Notícias

Jornal Eletrônico da SBPC/PE #11 Ano: 2

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Notícias:

SEMINÁRIO INTEGRADOR USO SUSTENTÁVEL DA ÁGUA E DO SOLO NO SEMIÁRIDO. RESULTADOS E RECOMENDAÇÕES DO PROJETO INNOVATE, BRASIL-ALEMANHA

S.O.S. CIÊNCIA
Isaac Roitman*, Site da Academia Brasileira da Ciências

SURFAR NA CRISE É DESATINO
Dioclécio Campos Junior*, Correio Braziliense

POPULAÇÃO MUNDIAL ATINGIU 7,6 BILHÕES DE HABITANTES E DEVE SUBIR PARA 8,6 BILHÕES EM 2030
Eleutério Guevane, da ONU News, Ecodebate

USP FIRMA PARCERIA COM A FINLÂNDIA E ENTRA PARA REDE GLOBAL DE INOVAÇÃO
Marina Lopes – PORVIR

ROBÔS VIRTUAIS VÃO CONTROLAR FÁBRICA DIGITAL DO FUTURO
Site Inovação Tecnológica

ROBÔS NUNCA ATINGIRÃO NÍVEL DE CONSCIÊNCIA SIMILAR AO HUMANO, DIZ FÍSICO MARCELO GLEISER
Salvador Nogueira, UOL Notícias. Ciência e Saúde

PESQUISADORES DE ALAGOAS CRIAM SISTEMA PARA MONITORAR VEGETAÇÃO DA CAATINGA
Nossa Ciência

SATÉLITE DA NASA PODE AJUDAR A PROTEGER REGIÕES DO PANTANAL
GeoDireito

DADOS DA FAO MOSTRAM QUE AS FLORESTAS NÃO TÊM FUTURO
Luiz Marques, Jornal da UNICAMP

VÊM AÍ AS CULTURAS EPIGENETICAMENTE MODIFICADAS
 Site Inovação Tecnológica

O MODELO AGROEXPORTADOR BRASILEIRO É COMPLETAMENTE CONTRÁRIO AO ACORDO DE PARIS’, ENTREVISTA COM ALEXANDRE COSTA
Ecodebate

'PELO BEM DA HUMANIDADE', STEPHEN HAWKING FAZ APELO PARA QUE HOMEM VOLTE À LUA
BBC Brasil

TECH TITANS MAKE PILGRIMAGE TO WHITE HOUSE TO DISCUSS GOVERNMENT SYSTEMS
Cecilia Kang The New York Times

SCIENTISTS JOIN MASSIVE PROTEST AGAINST TRUMP
Sara Reardon, Nature: International Weekly Journal of Science

UK USING WAVE ENERGY TO GENERATE ELECTRICITY
Nick Mitchell, The Source Water Magazine, IWA


 


 

SEMINÁRIO INTEGRADOR USO SUSTENTÁVEL DA ÁGUA E DO SOLO NO SEMIÁRIDO. RESULTADOS E RECOMENDAÇÕES DO PROJETO INNOVATE, BRASIL-ALEMANHA

O INNOVATE é um projeto de pesquisa interdisciplinar, participativo e internacional, envolvendo instituições acadêmicas do Brasil e da Alemanha. A gestão e a governança dos recursos naturais enfrentam sérios desafios relacionados ao acesso à água. O projeto científico abordou a complexa situação por meio de pesquisas destinadas a propor práticas e alternativas para a gestão sustentável dos recursos naturais levando em consideração as dimensões ecológicas, socioeconômicas e político-institucionais. O projeto teve um dos focos em toda a bacia hidrográfica do rio São Francisco e outro numa porção semiárida da bacia hidrográfica, o reservatório de Itaparica e a região de seu entorno. Este Seminário Integrador visa compartilhar resultados e recomendações com as instituições interessadas, buscando identificar temas pertinentes para futuras parcerias.

 

PROGRAMAÇÃO

26 e 27 de junho 2017

Local: Auditório Nilton Maia – CTG/UFPE

13:30-14:00

Credenciamento

 

14:00-15:30

Sessão de Abertura Maria Könning-de Siqueira Regueira (Consul Geral da Alemanha), Thomas Schröder (Embaixada da Alemanha), Anísio Brasileiro (Reitor da UFPE), Abraham Sicsu (Presidente da FACEPE), Marcelo Asfora (Presidente da APAC), Maciel Oliveira (Vice-Presidente da CBHSF), Julianeli Lima (Reitor da UNIVASF e Coordenador do CCR Submédio do CBHSF), Maria José de Sena (Reitora da UFRPE), Sérgio Xavier (SEMAS), Lúcia Melo (Secretária de Ciência e Tecnologia de PE), Representantes das prefeituras de Belém de São Francisco, Itacuruba, Floresta e Petrolândia, Maria do Carmo Sobral (Coordenadora Geral do INNOVATE/UFPE), Marianna Siegmund-Schultze (Coordenadora Científica do INNOVATE/TU Berlin/UFPE) Coordenação: Maria do Carmo Sobral

                                                                                                                   

15:30-17:00

Mesa Redonda1: Escala local – agricultura, piscicultura, qualidade da água e sedimento, geoprocessamento

Ana Lúcia Candeias, Silvana Calado, Karina Rossiter, Gérsica Nogueira da Silva, Guilherme Araújo

Coordenação: Almir Cirilo (UFPE)

 

17:00-17:30

Debates

 

17:30-18:00

Lançamento do livro: Manual de Diretrizes do projeto INNOVATE

Marianna Siegmund-Schultze e Maria do Carmo Sobral

 

18:00-18:30

Coquetel de Confraternização

Local: Auditório Nilton Maia – CTG/UFPE

Rua Acdo. Hélio Ramos − Cidade Universitária, Recife-PE, 50741-320

 

27 de junho 2017 – terça-feira

08:30-10:00 Mesa-Redonda 2: Escala local – reuso, ecossistema terrestre, solo,

biodiversidade

Socorro Araújo, José Antonio Aleixo da Silva, Déborah Oliveira, Maristela Casé, Érika Marques

Coordenação: Rômulo Menezes (UFPE)

 

10:00-10:30 Debates

 

10:30-10:45 Intervalo para lanche

 

10:45-12:00 Mesa-Redonda 3: Escala do trecho Submédio e da bacia hidrográfica

inteira do rio São Francisco – clima, água, energia, economia

Janaina Assis, Hagen Koch, Márcia Alcoforado Moraes

Coordenação: Alfredo Ribeiro Neto (UFPE)

 

12:00-12:30 Debates

 

12:30-14:30 Intervalo de almoço (por conta própria)

 

14:30-15:30 Mesa-Redonda 4: Instituições e governança

Edvânia Torres Gomes, Marianna Siegmund-Schultze, Maiara Melo, Maria

do Carmo Sobral

Coordenação: Francisco Barretto Campello (Ibama-PE)

 

15:30-16:00 Debates

 

16:00-16:30 Intervalo para lanche

 

16:30-17:30 Painel dos Coordenadores das Mesas-Redondas:

Agenda futura de parceria

Coordenação: Márcia Alcoforado Moraes (UFPE)

 

17:30-18:00 Cerimônia de Encerramento

Maria do Carmo Sobral (UFPE), Marianna Siegmund-Schultze, representantes das instituições

 

Sites do projeto:

http://www.innovate.tu-berlin.de/v_menue/home/parameter/de/

http://www.facebook.com/innovate2012

 

Acesse on-line o livro que será lançado: http://dx.doi.org/10.14279/depositonce-5735

 


S.O.S. CIÊNCIA
Isaac Roitman*, Site da Academia Brasileira da Ciências, 09.06.2017

O título desse artigo é um apelo feito pelo presidente da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, em evento recente celebrando a Semana Mundial do Meio Ambiente que foi promovido pelo Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PPMC) realizado no Museu do Amanhã no Rio de Janeiro.

Sistema de Ciência e Tecnologia

A estruturação do Sistema de Ciência e Tecnologia no Brasil foi iniciada na década de 50 do século passado com a criação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Na década de 60 em parceria com a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Ensino Superior) foi montada as bases para a formação de recursos humanos (mestres e doutores). A pós-graduação apresentou uma grande expansão na última década. Um estudo conduzido pelo Centro de Estudos e Estudos Estratégicos (CGEE) mostrou que em 1966 formaram-se 10.482 mestres no Brasil. Em 2014 esse número foi de 50.206. Em 1966 formaram-se 2.854 doutores subindo para 16.729 doutores em 2014. Assim, construímos uma considerável base de recursos humanos, que é o primeiro passo para construirmos um sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação para colocarmos o Brasil em posição de destaque no século XXI que é considerada a Era do Conhecimento.

Retração nos investimentos em Ciência

No entanto testemunhamos um retrocesso no desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro. Recentemente o ministério dedicado a Ciência, Ministério de Ciência e Tecnologia (MCTI) foi unido ao setor de comunicação acrescentando um “C” em sua sigla: MCTIC. Ao contrário do esperado o orçamento do Ministério não aumentou. Agravando a situação em março de 2017, foi anunciado o corte de 44% na pasta.

A redução de investimentos alcançou também as Fundações Estaduais de fomento à pesquisa. No Rio de Janeiro a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (FAPERJ), em levantamento feito pelo jornalista Herton Escobar, o calote – financiamento de projetos e bolsas de estudos – alcança o valor de 470 milhões. Essa situação está interrompendo as atividades de pesquisas, principalmente nas Universidades estaduais: Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF).

Poderíamos analisar a presente situação como excepcional e passageira. Parece não ser o caso. O que nos espera com decisões equivocadas do executivo e legislativo é um forte recuo no aporte de verbas federais para os próximos 20 anos. O retrocesso então ganhará mais velocidade. Todo o esforço de formação de recursos humano irá por água abaixo e nossos melhores cérebros deixarão o país.

O futuro

A verdade é que esta estratégia de fragilização do nossos sistema nacional de ciência e tecnologia terá implicações graves para o desenvolvimento econômico brasileiro. O ideário de que o investimento em Ciência e Tecnologia tem um valor estratégico para o Brasil será enfraquecido. Esse desmonte do aparato estatal de fomento científico deve ser interrompido e revertido. A burocracia para a aquisição de insumos e instrumentação científica deve ser simplificada e projetos de parceria com o setor privado devem ser estimulados para obtenção de novas patentes e produtos. A pesquisa que visa a solução de problemas da sociedade deve ser valorizada.

Transcrevo parte do artigo de Sidarta Ribeiro – “Ciência em retrocesso”, diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte: “O que está em jogo é o destino da nação. O pior não será seguirmos sem ganhar o Nobel nem deixarmos de competir pelas descobertas mais importantes. Nossa soberania ficará profundamente comprometida quando nossos cientistas não conseguirem compreender os artigos que leem, quando nos descolarmos tanto da fronteira da ciência mundial que passaremos a mistificá-la, voltando a pagar caro pelos pacotes tecnológicos fechados que vêm do exterior. Sem uma guinada radical, rumamos céleres para a irrelevância. Mas ainda há esperança.”

No entanto para cultivarmos a esperança não podemos ficar calados ou acomodados. Vamos fazer eco as palavras “SOS Ciência” e ajudar a reverter esse mal momento e lembrar das palavras de Aristóteles: “A esperança é o sonho do homem acordado”.

 

*Isaac Roitman, Doutor em Microbiologia, professor emérito e coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro da Universidade de Brasília. Pesquisador emérito do CNPq. Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências e membro do Movimento 2022 O Brasil que queremos".


 



SURFAR NA CRISE É DESATINO
Dioclécio Campos Junior*, Correio Braziliense, 22.06.2017

A atual catástrofe socioeconômica que atormenta o povo brasileiro não é a primeira nem será a última, a não ser que haja profunda mudança na cultura do "jeitinho". Surfar na crise moral e ética não é boa prática, sequer solução. Faz mal a todos e a cada um. Banaliza as correntes que vêm de um mar sujo, imundo. Deslizar em sua putrefeita superfície contamina e degenera quem flutua nesse ambiente. O risco de queda e afogamento na sujeira da água do mar de feiuras, não de maravilhas, que destrói a sociedade é grande. Seu poder poluente é devastador. As populações vão ficando cada vez mais inundadas pela podridão contagiosa que toma conta do seu cotidiano. Perdem assim a capacidade mental, desfeita pelas ondas de obscurantismo aparentemente incontroláveis. A insalubridade de usos e costumes vem à tona no espectro das distorções comportamentais que proliferam nas praias da mente humana, ora irrigadas pela imundície das vagas de corrupção que as invadem e seduzem.

 

A encruzilhada está posta. É chegado o momento de se fazer a opção por uma saída realmente libertadora da sociedade. Credos, crenças, ideologias e religiões partidárias já deram o que tinham que dar. O nefasto resultado é visível nas poluídas ondas do mar social. Não dá mais para ocultar. A cultura do atraso só pode levar ao trágico naufrágio dos seres humanos que, na verdade, merecem coisa melhor. Não se pode falar em sociedade quando não há respeito a valores comuns que identifiquem igualitariamente as pessoas que a integram. Não se pode falar em democracia quando se navega no oceano das humilhantes desigualdades sociais, sorrateiramente impostas e mantidas para beneficiar grupos dominantes. Não se pode falar em justiça quando o juízo carece de independência. Não se pode falar em estado de direito num cenário segregacionista, discriminatório e aviltante.

O padrão da sociedade tem de ser revisto sem mais delongas. Não basta limpar a vilania que se acumulou décadas a fio. O mais importante é edificar novo modelo, fortemente comprometido com a prevenção da indignidade que deteriora as relações humanas. Para fazê-lo, a consciência coletiva deverá ser incentivada a fim de que se possa  dedicar pacificamente à busca de referências transformadoras, a única maneira de superar a torpe crise que abala suas frágeis e corroídas estruturas.

Livre de imediatismos ilusórios, o esforço reconstrutivo só terá coerência se concentrado na promoção do crescimento e desenvolvimento saudáveis das próximas gerações. Medidas e reformas econômicas que não estejam comprometidas com essa grandiosa meta carecem de sentido. As iniciativas governamentais não podem restringir-se ao arroz com feijão da economia. Já está provado que tal dogmatismo só faz desnutrir ainda mais o organismo social, expondo-o à insuficiência múltipla dos órgãos que o compõem. Portanto, para sair da enxurrada do caos avassalador, é indispensável a recuperação do tempo perdido, durante o qual esses dois componentes vitais foram inteiramente desprezados. Uma nova, honesta e dignificante era para o país requer saúde e educação da mais alta qualidade, a serem consideradas direitos inalienáveis de crianças e adolescentes. O faz de conta não pode mais prevalecer na dinâmica da sociedade brasileira. A retórica discursiva de suas lideranças não leva a nada. Perpetua erros e desvios de rota que subestimam e ignoram a faixa etária mais relevante na formação da cidadania. A postura há de ser outra.

Os seis primeiros anos de vida do cidadão representam a fase biológica e social durante a qual o seu cérebro cresce e se diferencia estruturalmente. É quando a capacidade cognitiva potencial chega a atingir os níveis mais elevados de toda a existência do indivíduo. Por isso mesmo, o perfil de cada ser humano só poderá ser bem esculpido e consolidado durante a infância e adolescência. Para que isso seja possível, saúde e educação são indissociáveis. Permitem o amadurecimento progressivo da personalidade, suas virtudes mentais, intelectuais e princípios morais e éticos. É o inabalável alicerce da consciência comprometida com o comportamento verdadeiramente humano, a essência da cidadania. Para que o efetivo investimento econômico se concentre nas prioridades sanitárias e educacionais inegociáveis, a ruptura com o modelo político-governamental, em vigor há décadas, é pré-requisito insubstituível. É a transformação pacífica a ser feita para as mudanças do padrão da sociedade. Persistir apenas surfando na crise é optar por enganoso desatino.

* Dioclécio Campos Júnior - Médico, professor emérito da UnB, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, membro titular da Academia Brasileira de Pediatria e presidente do Global Pediatric Education Consortium (GPEC).

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POPULAÇÃO MUNDIAL ATINGIU 7,6 BILHÕES DE HABITANTES E DEVE SUBIR PARA 8,6 BILHÕES EM 2030
Eleutério Guevane, da ONU News, Ecodebate, 22.06.2017

Relatório revela que população aumenta em 83 milhões de pessoas por ano; população da Índia deve superar a da China em sete anos; Brasil entre os 10 países que registraram menor fertilidade; África continua registrando os mais altos níveis de fertilidade.

De acordo com o relatório, população da Índia deve superar a da China por volta do ano 2024. Foto: ONU/Kibae Park

Um estudo da ONU revela que a população global atual é de 7,6 bilhões de habitantes e deve subir para 8,6 bilhões em 2030.

O relatório Perspectivas da População Mundial: Revisão de 2017, foi lançado nesta quarta-feira pelo Departamento dos Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas, Desa.

Fertilidade

Em entrevista à ONU News, o chefe da seção de Estimativas Populacionais e Projeções do Desa, François Pelletier, deu mais detalhes sobre o documento:

“Hoje em dia, estamos com uma população estimada em 7,6 bilhões e nossa projeção até 2100 é que a população chegue a 11,2 bilhões. A maior parte desse crescimento vai ser na África, por causa, mais que tudo, dos níveis de fertilidade. Vários países da África têm uma fertilidade relativamente alta e o processo dentro da projeção prevê que a população vai continuar a aumentar.”

De acordo com o relatório, a cada ano a população mundial aumenta em 83 milhões de pessoas.

A China tem 1,4 bilhão de habitantes e a Índia 1,3 bilhão. Ambos continuam sendo os países mais populosos, com uma porcentagem de 19% e 18% do total da população global, respectivamente. Por volta de 2024, a população da Índia deve superar a da China.

Brasil

O relatório revela que o crescimento demográfico será mais lento devido a taxas de fertilidade que baixaram em quase todas as regiões do mundo.

O Brasil está no Top 10 dos países que registraram menor fertilidade em relação ao nível de reposição entre 2010 e 2015. O grupo de 83 nações com 46% da população mundial inclui a China, os Estados Unidos, a Rússia, o Japão, o Vietnã, a Alemanha, o Irã, a Tailândia e o Reino Unido.

Espera-se que entre 2017 e 2050 metade da taxa de crescimento da população ocorra em nove países: Índia, Nigéria, República Democrática do Congo, Paquistão, Etiópia, Tanzânia, Estados Unidos, Uganda e Indonésia.

Envelhecimento

Na África, a região com os mais altos níveis de fertilidade, o índice caiu de 5,1 nascimentos por mulher entre 2000 e 2005 para 4,7 entre 2010 e 2015.

O relatório destaca que existe uma relação direta entre a baixa fertilidade e o envelhecimento da população.

A nível global a expectativa de vida aumentou para os homens de 65 anos, entre 2000 e 2005, para 69 anos entre 2010 e 2015. Para as mulheres a taxa subiu dos 69 anos para 73 anos durante esse mesmo período.

O documento revela que continuam “grandes disparidades entre os países e os grandes movimentos de migrantes entre regiões que muitas vezes saem de países de baixa e média rendas para países mais ricos.


 


 

USP FIRMA PARCERIA COM A FINLÂNDIA E ENTRA PARA REDE GLOBAL DE INOVAÇÃO
Marina Lopes – PORVIR, 20.06.2017

A pouca conexão com o mundo real é um desafio enfrentado por universidades de todo o mundo. Como preparar futuros profissionais dentro de um ambiente acadêmico, mas sem deixar de lado as demandas do setor produtivo? Para criar experiências práticas de aprendizagem, a Universidade de Aalto, na Finlândia, decidiu apostar no trabalho colaborativo entre empresas e grupos de pesquisa. Com bons resultados nessa empreitada, a finlandesa expandiu o seu modelo e deu início a uma rede internacional que já reúne universidades em Portugal, Suíça, Estados Unidos, Austrália, Chile e Colômbia. Agora, o Brasil também ganha um representante no time, com a entrada da USP (Universidade de São Paulo) na Design Factory Global Network.

 

Em parceria oficializada nesta terça-feira (20/6), o InovaLab@POLI, da Escola Politécnica da USP, passa a fazer parte da rede global de laboratórios universitários com foco em ensino de inovação e empreendedorismo. A ideia é estimular o trabalho conjunto entre o ensino superior, centros de pesquisa e empresas, contando ainda com a possibilidade de compartilhar experiências com instituições de cinco continentes.

 

“Nós falamos muito sobre interdisciplinaridade. Amamos dizer que novas coisas acontecem quando combinamos diferentes disciplinas”, defendeu Viljami Lyytikaimen, representante da Universidade de Aalto, durante cerimônia realizada no departamento de engenharia de produção da POLI.

 

Além de estreitar os laços com o setor produtivo e estimular a interdisciplinaridade, a nova parceria irá permitir que os alunos brasileiros possam desenvolver atividades com a participação de universitários e pesquisadores de diversos países. Como exemplo concreto, Lyytikaimen cita um hackathon (espécie de maratona de programação) anual da rede, que ocorre simultaneamente em várias universidades e aproveita a diferença de fuso horário para as equipes se revezarem em turnos de trabalho. Apesar da distância geográfica, diversidade de culturas e idiomas, os grupos precisam aprender a trabalhar juntos para criar projetos inovadores.

 

O programa serve como um caminho para aplicar pesquisa e conhecimento prático, já que os alunos desenvolvem projetos para atender às demandas de empresas reais. “O nosso sistema educacional se baseia fortemente em cooperação, e isso se aplica também na pesquisa. Aprendizado mútuo entre atores de diferentes países é beneficial para todos”, aponta o embaixador da Finlândia no Brasil, Markku Virri.

 

Na hora de se comunicar com outros países, a tecnologia ajuda a encurtar distâncias e organizar processos. Prova disso são os quase dez vídeos, apresentados durante a cerimônia que oficializou a entrada USP na rede. Equipes de todo o mundo aparecerem dando as boas vindas ao novo laboratório e dizem estar ansiosas para trabalhar com São Paulo. “A filosofia da Design Factory envolve projetos reais e contexto real para os alunos trabalharem”, destaca Eduardo Zancul, professor da POLI e coordenador do InovaLab@POLI.

 

O processo de entrada da universidade para a rede Design Factory Global Network contou com o apoio do Fundo Patrimonial Amigos da Poli, da diretoria da Escola e da pró-reitoria de pesquisa da USP. Na avaliação do reitor Marco Antonio Zago, essa inserção é um passo importante para derrubar os muros da universidade. “Temos que fazer a universidade se relacionar com a sociedade e com o setor produtivo”, afirmou, ao mencionar que os cursos superiores não podem ser apenas acadêmicos, mas precisam dialogar com a realidade e as demandas da sociedade.

 

Nesse sentido, a professora Roseli de Deus Lopes, também coordenadora do laboratório, diz que a entrada na rede internacional finlandesa acompanha um movimento que teve início há cinco anos dentro da Escola Politécnica. “Temos nos dedicado muito a criar espaços dentro da escola e desenvolver estratégias para trabalhar com outras experiências de aprendizagem, principalmente voltadas ao desenvolvimento de competências de inovação e empreendedorismo”.



 


 

ROBÔS VIRTUAIS VÃO CONTROLAR FÁBRICA DIGITAL DO FUTURO
Site Inovação Tecnológica -  12.06.2017

A demonstração da tecnologia, feita no último dia 29 de Maio, envolveu a fabricação da peça mostrada no detalhe à esquerda em três unidades fabris distintas. [Imagem: SMACC/Divulgação]

Robôs discretos

A robótica não precisará se manifestar na forma de um Bumblebee, Data, C3PO ou Exterminador, e nem mesmo de um R2D2 ou um Wall-E.

Engenheiros do Centro de Pesquisas Técnicas (VTT) e da Universidade de Tampere, ambos na Finlândia, estão trabalhando em robôs bem mais discretos.

São robôs que existem na forma de códigos binários, dentro dos computadores, mas que serão responsáveis por gerir fábricas inteiras - mais do que isso, de coordenar várias fábricas.

Com esse "encarregado digital", nascerão o que os engenheiros chamam de fábricas virtuais, diversas unidades fabris reais que se transformam em uma só aos olhos dos seus coordenadores robóticos, produzindo bens de forma integrada e coordenada.

Fábrica digital

"A fábrica digital do futuro é uma rede descentralizada de empresas, com diferentes sub-redes, que também podem operar globalmente. A fabricação é controlada remotamente de um lugar qualquer via internet. A planta fabrica produtos em um local ideal para o objetivo atual a cada momento. Os critérios para o local de fabricação podem ser, por exemplo, eficiência, qualidade ou proximidade com o cliente," resume o professor Risto Kuivanen, coordenador do projeto SMACC, sigla em inglês para Centro de Manufatura e Máquinas Inteligentes.

E não são apenas ideias. Kuivanen falava enquanto demonstrava a operação conjunta de três células industriais - que poderão ser fábricas inteiras no futuro - com seus robôs, máquinas de solda, prensas, máquinas de corte a laser etc. -, tudo sendo coordenado pelos robôs virtuais - ou agentes de software.

Imagens das unidades fabris e dados de cada máquina eram mostrados em tempo real na central de controle durante a demonstração - o "lugar qualquer" a que o engenheiro se referiu.

Reorganização fabril

A intenção da equipe é que diferentes unidades produtivas - as fábricas reais - possam ter seus equipamentos integrados para reagir rapidamente a alterações no mercado, seja um pico de demanda, seja uma falta de compradores para os produtos originalmente fabricados - a integração virtual permitirá que os diversos equipamentos sejam reutilizados para fabricar outros produtos.

Várias unidades produtivas do mesmo grupo também poderão se reorganizar para aumentar a eficiência ou dar apoio a alguma fábrica em dificuldade.

A equipe afirma que as tecnologias necessárias para a integração de fábricas reais "estão em rápido desenvolvimento" e que poderão ser utilizadas dependendo das condições econômicas.

Enquanto isso, eles estão trabalhando para incluir a impressão 3D, que promete dar um novo nível de flexibilidade ao processo produtivo.

 

 

ROBÔS NUNCA ATINGIRÃO NÍVEL DE CONSCIÊNCIA SIMILAR AO HUMANO, DIZ FÍSICO MARCELO GLEISER
Salvador Nogueira, UOL Notícias. Ciência e Saúde

 
 

A inteligência artificial e os robôs podem acabar, nas próximas décadas, substituindo a humanidade na maior parte dos trabalhos que hoje executamos. Mas não em todos. É o que argumenta o físico brasileiro Marcelo Gleiser. Em entrevista ao Mensageiro Sideral, ele se mostra cético quanto às possibilidades de computadores atingirem um nível de consciência similar ao dos humanos.

 

“É possível se criar uma consciência artificial?”, pergunta-se Gleiser. “Pode ser que você consiga, com uma rede neuronal suficientemente complexa, [que] surja alguma espécie de emergência com alguma coisa parecida com uma consciência e tal. Mas, seja lá o que essa consciência for, ela certamente não tem nada ver com a gente ou com a consciência humana.”

 

Gleiser também afima que a próxima década será, provavelmente, o momento em que a humanidade decifrará grandes enigmas, como a natureza da matéria escura e da energia escura, que perfazem a maior parte da quantidade total de matéria e energia do cosmos. E ele vai mais além, ao afirmar que está chegando o dia em que poderemos responder à famosa pergunta: “Estamos sós no Universo?”

 

“Vai ser possível daqui a dez anos mais ou menos, talvez até menos, estudar a composição química da atmosfera de outros planetas”, afirma. “Se você fizer isso, imagina que um ser alienígena está olhando para a Terra, de longe. O que ele vai ver? Ele vai ver que a atmosfera é rica em oxigênio, que tem metano, que tem água, que tem ozônio, e essa criatura (certamente se estiver observando a gente vai ser boa em ciência) vai deduzir que existe vida na Terra. Só olhando para a composição da atmosfera. Não precisa ver nenhum bichinho com antena, onda de rádio, porra nenhuma. Só olhando para a atmosfera você já sabe quase com certeza absoluta (porque não existe certeza absoluta em ciência) que existe vida naquele lugar. A gente vai poder fazer isso. Isso, para mim, é absolutamente fantástico.”

 

Confira a seguir a entrevista completa com Marcelo Gleiser.

http://mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br/2017/06/15/robos-nunca-atingirao-nivel-de-consciencia-humano-diz-marcelo-gleiser/  

 


PESQUISADORES DE ALAGOAS CRIAM SISTEMA PARA MONITORAR VEGETAÇÃO DA CAATINGA
Nossa Ciência, Junho, 2017

Crédito: Adriano Gambarini/MMA

Plataforma SimaCaatinga tem capacidade para abranger toda a região semiáriada brasileira

Um sistema que permite o acesso a informações do ecossistema da Caatinga e também dos padrões de precipitações, considerados fundamentais para a atividade de agricultura familiar. Batizado de SimaCaatinga, o sistema está sendo considerado um importante aliado para o fortalecimento das atividades realizadas no semiárido brasileiro onde vivem mais de 23 milhões de habitantes.

A plataforma foi desenvolvida por equipes do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite (Lapis), da Universidade Federal de Alagoas em parceria com o Instituto Nacional do Semiárido (Insa/ MCTIC) e encontra-se instalada no Instituto de Ciências Atmosféricas (Icat), no Campus A. C. Simões, da Ufal.

A coordenação do sistema está a cargo do professor Humberto Barbosa que explica que o SimaCaatinga foi concebido para o monitoramento e alerta da cobertura vegetal da caatinga utilizando imagens de satélite. Também serve como suporte para a comunidade científica que desenvolve estudos sobre a caatinga. A recém-criada plataforma permite monitorar as condições de seca e desertificação e gera mapas para cada mês.

Humberto destaca que o monitoramento e alerta da cobertura vegetal são fundamentais no sentido de diminuir a vulnerabilidade do pequeno produtor rural que depende de informações sistematizadas, sobretudo para o plantio e para o cultivo de sequeiro. Permitem subsidiar a agricultura familiar, diminuindo a escassez de informações sistematizadas para os 1.135 municípios do Semiárido brasileiro.

 

 

Gestão de informações

O SimaCaatinga integra o Projeto de Pesquisa Monitoramento de Seca e Desertificação, do Insa, e auxilia nas informações do estado de saúde da vegetação, mas também das áreas degradadas, segundo Humberto, o que é fundamental para a região semiárida brasileira, principalmente para a gestão ambiental e a gestão de informações para os tomadores de decisão. E acrescenta: "o sistema vinha sendo pensado há mais de três anos, baseado na capacidade que o Laboratório Lapis da Ufal tem com imagens de satélites, recebidas em tempo real, produtos esses que permitem e permitiam o monitoramento dos ecossistemas da caatinga. Porém, ainda faltava uma plataforma que proporcionasse que as informações fossem sistematicamente disponibilizadas para a sociedade, principalmente para as instituições acadêmicas, públicas e privadas que passam a ter com o SimaCaatinga informações sistematizadas da cobertura vegetal por meio de imagens de satélite”, reforça o pesquisador, referência nacional e internacional na área de desastres naturais.

Humberto Barbosa explica que a partir das informações recebidas as prefeituras dos municípios localizados na região, podem disponibilizar para o pequeno agricultor informações sobre seca e precipitações, sobretudo no período que o pequeno agricultor precisa para desenvolver o cultivo agrícola em áreas da região semiárida, como é o caso também das áreas secas do estado de Alagoas.

O SimaCaatinga vem colaborar com o projeto do Insa e Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), permitindo assim, a elaboração de políticas públicas, segundo Humberto, não só para as secas, mas também afetadas pelo processo de desertificação e áreas degradadas. “Existe uma ligação direta entre agricultura familiar, perda de vegetação e desertificação. A migração é o impacto direto nessa região semiárida, onde o agricultor tendo suas terras inférteis, sai para outras áreas ou grandes cidades para que possa manter seu sustento”, frisou.

 


 

SATÉLITE DA NASA PODE AJUDAR A PROTEGER REGIÕES DO PANTANAL
GeoDireito, 18.06.2017

 

 

Levantamento na Bacia do Alto Paraguai feito por pesquisadores da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) pretende criar um segundo mapeamento da região para desenvolver políticas de proteção do Pantanal e planejamento de ocupação com atividades agropecuárias. Foram utilizadas imagens capturadas por satélite da Nasa para fazes o estudo.

 

A organização não-governamental (ONG) WWF faz monitoramento desde 2002 na região, mas os novos levantamentos teriam dados mais precisos.

 

Representantes do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), da Embrapa Gado de Corte, da Universidade Nacional do Paraguai e também do grupo Cerrado Pantanal da WWF-Brasil vão receber os resultados da pesquisa nesta segunda-feira (19), às 9h, no anfiteatro da UCBD, em Campo Grande.

 

"Esses dados devem auxiliar no planejamento da ocupação da região e na preservação do ecossistema, que inclui o Pantanal. Queremos difundir esse material para que sirva de insumo para pesquisas na graduação e na pós-graduação e também apresentá-lo ao poder público”, explicou o coordenador do projeto, Fábio Ayres.

 

Para obter o mapeamento do uso e da cobertura do solo, a equipe trabalhou entre janeiro a maio deste ano do lado brasileiro da Bacia do Alto Paraguai. Essa região representa 62% do complexo e inclui grande parte do Pantanal.

 

Foi utilizado o sistema de geoprocessamento com imagens registradas pelo satélite Landsat 8, que foram disponibilizadas pela Agência Espacial Americana (Nasa). As fotografias foram capturadas entre julho e agosto de 2016, época de seca.

 

"O relatório desenvolvido indicou as áreas ocupadas com atividades agropecuárias tanto na planície, quanto no planalto, chamadas de antrópicas, e também as áreas naturais da região. Além disso foi possível identificar a quantidade de água e até mesmo os pontos que foram vítimas de queimadas", informou nota oficial do grupo de pesquisadores.

 

EQUIPE

 

A pesquisa foi feita por meio da UCDB em parceria com a WWF-Brasil e ainda convênio com a Fundação Tuiuiú.

 

O estudo envolveu os professores Ana Paula Silva Teles e Fernando Jorge Correa Magalhães Filho, além de três acadêmicas de Engenharia Sanitária e Ambiental: Mariana Pereira, Milina de Oliveira e Maria Úrsula de Araújo.

 


DADOS DA FAO MOSTRAM QUE AS FLORESTAS NÃO TÊM FUTURO
Luiz Marques, Jornal da UNICAMP, 13.06.2017

Hotel Amazônia

​ Partamos do óbvio: não podemos viver sem florestas. Tal é, desde 2014, o mote da FAO sobre a necessidade de conservarmos o que resta desses sustentáculos da vida no planeta[I]. Como estruturas comunitárias vivas, nas quais árvores e outras plantas, animais, fungos e micro-organismos reproduzem e interagem, as florestas preservam o solo, regulam a água, os ciclos de nutrientes, o equilíbrio das trocas de gases na atmosfera e a estabilidade climática. As florestas são “o lar de mais de 80% de todas as espécies de animais, plantas e insetos”<[II], incluindo a maior parte das espécies ameaçadas. Defendem-nos também das secas e inundações, garantem a segurança alimentar da nossa e de inúmeras outras espécies e, enfim, mitigam os impactos crescentes das mudanças climáticas. Entre 2001 e 2013, o desmatamento das florestas tropicais emitiu por ano 2,23 bilhões de toneladas de CO2, o equivalente às emissões anuais totais da Rússia[III]. Um dos mais pacíficos consensos da história do saber é o axioma de que o futuro da biosfera (e, portanto, da humanidade) está ligado ao futuro das florestas.

Foto: Antonio Gaudério | Folha Imagem

Partamos novamente do óbvio: ao que tudo indica, as florestas não têm futuro. Essa afirmação pode parecer excessiva, mas decorre dos dados da FAO: ao final da última idade do gelo (11.700 anos AP), as florestas cobriam 60 milhões de km2. Em 2010, 85% dessa área não possuía mais florestas ou as possuía em estado degradado ou fragmentado[IV]. Entre 1950 e 2000, o desmatamento foi maior que em toda a história pregressa da civilização (desde a Revolução neolítica até 1950)[V]. A aceleração no século XXI é inequívoca. Thomas Crowther e coautores de 15 países calculam que mais de 15 bilhões de árvores são derrubadas por ano[VI]. E, segundo o Global Forest Watch, apenas “entre 2000 e 2012, o mundo removeu 2,3 milhões de km2 de cobertura florestal, o equivalente a perder 50 campos de futebol por minuto todos os dias”[VII]. Entre 2011 e 2014, verifica-se uma nova aceleração do desmatamento, com uma média anual de perda florestal de 210 mil km2.

A Mata Atlântica

No dia 27 de maio último, Dia da Mata Atlântica, constatamos uma nova aceleração da destruição de seus remanescentes. Segundo o Atlas da Mata Atlântica, realizado pela SOS Mata Atlântica em parceria com o INPE, em 12 meses (2015-2016) desmataram-se 291 km2, contra 184 km2 no mesmo período anterior, um aumento de quase 60%. Nunca perdemos tanto desde 2008. “A cada dois dias um Ibirapuera de Mata Atlântica desaparece”, calcula Vandré Fonseca[VIII]. De seus 1,3 milhão de km2 originais, restam hoje 112 mil km2 (8,5%) de mata com extensão contígua maior que 100 hectares. Nada no momento permite falar em reversão do processo de extinção desse que ainda é, apesar de tudo, um dos mais ricos biomas do planeta.

A destruição do Cerrado e o assalto final à Amazônia

O que ocorreu com a Mata Atlântica em cinco séculos está acontecendo com a floresta Amazônica e o Cerrado em decênios. Em quatro anos (agosto de 2013 a julho de 2016), as perdas por corte raso, apenas na Amazônia Legal, foram de 25 mil km2, uma área maior que Sergipe (21,9 mil km2). Somadas as perdas na Amazônia e no Cerrado, o Brasil perdeu 22,6 mil km2 de cobertura florestal tão somente em 2014![IX] Após os militares, os protagonistas da destruição são hoje o BNDESpar (que investiu na JBS, direta ou indiretamente, R$ 8,1 bilhões e é proprietário direto de 21,3% da empresa[X]), as madeireiras, os frigoríficos, o agronegócio e, sobretudo, a pecuária, tudo isso regado pelo sistema financeiro e fomentado pelas corporações de sementes, fertilizantes e agrotóxicos e pelos grandes traders internacionais. Desde que, em finais de 2012, essa coalizão impôs o novo Código Florestal, houve uma alta de quase 75% no desmatamento da Amazônia.

Fonte: Giuliana Miranda, “Novo Código Florestal contribuiu para aumento no desmatamento”. | Folha de São Paulo, 12/XII/2016

Os pecuaristas são responsáveis por 70% a 75% do desmatamento da Amazônia e, segundo a Forest Trends, por 90% de seu desmatamento ilegal[XI]. E também, ao que sugere o paralelismo dos gráficos abaixo, pelo aumento inaudito dos focos de incêndio da floresta no Estado da Amazônia (de ~ 40.000 em 2003 para ~240.000 em 2015)

Fonte: GISS (NASA) e Claudio Angelo, “Amazônia deve ter recorde de queimadas”, Observatório do Clima, 30/VI/2016

Após os incêndios, o pasto substitui a floresta e a pecuária avança. Em 1997, os pecuaristas abateram 14,9 milhões cabeças de gado. Em 2013, 34,4 milhões.

 

E como cerca de 80% da carne produzida no Brasil é consumida pelos próprios carnívoros brasileiros, é difícil ignorar a incômoda pergunta feita por João Meirelles, do Instituto Peabiru, num famoso texto de 2006: “Você já comeu a Amazônia hoje?”

O agronegócio e a mineração já destruíram 880 mil km2 da vegetação nativa do Cerrado (46% de sua área). Apenas cerca de 20% dele permanece intocado. “Entre 2002 e 2011, as taxas de desmatamento nesse bioma (1% ao ano) foram 2,5 vezes maior que na Amazônia. (…) Mantidas as tendências atuais, 31% a 34% da área do que resta da cobertura vegetal do Cerrado deve ser suprimida até 2050”[XII].

Assiste-se, ao mesmo tempo, ao assalto final à Amazônia. Um levantamento realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco mostra que, desde 1981, 70% dos 48 processos de Redução, Desclassificação ou Reclassificação (RDR) de áreas protegidas ocorreram após 2008. No governo Temer, a guerra de desgaste à floresta e a seus povos, típica do governo Dilma, tornou-se uma Blitzkrieg, com ao menos sete medidas provisórias e projetos de lei destinados a liquidar suas últimas defesas[XIII]. “Imagine um hotel que tenha 100 quartos, mas que só possa comercializar 20 unidades. As outras 80 ele tem que manter fechadas”, protestou na COP22 Blairo Maggi, Ministro da Agricultura, queixando-se da reserva legal prevista pelo Código Florestal nas propriedades rurais da Amazônia[XIV]. Raramente a percepção que o capitalismo tem da natureza terá sido melhor formulada.

[I] FAO, We can’t live without forests, 10/XII/2014 <http://www.fao.org/zhc/detail-events/en/c/262862/>.

[II] Cf. UN, 2015: Transforming our world: the 2030 Agenda for Sustainable Development. “Goal 15: Sustainably manage forests, combat desertification, halt and reverse land degradation, halt biodiversity loss”.

[III] Cf. Daniel J. Zarin et al., “Can carbon emissions from tropical deforestation drop by 50% in 5 years?”. Global Change Biology, 9/II/2016.

[IV] FAO State of the World forests 2012.

[V] Cf. Michael Williams, Deforesting the Earth, 2000. Epílogo: “Almost as much forest was cleared in the past as has been cleared in the last 50 years”.

[VI] Cf. Thomas W. Crowther et al., “Mapping tree density at a global scale”. Nature, 525, 7568,  10/IX/2015, pp. 201-205.

[VII] Cf. Matthew C. Hansen et al., “High-Resolution Global Maps of 21st-Century Forest Cover Change”. Science, 342, 6160, 15/XI/2013, pp. 850-853.

[VIII] Cf. V. Fonseca, “A cada dois dias, um Ibirapuera de Mata Atlântica desaparece”. ((o)) eco, 29/V/2017.

[IX] Cf. Global Forest Watch – Brasil <http://www.globalforestwatch.org/country/BRA>.

[X]Cf. A. Vieira, M. Camarotto, L.H. Mendes e R. Rocha, “Investimentos do BNDES na JBS entram na mira da Polícia Federal”. Valor econômico, 12/V/2017.

[XI] “Agropecuária é responsável por 90% do desmatamento ilegal no Brasil”. Carta Capital, 16/IX/2014.

XII] Cf. Bernardo B.N. Strassburg et al., “Moment of truth for the Cerrado hotspot”. Nature Ecology & Evolution, 2017.

[XIII] Ei-las, segundo levantamento feito pelo Greenpeace: (1) Enfraquecimento da Lei Geral de Licenciamento ambiental (PL 3.729/2004); (2) Atentado aos direitos indígenas e à demarcação de Terras Indígenas (PEC 215/2000 e PEC 132/2015); (3) Redução das áreas protegidas e Unidades de Conservação (UCs) no Pará (MP 756/2016 e MP 758/2016); (4) Liberação de agrotóxicos (PL 6299/2002); (5) Fim do conceito de função social da terra (MP 759/2016); (6) Ataque a direitos trabalhistas no campo e redefinição do conceito de trabalho escravo (PL 6422/2016 e PLS 432/2013); (7) Flexibilização do Código de Mineração (PL 37/2011). Cf. “Resista: Sociedade Civil se une contra Temer e os ruralistas” (em rede).

[XIV]Cf. Reinaldo Canto, “Blairo Maggi, constrangimento na COP22”. Carta Capital, 21/XI/2016.

* Luiz Marques é professor livre-docente do Departamento de História do IFCH /Unicamp. Pela editora da Unicamp, publicou Giorgio Vasari, Vida de Michelangelo (1568), 2011 e Capitalismo e Colapso ambiental, 2015, 2a edição, 2016. Coordena a coleção Palavra da Arte, dedicada às fontes da historiografia artística, e participa com outros colegas do coletivo Crisálida, Crises SocioAmbientais Labor Interdisciplinar Debate & Atualização (crisalida.eco.br).

 


VÊM AÍ AS CULTURAS EPIGENETICAMENTE MODIFICADAS
 Site Inovação Tecnológica

O algodão mais cultivado no mundo (direita) evoluiu da hibridização de duas espécies ancestrais, uma similar ao G. arboreum (centro) e outra similar G. raimondii (esquerda). [Imagem: Chen Laboratory/Univ. of Texas at Austin]

 

Epigenética

Acaba de ser dado o primeiro passo para uma nova forma de modificar as plantas - ou os animais - para obtenção de culturas mais produtivas e, eventualmente, menos controversas.

As modificações são feitas através de um processo chamado de modificação epigenética - eventualmente inaugurando a categoria dos OEMs, organismos epigeneticamente modificados, em contraposição aos OGMs, organismos geneticamente modificados.

Nas últimas décadas, os cientistas descobriram que muitas características dos seres vivos são controladas não apenas pela sua genética - o que está escrito no código do seu DNA -, mas também por processos fora do DNA que determinam se, quando e o quanto os genes são expressos. Esta descoberta levou ao desenvolvimento de um campo de pesquisas conhecido como epigenética.

Esse controle externo dos genes abriu a possibilidade de criar maneiras totalmente novas de manipular as características de plantas e animais. Ativando e desativando seletivamente a expressão de genes, os cientistas podem criar novas variedades e cultivares sem alterar os genes das plantas, por exemplo.

Culturas epigeneticamente modificadas

Agora, pesquisadores norte-americanos e chineses identificaram mais de 500 genes que são modificados epigeneticamente entre variedades de algodão selvagem e algodão domesticado, alguns dos quais são conhecidos por relacionar-se com características agronômicas e de domesticação.

Esta informação vai ajudar a selecionar características que os biotecnologistas querem alterar, como o rendimento de fibras ou a resistência à seca, calor ou pragas. Por exemplo, variedades de algodão selvagem contêm genes que as ajudam a responder melhor à seca, mas essas características foram silenciadas epigeneticamente no algodão domesticado devido à irrigação.

"Este entendimento nos permitirá complementar a criação genética com a criação epigenética. Como sabemos agora como as alterações epigenéticas afetam a floração e as respostas ao estresse, você pode reativar genes responsivos ao estresse no algodão domesticado," exemplificou o professor Jeffrey Chen, da Universidade do Texas em Austin, que fez o estudo em colaboração com colegas da Universidade Agrícola de Nanjing, na China.

Metiloma do algodão

O resultado do trabalho da equipe é um "metiloma" do algodão - uma lista de genes e elementos genéticos que foram ligados ou desligados através de um processo natural chamado metilação do DNA.

O metiloma fornece pistas importantes para as empresas de biotecnologia que desejarem adaptar as culturas através de modificações epigenéticas.

Este metiloma cobre a forma de algodão mais cultivada no mundo, conhecida como Upland ou algodão do México (Gossypium hirsutum); do seu primo, o Pima ou algodão egípcio; e dos seus parentes selvagens. Segundo a equipe, o mapa consegue mostrar como essas plantas mudaram ao longo de mais de um milhão de anos.

"Sabendo como o metiloma mudou durante a evolução e a domesticação ajudará a aproximar esta tecnologia da realidade," disse Chen.

Bibliografia:

Epigenomic and functional analyses reveal roles of epialleles in the loss of photoperiod sensitivity during domestication of allotetraploid cottons
Qingxin Song, Tianzhen Zhang, David M. Stelly, Z. Jeffrey Chen
Genome Biology
DOI: 10.1186/s13059-017-1229-8

 

 


O MODELO AGROEXPORTADOR BRASILEIRO É COMPLETAMENTE CONTRÁRIO AO ACORDO DE PARIS’, ENTREVISTA COM ALEXANDRE COSTA
Ecodebate, 19.06.2017

 

O presidente Michel Temer regulamentou na semana passada o Acordo de Paris, que estabelece metas de redução das emissões de gases causadores do efeito estufa. O gesto, que foi interpretado como uma tentativa de buscar apoio em meio à crise política que ameaça seu governo, veio poucos dias após o anúncio, pelo presidente Donald Trump, da retirada dos Estados Unidos do Acordo, firmado em 2015 durante a Cúpula do Clima de Paris, a COP 21.

 

O doutor em Ciências Atmosféricas e professor da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Alexandre Costa, fala, nesta entrevista, sobre o significado geopolítico da saída dos Estados Unidos, segundo maior emissor mundial de gases de efeito estufa, do Acordo de Paris, e também sobre o que significa sua regulamentação pelo governo brasileiro. Segundo ele, ao que tudo indica o gesto deve ser apenas simbólico, uma vez que uma das principais bases de sustentação do governo Temer é a bancada ruralista, que vem se mobilizando para garantir a aprovação, no Congresso Nacional, de inúmeros projetos que flexibilizam a legislação ambiental brasileira.

 

De acordo com Alexandre, o avanço da agenda da bancada que representa os interesses do agronegócio no Congresso significa retrocessos para o combate ao desmatamento, a principal causa de emissão de gases de efeito estufa no Brasil. O professor da UECE fala também sobre as limitações do Acordo de Paris, que ele considera insuficiente, e sobre a resistência da indústria dos combustíveis fósseis ao avanço das medidas de combate ao aquecimento global.

O que significa a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris?

Foi um tiro no pé. O [Donald] Trump conseguiu ficar completamente isolado. Dos países membros da Organização das Nações Unidas [ONU], três estão fora do Acordo de Paris. Um é a Síria, um país devastado pela guerra que não tem hoje condição de se colocar como signatária de nada. O outro é a Nicarágua, que considera o acordo fraco – avaliação com a qual eu concordo. E, agora, os Estados Unidos se tornaram o terceiro. Nesse sentido, a posição do Trump é completamente isolada. Do ponto de vista diplomático e do ponto de vista da geopolítica, é desastroso. No encontro do G-7, os demais membros, França, Canadá, Alemanha, etc., insistiram com o Trump para que ele permanecesse no Acordo. E o [Emmanuel] Macron [presidente da França] foi bem direto, e disse: “Desse jeito a China vai tomar a frente”. É desastroso para essa lógica do grande Ocidente que os Estados Unidos sabotem o Acordo. A China se tornou o país mais poluidor do mundo: detém, hoje, cerca de 25% das emissões de CO2 globais. Os Estados Unidos são o segundo, com cerca de 15%. A China, até por ter tornado o ar de muitas de suas cidades irrespirável, fez um giro muito violento no sentido de investir em energias renováveis e, obviamente, tem tanto tecnologia quanto capacidade de produção em escala para dominar esse mercado. Os europeus sabem que o Trump pode atrasar em quatro anos isso. Eu acho que os americanos não são tão loucos a ponto de reelegê-lo, mas, dentro do limite, ele pode atrasar o processo por oito anos, o que vai fazer muito estrago. Mas os europeus sabem que, do ponto de vista da corrida tecnológica e do mercado da energia, os combustíveis fósseis vão perder terreno e, portanto, as energias renováveis são o foco. Perdendo os Estados Unidos como parceiro nesse processo, a Europa se vê fragilizada na geopolítica. De fato, a China está chamando para si a tarefa, quem diria, de grande potência defensora do clima.

 

Por que o Acordo é insuficiente?

Quando a Nicarágua critica o Acordo, ela está certa. Mesmo países que fazem parte dele têm fortes críticas, caso da Costa Rica. A Nicarágua tem 90% de energias renováveis, assim como a Costa Rica, aqui na América Latina. A gente muitas vezes fala de energias renováveis e expressa como referência a Alemanha, a Dinamarca, mas poderíamos olhar para muito mais perto. Costa Rica e Nicarágua estão trabalhando numa perspectiva de matriz de desenvolvimento garantindo acesso à energia para as maiorias sociais a partir de fontes renováveis: solar, eólica, geotérmicas, hidrelétricas de menor porte. E isso é um salto possível e necessário em termos de desenvolvimento econômico que o Brasil poderia e deveria fazer. Outra coisa importante: a Costa Rica é modelo de unidade de conservação. Estão fazendo isso também protegendo as suas florestas. A Nicarágua está fora do Acordo de Paris por dizer: ‘olha, o acordo é insuficiente, não coloca regras claras pra fazer com que os ricos arquem com a conta, então vamos fazer a nossa parte fora desse negócio’.

 

Quais são seus principais problemas?

O primeiro ponto é que o Acordo de Paris não é um acordo vinculante; é voluntário, no sentido que cada país apresenta suas contribuições . Os próprios países estabelecem suas próprias metas. Então há metas que são vergonhosas, caso da Rússia, do próprio Japão Há também um conjunto de metas que não são exatamente pífias, mas insuficientes considerando o que esses países podem fazer. Nessa categoria estão os Estados Unidos, o Brasil e a própria China. E aí o que acontece? Quando a gente faz o somatório disso tudo e coloca na balança as metas muito ruins, as metas insuficientes e um punhado de países que têm metas mais ousadas, no final das contas, a gente não chega naquilo a que o Acordo se propõe a fazer. O Acordo – e esse talvez seja único aspecto realmente produtivo – sinaliza para o conhecimento cientifico que diz que nós não devemos deixar o aquecimento global passar de dois graus até 2100, assinalando ainda que o ideal seria não ultrapassar 1,5 grau. Esses dois limites estão explicitamente no texto do Acordo de Paris. Não fazer nada, o cenário de business as usual, nos colocaria numa rota de aquecimento de 4,5 a 6,1 graus até 2100. Enquanto que as contribuições voluntárias nos levam a um aquecimento de 2,7 a 3,5 graus. É como se estivéssemos no Titanic e, para evitar a colisão frontal com o iceberg, aceitássemos um choque lateral. Nesse sentido, o Acordo é de fato insuficiente, os seus mecanismos são insuficientes e o financiamento é muito pequeno.

 

Mesmo representantes da indústria do petróleo se pronunciaram publicamente contra decisão de Donald Trump. Por quê?

O Trump poderia muito bem permanecer debaixo do guarda-chuva do Acordo de Paris simplesmente não cumprindo as metas, que são voluntárias. Não há penalidade se ele não cumprir. Acho que isso é o que boa parte, mesmo dos setores de indústrias poluentes, reclamam. Foi politicamente uma jogada ruim. E uma política ruim é ruim para os negócios. Ele foi eleito com uma plataforma populista de direita. Muita gente, inclusive, considerava que havia várias bravatas ali. Mas ele está mostrando que não é bravata. Trump nomeou o Scott Pruitt como chefe da EPA[a agência federal de proteção ambiental], que tem um histórico terrível. Ele era procurador-geral do Estado de Oklahoma. Aliás, não sei o que tem aquele estado; o senador de Oklahoma, James Lankford, fez o papelão de jogar uma bola de neve no meio do Senado para provar que não existia aquecimento global. Mas Scott Pruitt era o procurador-geral de Oklahoma e, no exercício do cargo, processou a própria EPA várias vezes. A agência que hoje ele comanda foi processada por ele várias vezes. Oklahoma, para se ter uma ideia, é um estado em que houve uma ampla liberação do fracking a partir de 2008. O fracking é uma forma de exploração de gás xisto não convencional, baseada na quebra da rocha, quebra física e química da rocha pra liberar o gás e, eventualmente, o óleo também, que fica nos poros. É uma técnica com muitos impactos ambientais, inclusive terremotos. E o Scott Pruitt é um negacionista militante mesmo. Ele é realmente comprometido com interesses econômicos que negam a existência do aquecimento global. E [sua nomeação] mostrou-se algo tão grave quanto colocar o ex-executivo chefe da Exxon [multinacional do petróleo], Rex Tillerson, à frente do Departamento de Estado, que é a máquina de guerra dos Estados Unidos.  O governo Trump está a serviço da indústria de combustíveis fósseis. E foi ao limite extremo, de anunciar a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris. É um aceno ao que há de mais atrasado, mas o Trump se colocou numa situação de isolamento. E é importante também dizer o seguinte: ele conseguiu dizer uma quantidade de mentiras por minuto naquele discurso dele que é impressionante. Primeiro falar que os Estados Unidos iam pagar uma fortuna. A expectativa é o Fundo Verde para Clima chegar a US$ 100 bilhões daqui a vários anos. Parece muito dinheiro, mas não é. A cota dos Estados Unidos seria de US$ 3 bilhões, só que o [Barack] Obama repassou US$ 1 bilhão. É algo pífio, comparado com outras coisas que o Trump aprovou. Só o aumento de 9% no orçamento militar dos Estados Unidos implica em US$ 50 bilhões.

 

E como avalia o gesto do presidente Michel Temer com a regulamentação do Acordo?

A posição do Brasil no Acordo de Paris foi negociada no governo Dilma. Basicamente, o Brasil deveria ter uma enorme gordura que é do desmatamento. Temos uma estrutura de emissão de gases de efeito estufa que é diferente da maioria dos países. No mundo, o desmatamento é responsável por cerca de 10% a 11% das emissões, um impacto menor do que as emissões de geração de energia elétrica, do que as emissões da indústria, do transporte. É menos até do que as emissões de metano produzidas pelo gado bovino. Veja que o desmatamento é um fator importante, mas preponderante na escala global. O Brasil, segundo o dado mais recente que temos, de 2015, emitiu 1,9 bilhões de toneladas de CO2 equivalentes. Isso já fazendo equivalência do metano, do óxido nitroso e dos halocarbonetos para CO2.

 

O que isso quer dizer?

Uma molécula de metano tem mais capacidade de absorção de calor que uma molécula de CO2, então é preciso fazer um cálculo, que é qual o impacto de molécula de metano na atmosfera por 100 anos em comparação com uma molécula de CO2. E uma molécula sozinha de metano equivale a 34 moléculas de CO2. Emitir uma tonelada de metano é como se você estivesse emitindo 34 toneladas de CO2, então é feita essa equivalência em CO2. O Brasil emitiu 1,9 bilhões de toneladas de CO2 equivalente. Veja só que coisa lamentável: 884 milhões vieram do desmatamento, o que inclusive representa um aumento em relação a 2014; 454 milhões vieram da energia, agregando transporte, queima de combustíveis, e 425 milhões da agropecuária. Então veja que ao contrário da maioria dos países do mundo, no Brasil, 46% das emissões ainda são do desmatamento. O Brasil colocou no Acordo de Paris, que foi aprovado na COP 21 [Conferência das Nações sobre as Mudanças Climáticas] em 2015, uma proposta de redução das emissões em 37% [até 2025] e 43% [até 2030]. Só que o Brasil pegou como referência o ano de 2005 – e em 2005 o desmatamento estava no auge: o Brasil emitiu ao todo 6,16 bilhões de toneladas de CO2, sendo 2,32 bilhões de desmatamento. Então veja que quando o Brasil pega 2005 como referência e traz para os dias de hoje, é como esse ele já tivesse cumprido boa parte da meta. Não precisa fazer esforço nenhum. Apesar desse truque, o Brasil precisaria reduzir o desmatamento. É assim que a Dilma trabalhou o processo dizendo: “nós vamos acabar com o desmatamento ilegal”. Em suma, o Brasil tinha condições – e ainda tem – de cumprir as metas colocadas porque são metas tímidas. Não mexe na energia. Toda essa panaceia em torno do pré-sal, do aumento das termoelétricas; na verdade, isso aí não era tocado em nada. O Brasil sequer precisaria reduzir o seu rebanho bovino colossal. Precisaria apenas manter a trajetória de redução do desmatamento, que já vinha acontecendo desde o final dos anos 2000, reflexo principalmente de acabar com financiamento de desmatador. O problema todo é o seguinte: essa redução deveria continuar, mas os indícios dos últimos três, quatro anos apontam no sentido contrário. E a tendência é piorar. Eu reconheço, por exemplo, na figura do Sarney Filho [ministro do Meio Ambiente] uma pessoa com entendimento da questão ambiental e climática e que faz algumas movimentações positivas, mas no contexto de um governo sustentado por ruralistas, o alcance disso é muito pequeno.

 

Por quê?

Quando saiu o anúncio do Trump, o Itamaraty saiu com uma nota lamentando, assumindo uma posição crítica, o que é positivo. Mas, ao mesmo tempo, as movimentações da principal base de sustentação do governo Temer no Congresso vão no sentido do desmonte da legislação ambiental. O que abre mais terras para o agronegócio, para a mineração. É algo que contradiz a posição do governo em relação ao Acordo de Paris. O modelo agroexportador brasileiro é completamente contrário ao Acordo de Paris. Temos basicamente uma cabeça de gado bovino para cada pessoa. É lamentável que isso seja um tema delicado, mas é a pior fonte de proteínas que a gente poderia ter, por vários aspectos, ambientais, inclusive, de consumo de água, etc. Mas o fato da área demandada ser muito grande é um aspecto. A expansão da fronteira agrícola termina rebatendo no desmatamento, e o gado bovino, por ser ruminante, emite metano da fermentação do rúmen. Já a mineração, além de demandar uma enorme quantidade de água, degrada o ambiente porque envolve desmatamento direto.Mais do que isso: você muda completamente o fluxo de sedimentos e aí você assoreia rios e termina matando o ecossistema ao redor. Você perde mata direta e indiretamente e, claro, no limite, você tem situações como a do Rio Doce. A indústria da mineração também entra nessa conta, é um outro setor desastroso para o ambiente e para o país. Tudo isso nos leva a repensar o todo. No Brasil o agronegócio é chave. Porque se você juntar os 880 milhões de CO2 equivalentes do desmatamento com os 420 milhões do metano e óxido nitroso do gado bovino, os fertilizantes químicos etc., a gente chega em 1,3 bilhões de toneladas de CO2 equivalente dos 1,9 bi que o Brasil emitiu em um ano. Quer dizer, quase 70% das emissões brasileiras estão relacionadas ao agronegócio. Não tem como você enfrentar a questão climática, ambiental e hídrica no Brasil hoje sem falar do campo. E não é só Temer e companhia, que promovem isso de forma muito mais agressiva, descarada e até cínica,  A exportação de commodities também foi um modelo adotado nos governos do PT.

 

Qual é o grau de consenso que existe hoje na comunidade científica em torno das mudanças climáticas? E quais os impactos delas sobre o planeta hoje?

A última pesquisa mostrou que pelo menos 98,5% dos cientistas ativos na área de clima não têm dúvida: o aquecimento global existe, é antrópico [causado pelo ser-humano] e é perigoso. Isso é um consenso científico bem maior do que muitas das coisas que você vê por aí, e várias delas justificam a tomada de medidas. E as consequências já estão aparecendo: nós estamos hoje 1,2 graus acima do período pré- industrial. São cada vez mais comuns as zonas de calor mortíferas, como aquelas que vitimaram vários idosos na Europa em 2008; em 2015 3,9 mil pessoas na Índia e no Paquistão morreram de calor – e 70% dessas zonas de calor estão associadas ao aquecimento global antrópico. Ou seja, há uma probabilidade três vezes maior de acontecerem do que antes. Um estudo publicado na revista Science recentemente mostrou que temos hoje um aumento de 40% na tempestade severa, o que é totalmente casado com esse conhecimento que se tem da física de que uma atmosfera mais quente armazena mais vapor d’água, que é matéria-prima para você produzir nuvens e tempestades. É óbvio que ia ficar mais intenso. Teve o [tufão] Haiyan, teve o [furacão] Patricia. A perda da calota de gelo é uma coisa espantosa: o volume do gelo marinho do Ártico diminuiu 70% em apenas 37 anos.

 

É possível que sejam fenômenos naturais, como argumentam os grupos que negam a existência das mudanças climáticas antrópicas?

Não. Não tem evidência para argumentar isso, pelo contrário. É charlatanismo e um absurdo que isso continue sendo propagandeado,  criando confusão na sociedade. Isso obstaculiza ações necessárias. E aqui eu queria falar um pouco da história desse fenômeno chamado negacionismo. Porque essa, talvez, seja a chave que a gente precisa girar. Recentemente – e aí é um papel combinado de ações judiciais e trabalho de hacker mesmo – vieram à tona dezenas de documentos internos de corporações da indústria fóssil, principalmente a Exxon, e de instituições ligadas a ela, como o Instituto Americano de Petróleo, que é o grande sindicato das petroleiras. A reação que você tem ao ler esses documentos é de surpresa, indignação e fúria.

 

Por quê?

Em 1968, o Instituto Americano de Petróleo encomendou um estudo para a Universidade de Stanford, já querendo saber se a exploração de combustíveis fósseis e a sua queima iria mesmo provocar algum problema no clima. Porque existem indícios teóricos que apontam para isso desde o século 19 e indícios experimentais, empíricos, desde a década de 1930. E o documento de Stanford reforçou tudo isso. Na década seguinte, no final dos anos 1970, a Exxon financiava com recursos bastante vultosos pesquisas para avaliação dos impactos ambientais da atividade dela. Não é que ela fosse boazinha, mas se você faz um estrago grande, dá prejuízo. Então a Exxon tinha, inclusive, um programa de pesquisa em clima. O cientista-chefe desse processo, chamado James Black, elaborou, em 1978, um memorando em que fez várias projeções climáticas. Todas estãose confirmando agora. Ele colocava nos seguintes termos: nós temos uma janela de tempo de cinco a 10 anos para iniciarmos mudanças importantes no nosso sistema energético. Ele recomendava à Exxon que a empresa deveria migrar maciçamente seus investimentos para formas de energia alternativas ao petróleo em no máximo em dez anos.

 

O que aconteceu?

Em 1982, colocaram isso dentro de uma gaveta, encerraram o programa de clima e, a partir da década de 1990, passaram a financiar o negacionismo de uma forma impressionante. Tem um documento que relata a estratégia para conseguir sabotar o Protocolo de Kyoto, que estava tramitando nos anos 1990. Incluía recrutar cientistas, recrutar pessoas dentro da mídia, convencer empresários de peso que tenham forte ligação com políticos para atuar na legislação. Está tudo lá, tem esses orçamentos para isso. É impressionante. É o mesmo modelo da indústria do tabaco. Na verdade, eles usaram a expertise que foi construída no período do tabaco e trouxeram isso tudo para uma escala maior, mais perversacriando um caldo de cultura que continua fermentando até hoje: o negacionismo sobrevive. Mesmo diante de evidências que vêm desde o século 19, mesmo depois de cinco relatórios de IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas], com dados gerados dentro das próprias empresas petroquímicas, mesmo depois que as consequências já aparecem… Como, diante de tudo isso, não se toma as decisões necessárias?  A única coisa que eu posso citar é que essas corporações, como um todo, tinham que ir para um tribunal internacional nos moldes de Nuremberg porque não são nem um pouco melhores do que os nazistas.

 

Dentro do que a gente chama genericamente de ‘ambientalismo’ há movimentos que procuram desmistificar um pouco a ideia, que acredito que o Acordo de Paris também expresse de alguma forma, de que a poluição ambiental é ‘democrática’. Esses movimentos procuram jogar luz sobre a questão da responsabilização diferenciada sobre a geração da poluição e também sobre os impactos diferenciados dessa poluição. Essa chave de leitura pode ser utilizada quando a gente fala de mudanças climáticas, fenômenos que se expressam numa escala global ao longo de dezenas de anos?

A primeira coisa é a diferença do bônus do uso abusivo de combustíveis fósseis. Ele beneficiou alguns apenas. Se você for olhar em cada 40 moléculas de CO2 que tem na atmosfera hoje, uma foi colocada lá ou pela Exxon, Chevron, BP e a Shell. Você chega a uma situação em que um habitante médio de Luxemburgo emite 300 vezes mais que um habitante médio da Etiópia. Então existe um abismo colossal. A gente enxerga nessa sociedade a desigualdade entre os países, entre as classes. Essa desigualdade se revela nas emissões de carbono. Se desenvolveu e cresceu quem tirou o carbono do subsolo e jogou para a atmosfera, se dá assim desde a revolução industrial. Então esse é o primeiro ponto. Mesmo que os impactos fossem, de fato, democráticos, por uma questão histórica as responsabilidades deveriam ser de quem fez o negócio. Mas o pior é que os impactos também são desiguais. Quem é que está em vias de desaparecer [por causa do derretimento das calotas polares]? Parte da Flórida? É verdade, mas é uma fração pequena do território dos Estados Unidos, enquanto tem países inteiros na fila: Kiribati, Tuvalu, as próprias Bahamas. Se fala até de Bangladesh. Um estudo paleoclimático recente mostra o seguinte: nós temos subestimado a questão da elevação do nível do mar, e isso por uma questão de limitação dos modelos utilizados. Se a gente olhar para a última vez em que a temperatura da Terra esteve entre 1,5 e 2 graus acima dos dias de hoje – os números que o Acordo de Paris quer evitar – foi há 400 mil anos, e os mares estavam entre seis e 13 metros acima dos dias atuais. Olha, 100 milhões de pessoas só em Bangladesh moram a 10 metros do nível do mar.  É um país do tamanho do Ceará com 154 milhões de habitantes e, desses, 100 milhões moram na zona costeira de baixa altitude. Como é que faz? A Holanda ainda vai ter como se defender da elevação do nível do mar com aquele grande sistema de diques e bombas. Mas o que você vai falar para os habitantes de países-ilha, o pessoal lá das Filipinas que não tem recursos para isso, não tem nem como fazer isso na escala necessária? De fato, são profundamente desiguais, e esse talvez seja o aspecto mais perverso das mudanças climáticas. Quem se beneficiou com as emissões históricas de carbono foram uns e quem mais está exposto aos impactos são outros.  De novo dá para comparar com o Titanic: está todo mundo dentro, a primeira classe, a segunda e a terceira. Mas como não há botes salva-vidas para todos, se tranca a terceira classe no porão.




 

'PELO BEM DA HUMANIDADE', STEPHEN HAWKING FAZ APELO PARA QUE HOMEM VOLTE À LUA
BBC Brasil, 20.06.2017

 

O cientista e físico britânico Stephen Hawking convocou países a enviarem astronautas à Lua até 2020. Para ele, é preciso também construir uma base lunar nos próximos 30 anos e enviar pessoas a Marte até 2025 - tudo isso pensando "no futuro da humanidade".

 

As previsões de Hawking almejam principalmente reacender programas espaciais globais, forjar novas alianças e dar à humanidade uma nova "sensação de propósito".

 

O cientista está participando do Starmus Festival, que celebra a Ciência e as Artes e está acontecendo em Trondheim, na Noruega. Ele reforçou lá seus desejos de um novo plano de expansão espacial.

 

"Essa expansão para o espaço pode mudar completamente o futuro da humanidade", disse o físico britânico.

Tenho esperanças de que isso uniria países que competem entre si em torno de uma única meta, para enfrentar o desafio comum a todos nós. Um novo e ambicioso programa espacial serviria para engajar os mais novos e estimular o interesse deles em outras áreas, como astrofísica e cosmologia."

 

Questionado sobre se não seria melhor gastar o dinheiro disponível tentando resolver os problemas deste planeta, em vez de investi-lo no espaço, Hawking pontuou que é importante, sim, cuidar das questões urgentes daqui - mas agregou que pensar no espaço é importante para garantir o futuro da humanidade.

 

Neil Armstrong/Nasa

O homem chegou à Lua pela primeira vez em 1969

 

"Não estou negando a importância de lutar contra o aquecimento global e as mudanças climáticas aqui, ao contrário do que fez Donald Trump, que pode ter tomado a decisão mais séria e errada sobre esse tema que o mundo poderia esperar", disse. (No início do mês, o presidente americano anunciou a saída dos EUA do Acordo de Paris, pacto climático que visa impedir o aumento das temperaturas globais).

 

No entanto, o cientista ressaltou que as viagens espaciais são essenciais para o futuro da humanidade, principalmente porque a Terra está sob ameaça - justamente por conta de problemas como o aquecimento global e a diminuição dos recursos naturais.

 

"Estamos ficando sem espaço aqui e os únicos lugares disponíveis para irmos estão em outros planetas, outros universos. É a hora de explorar outros sistemas solares. Tentar se espalhar por aí talvez seja a única estratégia que pode nos salvar de nós mesmos. Estou convencido de que os seres humanos precisam sair da Terra", afirmou o físico.

 

Chefe da Agência Espacial Europeia, Jan Woerner disse que prevê a construção de uma base na Lua em 2024 e está colaborando com a Rússia para enviar uma sonda e testar um possível local para isso. A China já estipulou uma meta de enviar um astronauta à Lua em breve.

 

Já a Nasa não tem planos de voltar à Lua por enquanto e vem focando seus esforços no plano de enviar astronautas a Marte até 2030. No entanto, se outras agências espaciais começarem a colaborar entre si para a construção de uma base lunar, seria difícil ver a Nasa de fora dessa.

 

Para Hawking, o ponto principal é que não há futuro a longo prazo para nossas espécies na Terra: ele acha que seríamos atingidos por um asteroide novamente ou eventualmente engolidos pelo nosso próprio Sol. Ele ainda reforça que viajar para outros planetas distantes "elevaria a humanidade".

 

"Sempre que demos um novo salto, por exemplo a ida à Lua, unimos os povos e as nações, inauguramos novas descobertas e novas tecnologias", afirmou.

 

"Deixar a Terra exige uma movimentação global, todos devem estar juntos nisso. Precisamos fazer renascer a empolgação dos primórdios das viagens espaciais, na década de 1960."

 

Para ele, a colonização de outros planetas já não é mais tema de ficção científica. "Se a humanidade quiser continuar (a viver) por mais milhões de anos, nosso futuro residirá na ousadia de ir onde ninguém mais ousou ir. Espero que seja para o melhor. Nós não temos outra opção."

 


TECH TITANS MAKE PILGRIMAGE TO WHITE HOUSE TO DISCUSS GOVERNMENT SYSTEMS
Cecilia Kang The New York Times , 19.06.2017

Tech leaders and investors, some of whom have disagreed with President Trump, met at the White House on Monday about updating government technology. Credit Stephen Crowley/The New York Times

 

WASHINGTON — Silicon Valley is fuming about President Trump’s stance on climate and immigration, but top technology executives still made a pilgrimage to the White House on Monday to discuss a potential upgrade of government technology.

 

Timothy D. Cook of Apple, Jeff Bezos of Amazon, Satya Nadella of Microsoft and Eric Schmidt of Alphabet were among 18 tech executives and investors — many of whom have criticized the Trump administration — who attended the four-hour afternoon session to discuss cloud computing and procurement systems run by government agencies.

 

For many, it was the second group meeting with Mr. Trump since the election — and another demonstration of the administration’s ability to summon top business executives, even amid controversy.

 

“Government needs to catch up with the technology revolution,” said Mr. Trump, who strolled in at the end of the meeting to greet the tech titans. “We’re going to change that with the help of great American businesses like the people assembled.”

 

He later said, drawing laughter, “We have approximately $3.5 trillion of market value in this room — but that’s almost the exact number that we’ve created since my election.”

 

Few technology specialists from the White House attended. The administration has not filled several major science and technology positions. But the business and economics team closest to the president attended, including Gary D. Cohn, director of the National Economic Council, and Dina Powell, senior counselor for economic initiatives.

 

The event was organized by Jared Kushner, special adviser to the president and Mr. Trump’s son-in-law, and Chris Liddell, the White House director of strategic initiatives and former chief financial officer of Microsoft. Mr. Kushner’s Office of American Innovation brought together the executives for 10 workshops on topics such as cybersecurity, analytics and using technology to better connect people to government services.

 

Mr. Kushner opened the event in the White House Indian Peace Treaty room by emphasizing the potential of the companies to improve the government’s outdated and inefficient technology systems.

 

“Together we will unleash the creativity of the private sector to provide citizen services in a way that has never happened before,” he said.

 

The opportunity for Silicon Valley is enormous. The federal government spends $80 billion a year on information technology, much of it used to maintain outdated technology such as data systems that are decades old and storage that includes floppy disks used at the Defense Department. Federal agencies maintain 6,100 data centers that could be consolidated and moved to the cloud.

 

The meeting occurred as tech company stocks roared back after declining in the last two weeks, pushing the stock market to records on Monday. Apple and Alphabet, the parent of Google, were among the top gainers after three consecutive sessions of declines.

 

The tech industry has walked a delicate line in its engagement with the Trump administration. Some tech workers and customers have called on industry leaders to withdraw from positions as official advisers to the president. Uber’s chief executive, Travis Kalanick, resigned as a White House adviser after protests by employees and users. Elon Musk, chief executive of SpaceX and Tesla, quit the White House business advisory council after the administration withdrew the United States from the Paris climate accord.

Mr. Musk did not attend the meeting Monday. Mark Zuckerberg, the chief executive of Facebook, was invited but declined because of a scheduling conflict, the company said.

 

The meeting occurred only weeks after tech executives, including Mr. Musk and Mr. Cook, publicly criticized the withdrawal from the Paris accord. But senior administration officials said they had not encountered any reluctance to participate in the event and had a waiting list for people who wanted to attend.

 

 “This is a double-edged sword for the tech C.E.O.s because they don’t want to be window dressing and used for photo ops,” said Jeffrey Sonnenfeld, a professor and associate dean at the Yale School of Management. “But on the other side, this is the most business-friendly administration since Eisenhower and is much more open than any administration to influence on the spot.”

 

Administration officials said that the chief executives had done their homework and were engaged in the workshops and discussions.

 

“I don’t think there was any one big suggestion,” Mr. Liddell said in an interview. “But there was a large number of small suggestions, all of which are interesting for us to follow up.”

 

Several tech executives had a chance to address Mr. Trump in a round-table discussion at the end of the day.

 

Mr. Bezos encouraged the president to use commercial technology whenever possible. Amazon’s booming cloud services business has become a contractor to the government. The Amazon founder also emphasized the need to retrain workers and said it was “impossible to overstate” the importance of artificial intelligence.

 

Peter Thiel, an early Trump supporter and tech investor, praised the president.

 

“Your administration is doing very well,” he said.

 

Brad Smith, Microsoft’s president, said on Twitter that the company made the case “for why healthy high-skilled immigration and investments in education are good for the country.”

 

Two people who were briefed on the tech meeting later said Mr. Trump also voiced support for “comprehensive” immigration reform, a term that was used during the Obama administration to generally describe a pathway to citizenship for undocumented immigrants in the United States.

 

The president made the promise, the two people said, after being told by Mr. Cook that tech employees may worry they are being targeted amid confusion over the administration’s immigration policy. It was unclear exactly what the president meant, or if he was using the term to mean something else. White House press aides did not respond to a request for comment on Monday night, and a spokesman for Apple declined to comment.

 

Mr. Trump in February told a group of network anchors that he was considering pushing some form of comprehensive immigration reform package. But he never said it publicly or produced a proposal, and has taken a hard line against it immigration in speeches and public comments.

 

Maggie Haberman contributed reporting from Washington, Vindu Goel from San Francisco, and Nick Wingfield from Seattle.

 


SCIENTISTS JOIN MASSIVE PROTEST AGAINST TRUMP
Sara Reardon, Nature: International Weekly Journal of Science, 22.06.2017

Researchers at Women's March in Washington DC defend their work as US president takes office.

Christy Till, a geologist at Arizona State University in Tempe, speaks to members of the 500 Women Scientists group at the Women's March in DC.

The women in white lab coats didn’t expect to be treated like celebrities. The group of scientists, dozens strong, came to Washington DC on 21 January to join the Women’s March, a massive protest against the brand-new US President, Donald Trump.

But as they navigated the dense crowd near the National Air and Space Museum, the researchers were greeted by shouts of “We love science!” Eager strangers asked the scientists to pose for photographs with the signs they carried, which bore slogans such as “Stand up 4 Science” and “Science does not discriminate.”

The march drew hundreds of thousands of people to the US capital. It was organized to protest against Trump’s comments about women and reproductive health, but for many researchers at the event, the president’s positions on scientific issues are equally worrisome. Trump, who took office on 20 January, has questioned the science underlying climate change and suggested a link between childhood vaccinations and autism.

 “Having this man be elected, and the people he’s placed so far [in government], is unbelievable,” said Erin DiMaggio, a geoscientist at Pennsylvania State University in University Park. “They're not supporting evidence-based anything.”

Celia Chen, an ecotoxicologist at Dartmouth College in Hanover, New Hampshire, came to the march with her daughter Jane, a graduate student in epidemiology at the University of North Carolina in Chapel Hill. Neither had been politically active, but after Trump’s election “we were feeling very depressed and said we had to come”, Celia Chen said.

The mother–daughter pair marched with a group called 500 Women Scientists, which formed in November 2016 to organize an open letter defending science, diversity and equality for women that now has more than 13,500 signatures. Members of the group, which is trying to build networks between women scientists in different countries, participated in Women’s March events all over the world on 21 January. 

The group says that it had 150–200 scientists at the Washington DC march; another organization, the Association for Women in Science, had at least 30 people marching.

The day of activism reached as far south as McMurdo Station in Antarctica. About 95 of the 800 people stationed at the US research base attended the march to Hut Point, where British explorer Sir Robert Scott and his team camped in the early 1900s. The marchers did not have signs, because nearly all poster supplies at McMurdo are US government property.

Speaking up

The Washington DC march drew a number of US government employees. Several told Nature that they were worried for their jobs under the Trump administration, and requested anonymity to avoid violating their agencies’ policies about talking to the press.

Jennifer Kirk, a biostatistician who is about to start a job in the US Food and Drug Administration’s vaccine division, attended the march to protest the unequal treatment of women, particularly women of colour. She is also concerned about Trump’s views on vaccination. “Vaccines are one of our greatest medical triumphs,” Kirk said.

Others at the march were concerned about how the president’s immigration stance could affect international science collaborations and foreign researchers’ ability to study and work in the United States. Trump has pledged to build a wall along the US border with Mexico and to institute “extreme vetting” of people who want to come to the United States.

That has made some immigrant and minority scientists nervous, says Lindy Elkins-Tanton, a planetary scientist at Arizona State University in Tempe. “To make the best progress, we need to hear all voices,” she said. “You have to feel safe to speak up.”

Whatever the future brings, the scientists’ warm reception at the Washington DC march encouraged Kim Cobb, a climate scientist at the Georgia Institute of Technology in Atlanta. “As I heard the cheers and the echoes across the hundreds of thousands of people there today,” she said, “what I felt was the presence of an army of people who have my back”.

Corrections

Corrected:

This story originally mischaracterized the reasons Jennifer Kirk attended the march: her motivation centred on the unequal treatment of women, especially women of colour, and not Trump’s views on vaccination. The text has been corrected to reflect this.

 


 

UK USING WAVE ENERGY TO GENERATE ELECTRICITY
Nick Mitchell, The Source Water Magazine, IWA, 22.06.2017

Green Marine transport the Penguin to European Marine Energy Centre wave test site

 

A wave energy converter, produced by technology company Wello, has successfully generated electricity into the national grid off the west coast of Orkney, Scotland.

 

Tidal and wave energy installation company, Green Marine, installed the Penguin wave energy converter at the beginning of March at the European Marine Energy Centre’s grid-connected wave test site.

 

This is the first of three wave energy converters due to be installed at European Marine Energy Centre over the next three years as part of the Clean Energy from Ocean Waves project, funded by the European Union’s Horizon 2020 research and innovation programme.

 

“This is a tremendous milestone for Wello and all Clean Energy from Ocean Waves partners, but also for the wave energy sector as a whole,” said Neil Kermode, Managing Director of the European Marine Energy Centre. “Not only has Wello’s Penguin survived heavy swell and stormy conditions since being deployed, it is now generating power into the local grid. Congratulations to everyone who has worked towards this moment, and we look forward to the future learning that will come from this project.”

 

Led by energy company Fortum, the generation of power is a major milestone within the Clean Energy from Ocean Waves project, which aims to ready the Penguin technology for commercialisation by developing the first grid-connected wave energy array in the UK, focusing on lowering the levelised cost of energy and developing an efficient supply chain to support larger wave power projects in the future.

 

“This is a very exciting period in the project for us, and the Wello office in Orkney has been buzzing with people eager to watch the screens showing the live generation feeds,” said Mikko Muoniovaara, Senior Project Manager at Fortum. “This has proven the viability of the Penguin concept, as not only can the technology survive in the harsh waves around Orkney, but it can generate power from them. For Fortum, this is very promising progress.”

 

The Clean Energy from Ocean Waves consortium spans the full value chain including research organisations, wave converter technology developers, marine service providers and a large multi-national utility company. In addition to Fortum, the joint project consists of Wello, Green Marine, Uppsala University, Plymouth University, the University of Exeter and the European Marine Energy Centre.

 

 


SECRETARIA REGIONAL DE PERNAMBUCO

Prof. Marcos Antonio Lucena - Secretário Regional

Profa. Rejane Mansur Nogueira - Secretária Adjunta

 

José Antônio Aleixo da Silva (Editor)Professor titular da UFRPE e membro da Diretoria da SBPC.

Bianca Pinto Cardoso
Designer do Jornal

 

Sobre a SBPC-PE

Somos uma Secretaria Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), entidade civil e sem fins lucrativos voltada para a defesa do avanço científico, tecnológico e do desenvolvimento educacional e cultural do Brasil.

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