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Jornal Eletrônico da SBPC/PE #2

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Notícias:

LANÇADOS EDITAIS DE BOLSAS DE PÓS-DOUTORADO DA FACEPE

EVENTO INTERNACIONAL DE TURISMO E CRIATIVIDADE NA UFPE ABRE CHAMADA DE TRABALHOS

A PRIVATIZAÇÃO NA SEGURANÇA ESPACIAL DOS EUA

PARA MINISTRO DO MEIO AMBIENTE, LEGISLAÇÃO É INSUFICIENTE PARA REDUZIR RISCOS DE DESASTRES NA MINERAÇÃO

PEC 55 CONTRAPÕE ESPECIALISTAS

DEPUTADOS APROVAM MUDANÇAS NAS REGRAS DE FINANCIAMENTO DO ENSINO SUPERIOR

A EDUCAÇÃO PARA BRANCOS E NEGROS É DESIGUAL NO BRASIL, DIZ ESTUDO

Nº DE UNIVERSIDADES TOMADAS CHEGA A 194 NO PAÍS

NERVOS ELETRÔNICOS ATINGEM VELOCIDADE DOS NERVOS BIOLÓGICOS

A NOSSA GUERRA ASSIMÉTRICA CONTRA A NATUREZA

CEMITÉRIOS PODEM VIRAR FLORESTAS COM CÁPSULAS ORGÂNICAS SUBSTITUINDO CAIXÕES

EFEITOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS JÁ PREJUDICAM VIDA DOS BRASILEIROS, DIZ O GREENPEACE

COMO FUNCIONA A UNIVERSIDADE SEM PROFESSORES INAUGURADA NOS EUA

TECNOLOGIA DE EDIÇÃO DE GENOMAS REVOLUCIONA PESQUISAS GENÉTICAS

Q&A: RISKS OF BRAZIL’S DOWNTURN IN SCIENCE FUNDING

NEW, SPACE-BASED VIEW OF HUMAN-MADE CARBON DIOXIDE

 


 

LANÇADOS EDITAIS DE BOLSAS DE PÓS-DOUTORADO DA FACEPE

Portal da FACEPE

A FACEPE lançou editais para apoio à atração e fixação de pesquisadores doutores no estado, ambos vinculados ao recente acordo de cooperação técnica e acadêmica firmado com a CAPES recentemente.

18/2016 – Programa Nacional de Pós-Doutorado (PNPD 2016)

Objetivo: fomentar atividades de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, mediante a seleção de propostas para apoio a projetos institucionais de absorção temporária de jovens pesquisadores doutores em programas de pós-graduação stricto sensu avaliados e aprovados pela CAPES sediados em Pernambuco, de modo a promover: (i) o desenvolvimento da pesquisa em áreas estratégicas para o estado; (ii) o reforço à pós-graduação e aos grupos de pesquisa atuantes no estado; (iii) a renovação de quadros nas universidades e instituições de pesquisa para o ensino em nível de pós-graduação; (iv) o apoio à Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), em especial mediante o desenvolvimento de projetos conjuntos de PD&I envolvendo instituições científicas e tecnológicas e empresas. Serão concedidas 60 novas bolsas de pós-doutorado para Pernambuco, em 2 rodadas de julgamento, ainda em 2017.

Quem pode submeter?

Poderão apresentar propostas de Projeto Institucional pesquisadores doutores, doravante denominados “proponentes”, que estejam cadastrados como docentes em um programa de pós-graduação stricto sensu sediado em Pernambuco, e que tenham anuência formal do programa para a submissão da proposta.

Acesse aqui o edital 18/2016.
 
19/2016 – Bolsa Complementar de Pós-Doutorado 2016

Objetivo: apoiar a atração de pesquisadores doutores para o desempenho de atividades de pesquisa e inovação no estado, mediante a seleção de propostas para a concessão, pela FACEPE, de bolsa de estudos complementar aos beneficiários de bolsas de pós-doutorado do Programa Nacional de Pós-Doutorado (PNPD/CAPES-2013) e do Plano Nacional de Pós-Doutorado (PNPD) concedidas no estado de Pernambuco pela CAPES, de modo a facilitar o recrutamento de recursos humanos altamente qualificados por instituições de ensino e pesquisa que atuem em investigação científica ou tecnológica no estado.

Serão cerca de 70 bolsas complementares implantadas ao longo da vigência deste Acordo.

Quem pode submeter?

Exclusivamente os Coordenadores dos Projetos Institucionais de Pós-Doutorado que tenham sido aprovados no âmbito de algum dos editais nacionais do PNPD lançados pela CAPES, sem interveniência da FACEPE. Os bolsistas de editais lançados e geridos pela FACEPE junto à CAPES no período de vigência deste acordo terão suas bolsas complementares implantadas automaticamente.

Acesse aqui o edital 19/2016.

 

 

EVENTO INTERNACIONAL DE TURISMO E CRIATIVIDADE NA UFPE ABRE CHAMADA DE TRABALHOS

O Departamento de Hotelaria e Turismo (DHT) da UFPE sedia, de 5 a 7 de junho do ano que vem, a Atlas Americas Conference 2017.  O evento tem como tema “Tourism and Creativity: New Opportunities for Developing Latin America” (Turismo e Criatividade: Novas Oportunidades para Desenvolvimento da América Latina) e está com chamada de trabalhos aberta até o dia 2 de dezembro. O professor Anderson Gomes de Souza, do DHT, é o coordenador do evento no Brasil.
 

 “A seleção de temas para esta conferência corrobora com o surgimento e crescimento global significativo da indústria criativa. Apesar dos efeitos da crise econômica mundial, que começou a diminuir nos últimos anos, a ‘tendência criativa’ mundial gerou cerca de US$ 8 trilhões por ano, com crescimento anual entre 7% e 15%. No Brasil, o PIB criativo avançou quase 70% nos últimos 10 anos. Não obstante, a indústria do turismo na América Latina deverá diminuir em 0,5% em 2016, de acordo com a WTM”, destaca o site do evento.

“Neste contexto, esta conferência internacional desafia os pesquisadores acadêmicos, empresários, elaboradores de políticas, especialistas em gestão de destinos, profissionais e representantes de organizações de marketing de destinos, organizações governamentais e não governamentais em uma plataforma internacional para pensar e discutir como esses vínculos entre criatividade e turismo podem ser fortalecidos, gerando crescimento contínuo para destinos turísticos latino-americanos novos e já existentes”, conclui a apresentação do evento.

Mais informações
Professor Anderson Gomes de Souza
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A PRIVATIZAÇÃO NA SEGURANÇA ESPACIAL DOS EUA

José Monserrat Filho *

“A política de ampla transformação da ação estatal em atividades empresariais privadas, sobretudo nos setores de infraestrutura (energia, transportes e comunicações), e nas áreas prioritariamente reservadas pelo Estado do Bem-Estar Social – como educação, saúde e previdência social – acarretou um substancial enfraquecimento dos poderes de     direção estatal da economia, e um correspondente fortalecimento do poder capitalista.”Fábio Konder Comparato, A Civilização Capitalista, 2013, p. 250. (1)

Myland Pride, Diretor de Assuntos de Governo e Legislativo da Intelsat (2), representa, desde 2014, os interesses dessa grande empresa privada dos Estados Unidos junto aos órgãos-chave do governo e de associações e grupos industriais, advogando e promovendo a inovação e o uso estratégico dos satélites comerciais de telecomunicações. Antes, serviu durante 24 anos na Força Aérea dos EUA, onde se aposentou como coronel. Oficial de carreira, trabalhou nas áreas nuclear e espacial, ocupando cargos de comando e de alto nível no Comando Espacial da Força Aérea, no Estado Maior Conjunto e no Escritório Nacional de Reconhecimento. É Mestre em Segurança Nacional e Estudos Estratégicos pela Escola de Guerra Naval dos EUA, e em Arte Operacional Militar e Ciência pela Universidade do Ar, também dos EUA. Participa ativamente de grupos de apoio (lobby) à indústria, como a Associação da Força Aérea, a Liga Naval, a Mesa Redonda de Negócios Espaciais de Washington e a Associação da Indústria de Satélites.

Myland Pride defende a necessidade de gestão do tráfego espacial. (3) Em outubro último, ele participou da Conferência de Tecnologia de Vigilância Espacial e Ótica Avançada, em Maui, Havaí, e depois, em artigo, se disse, mais uma vez, “impressionado com a revolução tecnológica que ocorre em tudo que se relaciona com o Conhecimento da Situação Espacial [Space Situational Awareness – SSA]”.

O SSA, para a Agência Espacial Europeia (ESA), visa detectar, prever e avaliar de modo autônomo os riscos à vida e à propriedade causados por detritos industriais, reentradas, explosões e desastres de lançamento, colisões em órbita, impactos de objetos próximos à Terra e os efeitos dos fenômenos meteorológicos nas infra-estruturas espaciais e terrestres. O SSA significa saber o que se passa no espaço, graças à capacidade independente de observar objetos e fenômenos naturais capazes de prejudicar a infra-estrutura espacial. (4) Na Europa, o programa recebeu 46,5 milhões de euros para o período de 2013-2016. Em 19 de outubro de 2015 – informou o SpaceNews –, o governo dos EUA anunciou o orçamento de cerca de US$ 6 bilhões para monitorar o espaço em tempo real até 2020, segundo o Escritório de Prestação de Contas do Governo. O Departamento de Defesa (Pentágono) ficaria com a maior parte, e a NASA, por exemplo, com apenas 10%. (5)

O SSA deveria ser pensado como serviço público global, para “o bem e o interesse de todos os países” (Art. 1º do Tratado do Espaço). Mas as grandes potências espaciais consideram o SSA como sistema independente, na base do “cada um por si” em sua criação e comando.

O instrumento precursor do SSA é a Convenção Relativa ao Registro de Objetos Lançados ao Espaço Cósmico, de 1976, hoje ratificada por apenas 64 países e firmada por 4 outros. (6) O Brasil só aderiu a ela em 2006. A maioria dos países não a ratificou nem a  assinou, por considerar insuficientes os dados exigidos sobre a verdadeira função de muitos objetos lançados ao espaço.

Mas Myland está interessado é na escolha do órgão que deve liderar o SSA nos EUA. Ele claramente prefere a Administração Federal de Aviação (Federal Aviation Administration – FAA), mais especificamente o seu Escritório de Transporte Espacial Comercial (Ofice of Space Commercial Transport), alijando, assim, a Força Aérea [Air Force] e o seu Centro de Operações Espaciais Conjuntas [Joint Space Operations Center – JspOC]. A escolha da FAA, claro, é mais conveniente para as empresas.

Apesar disso, Myland elogia a Força Aérea e o JspOC, em especial pelo apoio que ambos prestam à maioria dos países com programas espaciais, operadores comerciais globais, indústria e academia. E também pelos recursos que detêm e por seu foco na segurança nacional. Lembra que cerca de 90% dos alertas da JSpOC se aplicam a satélites comerciais ou internacionais, embora essa não seja sua função. E frisa que ninguém no mundo elabora melhor guia de indicações para evitar colisões e avaliar riscos do que o JspOC.

Salienta ainda que a Força Aérea realizou ótimo trabalho ao monitorar a SSA internacional, desde a colisão dos satélites Iridium 33 e Cosmos 2251, em 2009 (7), e ao catalogar de 18 mil a 22 mil detritos espaciais. Por que, então, não mantê-la à frente do SSA? Mayland trata de explicar: o Pentágono não quer mais ser polícia de trânsito do universo. Essa missão caberia agora à FAA [Federal Aviation Administration], mais ligada às empresas privadas.

Para Myland são muitos os argumentos a favor da FAA. Ele se esmera em expô-los:

1) Apoio da Associação da Indústria de Satélites, Federação de Vôos Comerciais, Associação da Indústria da Defesa Nacional e outras organizações similares;
2) “Como o valor das operações comerciais no espaço supera hoje o das ações do governo, é apropriado e faz sentido que a indústria participe de todas as soluções desenvolvidas para resolver a crítica questão.”
3) A Intelsat vai na vanguarda da promoção de maior colaboração entre indústria e governo com vistas ao SSA.
4) Apoio da Associação de Dados Espaciais, que tem por fim fazer os operadores de satélites partilharem dados que promovam a segurança dos voos espaciais.
5) Os membros da célula de integração comercial que trabalham com o JSpOC garantem a segurança dos vôos espaciais, limitam a interferência de freqüência de rádio e compartilham dados sobre outras questões, de benefício mútuo para o governo e os operadores comerciais.
6) É preciso uma regulamentação "inteligente", que só a FAA pode fazer.
7) A FAA entende seu papel de promover todos os voos espaciais, sem sufocar a indústria.
8) A indústria deve monitorar de perto qualquer marco regulatório.
9) Cerca de 1.400 satélites em órbita – quase metade deles comerciais ou internacionais – serão em breve acompanhados por centenas, talvez milhares de satélites em construção ou planejados. Entre eles, nanosats e cubesats menos ágeis, que representam desafios de navegação e ao SSA. Novas regras devem ser criadas com base na FAA para ordenar tais atividades.
10) A regulamentação deve apoiar a segurança dos voos espaciais, sem limitar a inovação.
11) As medidas de redução do lixo espacial aplicadas a um satélite geossincrônico podem ser diferentes das de uma constelação de nano-satélites em órbita baixa com pouca margem de manobra. Com a FAA à frente da regulamentação, podemos ter a um quadro global mais racional do que hoje.

Assim, a FAA deve assumir papel maior na segurança dos voos espaciais e no SSA. Com ela estarão as poderosas empresas do setor, orientando as decisões que efetivamente pesam.

Para Myland, é hora de mudança no espaço. Com esse título, ele publicou em outubro artigo sobre ideias discutidas na audiência do Subcomitê de Forças Estratégicas do Comitê de Serviços Militares da Câmara de Representantes, realizada em setembro, sob o tema geral “Segurança Nacional no Espaço: Desafios do Século XXI, Organização do Século XX”. (8)

Comentando o evento, Myland escreve: “Raras vezes em minha carreira vi uma frustração expressa tão abertamente sobre o ritmo de mudanças na área militar do espaço.” A seu ver, um dos destaques da audiência foi o reconhecimento de que “o Departamento de Defesa (DoD) não tem uma estrutura organizacional propícia ao desenvolvimento, supervisão, aquisição e lançamento de sistemas de segurança nacionais baseados no espaço”; “é necessário definir questões de aquisição, supervisão, gestão e requisitos do DoD”; “há que definir o melhor modo de estabelecer uma estrutura de liderança global ou uma agência mais bem equipada para adquirir, gerenciar, regular e supervisionar os programas espaciais do DoD”; e “há que criar uma forma melhor de definir como os gerentes de programas devem ser treinados, capacitados e incumbidos pelo DoD”;

No final, a oferta generosa de solução para a frustração e seus problemas: “a infraestrutura espacial comercial deve ser usada como complemento dos recursos de defesa e inteligência”. Ou, como esclareceu o deputado republicano Jim Bridenstine (9), membro do Comitê, fazendo uma analogia entre o espaço e o combustível usado pela Marinha: “A Marinha é totalmente dependente do combustível para realizar suas operações. Mas ela não perfura nem aperfeiçoa o óleo necessário à frota. O óleo vem de fora da Marinha. Do mesmo modo, o mercado comercial pode fornecer o "combustível" espacial, integrando seus sistemas com o DoD.”

Em tempo: onde se lê “mercado comercial”, pode-se ler “empresas privadas”.

* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e ex-Chefe da Assessoria Internacional do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Agência Espacial Brasileira (AEB). E-mail: <Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.>.

Referências
1) Fábio Konder Comparato (1936-) é Professor Emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Doutor em Direito pela Universidade de Paris e Doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra.
2) Ver <www.intelsat.com/about-us/overview/>. Dona de cerca de 50 satélites, e de centros espaciais, a Intelsat considera-se a “a rede de comunicações mais extensa e segura do mundo”.
3) <www.intelsatgeneral.com/blog/the-growing-necessity-for-space-traffic-management/>.
4) <www.esa.int/Our_Activities/Operations/Space_Situational_Awareness/About_SSA>.
5) <http://spacenews.com/planned-u-s-investment-in-space-awareness-is-6-billion-gao-says/>.
6) Ver textos em <www.sbda.org.br>.
7) <http://mundogeo.com/blog/2009/07/04/satelites-russo-e-norte-americano-colidem-no-espaco/>.
8) <http://www.intelsatgeneral.com/blog/the-time-is-now-for-change-in-space/>.
9) <http://bridenstine.house.gov/>.
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PARA MINISTRO DO MEIO AMBIENTE, LEGISLAÇÃO É INSUFICIENTE PARA REDUZIR RISCOS DE DESASTRES NA MINERAÇÃO

Portal Brasil, com informações do MMA, em EcoDebate, 07/11/2016

 

 O rompimento da barragem ocorreu em novembro de 2015, deixou 19 mortos, poluiu a bacia do Rio Doce e inundou o distrito de Bento Rodrigues. Foto: Corpo de Bombeiros/MG – Divulgação


 O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, avaliou a segurança nas atividades de mineração e a participação do governo federal no para evitar novos desastres no País.
A análise do ministro acontece na véspera do primeiro aniversário do rompimento da Barragem de Rejeitos de Fundão, da Samarco Mineração, em Mariana-MG, considerada a maior tragédia socioambiental brasileira, com 19 mortos.

De acordo com Sarney Filho, as leis que regem a segurança na mineração se mostram insuficientes para dirimir os riscos de desastres como o de Mariana e apresentam um vácuo na responsabilização de ações de reparação tanto para as populações afetadas, quanto ao meio ambiente.

“O arcabouço legal precisa ser aperfeiçoado e as ações de fiscalização precisam de investimento em condições técnicas e humanas”, alertou. “As consequências continuam e assim será por muitos anos, com os impactos produzidos em todo o Vale do Rio Doce, nos estados de Minas Gerais e no Espírito Santo”, disse o ministro.

O ministro afirmou que antes de Mariana houve vários outros acidentes parecidos, porém de menor escala, no País. Mas em Fundão foi constatado que a produção aumentou e consequentemente a quantidade de rejeitos, enquanto a preocupação com medidas de segurança diminuiu.

“Desde que assumi como ministro, dedico a este tema prioridade absoluta. Estamos preocupados com a proximidade da estação chuvosa, que já se inicia, sem que tenham sido adotadas pela Samarco e suas duas contratadoras todas as ações que seriam necessárias à correção dos danos causados e à prevenção de novos impactos provocados pelo material ainda em trânsito”, afirmou Sarney Filho.

Ele lembrou que seus primeiros atos ao assumir a pasta foram visitar Mariana e sobrevoar a região afetada em Minas Gerais e a realização de uma audiência pública no gabinete do prefeito da cidade para discutir além do cenário apresentado, como prevenir novos impactos.

Congresso Nacional

O ministro Sarney Filho disse que, ainda como deputado federal, coordenou a Comissão Externa do rompimento da barragem na região de Mariana, instituída em decorrência do desastre. “No primeiro relatório parcial, apresentado no mês seguinte à tragédia, foram propostos três projetos de lei alterando legislações que tratam sobre a Lei de Segurança de Barragem, sobre a Lei de Crimes Ambientais e a Lei Nacional de Resíduos Sólidos. Estas proposições continuam tramitando nas comissões”, disse.

Ação coordenada

A Ação Coordenada Segurança de Barragens de Mineração envolveu 50 procuradores da República em 44 unidades do Ministério Público Federal (MPF). Em 16 estados, são 397 empreendimentos em que, de acordo com o MPF, mais de 90% deles têm potencial de causar danos parecidos ou piores do que os ocorridos em Mariana, sendo a maior parte (60%), também em Minas Gerais. Os outros de maior ocorrência são Mato Grosso do Sul e Pará.

“Se providências forem tomadas nesses estados os riscos de novas tragédias no País serão reduzidos significativamente, afirmou o procurador da República e coordenador do Grupo de Trabalho sobre Mineração, Darlan Airton Dias.

Ele chamou a atenção para o trabalho inédito do MPF, que atuou de forma simultânea. “Nossa prática é atuar de forma fragmentada e essa foi uma experiência que contou com 100% de adesão voluntária, muito pela importância e clamor do tema”.

Baseado em informações solicitadas ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e aos empreendedores do ramo, o MPF aponta falhas na fiscalização por causa de defasagem na legislação e falta de estrutura.

Como recomendações, o MPF solicita reforço na estrutura do DNPM e a contratação de auditorias externas. O órgão também alerta para a importância do Novo Código de Mineração, em tramitação no Congresso Nacional, que deve prever instrumentos de garantias financeiras, reparação de danos e minimização dos rejeitos da atividade mineradora.

“O acidente de Mariana não foi o primeiro e não deve ser o último do gênero no Brasil”, disse Darlan. O MPF também instituiu a Força-Tarefa Rio Doce que investiga o desastre nas esferas civil e criminal.

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PEC 55 CONTRAPÕE ESPECIALISTAS

Lucas Ragazzi - O Tempo - 14/11/2016 - Belo Horizonte.

Enfrentando uma das piores crises econômicas da história do Brasil, o governo federal vê a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55 – novo número da antiga PEC 241 já aprovada na Câmara – como a principal maneira de superar o cenário. Apelidada de várias formas, como “PEC do Teto de gastos”, “PEC do Fim do Mundo” e até “PEC da morte”, o texto agora em discussão no Senado prevê o congelamento do teto de despesas primárias da União por um período de 20 anos.

O método divide opiniões de especialistas e organizações. Por um lado, há a argumentação de que o texto é essencial para sanear as contas públicas e gerar confiança aos investidores. Por outro, há o entendimento de que a PEC pode causar uma redução nos investimentos em áreas estratégicas, como saúde e educação, e fazer o corte de programas sociais.

A questão tem causado protestos em todo o país, como, por exemplo, as ocupações de instituições de ensino públicas por alunos e entidades estudantis e a greve de professores na UFMG, decretada na última sexta-feira.

Apoio. Por conta da pioria do cenário econômico no país ao longo dos dois últimos anos, há quem defenda que a PEC é a melhor – ou a única – maneira de vencer a crise. É o caso do professor Hélio Berni, do departamento de economia do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), que defende o controle do gasto público de maneira responsável.

“O objetivo da PEC é fazer um controle dos gastos primários e controlar a dívida bruta para sanear as contas do país. Só que as pessoas estão com medo de que o texto faça uma redução nos investimentos do governo. Isso não vai acontecer. A PEC não estabelece uma vinculação sob itens isolados. Não representa riscos para a saúde nem para a educação”, argumenta.

Ainda segundo Berni, a proposta é uma tentativa de consertar erros na condução do orçamento público. “De 2008 a 2015, os gastos cresceram 50% acima da inflação, sendo que não houve aumento na receita no mesmo ritmo, que foi só de 14%. Isso deixa um rombo nas contas públicas e gera desconfiança em quem financia o governo através de títulos”.

Para o professor, é difícil chegar em soluções alternativas à proposta. “Se não atacar o gasto público, tem que atacar por outro lado, a arrecadação, o que significaria um aumento de tributação. Isso seria, por consequência, atacar o setor privado em uma época de recesso pesado”, conclui, garantindo: “aumentaria o desemprego, fecharia empresas e, no fim, na verdade, teria como resultado uma nova queda de arrecadação”.
Atualmente, o Brasil conta com um déficit primário de R$ 170 bilhões e uma dívida pública bruta que representa 70% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Ela abrange o total das dívidas de responsabilidade dos governos federal, estaduais e municipais (incluindo administração direta e indireta e INSS) junto ao setor privado, ao setor público financeiro, ao Banco Central e ao resto do mundo.

Críticos do texto

Reforma tributária é apontada como uma das alternativas

Para outros especialistas, há maneiras diferentes e melhores para solucionar a situação financeira do Brasil. Segundo o presidente eleito do Conselho Regional de Economia (Corecon-MG), Paulo Roberto Paixão Bretas, a PEC tenta resolver a questão penalizando apenas a população pobre do país, enquanto alternativas que mirem a elite financeira também seriam viáveis.

“Queremos o equilíbrio fiscal, mas a PEC é uma medida que pesa apenas nos mais pobres. É uma PEC absurda. Congelar o gasto público por 20 anos é esquecer que o país precisa da inclusão social. É preocupante vivermos em uma sociedade que, quando encontra algo de errado, mira na população carente. Há outras formas, como, por exemplo, a realização de uma reforma tributária que crie um maior imposto sobre as riquezas e sob a renda de capital”, argumenta.

Seguindo o entendimento do Conselho Federal de Economia, Bretas acredita que uma alternativa à PEC seria o congelamento dos pagamentos da dívida pública. “Com a PEC, iríamos aumentar a arrecadação, mas estes recursos não significariam um aumento nos investimentos em saúde e educação, por exemplo. Eles iriam apenas para o pagamento de dívida. Aí eu questiono: e se fosse o contrário? Propuséssemos aos banqueiros o congelamento do pagamento das dívidas, mas com a garantia de que, em 30 anos, a situação estaria quitada. Será que topariam?”

Entidades de classe também têm se posicionado de forma contrária à PEC. Em nota, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) chamou a proposta de “atentado contra a saúde pública”.

No entendimento da organização, o texto, se aprovado, reduziria consideravelmente os repasses feitos pela União à saúde, o que causaria uma queda na qualidade do atendimento e de estrutura. Já o diretor da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara, Ricardo Volpe, acredita que a verdadeira necessidade é da eficiência nos gastos com a saúde.

“O gasto ser a mais em uma área ou outra depende de decisão política. Não adianta colocar mais no orçamento. Se não tiver vontade política, não vai se gastar. Vincular recursos é uma falsa ilusão de que tem mais recurso porque o contingencia, congela a área e tira ações livres de outras áreas”, afirma.

O médico Drauzio Varella é um dos que criticam a medida. Em vídeo divulgado em suas redes sociais ele destaca que a inflação dos serviços médicos é muito mais alta do que os índices oficiais e que, por isso, a área seria penalizada. (LR)

Divisão

No Senado debate prossegue quente

Depois de dois meses de debates em plenário e nas comissões da Casa, a PEC foi aprovada por 359 voto a 116. Agora, está em votações no Senado, onde também há divisões.

Oposição ao governo federal, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) é um dos parlamentares mais críticos ao texto. Segundo ele, o caminho para que o país saia da crise é o “contrário”, com o aumento do gasto público em áreas estratégicas. “O impacto dessa PEC vai ser gigantesco, principalmente na educação e na saúde. Hoje, nós temos 16 milhões de idosos no país. Daqui a 20 anos, teremos 36 milhões. Como é que congelaremos o recurso de saúde por 20 anos? É criminoso. Temos que retomar o crescimento econômico. Em momentos de depressão como esse, a importância do gasto público é fundamental, o caminho é o contrário do que estão propondo. O que vai acontecer é que a economia vai seguir ciclos recessivos de longo prazo”, defende.

Já o senador Zezé Perrella (PTB-MG) acredita que o ajuste é imprescindível para o país. “Sem essa medida, ficaria difícil a contenção do rombo nas contas públicas provocado pelos governos do PT. O que o presidente Temer propõe, e eu votarei a favor, é que o governo gaste apenas os recursos de que dispõe. É preciso viver dentro de um orçamento, tanto no governo como nas empresas e mesmo na vida familiar. Não se pode gastar o que não se tem”, afirma. (LR)

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DEPUTADOS APROVAM MUDANÇAS NAS REGRAS DE FINANCIAMENTO DO ENSINO SUPERIOR

Agência Câmara Notícias, 08/11/2016

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, nessa terça-feira (8), a Medida Provisória 741/16, que muda regras do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), repassando às faculdades privadas o pagamento de taxa devida aos bancos atuantes como agentes financeiros do programa. Antes da MP, a União arcava com a despesa. A matéria, cujo prazo de vigência se encerra no dia 11, será votada agora pelo Senado.

A taxa é de 2% dos recursos liberados pelos bancos em nome do aluno e não poderá ser repassada às anuidades por meio de sua inclusão na planilha de custos que embasa o reajuste anual.

De acordo com o projeto de lei de conversão do senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), a novidade no Fies é a possibilidade de o fundo financiar a parcela da mensalidade não coberta por bolsas parciais concedidas no âmbito do programa Universidade para Todos (ProUni).

O ProUni é sustentado por meio de bolsas concedidas pelas faculdades aos alunos, cujo valor é convertido em certificados que podem ser usados para abater tributos federais devidos pelas mantenedoras à União. Destinado a alunos mais pobres, o programa é sem custos para o estudante, mas se a bolsa for parcial ele tem de pagar a diferença.

Dívidas

Após negociações entre governo e oposição para acelerar a votação da matéria, o Plenário aprovou destaques do PCdoB e do PT que retiraram do texto a possibilidade de o aluno inadimplente ter seu nome registrado no Cadastro Informativo de Créditos Não Quitados do Setor Público Federal (Cadin) ou em cadastros restritivos de crédito de abrangência nacional.

Esses destaques retiraram também a regra que previa a inscrição do débito na Dívida Ativa da União (DAU) após o insucesso de cobrança administrativa.

O projeto de lei de conversão substitui a execução da dívida com tentativas de negociação no âmbito judicial pela cobrança administrativa das parcelas vencidas.
O texto prevê o uso “do rigor praticado na cobrança dos créditos próprios” dos bancos, que deverão adotar “todas as medidas cabíveis para a recuperação das parcelas em atraso e dos encargos contratuais incidentes”.

Aditamento

Nova hipótese de suspensão da assinatura de aditivos ao financiamento foi incluída pelo relatório aprovado. Se ele deixar de pagar os juros, somente poderá realizar aditamento se voltar a ficar adimplente. Os aditivos podem ser usados para renegociar a dívida total, por exemplo.

Quanto à forma de pagamento, o texto permite a amortização por meio de débito em conta corrente do estudante. Atualmente é permitido o desconto em folha de pagamento.

Multa

Multa, a ser disciplinada em regulamento específico do Ministério da Educação, é nova penalidade que poderá ser aplicada às instituições de ensino por descumprimento de obrigações assumidas nos termos de adesão ao Fies e de participação nos processos seletivos conduzidos pelo ministério.

Essa multa substituirá, como fonte de receita do Fies, taxas e emolumentos cobrados dos participantes dos processos de seleção para o financiamento.

O banco, enquanto agente operados do Fies, poderá estabelecer valores mínimos e máximos de financiamento, igualmente segundo parâmetros fixados em regulamento.
As faculdades, por outro lado, poderão praticar valores menores de encargos educacionais em favor do estudante financiado, proibida qualquer forma de discriminação em razão da concessão do benefício, que se estenderá ainda à parcela da mensalidade paga diretamente pelo estudante.

Quanto à destinação dos recursos, o projeto de lei de conversão estabelece que a prioridade será para estudantes que não tenham concluído o ensino superior e não tenham sido beneficiados pelo financiamento estudantil.

Abatimento

O médico militar das Forças Armadas foi incluído entre os profissionais que poderão ter 1% do saldo devedor consolidado abatido mensalmente pelo Fies segundo regulamento.
O benefício é concedido atualmente ao médico integrante de equipe de saúde da família oficialmente cadastrada e com atuação em áreas e regiões com carência e dificuldade de retenção desse profissional, assim como ao professor graduado em licenciatura e em efetivo exercício na rede pública de educação básica.

Diretrizes educacionais

Na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), o senador Ataídes Oliveira incluiu dispositivo para proibir a tutela antecipada para obtenção de autorização de funcionamento de curso de graduação por instituição de educação superior.

A tutela antecipada ocorre quando um juiz concede, antes do julgamento final, um direito postulado pelo pleiteante. Nesse caso, incidiria sobre procedimento administrativo.


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A EDUCAÇÃO PARA BRANCOS E NEGROS É DESIGUAL NO BRASIL, DIZ ESTUDO

Mariana Tokarnia, da Agência Brasil, em  EcoDebate, 18/11/2016


A educação para brancos e negros é desigual no Brasil, segundo dados educacionais organizados pelo movimento Todos pela Educação. Os brancos concentram os melhores indicadores, é a população que mais vai à escola e conclui o estudo. São também os que se saem melhor nas avaliações nacionais. Para o movimento, a falta de oferta de uma educação de qualidade é o que aumenta essa desigualdade. O estudo divulgado hoje (18), dois dias antes do Dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro.


Os negros, soma daqueles que se declaram pretos e pardos, pelos critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são maioria da população brasileira, 52,9%. Essa população, no entanto, ganha menos da média do país, que é R$ 1.012,25, segundo dados do IBGE de 2014. Entre os negros, a média de renda familiar per capita é 753,69 entre os pretos e R$ 729,50, entre os pardos. Os brancos têm renda média de R$ 1.334,30.

A presidente do Todos pela Educação, Priscila Cruz, diz que é preciso tem que dar as melhores escolas para a população negra e parda. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil   

 


Os dados seguem apontando a desigualdade, o desemprego é maior entre os pretos (7,5%) e pardos (6,8%) que entre os brancos (5,1%). O trabalho infantil, maior entre pardos (7,6%) e pretos (6,5%), que entre brancos (5,4%).

As desigualdades sociais são reforçadas na educação.  A taxa de analfabetismo é 11,2% entre os pretos; 11,1% entre os pardos; e, 5% entre os brancos. Até os 14 anos, as taxas de frequência escolar têm pequenas variações entre as populações, o acesso é semelhante à escola. No entanto, a partir dos 15 anos, as diferenças ficam maiores. Enquanto, entre os brancos, 70,7% dos adolescentes de 15 a 17 anos estão no ensino médio, etapa adequada à idade, entre os pretos esse índice cai para 55,5% e entre os pardos, 55,3%.

No terceiro ano do ensino médio, no final da educação básica, a diferença aumenta: 38% dos brancos; 21% dos pardos; e, 20,3% dos pretos têm o aprendizado adequado em português. Em matemática, 15,1% dos brancos; 5,8% dos pardos e 4,3% dos pretos têm o aprendizado adequado.


Em entrevista à Agência Brasil, a presidente executiva do movimento Todos Pela Educação, Priscila Cruz, diz que os indicadores são resultado de uma educação de baixa qualidade que não é capaz de fazer com que os estudantes superem as diferenças sociais. Segundo ela, os estudantes mais vulneráveis têm também acesso a escolas com as piores infraestruturas e ensino.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista:


Agência Brasil – O que esses dados nos mostram?


Priscila Cruz – Não adianta só a gente ter o diagnóstico de que o país é desigual e que a oferta da educação é desigual, a gente precisa começar a pensar em estratégias para que isso seja resolvido pela política pública porque o que esse estudo mostra é que existe uma baixíssima mobilidade educacional. A chance de um filho de pais analfabetos continuar analfabeto é muito grande e isso é mais forte na população negra. Então, se a gente tem uma dívida histórica com a população negra, não basta só ter direitos iguais, não adianta a gente só dar direitos iguais a negros e pardos, a gente tem que ter políticas específicas na educação básica.

Agência Brasil – Quais seriam essas políticas?


Priscila Cruz – A gente tem que dar as melhores escolas para a população negra e parda, porque ela só vai conseguir romper o ciclo de exclusão e pobreza que estão presas há gerações com política pública específica. Não adianta ter diploma, é a qualidade que vai importar. Para conseguir qualidade, o estado tem que dar muito mais para a população historicamente excluída. Ainda tem um imaginário no Brasil muito forte de exclusão em relação aos negros. A gente naturaliza que o negro vai estudar em uma escola pior do que o aluno branco de uma renda maior. A gente precisa desnaturalizar isso. Para os negros, a gente tem que ter escolas com os melhores professores, melhor formados, investimento maior, apoio técnico das secretarias e governos. Essa é a lógica que a gente tem que instaurar no Brasil se a gente quiser reduzir desigualdade.

Agência Brasil – Seria investir mais naqueles que têm piores resultados. O inverso de uma política por mérito?


Priscila Cruz – Mérito é quando você está comparando dois pontos de partida iguais. A gente está dizendo o seguinte, que têm alunos que, em uma corrida de 100 metros, partem dos 50 metros; têm alunos que partem do zero. O dado de que um chega mais rapidamente no ponto de chegada que os outros não é porque tiveram as mesmas condições, é porque tiveram condições diferentes. A gente só começa a levar em consideração o mérito na hora de premiar, de dar melhores condições, quando se chega no mesmo patamar.

 

 


 

Nº DE UNIVERSIDADES TOMADAS CHEGA A 194 NO PAÍS

Terra Noticias - 17/11/2016

Depois de quase 1 mil escolas serem tomadas em todo o País, o movimento estudantil agora se concentra em universidades e institutos de ensino superior contra a PEC do Teto e a reforma do ensino médio, propostas pelo governo Michel Temer. Segundo a União Nacional dos Estudantes (UNE), já são 194 universidades invadidas, enquanto o número de escolas – que no fim de outubro ultrapassou 920 – agora é de 391. As lideranças estudantis afirmam que os secundaristas continuam mobilizados em protestos de rua.

De acordo com os líderes estudantis, o esvaziamento das ações em escolas se deve ao fato de a maioria ser menor de idade, da forte pressão para a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e pela atuação mais forte das polícias para a desocupação de colégios em comparação com os câmpus universitários, que têm mais autonomia.

Em São Paulo, por exemplo, os câmpus da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) de Guarulhos e Santos estão invadidos há duas semanas. Quando houve tentativas em escolas no Estado, a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) atuou em menos de 24 horas para que a Polícia Militar retirasse os estudantes, sob o argumento de que um parecer da Procuradoria-Geral do Estado garante a autotutela dos prédios – o que dispensa, nessa versão, o mandado de reintegração.

Carina Vitral, presidente da UNE, disse que as ações em universidades têm potencial maior para se manter. “A autonomia universitária determina que a polícia só pode entrar no câmpus com autorização do diretor ou reitor.”

Segundo ela, a mudança de atuação do movimento estudantil foi importante para que continuasse forte. “A desocupação de escolas começou a ocorrer após a pressão do ministério para a realização do Enem e já havia um desgaste próprio dos secundaristas, que são menores de idade e estavam dormindo fora de casa havia mais de um mês. A mudança para as ocupações de universidade foi um reforço importante”, disse.

Para Camila Lanes, presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), a intervenção em escolas cumpriu o seu papel por despertar a mobilização dos universitários. “Os secundaristas mostraram que essa é uma pauta nacional, que afeta a todos: universitários, estudantes de escolas públicas e particulares.”

Balanço.
Das 194 universidades tomadas, duas – PUC Minas e PUC-RS – são particulares. Minas Gerais é o Estado com o maior número de invasões atualmente: 163. O Paraná, que chegou a ter simultaneamente mais de 854 escolas invadidas, já não tem mais nenhuma.

Apenas a Universidade Federal do Paraná (UFPR) continua tomada por estudantes.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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NERVOS ELETRÔNICOS ATINGEM VELOCIDADE DOS NERVOS BIOLÓGICOS

Redação do Site Inovação Tecnológica -  09/11/2016

O circuito orgânico opera quase na mesma velocidade que as sinapses naturais, permitindo uma conexão direta entre os circuitos eletrônicos de controle e os tecidos biológicos. [Imagem: Thor Balkhed/LiU]

Bomba de íons

Estão prontos os primeiros eletrodos que fazem jus ao nome de "nervos artificiais": eles disparam correntes iônicas praticamente na mesma velocidade que os nervos e células musculares no corpo humano - e com a precisão de células individuais.

No ano passado, pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, demonstraram que é possível reduzir a dor em animais de laboratório vivos e se movimentando injetando o neurotransmissor GABA (ácido amino-butírico gama) diretamente na medula espinhal dos animais.

Eles fizeram isto usando uma "bomba de íons", um gerador de corrente iônica feito com componentes eletrônicos orgânicos - nossos nervos e músculos se comunicam por meio de sinais enviados por meio de íons e moléculas, e o neurotransmissor GABA é uma dessas moléculas.

Nervos artificiais

Agora, seus colegas da Universidade de Linkoping aprimoraram os eletrodos, fazendo-os operar na mesma velocidade que os neurônios, o que deverá trazer ainda melhores resultados, e abrir o caminho para o uso da tecnologia em humanos.

"Nós agora podemos começar a desenvolver componentes que conversem com o corpo em sua própria linguagem," disse o professor Daniel Simon, coordenador da equipe.

"Nós fabricamos nervos artificiais que podem se comunicar diretamente com o sistema nervoso. Depois de mais de 10 anos de pesquisas, nós finalmente colocamos no lugar todas as peças do quebra-cabeças," comemorou seu colega Magnus Berggren, que vem mesmo trabalhando com nervos artificiais há muito tempo.

Diodo iônico

A equipe usou componentes eletrônicos orgânicos porque eles têm a grande vantagem de conduzir tanto eletricidade quanto íons.

O circuito utilizado permite que os sinais elétricos de controle, enviados por um computador ou outro circuito de comando, sejam convertidos em sinais químicos que o corpo pode entender. Para isso foi usado um material conhecido como PEDOT:PSS, também usado por outras equipes para fabricar eletrodos para ligar chips neurais ao cérebro e até um sensor de arrepios para ler emoções.

A equipe conseguiu construir diversas bombas de íons sobre uma única pastilha de silício. Cada bomba pode ter uma única ou várias saídas de íons, que podem ser controladas separadamente por sinais elétricos. Cada uma delas - que pode ser considerada uma sinapse artificial - é essencialmente um diodo iônico, um componente que permite que os íons trafeguem apenas em um sentido.

Visão lateral do circuito, mostrando os eletrólitos - de onde saem os íons - controlados eletricamente. [Imagem: Amanda Jonsson et al. - 10.1126/sciadv.1601340]


Velocidade nervosa


"Antes, nós só podíamos transportar os íons horizontalmente e para todas as saídas ao mesmo tempo. Agora, contudo, nós podemos enviar os íons verticalmente, o que torna a distância que eles têm que ser transportados tão curta quanto um micrômetro," disse Amanda Jonsson, responsável pelo aprimoramento do circuito. Essa distância mais curta significa que os íons podem ser disparados mais rapidamente do que era possível.
O circuito com seus nervos sintéticos foi testado apenas em bancada, por enquanto. O próximo passo será testá-lo com células vivas e, a seguir, em cobaias.
A longo prazo, a expectativa é que esta tecnologia possa ser utilizada no controle de dores crônicas, de ataques epilépticos e na redução dos sintomas do mal de Parkinson.


Bibliografia:
Chemical delivery array with millisecond neurotransmitter release
Amanda Jonsson, Theresia ArbringSjöström, KlasTybrandt, Magnus Berggren, Daniel T. Simon
Science Advances
Vol.: 2, no. 11, e1601340
DOI: 10.1126/sciadv.1601340

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A NOSSA GUERRA ASSIMÉTRICA CONTRA A NATUREZA

Enzo Scandurra, Ecodebate - 9/11/2016

“Apenas se levantarmos o olhar para além dos anos que definem uma vida, entenderemos que a natureza não pode ser domesticada, tem os seus ritmos, a sua vida: chamaram-na de Gaia pensando-a como um gigantesco organismo vivo.”

A opinião é do engenheiro civil italiano Enzo Scandurra, professor de desenvolvimento sustentável para o ambiente e o território da Universidade de Roma “La Sapienza”, em artigo publicado no jornal Il Manifesto, 03-11-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Estão em curso duas grandes guerras: a dos homens contra outros homens e a dos homens contra a natureza. Aparentemente diferentes, combatidas com armas diferentes, elas estão reunidas sob o mesmo objetivo: o domínio. A primeira guerra continua até hoje de modo totalmente semelhante ao passado; a diferença está nas armas utilizadas. Não mais apenas armas de fogo; agora, com armas financeiras mais poderosas, capazes de colocar povos inteiros de joelhos, fazê-los passar fome sem derramar sangue.

E há uma luta contra a natureza que tem data mais recente. Desde que o homem, tendo entrado na Modernidade, imaginou ter que ser o proprietário do planeta que o gerou: o Livro da Natureza está escrito nos símbolos da matemática, afirmava Galileu. Uma guerra, desta vez, “justificada” pela necessidade do Desenvolvimento e do Progresso: século soberbo e tolo, chamara Leopardi esta nova era de domínio do homem.

Agora, essas duas guerras se unificaram em uma única guerra: a guerra contra a vida ou contra a Criação (para quem tem fé), seja ela representada por humanos, seja por todas as formas de manifestação da natureza. As duas guerras se unificaram a tal ponto que é difícil distinguir uma da outra. Os migrantes são a prova disso: há muitos que defendem que eles são todos migrantes ambientais, ou seja, fogem de territórios que tornaram inóspitos por causa das mudanças climáticas, pela exploração excessiva de recursos por parte dos Conquistadores (raça especial de humanos), por falta de comida, água, por ditaduras odiosas.

A segunda dessas guerras terá um fim já marcado: a vitória da natureza, porque é uma guerra assimétrica, porque a criatura que destrói o ambiente destrói a si mesma; é como cortar o galho da árvore sobre o qual estamos sentados. Não temos outro planeta para emigrar: apenas este nos é dado. É ainda Bateson que nos lembra que vivemos em uma casa de vidro, e, em uma casa de vidro, antes de atirar pedras, é preciso pensar bem.

O “monstro” foi chamada aquela força obscura e poderosa que nasce das vísceras do planeta e atinge às cegas o solo onde a vida se desenvolve, sacudindo-o e contorcendo-o como se fosse papelão; redesenhando novas geografias, indiferente a tudo o que o homem produziu, incluindo as suas obras de arte. E só o fato de tê-lo definido como “monstro” nos faz parecer crianças assustadas.

Desde sempre, à natureza foi conferido um duplo nome: benigna, quando ela nos dá os seus frutos; maligna, e agora “monstro”, quando revela o seu rosto feroz. Estamos assistindo ao desaparecimento dos Apeninos, alguns profetizam. Mas, antigamente, os Apeninos não existiam. Apenas se levantarmos o olhar para além dos anos que definem uma vida, entenderemos que a natureza não pode ser domesticada, tem os seus ritmos, a sua vida: chamaram-na de Gaia pensando-a como um gigantesco organismo vivo.

Agora, é hora de luto e de silêncios. O domínio sobre a natureza nos parece ser totalmente fora de medida. E faz refletir aquele pastor, ou aquele idoso que não quer abandonar a própria casa. Há uma sabedoria, que nós, modernos, chamamos de inconsciência ou, pior, de ignorância: ele quer continuar convivendo com o “monstro”, como fizeram, antes dele, os seus antepassados. Porque perder a própria casa, o próprio teto e a própria terra é ficar órfãos para sempre, significa morrer órfãos. É preciso um idoso ou um pastor para reconhecer essa sensação, para se sentir em sintonia com a natureza, mesmo quando ela mostra o seu rosto impiedoso e indiferente, e é preciso um vilarejo para viver.

Conviver é o verbo certo; dominar, o errado. A Modernidade confundiu os verbos; a natureza nos restitui as coordenadas certas. Nestes dias, colado à televisão, muitas vezes tenho fiz a mesma pergunta: onde estão os animais naqueles territórios devastados: eles também migraram?

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CEMITÉRIOS PODEM VIRAR FLORESTAS COM CÁPSULAS ORGÂNICAS SUBSTITUINDO CAIXÕES

Ciclo Vivo de 17.11.2016

A ideia é de dois artistas italianos que, ao invés de lápides, querem que os enterros deem origem a uma nova vida.

As cápsulas são feitas a base de amido em formato de ovo, um material 100% biodegradável


Uma dupla de artistas italianos pretende modificar o conceito tradicional de cemitérios. No lugar dos caixões comuns, eles propõem a utilização de uma cápsula biodegradável, coberta por uma árvore. Assim, ao invés de lápides, os enterros dariam origem a uma nova vida.

A ideia é assinada pela dupla Anna Citelli e Raoul Bretzel. No site do projeto, a dupla explica que o interesse dos dois é ajudar a resgatar a sociedade que vive atualmente distante da natureza. Para alcançar este objetivo, eles escolheram um tema considerado um tabu: a morte.

Na cápsula, o corpo seria enterrado em posição fetal


"Os mortos não podem ser apenas um problema técnico, não podem ser tratados com um tabu. Independente da religião e cultura a que pertencemos, a morte é um fenômeno biológico, é a mesma coisa para todos. Nenhum designer pensa em caixões, isso se torna uma forma de refletir sobre o quão distantes estamos da mãe natureza", diz o site.
A proposta de Anna e Bretzel é transformar os cemitérios em verdadeiras florestas sagradas. Para isso, eles criaram a Capsula Mundi. Com o formato de um ovo gigante, o produto exerce a mesma função de um caixão. O seu grande diferencial é a matéria-prima. Ele não é feito em madeira, assim não promove o desmatamento. O material usado pelos designers é um amido, feito a partir de plantas sazonais e 100% biodegradável.

As árvores seriam plantadas sobre as cápsulas, trocando o clima fúnebre pela continuidade da vida


A proposta não para por aí. Para que o conceito seja completo, a morte também deve representar uma nova vida, memórias e cuidado. Assim sendo, a pessoa escolhe a sua árvore preferida, desde que seja nativa das regiões em que o produto é disponibilizado, e começa a cuidar dela ainda em vida. Após morrer, a pessoa é colocada em posição fetal dentro de uma Capsula Mundi e enterrada. Acima dela é plantada também a sua própria árvore.

O intuito é de que os cemitérios fiquem cheios de árvores e que a família e os amigos do falecido sejam os responsáveis pelo cuidado da planta, como forma de guardar a lembrança, ao mesmo tempo em que troca a morbidez de um cemitério pela bela paisagem de uma floresta.

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EFEITOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS JÁ PREJUDICAM VIDA DOS BRASILEIROS, DIZ O GREENPEACE

Camila Boehm, Agência Brasil de 17/11/2016

Dez anos depois da publicação do último relatório do Greenpeace sobre os prejuízos decorrentes das mudanças climáticas, novo documento da entidade mostra que pouca coisa mudou. “O que tem de mais emblemático é que, dez anos depois, ainda não conseguimos arrumar uma solução para evitar as mudanças climáticas. Continua uma discussão muito grande, as coisas não saem do papel e os efeitos já estão acontecendo”, avalia o coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil, Márcio Astrini.

“Uma década depois ainda tem acordos sendo discutidos, de quem é a responsabilidade, que tem que ajudar mais com dinheiro. Enquanto isso o clima, na vida real, vai alterando e já prejudicando a vida das pessoas”, completa. Um efeito concreto na rotina das pessoas, segundo Astrini, é a chamada bandeira tarifária, que traz uma variação na cobrança da energia elétrica aos consumidores.


Redução da vazão dos rios é uma das consequências das mudanças do clima, segundo Greenpeace. Foto: Divulgação Chesf

 
Pelo modelo de bandeiras tarifárias, quando a energia vem das usinas hidrelétricas, a tarifa tem um valor, mas se o governo precisa utilizar as termelétricas – que são mais poluentes e mais caras – o consumidor paga um valor adicional pela eletricidade que chega à sua casa.

“O Brasil produz muita energia de hidrelétrica, que depende do rio corrente para gerar energia. Tem chovido de forma desregular, quer dizer, tem horas que aquele rio está muito cheio e tem horas que está muito seco”, disse Astrini sobre uma das previsões ligadas ao aquecimento global apontadas no relatório, que é a tendência de redução da vazão dos rios. Como 64% da eletricidade do país vêm das hidrelétricas, menos água nos rios significa menos produtividade e risco de energia mais cara.

“Isso impacta diretamente na conta de luz das pessoas. Muita gente está sentindo isso na conta”, acrescenta.

Soluções

Astrini aponta duas soluções que podem evitar o agravamento de prejuízos causados pelas mudanças climáticas: implementar energias renováveis – como solar, eólica e biomassa – e acabar com o desmatamento. As medidas, segundo o ambientalista, não só contribuem para o combate ao aquecimento global, como tornam o Brasil mais resistente a essas mudanças.

“Precisamos bolar outras formas de gerar energia no país e eletricidade para a casa das pessoas. Temos muito sol, temos muito vento, temos uma capacidade de produção de agricultura muito grande, e essas três coisas podem dar pra gente energia solar, eólica e biomassa. O Brasil investe muito pouco nisso”, pondera. Segundo o coordenador do Greenpeace, variar a matriz energética pode dar ao país maior segurança no setor, sem precisar recorrer a opções poluentes como as termelétricas a carvão e a gás.


Combate ao desmatamento deve ser prioritário no enfrentamento à mudança do clima no Brasil. Foto: Arquivo/Agência Brasil   



A segunda ação seria sobre as florestas. “Se o Brasil eliminar o desmatamento – que é a nossa maior fonte de emissões de gás de efeito estufa –, além de diminuir as emissões globais, ele também preserva uma floresta como a Amazônia e o Cerrado”, disse.

Além do benefício direto para a conservação do bioma, Astrini destacou a importância da Amazônia como regulador climático. “Alguns estudos dizem que, devido à existência da Amazônia, é que tem a regularidade da quantidade de chuvas no sul, no sudeste e no centro-oeste do país, que são exatamente os lugares que mais produzem agricultura. Então, se a gente desmata essa floresta, temos um efeito contrário duplo: vamos emitir muito carbono e retirar do país esse regulador climático.”

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COMO FUNCIONA A UNIVERSIDADE SEM PROFESSORES INAUGURADA NOS EUA

BBC de 04/11/2016

Alunos de computação não têm livros e nada precisa ser pago; ideia é de milionário francês que aposta em aprendizado colaborativo.

Na universidade 42, os estudantes trabalham juntos na solução de problemas e avaliam o trabalho dos colegas. (Foto: Rick Friedmann/BBC)

Uma universidade revolucionária, sem professores, onde não há livros e nada é pago, acaba de ser aberta no Vale do Silício, na Califórnia. A ideia é receber por ano 1 mil estudantes interessados em programação de computadores e desenvolvimento de software. Durante o curso, os alunos trabalham sempre em grupo e avaliam os trabalhos uns dos outros.

O nome da nova universidade, 42, é uma referência à resposta sobre qual seria o sentido da vida segundo o clássico de ficção científica "O Guia do Mochileiro das Galáxias" (The Hitchhiker's Guide to the Galaxy, no original em inglês) de Douglas Adams - criado nos anos 1970 como série de rádio da BBC e transformado em livro, peça de teatro, minissérie de TV, filme longa-metragem, revista em quadrinhos, livro ilustrado e jogo de computador.

"O Guia do Mochileiro das Galáxias" é o nome de um dicionário fictício, que tem definições e opiniões sobre todo o universo. O primeiro campus da 42 foi criado em Paris, em 2013, por Xavier Niel, um empresário e milionário do setor de tecnologia.

Muitos do que se formaram lá trabalham hoje em grandes empresas como IBMAmazon e Tesla. Alguns criaram suas próprias companhias.

Facebook e Airbnb como modelos

Xavier Niel e seus sócios - vindos de start-ups do setor de tecnologia - querem revolucionar a educação como o Facebook fez com a comunicação na internet e o Airbnb com a hotelaria convencional.

Brittany Bir, chefe de operações da 42 na Califórnia, diz que jovens acostumados a ensinar aos colegas têm mais iniciativa no ambiente de trabalho (Foto: Rick Friedmann/BBC)



Para atingir essa meta, a universidade combina uma forma radical de ensino colaborativo e aprendizagem por projetos. Os dois métodos são bastante populares entre educadores, mas normalmente envolvem a supervisão de professores.

Assim, os alunos da 42 podem escolher projetos - como criar um website ou um jogo de computador - que seriam executados se eles estivessem trabalhando em uma empresa como desenvolvedores de software.

Para colocar seu projeto de pé, eles usam as fontes gratuitas disponíveis na internet e recebem ajuda dos colegas. Todos trabalham lado a lado, em uma ampla sala, com várias fileiras de computadores. Depois, a avaliação será feita por um outro colega, escolhido aleatoriamente.

Como nos jogos de computador, os estudantes vão avançando no curso em níveis ou fases e competem com um mesmo projeto. Eles se formam ao atingir o nível 21 e isso geralmente leva de três a cinco anos. Ao concluir o curso, recebem um certificado, nada de diploma tradicional.

Fim do aprendizado passivo

Os criadores da 42 afirmam que esse método de aprendizagem é melhor que o sistema tradicional que, segundo eles, incentiva os estudantes a serem receptores passivos de conhecimento.

"O retorno que temos recebido dos empregadores é que os jovens que formamos são mais preparados para buscar informações por si mesmos, por exemplo, sem precisar perguntar ao supervisor o que devem fazer," diz Brittany Bir, chefe de operações da 42 na Califórnia e ex-aluna no campus de Paris.

Aprendendo com quem aprende

"O aprendizado colaborativo faz os estudantes desenvolverem a confiança necessária para buscar soluções de forma autônoma, com métodos criativos e engenhosos"", explica.

Ela afirma ainda que quem passou pela 42 é mais capaz de trabalhar em grupo, discutir e defender ideias - qualidades procuradas no mundo real do mercado de trabalho em tecnologia.

"Isso é especialmente importante na área de programação, onde há uma falta de determinadas habilidades humanas," acrescenta. O aprendizado colaborativo não é novidade e já é adotado em várias escolas e universidades, especialmente em áreas como engenharia.

Aliás, historiadores concluíram que, na Grécia antiga, o filósofo Aristóteles tinha na sua escola alunos que eram monitores e ajudavam os colegas. Pesquisas recentes mostram que o aprendizado colaborativo pode fazer o aluno desenvolver um conhecimento mais profundo sobre determinado assunto.

Especialista em educação, o professor Phil Race explica que assuntos difíceis são mais fáceis de entender quando explicados por alguém que os aprendeu sozinho, sem nenhuma ajuda.

Dan Butin, reitor da escola de educação e política social do Merrimack College de Massachusetts, nos EUA, defende que o aprendizado colaborativo e por projetos seja popularizado em colégios e universidades.

O professor Butin diz que esses métodos são "ferramentas de ensino" muito melhores do que palestras, por exemplo, que normalmente não propõem desafios ao raciocínio dos ouvintes.

'O momento do arrá!'

No entanto, Butin considera que a universidade 42 foi longe demais ao abolir os professores. Pesquisas feitas por ele indicam que a maneira mais eficaz de ensino colaborativo inclui a supervisão de um professor especializado.

"A razão decisiva para a existência de um professor é orientar os estudantes no enfrentamento de assuntos complexos, ambíguos e que geralmente escapam à sua capacidade de entendimento", acredita.

O pesquisador americano Dan Butin diz que os alunos precisam de professores que os desafiem. (Foto: Rick Friedmann/BBC)



"Bons professores são capazes de levar os estudantes ao que chamo de 'momento do arrá!'"

O pesquisador diz que "a função da universidade" é desafiar conhecimentos e opiniões preconcebidas. Uma universidade sem professores, continua Butin, pode permitir que os estudantes simplesmente "reforcem e regurgitem" ideias que já têm sobre o mundo.

O modelo da 42 poderia ser uma alternativa aos Massive Open Online Courses, os Moocs (cursos online abertos e massivos, em tradução livre), que permitem que um grande número de pessoas estude online gratuitamente ou pagando pouco.

Como os Moocs, a 42 oferece uma educação mais acessível que a universidade tradicional. Mas também oferece os chamados benefícios sociais como acesso a um prédio e interação diária com outras pessoas.

A abertura da 42 coincide com a popularização nos EUA de cursinhos rápidos e intensivos que atraem milhares por causa da grande procura por programadores e desenvolvedores de software.

Método exige aluno disciplinado

Mas será que o modelo sem professores da 42 daria certo em grandes universidades?

Britanny Bir admite que os novos métodos não servem para todos os alunos. Durante o mês de seleção, por exemplo, alguns candidatos ficam irritados pelo estresse de trabalhar tão próximos. E não é difícil imaginar uma reação assim se você recebeu nota baixa de alguém que está no computador ao seu lado.

"O método é indicado para pessoas muito disciplinadas e confiantes, que não se intimidam com a liberdade de trabalhar no seu próprio ritmo", diz Britanny. Nicolas Sadirac, diretor da 42 de Paris, destaca que esse modelo funciona particularmente bem para estudantes que sofreram fracassos ou foram deixados de lado pelo sistema tradicional de educação.

"Na França, o sistema de educação decepciona muitos jovens apaixonados, que se sentem frustrados com o que são obrigados a fazer e com a maneira como isso é exigido", acrescenta.

O processo de seleção da universidade 42 ignora qualificações acadêmicas anteriores. No campus de Paris, 40% dos estudantes não completaram o equivalente ao segundo grau. "A 42 lembrou a eles que aprender pode ser divertido se você seguir o seu interesse, em vez de ser ensinado por professores a focar em uma coisa só," conclui Sadirac.

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TECNOLOGIA DE EDIÇÃO DE GENOMAS REVOLUCIONA PESQUISAS GENÉTICAS

C&T Inovação – BR, 08/11/2016

Uma tecnologia inovadora capaz de modificar o genoma de plantas, animais e microrganismos com mais rapidez, economia e eficiência do que as técnicas convencionalmente utilizadas e mais: sem a necessidade de modificação genética. Essa é a Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats (CRISPR/Cas9), uma ferramenta que está revolucionando as pesquisas na área de genética em todo o mundo pela capacidade de editar o DNA e alterar características dos organismos.

Em linhas gerais, a edição de genomas permite desenvolver culturas agrícolas resistentes a pragas, corrigir genes defeituosos em animais e reescrever genomas inteiros de microrganismos. A CRISPR/Cas9 foi usada pela primeira vez em plantas pela cientista da Academia de Ciências Agrícolas da China (CAS, sigla em inglês) Caixia Gao, que editou o genoma de plantas de trigo para dar mais resistência Powdery mildew, doença fúngica que afeta não apenas o trigo, mas muitas outras culturas de importância agrícola.

Atualmente, Gao também utiliza a CRISPR/Cas9 para desenvolver variedades melhoradas de milho e arroz. “Os testes realizados com o trigo resistente ao fungo comprovaram que as plantas editadas são 100% livres de transgênicos", afirmou.

Para a cientista chinesa, é preciso aprender como os erros que foram cometidos em relação aos organismos transgênicos. Ela explica que na China, a aceitação a esses produtos não é boa, de forma geral. "Para divulgar a tecnologia CRISPR/Cas9, precisamos conversar com a sociedade, especialmente professores e estudantes em todos os níveis, desde o ensino médio até a pós-graduação", ressalta.

A tecnologia de edição de genomas, segundo Caixia Gao, marca o início de uma nova era no melhoramento genético. Em termos técnicos, ela já comprovou sua eficácia, mas ainda há muitas questões a serem debatidas no futuro, especialmente em relação à regulamentação, propriedade intelectual e percepção pública.

Sobre a CRISPR/Cas9

As técnicas para editar e modificar o DNA são utilizadas desde a década de 1980, mas a CRISPR/Cas9 pode ser considerada revolucionária por permitir a manipulação de genes com maior precisão, rapidez e menor custo.

Descoberta em 2012, a tecnologia utiliza a enzima Cas9 para cortar o DNA em pontos determinados por uma cadeia-guia de RNA. Utilizando uma metáfora, pode-se compará-la à ferramenta para localizar e substituir palavras no Word, sendo que o primeiro passo é localizar o gene a ser editado para, depois, fazer a alteração desejada.

"É uma tecnologia de modificação de DNA de alta precisão. Com ela, conseguimos introduzir características de forma precisa modificando o DNA sem precisar fazer uma planta transgênica", explica o pesquisador da Embrapa Soja e presidente do Comitê Gestor do Portfólio de Engenharia Genética para o Agronegócio da Embrapa, Alexandre Nepomuceno.

No Brasil a CRISPR/Cas9 já vem sendo utilizada em estudos na Embrapa Agroenergia. O pesquisador Hugo Molinari vem desenvolvendo pesquisas para melhorar características agronômicas de cana de açúcar, como por exemplo, tolerância à seca, adaptação ao bioma Cerrado e aumento de biomassa, entre outras.

Segundo ele, a cana é uma espécie que apresenta grande complexidade genômica, além de não existir um genoma já sequenciado como no caso de outras espécies, como o café, o eucalipto e a banana. Por isso, a tecnologia de edição de genes está sendo testada com uma planta modelo denominada Setaria viridis. O objetivo é desenvolver um genótipo multirresistente, com amplo espectro de resistência, e os resultados têm sido positivos com a planta modelo até o momento atual.

Na área da saúde humana, a tecnologia vem sendo testada pelo médico e professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Amílcar Tanuri. Ele usa a CRISPR/Cas9 para bloquear os receptores de entrada do vírus HIV e também na terapia celular das pessoas contaminadas a partir da produção de um fenótipo de resistência.

No Brasil, há cerca de 400 mil pessoas portadoras do vírus HIV e aproximadamente 40 mil novos casos são reportados a cada ano. Dessas, como explica o médico, 10 mil são resistentes a todos os tipos de medicamento. "Nesses casos, a terapia gênica é a melhor opção, mas ainda esbarramos em questões regulatórias, que são bem complicadas para a área de ciência da saúde", afirma.

A CRISPR/Cas9 foi tema de palestra organizada pela Embrapa na semana passada em Brasília. Saiba mais sobre os debates aqui.

(Agência Gestão CT&I, com informações da Embrapa)

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Q&A: RISKS OF BRAZIL’S DOWNTURN IN SCIENCE FUNDING

SciDevNet, 15/11/1016.

Brazil held a prominent 23rd position in Nature’s 2015 Index, which ranks the world’s 100 countries leading in high-quality science. But Brazilian science is now at a critical juncture.

The science budget has been reduced drastically: 4.6 billion reais (US$1.4 billion) were allocated to the sector this year, equivalent to half the budget in 2013. The Science ministry now also shares its funding with the Ministry of Communications.

The sector’s status has also been reduced through a symbolic move by the government, to terminate the Ministry of Science, Technology and Innovation which was created in 1985.

In this interview with SciDev.Net, Luiz Davidovich, president of the Brazilian Academy of Sciences, offered his insights about today’s science landscape in Brazil and what he envisions for the future of scientific research in the country.
 
Brazil had been advancing in science in the last decade, even in periods of global economic crisis (2008-2009). How do you explain this?

It was due to an increasing investment in research and development (R&D) by the government, which channelled substantial resources to research agencies. Brazil also boosted what we call ‘sectoral funds’, which were set up in 1999. Those funds come from the payment of royalties by different industries such as oil, energy and private health care. Those sectoral funds increased as a larger percentage of royalties was allocated during the government of Lula da Silva (2003-2010), which enabled greater support to research. Da Silva’s office also created a set of laws to stimulate innovation.
 
The new government formed after Brazil’s Senate voted to remove President Dilma Rousseff from office (August 31, 2016) set new guidelines for public spending. How do you see today’s scientific landscape in Brazil?

The funding of science in Brazil faces a crisis of serious proportions. The Ministry of Science, Technology and Innovation’s budget for this year is US$1.46 billion, far below the 2013 budget which reached US$3 billion [the largest amount in history]. The budget will now be shared among the science and communications ministries, something that did not happen in 2013. Brazilian science has less than half the resources it had available three years ago, despite the expansion of the scientific community and the increasing number of scholars.
 
Is there a lack of resources to keep research institutions running?

Projects that are important for the country are paralysed, research networks are deactivated, grants are reduced and youngsters are demotivated to pursue a scientific career. The loss to the country's future is immense.

“In today’s world, knowledge is power. Instead of surrendering to the economic crisis, Brazilian science should take advantage of this window of opportunity to position itself in the international arena.”

Luiz Davidovich

The National Council for Scientific and Technological Development (CNPq) will be particularly affected by the funding cuts. More than US$160 million of this year’s budget is contingent on increasing the surplus. A research institution spends 63% less than it was spending in 2010 (when Brazilian funding reached its peak, at US$853 million or 1.5 billion reais with the exchange rates at that year). As a result of the limited resources, 98.5% of CNPq’s spending in the first half of 2016 was used for paying out grants, leaving only 1.5% for science investment.
 
The Brazilian government is proposing a Constitutional Amendment (known as PEC241) that restricts the growth of public spending according to the inflation rate for the next 20 years, including in health, education and science. In your view, what will be the impacts for the Brazilian scientific and technological development if this proposal is approved?

The proposal of a Constitutional Amendment happens at a time when the budget for science is particularly low, and this will damage the advancement of the sector. R&D is a necessary condition to take the country out of its current economic crisis and to contribute to the GDP (gross domestic product) growth. At a time when we have few resources available, the battle for allocating funding in science and technology (S&T) will be hard.
 
What do you envision for the future of scientific research with the combined Ministries of Science and Communications?

Both ministries are run differently. The former Ministry of Science was split into two secretariats under the new merged ministry. This move is contrary to what countries that prioritise science and technological innovation do — they usually put the coordination of S&T policy close to the centre of power. Brazil’s federal government argued that the new ministry would gain importance and leverage resources as a result of the merger. We see that this did not happen. Not only has the new Ministry received half the resources it had three years ago, this budget will have to be split in two.
 
To what extent will the disinvestment affect Brazilian scientific development?

The crisis will continue and become even more severe. Research institutions’ reserves are being depleted. We may see a major setback in the development of science and technological innovation. What worries me in particular is the effect this crisis might have on the future generations of researchers, adding to the brain drain that sends them towards countries that, despite the global financial crisis, are scaling up their investments in ST&I.
 
Brazil spends less than 1.5% of its GDP in R&D. What is the ideal amount?

The National Conference on ST&I for Sustainable Development, which in 2010 convened participants from several social sectors, pointed at the need to invest 2–2.5% of GDP in R&D by 2020. Current indicators show that we are under the 1.5%, behind countries like China (that invests nearly 2.1%), the United States (2.8%), South Korea and Israel (both around 4%). China expects to reach 2.5% and the European Union 3% by 2020.

In today’s world, knowledge is power. Instead of surrendering to the economic crisis, Brazilian science should take advantage of this window of opportunity to position itself in the international arena.
 
How will Brazilian science suffer from the budget cuts?

In times of crisis, the mainstream discourse is that all sectors should sacrifice. This is not true. What should be done is the opposite. It is crucial to increase investment in ST&I. This is what lifts the country out of the crisis in a sustainable way. Investments in such areas are broadly offset by the benefits as the country recovers. We need more economists who understand the essential role of S&T in Brazil’s economic development.

Investing in science sometimes does not bring immediate practical benefits, but it can lead to disruptive technologies in the future. How can we do this if we reduce support for research? How can we withstand such a budget cut when we have important projects to develop for the country's future?


In 2010, Brazil had 710 scientists for every million inhabitants, compared with the OECD average of 7,600 scientists per million people. It is very low for a country with such challenges and opportunities. It is our duty to increase the number of researchers by attracting youngsters to science. It is a matter of urgency to resume, consolidate and expand funding in R&D, in both academies and in enterprises. That is the key for sustainable economic development in the contemporary world.
 
How can we build resilience mechanisms for Brazilian science in order to avoid the funding fluctuations the sector is facing?

There are two possible mechanisms. One is to guarantee a stable funding to R&D by reviving and consolidating sectorial funds, in order to ensure a continuous source of funding.

Another is to increase how much private companies spend on R&D, which is still at a low level in Brazil.



NEW, SPACE-BASED VIEW OF HUMAN-MADE CARBON DIOXIDE

Carol Rasmussen, NASA Earth Science News Team – Blog do Ethevaldo Siqueira de 11.11.2016

Human carbon dioxide emissions from fossil fuel burning and other sources have been mapped from OCO-2's global dataset. Credits: World Bank/Kim EunYeul

Human carbon dioxide emissions over Europe, the Middle East and northern Africa. Values range from 3 parts per million CO2 below background levels (navy blue) to 3 parts per million above (pale yellow). High emissions over Germany and Poland (top center) and Kuwait and Iraq (right) mostly come from fossil fuel burning, but over sub-Saharan Africa they mostly come from fires.Credits: FMI


Scientists have produced the first global maps of human emissions of carbon dioxide ever made solely from satellite observations of the greenhouse gas. The maps, based on data from NASA's Orbiting Carbon Observatory-2 (OCO-2) satellite and generated with a new data-processing technique, agree well with inventories of known carbon dioxide emissions.


No satellite before OCO-2 was capable of measuring carbon dioxide in fine enough detail to allow researchers to create maps of human emissions from the satellite data alone. Instead, earlier maps also incorporated estimates from economic data and modeling results.


The team of scientists from the Finnish Meteorological Institute, Helsinki, produced three main maps from OCO-2 data, each centered on one of Earth's highest-emitting regions: the eastern United States, central Europe and East Asia. The maps show widespread carbon dioxide across major urban areas and smaller pockets of high emissions.


"OCO-2 can even detect smaller, isolated emitting areas like individual cities," said research scientist JanneHakkarainen, who led the study. "It's a very powerful tool that gives new insight."
The results appear in a paper titled "Direct Space-Based Observations of Anthropogenic CO2 Emission Areas from OCO-2," published Nov. 1 in the journal Geophysical Research Letters.


Human emissions of carbon dioxide have grown at a significant rate since the Industrial Revolution, and the greenhouse gas lingers in the atmosphere for a century or more. This means that recent human output is only a tiny part of the total carbon dioxide that OCO-2 records as it looks down toward Earth's surface. "Currently, the background level of carbon dioxide in the atmosphere is about 400 parts per million, and human emissions within the past year may add only something like three parts per million to that total," said Hakkarainen. The data-processing challenge, he noted, was to isolate the signature of the recent emissions from the total amount.


The team's new data-processing technique accounts for seasonal changes in carbon dioxide, the result of plant growth and dormancy, as well as the background carbon dioxide level. To be sure their method was correct, they compared the results with measurements of nitrogen dioxide -- another gas emitted from fossil fuel combustion -- from the Ozone Monitoring Instrument, a Dutch-Finnish instrument on NASA's Aura satellite. OMI and OCO-2 are both in the A-Train satellite constellation, so the two measurements cover the same area of Earth and are separated in time by only 15 minutes.


The two measurements correlated well, giving the researchers confidence that their new technique produced reliable results.


Coauthor Johanna Tamminen, head of the atmospheric remote sensing group at the Finnish Meteorological Institute, noted that with its comparison of OCO-2 and OMI data, "The research demonstrates the possibility of analyzing joint satellite observations of carbon dioxide and other gases related to combustion processes to draw out information about the emissions sources."


OCO-2 Deputy Project Scientist Annmarie Eldering of NASA's Jet Propulsion Laboratory, Pasadena, California, said, "We are very pleased to see this research group make use of the OCO-2 data. Their analysis is a great demonstration of discovery with this new dataset." Eldering was not involved in the study.
NASA uses the vantage point of space to increase our understanding of our home planet, improve lives and safeguard our future. NASA develops new ways to observe and study Earth's interconnected natural systems with long-term data records. The agency freely shares this unique knowledge and works with institutions around the world to gain new insights into how our planet is changing.


For more information about OCO-2:
http://oco.jpl.nasa.gov/
Alan Buis - Jet Propulsion Laboratory, Pasadena, California, 818-354-0474
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SECRETARIA REGIONAL DE PERNAMBUCO

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