Notícias

Jornal Eletrônico da SBPC/PE #12 Ano: 4

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Notícias:

SBPC ELEGE NOVA DIRETORIA
Vivian Costa – Jornal da Ciência, 18.06.2019

A SBPC LANÇOU O VÍDEO “MENINAS NA CIÊNCIA”, O SEGUNDO DA SÉRIE #SOMOSTODOSCIÊNCIA

ACADEMIA PERNAMBUCANA DE CIÊNCIAS (APC) SELECIONA NOV@S ACADÊMIC@S

PERNAMBUCO GANHA 22MIL HECTARES PROTEGIDOS DE CAATINGA
Algo Mais, 06.06.2019

SBPC: PROTAGONISMO PARA UM BRASIL MELHOR
Isaac Roitman¹, Correio Braziliense, 17.06.2019

CONHEÇA AS 50 MELHORES UNIVERSIDADES DO MUNDO

SÓ EM DOAÇÕES, HARVARD RECEBEU O ORÇAMENTO DA USP
Beatriz Bulla, Terra Educação, 15.06.2019

SciELO BRASIL ASSINA PARCERIA COM O PUBLONS PARA BENEFICIAR A COMUNIDADE CIENTÍFICA BRASILEIRA
SciELO, 17.06. 2019: Filadélfia, Estados Unidos e São Paulo, Brasil

JOVEM CIENTISTA GANHA RECONHECIMENTO INTERNACIONAL
Coordenação de Comunicação Social do CNPq, 17.06.2019

PESQUISA MOSTRA O QUE OS JOVENS BRASILEIROS PENSAM SOBRE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
INCT-CPCT, 17.06.2019

GRIGORI PERELMAN, O GÊNIO QUE RESOLVEU UM DOS MAIORES PROBLEMAS MATEMÁTICOS DO MILÊNIO E 'SUMIU DO MAPA'
Dalia Ventura, BBC News Mundo, 09.06.2019

PESQUISADORES DIVULGAM CARTA ABERTA EM DEFESA DA DIRETORIA DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESTUDOS POPULACIONAIS E TÉCNICOS DO IBGE

SE EMPRESAS BRASILEIRAS INOVASSEM, CRISE PODERIA SER REVERTIDA
Agência Fapesp, 17.06.2019

ASSOCIAÇÃO DOS ENGENHEIROS DE PESCA DO ESTADO DE PERNAMBUCO (AEP PE) ENTREGA DOCUMENTO QUE REIVINDICA A POLITICA DA PESCA E AQUICULTURA PARA PERNAMBUCO

RICARDO SALLES E A MISSÃO DE IMPLODIR O MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE
Rodrigo Martins, Carta Capital, 18.06.2019

O PSB PEDIU AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF) PARA SUSPENDER MEDIDA PROVISÓRIA QUE MUDA O CÓDIGO FLORESTAL
Luiz Felipe Barbiéri, Mariana Oliveira, Rosanne D’Agostino, G1 e TV Globo, 17.06.2019


 


 

Prof. Marcos Antonio Lucena - Secretário Regional

Profa. Rejane Mansur Nogueira - Secretária Adjunta

 

José Antônio Aleixo da Silva (Editor)
Professor titular da DCFL/UFRPE
Conselheiro da SBPC

Matheus Santos Veras
Designer do Jornal

 


 

SBPC ELEGE NOVA DIRETORIA
Vivian Costa – Jornal da Ciência, 18.06.2019

Também foram eleitos os novos secretários regionais para o biênio 2019-2021 e os conselheiros do quadriênio 2019-2023. A cerimônia de posse da nova gestão será realizada em julho, durante a 71ª Reunião Anual na UFMS, em Campo Grande.

A Comissão Eleitoral da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), reunida nessa segunda-feira, 17 de junho, divulgou o relatório de apuração das eleições para a diretoria (biênio 2019-2021), renovação de parte do Conselho (quadriênio 2019-2023) e secretarias regionais (biênio 2019-2021). A cerimônia de posse da nova gestão será realizada no dia 25 de julho de 2019, na Assembleia Geral Ordinária dos Sócios, durante a 71ª Reunião Anual da SBPC. O evento acontece de 21 a 27 de julho na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, em Campo Grande.

A nova diretoria é composta por cientistas de todas as grandes as áreas do conhecimento e regiões do País. Em entrevista ao Jornal da Ciência, os eleitos afirmam que querem somar forças para fazer com que a SBPC continue tendo uma participação ativa na luta pelo desenvolvimento do País, e manifestaram preocupação com os cortes e contingenciamentos de recursos que atingem os ministérios da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e o da Educação (MEC). Eles também enfatizaram a necessária união de toda a comunidade científica para enfrentar o grave momento político do País.

O físico e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ildeu de Castro Moreira, foi reeleito presidente da entidade para o biênio 2019-2021.  Para ele, os desafios dessa próxima gestão continuam grandes, diante do cenário de crise e desmonte da educação, da ciência e da tecnologia no País. “Esse momento que estamos vivendo é muito grave, uma crise econômica e política com consequências sociais muito sérias. E, diante desse quadro, vamos dar continuidade às ações da SBPC, com uma atuação firme, consistente e coerente com suas tradições em defesa da ciência, educação, desenvolvimento sustentável, econômico e social, e da democracia no País. Vivemos momentos difíceis e certamente é muito importante que as entidades científicas e a sociedade civil estejam organizadas e atuantes nessas questões para revertermos esse quadro, e, assim, amenizar os graves retrocessos para avançarmos no desenvolvimento científico do Brasil. Também precisamos lutar pela melhoria da educação em todos os níveis”.

Moreira considera importante uma atuação intensa e uma interação forte com as sociedades científicas associadas, além do relacionamento com outras entidades – como a Academia Brasileira de Ciências (ABC), o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), o Conselho Nacional para Secretários para Assuntos de Ciência e Inovação (Consecti) e a Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior no Brasil (Andifes) -, bem como universidades e institutos de pesquisas, na defesa de pontos defendidos nos últimos anos.  “O engajamento de todos é fundamental. Temos que trabalhar de forma integrada para a superação desse momento preocupante do País”, afirmou.

O físico frisou que a participação de todos os setores, de todos os cidadãos é o que garantirá a força necessária para superar os desafios atuais e encontrar caminhos para que o País volte a crescer.

“Parabenizo a todos os eleitos e agradeço a todos que participaram das eleições. Contamos com todos, inclusive com todos os concorrentes dessa eleição, porque a SBPC somos todos nós. Um trabalho em conjunto vai ajudar a sociedade brasileira a buscar novos rumos que superem esse triste momento do País”, disse. Ele agradeceu também a todos os sócios que participaram do processo democrático, à Comissão Eleitoral – “que fez um excelente trabalho” – e a toda a equipe da SBPC.

 

Representatividade

Para os dois cargos de vice-presidente, foram eleitos a socióloga Fernanda Sobral, da Universidade de Brasília (UnB), e o biólogo Aldo Malavasi. “Vivemos em um contexto difícil, com poucos recursos, muita luta, pouca compreensão da importância da ciência no geral, inclusive das ciências humanas. É um desafio muito grande. Mas, depois de refletir, vi que já estou no final da minha carreira e acredito que posso contribuir com a SBPC, cuja missão admiro”, afirma Sobral. Ela também ressaltou que por morar em Brasília poderá contribuir mais intensamente com a Iniciativa para a Ciência e Tecnologia no Parlamento (ICTP.br), lançada pela SBPC e outras entidades em março. “Acho que posso participar mais ativamente dessa iniciativa. Vou me esforçar e lutar pela ciência”, disse Sobral.

Malavasi, por sua vez, disse que quer somar esforços e colaborar para que a SBPC continue sendo uma referência na luta pelo desenvolvimento do sistema nacional de CT&I e educação do País. “A SBPC tem de continuar mostrando a importância da ciência e tecnologia. Temos de nos aproximar, não só do MCTIC, mas também dos outros ministérios”, afirma. Ao falar sobre o cenário atual, Malavasi afirma que há muitas incertezas, e, por isso, a SBPC deve se manter crítica para contribuir com sugestões de políticas públicas em relação às áreas de CT&I e educação.

Paulo Roberto Petersen Hofmann, reeleito ao cargo de secretário-geral, também ressaltou a importância da união e apoio de todos para fazer a entidade crescer. “A busca pelo aumento do número de sócios é também muito importante, para que sejamos cada vez mais representativos. Nesta hora, espero que possamos contar com o apoio e o trabalho de todos, eleitos ou não, para, sob a liderança segura e ponderada do presidente Ildeu, lutarmos por um País melhor e mais justo”, declarou.

Segundo ele, neste momento tão adverso à ciência e à educação no País, o papel de resistência que a SBPC sempre desempenhou volta a ser fundamental. “Espero, com a minha recondução ao cargo, continuar dando o apoio básico à diretoria, ao conselho e às secretarias regionais, organizando o operacional das sedes e das diversas ações fins de nossa Sociedade como, por exemplo, o programa SBPC vai à Escola, o Centro de Memória Amélia Império Hamburger, o Acervo Digital da SBPC, a organização das Reuniões Anuais e Regionais, entre muitas outras atividades. Para isso, conto com a participação do eficiente e dedicado grupo de funcionários da SBPC e com a efetiva participação dos demais secretários eleitos”, disse.

 

Somando esforços

Para as três vagas de secretários, foram eleitos Sidarta Ribeiro, professor titular e diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Claudia Linhares Sales, professora da Universidade Federal do Ceará e atual secretária-regional da SBPC-CE, e Vera Maria Fonseca Almeida-Val, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Ribeiro, que foi reeleito secretário, diz que o momento pelo qual o País está passando é muito grave, o que exige uma maior mobilização e participação da sociedade toda. “O País vive uma situação na qual a ciência, tecnologia e educação precisam de defesa diariamente. Embora tivemos algumas conquistas, temos que continuar trabalhando para fortalecer a luta da SBPC pela recomposição do orçamento do MCTIC pelo menos ao nível de 2010 e para que o País cresça”, afirma.

Já Claudia Linhares Sales destaca que a SBPC tem uma história que é exemplo de dedicação, de autonomia e de capacidade de atuar em prol da ciência, da tecnologia, da educação e do desenvolvimento social do País. “No momento em que vivemos, a SBPC se torna cada vez mais necessária e fundamental para sairmos desse impasse. E ao ser eleita, acredito que seja uma ótima oportunidade de exercer e ajudar a entidade no seu papel. Quero somar meus esforços ao da entidade para avançarmos nessa luta contínua”, afirma. Sales acredita pode contribuir pela diversidade de diálogo e assim proporcionar um maior e melhor intercâmbio de ideias e distribuição de trabalho.

Vera Val aposta na importância da pluralidade na da diretoria da SBPC, com diretores de diferentes regiões do País. “A SBPC não fica concentrada nos grandes centros e isso é importante para mostrar as peculiaridades do País. Infelizmente, os brasileiros não conhecem a diversidade do Brasil, muitos não conhecem nem o Amazonas”. Val também lamenta o momento de retrocessos por que o País passa.  Segundo a pesquisadora, que já atuou como secretária na gestão de 2007-2009, um dos seus objetivos é reforçar a luta da entidade na questão de educação. “Temos de mostrar a importância das universidades públicas. Mostrar que a academia e a universidade são sérias. Precisamos ressaltar que os universitários querem melhorar, se formar para atuar do lado do bem. Aqui no Amazonas, as universidades federais e estaduais exercem um papel social e isso é muito importante”, afirma.

Como tesoureiras, foram reeleitas Lucile Maria Floeter-Winter e Roseli de Deus Lopes, ambas da Universidade de São Paulo. “Continuarei no trabalho incansável pela defesa da ciência, tecnologia e educação, em todos os níveis”, declarou Lopes.

Floeter-Winter, primeira tesoureira, reforça que para momentos difíceis, como os atuais, a união é necessária. “Em tempos difíceis é que devemos nos manter unidos, focados e dispostos a enfrentar os desafios. Na minha opinião, educação e ciência, somadas à saúde coletiva e individual, são as molas mestras das atividades que levam ao desenvolvimento e este ao aumento da qualidade de vida e de geração de recursos econômicos”, declara. Ela ressalta ainda que além da população em geral, o próprio Congresso deve ser estimulado a perceber a importância dessas áreas em um País em desenvolvimento.

Ao fazer um balanço da gestão que está terminando, a pesquisadora lembra que, por ocasião do processo eleitoral brasileiro de 2018, a SBPC produziu um caderno em que elenca os pontos importantes para que seja atingido “o Brasil que queremos”, e que esses objetivos devem permanecer na agenda dos trabalhos da SBPC. “A luta da SBPC está em várias frentes, sempre buscando representar a comunidade científica e educacional do País. Junto ao Congresso, trabalharemos na Iniciativa Ciência e Tecnologia Parlamentar, para sensibilizar nossos legisladores a integrar essa luta, buscando ações legais e constitucionais que assegurem nosso desenvolvimento. Além da população em geral, temos de estimular o próprio Congresso a perceber a importância desses temas para o país em desenvolvimento”, conclui.

 

Processo eleitoral

A apuração das eleições foi realizada nessa segunda-feira, dia 17 de junho, na sede da entidade, em São Paulo, sob a coordenação da conselheira Regina Pekelmann Markus, da USP, presidente da Comissão Eleitoral. O período de votação ocorreu entre os dias 27 de maio e 14 de junho, pela internet.

Regina Markus conta que o processo de votação fluiu muito bem neste ano, com aumento na participação. “Foi registrado que 52% dos sócios aptos votaram”, citou.

Conforme previsto no estatuto da SBPC, as candidaturas ao Conselho ocorrem regionalmente. Para os estados que compreendem a área A (Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins), em que havia dois candidatos para uma vaga, foi eleita Rosa Elizabeth Acevedo Marin.

Nos estados da área B (Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe), cinco candidatos concorreram a duas vagas. Os eleitos foram Anderson Stevens Leônidas Gomes e Maria Bernardete Cordeiro de Sousa.

Nos estados da área C, que compreende o Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso, seis candidatos concorreram a três vagas. Os eleitos foram Ana Maria Bonetti, Lia Zanotta Machado e Paulo Sergio Lacerda Beirão.

Nos estados da área D (Espirito Santo e Rio de Janeiro), oito candidatos concorreram a quatro vagas. Os eleitos foram Debora Foguel, Luiz Bevilacqua, Sergio Lucena Mendes. A quarta vaga teve empate entre os candidatos Alberto Passos Guimarães Filho e Renato Sergio Balão Cordeiro. De acordo com o Regimento da SBPC, no artigo 43, parágrafo primeiro, haverá uma reedição do processo eleitoral apenas entre os concorrentes empatados.  A nova votação começa ainda essa semana e terá divulgação no site da instituição.

Em São Paulo, região da área E, foram eleitos Renato Janine Ribeiro, Vanderlan da Silva Bolzani, Dora Fix Ventura e Carlos Frederico Martins Menck.

Para a última região, a área F (Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), havia 01 vaga, que foi disputada por dois candidatos. O novo conselheiro da área é Álvaro Toubes Prata.

 

Secretaria regional

Veja abaixo os eleitos para as Secretarias Regionais:

 

ACRE
Rosana Cavalcante dos Santos

 

ALAGOAS
Secretária Regional: Eliana Silva de Almeida

Secretário Regional Adjunto: Leonardo Viana Pereira

 

AMAZONAS
Secretário Regional: Sanderson Castro Soares de Oliveira

 

BAHIA
Secretário Regional: Mitermayer Galvão dos Reis

 

CEARÁ
Secretário Regional: José Xavier Neto

Secretário Regional Adjunto: Armênio Aguiar dos Santos


DISTRITO FEDERAL

Secretário Regional: Cássio Costa Laranjeiras

 

GOIÁS
Secretária Regional: Márcia Cristina Hizim Pelá – reeleição

Secretário Regional Adjunto: Edson José Benetti – reeleição

 

MARANHÃO
Secretário Regional: Antonio José Silva Oliveira

Secretária Regional Adjunta: Ana Lucia Alexandre de Oliveira Zandomoneghi

 

MATO GROSSO DO SUL

Secretário Regional: Além-Mar Bernardes Gonçalves

Secretário Regional Adjunto: Nalvo Franco de Almeida Junior

 

MINAS GERAIS

Secretário Regional: Luciano Mendes de Faria Filho

 

PARÁ
Secretário Regional: Genylton Odilon Rego da Rocha – reeleição

 

PARANÁ
Secretária Regional: Elizabeth de Araújo Schwarz – reeleição

Secretário Regional Adjunto: Cid Aimbiré de Morais Santos – reeleição

 

PERNAMBUCO
Secretária Regional: Maria do Carmo Figueiredo Soares

Secretária Regional Adjunta: Marilia Regina Costa Castro

 

RIO GRANDE DO NORTE

Secretária Regional: Selma Maria Bezerra Jerônimo

Secretária Regional Adjunta: Denise Carvalho Lopes

 

RIO GRANDE DO SUL

Secretária Regional: Ângela Terezinha de Souza Wyse

Secretário Regional Adjunto: Enio Passiani

 

RIO DE JANEIRO

Secretário Regional: Ligia Bahia

Secretário Regional Adjunto: Marta Feijó Barroso

 

SANTA CATARINA

Secretário Regional: André de Ávila Ramos – reeleição

Secretário Regional Adjunto: Luiz Claudio Miletti – reeleição

 

SÃO PAULO – Subárea I

Secretária Regional: Marimélia Porcionatto – reeleição

Secretária Regional Adjunta: Irene Ficheman – reeleição

 

SÃO PAULO – Subárea II

Secretário Regional: Marcelo Alves da Silva Mori

 

SÃO PAULO – Subárea III

Secretária Regional: Berenice Camargo Damasceno – reeleição

Secretário Regional Adjunto: Francis de Morais Franco Nunes

 

Veja aqui o relatório de apuração na íntegra.


 

A SBPC LANÇOU O VÍDEO “MENINAS NA CIÊNCIA”, O SEGUNDO DA SÉRIE #SOMOSTODOSCIÊNCIA

Gravado com participantes da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) deste ano, jovens estudantes do Ensino Médio contam no vídeo como veem esse fantástico mundo da ciência, suas expectativas para se tornarem cientistas e deixam bem claro que a ciência é para todos.

Assista na TV SBPC (https://www.youtube.com/watch?v=4bVLe6Vdl9k&t=3s).


 

ACADEMIA PERNAMBUCANA DE CIÊNCIAS (APC) SELECIONA NOV@S ACADÊMIC@S

O Comitê Científico (CC) da Academia Pernambucana de Ciências selecionou nov@s acadêmic@s para o quadro de Sócios Efetivos da APC.

O comitê que é constituído por: Mauro Carneiro UFRPE – Presidente do CC; Fernando José Freire – UFRPE; Amaro Henrique Pessoa Lins – UFPE; André Freire Furtado – UFPE - Aggeu Magalhães; Aurélio Molina – UPE; Aronita Rosenblat – UPE e Galba Takaki – UNICAP levou em consideração os seguintes atributos de cada candidat@: formação acadêmica; produção científica; formação de recursos humanos (mestres e doutores); experiencia administrativa; coordenação de projetos científicos e de extensão; prêmios e honrarias recebidas; atuação profissional e outros (patentes, artigos em jornais, consultorias, etc.)

@s candidat@s selecionados foram os seguintes por ordem alfabética:

ANA LÚCIA FIGUEIREDO PORTO (UFRPE)
EDVANIA TORRES DE AGUIAR GOMES (UFPE)
JOSE ALMIR CIRILO (UFPE)
LEONOR COSTA MAIA (UFPE)
LUANA CASSANDRA BREITENBACH BARROSO COELHO (UFPE)
LÚCIA CARVALHO PINTO DE MELO (FUNDAJ)
MANOEL JOSÉ MACHADO SOARES LEMOS (UFPE)
MARCELO BRITO CARNEIRO LEÃO (UFRPE)
MARIA DE LOURDES FLORÊNCIO DOS SANTOS (UFPE)
MARIA DO SOCORRO DE MENDONÇA CAVALCANTI (UPE)
MARIA HELENA NEVES L. S. FILHA (AGGEU MAGALHÃES)
MÉRCIA VIRGINIA FERREIRA DOS SANTOS (UFRPE)
PATRÍCIA MUNIZ MENDES FREIRE DE MOURA (UPE)


O Prof. Anísio Brasileiro, reitor da UFPE, passa também a fazer parte da APC na categoria de Sócio Benemérito.

Estes nov@s acadêmicos passarão a participara das atividades normais da APC no próximo mês de julho, mas a posse oficial ocorrerá durante a realização do I Encontro Pernambucano de Educação, Ciência e Tecnologia que ocorrerá no Espaço Ciência durante a realização da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia.


 

PERNAMBUCO GANHA 22MIL HECTARES PROTEGIDOS DE CAATINGA
Algo Mais, 06.06.2019

 

Governo do Estado cria duas Unidades de Conservação em área de Caatinga e assina ordem de serviço para construção de laboratório da CPRH para análise de qualidade da água. Fotos: Divulgação.

O Sertão pernambucano ganhou mais 22 mil hectares de área protegida do bioma Caatinga. Nesta quarta-feira (05), o governador Paulo Câmara criou duas novas Unidades de Conservação: Serras Caatingueiras (entre Salgueiro e Cabrobó), e Serra do Giz (divisa de Afogados da Ingazeira e Carnaíba). O ato, que aconteceu no Parque de Dois Irmãos, na Zona Norte de Recife, marcou a comemoração pelo Dia Mundial do Meio Ambiente e garantiu a conservação de importantes espécies de flora e fauna ameaçadas de extinção. No mesmo ato, foram assinadas a ordem de serviço para construção de um novo laboratório de análise de qualidade da água para CPRH e o decreto de corredores ecológicos na APA Aldeia-Beberibe. Também foi entregue a sede da Unidade Gestora do Parque.

“Pernambuco teve um processo muito forte de industrialização, necessário porque estávamos atrasados. Mas, fizemos isso garantindo que o desenvolvimento fosse sustentável, tanto nos aspectos sociais como na proteção do meio ambiente. Garantimos que houvesse as devidas compensações ambientais. É com esse olhar que vamos continuar a fazer isso em todo o Estado. Não vamos admitir que retrocessos na área do meio ambiente, ameaças de alteração de legislação, ameaças de posturas e pensamentos, cheguem a Pernambuco e atinjam a preservação das nossas reservas e do nosso meio ambiente”, afirmou o governador Paulo Câmara.

As novas UCs fazem parte da categoria de Refúgio de Vida Silvestre (RVS), que prevê a proteção integral do ambiente com o objetivo de assegurar condições de existência ou reprodução de espécies da flora local e da fauna residente e migratória. “Pernambuco tem mais de 90% do seu território suscetível a processos de desertificação por se tratar de áreas de clima semiárido. A preservação dessas UCs no Bioma Caatinga permite que os recursos da compensação ambiental possam ser usados nos cuidados desse conjunto de 22 mil hectares e ajudar a frear os efeitos das mudanças climáticas que tanto afetam essa região”, disse o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, José Bertotti.

Localizado entre as cidades Salgueiro e Cabrobó, o Refúgio de Vida Silvestre Serras Caatingueiras conta com uma área de 21,6 mil hectares, abrigando mais de 420 espécies de plantas e 240 de animais (mamíferos, aves, anfíbios e répteis). Na composição da flora, segundo levantamento feito pela Univasf, existem 36 espécies de vegetação endêmicas da Caatinga. Destaque para a “cascudo” (Handroanthus spongiosus), presente na lista de espécies ameaçadas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), na categoria em perigo de extinção. O local também possui uma rica fauna composta por 39 tipos de mamíferos, 202 de aves e 45 de répteis e anfíbios. Desses, seis mamíferos constam na lista de ameaçadas de extinção, como a onça-parda (Puma concolor) e ogato-vermelho (Puma yagouaroundi), ambos na categoria vulnerável.

Já o RVS Serra do Giz abrange uma área de divisa dos municípios de Afogados da Ingazeira e Carnaíba. A UC tem 310,2 hectares e possui uma significativa composição de flora e fauna da Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro. Segundo o levantamento florístico da área, há 66 espécies de 19 famílias botânicas na localidade. Chama a atenção a Aroeira do sertão (Myracrodruon urundeuva), que está elencada na lista de ameaçadas do MMA. A região ainda dispõe de fauna expressiva, com 116 espécies de animais elencadas em estudos. Entre eles, está o gato-do-mato (Leopardus tigrinus), que corre risco de extinção.

Laboratório da CPRH – Com um investimento previsto de R$ 3,4 milhões, a nova unidade de análises laboratoriais da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) será construída no bairro de Dois Irmãos, Zona Norte do Recife. A previsão de entrega é de oito meses – ou seja, no primeiro semestre de 2020. A assinatura fez parte da programação conjunta comemorativa ao Dia Mundial do Meio Ambiente – 5 de junho. A gestão do contrato é da Secretaria de Infraestrutura e Recursos Hídricos.

Criado há 52 anos, o Laboratório funciona hoje na sede da CPRH, Casa Forte, numa área de 500 m². A nova unidade será construída em terreno cedido pela Compesa, na Praça Farias Neves, ao lado do Parque de Dois Irmãos. Terá quase o dobro de área e, com novos serviços, a expectativa é que traga novas receitas para o Estado. Contratada a partir de licitação pública nacional, a empresa Pollux Construções Ltda. será a responsável pela obra.

“Será um investimento importante, inclusive para futura acreditação do Laboratório junto à Coordenadoria Geral de Acreditação do Inmetro. Busca-se otimizar as metodologias já existentes nas análises, implantar novas metodologias e investir na melhoria do nosso Sistema de Gestão de Qualidade (SGQ), visando essa futura acreditação”, destaca o presidente da CPRH, Djalma Paes.

O Laboratório da CPRH realiza o monitoramento da qualidade dos rios do Estado, dos reservatórios (em convênio com a Apac), análises que subsidiam o trabalho de fiscalização e licenciamento da Agência, e o monitoramento da balneabilidade de praias do Estado. Com a nova unidade, a agência voltará a atender demandas do público externo, gerando receita com análises de água bruta e de efluentes, principalmente para consumo (água de poço, caixas d’água), atendendo, por exemplo, conjuntos condominiais.

Corredor ecológico – No evento, ainda aconteceu a assinatura do decreto de criação de áreas de corredor ecológico na APA Aldeia-Beberibe. Também foi entregue a nova sede da Unidade Gestora do Parque Estadual de Dois irmãos que possui uma área de 1.300 m2, distribuído em dois pavimentos e um terraço. O prédio da Unidade Gestora faz parte da primeira etapa de requalificação do Parque de Dois irmãos, que ainda prevê a construção dos setores de veterinária, biologia, quarentena, nutrição e clínica.

 


 

SBPC: PROTAGONISMO PARA UM BRASIL MELHOR
Isaac Roitman¹, Correio Braziliense, 17.06.2019

As manifestações de rua ocorridas nos dias 15 e 30 de maio de 2019 em defesa da Educação Pública inspiraram recordações de fatos históricos protagonizados pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC, registrados pela saudosa professora da UnB, Ana Maria Fernandes no livro A construção da Ciência no Brasil e SBPC (editora da UnB). A autora analisou a formação, os objetivos, o papel e as tendências da SBPC, salientando a defesa do cientista e da ciência. Destacou o papel da entidade nos casos extremos de intervenção militar em instituições acadêmicas – a crise na Universidade de Brasília e o chamado “massacre de Manguinhos” – e a condenação da SBPC ao regime repressivo.

A SBPC foi fundada em 08 de julho de 1948 e sempre esteve ligada ao processo de evolução social, política e econômica brasileiro e, especialmente, com a institucionalização da ciência e o desenvolvimento científico e tecnológico no País. Os primeiros anos de existência da SBPC coincidem com o reconhecimento e a institucionalização da ciência no Brasil, com a criação pelo governo federal de organizações, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq, 1951) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes, 1951). São essas organizações, que aos poucos permitiram ao País demonstrar a capacidade de produzir e utilizar conhecimento científico e tecnológico”.

Atualmente a SBPC congrega 142 sociedades científicas e atua de forma veemente nas temáticas que envolvem a conquista de uma educação de qualidade para as crianças e jovens e pelo desenvolvimento científico e tecnológico e que beneficiem a todos os brasileiros. Recentemente na reunião regional realizada em Sobral, a entidade lançou a Carta de Sobral: Sob o Sol de Sobral: por uma educação básica de qualidade, pela ciência e pela democracia onde se lê: “Queremos que todos os cidadãos, em especial as crianças e os jovens, tenham garantidos seus direitos educacionais e sociais. Motivos justos para comemorações intensas pelo conjunto dos brasileiros, nos próximos anos e décadas, serão a superação do analfabetismo e da miséria, o avanço significativo na educação, na ciência e na tecnologia, uma melhor qualidade de vida para todos, a redução das desigualdades, a preservação do meio ambiente e de nossas riquezas naturais, que estão em causa neste momento, e o desenvolvimento sustentável do País”. Outros manifestos em defesa da educação e da ciência têm sido lançados em parceria com a Academia Brasileira de Ciências em defesa da Educação e da Ciência.

O autor desse artigo foi membro da Diretoria, do Conselho e Secretário regional da SBPC no Distrito Federal. Representou a entidade no Movimento “Ética na Política e coordenou o Grupo de Trabalho de Educação que lançou o Movimento: “Pacto pela Educação”, em solenidade que foi realizada na Universidade de Brasília. Detalhes dessas atividades foram publicadas no número especial da revista Ciência e Cultura publicada em edição comemorativa aos 70 anos da SBPC: Fatos e vivências na SBPC: da ética na política à educação científica.

 

Vida longa à SBPC.

¹ Professor emérito da Universidade de Brasília, doutor em Microbiologia, coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro (n.Futuros/CEAM/UnB), membro titular de Academia Brasileira de Ciências. Ex-decano de Pesquisa e Pós-Graduação da UnB, ex-diretor de Avaliação da CAPES, ex-coordenador do Grupo de Trabalho de Educação, da SBPC, ex-sub-secretário de Políticas para Crianças do GDF. Autor, em parceria com Mozart Neves Ramos, do livro A urgência da Educação.


 

CONHEÇA AS 50 MELHORES UNIVERSIDADES DO MUNDO

 https://www.msn.com/pt-br/noticias/educacao/conheça-as-50-melhores-universidades-do-mundo/ss-AAD4tgt?ocid=spartandhp#image=7


 

SÓ EM DOAÇÕES, HARVARD RECEBEU O ORÇAMENTO DA USP
Beatriz Bulla, Terra Educação, 15.06.2019

A cultura da filantropia nos Estados Unidos, estimulada por incentivos fiscais, levou a um recorde de US$ 46,7 bilhões (R$ 182 bilhões) a universidades de graduação e pós-graduação no ano fiscal de 2018. Os dados são do Conselho para Avanço e Suporte à Educação e mostram o aumento, pelo 9.º ano consecutivo, de doações a faculdades.

Do total, 26%, ou US$ 12,1 bilhões, vieram de ex-alunos. Ou, como são chamados nos corredores de universidades, os `alumni`. Desde antes da graduação, os universitários são estimulados a participar ativamente da comunidade de `alumni` após a diplomação e contribuírem, com cifras, com sua alma mater. No site da Universidade Harvard, por exemplo, é fácil localizar a página com informações para doações.

Só em doações, Harvard arrecadou em 2018 quase o orçamento da Universidade de São Paulo (USP) para 2019. Entre repasses do governo estadual, valores oriundos de recursos próprios e federais, a verba para 2019 da USP é de R$ 5,7 bilhões.

Harvard foi destino de 28% das doações a universidades dos EUA em 2018 e recebeu quantia perto de R$ 5,5 bilhões. Depois de Harvard, as maiores recebedoras são Stanford, Columbia, a Universidade da Califórnia em Los Angeles e em São Francisco e a Johns Hopkins, em Maryland.

Com deduções fiscais, são estimuladas doações a fundações, museus e faculdades. Mas uma reforma tributária aprovada pelo Congresso e encampada pelo presidente Donald Trump ameaça as cifras doadas.

A mudança não deixa de prever deduções na doação a faculdades, mas diminui o número de contribuintes elegíveis à dedução. Ainda não há dados disponíveis que meçam o efeito da legislação, em vigor desde 2018.

As universidades contam ainda com os presentes maiores: doações de ex-alunos que darão nome a um novo prédio, por exemplo, a ser construído, ou financiarão bolsas. Uma contribuição de US$ 2 milhões pode ajudar a construir um novo centro esportivo. O tamanho da doação para ter uma sala ou prédio com seu nome depende do tamanho da universidade.

Nem só de ex-alunos vivem as faculdades - e os universitários. Em maio, rodou o mundo o vídeo do bilionário que surpreendeu uma turma de mais de 400 alunos ao anunciar que pagaria as dívidas estudantis de todos os formandos. Nos EUA, estima-se que 40% dos que concluem a faculdade precisam pagar algum empréstimo do tipo.

Robert F. Smith, empresário com fortuna estimada em mais de US$ 4 bilhões, promete pagar cerca de US$ 40 milhões de dívidas dos alunos da Universidade de Morehouse, em Atlanta, historicamente composta por alunos negros. Smith, também negro, já havia anunciado doação de US$ 1,5 milhão à universidade este ano, mesmo tendo se formado em outras instituições: Cornell e Columbia.

Sem incentivo, lei de endowments pode virar letra morta.

Doações a universidades americanas vão para fundos perpétuos, os endowments. No Brasil, embora já houvesse endowments nas universidades, não havia lei sobre esses fundos. Em janeiro, o presidente Jair Bolsonaro sancionou norma que regulamenta esses fundos, mas vetou, entre outros pontos, incentivos fiscais a doadores. Por isso, afirmam especialistas, a lei não ajuda a fomentar doações e pode burocratizar os processos.

`No Brasil, as pessoas têm medo de fazer algo novo sem uma lei`, diz Carlos Gouvêa, doutor em Harvard e professor da USP. Para ele, a cultura de doação, celebrada nos Estados Unidos, não vem do nada. Mecanismos transparentes de controle dos recursos, por exemplo, ajudam a dar segurança aos doadores.


 

SciELO BRASIL ASSINA PARCERIA COM O PUBLONS PARA BENEFICIAR A COMUNIDADE CIENTÍFICA BRASILEIRA
SciELO, 17.06. 2019: Filadélfia, Estados Unidos e São Paulo, Brasil

O Programa SciELO / FAPESP em sua missão e objetivos de contribuir para o aperfeiçoamento dos periódicos científicos da coleção SciELO Brasil no contexto da Rede SciELO, acaba de estabelecer um acordo com o sistema Publons do Web of Science Group da Clarivate Analytics de apoio aos processos de revisão por pares.

Os periódicos da coleção SciELO Brasil terão acesso ao serviço Reviewer Connect de busca de pareceristas baseada em dados do Publons e da Web of Science, incluindo o SciELO, para ajudar os editores a encontrar, filtrar e se conectar com os pareceristas mais pertinentes ao assunto dos manuscritos. Os periódicos terão também acesso ao Serviço de Reconhecimento de Pareceristas do Publons que atribui e registra o crédito apropriado aos pareceristas. Os serviços estarão à disposição dos periódicos indexados, independente da plataforma de gestão de manuscritos online utilizada pelo periódico.

Alex Mendonça, Coordenador de Sistemas de Gestão de Manuscritos Online do SciELO, afirmou que o acordo é parte do esforço do SciELO de fortalecer a capacidade editorial dos periódicos, em particular nos processos de avaliação de manuscritos. “Ao oferecer acesso a uma base pesquisadores qualificados e compatíveis com a pesquisa sendo avaliada, nossa expectativa é que a qualidade dos pareces aumente e o tempo de tramitação diminua. Além disso, o reconhecimento aos pareceristas por meio do Publons é um passo importante rumo à uma avaliação por pares mais aberta e transparente, em consonância com o alinhamento do SciELO com as boas práticas de ciência aberta.”

Andrew Preston, diretor do Publons, disse: “Pode ser difícil para os editores encontrar pareceristas disponíveis com a expertise correta, e isso pode retardar o processo de publicação e descoberta. O Publons pode ajudar o SciELO a desenvolver periódicos científicos do Brasil, conectando editores, pareceristas e pesquisadores, e garantindo que os pareceristas obtenham reconhecimento pelo que fazem”.

O Publons também pode ser usado por pesquisadores para acompanhar as suas publicações, citações, revisões por pares e afiliações de periódicos num só lugar. Dentre os benefícios do Publons, podemos citar:

  • Todas as suas publicações facilmente importadas da Web of Science, ORCID ou seu gerenciador de referência bibliográfica (por exemplo, EndNote, Zotero ou Mendeley);
  • Métricas de citação confiáveis importadas automaticamente da Coleção Principal da Web of Science;
  • Revisão por pares verificada e validada através de parcerias com milhares de periódicos acadêmicos;
  • Registro disponível para download resumindo seu impacto acadêmico como autor, editor e parecerista de periódicos.

Para mais informações entre em contato com:

 

Ariane Fernandez
Strategic Account Manager, Clarivate Analytics
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 Alex Mendonça
 Coordenador de Sistemas de Gestão de Manuscritos Online, SciELO Brasil
 Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.


 

JOVEM CIENTISTA GANHA RECONHECIMENTO INTERNACIONAL
Coordenação de Comunicação Social do CNPq, 17.06.2019

O brasileiro João Vitor Campos e Silva, vencedor do Prêmio Jovem Cientista de 2018, foi anunciado como um dos laureados pelo Prêmio Rolex de Empreendedorismo. A premiação aconteceu em Washington, nos Estados Unidos, no último dia 14. João Vitor foi o único brasileiro finalista no prêmio.

Biólogo, João foi selecionado com um projeto iniciado no doutorado, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em que avaliou um modelo de conservação na Amazônia que recupera populações de pirarucu, maior peixe de escamas do mundo, com alto valor comercial e cultural. Segundo o estudo, áreas protegidas equivalem a uma poupança bancária, gerando benefícios econômicos e sociais às comunidades. "O projeto desse prêmio é uma continuação do PJC, vamos ampliar o modelo. Com o Prêmio Rolex, teremos condições de ampliar a escala do manejo no rio Juruá, especificamente no Médio Juruá, contribuindo com o zoneamento da pesca e organização das comunidades rurais", aponta o pesquisador.

O pesquisador venceu o Prêmio Jovem Cientista em 2018 na categoria Mestre e Doutor e, agora, sua pesquisa ganha reconhecimento internacional. Foto: Divulgação/Prêmio Rolex

A pesquisa de João Vitor investiga o modelo que foi desenvolvido na Amazônia pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. A primeira experiência de manejo de pirarucu ocorreu em 1999 em uma área da Reserva Mamirauá assessorada pelo Instituto, após anos de pesquisas. Atualmente no Pós-Doutorado na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), João acredita que o plano de manejo é importante não apenas para salvar o peixe, também conhecido como arapaima, como também para garantir os meios de subsistência, a alimentação e a cultura das comunidades nativas, que dependem dos rios da região para sobreviver.

João Vitor explica que o manejo do pirarucu é uma atividade coletiva, onde as comunidades locais, ONGs, Universidades e governo trabalham juntos para garantir a recuperação da espécie e o bem estar das comunidades ribeirinhas da Amazônia. "Nossa ideia agora é pensar o manejo do pirarucu como um instrumento propulsor de desenvolvimento local, onde as florestas e lagos são protegidos pelas comunidades locais, ao mesmo tempo que os benefícios socioeconômicos também são garantidos", afirma.

Os próximos passos da pesquisa, segundo o biólogo, incluem a formação de um coletivo que está articulando a exportação do pirarucu para outros estados brasileiros, para que a sociedade em geral tenha acesso a um produto de alta qualidade que carrega um expressivo valor social e ecológico. "É uma honra muito grande receber esse prêmio, mas para mim o mais importante é a oportunidade de divulgação do trabalho árduo que as comunidades rurais tem desenvolvido na Amazônia. As comunidades rurais indígenas e não indígenas estão garantindo a proteção da maior floresta tropical do mundo", conclui.

 

O Prêmio Rolex

João Vitor Campos e Silva venceu a edição com outros cinco finalistas. Entre eles estão um neurocientista francês, um especialista em TI de Uganda, uma bióloga molecular do Canadá e uma conservacionista da Índia.

Os projetos deveriam ter foco em áreas como ambiente, tecnologia, saúde, ciência e exploração. Cada vencedor leva uma quantia em dinheiro para a aplicação nos trabalhos.

Segundo a organização do prêmio, os vencedores "mostram que com a dose certa de paixão e empenho, cada um de nós tem o poder de mudar tudo". Conheça os vencedores desta edição: https://www.rolex.org/pt-br/rolex-awards/finalists

O Prêmio Jovem Cientista

João Vitor conquistou, em 2018, o primeiro lugar na categoria 'Mestre e Doutor' da 29ª edição do Prêmio Jovem Cientista, cujo tema foi 'Inovações para Conservação da Natureza e Transformação Social'.

Para ele, o "PJC foi fundamental nesse processo, pois ele deu bastante credibilidade ao projeto, em termos de avaliação dos benefícios sociais ecológicos e econômicos oriundos do manejo do pirarucu".

João Vitor durante as atividades de premiação do Prêmio Jovem Cientista, em Brasília, no ano passado. Foto: Roberto Hilário/CNPq

O Prêmio visa revelar talentos, impulsionar a pesquisa no país e investir em estudantes e jovens pesquisadores que procuram inovar na solução dos desafios da sociedade.

Instituído em 1981, o Prêmio é uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a primeira instituição federal de fomento à ciência, tecnologia e inovação e pioneira na concessão de prêmios no Brasil. O Prêmio conta com a parceria da Fundação Roberto Marinho e com o patrocínio da Fundação Grupo Boticário e do Banco do Brasil.

Saiba mais: http://www.jovemcientista.cnpq.br/

 


 

PESQUISA MOSTRA O QUE OS JOVENS BRASILEIROS PENSAM SOBRE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
INCT-CPCT, 17.06.2019

Os jovens se interessam por temas de ciência e tecnologia? Em quem mais confiam como fonte de informação? Reconhecem riscos e benefícios da ciência? Gostariam de seguir tal carreira? Essas são algumas perguntas que orientaram a survey nacional O que os jovens brasileiros pensam sobre ciência, tecnologia e inovação, iniciativa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia (INCT-CPCT). O trabalho, que envolveu também etapas cognitiva e qualitativa, é pioneiro: pela primeira vez, uma survey brasileira tem como foco os jovens e suas opiniões e atitudes sobre ciência e tecnologia. Os resultados serão apresentados no próximo dia 24, segunda-feira, na Fiocruz/RJ.

“Apesar da grande importância de entender como os jovens interagem e engajam com temas de ciência e tecnologia, ainda há poucos estudos nessa direção no Brasil”, afirma Luisa Massarani, líder do INCT-CPCT e uma das coordenadoras do trabalho de pesquisa. “Nosso objetivo com este estudo, que inclui survey de caráter nacional e grupos focais, é justamente trazer luzes para esta questão, o que pode gerar subsídios para desenhar políticas públicas e iniciativas de divulgação científica destinada aos jovens”, completa.

O evento contará com a presença de especialistas na área da percepção pública sobre ciência e tecnologia do Brasil, da Argentina e dos Estados Unidos. Além da apresentação dos resultados da survey, serão discutidas as contribuições mais recentes do campo e possibilidades de uso dos dados gerados. Não é necessário realizar inscrição prévia para participar. A programação completa, assim como informações sobre os palestrantes, pode ser acessada em http://museudavida.fiocruz.br/index.php/noticias/1233-o-que-os-jovens-brasileiros-pensam-da-ciencia-e-tecnologia

 

PRINCIPAIS RESULTADOS

Além de opiniões e atitudes sobre ciência e tecnologia, a survey do INCT-CPCT mensurou, pela primeira vez, acesso ao conhecimento, desinformação e percepção sobre fake news. Além disso, buscou-se medir a influência das trajetórias de vida e do posicionamento moral e político dos jovens sobre as atitudes relacionadas à C&T.

Foram ouvidas duas mil pessoas com idade entre 15 e 24 anos, residentes em todas as regiões do Brasil. Para seleção dos entrevistados, foi utilizada amostra probabilística até o penúltimo estágio, com aplicação de cotas amostrais de sexo, idade e escolaridade no último estágio. O intervalo de confiança é de 95%. As entrevistas, realizadas por equipe treinada, foram feitas em domicílio entre os meses de março e abril de 2019.

Dentre os resultados, é possível destacar:

 

- A maioria dos jovens brasileiros manifesta grande interesse para temas de ciência e tecnologia, tanto as mulheres quanto os homens, e em quase todos os grupos sociais; o interesse por C&T, em geral, é maior que o por esportes, e comparável com o interesse por religião.

- Os jovens possuem, em geral, uma imagem positiva da figura do cientista e, em sua maioria, acreditam que homens e mulheres têm a mesma capacidade para ser cientista, e devem ter as mesmas oportunidades;

- Entretanto, a maioria dos jovens, até mesmo os que estão frequentando cursos superiores, não consegue mencionar o nome de sequer uma instituição brasileira que faça pesquisa, nem de algum(a) cientista brasileiro(a)

- Os jovens manifestam dúvidas também sobre controvérsias sociais e políticas que atravessam a ciência, hoje: 25% acreditam que vacinar as crianças pode ser perigoso; 54% concordam que os cientistas possam estar “exagerando” sobre os efeitos das mudanças climáticas; 40% dos jovens dizem não concordar com a afirmação de que os seres humanos evoluíram ao longo do tempo e descendem de outros animais.

 

GRUPOS FOCAIS

Em paralelo à realização da survey, foram conduzidos grupos focais com jovens entre 18 e 24 anos, residentes nas cidades do Rio de Janeiro (RJ) e Belém (PA). A técnica de grupos focais foi selecionada para o estudo por permitir captar não apenas o que as pessoas pensam e expressam, mas também como elas pensam e o porquê. Um dos aspectos analisados foi a forma como os jovens lidam com as fake news, ou notícias falsas, em especial aquelas relacionadas à ciência e tecnologia.

Dentre os resultados, é possível destacar:

- O estudo sinaliza uma mudança no ecossistema de informações. A informação deixa de ser “buscada” e passa a ser “encontrada”; os jovens passam a “tropeçar” em vários conteúdos e a C&T está inserida em tal cenário.

- Os jovens reclamam da dificuldade em identificar a veracidade das informações que circulam tanto na grande mídia como na internet. Relatam angústia e insegurança em relação ao que acontece no mundo: é cada vez mais difícil identificar o que é verdadeiro.

- Não surpreendentemente, nossos dados mostram que a percepção de receber possíveis notícias falsas em C&T é maior entre jovens mais engajados politicamente, de maior escolaridade, e que consomem mais frequentemente informação científica.

- A confiança em conseguir identificar notícias falsas depende fortemente do grau de consumo de informação científica e dos hábitos culturais (visitação a museus, participação em eventos etc.)



SERVIÇO

O que os jovens brasileiros pensam da ciência e tecnologia? Apresentação dos resultados da primeira survey nacional pelo INCT-CPCT

Data: 24 de junho, segunda-feira

Horário: 9h às 13h

Local: Tenda da Ciência, Fiocruz (Av. Brasil, 4365, Manguinhos, Rio de Janeiro)

Clique aqui para acessar a programação


 

GRIGORI PERELMAN, O GÊNIO QUE RESOLVEU UM DOS MAIORES PROBLEMAS MATEMÁTICOS DO MILÊNIO E 'SUMIU DO MAPA'
Dalia Ventura, BBC News Mundo, 09.06.2019

Matemático russo resolveu questão que intrigava comunidade científica havia um século, mas recusou todo tipo de prêmio ou reconhecimento por isso.

Há uma década, Grigori Perelman, um dos grandes cérebros do século 21, deu adeus à profissão e à vida pública.

Na época, ele já era mundialmente famoso por resolver um dos mais difíceis enigmas matemáticos do milênio, cuja origem remete ao século 18 e se materializa na antiga cidade prussiana de Königsberg (hoje Kaliningrado, na Rússia).

A cidade tinha sete pontes sobre o rio Pregel, para conectar não só os dois lados da cidade, mas também duas ilhotas dentro do curso do rio. Reza a lenda que as pessoas da época formularam um questionamento, que se converteu em um célebre problema:

Será possível sair de casa em uma das quatro regiões de Königsberg, cruzar todas as pontes uma única vez e voltar ao mesmo ponto de partida?

A solução não só é mais difícil do que parece, como levou à criação de novos ramos da matemática, incluindo a topografia.

Eventualmente, em 1735, o grande matemático Leonhard Euler deu a resposta: não era possível. Mas o mais curioso é que, na resolução do problema, deu um salto conceitual.

Euler se deu conta de que as distâncias entre as pontes eram irrelevantes. O que realmente importava era como as construções estavam conectadas entre si, o que faz com que a teoria não se limite unicamente à cidade de Königsberg, mas sim a todas as configurações topologicamente iguais.

Eis o início dos conceitos de topologia, que hoje embasam praticamente todos os trajetos de mapas de metrô do mundo, para comunicar claramente aos usuários o que eles necessitam saber: como chegar aonde querem ir.

Embora as origens da topologia remetam às pontes de Königsberg, foi só nas mãos do mais famoso e respeitado matemático do final do século 19, o francês Henri Poincaré, que o tema se converteu em uma nova e poderosa maneira de enxergar a forma.

 

A topologia

A principal ideia atrás da topologia é que, quando se estuda um objeto, o mais importante são as suas propriedades, e não o objeto em si. E, se dois objetos compartilham as mesmas propriedades, devem ser estudados, porque os resultados disso poderão ser escalonados a todos os objetos que compartilhem das mesmas propriedades - ou seja, os objetos homeoformos.

Algumas pessoas se referem a esse importante campo da matemática como "geometria flexível", porque, segundo ele, duas formas são a mesma se for possível transformar uma em outra sem quebrá-la.

Então, por exemplo, topologicamente uma bola de futebol e uma bola de rúgbi são equivalentes, porque uma pode ser moldada para se transformar na outra.

É por isso que se brinca que um topologista não consegue distinguir entre uma xícara de café e uma rosquinha de donut.

É que, embora soe estranho, topologicamente uma xícara e o donut são iguais.

Mas, se é possível deformar um donut para transformá-lo em uma xícara e vice-versa, não há como deformar uma bola a ponto de transformá-la em um donut, porque não podemos criar o buraco em seu meio sem mudar as propriedades da esfera.

 

O problema

Poincaré chegou a conhecer todas as possíveis superfícies topológicas bidimensionais. Além disso, desenvolveu todas as formas possíveis nas quais poderia envolver esse universo bidimensional plano.

Mas o fato é que vivemos em um universo tridimensional. O que levou o matemático a se perguntar em 1904: quais são as formas possíveis que nosso Universo pode ter?

Ele morreu em 1912 sem conseguir encontrar as respostas. O problema se converteu na "conjectura (ou hipótese) de Poincaré" e ficou como legado para futuras gerações de matemáticos, que por décadas não conseguiram resolver o problema para superfícies 3D.

Assim, a hipótese de Poincaré foi incluída na lista dos sete problemas matemáticos do milênio, cuja resolução seria premiada com US$ 1 milhão pelo Instituto Clay de Matemáticas de Massachusetts, nos EUA.

Até que, em 2002, o site de internet arXiv publicou a primeira de três partes de um artigo com o intrincado título "A fórmula de entropia para o fluxo de Ricci e suas aplicações geométricas".

O texto tinha 39 páginas e era assinado por Grisha Perelman.

 

Pouco ortodoxo

Grigori "Grisha" Perelman vinha se debruçando sobre o tema em sua cidade natal, São Petersburgo, à qual havia regressado depois de viver alguns anos nos EUA. Segundo um colega, Perelman voltou porque percebeu que seu trabalho fluía melhor na Rússia.

Ele não era um desconhecido na comunidade matemática: em 1994, já havia provado a "conjectura da alma", segundo a qual pode-se deduzir as propriedades de um objeto matemático a partir de pequenas regiões desses objetos, chamados alma.

Depois disso, ele recebeu ofertas de cargos em algumas das principais universidades do mundo, como Stanford e Princeton, mas preferiu tornar-se pesquisador do Instituto Steklov, em São Petersburgo, um cargo que pagava menos de US$ 100 por mês.

Em sua temporada nos EUA havia conseguido, disse, dinheiro suficiente para viver bem.

Mas também conseguira avançar em uma dúvida levantada por um matemático americano que ele admirava: Richard Hamilton.

 

Fluxos que não fluíam

Em 1982, Hamilton havia publicado um artigo sobre uma equação chamada "fluxo de Ricci", com a qual se suspeitava ser possível comprovar a conjectura de Poincaré.

Mas a tarefa era extremamente técnica e sua execução, complicada.

Em 1993, Perelman havia aceitado uma bolsa de pesquisa na Universidade da Califórnia, em Berkeley, onde assistiu a várias conferências de Hamilton.

No final de uma delas, Hamilton explicou a Perelman os obstáculos que havia encontrado na tentativa de provar a conjectura; o russo respondeu que havia feito um estudo que poderia ajudá-lo nesses obstáculos. Hamilton, porém, não lhe deu muita atenção.

Dois anos mais tarde, Perelman voltou a escrever para Hamilton explicando suas ideias, mas o americano nunca respondeu.

Perelman acabou trabalhando sozinho, e em 2002 publicou na internet o resultado de seus esforços. Essa publicação acabou despertando um enorme interesse entre matemáticos.

 

A resolução

Embora o artigo sequer citasse Poincaré, quatro anos mais tarde emergiu o consenso de que Perelman havia, de fato, solucionado a conjectura.

E se quatro anos parecem ser um período longo, é bom lembrar que estamos falando da matemática.

À diferença de outros campos do conhecimento, em que as teorias sempre podem ser revisadas, a prova de um teorema é definitiva. No caso de Perelman, ao menos duas equipes de especialistas se debruçaram sobre seu artigo para confirmar que não havia brechas ou erros, e a partir disso produziram estudos de centenas de páginas (enquanto que o artigo original tinha meras 39 páginas).

Além disso, a proposta de Perelman era tão complexa que até especialistas tiveram dificuldade em entendê-la.

 

O silêncio do gênio

Depois de mais de um século de tentativas frustradas, a hipótese de um matemático brilhante havia sido comprovada por outro também genial, embora mais excêntrico.

Perelman recebeu nova chuva de ofertas - de prêmios, cargos, honras, pagamentos em dinheiro, convites para conferências e fundos de pesquisa -, as quais considerou, segundo relatos, profundamente ofensivas.

"A monetização do êxito é o máximo insulto à matemática", afirmou.

Consequentemente, rejeitou até mesmo a medalha Fields, equivalente matemático a um prêmio Nobel, por "suas contribuições à geometria e suas ideias revolucionárias"; um prêmio da Sociedade Matemática Europeia e o milhão de dólares que o Instituto Clay queria entregá-lo por solucionar um dos problemas do milênio.

"Se a teoria está correta, não necessita de outro tipo de reconhecimento", afirmou Perelman.

Ele logo deixou de falar com a imprensa, anunciou que pretendia abandonar a profissão e se aposentou, para viver com sua mãe como um semirrecluso em um modesto apartamento. Há relatos de que ele só sai de casa para comprar itens básicos ou para assistir à ópera e a concertos de música clássica.

"Não me interessa o dinheiro ou a fama. Não quero estar em exibição como um animal em um zoológico", disse certa vez.

Alguns conhecidos afirmam que ele se interessa simplesmente por demonstrar teoremas, e não por ganhar prêmios.

No mundo científico, muitos lamentaram que ele tenha abandonado a matemática por completo. A não ser que, em algum momento, ele surpreenda a comunidade com alguma outra publicação brilhante na internet.


 

PESQUISADORES DIVULGAM CARTA ABERTA EM DEFESA DA DIRETORIA DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA

Carta Aberta  

Nós, estudiosos e estudiosas dos temas populacionais e sociais no Brasil abaixo assinados, vimos a público externar nosso apoio incondicional ao movimento em defesa do Censo Demográfico de 2020 e da ação nessa direção da atual diretoria da Associação Brasileira de Estudos Populacionais que, de maneira coerente e responsável, juntamente com várias de suas co-irmãs, tem rejeitado os cortes no escopo temático  do Censo Demográfico, e a consequente deslegitimização do trabalho científico criterioso e de alta qualidade realizado pelo corpo técnico do IBGE. Ademais, consideramos que esta intervenção coloca em xeque a própria história e prática da instituição cuja tradição, reconhecimento e respeitabilidade na condução deste e de outros levantamentos estatísticos são amplamente reconhecidos internacionalmente.

Historicamente, a ABEP e a grande maioria dos pesquisadores e pesquisadoras usuário(a)s de dados (em particular a comunidade demográfica) sempre se posicionaram como grandes defensores do IBGE por considerá-lo não somente um patrimônio nacional na coordenação central do sistema estatístico brasileiro, mas também por ele manter sua autonomia, por primar pela sua qualidade e por ser portador de toda a expertise necessária para a produção com confiabilidade pública de dados relevantes e de qualidade sobre o país. Foi deste modo que ela se posicionou  em vários momentos, sendo um deles, em particular, muito parecido com o que vivemos hoje: o adiamento do Censo 1990 no governo Collor. Portanto, não há novidade e qualquer tipo de casuísmo que a ABEP esteja hoje na linha de frente em defesa dessa importante instituição. A ABEP sempre apoiou o IBGE e, em toda a sua história, reconheceu a excelência do trabalho do seu corpo técnico de servidores efetivos.

As manifestações do corpo técnico do IBGE sobre o processo que redundou no lançamento da campanha "Todos pelo Censo 2020" e culminou na renúncia de quatro coordenadores e um diretor de área, mostram que a intervenção atual na instituição se constitui em uma quebra unilateral do planejamento estabelecido pelas direções anteriores para a produção do Censo Demográfico 2020, que deverá comprometer a qualidade dos seus resultados.  O corpo técnico alerta que a responsabilidade pelas consequências futuras destes resultados não serão arcadas pela atual diretoria, mas por aqueles que fazem parte do quadro funcional permanente da instituição. O processo de ajuste vem sendo conduzido sem envolver, como historicamente sempre ocorreu, a comunidade demográfica nacional na discussão acerca do novo escopo temático que está sendo proposto para o levantamento censitário.  

É inaceitável o fato de que justamente aqueles que detêm o real conhecimento e controle sobre os processos estejam deles alijados e descontentes, situação que tem se traduzido em pedidos de exoneração por parte de coordenadores de áreas estratégicas na produção do levantamento.   Este comportamento é plenamente compreensível, uma vez que os cortes no escopo do Censo 2020 foram adotados e realizados pela Direção do IBGE sem sequer ouvir a equipe técnica da instituição. O novo escopo foi apresentado aos coordenadores de área, a posteriori, apenas para simples conhecimento. É preciso explicitar que a decisão de corte foi realizada com base em uma lista de temas, sendo inexistente, até o momento, um novo instrumento para coleta. A elaboração do questionário se fará à revelia do corpo técnico.  

O prejuízo em termos científicos e analíticos da retiradas de vários quesitos do Censo Demográfico é inconteste e fere o que no nosso entender deveria ser uma regra de ouro do processo: levar em conta as contribuições de especialistas das diferentes áreas (que não são somente demógrafos e demógrafas), manter a comparabilidade, e também auscultar novas tendências e aprender com a experiência de censos anteriores. Os técnicos do IBGE têm rebatido cada uma das justificativas para os cortes, inclusive aquela que foi adotada mais recentemente, ou seja, a da qualidade do levantamento. Além disso, eles têm demandado, ainda sem sucesso, que a Direção apresente uma avaliação criteriosa sobre as atividades mais custosas e com maiores dificuldades de execução.  

Os cortes de escopo do Censo Demográfico não têm sido conduzidos a partir de justificativas científicas, mas lastreados em um discurso genérico.  Não é demais lembrar que tal discurso tem se modificado ao longo do processo, que se inicia com o corte de custo determinado pelo Ministro Guedes, tendo sido depois negado pela atual Presidente do IBGE.  

Em particular, com relação à qualidade – hoje o grande discurso que justifica os cortes –, boa parte das justificativas apresentadas foi dura e objetivamente desconstruída pelos técnicos nos manifestos e cartas de renúncia divulgadas. Assim, ao contrário do que garante a nova presidente do IBGE e o seu Conselho Diretor, é amplo o pessimismo na comunidade científica com relação ao que esperar sobre a qualidade do Censo 2020, tendo em vista o clima de tensão vivido pelo corpo técnico e o descontrole sobre o cronograma de execução do Censo, em razão das mudanças impostas.  

Como usuários do Censo Demográfico e profundos conhecedores da seriedade e qualidade do corpo técnico dos servidores do IBGE que, mesmo claramente desfalcados por falta de reposição de funcionários, veio, nos últimos anos, realizando um belo trabalho para que pudéssemos ter um censo nos padrões que sempre destacaram o país no mundo, reafirmamos nosso total apoio aos colegas ibegeanos e, mais uma vez, enaltecemos a posição da diretoria da ABEP que, corajosamente e em conjunto com várias outras associações, tem demonstrado apoio para a manutenção do IBGE como uma das instituições-pilares da produção de dados isentos e de qualidade, em consonância com o primeiro dos Princípios Fundamentais das Estatísticas Oficiais aprovados pela Comissão de Estatística das Nações Unidas, da qual o IBGE é órgão associado.

Demógrafos, Demógrafas, estudiosos e estudiosas de População do Brasil

Junho de 2019

Obs: Caso queira fazer parte dos que subscrevem essa carta, acesse:

https://forms.gle/RjAKU2Lbfbse8rvG8


 

SE EMPRESAS BRASILEIRAS INOVASSEM, CRISE PODERIA SER REVERTIDA
Agência Fapesp, 17.06.2019

Interesse das empresas em inovar

A estagnação da produtividade da economia brasileira nos últimos anos se deve, entre outros fatores, à baixa atividade de inovação do setor industrial no país - assim como ao próprio encolhimento desse setor industrial, uma vez que o país passa por uma fase reconhecida de desindustrialização.

A fim de mudar esse quadro, é essencial que a iniciativa privada se interesse em incorporar as políticas e as práticas da inovação.

Esta é a avaliação dos participantes de um debate durante o 8º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria, evento promovido pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) e pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), em São Paulo.

"O Estado tem o papel importante de alavancar o investimento e o esforço do setor privado em inovação. Mas o protagonismo nessa seara é, fundamentalmente, da iniciativa privada," disse Carlos Américo Pacheco, da FAPESP. "Sem uma iniciativa forte do setor privado em inovar, as políticas públicas voltadas a fomentar essa atividade serão inócuas." disse Pacheco.

 

Tecnologias novas e já existentes

Segundo Jorge Almeida Guimarães, diretor-presidente da Emprapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), há 307 mil empresas classificadas como indústrias no Brasil, das quais 83% são pequenas empresas.

Se um número pequeno dessas empresas inovasse já seria possível, em poucos anos, sair da crise econômica em que o Brasil se encontra, estimou. "Estimular a inovação nas pequenas indústrias brasileiras representa um enorme desafio e custa caro. Precisamos de políticas públicas que facilitem esse processo," disse.

Políticas públicas de apoio à inovação deveriam ter foco não só a inovação disruptiva, baseada em pesquisa e desenvolvimento (P&D), mas também na inovação incremental, recomendou Igor Nazareth, subsecretário de inovação do Ministério da Economia: "A inovação organizacional e de processos, por exemplo, traz ganhos de produtividade para as indústrias".

Outra medida necessária é estimular a difusão de tecnologias existentes, como de internet das coisas (IoT), megadados, robótica avançada e inteligência artificial, que permitiriam ao setor industrial brasileiro se capacitar para atender às exigências da indústria 4.0 ou da manufatura avançada no país, ponderou Pacheco: "Ao olhar para o parque industrial do país vemos que há uma grande necessidade de difundir tecnologias existentes de modo a atualizá-lo. Parte das políticas públicas de inovação deve ter esse foco."

 

Torneirinha de incentivos

Os participantes lembraram das várias políticas públicas voltadas à inovação criadas no Brasil nos últimos 20 anos. Mas eles pedem mais.

Nesse período foram criadas, por exemplo, a Lei de Inovação, que trouxe uma série de avanços para aumentar a interação entre universidades e empresas em pesquisas e que estabeleceu incentivos fiscais para a inovação no setor industrial.

"O Brasil conta com inúmeros modelos inovadores de gestão da inovação e com instituições de ciência e tecnologia. Essa experimentação institucional contínua é fundamental para estabelecer um sistema de inovação saudável e produtivo no país," disse Cauam Ferreira Pedroso, pesquisador do Centro de Desempenho Industrial do MIT, dos Estados Unidos.

Um dos desafios na implementação de políticas públicas voltadas a estimular a inovação, porém, é garantir a segurança jurídica para as empresas fazerem investimentos nessa atividade, disse Paulo Alvim, secretário de empreendedorismo e inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC): "É fundamental o entendimento de que a inovação é um processo continuado. Não podemos ter processos espasmódicos, mas evolutivos, e que garantam o fluxo de recursos necessários para fortalecer a capacidade de inovação das empresas."

Outro desafio apontado por Pedroso é não tratar as políticas de inovação de forma isolada de outras, como as econômicas e sociais: "As políticas de inovação são transversais e influenciam as políticas econômicas e sociais. Nesse sentido, a agenda de políticas econômicas e sociais do Brasil está intimamente ligada à capacidade de implementação de uma agenda de inovação e crescimento estratégica."


 

ASSOCIAÇÃO DOS ENGENHEIROS DE PESCA DO ESTADO DE PERNAMBUCO (AEP PE) ENTREGA DOCUMENTO QUE REIVINDICA A POLITICA DA PESCA E AQUICULTURA PARA PERNAMBUCO

 A Associação dos Engenheiros de Pesca de Pernambuco entregou ao presidente da comissão de incentivo a política de desenvolvimento, deputado Waldemar Borges, documento que reivindica para o governo do Estado uma política de gestão da pesca e aquicultura para Pernambuco. O documento foi entregue no dia 18 de junho, no auditório do Instituto Agronômico de Pernambuco IPA, na ocasião do Seminário Estadual de Desenvolvimento da Aquicultura.

O Presidente da AEP PE e conselheiro do Crea PE Rodolfo Rangel, relata que o  documento construído com debate  da diretoria  que teve contribuições de excelentes profissionais e diretores de renome no cenário nacional, que vão deste do setor empresarial e setor público  que participaram como, ex-assessor de ministro,  ex- superintendente de Pernambuco do MPA, como dentre eles, o Dr. Sergio Mattos.

O documento historia, a atividade de Pesca e Aquicultura em Pernambuco e, propõe contribuições que permitam a unificação institucional da pesca e aquicultura no âmbito da Secretaria de Desenvolvimento Agrário com empoderamento da gestão em conjunto com o IPA e Prorural. Acima de tudo o documento busca um diálogo com o parlamento, com a gestão e com o setor pesqueiro e aquícola e formula es diversas contribuições contidas no documento.

Também reforça a necessidade de reaver a constituição de um fórum permanente  da pesca e aquicultura, com existia nos anos noventa pela gestão da Secretaria de Agricultura de Pernambuco, que aglutinava mais de 200 beneficiados da pesca e aquicultura.

Atualmente, o documento se encontra em fase de entrega ao parlamento de Pernambuco, e posteriormente, até o final do ano, será entregue ao poder legislativo, executivo e ao setor pesqueiro e aquícola.

Na próxima plenária o presidente da AEP PE e conselheiro do Crea PE e demais conselheiros Engenheiros de Pesca, André Melo, Jose Carlos Pacheco da Câmara de Agronomia do Crea PE farão a entrega do documento ao presidente do Crea PE, Evandro Alencar.

No final do ano, provavelmente, será constituída uma parceria com o Crea PE, MUTUA, SENGE e outros parceiros, para uma mesa redonda sobre a política da pesca e aquicultura de Pernambuco, com as participações das autoridades que receberem o documento da Associação dos Engenheiros de Pesca do Estado de Pernambuco.


 

LRICARDO SALLES E A MISSÃO DE IMPLODIR O MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE
Rodrigo Martins, Carta Capital, 18.06.2019

 

Ministro, ex-diretor da Sociedade Rural Brasileira e fundador do movimento Endireita Brasil, cumpre com louvor a missão dada por Bolsonaro

Desta vez, o vexame aconteceu longe de casa. Ricardo Salles cumpria agenda em Dubai, nos Emirados Árabes, quando se tornou pública a recusa dos governos da Alemanha e da Noruega de apoiarem as mudanças propostas pelo ministro do Meio Ambiente do Brasil no Fundo Amazônia, criado para financiar projetos que reduzam as emissões de gases de efeito estufa causadas pelo desmatamento na região. Dos quase 3,4 bilhões de reais captados, 99% provêm de doações dessas duas nações europeias. Antigo aliado dos ruralistas, Salles pretendia usar parte dos recursos para indenizar proprietários de terras desapropriadas na criação de unidades de conservação. Não sem antes acusar o BNDES de má gestão e falta de zelo na fiscalização dos contratos, o velho hábito de desdenhar do objeto de cobiça.

Em meados de maio, o ministro convocou uma coletiva de imprensa na sede do Ibama em São Paulo para anunciar, com estardalhaço, que a pasta havia analisado um quarto dos 103 projetos apoiados pelo fundo. Na ocasião, assegurou ter identificado “problemas em 100% dos contratos de ONGs”. Não especificou quais, tampouco comprovou as supostas irregularidades. Entre os indícios de “inconsistências”, pontuou Salles, haveria uma “absorção muito elevada” de gastos para pagamento de pessoal, entre 40% e 60% das verbas destinadas, como se fosse um robusto indício de fraude ou corrupção.

Bastou a palavra do ministro para o BNDES afastar a chefe do Departamento de Meio Ambiente, Daniela Baccas, responsável pela operação do Fundo Amazônia, mesmo após o Tribunal de Contas da União ter atestado, em auditoria realizada no ano passado, que os recursos “estão sendo utilizados de maneira adequada e contribuindo para os objetivos para o qual foi instituído”. Há tempos, Salles pressionava executivos do banco estatal para ter acesso aos contratos do fundo, alguns deles com dados confidenciais. Só recebeu a papelada após fazer uma solicitação formal.

Os financiadores europeus não caíram na conversa. Em carta endereçada a Salles e ao então ministro Santos Cruz, da Secretaria de Governo, os embaixadores Nils Gunneng, da Noruega, e Georg Witschel, da Alemanha, defenderam a competência do BNDES para gerir o fundo, constituído em 2008 para contribuir na preservação da floresta. “Nenhuma das auditorias financeiras ou de impacto realizadas descobriu quaisquer atos ilícitos ou má administração dos recursos”, diz o texto datado de 5 de junho, mas só revelado na terça-feira 11 pelo jornalista André Trigueiro, da TV Globo. “Na ausência de quaisquer mudanças acordadas na governança do Fundo Amazônia, esperamos, portanto, que o BNDES continue a administrar o fundo e a aprovar projetos em andamento, de acordo com os acordos e diretrizes existentes.”

 

“Podem se manifestar à vontade”.

 

Em casa, o revés foi mais ruidoso. Em 6 de junho, durante uma sessão solene do Senado em homenagem ao Dia Mundial do Meio Ambiente, Salles foi vaiado ao negar o desmonte do Ibama, responsável pela fiscalização de crimes ambientais, e do ICMBio, autarquia que cuida das unidades de conservação federais. “Podem se manifestar à vontade, o desmonte foi herdado de gestões anteriores. Quem recebeu a fragilidade orçamentária fui eu, quem recebeu déficit gigantesco de funcionários fui eu, quem recebeu frotas sucateadas e prédios abandonados fui eu”, disse. Ao sair da audiência, enfrentou outro protesto puxado por ambientalistas e indígenas, a repetir aos brados: “Fujão! Fujão!”.

Autuado por pesca ilegal no litoral fluminense, seu chefe, Jair Bolsonaro, prometeu em campanha acabar com a “indústria das multas” ambientais. Eleito, chegou a anunciar a extinção do Ministério do Meio Ambiente, que teria a estrutura incorporada pela pasta da Agricultura. Até mesmo representantes do agronegócio manifestaram-se contra a iniciativa, que poderia resultar em barreiras comerciais aos produtos brasileiros. A nomeação de Salles permitiu-lhe manter o projeto inicial, de forma sorrateira e talvez até mais efetiva.

A pretexto de combater o “arcabouço ideológico”, o ministro militarizou o Ibama e o ICMBio

Ex-diretor da Sociedade Rural Brasileira e fundador do movimento Endireita Brasil, o advogado foi secretário particular do tucano Geraldo Alckmin e chegou a chefiar a pasta do Meio Ambiente no governo paulista, mas terminou a sua gestão com um rumoroso processo por improbidade administrativa. Filiado ao partido Novo, disputou uma vaga na Câmara Federal com o número “3006”, peculiar homenagem a um tipo de munição para fuzis. Em peças de propaganda, sugeriu o uso das balas “contra a praga do javali” e “contra a esquerda e o MST”.

No processo por improbidade, Salles foi acusado de adulterar mapas e a minuta do decreto do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental Várzea do Rio Tietê, em benefício de empresas de mineração filiadas à Fiesp. Segundo um laudo técnico do Ministério Público, as mudanças trazem graves prejuízos ambientais, como impermeabilização do solo resultante da instalação de novas indústrias e a contaminação da água e do solo por agroquímicos. Em dezembro, ele foi condenado ao pagamento de multa e à suspensão dos direitos políticos por três anos. Desde então, recorre da decisão.

Não foi a primeira estripulia do então secretário. Em 2017, Salles foi alvo de outra investigação do MP paulista por tentar vender o prédio do Instituto Geológico para um amigo. Apesar de ter sido alertado por parecer contrário da própria Consultoria Jurídica da Secretaria do Meio Ambiente, apontando “risco inaceitável” para o patrimônio público, ele deu prosseguimento à oferta de uma imobiliária, que ofereceu 5 milhões de reais em 36 parcelas. O caso foi revelado por Maurício Tuffani, editor do site Direto da Ciência, que teve acesso a documentos da transação por meio da Lei de Acesso à Informação. À época, Salles reconheceu a amizade com o empresário que fez a oferta, mas negou qualquer favorecimento. O negócio foi cancelado após parecer contrário da Procuradoria- Geral do Estado e o inquérito, arquivado.

Em maio, a devastação bateu recorde na Amazônia. Prenúncio dos novos tempos?

Agora Salles faz de tudo para agradar ao novo chefe. Logo nos primeiros dias do ano, a multa de 10 mil reais por pesca irregular aplicada a Bolsonaro foi anulada, fato que levou o Ministério Público Federal a instaurar um inquérito civil para apurar o caso. O servidor que lavrou a infração acabou exonerado pouco depois. A quantidade de multas aplicadas pelo Ibama por crimes ambientais no primeiro bimestre de 2019 foi a menor desde 1995. Foram 1.139 autuações, redução de 28% em relação ao mesmo período do ano anterior. No ICMBio, o volume de autuações no primeiro trimestre de 2019 despencou 35%.

Para acabar com o “arcabouço ideológico” do setor, o ministro decidiu militarizar as diretorias dos dois órgãos, além de anunciar a intenção de contratar PMs de folga para fiscalizar unidades de conservação federais. Desde o início do ano, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) emitiu mais de 4 mil alertas de desmatamento, mas o Ibama só conseguiu atuar em 20% deles, denuncia o Sindicato Nacional dos Servidores Públicos Federais da Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial.

O cenário é preocupante. Em maio, a devastação na Amazônia bateu novo recorde. Foram derrubados 739 quilômetros quadrados de floresta, o equivalente a dois campos de futebol por minuto, segundo cálculos do Observatório do Clima, com base em dados do Inpe. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o aumento foi de 34%. Embora o intervalo de um mês seja curto para apontar uma tendência, os indicadores de maio alarmam os especialistas por ser o primeiro após o período de chuvas, quando as queimadas na região são retomadas.

A Alemanha e a Noruega reagem à ideia de usar o Fundo Amazônia para indenizar donos de terras desapropriadas

“Na verdade, o desmatamento está crescendo desde 2012. A grande questão é se o ritmo acelerou ou não. Teremos dados mais confiáveis nos próximos meses, mas é inegável que a redução das atividades de fiscalização, bem como esse perigoso discurso de ‘indústria da multa’, servem de estímulo aos desmatadores”, alerta Carlos Souza Jr., pesquisador do Imazon, com Ph.D. em Geografia pela Universidade da Califórnia. Entre agosto de 2018 e abril de 2019, foram perdidos 2.169 quilômetros quadrados de floresta, alta de 20% em relação ao ano anterior, segundo o sistema de alertas do Imazon.

Salles prefere punir o mensageiro. Há tempos afirma que o monitoramento do Inpe é impreciso e não permite distinguir o que é desmatamento legal ou ilegal. O instituto, por sua vez, esclarece que seus sistemas possuem 95% de precisão. De acordo com uma recente reportagem da Folha de S. Paulo, o ministro cogitava trocar o Inpe por uma empresa privada de geoprocessamento, a paulista Santiago & Cintra, representante da americana Planet, para produzir imagens com resolução superior.

Depois, o Ministério do Meio Ambiente divulgou uma nota, informando que não pretende substituir o Inpe, e sim agregar informações da MapBiomas, que tem acordos de cooperação com a pasta e o Ibama e fornece gratuitamente as imagens de alta resolução. “Fornecemos de graça esses dados ao governo. Se for para ter a Planet no monitoramento florestal, não faz sentido contratar”, afirma Tasso Azevedo, coordenador da entidade.

O candidato que prometeu usar balas de fuzil “contra a praga do javali” e “contra a esquerda” agora combate a “indústria da multa”

Não bastasse, o governo federal tem um plano de reduzir 60 unidades de conservação ambiental, onde existem estradas, ferrovias e aeroportos. Entre as unidades ameaçadas, figuram os parques nacionais Serra da Bocaina (SP), Serra dos Órgãos (RJ) e Mapinguari (RO), informa o Estado de S. Paulo, que teve acesso ao plano traçado pelo Ministério de Infraestrutura.

Salles parece concordar com as mudanças, propostas para eliminar “interferências” e dar “segurança jurídica” aos equipamentos. Por meio de nota, o Ministério do Meio Ambiente diz “buscar a solução para uma situação jurídica conflituosa que envolve os empreendimentos de infraestrutura existentes no País e as unidades de conservação”. Trata-se de um argumento muito semelhante ao usado pelo ministro para defender o uso de recursos do Fundo Amazônia para pagar indenizações aos proprietários de terras desapropriadas.

“Salles está no lugar certo”, afirmou Bolsonaro, sem esconder a satisfação em um evento promovido pela Fiesp na quarta-feira 12. “Consegue fazer o casamento do meio ambiente com a produção. Eu falei para ele: ‘Mete a foice em todo mundo no Ibama’. Não quero xiita.” Aparentemente, o ministro cumpre a missão com louvor.


 

O PSB PEDIU AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF) PARA SUSPENDER MEDIDA PROVISÓRIA QUE MUDA O CÓDIGO FLORESTAL
Luiz Felipe Barbiéri, Mariana Oliveira, Rosanne D’Agostino, G1 e TV Globo, 17.06.2019

MP foi assinada por Temer, mas perdeu validade e foi reeditada por Bolsonaro. Relator do caso é o ministro Marco Aurélio, que poderá tomar decisão sozinho ou submeter tema ao plenário.

O PSB pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender a medida provisória editada pelo presidente Jair Bolsonaro que muda regras do Código Florestal. O pedido foi apresentado na última sexta (14).

A MP foi assinada inicialmente no governo Michel Temer, mas perdeu validade por não ter sido aprovada a tempo pelo Congresso Nacional.

Entre outros pontos, o texto editado por Bolsonaro acaba com o prazo para as propriedades rurais serem inscritas no Cadastro Ambiental Rural (CAR).

O relator do caso é o ministro Marco Aurélio Mello. Ele pode sozinho atender ou negar o pedido ou submeter o tema ao plenário do tribunal, formado por mais dez ministros.

 

Argumentos

Na ação, o PSB argumenta que a edição da nova medida provisória é inconstitucional e configura "interferência indevida" no que chama de "poder de agenda do Congresso Nacional".

"Dessa forma, reeditar um texto normativo que o parlamento inequivocamente decidiu pela perda de eficácia por decurso de prazo consiste em abuso do exercício da competência legislativa atípica atribuída pela Constituição Federal ao chefe do Poder Executivo", afirma o partido.

O PSB diz ainda que a medida provisória diminui a proteção a um "meio ambiente devidamente equilibrado" e promove alterações que só poderiam ser feitas por lei.

A partir do pedido do PSB, Marco Aurélio poderá solicitar a manifestação do Ministério Público e da Advocacia Geral da União, por exemplo.

 

Regularização

Na prática, a medida provisória acabou com o prazo específico para donos de propriedades rurais regularizarem os imóveis conforme a lei ambiental, se adequando ao Programa de Regularização Ambiental (PRA).

Na prática, os proprietários rurais não têm chance de serem multados ou perder benefícios como linhas de crédito.

No novo texto, a MP determina agora apenas que "a inscrição no CAR será obrigatória para todas as propriedades e posses rurais." Não há referência a prazos.

Antes de Bolsonaro assinar a MP, estava em vigor a medida provisória 867, assinada por Temer, que adiava até 31 de dezembro de 2019 o prazo para a regularização. Essa MP perdeu validade.

 

Senadores contestam nova MP

A medida de Bolsonaro também é contestada em outra ação, apresentada no sábado (15) pelos senadores Fabiano Contarato (Rede-ES) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP). A relatora é a ministra Cármen Lúcia.

Os parlamentares afirmam que a reedição da medida provisória mostra que houve "condução ilegal do processo legislativo".


 

Prof. Marcos Antonio Lucena - Secretário Regional

Profa. Rejane Mansur Nogueira - Secretária Adjunta

 

José Antônio Aleixo da Silva (Editor)
Professor titular da DCFL/UFRPE
Conselheiro da SBPC

Matheus Santos Veras
Designer do Jornal

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