselheiro da SBPC

Matheus Santos Veras
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Sobre a SBPC-PE

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