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Jornal Eletrônico da SBPC/PE #2 Ano: 3

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Notícias:

SBPC/PE INTESIFICA PREPARATIVOS PARA O PRIMEIRO SEMINÁRIO TEMÁTICO: “POLÍTICAS PÚBLICAS DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO PARA O BRASIL QUE QUEREMOS”

FACEPE LANÇA EDITAL DE APOIO À DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

QUEM SERÁ O INTERVENTOR DA EDUCAÇÃO?
Isaac Roitman*, Política Brasileira, 21.03.2018

POPULARIZAR A CIÊNCIA É ESSENCIAL NUMA ERA QUE TODO MUNDO É EXPERT
Felipe Corazza, #Carta. Ideias em tempo real, 28.03.2018

COMO O DESERTO DO SAARA PARTICIPA DO REGIME DE CHUVAS DA AMAZÔNIA, A 5 MIL KM DE DISTÂNCIA
Evanildo da Silveira, BBC Brasil, 19.03.2018

DIA MUNDIAL DA ÁGUA: EFEITOS DO NOVO CÓDIGO FLORESTAL PIORAM A QUALIDADE DA ÁGUA
Cida de Oliveira, RBA, 22.03.2018

MADEIREIRAS "INVENTAM" ÁRVORES PARA CONTINUAREM A DESMATAR A AMAZÔNIA
Revista Galileu, 22.03.2018

IPT TERÁ LABORATÓRIO PARA TESTAR SOLUÇÕES PARA CIDADES INTELIGENTES
Agência Fapesp, 20.03.2018

BIG BANG É CIÊNCIA OU DOGMA CIENTÍFICO?
Site Inovação Tecnológica, 23.03.2018

TECNOLOGIAS DE LEITURA DA MENTE: A FRONTEIRA FINAL DA PRIVACIDADE
New Scientist, 23.03.2018

CORPO EM UM CHIP SUBSTITUI COBAIAS EM TESTES DE MEDICAMENTOS
Diário da Saúde, 23.03.2018

A NOTÍCIA DO LANÇAMENTO NA INTERNET DA WDL, A BIBLIOTECA DIGITAL MUNDIAL. QUE PRESENTE DA UNESCO PARA A HUMANIDADE INTEIRA!!!

LENTES MÓVEIS DE SILÍCIO PERMITEM VER DENTRO DE ROCHAS
Redação do Site Inovação Tecnológica - 26/03/2018

BRAZIL’S HIGH COURT UPHOLDS ‘RISKY’ FOREST CODE
Rodrigo de Oliveira Andrade, SciDevNet,

NASA ANNOUNCES MORE DELAYS FOR GIANT SPACE TELESCOPE
Daniel Clery*, News from Science, 27.03.2018

 


 

SBPC/PE INTESIFICA PREPARATIVOS PARA O PRIMEIRO SEMINÁRIO TEMÁTICO: “POLÍTICAS PÚBLICAS DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO PARA O BRASIL QUE QUEREMOS”

O seminário ocorrerá durante todo o dia 13 de abril, no auditório da Fiocruz, Campus da UFPE, e faz parte de uma série de seminários que a SBPC vai realizar em todo o Brasil, coletando demandas da comunidade científica e tecnológica para encaminhar aos candidatos à presidência da república.

Já confirmaram presenças como palestrantes e painelistas: Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Sérgio Machado Rezende (ex-ministro de C&T), Helena Bonciani Nader (ex-presidente da SBPC), Sidarta Ribeiro (vice-diretor do Instituto do Cérebro/UFRN), Francilene Garcia (presidente do CONSECTI), Abraham Benzaquen Sicsú (presidente da FACEPE), Celina Turchi (pesquisadora da FIOCRUZ) e Luciana Santos (deputada federal). 

Serão tratados os seguintes temas: Desafios da ciência, tecnologia e inovação no Brasil; Inovação e Ciência; CT&I nos Estados; Pesquisa básica e Ciência e atuação no Parlamento.

Ao termino do evento será um documento (Carta de Pernambuco) com as demandas e os resultados do encontro.

Assim que a programação estiver fechada enviaremos detalhes.

O evento será aberto ao público em geral, e terá certificado de participação.

 


 

FACEPE LANÇA EDITAL DE APOIO À DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

 

A FACEPE lança o Edital FACEPE 04/2018 – Apoio à Divulgação Científica que objetiva “Apoiar projetos para realização de exposições científicas interativas, experimentos e/ou kits educacionais e produções audiovisuais para divulgação científica”.

As escolas públicas, departamentos ou cursos regulares das Instituições de Ensino Superior (IES), sem fins lucrativos, e das Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) de Pernambuco podem apresentar propostas de projetos para elaborar exposições científicas interativas, experimentos e/ou kits educacionais e produções audiovisuais para divulgação científica nos termos estabelecidos e em conformidade com o REGULAMENTO do Edital.

As propostas aprovadas serão financiadas com recursos não reembolsáveis no montante global de até R$ 550.000,00 (quinhentos e cinquenta mil reais) distribuídas em 3 categorias:

   Categoria A – Exposições Científicas Interativas -  no total de R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais)

     a)  Até 3 (três) propostas de até R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais)
     b)  Até 10 (dez) propostas de até R$ 10.000,00 (dez mil reais)

   Categoria B – Experimentos e/ou Kits Educacionais – no total de R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais)

     a) Até 20 (vinte) propostas de até R$ 5.000,00 (cinco mil reais)
     b) Até 5 (cinco) propostas de até R$ 10.000,00 (dez mil reais)

   Categoria C – Produções Audiovisuais – no total de R$ 100.000,00 (cem mil reais)

     a) Até 2 (duas) propostas de até R$ 40.000,00 (quarenta mil reais)
     b) Até 2 (duas) propostas de até R$ 10.000,00 (dez mil reais)

As propostas devem ser submetidas à FACEPE até o dia 01 de maio de 2018, via internet, através dos seguintes passos:

  •  Acessar o AgilFAP com seu login e senha (http://agil.facepe.br/);
  •  Escolher, na aba Formulários, o item “Bolsas e Auxílios”;
  •  Indicar, na aba Auxílios, a modalidade “APQ – Projeto de Pesquisa”;
  •  Selecionar, em Natureza da solicitação, a opção “Editais” e, em Editais vigentes, a opção “Edital 04/2018 – Divulgação Científica”.

O proponente deve anexar no formulário do AgilFAP, além do CV Lattes e da proposta, a carta de anuência da Instituição e uma declaração de vínculo com a Instituição.

Acesse o Edital.

 


 

QUEM SERÁ O INTERVENTOR DA EDUCAÇÃO?

Isaac Roitman*, Política Brasileira, 21.03.2018

 

 

Isaac Roitman

                                                                                        

A intervenção no Rio de Janeiro justificada para restaurar a segurança pública é a bola da vez. A segurança pública implica que os cidadãos possam conviver em paz e harmonia, onde cada um respeita os direitos individuais do outro. O Estado deve garantir a segurança pública. Nesse contexto é importante refletir sobre as causas da criminalidade. Segundo os especialistas a criminalidade é multicausal envolvendo a educação, a desigualdade social, o desemprego, política de drogas, entre outras. Penso ser importante considerar a educação como a principal vacina contra a criminalidade.

Educação

A educação tem o poder de moldar as atitudes. Ela é um processo contínuo de desenvolvimento de habilidades físicas, intelectuais e morais do ser humano, a fim de melhor se integrar na sociedade. No sentido mais amplo, educar é socializar, é transmitir os hábitos que capacitam o indivíduo ter um convívio social civilizado. A Constituição Federal em seu artigo 205 estabelece: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Uma pergunta emerge: o Estado brasileiro cumpre esse preceito constitucional? A resposta é não.

A educação brasileira, notadamente o ensino básico (primeira infância, infantil, fundamental e médio) é deficiente produzindo um número grande de analfabetos totais e funcionais. Além disso a promoção de virtudes é incipiente. As ferramentas pedagógicas utilizadas estão superadas. É preciso considerar que o conhecimento hoje é acessível e as informações mais rápidas. Os estudantes estão cada vez mais autônomos e conectados e as novas tecnologias e as mídias sócias estão revolucionando a forma de ensinar e aprender. Uma escola contemporânea deve ser atrativa onde os estudantes estejam engajados e motivados com professores bem formados, dedicados e valorizados. As novas tecnologias, particularmente os dispositivos móveis e a internet devem ser coadjuvantes do ensino-aprendizagem.

A escola e o ambiente familiar devem ser um cenário permanente onde o pensamento é exercitado e onde os valores e virtudes são consolidados. Ela deve estimular os estudantes para alçarem voos e conquistar seus sonhos. Nesse contexto é pertinente lembrar o pensamento de nosso saudoso Rubem Alves:

“Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado”.

Intervenção na educação

Há 36 anos em 1982 Darcy Ribeiro assim se expressou: “Se os governantes não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios”. Esse alerta não foi escutado. É hora de combatermos a criminalidade pela raiz. É hora de fazermos uma intervenção na educação brasileira. Essa intervenção deve ser coletiva e dela deverão participar toda a sociedade e particularmente todos os Professores, todos os estudantes e todas as famílias. É pertinente lembrar o pensamento de Immanuel Kant:É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade”

*Isaac Roitman, Doutor em Microbiologia, professor emérito e coordenador do Núcleo do Futuro da UnB. Pesquisador emérito do CNPq.

 


 

POPULARIZAR A CIÊNCIA É ESSENCIAL NUMA ERA QUE TODO MUNDO É EXPERT

Felipe Corazza, #Carta. Ideias em tempo real, 28.03.2018

Físico brasileiro comenta legado de Stephen Hawking e defende que tarefa de filtrar boa e má informação online é crucial

 

Para o brasileiro Marcelo Gleiser, físico, professor e diretor de instituto na Universidade Dartmouth, nos Estados Unidos, e ele próprio um divulgador da ciência com livros e palestras, a popularização da ciência é crucial para estes tempos em que "todo mundo é expert" em tudo. "A ideia de que um cientista não pode ser, também, um intelectual público é extremamente antiquada."


Gleiser também tem uma visão menos pessimista sobre movimentos que ganharam força recentemente na internet, como os crentes da "Terra plana" e outras excentricidades do gênero. "Sempre existiram, só que não tínhamos tanto conhecimento deles antes da internet." O caminho para equilibrar o jogo, insiste, é manter viva a ideia do cientista como um incentivador do contato do grande público com os avanços do conhecimento.

 

Ainda sobre misticismo, quando Hawking morreu, milhares de usuários de redes sociais prestaram sua homenagem ao físico lembrando o fato de que ele se foi em 14 de março, data de nascimento de Albert Einstein. Ou, ainda, que seu nascimento ocorreu exatamente 300 anos após a morte de Galileu Galilei. "Tenho certeza que Hawking adoraria esse vínculo com dois dos maiores cientistas da história. Quem não gostaria? Por outro lado, imagino que atribuiria isso tudo a meras coincidências, com nenhum significado mais profundo", avalia Gleiser.

Leia a íntegra da entrevista:

CartaCapital: Na sua opinião, quais foram as maiores contribuições de Stephen Hawking para a Física e para a ciência como um todo?

Marcelo Gleiser: Hawking fez suas contribuições mais importantes em duas áreas relacionadas: a física dos buracos negros e a origem do universo. No caso dos buracos negros, foi ele o primeiro a propor que os buracos negros podem “evaporar”, isto é, perder gradualmente sua massa através da criação de partículas na sua vizinhança.

 

Este resultado abriu as portas para a tentativa de juntar a física quântica com a física gravitacional, um dos desafios ainda abertos da física moderna. No caso da origem do universo, Hawking propôs, juntamente com James Hartle da Universidade da Califórnia, um modelo em que o universo surge de um processo espontâneo, quântico, sem a ação de uma causa inicial. Com isso, tentou eliminar a questão religiosa da origem cósmica, algo que não me parece que a ciência pode fazer.

 
CC: Hawking lançou seu “Uma Breve História do Tempo” em 1988, ano em que a Nasa retomava seu programa de ônibus espaciais, e morreu 30 anos depois, quando espalham-se na internet coisas como o “movimento da Terra plana”. As coisas pioraram?
MG: Espero que não. As pessoas que seguem coisas como Terra plana e criacionismo sempre existiram, só que não tínhamos tanto conhecimento deles antes da internet. Mas existe, sim, o problema de como filtrar boa informação de má informação nas redes. Esse é um desafio da educação moderna. Acho que o Hawking, e outros cientistas que, como eu, dedicam parte de seu tempo à divulgação fazem isso na expectativa de melhorar essa situação, inspirando pessoas a se relacionar com as descobertas da ciência.

 
CC: Hawking foi uma figura extremamente popular entre o público não especializado. Como essa imagem era vista pela comunidade científica na área da Física? Essa popularidade era algo benéfico para a área ou trazia problemas?

MG: Nunca trouxe problemas, ao menos nas últimas três décadas. A ideia de que um cientista não pode ser, também, um intelectual público é extremamente antiquada. Na verdade, muitos dos grandes cientistas da história foram intelectuais públicos, incluindo Galileu, Einstein, Feynman dentre muitos outros. A comunidade científica, hoje, vê, essa atividade como essencial, dados os desafios encontrados pela credibilidade na ciência numa era em que “todo mundo” é expert em tudo.

 
CC: Em 2010, o sr. publicou na Folha de S.Paulo um texto crítico ao livro O Grandioso Design, afirmando ser lamentável que um físico como Hawking se prestasse a divulgar teorias especulativas como quase concluídas. Até onde a tentativa de popularizar alguns temas científicos pode levar a esse tipo de problema?

MG: Isso realmente é um problema, e, infelizmente, nessa área Hawking cometeu alguns erros sérios - como, por exemplo, afirmar, com convicção, que a ciência resolveu a questão da criação do universo. Estamos longe disso, o que temos são modelos incompletos, simplificados e não testados que moram ainda no mundo das hipóteses.

 

E, mesmo se testados, não respondem a todas as perguntas, como explico em alguns de meus livros como A Ilha do Conhecimento, A Dança do Universo e A Simples Beleza do Inesperado. Popularizar a ciência não significa que ela deva ser apresentada com sendo capaz de responder a todas as perguntas. Isso é querer transformar a ciência em religião, algo de muito perigoso.
 
CC: Numa entrevista recente, Hawking afirmou temer o desenvolvimento da Inteligência Artificial. Não é um contrassenso para quem defendia, paralelamente, que a única escapatória para a humanidade seria expandir seus horizontes e, futuramente, até deixar o planeta Terra?

MG: São questões diferentes. A inteligência artificial pode, em princípio, ameaçar nossa existência como espécie - por exemplo, se máquinas tornarem-se mais inteligentes do que nós, como garantir que não nos eliminarão? Esse é o medo de Hawking, e de vários outros. Deixar o planeta Terra pode ser algo que usará inteligência artificial mas é uma expansão da nossa existência e não ameaça de sua eliminação. Essa é a distinção que Hawking fez.
 
CC: Após a notícia da morte, mensagens se espalharam em redes sociais lembrando que Hawking morreu na mesma data em que nasceu Albert Einstein. Outros lembraram que ele nasceu “300 anos depois da morte de Galileu”.  Como o sr. Imagina que ele próprio reagiria a esse tipo de “homenagem” baseada em coincidências de datas?

MG: E lembre que ele e Einstein morreram aos 76! Tenho certeza que Hawking adoraria esse vínculo com dois dos maiores cientistas da história; quem não gostaria? Por outro lado, imagino que atribuiria isso tudo a meras coincidências, com nenhum significado mais profundo.

 


 

COMO O DESERTO DO SAARA PARTICIPA DO REGIME DE CHUVAS DA AMAZÔNIA, A 5 MIL KM DE DISTÂNCIA

Evanildo da Silveira, BBC Brasil, 19.03.2018

Pouco mais de 5,3 mil km e o Oceano Atlântico separam as cidades de Manaus (AM) e Nouakchott, a capital da Mauritânia, no deserto do Saara. Apesar da distância, o deserto do norte da África e a floresta amazônica têm uma relação mais estreita do que senso comum nos leva a acreditar.

 

Nuvens de poeira e de vapor d'água sobre o deserto do Saara | Foto: Nasa Earth Observatory

Tão inesperado quanto esta ligação é o fato de ser o deserto que beneficia a mata, e não o contrário - sendo responsável pela maior parte das chuvas torrenciais que caem sobre a região, mantendo sua exuberância e biodiversidade. Além de enviar toneladas de nutrientes para sua vegetação, como o fósforo.

 Os "núcleos de condensação", a parte da nuvem em que o vapor de água se condensa, são formados, entre outros elementos, por partículas em suspensão no ar - poeira, por exemplo. No caso da floresta amazônica, uma parcela desses aerossóis é proveniente do Saara.

"Este fenômeno de transporte ocorre principalmente na parte norte da Amazônia, mas já foi registrado também na área central da região, como, por exemplo, ao sul de Manaus", explica o físico Paulo Artaxo, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP).

Ele é um dos integrantes de uma equipe de pesquisadores do Brasil, dos Estados Unidos e da Alemanha que vem desenvolvendo, há uma década, um trabalho que levou à descoberta de que a poeira do deserto ajuda a formar nuvens sobre a Amazônia Central, onde se localiza Manaus, que são responsáveis por cerca de 80% das chuvas que caem na região.

 

Representação artística da camada de poeira na atmosfera da Terra | Imagem: Nasa Goddard's Visualization Studio

Mas como o deserto cria precipitações a milhares de quilômetros de distância?

Segundo Artaxo, o fenômeno ocorre todos os anos. Ele começa com as tempestades no Saara, que levantam toneladas de poeira e areia. Esse material é transportado de lá, por cima do Oceano Atlântico, até a floresta amazônica, numa distância mínima de pelo menos 5 mil km - entre a parte mais ocidental do deserto e Manaus. "Isso ocorre de fevereiro a maio, pois, nesta época, a chamada Zona de Convergência Intertropical (ITCZ, na sigla em inglês), fica ao sul de Manaus, favorecendo o transporte de massas de ar do hemisfério Norte para a Amazônia Central", explica Artaxo.

Ele diz que, para que haja chuva, são necessários três ingredientes básicos: vapor de água, condições termodinâmicas ideais e as partículas que servirão de meio para que o vapor possa se condensar. "Os grãos de poeira do Saara, que também podem ser chamados de aerossóis, operam como uma destas partículas em que o vapor de água se condensa", explica Artaxo, mencionando a hipótese mais aceita para a explicação do fenômeno.

"Ou seja, eles atuam como núcleos de condensação de gelo, fazendo com que gotas líquidas, ao atingirem altas altitudes e temperaturas menores que 10ºC negativos, congelem e formem gotas de gelo, que são eficientes no processo de formação de chuva na Amazônia."

Artaxo conta que as medidas da concentração de partículas do Saara foram feitas na Amazon Tall Tower Observatory (ATTO), ou Torre Alta de Observação da Amazônia, com 325 metros altura, o equivalente a um prédio de 80 andares. Erguida na reserva ambiental do Uatumã, no município de São Sebastião do Uatumã, a cerca de 180 km de Manaus, é a maior torre de monitoramento ambiental e atmosférico do mundo. O objetivo dela é coletar dados sobre a interação entre a vegetação e atmosfera.

Teste químico

Para testar sua hipótese, os pesquisadores realizaram experimentos em laboratório. Parte das partículas coletadas na torre ATTO foi injetada em uma câmara, na qual é possível simular a formação das nuvens convectivas - nuvens com grandes altitudes verticais, que podem chegar a 15 km da base ao topo, responsáveis chuvas torrenciais e rápidas.

 

Foto de satélite mostra a onda de poeira se deslocando a partir da costa do norte da África | Foto: Nasa

Segundo Artaxo, essa câmara reproduz as condições da atmosfera a até 18 km acima do solo, onde prevalecem as baixas pressões e temperaturas - de até 70ºC negativos. Na natureza, é num ambiente parecido que se formam as nuvens convectivas.

A certeza de que a poeira encontrada no local vem do Saara e não de um terreno próximo à torre é dada pela sua composição química, mais especificamente, pela presença e proporção de alguns elementos, como alumínio, manganês, ferro e silício. De acordo com Artaxo, a quantidade desses elementos nas partículas coletadas na Amazônia é igual a encontrada na poeira do Saara. "Além disso, há a correlação entre a presença desses aerossóis e o movimento das massas de ar", diz. "Isso prova que eles vieram mesmo do deserto africano."

Os cientistas ainda não têm 100% de certeza sobre o mecanismo pelo qual os aerossóis do Saara ajudam a formar as nuvens e, por consequência, as chuvas que caem torrencialmente na região. A hipótese mais provável é que o ferro, presente na poeira do deserto, pode funcionar como um suporte, sobre o qual o vapor d'água se condensa, formando núcleos de gelo, que depois se transformam em gotas de chuva.

Fertilizante natural

Não são apenas simples grãos de poeira, entretanto, que o Saara manda para a Amazônia.

Em 2015, a Nasa, a agência espacial americana, divulgou um estudo segundo o qual todos os anos o deserto envia, junto com o pó, 22 mil toneladas de fósforo, nutriente encontrado em fertilizantes comerciais e essencial para o crescimento da floresta. É quase a mesma quantidade que a mata produz, com a decomposição das árvores caídas e, em seguida, perde com as chuvas e inundações.Segundo o levantamento da Nasa, todos os anos 182 milhões de toneladas de poeira - mais ou menos o equivalente a 690 mil de caminhões de areia - saem do Saara para as Américas do Sul e Central. Desse total, cerca de 28 milhões de toneladas - ou 105 mil caminhões - caem na Bacia Amazônica, e, junto com elas, o fósforo.

 

Mais de 5 mil km separam a borda do deserto da floresta amazônica | Imagem: Reprodução/Google Maps

A poeira mais rica em fósforo vem da depressão de Bodélé, no Chade, que é um antigo leito de lago, hoje seco.

Devido a sua geografia, o local é atingido por constantes e gigantescas tempestades, que levantam a areia, que depois é transportado para o outro lado do Oceano Atlântico. A descoberta é parte de uma pesquisa maior para compreender o papel da poeira e dos aerossóis no meio ambiente, no clima local e global.

Os pesquisadores da equipe da qual Artaxo faz parte estão agora empenhados em descobrir se o aquecimento global pode interferir no fenômeno do transporte de poeira do Saara para a Amazônia e, consequentemente, na formação e no volume de chuva na região da floresta brasileira.

"Um dos efeitos do aquecimento global é mudar a dinâmica da atmosfera, e o transporte em larga escala", diz. "Isso pode, sim, afetar o transporte de partículas do Saara para a Amazônia, pois toda a dinâmica atmosférica pode ser alterada". Mas são necessários mais estudos para saber como isso ocorrerá.

 


 

DIA MUNDIAL DA ÁGUA: EFEITOS DO NOVO CÓDIGO FLORESTAL PIORAM A QUALIDADE DA ÁGUA

Cida de Oliveira, RBA, 22.03.2018

Estudo da Fundação SOS Mata Atlântica mostra que impactos do clima e da desproteção de matas ciliares afetam as bacias, o que reforça a relação entre a cobertura florestal e os recursos hídricos

 

REPRODUÇÃO/CBHRSF

As matas ciliares recobrem as margens, protegendo os cursos d’água do assoreamento, da obstrução pelo aumento do volume da terra e outros sedimentos levados pela correnteza

Brasília – Escassez, contaminação, privatização, privação de acesso aos mais pobres. No Dia Mundial da Água, celebrado nesta quinta-feira (22), mais uma má notícia: O novo Código Florestal (Lei 12.651/12), em vigor desde maio de 2012, que reduziu a proteção das matas ciliares ao possibilitar anistia em caso de desmatamento das encostas, já mostra seus efeitos nefastos sobre as bacias hidrográficas. O estudo Observando os Rios 2018 – o Retrato da Qualidade da Água nas Bacias da Mata Atlântica, divulgado ontem (21) pela Fundação SOS Mata Atlântica durante o 8º Fórum Mundial da Água, em Brasília, indica que a redução da vegetação que protege as margens contribui para a piora da qualidade da água.

Realizado desde 1991, a partir de uma campanha que coletou 1,2 milhão de assinaturas em prol da recuperação do Rio Tietê, o estudo conta com participação voluntária de 252 grupos de monitoramento que analisam a qualidade da água em 307 pontos, 247 corpos d´água, em 104 municípios de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Distrito Federal, envolvendo cerca de 3,6 mil pessoas.

Em 2015, havia 45 pontos de monitoramento com água de boa qualidade, o que corresponde a 15% do total avaliado. Em 2017, o número caiu para seis e, neste ano, 12 deles recuperaram a boa condição. Mas segundo a especialista de Recursos Hídricos da SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, é grande a distância para chegar a melhores indicadores, embora tenha havido diminuição para um dos sete pontos de péssima qualidade em 2015.

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"É necessária a implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos, de maneira participativa e descentralizada, pelos comitês de bacia, e funcionamento de planos, outorga, cobrança pelo uso de água e o fim dos rios de classe 4 das normas nacionais", disse, durante o lançamento. "Os resultados reforçam a necessidade de reconhecimento da relação da cobertura vegetal com a água, que se reconhecem no reflexo do espelho d'água."

Malu fez duras críticas à postura do presidente Michel Temer, que apenas gravou vídeo de saudação aos presentes ao Fórum Mundial da Água, sem lá estar com outras autoridades estrangeiras, como o príncipe herdeiro do Japão, Naruhito, ambientalista que defendeu a união internacional em defesa da água, e tantas outras autoridades. Ela criticou ainda a decisão do governador Rodrigo Rollemberg (PSB), que suspendeu o racionamento de água durante a realização do Fórum, quando poderia ter mantido para chamar a atenção do mundo para os problemas relacionados à água.

Coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) alertou para a velocidade com que avançam propostas de desmonte da atual lei ambiental, o que vai piorar ainda mais o quadro refletido pelo estudo da SOS Mata Atlântica. "Se já temos toda essa problemática, imaginem então sem os atuais mecanismos de defesa". 

Molon foi enfático ao negar que haja acordos da Frente com os ruralistas quanto ao Projeto de Lei 3.729/04, que simplifica procedimentos para a concessão de licenças e os prazos para que as empresas apresentem os pedidos. "É falso. Não há acordo. E temos de estar atentos. Enquanto estamos aqui, ali o Brasil está andando para trás", disse, referindo-se às discussões que avançam entre ruralistas e governo.

Indicadores

A análise em 12 pontos de coleta dos rios urbanos da capital fluminense colocou o estado em primeiro lugar no ranking dos piores indicadores de qualidade da água dos 17 estados com amostras coletadas pela Fundação SOS Mata Atlântica. Nenhum dos rios monitorados tem qualidade boa nem ótima, e seis têm qualidade péssima e outros seis, ruim. A comparação mostra piora em relação ao período anterior. Os índices de qualidade ruim saltaram de 28,6% para 57,1%  e os pontos com qualidade regular caíram de 71,4% para 42,9%.

Na Bahia, houve queda na qualidade nos rios Catu, em Alagoinhas, e Lucaia, em Salvador, que passaram de regular para ruim. Apenas um ponto teve melhora, o Rio das Pedras, na capital.

No Espírito Santo, há tendência de perda de qualidade no Rio Aribiri e em trechos do Jucu e Formate.

No Ceará, com amostras de nove rios, nenhuma teve qualidade boa ou ótima.

Em Minas Gerais, os oito pontos de coleta em Belo Horizonte, Jequitibá, Rio Acima e Sete Lagoas apontaram comprometimento. O único dado positivo foi o Rio das Velhas, em Jequitibá, que saiu da condição ruim para regular.

No Paraná, o Córrego das Pedras passou bom para regular o índice de qualidade boa foi mantido em apenas um ponto de coleta, no trecho mais preservado da microbacia, no rio Itaqui, em São José dos Pinhais.

Em Pernambuco, dos seis pontos monitorados em quatro municípios, quatro têm qualidade regular e dois ruim. Não houve alterações.

Em São Paulo, há pontos com águas impróprias em 35 do 104 pontos. Quatro deles mantiveram qualidade boa.

Amostras de boa qualidade foram coletadas em cinco pontos, sendo três em São Paulo, nas regiões de sub-bacias do Alto Tietê Cabeceiras, em Biritiba Mirim e Salesópolis, e Cotia-Guarapiranga, na capital. Outros dois pontos estão no Paraná, nos rios Itaqui, em São José dos Pinhais, e no Córrego das Pedras, em Piraquara. Esses pontos, com índice de qualidade em dois ciclos consecutivos estão em áreas protegidas de Mata Atlântica.

Tiveram piora no índice de qualidade 16 pontos localizados em bacias adensadas sem unidade de conservação, com rios desprovidos de matas ciliares e serviços de saneamento.

"As águas contaminadas refletem a ineficácia de instrumentos de planejamento, gestão e governança, a falta de saneamento ambiental, a falência do modelo adotado, desrespeito aos direitos humanos e o subdesenvolvimento", disse Malu Ribeiro.

Dossiê

Ontem (21), lideranças de povos originários e de populações e comunidades tradicionais de diversas regiões do país lançaram, no Fórum Alternativo Mundial da Água – Fama 2018, o dossiê Violações aos Territórios Tradicionais e Crimes Contra as Águas. Clique aqui para acessar o documento.

Organizado pelo Laboratório de Estudos e Pesquisas em Movimentos Indígenas, Políticas Indigenistas e Indigenismo e Observatórios dos Direitos Indígenas (Laepi), da Universidade de Brasília (UnB), o documento traz um resumo das agressões às águas dos rios Araguaia, Doce, Murucupi, São Francisco, Tapajós, Teles Pires, Uraricoera, Xingu, Aquífero Guarani e zonas costeiras-marinhas.

 


 

MADEIREIRAS "INVENTAM" ÁRVORES PARA CONTINUAREM A DESMATAR A AMAZÔNIA

Revista Galileu, 22.03.2018

 

(Foto: Divulgação / ISA)

“Ouro verde”. Era esse o apelido carinhoso dado ao mogno, árvore nativa da Amazônia, até o final do século. Com alto valor de mercado e aceitação internacional, houve uma corrida em meio à mata em busca da madeira a partir da década de 70. Pelo menos 5,7 milhões de metros cúbicos de mogno foram extraídos da Amazônia brasileira, com um valor de cerca de US$ 3,9 bilhões. 

A festa durou pouco. Hoje, a espécie é encontrada somente nos cantos de mais difícil acesso da Amazônia: a exploração, o transporte e a comercialização do mogno estão suspensos no Brasil desde outubro de 2001. A quase extinção da árvore fez com que as motosserras ganhassem um novo alvo preferido, o ipê.

Olhando do alto, é fácil identificar um ipê amarelo em meio à floresta. Com floração exuberante, cuja coloração lhe atribui o nome, e distribuição natural de um exemplar a cada dez hectares, formam ilhas amarelas em meio ao mar verde da floresta. Seu preço, que chega a US$ 2,5 mil por metro cúbico depois de processado, faz com que valha a pena rasgar a floresta com estradas ilegais em busca da árvore.

A saída foi regulamentar o manejo florestal. Para iniciar a exploração de madeira na Amazônia brasileira, é preciso apresentar um inventário florestal com a estimativa de cálculo do volume aproveitável de madeira das árvores que irão receber autorização para corte.

Com base nessa estimativa, os órgãos competentes dos estados emitem créditos de movimentação de madeira para o transporte e comercialização do produto. O objetivo é definir quais árvores podem ser cortadas e quais devem permanecer em pé para preservar a floresta para o futuro e garantir um novo ciclo de corte daqui a 25 ou 30 anos.

Tudo muito bonito, o problema é que não funciona. As empresas madeireiras podem cortar 90% das espécies adultas, com um segundo corte permitido após 25 anos. No entanto, estima-se que, após uma colheita inicial de 90%, a densidade de uma espécie de ipê levaria pelo menos 60 anos para recuperar os níveis pré-colheita. Isso significa que a exploração de ipê, mesmo sob diretrizes oficiais, está longe de ser sustentável.

Mas o problema vai além. Um estudo realizado pelo Greenpeace mostra que dois terços dos planos de manejo florestal do Pará têm indícios de fraudes em relação ao ipê. Quantidade e volume da árvore vêm sendo superestimados para permitir a “lavagem” e a venda de madeira roubada da Amazônia.

Um levantamento realizado sobre 586 planos de manejo florestais do Pará, no período de 2013-2017, aponta que 76,68% dos inventários para exploração de ipê no estado apresentam densidade (quantidade de metros cúbicos por hectare) superior ao que a literatura científica diz ser possível ocorrer na natureza. Em alguns casos, esse “superfaturamento” de árvores pode chegar a até mais de 10 vezes o que a ciência diz ser possível.

Assim, em uma só tacada, as madeireiras conseguem permissão para cortar mais árvores do que poderiam originalmente e conseguem “esquentar” a madeira retirada de forma ilegal, vinda de reservas indígenas ou unidades de conservação, por exemplo.

“Este tipo de fraude é o que chamamos de árvores imaginárias, pois são árvores que só existem no papel, para gerar créditos de movimentação de madeira. Essas informações iniciais não são checadas com rigor e esses dados acabam sendo inseridos no sistema e contaminando toda a cadeia, até o ponto que não podemos mais separar o que é legal do que é ilegal”, afirma Rômulo Batista, especialista do Greenpeace em Amazônia.

De acordo com a entidade ambientalista, a madeira retirada das áreas em que foram encontradas as “árvores imaginárias” são exportadas majoritariamente para os Estados Unidos, que receberam mais de 10 mil metros cúbicos de ipês entre março de 2016 e setembro de 2017, enquanto 9,7 mil metros cúbicos foram para os países da União Européia.

“O Brasil precisa com urgência de um sistema de licenciamento e controle da cadeia produtiva da madeira que seja integrado, transparente, acessível e que bloqueie de forma automática as principais fraudes”, defende o estudo. “Também é necessária a aplicação da lei capaz de assegurar que a madeira da Amazônia seja realmente extraída de modo legal e com pleno respeito aos direitos de seus povos tradicionais”.

Enquanto cobra providências do poder público, o Greenpeace tenta estimular o controle cidadão por meio da campanha “Chega de Madeira Ilegal”. Por meio do site da iniciativa, qualquer cidadão poderá analisar indícios de fraudes em planos de manejo florestal, por meio de dados e imagens de satélite, e alertar os órgãos oficiais.

 


 

IPT TERÁ LABORATÓRIO PARA TESTAR SOLUÇÕES PARA CIDADES INTELIGENTES

Agência Fapesp,  20.03.2018

 

IPT terá espaço para experimentar tecnologias de empresas e de grupos de pesquisa voltadas a melhorar a qualidade de vida da população. [Imagem: IPT]

Cidades mais inteligentes e sustentáveis

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) iniciará a construção em seu campus, na capital paulista, de um espaço tecnológico modelo voltado à experimentação e demonstração de soluções para cidades inteligentes - como são chamados locais que utilizam tecnologias integradas com o objetivo de promover a sustentabilidade ambiental e melhorar a qualidade de vida da população.

O espaço, de 30 mil m2 - equivalente a um terço da área total do IPT -, deverá ficar pronto até o final deste ano e será permanente. Ali serão testadas soluções tecnológicas em estágio avançado de desenvolvimento que possam contribuir para tornar as cidades mais inteligentes e sustentáveis.

"A ideia é que o campus do IPT seja transformado em um ambiente em que empresas e grupos de pesquisa demonstrem soluções maduras, que teriam impacto na melhoria da qualidade de vida das cidades e que poderiam ser colocadas para demonstração imediatamente", disse o pesquisador Alessandro Santiago dos Santos.

"Uma vez que essas tecnologias forem experimentadas e demonstradas nesse ambiente real podem surgir novos desafios de pesquisa fundamental para aprimorá-las. Para isso, podemos promover cooperações com nossos próprios pesquisadores, além de universidades e outras instituições de pesquisa", explicou Santos.

Laboratório vivo

O espaço também servirá para que prefeitos e gestores públicos possam conhecer o conceito de cidades inteligentes e soluções tecnológicas para essa finalidade que têm sido desenvolvidas por empresas e grupos de pesquisa. Ao conhecer essas tecnologias, poderão implementá-las em seus municípios.

"Sabemos que há muitas empresas e grupos de pesquisa oferecendo soluções para prefeituras voltadas a melhorar a vida nas cidades. Mas ainda não tínhamos identificado um lugar onde as diversas soluções existentes pudessem ser testadas simultaneamente para poder apoiar a decisão de prefeitos e gestores públicos por uma determinada tecnologia.

"Pensamos que, em razão do tamanho da área do campus do IPT, podíamos usá-lo como um laboratório vivo, onde boa parte dessas soluções poderia ser implementada e testada," explicou o pesquisador Alex Fedozzi Vallone.

 


 

BIG BANG É CIÊNCIA OU DOGMA CIENTÍFICO?

Site Inovação Tecnológica, 23.03.2018

 

teorias alternativas ao Big Bang, mas poucos físicos e astrônomos trabalham com elas. [Imagem: Cortesia www.grandunificationtheory.org]

A ciência da cosmologia

"Os cosmologistas estão frequentemente errados, mas nunca estão em dúvida," brincou certa vez o físico russo Lev Landau.

Provavelmente não daria para ser diferente, uma vez que os cosmologistas trabalham com poucas possibilidades de colher dados experimentais, dependendo largamente de hipóteses e modelos que façam sentido. Além disso, é bem sabido que a ciência funciona em um sistema de autocorreção no qual estar certo nem sempre é o mais importante.

Os astrônomos começaram observando e modelando estrelas em diferentes estágios de evolução e comparando seus resultados com previsões teóricas para validá-las ou descartá-las. E essa modelagem estelar usa física bem testada, com conceitos como equilíbrio hidrostático, lei da gravitação, termodinâmica, reações nucleares etc.

Por outro lado, a cosmologia é baseada em uma grande quantidade de suposições não testadas, como a matéria escura não bariônica e a energia escura, cuja física não possui vínculo comprovado com o resto da física. Acima disso quase tudo é uma matemática árida e altamente simplificadora, com universos uni e bi-dimensionais que pouco têm a ver - se é que têm - com o que comumente chamamos de realidade.

Dogma do Big Bang

Dadas essas discrepâncias, Jayant Narlikar, professor do Centro Inter-Universitário de Astronomia e Astrofísica em Pune, na Índia, resolveu fazer um retrospecto do desenvolvimento da cosmologia ao longo das últimas seis décadas, com vistas a dar um choque de realidade nos atuais teóricos.

E sua conclusão é chocante: "Nossa confiança no modelo padrão da cosmologia, o bem conhecido modelo do Big Bang, cresceu a tal ponto que o modelo se tornou um dogma."

Narlikar primeiro descreve a pesquisa cosmológica nos anos 1960 e 1970 e explica como esses trabalhos abrangeram áreas-chave, incluindo a teoria Wheeler-Feynman, relacionando a seta eletromagnética local do tempo com a seta do tempo cosmológica, a singularidade na cosmologia quântica e os testes observacionais de diferentes modelos de um Universo em expansão.

Nos testes subsequentes para validar hipóteses e teorias, uma descoberta chave - a radiação cósmica de fundo de micro-ondas -, em meados dos anos sessenta, mudou a perspectiva que os físicos tinham do Big Bang, que passou à categoria de quase unanimidade - ou, para usar um termo mais recente, um "consenso científico".

 

Outros estudos já mostraram que mesmo um Universo em expansão pode surgir sem o Big Bang. [Imagem: TU Vienna]

Suporte observacional

No entanto, alerta Narlikar, os cosmólogos de hoje parecem estar presos em uma série de especulações em suas tentativas de mostrar que o modelo do Big Bang é correto, em oposição a qualquer modelo alternativo.

O bem aceito modelo cosmológico padrão, ou cosmologia padrão do Big Bang, não apenas não possui suporte observacional independente para seus pressupostos básicos, tais como a matéria escura não-bariônica, a inflação e a energia escura, como também não tem uma base teórica estabelecida, escreve Narlikar.

O físico alemão Max Born disse há muitos anos que "A cosmologia moderna se desviou da firme estrada empírica para uma região selvagem onde as declarações podem ser feitas sem medo de uma checagem observacional..."

Narlikar afirma que esses comentários se aplicam muito bem ao estado atual da cosmologia.

Bibliografia:

The evolution of modern cosmology as seen through a personal walk across six decades

Jayant V. Narlikar

The European Physical Journal H

DOI: 10.1140/epjh/e2017-80048-5

 


 

TECNOLOGIAS DE LEITURA DA MENTE: A FRONTEIRA FINAL DA PRIVACIDADE

New Scientist, 23.03.2018

 

Alguns cientistas dizem que já conseguem "ler a mente", enquanto outros vão além e alegam que estão próximos de compartilhar pensamentos. [Imagem: New Scientist]

A privacidade final

Embora você esteja cercado pela tecnologia e provavelmente esteja ciente dos riscos que essa tecnologia representa para sua privacidade, também sabe que você possui seu próprio firewall intransponível, que nenhum hacker consegue penetrar: o seu cérebro.

A menos que você escolha compartilhar seus pensamentos, eles permanecerão sempre privados.

Mas por quanto mais tempo? Cada vez mais, uma combinação de escaneamento cerebral e inteligência artificial está abrindo a caixa preta do nosso cérebro, reunindo sinais neurais e engenharia reversa para recriar pensamentos básicos. Por enquanto, essa tecnologia está limitada à visão - mostrando se você está olhando para A ou para B a partir de sua atividade cerebral - mas, em princípio, não há razão para que o conteúdo total de nossas mentes não possa futuramente ser revelado.

Desta forma, esta linha das pesquisas científicas no campo das neurociências inevitavelmente levanta medos sobre a invasão final da privacidade: a leitura da mente, ou dos pensamentos. Não é difícil imaginar algum tipo de dispositivo que possa simplesmente ser apontado para a cabeça de alguém para extrair seus pensamentos.

Longe da praticidade

Se não é difícil de imaginar essa tecnologia, por outro lado é extremamente difícil torná-la prática. Hoje, a parte da varredura do cérebro é feita por ressonância magnética funcional (fMRI). Isso requer um equipamento extremamente grande e caro e, fundamentalmente, o consentimento total do "cérebro" que está sendo escaneado.

Mas a fMRI ainda é um dispositivo bastante grosseiro para leitura mental e muito criticado dentro da própria comunidade científica porque produziria apenas belos desenhos coloridos da atividade cerebral, mas quase nada de dados reais - além disso, a forma como o equipamento é usado faz com que vários estudos com base na ressonância magnética funcional estejam incorretos.

Há outras técnicas de imageamento cerebral, mas nenhuma pode ser facilmente transformada em um dispositivo portátil discreto o suficiente para ser usado sem o consentimento da pessoa. O mais simples, o eletroencefalograma (EEG), tem que ser colocado como um boné ou capacete e é lastimavelmente impreciso, a menos que a pessoa consiga ficar imóvel como uma estátua.

 

A ressonância magnética funcional é a técnica de imageamento cerebral preferida dos neurocientistas envolvidos com a leitura da mente - mas é uma técnica ainda rudimentar para isso. [Imagem: Ariana Anderson/UCLA]

Leitura da mente

No entanto, não devemos descartar a leitura mental como sendo confinada para sempre às condições controladas de laboratório. O lado inteligência artificial da equação pode virar o jogo: com treinamento suficiente, talvez esses programas possam aprender a extrair sinais úteis de um traço de EEG cheio de ruído.

Mesmo hoje, uma combinação de fMRI e inteligência artificial poderia ser desenvolvida para usos limitados, como acessar os pensamentos de pacientes em um estado minimamente consciente. Isso já é possível hoje até certo ponto, e já é controverso.

Da mesma forma, pode ser possível desenvolver testes semelhantes a polígrafos para pessoas acusadas de crimes, para avaliar o que realmente sabem. Novamente, isso tem precedentes e é extremamente controverso. Uma década atrás, uma empresa com sede nos EUA, chamada Cephos, começou a vender varreduras de ressonância magnética funcional para os réus. Ao mesmo tempo, tribunais da Índia começaram a aceitar evidências de uma técnica de varredura cerebral extremamente controversa, chamada análise de assinatura de oscilação elétrica cerebral (BEOS).

A Cephos parou de vender as varreduras em 2010, depois que um tribunal decidiu que a tecnologia não era aceitável, mas outras empresas começaram a oferecer coisas semelhantes; e as varreduras cerebrais BEOS ainda estão sendo usadas no sistema jurídico indiano.

Assim, ainda que a leitura mental para vigilância em massa não esteja à vista em um futuro próximo, mesmo as aplicações limitadas são preocupantes. Esta é uma caixa preta sobre a qual a sociedade deve pensar muito, ponderando se irá permitir que seus cientistas trabalhem em sua abertura.

 


 

CORPO EM UM CHIP SUBSTITUI COBAIAS EM TESTES DE MEDICAMENTOS

Diário da Saúde, 23.03.2018

 

O biochip contém células de até 10 órgãos diferentes: fígado, pulmão, intestino, endométrio, cérebro, coração, pâncreas, rim, pele e músculo-esquelético. [Imagem: Felice Frankel]

Corpo dentro de um chip

Engenheiros do MIT desenvolveram uma nova tecnologia que poderá ser usada para avaliar novos candidatos a medicamentos e detectar possíveis efeitos colaterais antes que esses fármacos sejam testados em humanos.

Usando um biochip microfluídico aberto, eles conectaram tecidos cultivados em laboratório de 10 órgãos do corpo, criando uma imitação das interações dos órgãos humanos por semanas, permitindo medir os efeitos das drogas em diferentes partes do corpo.

A expectativa é que sistemas desse tipo, quando totalmente desenvolvidos, revelem, por exemplo, se um medicamento que se destina a tratar um órgão terá efeitos adversos em outro.

"Os animais não representam as pessoas em todas as facetas que você precisa para desenvolver drogas e entender a doença. Isso está se tornando cada vez mais evidente à medida que olhamos para todos os tipos de drogas.

"Alguns desses efeitos são realmente difíceis de prever a partir de modelos animais porque as situações que levam a eles são idiossincráticas. Com o nosso chip, você pode distribuir um medicamento e depois procurar os efeitos em outros tecidos e medir a exposição e como ele é metabolizado," disse a professora Linda Griffith.

Além disso, estes biochips também poderão ser usados para testar medicamentos contra anticorpos e outras imunoterapias, que são difíceis de testar completamente em animais porque são projetados para interagir com o sistema imunológico humano.

Diferenças entre cobaias e humanos explicam fracassos de novos medicamentos

 

Outra grande promessa dos biochips são os exames direto no consultório.

[Imagem: Joseph Xu/Umich]

10 órgãos em um chip

A maior parte dos biochips envolve sistemas microfluídicos fechados, que permitem alimentar as células e injetar os medicamentos, mas não oferecem uma maneira fácil de manipular o que está acontecendo dentro do chip.

A equipe então decidiu criar um sistema aberto, que essencialmente remove a tampa e facilita a manipulação do sistema e a retirada de amostras para análise.

O chip também incorpora várias bombas que permitem controlar o fluxo de líquido entre os "órgãos", simulando a circulação do sangue, das células imunes e das proteínas através do corpo humano.

Os pesquisadores criaram várias versões do chip, ligando até 10 órgãos: fígado, pulmão, intestino, endométrio, cérebro, coração, pâncreas, rim, pele e músculo-esquelético. Cada "órgão" consiste de aglomerados de 1 milhão a 2 milhões de células. Esses tecidos não replicam todo o órgão, mas desempenham algumas das suas funções mais importantes.

 


 

A NOTÍCIA DO LANÇAMENTO NA INTERNET DA WDL, A BIBLIOTECA DIGITAL MUNDIAL. QUE PRESENTE DA UNESCO PARA A HUMANIDADE INTEIRA!!!

Já está disponível na Internet, através do site  www.wdl.org

É uma notícia QUE NÃO SÓ VALE A PENA REENVIAR MAS SIM É UM DEVER
ÉTICO, FAZÊ-LO!

Reúne mapas, textos, fotos, gravações e filmes de todos os tempos e explica em sete idiomas as jóias e relíquias culturais de todas as bibliotecas do planeta.

Tem, sobretudo, caráter patrimonial", antecipou em LA NACION Abdelaziz Abid, coordenador do projecto impulsionado pela UNESCO e outras 32 instituições. A BDM não oferecerá documentos correntes, a não ser "com valor de patrimônio, que permitirão apreciar e conhecer melhor as culturas do mundo em idiomas diferentes: árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português. Mas há documentos em linha em mais de 50 idiomas".
Entre os documentos mais antigos há alguns códices precolombianos, graças à contribuição do México, e os primeiros mapas da América, desenhados por Diego Gutiérrez para o rei de Espanha em 1562", explicou Abid.

Os tesouros incluem o Hyakumanto darani , um documento em japonês publicado no ano 764 e considerado o primeiro texto impresso da história; um relato dos azetecas que constitui a primeira menção do Menino Jesus no Novo Mundo; trabalhos de cientistas árabes desvelando o mistério da álgebra; ossos utilizados como oráculos e esteiras chinesas; a Bíblia de Gutenberg; antigas fotos latino-americanas da Biblioteca Nacional do Brasil e a célebre Bíblia do Diabo, do século XIII, da Biblioteca Nacional da Suécia.

Fácil de navegar:

Cada jóia da cultura universal aparece acompanhada de uma breve explicação do seu conteúdo e seu significado.. Os documentos foram passados por scanners e incorporados no seu idioma original, mas as explicações aparecem em sete línguas, entre elas O PORTUGUÊS. A biblioteca começa com 1200 documentos, mas foi pensada para receber um número ilimitado de textos, gravados, mapas, fotografias e ilustrações.

Como se acede ao sítio global?

Embora seja apresentado oficialmente na sede da UNESCO, em Paris, a Biblioteca Digital Mundial já está disponível na Internet, através do sítio: www.wdl.org

O acesso é gratuito e os usuários podem ingressar directamente pela Web , sem necessidade de se registrarem..

Permite ao internauta orientar a sua busca por épocas, zonas geográficas, tipo de documento e instituição. O sistema propõe as explicações em sete idiomas (árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português), embora os originas existam na sua língua original.

Desse modo, é possível, por exemplo, estudar em detalhe o Evangelho de São Mateus traduzido em aleutiano pelo missionário russo Ioann Veniamiov, em 1840. Com um simples clique, podem-se passar as páginas um livro, aproximar ou afastar os textos e movê-los em todos os sentidos. A excelente definição das imagens permite uma leitura cômoda e minuciosa.

Entre as jóias que contem no momento a BDM está a Declaração de Independência dos Estados Unidos, assim como as Constituições de numerosos países; um texto japonês do século XVI considerado a primeira impressão da história; o jornal de um estudioso veneziano que acompanhou Fernão de Magalhães na sua viagem ao redor do mundo; o original das "Fábulas" de La Fontaine , o primeiro livro publicado nas Filipinas em espanhol e tagalog, a Bíblia de Gutemberg, e umas pinturas rupestres africanas que datam de 8.000 A .C.

Duas regiões do mundo estão particularmente bem representadas:

América Latina e Médio Oriente. Isso deve-se à activa participação da Biblioteca Nacional do Brasil, à biblioteca de Alexandria no Egipto e à Universidade Rei Abdulá da Arábia Saudita.

A estrutura da BDM foi decalcada do projecto de digitalização da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, que começou em 1991 e atualmente contém 11 milhões de documentos em linha.

Os seus responsáveis afirmam que a BDM está sobretudo destinada a investigadores, professores e alunos. Mas a importância que reveste esse sítio vai muito além da incitação ao estudo das novas gerações que vivem num mundo áudio-visual.

 


 

LENTES MÓVEIS DE SILÍCIO PERMITEM VER DENTRO DE ROCHAS

Redação do Site Inovação Tecnológica -  26/03/2018

 

Foto do interior de um cilindro de granito. A resolução é suficiente para mostrar os quatro tipos diferentes de minerais que formam a rocha. [Imagem: Huber & Hanacek/NIST]

Ver dentro de sólidos opacos

Você não consegue ver bem sem lentes que possam focalizar a luz, sejam elas as lentes naturais dos seus olhos enquanto você se deslumbra ante uma montanha, sejam as lentes do microscópio que você usa para examinar partículas minúsculas.

Mas você pode tentar focar o quanto quiser que não conseguirá enxergar através de materiais sólidos opacos - menos ainda enxergar lá no meio desses objetos.

Mas você pode ter êxito nessa tentativa se usar a ferramenta adequada, mais especificamente, uma novíssima ferramenta que acaba de ser criada por Dusan Sarenac e seus colegas do Instituto Nacional de Padronização e Tecnologia dos EUA.

Trata-se de forma inovadora para focar feixes de nêutrons, partículas que podem adentrar no interior de objetos opacos com uma precisão inédita, permitindo explorar as entranhas de objetos dos mais diversos tipos - de rochas terrestres e meteoritos a materiais sintéticos - de forma não-invasiva, ou seja, sem danificar as amostras que estão sendo inspecionadas.

Redes de difração

O método criado por Sarenac transforma uma ferramenta tradicional - o imageamento por nêutrons, uma espécie de tomografia - em uma técnica de digitalização completa, capaz de revelar detalhes variando em tamanho de 1 nanômetro até 10 micrômetros, escondidos lá no interior do material.

Essa interferometria de nêutrons tornou-se realidade com o uso de um conjunto de "lentes" móveis capazes de ampliar e diminuir detalhes que outros métodos de varredura por nêutrons não conseguem.

As "lentes" são na verdade pastilhas de silício que atuam como redes de difração, que tiram proveito das propriedades de onda dos nêutrons. As ranhuras na superfície da pastilha de silício dividem e redirecionam o feixe de nêutrons para que as ondas reflitam nas bordas do objeto sendo observado e depois colidam umas com as outras, criando um padrão de interferência moiré visível que é representativo do objeto e pode ser facilmente interpretado e transformado digitalmente em uma imagem.

"Nós podemos visualizar estruturas em muitos níveis diferentes e em diferentes escalas. Isso pode complementar outras técnicas de digitalização porque a sua resolução é muito boa. [A técnica] tem uma capacidade dramática de focalização, e não estamos limitados a visualizar fatias finas de material como com outros métodos - podemos olhar facilmente dentro de um pedaço grosso de rocha," disse o professor Michael Huber.

 

Movimentando essas três pastilhas de silício é possível registrar detalhes entre 1 nanômetro de 10 micrômetros. [Imagem: Huber & Hanacek/NIST]

Interferometria de nêutrons

A interferometria é uma especialização no mundo da ciência dos nêutrons e é essencial em medições precisas, como no cálculo do índice de refração dos materiais - essa medição é feita verificando como os nêutrons refletem-se na estrutura atômica do objeto.

Mas a interferometria de nêutrons também tem potencial para outros usos na física fundamental, como medir com precisão a constante gravitacional.

A técnica é sensível o suficiente para detectar como a força gravitacional de um objeto pode desviar os nêutrons, assim como a Terra atrai um objeto atirado ao ar - e vice-versa.

Mas o calcanhar de Aquiles das técnicas de imageamento por nêutrons tem sido sua lentidão. Para focar os nêutrons em uma amostra de material, um interferômetro precisava até agora de um cristal esculpido em dimensões precisas de um único bloco grande de silício de alta qualidade.

A nova abordagem evita esse problema usando um trio de grades finas de silício para focar os nêutrons, substituindo o caro cristal.

Bibliografia:

Three Phase-Grating Moiré Neutron Interferometer for Large Interferometer Area Applications
Dusan Sarenac, D. A. Pushin, M. G. Huber, D. S. Hussey, H. Miao, M. Arif, D. G. Cory, A. D. Cronin, B. Heacock, D. L. Jacobson, J. M. LaManna, H. Wen
Physical Review Letters
Vol.: 120, 113201
DOI: 10.1103/PhysRevLett.120.113201

 


 

 

BRAZIL’S HIGH COURT UPHOLDS ‘RISKY’ FOREST CODE

Rodrigo de Oliveira Andrade, SciDevNet,

 

Copyright: Gabriel Britto / Rainforest

Restoration of large Amazon areas to be affected by Forest Code ruling. It gives amnesty to those who previously cleared land illegally. Observers say ministers disregarded science, favoured economic interests.

[SÃO PAULO] The Brazilian Supreme Court has declared constitutional several changes that had been made to the national Forest Code in 2012, which environmentalists say will put the restoration of large areas of the Amazon at risk.

By a majority vote of 6 to 5, the high court’s ministers decided in favour of revoking fines and shelving environmental lawsuits for landowners who were registered in regulatory programmes designed to compensate for, and remedy, environmental damage caused by their activities.

The ruling gives constitutional amnesty to farmers who, prior to July 2008, cleared Legal Reserves — areas that by law must remain untouched — to set up agriculture and livestock activities.

Some environmentalists say the decision, which was issued on February 28, is unfair to farmers who have complied with the strict rules against deforestation that were established before the new code was adopted six years ago.

“The current code allows a reduction of the protection zone, depending on the size of the property, that could [reduce the protection zone to] just five meters”

Sérgius Gandolfi

“This amnesty for environmental crimes will prevent to restore around 41 million forest hectares”, says agronomist José Antônio Aleixo da Silva, from the Federal Rural University of Pernambuco’s department of forestry science.

To arrive at the decision, ministers took into consideration economic interests rather than scientific evidence, according to da Silva. One minister said that science was not to be considered in the process because it is simply “guesswork”, he tells SciDev.Net.

Both the Brazilian Society for the Advancement of Science and the Brazilian Academy of Sciences had sent ministers a letter with technical and scientific arguments to support their analysis.

The trial started in September 2017, after the National Public Prosecutor's Office had questioned the constitutionality of 23 articles of the new Code, arguing that they pose a great risk for environmental conservation.

The ruling makes it legal to reduce from 80 per cent to 50 per cent the size of Legal Reserves in Amazon states or cities where indigenous reserves or protected areas take up more than half their total area.

It also allows the reduction in size of Areas of Permanent Protection (APAs). These are scattered across the country — some are located in headwaters, others in areas of strategic importance for agribusiness, and others next to lakes or rivers — in locations considered crucial for maintaining water supplies and preventing climate disasters such as floods and mudslides.

With the high court’s ruling, landowners who illegally cleared APAs now have authorisation to clear 30 per cent more land than was allowed previously. The court decision also now allows farming activities on steep slopes and hilltops, a practice that favours soil erosion.

Sérgius Gandolfi, a biologist from the University of São Paulo’s Luiz de Queiroz College of Agriculture (Esalq-USP), believes the decision is a mistake and will have serious consequences for environmental conservation.

“The Brazilian Supreme Court judged it at the convenience of powerful agribusiness interests”, he tells SciDev.Net. “It will perpetuate environmental degradation in protected areas, since it drastically reduces restoration that would help reverse the degradation that already exists”, says Gandolfi, who participated in the discussions leading up to approval of the new Forest Code.

Between August 2016 and July 2017, 2,834 square kilometres of land was deforested in the Amazon rainforest — an area four times the size of Salvador, Bahia’s main city in the northeast.

According to research published earlier this year in Nature Communications, if forest destruction continues at the current rate — about 7,000 square kilometres per year in the Amazon — in three or four decades the cumulative forest loss will intensify the process of global warming, independently of efforts to decrease greenhouse gas emissions.

Nearly 90 per cent of Brazil’s rivers are less than 10 meters wide. As a protection measure, the 1965 version of the Code included a 30-meter riparian protection zone on both sides. “The current code allows a reduction of the protection zone, depending on the size of the property, that could [reduce the protection zone to] just five meters”, Gandolfi points out.

Roberta del Giudice, executive secretary of the Forest Code Observatory, says that from an environmental point of view, it is not possible to be optimistic about the decision. “Although ministers emphasized the constitutional principles that safeguard environmental protection, the decisions taken were favourable to the reduction of environmental protection previously existing by Law”, she highlights.

In the meantime, in São Paulo, researchers from the Esalq-USP have started to generate maps, quantitative data and other information to support implementation of the state’s Environmental Adjustment Program, which requires prioritising areas for compensation according to the requirements of the Forest Code.

“We have already generated maps and information about how vegetation cover and agricultural production areas will be in 20 years, when the program is fully consolidated,” said agronomist Gerd Sparovek, from Esalq.

 


 

NASA ANNOUNCES MORE DELAYS FOR GIANT SPACE TELESCOPE

Daniel Clery*, News from Science, 27.03.2018

 

The main mirror of NASA’s James Webb Space Telescope being tested at Goddard Space Flight Center in Greenbelt, Maryland, in 2017.

 NASA/Desiree Stover/Flickr (CC BY-NC-ND 2.0)

 Delays in the testing and integration of NASA’s next space observatory, the James Webb Space Telescope (JWST), will push its launch back to May 2020, the agency announced today. NASA’s acting administrator, Robert Lightfoot, also admitted in a press briefing that the project’s cost may exceed the ceiling of $8 billion imposed by Congress in 2011. The agency expects to provide a confirmed schedule and cost estimate this summer. Congress will have to give its approval for extra spending if the cost cap has been breached.  

 The two parts of the spacecraft—the telescope and instrument package and the spacecraft bus with sunshield—are waiting to be melded together at the facility of prime contractor Northrop Grumman in Redondo Beach, California. The JWST was originally planned to launch in October, but last September NASA pushed back the launch to the second quarter of 2019.

Delays in testing the sunshield and problems with the in-space propulsion system have slowed work. NASA science chief Thomas Zurbuchen said during the briefing that, during testing, the cables that tension the craft’s tennis court–size sunshield became unexpectedly slack during deployment and risked tangling. He also said the deployment tests had produced some tears in the superthin fabric of the sunshield that are now repaired and some changes had to be made to stem leaks in the propulsion system. “Webb is a really complex machine and rigorous testing is required to have a high confidence of success,” Zurbuchen said. “We have one shot to get this into space. Failure is not an option.”

 A review board suggested that testing of the completed spacecraft will take longer than predicted, and calculated that there is a 70% probability the JWST would be ready for a May 2020 launch. In response, NASA will increase its engineering oversight, make some personnel changes, and institute new management reporting structures that will involve daily progress reports from Northrop Grumman. NASA has also commissioned an independent review of the project led by NASA veteran Thomas Young. That panel’s recommendations and NASA’s own findings will be combined in a report to be delivered to Congress this summer.

The JWST is the largest science mission NASA has ever attempted and is expected to make great discoveries everywhere from the dawning of the universe to nearby exoplanets.

 

Daniel Clery* is Science’s senior correspondent in the United Kingdom, covering astronomy, physics, and energy stories as well as European policy.

 

Prof. Marcos Antonio Lucena - Secretário Regional

Profa. Rejane Mansur Nogueira - Secretária Adjunta

 

José Antônio Aleixo da Silva (Editor)Professor titular da UFRPE e Conselheiro da SBPC.

Matheus Santos Veras
Designer do Jornal

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