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Jornal Eletrônico da SBPC/PE #1 Ano: 2

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Notícias:

SONETO DE DESPIDIDA

NOTA DE PROTESTO POR CORTES NO SETOR DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIA, TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO

AS LIÇÕES DE ETS A UM PLANETA AUTODESTRUTIVO

VIOLÊNCIA: FUNDO DO POÇO

MAIOR AUMENTO DA CONCENTRAÇÃO DE CO2 DA HISTÓRIA HUMANA

PARA PESQUISADOR, CURSOS DA MODA SÃO MAIS NEUROPICARETAGEM' QUE CIÊNCIA

COMPUTADOR QUE 'LÊ' PENSAMENTOS PERMITE A PACIENTES COM PARALISIA TOTAL SE COMUNICAR

GIGANTES DA TECNOLOGIA CONTRA TRUMP: EMPRESAS REAGEM A ATO ANTI-IMIGRAÇÃO

PRIMEIRO SATÉLITE BRASILEIRO DE COMUNICAÇÕES SERÁ LANÇADO EM MARÇO

CHINESES CRIAM PAPEL À PROVA DE ÁGUA E DE FOGO

NÃO HÁ EVIDÊNCIAS DE QUE AEDES AEGYPTI ESTEJA ENVOLVIDO EM SURTOS DE FEBRE AMARELA NO BRASIL, DIZ ONU

REALIDADE VIRTUAL NO IEN TEM AVANÇOS 

AUMENTO DE EMISSÕES DE METANO AMEAÇA LUTA CONTRA AQUECIMENTO GLOBAL (ESTUDO)

GIVE THE PUBLIC THE TOOLS TO TRUST SCIENTISTS

WILL YOU GRADUATE? ASK BIG DATA


SONETO DE DESPIDIDA

Sérgio Mascarenhas

"Do Noticiário Policial : corpo de cientista encontrado morto junto ao
banco do poeta Carlos Drumond de Andrade em Copacabana com um Soneto de
Despedida dedicado ao trio Temer/Meirelles/Alckmin como causa mortis:

"Eu andava muito inquieto diria até ansioso
Querendo fazer mil planos de pesquisas inauditas
Com o tempo que me resta no meu estagio de idoso
Fugindo da morte certa de mil doenças malditas

Nessa luta contra o tempo fugindo da morte fria
Enfrentava ao mesmo tempo tantos outros obstáculos
Da falta de recursos e meios à dura burocracia
Que me envolvia potente nos seus múltiplos tentáculos

Até que um dia com calma
Senti refrigério na alma
Achando por fim minha meta:

Que a solução desta fuga insana
Seria encontrar a morte junto ao poeta
Mirando o mar, no seu banco em Copacabana."


 

 

NOTA DE PROTESTO POR CORTES NO SETOR DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIA, TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO

As entidades abaixo relacionadas, que representam comunidades acadêmicas, científicas, tecnológicas e de inovação, vêm a público denunciar a operação desastrosa feita pelo Congresso Nacional na Lei Orçamentária Anual – LOA 2017 com a criação de uma nova fonte de recursos (fonte 900) retirando verbas das áreas de educação e C,T&I. Esses recursos estavam antes assegurados pela fonte 100, que tem pagamento garantido pelo Tesouro Nacional.
 
Essa transferência para a fonte 900 não tem recursos assegurados, tanto que passam a ser chamados de “recursos condicionados “ de acordo com manual orçamentário. A fonte 900 inclusive põe em dúvida o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF, que exige para cada empenho a definição clara da fonte de recursos. Qual a fonte real que o governo utilizará para honrar os pagamentos prometidos pela LOA 2017 à área de C,T&I se a fonte usada está “condicionada” a um apontamento futuro?
 
Salientamos que só na área de C,T&I o impacto financeiro será de R$ 1,712 bilhão, deixando a operação das OSs e das bolsas de pesquisa com apenas R$ 206 milhões na fonte 100, de pagamento direto pelo Tesouro Nacional. Em todo o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação – MCTIC, somente a pesquisa científica foi atingida pela transferência de recursos para a fonte 900.
 
A operação realizada pelos parlamentares gerará, na prática, um corte de 89,24% nas dotações orçamentárias previstas para administração do setor, as Organizações Sociais (OSs) e as bolsas de formação e capacitação em C,T&I. Isso porque a nova fonte 900 poderá ser uma mera ficção, ao tirar a garantia de pagamento dos recursos previstos na LOA para coloca-los na dependência futura de uma nova lei que, de fato, defina uma fonte segura que cubra a previsão orçamentária.
 
Para educação e C,T&I a situação é gravíssima tendo em vista a aprovação, por este mesmo Congresso Nacional, da PEC dos Gastos Públicos, que congelará os investimentos em educação para os próximos 20 anos. É triste ver o país continuam encarando educação e C,&I como gasto e não como investimento, como ocorre em países avançados, por falta absoluta de compreensão dos que decidem.
 
Apesar do que afirma o governo, a transferência de recursos da pesquisa para a fonte 900 gerará impactos dramáticos no sistema educacional já em 2017, caso não seja imediatamente revertida, prejudicando milhares de pesquisadores em todo o pais que dependem de bolsas da CAPES e do CNPq para dar sequencia a seus trabalhos.
 
Oficialmente, alegam que os recursos suspensos serão pagos por meio da Desvinculação de Receitas da União – DRU. Fosse isso verdade, porque então não manter as verbas na fonte 100, já que será o mesmo Tesouro Nacional quem irá administrar as verbas desvinculadas futuramente?
 
No jogo político, o sequestro das verbas aprovado pelo Congresso Nacional nos parece uma forma não ortodoxa para garantir a aprovação da controversa Lei de Repatriação de Recursos (PL 2.617/2015), de onde supostamente viria a verba capaz de voltar a garantir o pagamento efetivo dos recursos colocados na fonte 900.
 
É lamentável constatar esses fatos que serão extremamente prejudiciais ao país. Qualquer Nação na era da economia do conhecimento sabe que educação e C,T&I são as peças fundamentais para atingir os objetivos de cidadania num mundo global.
A comunidade acadêmica, científica, tecnológica e de inovação está perplexa com a sequencia de ações tomadas pelo governo federal em parceria com o Congresso Nacional, que claramente colocam em risco o futuro do Brasil. Sinceramente esperamos que essas decisões sejam revistas pelo bem da Nação e do povo brasileiro.

Academia Brasileira de Ciências (ABC)
Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec)
Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento de Empresas Inovadoras (Anpei)
Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap)
Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação (Consecti)
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

 


 

AS LIÇÕES DE ETS A UM PLANETA AUTODESTRUTIVO

José Monserrat Filho *
“Tais extraterrestres teriam entendido que, para garantir sua sobrevivência a longo prazo, precisariam erradicar a desigualdade social.” Marcelo Gleiser (1)

Que civilização, que valores, que mentalidade, que tipo de vida estamos levando para o espaço cósmico, desde que aprendemos a construir foguetes, satélites e naves espaciais, nas décadas de 30, 40 e 50 do século XX? Quando usaremos o espaço somente para fins pacíficos?

Já no século XXI, em 25 de janeiro de 2017, o Relógio do Apocalipse – criado há 70 anos, em 1945, por cientistas do Projeto Manhattan que inventaram as primeiras bombas atômicas – passou a marcar apenas dois minutos e meio para a meia-noite, a hora estimada do colapso global da Terra. Quais foram as razões da histórica decisão do Conselho de Ciência e Segurança do Boletim dos Cientistas Atômicos (fundado e editado nos EUA), que, antes, consultou o Conselho de Patrocinadores do Boletim, integrado também por 15 laureados com o Prêmio Nobel? (2) O Conselho assim resolveu com base em declarações sobre o uso e a proliferação de armas nucleares de uma única pessoa – o novo Presidente dos EUA, Donald Trump, no perigo das mudanças climáticas e em desenvolvimentos na Coreia do Norte, Rússia, Índia e Paquistão?

A declaração conclusiva do Conselho de Ciência e Segurança do Boletim afirma: "Em 2016, o panorama da segurança global piorou. A comunidade internacional não logrou enfrentar com eficácia as ameaças mais urgentes da humanidade, as armas nucleares e as mudanças climáticas. (…) A situação mundial, por si já ameaçadora, foi o pano de fundo para o aumento do nacionalismo estridente no mundo todo, inclusive na campanha presidencial dos EUA. Nela, o vencedor, Donald Trump, fez comentários perturbadores sobre o uso e a proliferação de armas nucleares e manifestou descrença no consenso científico sobre as mudanças climáticas.” E acrescenta: "EUA e Rússia têm, juntos, mais de 90% das armas nucleares do mundo, e discordam em várias questões, da Síria à Ucrânia até as fronteiras da OTAN. Ambos continuaram modernizando amplamente suas forças nucleares, e não houve em parte alguma negociações sérias sobre o controle de armas. A Coreia do Norte realizou seus 4º e 5º testes nucleares subterrâneos e deixou claro que seguiria desenvolvendo capacidades de produzir armas nucleares. As ameaças da guerra nuclear perduraram, enquanto Paquistão e Índia se enfrentaram cautelosamente através da linha de controle em Caxemira, após militantes atacarem duas bases indianas do Exército.

Por que não são citadas a grave situação no Oriente Médio e a corrida armamentista de que participam ativamente os EUA, de um lado, e a China e a Rússia, de outro?

David Titley, Contra-almirante aposentado, membro do Conselho de Ciência e Segurança do Boletim, Professor de Meteorologia da Universidade Estadual da Pensilvânia e diretor fundador do Centro de Soluções para o Clima e o Risco Climático, EUA, comentou: "A mudança climática não deve ser questão partidária. A física bem estabelecida do ciclo de carbono da Terra não é nem liberal nem conservadora em caráter. O planeta continuará a se aquecer a níveis extremamente perigosos e o dióxido de carbono seguirá sendo bombeado para a atmosfera – independentemente da liderança política. A atual situação política nos EUA é especialmente preocupante. O governo Trump precisa declarar clara e inequivocamente que aceita como realidade a mudança climática causada pela atividade humana. Nenhum problema pode ser resolvido a menos que sua existência seja reconhecida pela primeira vez. Não há ‘fatos alternativos’ aqui".

O General John Hyten, Chefe da Força Aérea e do Comando Estratégico (Stratcom) dos EUA, falou sobre “dissuasão no espaço” no Centro de Segurança e Cooperação da Universidade de Stanford, em 26 de janeiro, e disse que a Rússia e a China representarão, em breve, uma ameaça às naves espaciais dos EUA, por desenvolverem capacidades anti-satélite, inclusive armas a laser, e que “a melhor maneira de evitar a guerra é estar preparado para a guerra”, como informou o próprio DoD News, do Departamento de Defesa (Pentágono). A resposta russa veio de Konstantin Sivkov, especialista militar e vice-presidente da Academia de Assuntos Geopolíticos de Moscou, como noticiou a Agência Sputnik de Washington em 30 de janeiro: a declaração do Gal. Hyten de que a Rússia e a China logo serão uma ameaça às naves espaciais dos EUA mais parece uma tentativa de justificar a instalação de armas no espaço pelo Pentágono (com o apoio do Presidente Trump). (3)

Diante desse quadro de caos planetário, que inclui partes crescentes do espaço cósmico, embora infelizmente pouca gente saiba disso, o citado físico Marcelo Gleiser imaginou um “projeto alienígena em escala global de proteção aos recursos naturais e justiça social”, que, a seu ver, pode ser chamado de “socialismo natural” (4).
 resultado do projeto ele considera “revolucionário”: os alienígenas “entenderam que uma relação predatória com o seu planeta e com outras formas de vida levaria, mais cedo ou mais tarde, à sua própria destruição” e que “seu planeta, mesmo sendo muito grande e fértil, tem recursos limitados” e “uma exploração irracional dele o transformaria num deserto”. E mais: “Os alienígenas teriam aprendido a viver com – e não contra – o seu planeta, respeitando seus recursos e planejando cuidadosamente como explorá-los de forma sustentável.” E mais ainda: “Os alienígenas teriam entendido a interconectividade de todas as criaturas vivas; saberiam que ocupar o topo da cadeia alimentícia significa ter a reponsabilidade de preservar a biosfera, de modo a entender o uso de seus recursos por períodos ilimitados. Teriam aprendido que, para viver, precisariam encontrar encontrar meios de respeitar a diversidade da vida. Isso só poderia ocorrer se houvessem redefinido sua relação com outras criaturas vivas.”

A utopia de Marcelo Gleiser vai além, como já realçamos: “Tais extraterrestres teriam entendido que, para garantir sua sobrevivência a longo prazo, precisariam erradicar a desigualdade social; teriam entendido que a disparidade financeira (se tivessem uma economia) e a exploração cultural levam à pobreza e à instabilidade social, ambas causas dominantes da predação planetária. Para assegurar sua sobrevivência como espécie, teriam criado valores morais que garantissem a igualdade social, dividindo recursos de forma justa e equilibrada.” Eles igualmente teriam entendido que as metas socioecnonômicas pedem pelo “sacrifício dos que detém mais recursos, mas saberiam também que esses sacrifícios seriam temporários, garantindo a sobrevivência de todos”.

Sobre o polêmico tema da competição entre as pessoas, Marcelo Gleiser conta que os alienígenas “não teriam erradicado a competição, pois saberiam que ela é essencial para a inovação e a felicidade individual e coletiva, mas teriam criado mecanismos para assegurar que todos tivessem as mesmas oportunidades de atingir o sucesso”. Talvez fosse melhor falar em “ser bem sucedido” ou “ficar plenamente satisfeito”, pois “atingir o sucesso” está muito ligado à “conquista do estrelato”, que alimenta o vício da egolatria, nem sempre digno e respeitável. No caso, tem-se em vista certamente a competição justa, a ação de disputar ou concorrer de maneira honesta, generosa, construtiva e socialmente benéfica, como costuma ocorrer, por exemplo, nas atividades esportivas. Por outro lado, a competição nos negócios, sobretudo nos negócios milionários e bilionários, pode ser devastadora. Basta ver o que escreve um renomado economista norte-americano (5): “Maximizing shareholder value displaced problems of competitiveness in a new and a Darwinian environment.” (“A maximização do valor das ações dos acionistas desloca o problema da competitividade para um terreno novo, o do darwinismo”, em tradução livre, sendo o darwinismo interpretado como luta desenfreada em que vence o mais apto, forte e/ou poderoso). Trata-se da competição selvagem, que desumaniza a nossa espécie.

Marcelo Gleiser conclui com um convite memorável: “Esses alienígenas teriam sobrevivido por milhões de anos, criando uma sociedade que mal podemos imaginar. Temos muito trabalho pela frente.” Ou seja, precisamos urgentemente mover para trás os ponteiros do Relógio do Apocalipse. Não há mais tempo a perder.

*José Monserrat Filho é Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e ex-Chefe da Assessoria Internacional do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Agência Espacial Brasileira (AEB).
E-mail: <Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.>.

Referências
1) O que aprendi com os ETS – A Cartilha do “socialismo natural” dos alienígenas, artigo de Marcelo Gleiser, professor de Física, Astronomia e Filosofia Natural no Dartmouth College, EUA, publicado no caderno Ilustríssima da Folha de S. Paulo, de 29 de janeiro de 2017. Gleiser é autor de inúmeros livros, entre os quais A Simples Beleza do Inesperado, A Ilha do Conhecimento, O Fim da Terra e do Céu, A Dança do Universo.
2) Ver texto completa da Declaração da Comissão de Ciência e Segurança do Boletim no site: <Http://thebulletin.org/sites/default/files/Final%202017%20Clock%20Statement.pdf>. Em janeiro de 2015, o Relógio do Apocalipse avançou de cinco para três minutos para a meia-noite, o mais próximo desde a corrida armamentista dos anos 80. Em janeiro de 2016, seguiu marcando três minutos para a meia-noite. E agora, em janeiro de 2017, avançou 30 segundos.
3) Ver <http://www.spacedaily.com/reports/Trump_could_reset_Star_Wars_at_full_throttle_ toward_militarization_of_space_999.html>.
4) Ver artigo mencionado na primeira referência.
5) Cioffi, John W., Public Law and Private Power – Corporate Governance Reform in the Age of Finance Capitalism, USA: Cornell University Press, 2010, p. 85. Cioffi é Professor Assistente de Ciência Política na Universidade da Califórnia, Riverside. Vale ler também o livro Pilhagem – Quando o Estado de Direito é Ilegal, de Ugo Matei e Laura Nader, São Paulo: Martins Fontes Editora, 2013. Ugo Matei é Professor de Direito Internacional e Comparado da Universidade da Califórnia, Hastings, EUA, e da Universidade de Turim, Itália, e Laura Nader é Professora de Antropologia da Universidade da Califórnia, Berkeley, EUA.



 

VIOLÊNCIA: FUNDO DO POÇO

Publicado em Artigo por Isaac Roitman, Blog Política Brasileira – 27.01.2017


Isaac Roitman


 
Sofia, um criança de dois anos, estava em um brinquedo em uma lanchonete do Rio de Janeiro. Uma perseguição policial a um bandido originou uma bala perdida que tirou a vida de Sofia. Ela foi vítima de um Estado que é refém da criminalidade e que não consegue prevenir e combater a violência crescente no país. Esse é um episódio isolado? Não.

Segundo a ONG Rio da Paz, ela foi a décima oitava criança a ser morta no Rio de Janeiro por bala perdida desde 2015. Estudos conduzidos pelo Centro Regional das Nações Unidas para a Paz, Desarmamento e Desenvolvimento na América Latina e Caribe, durante os anos de 2014 e 2015, revelou que o Brasil é o país com o maior número de mortes por balas perdidas entre estes países.

O ranking internacional mostrou que, das 741 ocorrências envolvendo balas perdidas na América Latina e Caribe, 197 foram no Brasil, resultando em 98 mortos e 115 feridos. De acordo com a entidade, essa situação é consequência da proliferação de armas pequenas e de munições, combinadas com uma série de variáveis institucionais, sociais e econômicas, que tem dado lugar a níveis inaceitáveis de violência armada na região.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a violência como “o uso intencional da força física ou poder contra si próprio, contra outra pessoa ou contra um grupo ou comunidade que resulte ou tenha possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação”.

Essa triste realidade assola amplamente o Brasil, que é um dos países mais violentos do mundo ocupando em 2014 o 16º lugar no ranking mundial da violência. Segundo o Atlas da Violência de 2016 (IPEA), em 2014 houve 59.627 homicídios no Brasil.

Trata-se de uma situação gravíssima, ainda mais quando notamos que mais de 10% dos homicídios do mundo acontecem em solo nacional. Segundo a socióloga Samira Bueno, diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, organização parceira pela elaboração do Atlas: “O Brasil ostenta taxas tão altas há tantos anos que se pode falar em uma violência endêmica, e não epidêmica. É um problema grave e crônico. Nós concentramos 2,8% da população do mundo e 11% dos homicídios. Somos um país extremamente violento”.

Outras formas de violência podem ser mencionadas: a violência infantil, a violência do gênero, os roubos e furtos, a violência doméstica, o narcotráfico, violência na escola, a violação dos direitos humanos, etc. A violência no sistema carcerário que ocupa as manchetes de nossos meios de comunicação, ilustra a escalada do poder e a ousadia do crime organizado.

A compreensão do fenômeno e de suas causas, e suas dinâmicas em suas diversas faces mais a mobilização para a mitigação do problema são tarefas contínuas, que devem envolver não apenas autoridades, mas toda a sociedade civil.

Uma das raízes da violência no Brasil é a extrema desigualdade social associada a uma educação precária. As populações de baixa renda são precariamente assistidas, especialmente os jovens que são então suscetíveis na escolha de vias ilegais como forma de sobrevivência.

As nossas instituições de controle social são deficientes e nossa legislação criminal defasada. Várias medidas podem ser implementadas para se reduzir os índices de violência no país:

1. Educação básica de qualidade para todas as crianças e jovens no país, com ênfase na promoção de valores e virtudes (ética, solidariedade, desapego, etc.);

2. Aumento de ofertas de emprego e expansão e introdução de projetos sociais que visem a diminuição da desigualdade social;

3. Combate ao tráfico de drogas de forma inteligente e efetiva e assistência profissional na recuperação dos viciados;

4. Introdução de leis e agilização no sistema judiciário eliminando falhas que possam favorecer a impunidade e incentivar indiretamente a violência;

5. Aperfeiçoamento da legislação sobre o controle de armas;

6. Incentivar que a mídia seja uma aliada para estimular uma cultura da paz.

De nada vai adiantar soluções fáceis e falsas para enfrentar o complexo problema social da violência. É urgente a mobilização da sociedade brasileira para de fato atacar as raízes da violência ou a barbárie vai se aprofundar cada vez mais.

Temos que lutar juntos para reduzir a violência na sociedade brasileira para garantirmos um mundo virtuoso para as futuras gerações.

 

 


MAIOR AUMENTO DA CONCENTRAÇÃO DE CO2 DA HISTÓRIA HUMANA

José Eustáquio Diniz Alves, Ecodebate de 01.02.2016

“Se uma planta não consegue viver de acordo com sua natureza, ela morre,
assim também o ser humano”
Henry Thoreau (200 anos de seu nascimento)

[EcoDebate] Estudos indicam que o mundo conseguiu, pelo terceiro ano consecutivo, manter estáveis suas emissões de gases CO2. Os otimistas comemoram o desacoplamento relativo. Mas os números indicam que, se as emissões pararam de subir, elas continuam nos níveis mais elevados da história.

Na realidade, a concentração de gases de efeito estufa (GEE) ultrapassou permanentemente o limiar de 400 partes por milhão e atingiu um perigoso ponto de não retorno. Nos 800 mil anos antes da revolução industrial a concentração de CO2 na atmosfera ficou abaixo de 280 partes por milhão (ppm). Ou seja, em cada um milhão de moléculas de ar no planeta, havia menos de 280 do principal gás de efeito estufa. As medições com base no estudo do gelo, mostram que em 1860 a concentração atingiu 290 ppm. Em 1900 estava em 295 ppm. Chegou a 300 ppm em 1920 e atingiu 310 ppm em 1950. A partir do início do Antropoceno (1950), o efeito estufa se acelerou.

Em 1958, Charles Keeling, instalou no alto do vulcão Mauna Loa o primeiro equipamento para medir as concentrações de CO2 na atmosfera. Isto possibilitou que a partir de uma série histórica de dados houvesse a possibilidade de acompanhar a poluição recente. A série de Keeling mostra que a concentração de CO2 na atmosfera, na média mensal, chegou a 399,76 partes por milhão (ppm) em maio de 2013 e só ultrapassou a barreira de 400 ppm no ano seguinte. Em abril de 2014 a concentração de CO2 ficou em 401,34 ppm, passou para 401,88 ppm em maio e caiu para 401,20 ppm em junho de 2014. Mas como a concentração segue um padrão sazonal, ao longo do ano, com os picos acontecendo no mês de maio e os vales acontecendo nos meses de setembro, a média anual de 2014 foi de 398,61 ppm.

Em 2015, a marca das 400 ppm foi ultrapassada em 8 dos 12 meses. Na média anual, 2015 foi o primeiro ano a ultrapassar a barreira simbólica e marcou a cifra de 400,83 ppm. Mas foi o ano de 2016 que tornou permanente a marca de 400 ppm em todos os meses e em todas as semanas. A média anual de 2016 foi de 404,21 ppm.

A National Oceanic & Atmospheric Administration – NOAA – (Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) apresenta o gráfico acima com o crescimento médio anual (e por décadas) da concentração de CO2. Nota-se, que apesar das variações anuais, existe uma clara tendência de aumento da concentração dos gases de efeito estufa.

O aumento médio anual estava abaixo de 1 ppm na década de 1960, chegou a 2 ppm na década passada e está em 2,41 ppm ao ano no período 2010-2016. Neste ritmo, a concentração de CO2 na atmosfera pode chegar a 700 ppm no final do século XXI, quando o nível considerado minimamente seguro seria 350 ppm. Já estamos vivendo uma situação inédita em relação aos últimos milhões de anos do Planeta.

Artigo de Nicola Jones (26/01/2017), no site e360 Yale, apresenta o gráfico abaixo que mostra que a concentração de CO2 ficou abaixo de 400 ppm nos últimos 20 milhões de anos. Somente antes de 200 milhões de anos, a concentração ficou consistentemente acima de 1000 ppm. No ritmo acelerado da atualidade esta marca pode ser atingida no século XXII. Seria o caos climático para os humanos e a biodiversidade da Terra.

O mundo corre sério perigo. O aumento da concentração de CO2 na atmosfera contribuiu para o fato do ano de 2016 ser o mais quente já registrado e aponta para novos recordes futuros de aquecimento. O efeito estufa trará custos enormes e as sociedades podem não estar preparadas para pagar o alto preço de limpar no futuro a sujeira feita no passado e no presente.

Artigo de David Spratt (26/01/2017) mostra que o degelo da Antártica atingiu um ponto de mutação e, a partir de 2016, se acelerou de forma preocupante. As principais conclusões do artigo são:

O setor do Mar de Amundsen da Plataforma de Gelo da Antártica Ocidental, provavelmente foi desestabilizado e o recuo de gelo é imparável nas condições atuais;
Nenhuma aceleração adicional nas mudanças climáticas seria necessária para desencadear o colapso do restante da Plataforma de Gelo Antártico Ocidental em escalas de tempo de décadas;

Somente a Antártida tem o potencial de contribuir com mais de um metro de elevação do nível do mar até 2100;

Uma grande fração do gelo da bacia da Antártida Ocidental pode desaparecer dentro de dois séculos, causando um aumento do nível do mar de 3 a 5 metros;

Mecanismos semelhantes aos que estão causando a desglaciação da Antártica Ocidental também são encontrados, em menor grau, na Antártida Oriental;

• A desglaciação parcial da camada de gelo da Antártica Oriental é provável no atual nível de concentração de dióxido de carbono (CO2) atmosférico, contribuindo para 10 metros de aumento do nível do mar no longo prazo e 5 metros nos primeiros 200 anos”.

Portanto, existe uma relação inexorável entre o aumento das emissões de gases de efeito estufa, provocadas pelo aumento das atividades antrópicas (crescimento demoeconômico do mundo), o aumento da concentração de CO2 na atmosfera, o aumento do aquecimento global, o aumento do degelo do Ártico, da Antártica, da Groenlândia e dos glaciares – tudo isto – provocando o aumento do nível dos oceanos e o naufrágio das áreas costeiras (urbanas e rurais) de todo o mundo.

No ritmo atual, as gerações futuras vão receber uma herança maldita, que pode provocar uma significativa mobilidade social e ambiental descendente. No longo prazo, o aumento da concentração de CO2 na atmosfera e o aquecimento global – filhos bastardos do progresso humano – são as maiores ameaças à vida na Terra e podem ser responsáveis pelo colapso da civilização.

Referências:
Nicola Jones. How the World Passed a Carbon Threshold and Why It Matters, e360 Yale, 26/01/2017
David Spratt. Antarctic Tipping Points for a Multi-Metre Sea Level Rise. Resilience, 26/01/2017
 
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 


 

PARA PESQUISADOR, CURSOS DA MODA SÃO MAIS NEUROPICARETAGEM' QUE CIÊNCIA

IARA BIDERMAN, colaboração para a Folha – 29.01.2017

                                                      O biólogo Sidarta Ribeiro, professor da Universidade de Federal do Rio Grande do Norte


    
O uso do prefixo "neuro" em cursos de qualquer especialidade é uma preocupação do biólogo Sidarta Ribeiro, coordenador do Instituto do Cérebro da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte).

Embora o estudo do funcionamento do cérebro possa ser usado nas mais diversas disciplinas, muitas das aplicações da neurociência não têm evidências consolidadas e validação quantitativa, segundo ele. "Há muita neuropicaretagem", afirma Ribeiro à Folha.

Na entrevista a seguir, ele fala sobre o que considera abusivo nos desdobramentos dessa área, as aplicações mais promissoras e as mais problemáticas e o que esperar de cursos que pretendem usar esse ramo da ciência.

Folha - Muitos cursos de pós lato sensu e educação continuada em áreas ligadas a negócios estão oferecendo uma formação supostamente apoiada na neurociência. Isso é um bom sinal?
Sidarta Ribeiro - Gostaria que fosse diferente, mas isso parece sinalizar uma apropriação mercantilista do prefixo "neuro", que entrou em moda há mais de uma década e é amplamente abusado para agregar valor simbólico a produtos tipicamente descolados da boa prática científica.

Por que o apelo neurocientífico atrai alunos?
Vivemos ainda uma era do fetiche "neuro", como antes houve com a engenharia genética. Não por acaso a neurociência é a disciplina em que as ciências biomédicas se encontram com as ciências humanas. Isso acaba fomentando metáforas sem qualquer base real e emprestando roupagem científica a muitas terapias e métodos sem qualquer validação quantitativa.

O "sucesso de público" ajuda ou atrapalha a pesquisa científica?
Ajuda e atrapalha. Atrai pessoas e simpatias ao custo de desinformação e nivelamento por baixo.

Há estudos mais aprofundados em alguns dos desdobramentos da neurociência?
A neuroeconomia é um ramo legítimo da neurociência que vem encontrando os correlatos neurais da tomada de decisões e suas contingências, o que tem implicações importantes para os pesquisadores que modelam as escolhas de agentes econômicos. A neuroeducação é um ramo recente e, com ressalva a certos cursos e pós-graduações caça-níqueis, bastante promissor, especialmente quando não desconsidera o conhecimento já existente no ensino de ciências.

Em quais áreas os conceitos da neurociência são usados de forma mais arbitrária e distorcida?
Neurolinguística e neuromarketing me parecem apenas formas espertas de vender cursos de autoajuda pessoal ou corporativa. No início dos anos 2000 se popularizaram nos EUA vídeos e jogos educativos para bebês supostamente baseados em neurociência, como o "Baby Einstein". Houve uma febre comercial mas depois se verificou que aquilo não tinha nenhum valor educacional especial.

Quais as limitações ou perigos dessa banalização do conhecimento?
O perigo é perdermos noção do que é sério e do que não é. Se a ciência for contagiada pela pós-verdade, estaremos em maus lençóis. A neurociência corre mais risco do que as outras disciplinas justamente porque está na moda e porque toca tantos aspectos distintos da vida humana. Por isso ela tem sido na última década alvo de tantas iniciativas predatórias e oportunistas.

O que esperar de um curso que se propõe a ensinar neurociência, mesmo que básica?
Conceitos corretos de neuroanatomia, neurofisiologia, comportamento animal, neurobiologia celular e molecular.

Quais são os indícios de que o rótulo "neurociência aplicada" não passa de neuropicaretagem?
Aulas pagas não presenciais, à distância. E qualquer promessa exagerada de sucesso pessoal ou corporativo.

O que poderia ser feito para evitar o aumento dessas armadilhas?
É difícil... Somos uma nação de analfabetos científicos, pois mesmo as poucas pessoas que leem livros costumam ter desprezo, medo ou respeito exagerado pela ciência. É preciso fomentar o pensamento crítico, cético e sistemático.

http://m.folha.uol.com.br/educacao/2017/01/1853259-cursos-tem-muita-neuropicaretagem-e-pouca-ciencia-diz-sidarta-ribeiro.shtml

 


 

COMPUTADOR QUE 'LÊ' PENSAMENTOS PERMITE A PACIENTES COM PARALISIA TOTAL SE COMUNICAR

James Gallagher, BBC Brasil – 01.02.2017

A 'paciente W' foi uma das pessoas que participaram do estudo


Pacientes sem qualquer controle sobre seus corpos finalmente foram capazes de se comunicar, dizem cientistas.
Um computador foi usado para "ler" seus pensamentos em busca de respostas básicas como "sim" e "não" - inclusive, um dos participantes do estudo se recusou diversas vezes a dar permissão para que sua filha casasse.


O estudo, realizado na Suíça e divulgado no periódico científico PLOS Biology, indicou qua a técnica trouxe uma grande melhora para a vida dos quatro pacientes que testaram a tecnologia.


Eles têm esclerose lateral amiotrófica em estágio avançado, e seus cérebros perderam a capacidade de controlar os músculos. Isso os deixou presos em seus corpos. Eles são capazes de pensar, mas não se movem ou falam.


Muitas vezes nesses casos, é possível desenvolver formas de comunicação com base nos movimentos dos olhos. Mas todos os pacientes da pesquisa realizada pelo Wyss Center não conseguiam fazer nem mais isso.


Sinais
A atividade das células cerebrais muda os níveis de oxigênio do corpo, alterando assim a cor do sangue.


Os cientistas conseguiram detectar a coloração sanguínea no interior do cérebro por meio de uma técnica chamada espectroscopia de infravermelho.


Eles fizeram então perguntas de respostas tipo "sim" e "não", tipo "O nome de seu marido é Joaquim?", para treinar o computador na interpretação dos sinais cerebrais.


A precisão do sistema chegou a 75%, o que significa que os pacientes precisam ser questionados várias vezes para se ter certeza de suas respostas.


"Isso faz uma diferença enorme em sua qualidade de vida", diz o pesquisador Ujwal Chaudhary, um dos cientistas que participou do estudo.


"Imagine se você não tem nenhuma forma de se comunicar e passa a poder dizer 'sim' ou 'não'. O impacto é enorme."


Em um dos casos, a filha de um paciente pediu benção de seu pai para se casar com o namorado. Mas oito das dez respostas foram negativas.


"Não sabemos por que ele disse 'não'. Mas ela se casou mesmo assim", diz Chaudhary.


Essa forma de comunicação está sendo usada para fins mais práticos ligados ao dia a dia, como para saber se um paciente está sentindo dor ou quer receber uma visita da família.


"Se uma pessoa está totalmente presa em seu corpo, isso liberta sua mente e permite que ela interaja com o mundo à sua volta", diz John Donoghue, diretor do Wyss Center. "Isso é incrível."

 


GIGANTES DA TECNOLOGIA CONTRA TRUMP: EMPRESAS REAGEM A ATO ANTI-IMIGRAÇÃO

Márcio Padrão, Portal da UOL de 30.01.2016

Executivos de várias das maiores corporações de tecnologia do mundo não ficaram muito satisfeitos com a recente decisão do governo de Donald Trump de tornar mais rígida a entrada nos EUA de imigrantes e refugiados de sete países do Oriente Médio. Com muitos imigrantes ou descendentes de imigrantes em seu corpo de funcionários –e alguns deles em cargos de presidência–, empresas como Facebook, Google, Apple, Microsoft, Netflix, Twitter, Uber e Airbnb reagiram quase que imediatamente à medida.

Veja algumas reações abaixo:

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, em post em seu perfil na rede social:

''Meus bisavós vieram da Alemanha, Áustria e Polônia. Os pais de Priscilla [esposa de Zuckerberg] eram refugiados da China e do Vietnã. Os Estados Unidos são uma nação de imigrantes, e devemos nos orgulhar disso.

Como muitos de vocês, estou preocupado com o impacto das últimas ordens executivas assinadas pelo presidente Trump.

Precisamos manter o país seguro, mas devíamos fazer isso focando em pessoas que realmente representam uma ameaça. Ampliar o foco da lei para além de pessoas que são verdadeiras ameaças faria com que todos os americanos se sintam menos seguros com o desvio de recursos, enquanto milhões de pessoas em situação irregular que não representam uma ameaça viverão sob o medo da deportação.

Devemos também manter as portas abertas para os refugiados e aqueles que precisam de ajuda. Isso é o que somos. Se tivéssemos desdenhado de refugiados algumas décadas atrás, Priscilla e sua família não estariam aqui hoje (…).''

Tim Cook, CEO da Apple, em email para funcionários da Apple obtido pelo site ''Recode'':

''A Apple não existiria sem a imigração, e muito menos prosperaria e inovaria na forma como fazemos. Tenho ouvido que muitos de vocês estão profundamente preocupados com a Ordem Executiva emitida ontem, restringindo a imigração de sete países de maioria muçulmana. Eu compartilho de suas preocupações. Não é uma política que apoiamos. Nas palavras do Dr. Martin Luther King, 'Podemos ter vindo em diferentes navios, mas estamos no mesmo barco agora'.''

Sundar Pichai, CEO do Google, em comunicado enviado à agência de notícias Bloomberg e ao jornal ''Wall Street Journal'':

''É doloroso ver o custo pessoal desta ordem executiva em nossos colegas. Estamos chateados com o impacto desta ordem e quaisquer propostas que possam impor restrições aos Googlers [como são chamados os funcionários da empresa] e suas famílias, ou que possam criar barreiras para trazer grandes talentos aos EUA.

Não queremos esse medo e incerteza para ninguém – e especialmente nossos colegas Googlers que contribuem tanto para nossos produtos, nossos negócios e nossas vidas. Em tempos de incerteza, nossos valores continuam a ser o melhor guia.

Estamos preocupados com o impacto desta ordem e quaisquer propostas que possam impor restrições aos Googlers e suas famílias, ou que criem barreiras para trazer grandes talentos aos EUA. Sempre nos manifestamos publicamente sobre questões de imigração e continuaremos a fazê-lo.''

Satya Nadella, CEO da Microsoft, em texto no Linkedin:
''Hoje, Brad Smith [presidente da Microsoft] enviou e-mail para funcionários da Microsoft. Quero destacar esta parte:

'Como uma empresa, a Microsoft acredita em um sistema de imigração altamente qualificado e forte e equilibrado. Nós também acreditamos em oportunidades mais amplas de imigração, como as proteções para jovens talentosos e cumpridores da lei no âmbito do Programa de Acesso Deferido à Chegada de Crianças (DACA), chamados de 'Sonhadores'. Acreditamos que as leis de imigração podem e devem proteger o público sem sacrificar a liberdade de expressão ou de religião das pessoas e acreditamos na importância de proteger os refugiados legítimos e cumpridores da lei, cujas vidas podem estar em jogo nos processos de imigração'.

Como imigrante e como CEO, eu já experimentei e vi o impacto positivo que a imigração tem sobre a nossa empresa, para o país e para o mundo. Continuaremos a defender este importante tópico.''

Reed Hastings, CEO da Netflix, em post no Facebook:

''As ações de Trump estão ferindo funcionários da Netflix ao redor do mundo, e são tão anti-americanas que afetam a todos nós. Pior, estas ações vão tornar a América menos segura (através do ódio e da perda de aliados) em vez de mais segura. Uma semana muito triste, e a vida de mais de 600 mil Sonhadores aqui na América fica sob ameaça iminente. É tempo de juntar forças para proteger os valores americanos de liberdade e oportunidade.''

Jack Dorsey, CEO do Twitter, em post na rede social:

''O impacto humanitário e econômico da Ordem Executiva é real e perturbador. Nós nos beneficiamos daquilo que os refugiados e os imigrantes trazem para os EUA. O Twitter é feito por imigrantes de todas as religiões. Nós estamos com eles, sempre.''

Apesar da Uber ser alvo de uma campanha de boicote nas redes sociais –a empresa é acusada de baixar preços em meio a protestos de taxistas contra a nova política migratória– Travis Kalanick, CEO da Uber, se diz contra a medida em e-mail aos funcionários:

''Esta ordem tem implicações muito mais amplas, pois também afeta milhares de motoristas que usam o Uber e vêm dos países listados, muitos dos quais fazem longas pausas e voltam para casa para ver sua família. Esses motoristas atualmente fora dos EUA não poderão voltar ao país por 90 dias. Isso significa que eles não serão capazes de ganhar a vida e apoiar as suas famílias e, claro, eles estarão separados dos seus entes queridos durante esse tempo.

Estamos trabalhando em um processo para identificar esses motoristas e compensá-los 'pro bono' durante os próximos três meses para ajudar a mitigar alguns do estresse financeiro e complicações com o apoio às suas famílias para colocarem comida sobre a mesa.

Enquanto cada governo tem seus próprios controles de imigração, permitindo que pessoas de todo o mundo possam vir aqui e fazer da América sua casa, isso tem sido em grande parte a política dos EUA desde a sua fundação. Isso significa que essa proibição afetará muitas pessoas inocentes –uma questão que levantarei na próxima sexta-feira quando eu for a Washington para a primeira reunião do grupo de consultores de negócios do presidente Trump.''

Brian Chesky, CEO da Airbnb, em postagem no Twitter:
''O Airbnb está fornecendo alojamento gratuito aos refugiados e qualquer um que não for permitido nos EUA. Contate-me se precisar urgentemente de habitação. Se você é capaz de acolher refugiados em necessidade pelo Airbnb, você pode se inscrever aqui.''

 


PRIMEIRO SATÉLITE BRASILEIRO DE COMUNICAÇÕES SERÁ LANÇADO EM MARÇO

Site Inovação Tecnológica -  30.01.2017

Hoje, comunicações civis e militares do país são feitas por meio de satélites estrangeiros.[Imagem: Finep]



Satélite SGDC
O lançamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações (SGDC) do Brasil, o primeiro satélite de comunicações totalmente controlado pelo Brasil deverá ser lançado no próximo dia 21 de março.

O satélite tem como objetivo reforçar a segurança e a independência na comunicação estratégica dos segmentos de defesa do país e ampliar o acesso à internet de banda larga, principalmente em lugares remotos em território nacional.

Atualmente, tanto o tráfego civil quanto o de defesa ocorre por meio de satélites estrangeiros.

O satélite foi construído pela empresa francesa Thales Alenia Space, em um programa cujos custos chegam a R$ 2 bilhões.

Tecnologia operacional

Além de responsável pela construção, a empresa francesa também vai trabalhar auxiliando na transferência da tecnologia para o país. Cerca de 50 especialistas brasileiros acompanharam o projeto e estão capacitados para operar o satélite.

O satélite SGDC já está na Guiana Francesa, de onde será lançado a bordo de um foguete Ariane. Quando for ao espaço, ele deverá ficar estacionado em uma órbita a 36 mil quilômetros de distância da superfície, o que garante que ele estará sempre sobre a mesma posição em relação ao solo.

Sua operação está prevista para começar no segundo semestre de 2017, depois dos testes de validação e checagem dos sistemas.

 


CHINESES CRIAM PAPEL À PROVA DE ÁGUA E DE FOGO

BBC -  26.01.2017

O papel não queima porque é inorgânico, não possuindo celulose em sua composição. [Imagem: Fei-Fei Chen et al. - 10.1021/acsami.6b12838]



Papel que não molha e que não queima

Mais de dois milênios depois de terem inventado o papel, os chineses aperfeiçoaram sua criação, tornando-a resistente à água e ao fogo.

Pesquisadores do Instituto de Cerâmica de Xangai desenvolveram um papel que pode ser lavado sem ter o texto escrito nele danificado, além de suportar um calor de mais de 200°C sem se queimar.

Ying-Jie Zhu, um dos responsáveis pelo projeto, disse que, embora já existam papéis que possam resistir a esses elementos, nenhum deles agrupa as duas características simultaneamente.

O novo papel superresistente é capaz de repelir não apenas a água, mas também outros líquidos como café, suco, chá e até mostarda e ketchup.

Papel inorgânico

A chave para que o papel resista tanto ao fogo quanto à água está na substituição da celulose, usada na fabricação dos papéis tradicionais, por hidroxiapatita, um mineral formado por fosfato de cálcio.

Quando o mineral é tratado com oleato de sódio, sua estrutura cristalina se rearranja, dando origem a nanofios muito longos.

"Durante a filtração a vácuo, os nanofios ultralongos de hidroxiapatita se unem espontaneamente em microfibras rugosas, evitando o tedioso processo de fabricação para construir a estrutura hierárquica; as microfibras auto-rugosas ainda dão ao papel inorgânico uma estrutura em camadas parecida com a da madrepérola," descreveu a equipe.

Em lugar das fibras de celulose, a trama do papel é formada por nanofios de hidroxiapatita. A rugosidade dos nanofios dá a hidrofobicidade ao material. [Imagem: Fei-Fei Chen et al. - 10.1021/acsami.6b12838]



Preservação de documentos

Um papel tão resistente pode, por exemplo, ajudar a preservar documentos importantes durante tragédias naturais.

"O papel também será útil para preservar documentos importantes por séculos, porque nós não precisaremos nos preocupar se ele será destruído pelo fogo ou água,", disse Zhu. "Acreditamos que haverá diversos tipos de usos, desde a sua utilização para a caligrafia até a aplicação em outdoors."

"Além disso, nós já exploramos as aplicações potenciais do papel inorgânico super-hidrofóbico e resistente ao fogo como um absorvente altamente eficaz para a separação de óleo e água, protetor antifogo e papel de escrita," acrescenta a equipe.
 
Com o papel ultrarresistente devidamente patenteado, equipe espera colocar o produto no mercado nos próximos três anos.

Bibliografia:

Highly Flexible Superhydrophobic and Fire-Resistant Layered Inorganic Paper
Fei-Fei Chen, Ying-Jie Zhu, Zhi-Chao Xiong, Tuan-Wei Sun, Yue-Qin Shen
Applied Materials & Interfaces. Vol.: 8 (50), pp 34715-34724
DOI: 10.1021/acsami.6b12838

 

 



ZIKA: OMS ADMITE QUE AINDA ESTÁ 'NO ESCURO'

Estadão – 01.02.2017

Um ano depois de decretar emergência internacional por causa da proliferação do vírus da zika pelo mundo, a cúpula da Organização Mundial da Saúde (OMS) admite: "ainda está no escuro" diante de vários aspectos da doença, mesmo que muitas perguntas sobre o vírus tenham sido respondidas. A constatação faz parte de um documento usado pela OMS em uma reunião com doadores em janeiro para atualizar a comunidade internacional sobre quais serão os próximos passos.


A agência de saúde da ONU estima que são pelo menos cinco as perguntas ainda sem respostas definitivas: Qual é o risco absoluto da síndrome congênita do zika? Quais os fatores de risco para a microcefalia? Qual é a extensão da infecção em áreas com o mosquito? Qual é o risco de transmissão sexual? E qual é o papel da imunidade natural em diferentes regiões com surtos que tenham ocorrido no passado?


Só que a entidade já declarou o fim da emergência e optou por transformar o cenário de urgência em programa de longo prazo. Ao Estado, pesquisadores da agência admitiram que a luta contra o zika será longa e onerosa para os governos. Além de lidar com o mosquito vetor da doença, eles precisam preparar-se para ajudar famílias a lidar com crianças com má-formação e problemas que ainda nem sequer são conhecidos.


No caso do Brasil, dados recebidos pela OMS nos últimos dias apontam que o verão fez ressurgir o número de casos, ainda que em um volume menor que o do surto de 2015 e 2016. Ainda assim, fontes dentro da própria OMS criticaram o fim da emergência, alertando que a decisão retirou o foco de doadores e foi prematura.


Vivendo um processo eleitoral para escolher uma nova direção e substituir Margaret Chan no comando, a entidade vive o debate sobre sua credibilidade, duramente afetada nos últimos anos. Durante a campanha, muitos concorrentes disseram não concordar com o fim do status do vírus da zika e a forma de determinar emergências. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 


 

NÃO HÁ EVIDÊNCIAS DE QUE AEDES AEGYPTI ESTEJA ENVOLVIDO EM SURTOS DE FEBRE AMARELA NO BRASIL, DIZ ONU

ONU Brasil,em EcoDebate, 03.02.2017


Em meio ao surto de febre amarela no Brasil, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) afirmaram na semana passada que não há evidências, até o momento, de que o Aedes aegypti estaria envolvido na atual onda de transmissão da doença. No entanto, possibilidade de disseminação urbana da patologia não pode ser descartada.


Organismos apontaram que recomendações de vacinação para viajantes precisam ser atualizadas pelas autoridades brasileiras.
Em meio ao surto de febre amarela no Brasil, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) afirmaram na semana passada que não há evidências, até o momento, de que o Aedes aegypti estaria envolvido na atual onda de transmissão da doença. No entanto, segundo as agências, a possibilidade de disseminação urbana da patologia não pode ser descartada.


De acordo com os organismos internacionais, a proliferação e o reaparecimento recentes da febre amarela no Brasil ocorrem em áreas que não eram consideradas regiões em risco de transmissão desde 2013. Para a OPAS e a OMS, a conjuntura revela que é necessário reconsiderar a avaliação de risco para melhor orientar políticas nacionais de imunização e recomendações para viajantes.


Até 26 de janeiro, 550 casos de febre amarela em humanos haviam sido notificados. Desses, 72 foram confirmados e 23 foram descartados. As 455 ocorrências restantes continuam sob investigação. Os episódios da infecção informados incluem 105 mortes — das quais 40 foram confirmadas como associadas à doença. Os outros 65 óbitos permanecem sob análise.


Entre infecções confirmadas, a taxa de fatalidade atingiu os 55%, ao passo que, entre casos ainda sob suspeita e investigação, o índice cai para 14%.
Os episódios da doença — incluindo os já comprovados e os que estão em verificação — estão distribuídos em seis estados, de acordo com estimativas sobre o local provável da infecção. São eles Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo.


Trinta e sete falecimentos confirmados ocorreram em Minas, a unidade federativa mais afetada pelo surto da doença. O estado concentra 502 do total de casos notificados e 68 das infecções confirmadas. Espírito Santo é o segundo estado com o maior número de ocorrências relatadas (33), enquanto São Paulo teve o segundo maior número de óbitos — três — comprovadamente vinculados à febre amarela.


A OPAS e OMS informaram que as autoridades de saúde de todos os níveis de governo estão respondendo à situação com atividades que incluem a distribuição de 5,3 milhões de vacinas para Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro.


É esperado que novas infecções sejam detectadas em outros estados brasileiros devido ao movimento interno de pessoas dentro do território nacional e aos baixos índices de vacinação em locais que não eram considerados de risco para a transmissão da patologia. A disseminação da doença entre macacos também é um fator que deverá contribuir para a proliferação em outras partes do país.


Recomendações de vacinação para viajantes precisam ser atualizadas
Embora o Secretariado da OMS não recomende nenhuma restrição geral de viagens e comércio com o Brasil, o organismo internacional destaca que as recomendações de vacinação contra febre amarela para viajantes precisam ser atualizadas pelas autoridades nacionais. Atualmente, não há casos da doença notificados nos países vizinhos e associados aos surtos no território brasileiro.


A OPAS e OMS incentivam seus Estados-membros a aconselharem pessoas que planejam visitar áreas de risco para a transmissão da febre amarela no Brasil. Orientações devem contemplar:
• Vacinação contra a febre amarela pelo menos dez dias antes de viajar;
• Observar as medidas para evitar picadas de mosquitos;
• Conscientização sobre os sinais e sintomas da febre amarela;
• A promoção de um comportamento de procura dos cuidados de saúde durante a viagem e ao retornar de uma zona de risco para a transmissão da febre amarela, especialmente quando o regresso é para um país onde é possível estabelecer um ciclo de transmissão local (isto é, onde o vetor está presente).
Acesse o boletim epidemiológico atualizado da OPAS e da OMS aqui (em inglês). Acesse o comunicado mais recente da OMS sobre a febre amarela no Brasil aqui (em inglês).

 


 

REALIDADE VIRTUAL NO IEN TEM AVANÇOS 

Henrique Davidovich, ASCOM do IEN - 02.02.2017  

O  Laboratório  de  Realidade  Virtual  (LabRV)  do  Instituto  de  Engenharia  Nuclear  (IEN)  vem  desenvolvendo  vários  produtos  que  aplicam  as  técnicas  de  Realidade  Virtual  (RV)  na  área  nuclear. Existente há cerca de dez anos, o grupo desenvolve diversos aplicativos, entre estes os de  proteção  física  e  nuclear  para  grandes  eventos,  como  a  simulação  da  atuação  de  técnicos  da CNEN  e  de  instituições  de  segurança  nacional  no  estádio  do  Maracanã  nas  Olimpíadas  que  ocorreram em 2016. Esse aplicativo desenvolvido pelo grupo de RV  foi  empregado na análise  dos procedimentos das forças de segurança nacional, onde era possível sinalizar a necessidade de alterações dos procedimentos. Esse programa de computador é o objeto da tese de doutorado do aluno  Cláudio  Passos  no  Núcleo  de  Computação  Eletrônica  (NCE)  da  UFRJ,  orientada  pelo coordenador do grupo de RV do IEN, Antônio Carlos de Abreu Mól.   


Também na área de proteção física e nuclear está sendo usado um modelo virtual do IEN para  estudos  de  estratégias  desses  tipos  de  proteção.  Tenciona-se  também  utilizar  este  software, denominado “IEN Virtual” para um futuro treinamento da equipe responsável pela proteção física do  instituto.  De  acordo  com  a  norma  CNEN  NE  2.01,  a  proteção  física  compreende  “evitar sabotagem;  impedir  roubos;  havendo  roubo,  prover  meios  para  a  localização  e  recuperação  do
material; e defender o patrimônio e as pessoas”.   


Na área  de  radioproteção,  foi  desenvolvido  um  modelo  virtual  de  um  depósito  de  rejeitos radioativos,  onde  é  possível  delinear  a  malha  de  taxas  de  dose  (medida  do efeito  biológico  da radiação)  com  o  objetivo  de  planejar  a  disposição  dos  materiais  em  cada  lugar  da  instalação.  Nesse produto, a taxa  de  dose  é  representada  por  marcadores  que  indicam  a  intensidade  desta grandeza através de uma escala de cores e altura.   


Esses são alguns dos  produtos  do  LabRV  que  foram  desenvolvidos  em  uma  plataforma de núcleo  de  jogo  (game  engine),  que  é  um  programa  de  desenvolvimento  de  jogos  eletrônicos  adquirido pelo laboratório. Para propiciar uma maior sensação de imersão nos ambientes virtuais,  tais produtos podem ser visualizados em equipamentos de visão estereoscópica onde o usuário se sente presente no ambiente simulado.   


Outro projeto concluído do grupo de RV do IEN é o software que simula uma visita técnica ao Reator Argonauta.  Por exemplo,  um  aluno  do  ensino  médio  com  menos  de  16  anos,  e  que  portanto não possa, por norma da CNEN, ter acesso a esta instalação nuclear, tem a possibilidade de fazer  uma  visita   simulada,  recebendo       dos   personagens  virtuais  explicações  sobre procedimentos de segurança e aspectos técnicos do funcionamento da instalação e seus sistemas associados.   


Mais recentemente, a atenção do grupo está voltada para as aplicações da energia nuclear na área de saúde, onde a RV pode ser aplicada na área de treinamento de profissionais, capacitação de  alunos  e  conscientização  do  público  em  geral  sobre  os  benefícios  desta  forma  de  energia.   
Nessa linha de pesquisa, já foi construído um modelo virtual de uma clínica de radioterapia, cujo modelo está baseado nas plantas de clínicas de radioterapia que o Ministério da Saúde pretende construir em vários locais do Brasil.   


Para difundir a técnica  de  RV  há  um  grupo  de  exibição  do  LabRV,  que  conta  com  cinco servidores  do  Instituto  (Maria  Lucia  da  Silva,  Mônica  Vianna,  Antônio  Sérgio  Lima  e  José Miguel  Filho, coordenados por Eugenio Marins), que  teve a oportunidade de participar de três eventos de divulgação  científica,  em  2016,  direcionados  a  estudantes  e  ao  público  em  geral.   


Foram eles a 68ª Reunião da  SBPC  Jovem  em  Porto  Seguro  (Bahia),  a  Semana  de  C&T no Observatório  Nacional no Rio de Janeiro,  e o  Mundo  MCTIC  em Brasília. Em todos, o grupo recebeu um grande número de visitantes.   


Para as apresentações nesses eventos, o grupo dispõe de uma  série de equipamentos específicos  de  RV,  como  um  aparelho  de  TV  3D  onde  vídeos  de  divulgação  científica  são exibidos e visualizados em 3D com o uso de óculos polarizados. Também é feito uso de óculos de visão estereoscópica, onde as imagens são produzidas em  aparelhos de telefonia  móvel que são  encaixados dentro desses  óculos.  Mas  o  carro-chefe  das  apresentações  são  os  óculos  Rift, aparelho mais sofisticado que gera uma sensação de imersão no ambiente virtual extremamente convincente.   

 


GIVE THE PUBLIC THE TOOLS TO TRUST SCIENTISTS

Anita Makri, Nature International Week Journal of Science - 17.01.2017

Anita Makri argues that the form of science communicated in popular media leaves the public vulnerable to false certainty.

What is truth? How do we find it and does it still carry weight in public debate? Given recent political events, these are important and urgent questions. But of the two industries I work in that are concerned with truth — science and journalism — only the latter has seriously engaged and looked for answers. Scientists need to catch up, or they risk further marginalization in a society that is increasingly weighing evidence and making decisions without them.

Whereas journalists are debating facts and falsehood, their own role and possible ways to react, scientists seem to see themselves as victims of, rather than active players in, the new political scene. Most debate centres on how the new political order threatens scientific knowledge and research funding, or downgrades climate-change policy.

All are important, but what's overlooked by many is how science is losing its relevance as a source of truth. To reclaim this relevance, scientists, communicators, institutions and funders must work to change the way that socially relevant science is presented to the public. This is not about better media training for researchers. It demands a rethink about the kind of science that we want to communicate to broader society. This message may sound familiar but the new focus on post-truth shows there is now a tangible danger that must be addressed.

Much of the science that the public knows about and admires imparts a sense of wonder and fun about the world, or answers big existential questions. It's in the popularization of physics through the television programmes of physicist Brian Cox and in articles about new fossils and quirky animal behaviour on the websites of newspapers. It is sellable and familiar science: rooted in hypothesis testing, experiments and discovery.
Although this science has its place, it leaves the public (not to mention policymakers) with a different, outdated view to that of scientists of what constitutes science. People expect science to offer authoritative conclusions that correspond to the deterministic model. When there's incomplete information, imperfect knowledge or changing advice — all part and parcel of science — its authority seems to be undermined. We see this in the public debate over food and health: first, fat was bad and now it's sugar. A popular conclusion of that shifting scientific ground is that experts don't know what they're talking about.

But the questions that people face in their lives typically rely on incremental science, a kind that accumulates evidence about complex systems with numerous variables and fuzzy social parameters. It feeds into policy and decisions about how to handle environmental pollution, vaccine safety, emerging infections, drug risks, food choices or the impacts of climate change.

“Scientists must work to change the way that socially relevant science is presented to the public.”

This kind of socially relevant science and discussion of uncertainty does feature in the media, but it is more typical of articles that discuss the politics and the controversies around it, perhaps under the label of environment or health. This is not about manipulating or persuading the public to accept decisions, but rather providing them with the tools with which to make sense of the evidence, put the uncertainties in perspective and judge for themselves what contribution scientific information makes to truth. Without that capacity, emotions and beliefs that pander to false certainties become more credible.

It's more difficult to talk about science that's inconclusive, ambivalent, incremental and even political — it requires a shift in thinking and it does carry risks. If not communicated carefully, the idea that scientists sometimes 'don't know' can open the door to those who want to contest evidence.

Still, if the public is better equipped to navigate this science, it would restore trust and improve understanding of different verdicts, and perhaps help people to see through some of the fake news that circulates on scientific matters. Lifting the lid on these realities about socially relevant science is mostly about changing the content and framing of what's being communicated. And it could be encouraged by targeting various points of contact between science and the public. Public-engagement programmes of research, educational or cultural institutions are an obvious option. Closer links between educators, communicators and scientists can also strengthen how socially relevant science is represented in articles and curricula. Wider trends aren't incentivizing this sort of science story. So the push will need to come from science first. For example, science academies could offer more grants to support more-sophisticated journalism.

Scientists can influence what's being presented by articulating how this kind of science works when they talk to journalists, or when they advise on policy and communication projects. It's difficult to do, because it challenges the position of science as a singular guide to decision making, and because it involves owning up to not having all of the answers all the time while still maintaining a sense of authority. But done carefully, transparency will help more than harm. It will aid the restoration of trust, and clarify the role of science as a guide.

Current debates about truth are far from trivial. More scientists and communicators of science need to get involved, update practices and reposition themselves in a way that gets with the times and shows that science matters — while it still does.

Journal name: Nature
Volume: 541,
Pages: 261
Date published: (19 January 2017)
DOI: doi:10.1038/541261a

 


 

WILL YOU GRADUATE? ASK BIG DATA

Joseph B. Treasterfeb, The New York Times – 02.02.2017


 

Credit Mirko Illic


At Georgia State’s nursing school, the faculty used to believe that students who got a poor grade in “Conceptual Foundations of Nursing” probably wouldn’t go on to graduation. So they were surprised, after an analysis of student records stretching back a decade, to discover what really made a difference for nursing students: their performance in introductory math.


“You could get a C or an A in that first nursing class and still be successful,” said Timothy M. Renick, the vice provost. “But if you got a low grade in your math courses, by the time you were in your junior and senior years, you were doing very poorly.”


The analysis showed that fewer than 10 percent of nursing students with a C in math graduated, compared with about 80 percent of students with at least a B+. Algebra and statistics, it seems, were providing an essential foundation for later classes in biology, microbiology, physiology and pharmacology.


Georgia State is one of a growing number of colleges and universities using what is known as predictive analytics to spot students in danger of dropping out. Crunching hundreds of thousands and sometimes millions of student academic and personal records, past and present, they are coming up with courses that signal a need for intervention.


A little less than half of the nation’s students graduate in four years; given two more years to get the job done, the percentage rises to only about 60 percent. That’s no small concern for families shouldering the additional tuition or student debt (an average of more than $28,000 on graduation, according to a 2016 College Board report). Students who drop out are in even worse shape. Such outcomes have led parents and politicians to demand colleges do better. Big data is one experiment in how to do that.


Health care companies and sports teams have been working with predictive analytics for years. But the approach is in its early stages on campuses. A handful of companies have sprung up in the last few years, working with perhaps 200 universities. They identify trends in the data and create computer programs that monitor student progress and alert advisers when students go off historically successful pathways.


Dr. Renick uses Amazon to suggest how predictive analytics work. “When Amazon looks at all your choices of books and makes predictions that you’ll like other books, it doesn’t need to know why you’ll like the third book,” he said. “Our big data doesn’t need to know exactly why a student gets a bad grade. It just happens thousands and thousands of times. We’re looking at a pattern.”


Different courses at different universities have proved to be predictors of success, or failure. The most significant seem to be foundational courses that prepare students for higher-level work in a particular major. Across a dozen of its clients, the data analysts Civitas Learning found that the probability of graduating dropped precipitously if students got less than an A or a B in a foundational course in their major, like management for a business major or elementary education for an education major. El Paso Community College’s nursing hot spot was a foundational biology course. Anyone who got an A had a 71 percent chance of graduating in six years; those with a B had only a 53 percent chance.


At the University of Arizona, a high grade in English comp proved to be crucial to graduation. Only 41 percent of students who got a C in freshman writing ended up with a degree, compared with 61 percent of the B students and 72 percent of A students.


“We always figured that if a student got a C, she was fine,” said Melissa Vito, a senior vice provost. “It turns out, a C in a foundation course like freshman composition can be an indicator that the student is not going to succeed.” The university now knows it needs to throw more resources at writing, specifically at those C students.


At Middle Tennessee State University, History 2020, an American history course required for most students, has been a powerful predictor. The most consistent feature for those who did not graduate was that they received a D in it. “History is a heavy reading course,” said Richard D. Sluder, vice provost for student success, “so it signifies a need for reading comprehension.”


Before predictive analytics, Dr. Sluder said, many of the D’s went unnoticed. That’s because advisers were mainly monitoring grade-point averages, not grades in specific courses. “You take a student who’s getting A’s and B’s and you see a C in this one class,” he said, “and you’d say, ‘He looks fine.’ But, really, he was at risk.”


Such insight may revolutionize the way student advising works.


Among the historic data that the education tech companies analyze are SAT and ACT scores; personal and demographic information; courses that students are taking and grades they are getting; and behaviors like how frequently they are seeing advisers and tutors and how actively they are engaging in the campus networks where professors post homework assignments, lecture notes, comments and grades.


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The analytics programs know the paths that successful students have followed. When a student veers off that path, like getting a low grade in a predictor course or taking a course out of sequence, advisers get an alert, a signal to reach out to the student and offer suggestions.


One perennial problem is that students register for the wrong classes. “Students think they’re signing up for a particular lab for chem majors,” Dr. Renick said, “but it turns out to be for nonmajors. In the past we might not learn about that until the student was already in the class or even after he had finished the course. Now we’re getting an alert and we get the student into the right class. We had 2,000 students like this last year.”


The advisers are linked so that their notes and meetings with students are available for colleagues, just as doctors in hospital systems share notes on patients.


Most universities have not been using big data long enough to see improvement in four- or six-year graduation rates. But some evidence indicates a positive impact. The schools that have seen some success have combined analytics with significant investment in other initiatives. Georgia State has more than doubled its advising staff, to about 100, and now meets the national standard of one adviser for 300 students. “It’s a heavy load,” Dr. Renick said, “but in the past we had 750 to one.” In 2016, Georgia State’s four-year graduation rate rose 5 percentage points, to 27 percent, and the six-year rate rose 6 points, to 54 percent.


Georgia State is sharing technology with 10 other universities in a coalition called the University Innovation Alliance. The alliance has pledged to graduate an additional 68,000 students in the next eight years.


Middle Tennessee State, which like Georgia State has many low-income, minority students, began working with the big data company EAB in fall 2014. Since then, it has more than doubled its advising staff, to 78, expanded free tutoring to 200 subjects from about 20, redesigned 27 foundation courses and started monitoring student progress weekly.


“All of this is important,” said Dr. Sluder. “But the technology is crucial. Take out all the technology and you just don’t get that end result.” Freshman retention at Middle Tennessee has risen 5 percentage points, to 76 percent, in just two years.


A few universities are developing their own programs. In September, students at Stanford began using a digital tool based on 15 years of data that helps them in the daunting task of choosing from among some 5,000 undergraduate classes.


 “No single adviser, however wise and alert, can possibly be aware of all the instructional opportunities,” said Mitchell L. Stevens, an associate professor of education who led in the development of the program.


When students’ selections clash with historically successful combinations, a warning pops up. Students are free to take courses outside a recommended path, but they are advised that graduating could take longer.


Freshmen at the University of Michigan began using a program in the fall that mixes their personal and academic data with data on how earlier students did, advice from them and study guides from professors. After students complete a survey about their expectations for success in a course, the program digs into the data to see if those expectations are realistic. When they sign on, it takes them through questions and answers in what feels like a conversation.


“Hello, Kate. You told us that the grade you want to receive is a B. This is a good goal for you. You should be more confident that you can achieve this! What if you aim for an even higher grade?”
Tim McKay, the professor of physics, astronomy and education who created the application, called ECoach, said thousands of students who regularly used the application over six years of testing often earned a third of a letter grade higher — from a B- to a B, for instance — than those who did not use it.


At the University of Arizona, Sudha Ram, the director of Insite: Center for Business Intelligence and Analytics, has been experimenting with tracking freshmen — the category of students most likely to drop out — as they swipe their identification cards to go to the library or gym, pay for a meal in the cafeteria or buy a sweatshirt in the bookstore.


“We are measuring social interaction,” Dr. Ram said. “How many people do they tend to hang out with for different activities, and is their hanging out dropping off week by week or getting stronger? A lot of theoretical work has been done on this.”


The findings are put into algorithms to predict who is in danger of not making it to sophomore year.
“Most of the predictive-analytics people are looking at grades,” Dr. Ram said. “A lot of times it’s not the grades but whether they feel comfortable and socially integrated. If they are not socially integrated, they drop out.”


Dr. Ram has tracked nearly 30,000 students over the last three years. Matching her findings against actual dropouts, she said, she has an accuracy rate of about 85 percent, but her project is still in the testing phase. She says identities are kept private.


That’s a major concern about big data: that student details could become public. It is not the only issue. Martin Kurzweil, a program director at Ithaka S + R, an education research organization, worries that students whose performance is setting off alarms could be discouraged from following their passion. “Algorithm is not destiny,” he said. “It’s important that human judgment is never removed from the process and that there is always an opportunity for a student to appeal a pathway that’s being plotted for them.”


Another concern: the temptation to weed out at-risk students to improve a school’s ranking. Could it happen? Mr. Kurzweil cites the president of Mount St. Mary’s University, in Maryland, who famously wanted to “drown the bunnies” who struggled.


“There are risks,” Mr. Kurzweil said. “But I think the people in predictive analytics are mostly white hats, and they’re doing it because they really believe they’re helping students.”


Still, he described the field as a little like the Wild West: “They’ve pushed ahead quickly without setting up the kinds of standards and governance that will mitigate risk.”


In June, Ithaka S + R and a team from Stanford brought together 73 specialists from universities, analytics companies, foundations and the Department of Education for three days of discussion on developing standards and ethical guidelines for big data on college campuses. They met at the Asilomar Conference Grounds on the Monterey Peninsula, where 41 years earlier scientists started work on the first guidelines for genetic research.


Some universities are staying on the sidelines. The financial commitment — a half-million dollars or more over the course of a three-year contract that includes data analysis, software and training — is significant. Some are simply uneasy about the concept, Mr. Kurzweil said, or are not convinced predictive analytics really works.


Laura Mercer, chief of staff to the president of Sinclair College, a two-year school in Dayton, Ohio, tells a story to counter that view. At Sinclair, a C in general psychology or in “Foundations of Business” was found to be a sign that students majoring in those subjects won’t make it. She decided to take a look at the records of a few students who had taken the psychology course.
One woman who was planning to major in psychology had taken it and three other courses as a freshman in the fall of 2014. She earned three A’s and a C.


“It was a pretty decent start,” Ms. Mercer said. “But guess what? The C was in Psych 1100.” In the spring of 2015, the student signed up for five classes. She withdrew from one. The next semester she withdrew from three of her five classes. This fall she took four classes and withdrew from all of them.
“It was just what the analytics had predicted,” Ms. Mercer said. “I tend to be a little skeptical. It wasn’t until I dove into the records and I saw, ‘Yes, indeed, this is a problem.’ ”


*Joseph B. Treaster, a former Times reporter, is now a professor in the School of Communication at the University of Miami.

 


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José Antônio Aleixo da Silva (Editor)Professor titular da UFRPE e membro da Diretoria da SBPC.

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