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Jornal Eletrônico da SBPC/PE #3

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Notícias:

CÂMARA VAI DISCUTIR EXTINÇÃO DA REPRESENTAÇÃO DO MINISTÉRIO DE CT&I NO NORDESTE

PERNAMBUCO COMEMORARÁ OS 100 ANOS DE MIGUEL ARRAES

FACEPE PARTICIPA DE MISSÃO DAS FAPS NA FRANÇA

ESPECIALISTAS APONTAM DESAFIOS DA CIÊNCIA BRASILEIRA

BRASILEIRO É ÚNICO LATINO-AMERICANO EM LISTA DE MELHORES JOVENS INOVADORES DO MUNDO DE UNIVERSIDADE AMERICANA

A QUESTÃO HÍDRICA ATUAL DO NORDESTE SECO!

BRASILEIROS AVANÇAM EM CÉLULAS SOLARES INOVADORAS

TRUMP ENTRE A PAZ E A GUERRA, INCLUSIVE NO ESPAÇO

PROGRAMAS GRATUITOS PARA ORGANIZAR SUA PESQUISA

INTERNET: A VERDADE SEGUNDO UMBERTO ECO

INPE ESTIMA 7.989 KM2 DE DESMATAMENTO POR CORTE RASO NA AMAZÔNIA EM 2016, UM AUMENTO DE 29% EM RELAÇÃO A 2015

JAPÃO ANUNCIA PLANOS PARA DESENVOLVER O SUPERCOMPUTADOR MAIS RÁPIDO DO MUNDO

 
A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), da Câmara dos Deputados aprovou na manhã desta quarta-feira (23/11), requerimento da deputada Luciana Santos para realização de audiência pública para discutir a extinção da representação no Nordeste do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

De acordo com Luciana nos últimos meses, houveram iniciativas que prejudicaram a atuação e independência das atividades relacionadas a Ciência, Tecnologia e Inovação. “A pasta, que outrora não tinha nenhuma priorização orçamentária, chegou a bons investimentos nos últimos anos, mas que agora estão novamente ameaçados por força do Decreto nº 8.877/2016, cortes orçamentários e fusão ao Ministério das Comunicações”, detalha na justificativa para requerer o debate.

De acordo com matéria veiculada de Herton Escobar, no Jornal Estadão, o orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para este ano é metade do que era em 2010 e um quarto menor do que dez anos atrás, em valores corrigidos pela inflação. A proposta do governo, segundo o Estado apurou, é manter o orçamento da pasta congelado para o ano que vem, apesar da fusão com o Ministério das Comunicações — o que significaria, na prática, uma nova redução orçamentária.

Nos últimos dez anos, a política de ciência, tecnologia e inovação no Nordeste impactou fortemente a base científica. Ampliou-se o número de universidades e instituições de ensino superior, institutos de pesquisa e de ensino tecnológico e de laboratórios especializados.

De 2009 a 2013, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) aumentou em 68,8% o número de publicações na base Scopus, passando de 3.216 para 5.429 artigos. A Universidade Federal do Ceará (UFC), por sua vez, passou de três pedidos de patente, no biênio 2008-2009, para 26 no biênio seguinte, de acordo com o Ranking Universitário Folha, de 2014. No ranking das universidades que mais cresceram em número de pedidos de patentes figuram outras duas: a Universidade Federal de Sergipe (UFS), que passou de cinco para 24 pedidos no mesmo período, e a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), que pulou de três para 14 pedidos. As informações constam do documento que subsidia a audiência.

“É mais do que essencial que se debata a necessidade de intervenção nas áreas de ciência e tecnologia para que não haja, principalmente, abandono de avanços tão importantes para o país. Além do que a pesquisa, a ciência, a tecnologia e as inovações são ferramentas que as grandes economias sempre utilizaram e priorizaram como respostas a crises econômicas”, defende Luciana.
A data do encontro será confirmada pela secretaria da CCTCI e serão convidados o Sr. Inácio Arruda, secretário de Estado da Ciência e Tecnologia e Educação Superior do Estado do Ceará, o Sr. José Bertotti , coordenador geral da extinta Representação Regional no Nordeste Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Sérgio Rezende, ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Helena Nader, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, e Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciência.

Veja a defesa da deputada Luciana Santos em:
http://deputadaluciana.com.br/camara-vai-discutir-extincao-da-representacao-do-ministerio-de-cti-no-nordeste

 

 PERNAMBUCO COMEMORARÁ OS 100 ANOS DE MIGUEL ARRAES

O estado de Pernambuco estará comemorando no próximo dia 15 de dezembro, o centenário de nascimento do ex-governador Miguel Arraes que certamente foi o governador que mais incentivou a Educação, Ciência e Tecnologia em Pernambuco. Destaque especial em seu governo foi a Lei Estadual 10401/1989 que criou a FACEPE, a primeira fundação de apoio à Ciência e Tecnologia do Nordeste.

PROGRAMAÇÃO:

DIA 15 DE DEZEMBRO:

15h00: Sessão Solene na Câmara Municipal do Recife em homenagem a Miguel Arraes

16h00: Sessão Solene na Assembléia Legislativa de Pernambuco

18h00: Missa em Ação de Graças na Paróquia de Casa Forte

19h00: Inauguração da Exposição Miguel Arraes 100 anos, organizada pela CEPE, com apoio do Governo do Estado de Pernambuco e do Instituto Miguel Arraes/IMA

29h00: Lançamentos e homenagens:

Lançamento de cinco livros da CEPE, dos autores Wandeck Santiago, Elizabeth Souza e Remigio, Tereza Razowikwiat e Marcos Cirano;

Sessão de autógrafos dos livros “PROCESSO DE ANISTIA FUNCIONAL DE MIGUEL ARRAES”, “OPERAÇÃO CONDOR”, que tratam sobre assuntos vinculados a vida de Miguel Arraes, de autoria de Antônio Campos;

Lançamento da segunda etapa do blog Arraes Vive, comemorativo do seu centenário, com coordenação de Elisa Arraes; na ocasião, será prestada a Madalena Arraes uma homenagem especial.

Local: Museu do Estado de Pernambuco

 


 

FACEPE PARTICIPA DE MISSÃO DAS FAPS NA FRANÇA

Site da FACEPE, 01/12/2016

Missão começa em Paris com rodada de apresentações
A primeira reunião da Missão do CONFAP (Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa) na França foi realizada no Ministério da Educação Nacional, do Ensino Superior e da Pesquisa, em Paris, no dia 14 de novembro, e teve como tônica o reconhecimento, por parte de autoridades francesas, da importância da cooperação científica entre os dois países.
“O Brasil é um parceiro universitário importante e nossa cooperação é antiga e sólida. Estudantes franceses representa o primeiro contingente acadêmico europeu que de desloca ao Brasil e publicam mais de 1200 artigo por ano ”, afirmou Marie Revel, do setor de Parcerias Universitárias e Científicas do Ministério de Assuntos Exteriores e de Desenvolvimento Internacional da França.
 
O presidente da FACEPE Abraham Sicsu é o primeiro à esquerda da segunda fila.

“Desde a implementação do programa CAPES- COFECUB, há 38 anos, 3 mil doutores brasileiros se formaram na França”, acrescentou Cesario Alexandria, Conselheiro da Embaixada do Brasil na França, encarregado da cooperação em CTI. “É um fato positivo que o CONFAP e as FAPS já tenham estabelecido parcerias como CNRS (Centre  Nationnal de la Recherche Scientifique), CIRAD (Centre de coopération internationale en recherche agronomique pour le développement) e INRIA (The French Institute for Research in Computer Science and Automation)”. Um acordo firmado em 2016 com o Centro Europeu de Investigação vai permitir ampliar a cooperação com a França, segundo Sergio Gargioni, presidente do CONFAP. Ele apresentou a instituição e deu como exemplo de cooperação internacional o Fundo Newton, para o qual o CONFAP tem o compromisso de dar R$3 milhões. “Mas o Reino Unido fica atrás da França, tido como segundo país que mais coopera com o Brasil.”

Na sequência, Denis Despreaux, diretor do Ministério de Educação, falou sobre a situação da pesquisa em sua nação. “A França é o país que mais publica artigos conjuntos no mundo. Temos a maior taxa de sucesso dentro dos programas quadro (atualmente Horizonte 2020). Outra especificidade francesa é a presença de laboratórios no estrangeiro”, disse, mostrando o caso do CNRS-IMPA no Rio de Janeiro.

A terceira apresentação foi feita por Bernard Breyfus, presidente do COFECUB (Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária com o Brasil). Criado em 1979, tem como parceiros brasileiros CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e USP (Universidade de São Paulo), e hoje resulta em 6 teses defendidas por mês no Brasil ou na França. “O programa está aberto a todas as instituições de pesquisa,” anunciou.

Philippe Martineau, Conselheiro de Cooperação e de Ação Cultural adjunto e Responsável da Cooperação Científica, Universitária e Tecnológica da Embaixada da França no Brasil, introduziu a rodada de apresentações de 4 organismos francesas de pesquisa, começando por Eloise Gransagne, responsável pela América Latina no IRD (Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento). Entre os demais, estavam Jean Thèves, Diretor (para as Américas e Oceania) do CNRS; Carole Pierlovisi, do setor de Assuntos Internacionais e Europeus do Museu Nacional de História Natural; Tania Castro (INRIA), Aurelien Carboniere (IFREMER – Institut Francais de Recherche  pour  l`Exploitation de la Mer); Philippe Petithuguenin, diretor geral delegado adjunto de Pesquisa e Estratégia do consórcio formado por CIRAD (Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento) e INRA (Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica) equivalente à Embrapa (A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) brasileira.

A missão prossegue até sábado, incluindo paradas em Montpelllier e Bordeaux.

A comitiva tem representantes de 9 fundações: Sergio Gargioni,  presidente do CONFAP e da FAPESC;  Maria Zaira Turchi, presidente da FAPEG; Mary Guedes, diretora-presidente da FAPEAP;  Eduardo José Monteiro da Costa, presidente da FAPESPA; Abraham Benzaquen Sicsú, presidente da FACEPE; Odir Antonio Dellagostin, presidente da FAPERGS e seu diretor técnico-científico Érico Marlon de Moraes Flores; Alex Oliveira de Souza, presidente da FAPEMA; Fábio Guedes Gomes, diretor-presidente da FAPEAL; e Euclides de Mesquita Neto, coordenador da área de Engenharia da FAPESP.  Acompanham também a missão o secretário executivo de CONFAP, Luiz Carlos Nunes, e a coordenadora de comunicação do CONFAP, Heloisa Dallanhol.

Fonte: Heloisa Dallanhol – Coordenadoria de Comunicação do CONFAP


 


 

ESPECIALISTAS APONTAM DESAFIOS DA CIÊNCIA BRASILEIRA

Agência Gestão CT&I, com informações da Fapesp, 28/11/2016

Onze pesquisadores traçaram um diagnóstico do estado da arte da pesquisa em suas respectivas áreas de conhecimento e apontaram perspectivas para o avanço da ciência brasileira nos próximos anos. As apresentações fizeram parte de um simpósio em comemoração ao centenário da Academia Brasileira de Ciências (ABC). A queda do impacto, o foco e a governança da política brasileira de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) foram citados com os principais entraves para o desenvolvimento das pesquisas e consequentemente da inovação na cadeia produtiva brasileira.

“O impacto da ciência brasileira está caindo, apesar do número de trabalhos aumentar”, diagnosticou José Goldemberg, presidente da Fapesp. Isso decorre, em sua avaliação, da falta de foco de pesquisas, que pulverizam recursos, geram frustrações, inibem o surgimento de “ideias novas” e distanciam a ciência da sociedade.

Os pesquisadores apontaram ainda que o atual quadro da CT&I no Brasil é agravado pelo sistema de avaliação das agências de fomento, que enfatizam o número de artigos publicados e não necessariamente a qualidade. “Temos que introduzir sistemas de avaliações novos para medir corretamente esse impacto”, defendeu Goldemberg.

Para Luiz Davidovich, presidente da ABC, produzir papers é importante, mas não deve ser a única função do pesquisador. “A diferença entre ciência básica e aplicada está cada vez mais difusa por conta da rapidez com que se desenvolvem a pesquisa e as novas tecnologias. Precisamos seguir avançando na direção de inovações disruptivas”, disse.

Eduardo Moacyr Krieger, vice-presidente da Fapesp, afirmou que o Brasil “aprendeu” a fazer ciência e a formar recursos humanos, tanto que cresceu o número de artigos publicados e de doutores. “Mas esse número ainda é insuficiente e a qualidade do que se faz também. Há, portanto, o desafio de compatibilizar a expansão ainda necessária com o apoio a núcleos de excelência em áreas prioritárias”, afirmou.

Para Krieger, o grande desafio da ciência é produzir e usar o conhecimento para o desenvolvimento social e econômico. Ele avalia que o diálogo da ciência com o setor produtivo tem sido profícuo, mas não identifica o mesmo sucesso na interlocução com o setor de saúde. “A pesquisa em cooperação com o setor público é pouco explorada.”

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp, ressaltou que o impacto social e econômico da ciência não depende apenas da universidade. “Quem leva o impacto à sociedade é o governo ou a empresa. Universidade não faz produtos, ou cria políticas. A empresa deve ter pesquisadores que foram bem educados em universidades e capazes de criar novos produtos, processos e serviços. Acontece que a economia brasileira tem um sistema de desincentivo à pesquisa nas empresas.”

A questão do impacto e foco da ciência no país, a qualidade da formação de recursos humanos e o papel do Estado no compartilhamento do conhecimento com a sociedade também foi debatido no simpósio. “O Brasil precisa ter uma agenda top down de pesquisa. As agendas tentam contemplar todos os setores e não têm foco. Falta governança na pirâmide de decisões no País”, diagnosticou João Fernando Gomes de Oliveira, vice-presidente da ABC e ex-presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

Na avaliação de Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fapesp, o quadro de governança é agravado pelo fato de as agências terem perdido a “capacidade de ter massa crítica”, comprometendo a capacidade técnica do Estado.

Pacheco lembrou que o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) – criado em 2001, durante a 2ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia, no período em que ocupava o cargo de secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia – foi concebido como uma “instância geradora” de temas para os Fundos Setoriais – constituídos dois anos antes. “Em vez de fazer top down do Planalto, o CGEE ouvia a planície. Esse papel precisa ser resgatado.”

Organizado pela Fapesp, o simpósio também marcou o lançamento da exposição que conta história dos 100 anos da Academia Brasileira de Ciências está apresentada na sede da FAPESP por meio de uma exposição interativa. Em cartaz até 29 de novembro, com visitação gratuita, a exposição traça uma de linha do tempo que permite aos visitantes conhecer as principais descobertas da ciência brasileira e mundial e o desenvolvimento das instituições e políticas científicas desde 1916 até os dias atuais.

 


BRASILEIRO É ÚNICO LATINO-AMERICANO EM LISTA DE MELHORES JOVENS INOVADORES DO MUNDO DE UNIVERSIDADE AMERICANA

BBC de 28/11/2016  

Ronaldo Tenório criou o Hand Talk, um aplicativo que traduz mensagens em português para libras - a linguagem dos sinais; e foi reconhecido pelo renomado MIT

 

Brasileiro Ronaldo Tenório criou aplicativo para surdos em 2012 (Foto: Hand Talk)

Em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem 360 milhões de pessoas que sofrem algum tipo de problema auditivo.

São 360 milhões de pessoas que todos os dias têm de enfrentar a dificuldade de se comunicar para sobreviver. Não só para ouvir, mas também para falar.

E 10 milhões delas vivem no Brasil, onde 70% têm dificuldade em entender o português.
E foi no Brasil que Ronaldo Tenório, um jovem empreendedor digital de 30 anos, pensou que pudesse fazer a diferença.

Em 2012, ele criou o Hand Talk, um aplicativo que traduz mensagens em português para libras - a linguagem dos sinais.

Essa invenção levou Tenório a ser o único latino-americano escolhido pelo prestigiado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA, como um dos 35 melhores inventores com menos de 35 anos no mundo.

Hugo é o personagem que dá vida ao aplicativo que traduz áudios em linguagem de sinais (Foto: Hand Talk)



"Tenório criou um aplicativo que permite que pessoas surdas levem um intérprete de linguagem gestual para qualquer lugar", escreveu a jornalista Julia Sklar na revista MIT Review, que fez a apresentação dos 35 jovens escolhidos.

Tudo começou em 2008, quando o alagoano estava na faculdade e recebeu a tarefa de desenvolver uma ideia inovadora.

"Sempre tive a ideia de criar algo que iria ajudar as pessoas que enfrentam alguma dificuldade", disse Tenório à BBC Mundo, o serviço da BBC em espanhol.

"Comecei a pesquisar e me dei conta de que a verdadeira barreira entre surdos e ouvintes era a de que eles falavam idiomas diferentes. Um problema que se iniciava dentro da própria casa, entre pais e filhos", acrescentou.

Até agora, o aplicativo que ele criou em conjunto com os seus sócios, Carlos Wanderlan e Thadeu Luz, já foi baixado por um milhão de pessoas. E seu criador espera que, à medida que seja traduzido para outras línguas, possa ajudar mais pessoas ao redor do mundo.

Como funciona

Quando você abre o aplicativo Hand Talk, surge um avatar com um largo sorriso e uma grande disposição para ajudar. Seu nome é Hugo.

Abaixo, você pode ler uma frase que diz: "falar para traduzir". E a pessoa que quer se comunicar com um deficiente auditivo só precisa falar.

 

Ronaldo Tenório foi eleito pelo MIT um dos inventores com menos de 35 anos mais importantes do mundo (Foto: Hand Talk)



E imediatamente Hugo faz o seu trabalho: começa a traduzir com sinais o que acabou de ouvir no telefone. E vice-versa: traduz a linguagem de sinais para mensagens de texto ou de voz.

"O grande valor deste aplicativo é o complexo sistema de expressões feitas por Hugo, que requer o desenvolvimento de detalhados trabalhos gráficos e desenhos que têm dado bons resultados", disse Sklar no relatório do MIT.

Graças a isso, o Hand Talk ganhou vários prêmios: a ONU o escolheu como um dos melhores aplicativos sociais de 2013, e o governo brasileiro também o destacou como o projeto mais inovador.

Os desafios

E já começou a render frutos na vida das pessoas. Davi Freitas usou o aplicativo para salvar uma menina de 13 anos no Estado de Alagoas, no norte do Brasil, que chegou muito agitada no hospital onde ele trabalhava.

"Ninguém sabia o que estava acontecendo. A mãe dela disse ao médico que não conseguia entender porque ela só falava a língua dos sinais. Assim que ele usou o aplicativo, entendeu que ela tinha a pior dor de cabeça de sua vida", disse Tenório.

Depois de vários exames, Freitas e sua equipe conseguiram chegar a um diagnóstico: uma hemorragia intracraniana, que foi tratada imediatamente.

Mas o boneco Hugo tem recebido críticas por sua aparência, que não pode ser personalizada pelo cliente.

"Essa é uma das principais mudanças que queremos fazer nas novas versões, para que as pessoas possam escolher a cor da pele ou a aparência, para que possamos atender muito mais pessoas no país", disse Tenório.

Outra dificuldade é o vasto território brasileiro e a falta de instalações para avançar tais projetos.
"O Brasil, particularmente, tem um mercado diferente de outros países porque possui muitas barreiras burocráticas, mas acredito firmemente que nós vamos avançar com este projeto."

 


 

A QUESTÃO HÍDRICA ATUAL DO NORDESTE SECO!

João Suassuna, 29/11/2016

O setentrional nordestino, que há cinco anos vem enfrentando situações de seca, está em “estado de emergência” e muitos dos municípios da região, como o de Campina Grande, na Paraíba, que tem aproximadamente 355 mil habitantes, e Caruaru, em Pernambuco, com 300 mil habitantes, enfrentam problemas de abastecimento de água para o consumo de suas populações.

O maior problema da seca é que não há gestão dos recursos hídricos e, em muitos municípios, se não chover o volume esperado para este mês de novembro, “não há um plano B para o abastecimento do povo”. “Para se ter uma ideia dessa problemática, represas do porte de Boqueirão, na Paraíba, que abastece Campina Grande, está atuando com 6% da sua capacidade. Represas enormes no interior da Paraíba, como Coremas e Mãe D’Água, que juntas acumulam um bilhão e 200 milhões de metros cúbicos de água, hoje atuam, respectivamente, com 2% e 7% de suas capacidades. Uma delas (Coremas) já está em colapso, e a tendência é que até o final do ano, essas represas venham a secar” completamente. A represa de Sobradinho, na Bahia, que tem capacidade de armazenar 34,1 bilhões de metros cúbicos de água, e que há quatro meses atuava com 25% da sua capacidade, hoje atua com 5% e já há uma previsão de hidrogeólogos de que a represa, caso não chova o suficiente, entrará em volume morto até o final de dezembro.

O abastecimento de água na região está sendo feito por frotas de caminhões-pipas, mas não se sabe qual é a origem dessa água que tem sido utilizada para o consumo humano. Temos que nos perguntar de onde essas águas estão sendo retiradas para o abastecimento do povo, já que o Nordeste inteiro está desidratado e com baixos volumes em suas represas. Temos que questionar a origem dessas águas que estão sendo trazidas pelos caminhões pipas. Essas águas, de origem duvidosa, são realmente imprestáveis para o consumo humano, mas são as únicas de que se dispõe no momento. Certamente iremos ter problemas sérios de saúde pública, porque populações inteiras estão tendo acesso a essa água de péssima qualidade. Provavelmente, elas serão acometidas por hepatites, esquistossomoses, schistosomose [barriga d’água], isto é, doenças veiculadas pela água.

A seca no Nordeste normalmente se dá de forma lenta e gradual, mas a atual agravou-se porque houve secas sucessivas nos últimos anos. Desde 2012 as chuvas estão ocorrendo abaixo da média, e quando isso acontece os açudes secam e a agricultura sofre um impacto muito forte: colheitas de milho e feijão (culturas de subsistência) são perdidas e a pecuária também sofre um impacto considerável. A seca de 2013, por exemplo, diminuiu, em cerca de 70%, a pecuária paraibana.

Atualmente, o maior problema da seca é que, no Nordeste, não há gestão dos recursos hídricos. Para se ter uma ideia dessa problemática, represas interanuais (aquelas que alcançam a quadra chuvosa do ano seguinte, mesmo com o uso continuado de suas águas), como é o caso de Boqueirão, na Paraíba, que abastece a cidade de Campina Grande, está atuando com cerca de 6% da sua capacidade. Represas igualmente interanuais no interior da Paraíba, como Coremas e Mãe D’Água, que juntas acumulam um bilhão e 200 milhões de metros cúbicos de água, hoje atuam, respectivamente, com 2% e 7% de suas capacidades. Uma delas já entrou em colapso (Coremas), e a tendência é que, até o final do ano, essas represas venham a secar por completo.

Represas como a de Jucazinho, que abastece a cidade de Santa Cruz do Capibaribe e Caruaru, em Pernambuco, entraram em exaustão. Mas por que isso acontece? Por falta de gestão no uso das águas. Quando uma represa é construída, ela pereniza o rio por ela represado, numa determinada vazão, chamada de “vazão de regularização”, com 100% de garantia. Essa vazão de regularização não pode ser utilizada em volumes superiores aos determinados e garantidos por essa represa. Se isso for feito, as represas secam, como secaram as mencionadas acima (Jucazinho e Coremas/Mãe D´água), como, também, os açudes de Itans e Gargalheiras, no RN, por falta de gestão de suas águas. O problema é que os volumes de regularização das represas estão sendo superutilizados na irrigação, perdidos nos vazamentos, nas infiltrações e no próprio abastecimento das populações. Essa regra de uso dos volumes das represas tem que ser cumprida sistematicamente e com muita determinação porque, agindo-se de forma contrária, elas vêm a secar.

A represa de Sobradinho está atualmente (novembro de 2016) com cerca de 5% da sua capacidade, e já há previsão de hidrogeólogos de que a represa entrará em volume morto no final de dezembro, caso não haja chuvas satisfatórias na bacia hidrográfica do rio, principalmente nas regiões do Alto e do Médio São Francisco. A Companhia Hidrelétrica do São Francisco - Chesf e a Companhia Energética de Minas Gerais - Cemig, que gerenciam os volumes de regularização do São Francisco na região de Três Marias e de Sobradinho, estão fazendo de tudo para que Sobradinho não entre em volume morto. Estão liberando volumes expressivos da hidrelétrica de Três Marias (cerca de 600 m³/s), prejudicando a capacidade de armazenamento da própria hidrelétrica, para salvar a represa de Sobradinho. Os técnicos estão com muita esperança de que, adotando essas manobras arriscadas, a entrada da nova quadra chuvosa possa salvar, não só a represa de Três Marias, mas, também, a de Sobradinho. Então, estamos vivenciando um momento crítico no qual se depende da providência divina para a solução definitiva dessa situação. A dependência agora é por chuvas! No atual momento, as chuvas estão sendo por demais esperadas, e se constituem no fiel da balança para a salvação do abastecimento do povo.

O Rio São Francisco tem aquíferos importantes, sendo o mais importante deles o Urucuia, localizado no Oeste da Bahia, na região do município de Barreiras. Esses aquíferos desempenham um papel fundamental no regime volumétrico do São Francisco, porque têm geologia sedimentária, de solos porosos, e quando chove há uma grande infiltração de água, formando os lençóis freáticos em seus subsolos. Com isso, há também os chamados fluxos de base, que são emissões de água que saem dos subsolos dos aquíferos em direção à calha dos rios. O aquífero Urucuia é responsável por mais da metade da vazão regularizada do São Francisco, em Sobradinho. No entanto, a água do aquífero está sendo super utilizada para produzir soja e milho irrigados, por intermédio de equipamentos de irrigação, os chamados pivôs centrais, que consomem uma quantidade expressiva de água. Só na região Oeste da Bahia existem mais de cem pivôs centrais, que chegam a retirar, do subsolo, cerca de 2600 metros cúbicos de água por hora. Multiplique esse volume por 100, que é a quantidade de pivôs existentes na região, e tem-se ideia da quantidade de água que é destinada para fins da irrigação dos plantios.

Quando a represa de Sobradinho foi construída em 1979, foi regularizada a vazão do São Francisco em uma média de 2060 metros cúbicos por segundo. Se, atualmente, for feita uma mensuração de vazão na foz do rio, veremos que esta é de 1850 m³/s. E essa vazão vai diminuir mais ainda por conta do uso indiscriminado das águas, nas irrigações praticadas sobre os seus aquíferos. É isso que está matando o Rio São Francisco atualmente, reduzindo suas vazões, porque não se está obedecendo aos princípios fundamentais da hidrologia, quais sejam, à necessária gestão dos recursos hídricos, o que se consubstancia numa questão fundamental, principalmente em regiões onde ocorrem secas sevaras.

No Nordeste existem áreas nas quais as secas ocorrem com menor intensidade, mas existe uma área chamada de Miolão da Seca (descrita por Otamar de Carvalho), em que as situações de estiagem são mais frequentes: 80% das secas do Nordeste ocorrem nessa área do setentrional nordestino. É para lá que foi planejada a chegada das águas do Rio São Francisco, com o projeto da Transposição. Hoje, praticamente todos os municípios do Miolão da Seca estão em estado de emergência, por conta dos últimos cinco anos de secas sucessivas na região. O pior é que, em cidades que enfrentam problemas de abastecimento, como Campina Grande e Caruaru, não existem um plano B para o atendimento das demandas hídricas das populações. O abastecimento de água está sendo feito com frotas de caminhões-pipas. Mas como é possível abastecer cidades com mais de 300 mil habitantes, a exemplos de Campina Grande e Caruaru, com frotas de caminhões-pipas? As autoridades deixaram de pensar, porque isso tem uma implicação imediata no trânsito das cidades. Já imaginaram uma frota de cinco mil caminhões pipas abastecendo um município sedento?

Além do mais, temos que nos perguntar de onde essas águas estão sendo retiradas, já que o Nordeste inteiro apresenta um problema sério de baixos volumes em suas represas. Temos que questionar a origem dessas águas que estão sendo transportadas pelos caminhões e ofertadas ao povo. Essas águas de origem duvidosa são certamente imprestáveis para o consumo humano, mas são as únicas que se dispõe no momento. Certamente teremos problemas muito sérios de saúde pública, porque populações inteiras estão bebendo dessa água não potável.

A saída mais honrosa seria iniciar um programa de gestão adequada dos recursos hídricos. Mas estamos em uma situação na qual não existem volumes suficientes nas represas para se começar a promover tal gestão. Com isso, não se vislumbra outra saída, a não ser se esperar a quadra chuvosa que já iniciou no mês de novembro, com chuvas significativas no Alto e no Médio São Francisco. Temos que apostar que essas chuvas irão ocorrer com intensidades expressivas, acima da média, para a solução definitiva da situação caótica existente.

Agora, se essas chuvas vierem abaixo da média esperada, teremos um desastre muito grande no Nordeste, porque não iremos ter alternativas para o abastecimento do povo, já que as represas estão em estado crítico. Também não existe água de subsolo, porque temos uma geologia cristalina em 70% da superfície da região, ou seja, a rocha que dá origem ao solo está praticamente aflorando em alguns pontos da superfície e isso dificulta as infiltrações a e existência de água. Normalmente, essas fontes hídricas têm baixas vazões e, como se isso não bastasse, as águas são extremamente salinizadas, tanto que, às vezes, nem o gado consegue bebê-las.

É imperioso dar a importância devida, ao trabalho que a Articulação do Semiárido, a ASA Brasil, está fazendo no Nordeste. A ASA Brasil é uma instituição não governamental, que trabalha congregando as ações de 600 outras ONGs no Nordeste, que têm trabalhos voltados para a convivência no Semiárido. A ASA trabalha com cerca de 40 tecnologias no setor hídrico, a exemplo de cisternas rurais de placas, barragens subterrâneas, mandalas, entre outras. Agora, para que essas tecnologias funcionem a bom termo, é preciso usar água de forma racional.

A ASA Brasil trabalha com cisternas rurais com capacidade de 16 mil litros e, também, com as ditas produtivas, com capacidade para 52 mil litros. Essas cisternas captam água dos telhados das casas para fornecer uma água de boa qualidade para uma família de cinco pessoas, durante os oito meses sem chuvas na região. Essa é uma tecnologia extremamente viável, como viável, também, é a criação de animais adaptados às situações de secas (grandes e pequenos ruminantes). Em outros momentos de seca, era muito comum, no Nordeste, haver saques em supermercados e feiras livres, porque o povo não tinha o que comer e o que beber. Hoje em dia esse cenário mudou e, certamente, isso tem a ver com o uso e a implementação dessas tecnologias que estão dando certo no Sertão.

Outra tecnologia importante de convivência com as secas, é o plantio de Palma-forrageira adensada. Antigamente eram produzidas, no Nordeste, cerca de 50 toneladas de palma por hectare. Hoje, na forma adensada de plantio, que é uma tecnologia oriunda do México e dos Estados Unidos, estão sendo colhidas, com essa cactácea, cerca de 400 toneladas por hectare, ou seja, está se conseguindo um ganho 10 vezes maior nas colheitas. A palma é um excelente alimento para os animais em época de estiagem e ajuda a manter a atividade de pecuária em regiões secas, como é o caso do Nordeste brasileiro. A saída honrosa para se conviver com as secas é juntar todas essas experiências que estão dando certo e começar a trabalhar de forma planejada. O planejamento é à saída de tudo. Agora, temos que rezar – esse é o termo certo – para que essa quadra chuvosa que se inicia em novembro de 2016, venha com volumes de chuvas acima da média para, a partir daí, se começar a usar essas águas de forma racional. Insisto mais uma vez: se a seca se prolongar por mais um sexto ano no Nordeste, ficam sombrios os cenários do que possa ocorrer com a sua população.

Em relação à Transposição do Rio São Francisco, o programa encontra-se desacelerado ou mesmo parado em alguns trechos do projeto. Tem-se a impressão de que, primeiro, o governo Temer está arrumando a casa, para os ajustes necessários à alocação dos recursos. Houve a pretensão inicial de se começar um trabalho de revitalização na bacia do rio, mas ficou somente nas pretensões; não houve maiores evoluções nas ações, desde o anúncio da intenção do governo na revitalização do Velho Chico. Então, a informação que se tem é a mesma recebida no início do governo Temer: de que o governo está negociando 10 milhões de reais para investir em ações de revitalização.

*João Suassuna – Engenheiro Agrônomo e Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco

 


 

BRASILEIROS AVANÇAM EM CÉLULAS SOLARES INOVADORAS

Informações da Unesp de  25/11/2016

A incorporação de nióbio deu novo impulso às células solares brasileiras. [Imagem: Vinícius Leme/CDMF]


Células solares de perovskita


Há poucos meses, pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) apresentaram os primeiros protótipos de células solares de perovskitas feitas no Brasil, um dos materiais mais promissores e mais pesquisados atualmente em todo o mundo.


Agora foi a vez de uma equipe da UNESP (Universidade Estadual Paulista) dar um passo adicional, alcançando uma eficiência de 15% na conversão de energia solar em eletricidade.

Atualmente, as células solares mais comuns são feitas de silício, que apresentam uma eficiência de conversão de energia na faixa de 20%. Mas elas parecem ter chegado ao limite porque, nos últimos 15 anos, não foram observados progressos com as células de silício e sua eficiência permanece estagnada.

Perovskita com nióbio


A nova tecnologia fotovoltaica, usando cristais de perovskitas, foi descoberta em 2009. "Inicialmente, a eficiência de conversão de energia das células solares de perovskita era de apenas 3%. Hoje, já temos eficiências tão altas quanto 22%. Esse rápido avanço colocou as células solares de perovskitas em competição com as células de silício comerciais e essa tecnologia já é considerada promissora para a aplicação em larga escala," detalhou a pesquisadora Sílvia Letícia Fernandes, responsável pelos novos aprimoramentos.


A inovação no trabalho de Sílvia foi a introdução de óxido de nióbio como parte da célula solar, a fim de melhorar seu desempenho: "Conseguimos bons resultados quando inserimos o óxido de nióbio nas células, inclusive um ganho na estabilidade do dispositivo. Vale ressaltar que o uso do nióbio é de grande interesse para o nosso país, visto que mais de 90% das reservas desse mineral estão localizadas no Brasil."

Perovskitas


Perovskita é um termo geral usado para designar a estrutura do material - CH3NH3PbI3 é o material mais utilizado - responsável por absorver a luz do sol e gerar corrente elétrica.


Existem várias vantagens que as células de perovskitas apresentam sobre as de silício tradicionais.

"Enquanto o dióxido de silício (SiO2) é abundante na forma de areia de praia, separar as moléculas de oxigênio ligadas ao silício requer uma quantidade gigantesca de energia. O dióxido de silício funde a altas temperaturas, acima de 1500 °C, o que paradoxalmente libera mais emissão de dióxido de carbono na atmosfera e também cria um limite fundamental sobre o custo de produção das células solares de silício. Outra complicação das células fotovoltaicas de silício é que elas são pesadas e rígidas. Estes painéis pesados contribuem para os altos custos de montagem das matrizes e módulos fotovoltaicos de silício," comenta a pesquisadora.

Como são feitas de filmes finos - as perovskitas são consideradas um material bidimensional, como as folhas de grafeno - elas são muito mais flexíveis e têm potencial para serem mais baratas.

Desafios a vencer

Enquanto as células solares de silício são consideradas uma tecnologia madura, o progresso das células de perovskitas continua a florescer. Em sete anos, sua eficiência aumentou cinco vezes, tendo duplicado apenas nos últimos dois anos.

Mas ainda existem desafios a vencer para que as células de perovskitas saiam dos laboratórios e cheguem aos telhados das casas.

"Células de silício são extremamente resistentes, o que não é o caso das de perovskitas. Estas permanecem suscetíveis à água, ao ar e à luz. Além disso, a questão de como produzir células solares de perovskita em grande escala de forma competitiva com a tecnologia de silício é ainda um ponto de interrogação. Mas, com o aumento exponencial da eficiência de conversão de energia, baixos custos de produção e métodos fáceis de fabricação que são ambientalmente amigáveis, o potencial das células solares de perovskitas é promissor e brilhante," prevê Sílvia.

 

 


 

TRUMP ENTRE A PAZ E A GUERRA, INCLUSIVE NO ESPAÇO

José Monserrat Filho *

“O mundo está doente. E não pode ser curado com as novas guerras dos EUA. Os caminhos da paz – adotados não como um objetivo distante, mas como uma necessidade prática no presente – são a única cura.”
Jonatham Schell, O Inconcluso Século XX – A Crise das Armas de Destruição em Massa, Reino Unido: Verso, 2001, P. 105.(1)

O Presidente eleito dos Estados Unidos falou bem pouco, quase nada, sobre espaço e América Latina, em sua campanha eleitoral. (2) Outros temas relevantes tampouco lhe mereceram qualquer atenção. Trump não apresentou um programa de propostas e ações. Preferiu dar shows de acusações e ataques gratuitos, vulgaridades e frases de efeito para se tornar popular o mais rapidamente possível, a qualquer preço. Só faltou repetir o que já foi dito aqui no Brasil nos tristes idos de 1969: Às favas os escrúpulos. E também as ideias.
    
Vilipendiando o México e ignorando a América Latina, Trump, mesmo se fosse sem o querer, criou uma saia justa para a Presidente do Conselho das Américas (EUA), Susan Segal. Falando a O Globo, a Sra. Segal tentou pôr “panos quentes” nos destemperos de Trump e acabou provocando outro mal estar, ao dizer que “a América Latina será importante (para o novo Presidente) à medida que prepare sua equipe e se cerque de especialistas”. (3) Ou seja, a América Latina precisa se qualificar para ser bem recebida na Casa Branca. Antes disso, nem pensar.
Quanto ao espaço, Trump nomeou, há cerca de três semanas, Robert Walker, ex-congressista, como seu conselheiro para questões do espaço, e pediu que elaborasse um esboço de política espacial. Walker confessou que só há bem pouco tempo a campanha descobriu que precisava de uma política espacial. Apesar do tempo exíguo, anunciou já ter cumprido a tarefa. E elogiou o próprio plano, capaz de "real mudança" no espaço, atribuindo-lhe nada menos de quatro adjetivos: “visionário, perturbador, coordenador e invulnerável (resiliente)". (4)

Walker listou ainda os nove aspectos principais de seu plano:

1. “Compromisso com a liderança espacial global", produzindo "tecnologia, segurança e empregos", elementos indispensáveis aos EUA no século XXI (aos EUA e ao mundo inteiro);

2. Reativação do Conselho Nacional do Espaço, liderado pelo vice-presidente, para supervisionar todos os esforços do governo na área espacial, buscando eficiência e eliminando redundâncias. A última vez que o Conselho se reuniu foi durante o Governo George Bush.

3. “Exploração humana do sistema solar até o final do século", como “meta ampliada” para impulsionar avanços tecnológicos visando objetivos maiores do que só levar astronautas a Marte.

4. Aumento do orçamento da NASA, para cobrir voos ao “espaço profundo", não se limitando, como hoje, às ciências da Terra e às pesquisas climáticas. Certas missões da NASA nessas áreas seriam repassadas à National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). Ocorre que Trump jamais disse uma palabra sobre o polêmico tema do financiamento da NASA.

5. Desenvolvimento tecnológico de pequenos satélites que podem proporcionar poder de resistência aos militares, e também desenvolver tecnologias para serviços via satélite.

6. Buscar a liderança mundial em tecnologia de hypersonics, inclusive para usos militares.

7. Entregar ao setor comercial o acesso e as operações em órbitas baixas da Terra;
8. Iniciar debate sobre a inclusão de mais "parceiros privados e públicos" nas operações e financiamentos da Estação Espacial Internacional, inclusive prolongando sua vida útil. A decisão de operá-la só até 2024 poderá ser mudada. Mas ainda não se resolveu até quando ela poderá durar.
    
Fica, então, combinado: os negócios mais lucrativos vão para as empresas privadas ou, na melhor das hipóteses, para as parcerias público-privadas; e os grandes investimentos, pelo menos no início, correrão por conta dos recursos públicos. Correr riscos não é próprio das empresas privadas.
    
Por outro lado, para Walker, não se exclui a possibilidade de a China ser convidada para membro da estação. Isso jamais foi cogitado antes. Seria uma inequívoca demonstração de convivência pacífica entre EUA e China. A China já lançou em 2011 sua própria estação Tiangong-1, que deve cair na Terra em 2017. A estação Tiangong-2 subiu em 15 de setembro último e, em menos de um mês, já recebia dois Taikonautas chineses, que para lá voaram a bordo da espaçonave Shenzhou-11. Beijing já anunciou que a Tiangong-2 estárá aberta à cooperação com qualquer país do mundo – uma indireta ao procedimento seletivo dos EUA.

9. Todas as agências federais dos EUA deveriam elaborar planos sobre como usufruir dos "bens e desenvolvimentos espaciais" para a realização de suas funções específicas.

Mas sobre como o novo governo vai financiar a NASA, o plano de Walker silencia.

Contudo, ele reconhece: "Não é provável que alcancemos grandes novas cifras para o programa espacial no futuro, mesmo se conseguirmos o orçamento já fixado", disse Walker. E fez um apelo para que se "empacotem os recursos de toda a comunidade espacial", a fim de executar essas políticas. Não esclareceu, no entanto, como isso poderia ser feito.
    
Ele propôs a Trump que atribuisse uma função mais relevante à Lua nos planos da NASA. Atualmente, porém, o retorno de astronautas à superfície lunar não consta do programa de atividades da agência espacial dos EUA. Lá, hoje, só se pensa em Marte.
    
Apesar disso, Walker defende a Lua como escala básica para a exploração do espaço profundo. “Quando participei da Comissão Aldridge, fiquei convencido de que era essencial ter a Lua como parte de nossas missões a Marte e além", disse ele. A comissão foi criada em 2004 para estudar a implementação do programa Visão do Presidente George W. Bush para a Exploração Espacial. "Não posso falar em nome da campanha ou da equipe da transição, mas, pessoalmente, penso que ir à lua é vital para o programa de presença prolongada no espaço." Mas, convenhamos, ir a Marte dá muito mais Ibope, é mais espetacular e emocionante...
    
Trump priorizará a Defesa com especial impulso às ações militares no espaço, basta para isso que o Congresso o apoie, escreveu, em 11 de novembro, outro articulista do SpaceNews, Phillip Swarts. O jornalista foi taxativo: “A Defesa dos EUA vê na inesperada vitória de Trump a chance de ganhos sólidos. Wall Street presume que o presidente eleito cumprirá sua promessa de campanha de aumentar o orçamento da Defesa”. (5) Parte do aumento irá para programas espaciais militares, afirma Swards, baseado na opinião de “analistas”. Trump estaria muito preocupado com os planos espaciais militares da China e da Rússia. Walker e Peter Navarro, professor da Universidade da Califórnia-Irvine, são citados por Swarts como tendo dito que Trump prometeu aumentar os gastos com projetos militares no espaço, a fim de “reduzir nossas vulnerabilidades atuais e garantir que nossos comandos militares tenham as ferramentas espaciais de que precisam”.
    
Para Trump, cortar os recursos militares estimula os adversários dos EUA a mais agressões. Em setembro passado, discursando na Filadélfia, o agora Presidente eleito acusou o Presidente Obama de "supervisionar cortes profundos em nossas Forças Armadas, que serviram apenas para convidar a mais agressão" dos “adversários” dos EUA. Mas não se diz que agressões são essas. A julgar por tudo o que Trump e seus partidários mais próximos pregaram durante a campanha sobre esse assunto, não parece haver dúvidas de que a nova administração americana apostará todas as fichas possíveis na missão de tornar as Forças Armadas dos EUA ainda mais poderosas do que já são há muito tempo – com ênfase especial no poderio espacial. Isso seguramente incrementará a corrida armamentista nesta II Guerra Fria, ora avançando no espaço.
    
Trump poderá alegar que, com tal propósito, os EUA garantem sua liderança espacial global, que já detêm desde a missão Apollo, graças à qual astronautas americanos foram os primeiros a pisar na Lua – projeto carríssimo, cujos objetivos científicos – tão alardeados na época –, hoje parecem pouco convincentes, para não dizer obscuros. (6) Hoje, porém, os EUA já não estão em condições de garantir a atual meta ampliada de “exploração humana do sistema solar até o fim do século", para impulsionar desenvolvimentos tecnológicos com objetivos ainda maiores do que simplesmente levar astronautas a Marte. Quem colocaria a mão no fogo assegurarando que os EUA podem dispor hoje da fortuna quase ilimitada gasta nos anos 60 com o projeto Apollo (1961-1972) e a Guerra do Vietnã (1965-1973), ao mesmo tempo? A era da fartura acabou. Impossível voltar atrás.
    
Não, definitivamente não serão ações bélicas que poderão garantir a liderança espacial dos EUA no mundo atual. Disso já se pode ter alto grau de certeza. Se Trump e sua equipe, de fato, pensarem e agirem assim, estarão tragicamente equivocados. E se insistirem nesse erro crasso, o máximo que conseguirão é entrar para a história como os principais responsáveis por um desastre de proporções e consequências inestimáveis para muitas gerações à frente e todo o nosso planeta – paradoxalmente, o único conhecido até agora como dotado de vida inteligente.
    
Mas Trump também questionou durante a campanha o papel dos EUA como “polícia do mundo”. Se isso for verdade, temos aí um sinal imperdível de sensatez, que urge aproveitar ao máximo para evitar o pior. Tanto a Rússia quanto a China fizeram questão de dizer a Trump, em mensagens urgentes, que desejam manter com o novo governo americano relações bilaterais sadias e de crescimento estável, em benefício de seus povos e do mundo inteiro.
    
O Presidente russo, Vladimir Putin, felicitou Trump pela eleição e se disse decidido a tirar as relações Rússia-EUA do estado crítico em que se encontram. O Presidente chinês, Xi Jinping, escreveu a Trump: “Dou grande importância às relações sino-americanas e estou ansioso para trabalhar com você, sem conflito e sem confrontação, com base baseado nos princípios do respeito mútuo e da cooperação”.
    
Trump não rasga dinheiro. Logo, não perdeu sua sanidade mental. E, como Presidente dos EUA a partir de janeiro próximo, terá de optar entre duas alternativas: a que leva ao fortalecimento da paz global e a que nos condena ao abismo da guerra de extermínio. De sua escolha dependemos, em larga escala, todos nós, os mais de 7,2 bilhões de habitantes da Terra, e a própria Terra. Não votamos em Trump, mas é ele quem vai decidir por nós se, no fim dos quatro anos de seu mandato, estaremos ainda vivos ou todos mortos.
    
* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e ex-Chefe da Assessoria Internacional do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Agência Espacial Brasileira (AEB). E-mail: <Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.>.

Referências

1) Jonathan Schell (1943-2014), professor da Escola de Direito das Universidade de Yale, EUA. Autor de inúmeros livros sobre o perigo da guerra nuclear, publicados em vários idiomas.
2) What a Trump administration means for space, by Jeff Foust, SpaceNews, November 9, 2016. Ver em <http://spacenews.com/what-a-trump-administration-means-for-space/>.
3) O Globo, Economia, 14/11/2016, p. 18.
4) Ver também em <http://spacenews.com/what-a-trump-administration-means-for-space/>.
5) Ver em: <http://spacenews.com/trumps-defense-priorities-should-give-military-space-a-boost-provided-congress-goes-along/>
6) DeGroot, Gerard, Dark Side of the Moon – The Magnificent Madness of the American Lunar Quest,Great Britain, Vintage Books, 2008. Já no prefácio o autor afirma: “A missão da Lua foi vendida como uma corrida que os EUA não poderam se dar ao luxo de perder – uma luta pela sobrevivência. Argumentou-se que desembarcar na Lua traria enorme benefício para toda a humanidade. Seria bom para a economia, para a política e para a alma. Alguns chegaram a sustentar que a missão acabaria até mesmo com as guerras.”

 


PROGRAMAS GRATUITOS PARA ORGANIZAR SUA PESQUISA 

Ethan Dunwill, Site de Inovação Tecnológica, 29/11/2016

Softwares para pesquisa

Quando você está fazendo uma pesquisa, seja acadêmica ou profissional, há material mais do que suficiente para acompanhar. Você precisa lembrar quem disse o quê e em que artigo. Você tem que lembrar onde viu qual estatística e como ela foi coletada. E, talvez pior de tudo, muitas vezes você tem que se lembrar de todas essas coisas por meses, ou mesmo anos, para que possa usá-las quando precisar.

Com tanta coisa se entulhando em sua cabeça, você provavelmente não vai conseguir se lembrar de todos os artigos que leu, em quais revistas e em que ano eles foram publicados - seria pedir demais!
Felizmente, não é necessário contar apenas com sua memória.

Existem inúmeras ferramentas para ajudar a organizar o material de modo que você não só possa recuperá-lo facilmente, mas até mesmo acessá-lo com um mínimo de cliques. Abaixo está uma seleção dos mais conhecidos - e gratuitos.

Zotero

Este programa gratuito permite que você facilmente colete, organize, cite e compartilhe os dados que encontrar on-line. O poder da ferramenta é que ela automaticamente detecta o conteúdo que você está vendo no seu navegador, permitindo que você o salve com um único clique.
O Zotero então coleciona tudo o que você salvou em uma interface pesquisável onde qualquer coisa pode ser facilmente recuperada no futuro. Você pode guardar qualquer coisa, de PDFs a vídeos.

Mendeley

O Mendeley é bem conhecido porque é uma plataforma fantástica para salvar pdfs e outros documentos de pesquisa. Pode ser um pouco mais limitado do que o Zotero, mas compensa isso sendo excepcionalmente bom no que faz, permitindo que você crie uma biblioteca digital de tudo o que leu.

Mais do que isso, você pode usá-lo para destacar partes específicas em textos que você achar importante e, em seguida, ele irá sincronizar tudo em suas diferentes plataformas. Outra grande vantagem é que o programa pega os resumos dos diferentes textos que você coletou e os coloca diretamente na janela de pesquisa, para que você possa verificar rapidamente se esse é o documento que está procurando sem ter que abrir a coisa inteira.

BenuBird PDF

Outra boa ferramenta para dar uma olhada é o BenuBird PDF. Ele é em parte uma substituição do Windows Explorer e em parte um gerenciador de coleções. Ele é realmente muito bom, pegando um grupo de arquivos e classificando-os em uma coleção, tornando muito mais fácil encontrar o que se está procurando.
Você pode procurar dados em muitos formatos diferentes (ou em apenas um formato de cada vez), você pode compactar documentos importantes e muito mais. É uma ótima escolha se você é uma daquelas pessoas que coleta dezenas de artigos por semana e agora tem uma biblioteca tão grande que até navegar por ela leva um tempo substancial.

Citeulike

O Citeulike é um programa de armazenamento de citações, bem como um tipo de plataforma de mídia social simplificada. É fácil compartilhar citações com outros leitores, bem como ver quais outras pessoas que você conhece estão lendo os mesmos artigos que você.

Desta forma, é possível descobrir o que os figurões da área estão lendo - desde que, naturalmente, eles também usem o programa.

Ele também é uma biblioteca e um espaço de armazenamento, de forma que, mesmo que a maioria dos seus colegas não estejam na plataforma, você ainda poderá usá-la como um local de armazenamento normal, de forma similar aos outros pacotes citados acima.

Finalmentes

Manter tudo organizado enquanto você está fazendo uma pesquisa pode ser realmente difícil. Ao mesmo tempo, também é absolutamente essencial, caso contrário você poderá perder inúmeros artigos - e você nunca sabe quando poderá querer reencontrar algo que leu há seis meses.

Por isto, certifique-se de encontrar a ferramenta certa e a utilize religiosamente. Seu futuro eu certamente irá lhe agradecer porque, em vez de ter que gastar dias em busca de um artigo crucial, o você do futuro simplesmente terá que apertar a tecla de busca do programa - uma situação bem melhor do que a do você do presente.

 


INTERNET: A VERDADE SEGUNDO UMBERTO ECO

Blog do Ethevaldo Siqueira, 28/11/2016

 "As redes sociais deram voz a uma legião de idiotas que antes só falavam em um bar depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a humanidade. Lá, podiam ser rapidamente silenciados. Agora, entretanto, têm o mesmo direito de falar que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis". (Umberto Eco, em entrevista ao jornal La Stampa).

Estas palavras do grande escritor italiano (que nos deixou em fevereiro passado) podem parecem muito duras. Mas, em minha opinião, Umberto Eco tem toda razão, pois suas palavras são absolutamente verdadeiras.

É claro que nesta rede há gente inteligente, de bom-senso, com magníficas contribuições à cultura e ao debate civilizado. Mas, a maioria esmagadora do conteúdo do Facebook é um lixo.

Curiosamente, para os mais otimistas, as redes sociais têm sido um fator de democratização de opiniões. A esses cavalheiros, eu retruco: Mais do que tudo, a internet democratizou o besteirol, o xingamento, os ataques pessoais, as respostas instantâneas sem qualquer lógica ou reflexão, a enxurrada de adjetivos lançada por quem é incapaz de se aprofundar na análise de argumentos, de fatos ou aspectos relevantes de um tema ou de uma realidade.

Em seu livro “O Nome da Rosa”, há uma parágrafo precioso, que Umberto Eco, explica o que espera de seus leitores, ao esclarecer:

"Os livros não são feitos para alguém acredite neles, mas para serem submetidos à investigação. Quando consideramos um livro, não devemos perguntar o que diz, mas o que significa."

Ouso, com a licença de Eco, ampliar essa afirmativa para todos os textos sérios postos em debate aqui nesta rede. Raros são os internautas que buscam o significado do que escrevemos. Até porque raros são os que leem um texto até o fim. Por preguiça, por falta de hábito de leitura, porque não querem pensar em nada que lhes possa abalar suas convicções. E, mesmo sem ler um texto, eles tentam contestar tudo na base do grito, dos chavões ou da agressão mais primária.

Na verdade, a internet funciona como um espelho da sociedade em que vivemos. Ela reflete o que somos, nosso nível educacional e cultural, aqui e agora. Talvez ingenuamente, espero que à medida que o nível cultural médio da sociedade brasileira se eleve, as coisas venham a melhorar.

Em quanto tempo? Por mais otimistas que sejamos, não acredito que, antes de 20 anos, este Facebook se torne um lugar realmente útil para nosso convívio social civilizado. Não sei, também, se esta e outras redes sobrevivam tanto tempo.

Já que comecei este texto com Umberto Eco, quero terminar com minha reverência à memória desse grande ser humano e lamentar a escassez no mundo atual (e, em especial, no Brasil) de pensadores e críticos tão lúcidos quanto ele.

 


INPE ESTIMA 7.989 KM2 DE DESMATAMENTO POR CORTE RASO NA AMAZÔNIA EM 2016, UM AUMENTO DE 29% EM RELAÇÃO A 2015

 Informe do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, no EcoDebate, 01/12/2016

A estimativa da taxa de desmatamento na Amazônia do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), foi finalizada e aponta a taxa de 7.989 km2 de corte raso no período de agosto de 2015 a julho de 2016.

A taxa de desmatamento estimada pelo PRODES 2016 indica um aumento de 29% em relação a 2015, ano em que foram medidos 6.207 km2. No entanto, a taxa atual representa uma redução de 71% em relação à registrada em 2004, ano em que foi iniciado pelo Governo Federal o Plano para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAm), atualmente coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Com o PRODES, o INPE realiza o monitoramento sistemático na Amazônia Legal e produz, desde 1988, as taxas anuais de desmatamento na região, que são usadas pelo governo brasileiro para avaliação e estabelecimento de políticas públicas relativas ao controle do desmatamento ilegal. Os dados são imprescindíveis para toda a sociedade e embasam ações bem-sucedidas como a Moratória da Soja e Termo de Ajuste de Conduta da cadeia produtiva de carne bovina, entre outras iniciativas.
O mapeamento utiliza imagens do satélite Landsat (30 metros de resolução espacial e frequência de revisita de 16 dias) ou similares, numa combinação que busca minimizar a cobertura de nuvens, para registrar e quantificar os eventos de desmatamento com áreas maiores que 6,25 hectares. Considera-se como desmatamento a remoção completa da cobertura florestal primária por corte raso, seguida ou não por ocorrência de fogo e independentemente da futura utilização destas áreas.
As tabelas abaixo apresentam a distribuição do desmatamento para o ano de 2016 nos Estados que compõem a Amazônia Legal, bem como a comparação com as respectivas taxas consolidadas para o ano de 2015.

Para gerar esta estimativa, o INPE analisou 89 imagens do satélite Landsat 8/OLI selecionadas para atender a dois critérios: 1) cobrir regiões onde foram registrados aproximadamente 90% do desmatamento no período anterior (agosto/2014 a julho/2015) e 2) cobrir os 50 municípios prioritários para fiscalização referidos no Decreto Federal 6.321/2007 e atualizado em 2009. A figura abaixo apresenta a localização das cenas Landsat utilizadas.


Círculos indicam cenas Landsat selecionadas para a estimativa do PRODES 2016. Cinza: municípios prioritários


A apresentação dos dados consolidados do PRODES 2016 pela a análise das demais cenas que cobrem a área de monitoramento na Amazônia Legal está prevista para o primeiro semestre de 2017. O resultado consolidado poderá variar em ±10% do valor estimado. A tabela abaixo apresenta as variações encontradas entre as taxas estimadas e as consolidadas desde 2005.

Os gráficos abaixo mostram a série histórica do PRODES para a Amazônia Legal e seus Estados, além da variação relativa anual das taxas de desmatamento.

Desmatamento anual na Amazônia Legal (km2) (a) média entre 1977 e 1988, (b) média entre 1993 e 1994, (d) estimativa

Desmatamento anual discriminado por Estado da Amazônia Legal (km2) a) média entre 1977 e 1988, b) média entre 1993 e 1994, d) estimativa

Variação relativa anual das taxas do Prodes no período 2001 a 2016

Mais informações: www.obt.inpe.br/prodes

 

 


 
JAPÃO ANUNCIA PLANOS PARA DESENVOLVER O SUPERCOMPUTADOR MAIS RÁPIDO DO MUNDO

 Rhett Jones da Reuters, 27/11/2016

Autoridades japonesas anunciaram um plano para desenvolver o supercomputador mais rápido do mundo. A proposta tem como objetivo recolocar o país como líder em avanços tecnológicos.

Se tudo ocorrer como planejado, a máquina irá custar 19.5 bilhões de ienes (cerca de 600 milhões de reais, na cotação atual) e será capaz de realizar 130 quadrilhões de cálculos por segundo, de acordo com a Reuters.

Em outras palavras, o supercomputador deve ter capacidade de 130 petaflops, ultrapassando com facilidade a atual máquina mais rápida do mundo – o Sunway Taihulight da China, que consegue atingir 93 petaflops.

Satoshi Sekiguchi, diretor geral do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Avançada, colocou de maneira humilde a intenção de desbancar a concorrência. “Até onde sabemos, não há nada tão rápido quanto isso”, comentou.

A iniciativa vem num momento em que o Japão espera retomar uma posição de relevância no desenvolvimento tecnológico. O primeiro-ministro Shinzo Abe tem realizado iniciativas de aproximação entre o governo e o setor privado para assegurar que o país tenha liderança em mercados como robótica, baterias, inteligência artificial e outras áreas em crescimento.

O novo supercomputador será batizado como “ABCI”, sigla para AI Bridging Cloud Infrastructure. Espera-se que ele seja capaz de competir com sistemas de deep learning como o programa DeppMind AI do Google. Além disso, ele estará disponível para empresas por meio de uma espécie de aluguel. Atualmente, companhias japonesas precisam terceirizar trabalhos que exigem processamento intenso e geralmente recorrem ao Google ou Microsoft.

A licitação para o projeto já está aberta e será finalizada no dia 8 de dezembro. O desenvolvimento deve começar no começo do ano que vem.

 


 

INICIATIVA EUROPEIA JUNTA CIENTISTAS E EMPRESAS A PROCURAR SOLUÇÕES SEM CARBONO

ITT – Plataforma de Conteúdos Digitais, Agência Lusa, 28/11/2016

© iStockphoto



Agência Lusa

A iniciativa europeia Climate KIC, que agora chega a Portugal, junta investigadores e empresas na criação de produtos e serviços inovadores, que sigam as regras das emissões de carbono baixas ou inexistentes.

Baseada no modelo chamado do triângulo, pois junta a formação avançada, investigação e mercado, a iniciativa KIC (Knowledge Innovation Communities, ou comunidades para o conhecimento e inovação), divide-se em várias áreas, como a climática ou a saúde.

“Tem-se demonstrado que [esta] é a forma mais fácil e eficiente de criar inovação, produtos e serviços novos, mas com impacto direto mais rápido na economia”, explicou hoje à agência Lusa coordenadora da Climate KIC Portugal (para o clima), que vai ser apresentada na terça-feira, em Lisboa.

Júlia Seixas referiu que a missão da Climate KIC tem a ver com um conjunto de ações a abranger todo o ciclo de inovação, desde a geração de ideias, normalmente na interface entre a investigação, a formação e o mercado, até à concretização de propostas de negócio, visando a economia de baixo carbono.

Aquela tarefa é concretizada através da realização de concursos a nível europeu ou da aceleração de ‘startups’, que passam por uma seleção, têm acesso a um conjunto de serviços de apoio e, numa segunda fase, podem receber investimento de grandes empresas.

Entre os temas em foco na Climate KIC Portugal, consórcio liderado pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, estão a transição urbana, ou a evolução para as cidades inteligentes, “muito centrada na componente ambiental”, ou os sistemas produtivos sustentáveis, ou seja, “tudo o que tem a ver com indústria”.

Como são europeias, as iniciativas, que funcionam através de candidaturas, permitem “o cruzamento e mistura permanentes de pessoas dos vários Estados membros”, realçou a investigadora.

A Climate KIC Portugal começou a sua atividade em junho e divulgou para redes de empresas e investigadores a possibilidade de assistirem a cursos curtos, entre dois a cinco dias, dirigidos aos seis países que entraram agora na iniciativa, e que decorreram em várias cidades europeias.

Portugal foi responsável por 85% do total de candidaturas, o que levou a coordenadora a concluir que “está muito atento e com grande apetência para a inovação nesta área”.

Lisboa, através da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova, vai ser uma de três cidades que vão receber uma escola de verão, com 40 participantes de toda a Europa.

Esta formação é sempre baseada em ciência, mas o objetivo é que termine sempre em ideias de negócio e na viabilidade de construir uma solução com impacto direto na economia, resumiu Júlia Seixas.

Além da formação, a Climate KIC contempla programas de aceleração de ‘start ups’, a nível nacional e europeu, concursos europeus, e apoios a projetos concretos.

“É uma filosofia que temos de ir ajustando melhor”, explicou Júlia Seixas, com as empresas a utilizarem ideias desenvolvidas pelos cientistas e a investigação a ter em conta as necessidades do mercado.

 


 

TECNOLOGIA DE EDIÇÃO DE GENOMAS REVOLUCIONA PESQUISAS GENÉTICAS

C&T Inovação – BR, 08/11/2016

Uma tecnologia inovadora capaz de modificar o genoma de plantas, animais e microrganismos com mais rapidez, economia e eficiência do que as técnicas convencionalmente utilizadas e mais: sem a necessidade de modificação genética. Essa é a Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats (CRISPR/Cas9), uma ferramenta que está revolucionando as pesquisas na área de genética em todo o mundo pela capacidade de editar o DNA e alterar características dos organismos.

Em linhas gerais, a edição de genomas permite desenvolver culturas agrícolas resistentes a pragas, corrigir genes defeituosos em animais e reescrever genomas inteiros de microrganismos. A CRISPR/Cas9 foi usada pela primeira vez em plantas pela cientista da Academia de Ciências Agrícolas da China (CAS, sigla em inglês) Caixia Gao, que editou o genoma de plantas de trigo para dar mais resistência Powdery mildew, doença fúngica que afeta não apenas o trigo, mas muitas outras culturas de importância agrícola.

Atualmente, Gao também utiliza a CRISPR/Cas9 para desenvolver variedades melhoradas de milho e arroz. “Os testes realizados com o trigo resistente ao fungo comprovaram que as plantas editadas são 100% livres de transgênicos", afirmou.

Para a cientista chinesa, é preciso aprender como os erros que foram cometidos em relação aos organismos transgênicos. Ela explica que na China, a aceitação a esses produtos não é boa, de forma geral. "Para divulgar a tecnologia CRISPR/Cas9, precisamos conversar com a sociedade, especialmente professores e estudantes em todos os níveis, desde o ensino médio até a pós-graduação", ressalta.

A tecnologia de edição de genomas, segundo Caixia Gao, marca o início de uma nova era no melhoramento genético. Em termos técnicos, ela já comprovou sua eficácia, mas ainda há muitas questões a serem debatidas no futuro, especialmente em relação à regulamentação, propriedade intelectual e percepção pública.

Sobre a CRISPR/Cas9

As técnicas para editar e modificar o DNA são utilizadas desde a década de 1980, mas a CRISPR/Cas9 pode ser considerada revolucionária por permitir a manipulação de genes com maior precisão, rapidez e menor custo.

Descoberta em 2012, a tecnologia utiliza a enzima Cas9 para cortar o DNA em pontos determinados por uma cadeia-guia de RNA. Utilizando uma metáfora, pode-se compará-la à ferramenta para localizar e substituir palavras no Word, sendo que o primeiro passo é localizar o gene a ser editado para, depois, fazer a alteração desejada.

"É uma tecnologia de modificação de DNA de alta precisão. Com ela, conseguimos introduzir características de forma precisa modificando o DNA sem precisar fazer uma planta transgênica", explica o pesquisador da Embrapa Soja e presidente do Comitê Gestor do Portfólio de Engenharia Genética para o Agronegócio da Embrapa, Alexandre Nepomuceno.

No Brasil a CRISPR/Cas9 já vem sendo utilizada em estudos na Embrapa Agroenergia. O pesquisador Hugo Molinari vem desenvolvendo pesquisas para melhorar características agronômicas de cana de açúcar, como por exemplo, tolerância à seca, adaptação ao bioma Cerrado e aumento de biomassa, entre outras.

Segundo ele, a cana é uma espécie que apresenta grande complexidade genômica, além de não existir um genoma já sequenciado como no caso de outras espécies, como o café, o eucalipto e a banana. Por isso, a tecnologia de edição de genes está sendo testada com uma planta modelo denominada Setaria viridis. O objetivo é desenvolver um genótipo multirresistente, com amplo espectro de resistência, e os resultados têm sido positivos com a planta modelo até o momento atual.

Na área da saúde humana, a tecnologia vem sendo testada pelo médico e professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Amílcar Tanuri. Ele usa a CRISPR/Cas9 para bloquear os receptores de entrada do vírus HIV e também na terapia celular das pessoas contaminadas a partir da produção de um fenótipo de resistência.

No Brasil, há cerca de 400 mil pessoas portadoras do vírus HIV e aproximadamente 40 mil novos casos são reportados a cada ano. Dessas, como explica o médico, 10 mil são resistentes a todos os tipos de medicamento. "Nesses casos, a terapia gênica é a melhor opção, mas ainda esbarramos em questões regulatórias, que são bem complicadas para a área de ciência da saúde", afirma.

A CRISPR/Cas9 foi tema de palestra organizada pela Embrapa na semana passada em Brasília. Saiba mais sobre os debates aqui.

(Agência Gestão CT&I, com informações da Embrapa)

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 POR QUE O RECÉM-DESCOBERTO NÚMERO PRIMO COM 9,3 MILHÕES DE DÍGITOS É IMPORTANTE

BBC de 01/12/2016 

Para os matemáticos, esta é uma grande notícia. Para os demais mortais, também é importante: os números primos de milhões de dígitos são fundamentais para criptografar dados e colocar à prova a capacidade de um computador.

No caso, o número em questão tem 9.383.761 dígitos. Isto é: 10.223 * 2 ^ 31172165 + 1.

Em outras palavras: 10.223 por 2 elevado à potência de 31172165 mais 1.

Mas vamos por partes.

O problema de Sierpinski foi apresentado em 1960 pelo matemático polonês Wacław Franciszek Sierpiński, que se perguntou qual seria o menor número natural possível que, quando multiplicado por 2 elevado a n + 1, o resultado não seria um número primo.

Até agora, sabe-se que 78.557 é um número de Sierpinski. Em 1962, o matemático americano John Selfridge provou que, ao multiplicá-lo por 2 elevado a n + 1, nunca daria um número primo como resultado.
Eram seis, agora são cinco

Esse, no entanto, é o único número comprovado até agora. Os outros seis candidatos a fazer parte deste seleto grupo (10.223, 21.181, 22.699, 24.737, 55.459 e 67.607) não tinham sido confirmados.

Para resolver o problema, é necessário um exército de pessoas armadas com poderosos computadores. Se apenas uma máquina for usada, a solução pode levar vários séculos.

Com a ajuda de milhares de voluntários do grupo PrimeGrid, projeto lançado em 2010 para resolver a questão matemática, o menor número possível que vinha sendo estudado - 10.223 - acaba de ser descartado.

Isto é, ao multiplicar 10.223 por 2 elevado a n + 1, chegou-se a um número primo. Mas não foi qualquer número primo - e, sim, aquele gigantesco que anunciamos acima.


O voluntário húngaro Szabolcs Peter é o dono do computador que realizou o teste e descobriu o sétimo maior número primo encontrado até agora, com 9,3 milhões de dígitos.

Agora restam, portanto, cinco números no páreo para resolver o problema de Sierpinski.

Para os matemáticos, a emoção com a descoberta não termina por aí.

10223 *2^31172165 + 1 é o primeiro dos dez maiores números primos conhecidos até hoje que não é um número primo de Mersenne.

(Os números de Mersenne são aqueles cuja unidade é menor do que uma potência de 2.)

Para deixar os apaixonados por números enlouquecidos, esse é também o único número primo que não é de Mersenne com mais de 4 milhões de dígitos.

E, conforme o PrimeGrid anunciou em seu site, se trata ainda do maior número de Colbert que se tem notícia.

(Os números de Colbert são os números primos com mais de 1 milhão de dígitos cuja descoberta contribui para o problema de Sierpinski).

Os números primos não são descobertos em ordem crescente: o maior conhecido até agora é 2 ^ 74.207.281, descoberto em janeiro deste ano e tem 22 milhões de dígitos.

 


SECRETARIA REGIONAL DE PERNAMBUCO

Prof. Marcos Antonio Lucena - Secretário Regional

Profa. Rejane Mansur Nogueira - Secretária Adjunta

 

José Antônio Aleixo da Silva (Editor)Professor titular da UFRPE e membro da Diretoria da SBPC.

Bianca Pinto Cardoso
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Sobre a SBPC-PE

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