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Jornal Eletrônico da SBPC/PE #1

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Notícias:

UM GOLPE NA CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO NORDESTE

SEMANA NACIONAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA E SEMANA MUNICIPAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA

BONITO SEDIOU ENCERRAMENTO DA SEMANA NACIONAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA

MEMORIAL NOTÁVEIS CIENTISTAS PERNAMBUCANOS HOMENAGEIA MAIS TRÊS CIENTISTAS

CIÊNCIA JOVEM ESPERA 10 MIL PESSOAS

FACEPE LANÇA NOVO EDITAL PARA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA E FORMAÇÃO QUALIFICADA

SERGIPE QUER REATIVAR A SECRETARIA REGIONAL DA SBPC

EDUCAÇÃO: FALAR MENOS E FAZER MAIS

COMO É DIFÍCIL ESTUDAR POLÍTICA E DIREITO ESPACIAL NO BRASIL!

MEC DESCARTA RETIRAR MP DO ENSINO MÉDIO

MAIS DE UM ANO APÓS INÍCIO DO SURTO, INCERTEZA PAIRA SOBRE A MICROCEFALIA

O QUE É O MAYARO, VÍRUS QUE PODE ESTAR SE ESPALHANDO PELO CONTINENTE E PREOCUPA CIENTISTAS

HISTÓRIA DA AT&T É A HISTÓRIA DO TELEFONE

SERÁ QUE O SER HUMANO PODERÁ MESMO VIVER NO ESPAÇO?

INSCRIÇÕES PARA O PRÊMIO NACIONAL DA BIODIVERSIDADE SEGUEM ABERTAS ATÉ 22 DE NOVEMBRO

 


 

UM GOLPE NA CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO NORDESTE

José Antônio Aleixo da Silva * e Luciana Santos **, JC Notícias de 01.11.2016 e Jornal do Commercio de 03.11.2016
        
O governo Temer publicou  o decreto n. 8.877 que define uma nova estrutura regimental e um novo quadro de cargos para MCTIC, que na prática extermina a Representação Regional do MCTI no Nordeste (ReNE),  junto com seu Conselho Consultivo
 
Uma das primeiras decisões do atual governo brasileiro foi a mudança nas estruturas de alguns Ministérios, visando reduzir custos e enxugar a máquina administrativa.
 
Inicialmente, fez a junção do Ministério da Cultura com o Ministério da Educação, que não se concretizou porque os artistas se uniram e protestaram mostrando a importância da Cultura para o país e que tal junção era fora de propósito. Como os artistas têm poderes midiáticos, o governo voltou atrás em pouco tempo.
 
A outra medida esdrúxula foi a junção do Ministério das Comunicações com o de Ciência Tecnologia e Inovação, ambos de extrema importância para o país, mas com objetivos diferentes.
 
Como afirmou o físico e ex-ministro de C&T do país Sérgio Machado Rezende, “a economia da fusão é mínima, enquanto que os prejuízos são enormes — tanto do ponto de vista prático quanto simbólico. A ciência e tecnologia perderem importância”.
 
A reação de repúdio da comunidade acadêmica tem sido grande, como o ato ocorrido na reunião anual da a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência em Porto Seguro-Bahia; ou o posicionamento da Academia Brasileira de Ciências; entre outras instituições de pesquisa e renomados cientistas. Apesar dos protestos, o governo tem demonstrado estar com os ouvidos blindados às opiniões do setor.
 
A medida adotada pelo governo Temer põe em risco os avanços obtidos pela Ciência e a Tecnologia do Brasil, desde a criação do MCT em 1985. Entre os anos 2000 e 2014, foram investidos pelo MCTI R$ 5 bilhões, o que representou um crescimento de 427%. Os exemplos dos resultados em inovação e ciência e tecnologia são vistos em setores como a indústria de fármacos, na Agência Espacial Brasileira (AEB), no Programa Nuclear Brasileiro e empresas como a Petrobras, Embraer, Eletrobrás e Embrapa, entre outras.
 
Sem Ciência e Tecnologia ficamos mais dependentes. São os investimentos em C&T que podem criar bases para superarmos nossa condição de dependentes de commodities e nos inserirmos nas cadeias produtivas mais dinâmicas e de maior valor agregado.
 
Nas últimas semanas, um novo golpe foi dado na comunidade científica do Nordeste. Sem diálogo com essa comunidade, e sem debate no Congresso Nacional o governo Temer, publicou o decreto n. 8.877 que define uma nova estrutura regimental e um novo quadro de cargos para MCTIC, que na prática extermina a Representação Regional do MCTI no Nordeste (ReNE), junto com seu Conselho Consultivo.
 
Criada pelo Decreto nº 5.886 de 06 de setembro de 2006, como unidade descentralizada, dotada de flexibilidade e autonomia gerencial, cabia a ReNE/MCT exercer um forte papel de articulação, mobilização, acompanhamento e avaliação das ações do MCT na região, potencializando suas ações de modo a: “participar ativamente do desenvolvimento e modernização do País, atuando como núcleo indutor de novas tecnologias de caráter estratégico que permitam promover o progresso e o avanço tecnológico voltados para o desenvolvimento social/econômico/ambientalmente sustentados e a melhoria de qualidade de vida da região Nordeste.”
 
Em seus 10 anos de funcionamento, a ReNE teve como missão combater as assimetrias características do desenvolvimento brasileiro, atuando como indutora de novas tecnologias de caráter estratégico para o Nordeste.
 
A ReNE contava com duas importantes instituições de pesquisa: o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE) e o Centro Regional de Ciências Nucleares (CRCN). Com investimentos de R$ 37,4 milhões, o CETENE estruturou uma importante rede de pesquisa em nanotecnologia envolvendo 26 laboratórios de 11 instituições de pesquisa e ensino de seis Estados do Nordeste, produzindo potencialidades em áreas como energia, agronegócio, alimentos, meio ambiente, fármacos entre outros.
 
Por meio de uma portaria do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) publicada no Diário Oficial da União em 8 de setembro de 2010, foi criado o Conselho Consultivo da Representação Regional do Ministério no Nordeste, composto por representantes de órgãos, instituições e entidades públicas e privadas que atuam na promoção, gestão e fomento de atividades de pesquisa, de desenvolvimento de novas tecnologias e inovação; de entidades da sociedade civil consideradas relevantes para o progresso científico e tecnológico do Nordeste; bem como de representantes de colegiados do poder legislativo;  da SBPC;  da ABC; do CNA; da ANDIFES; do FOPROP; do CNI e do Ministério da Integração Nacional. Tal Conselho tomou posse no dia 17 de dezembro de 2010, em reunião presidida pelo então Ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende.
O Conselho Consultivo tinha as seguintes atribuições:
– Propor políticas, programas e ações de interesse estratégico, no campo de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), para o desenvolvimento da região Nordeste a serem implementadas por agências de fomento nas esferas federais, estaduais e municipais, associando, no que couber, a atividades de cooperação com as unidades de pesquisa instaladas no Campus MCT Nordeste;
 
– Definir mecanismos de acompanhamento e avaliação de resultados das ações e programas dos diversos agentes de apoio e fomento às atividades de CT&I, em particular das políticas de CT&I dos Estados da região Nordeste, com ênfase aos aspectos socioeconômicos;
 
– Identificar e estimular articulações regionais que visem novas áreas de atuação para o desenvolvimento tecnológico regional, bem como propor programas que visem consolidar os projetos já existentes, potencializando a ação do Ministério na região como um todo e, em particular, maximizando a atuação do Campus MCT Nordeste nos Estados da região;
 
– Sugerir a elaboração e execução de diagnósticos e de estudos prospectivos para subsidiar a formulação de políticas e a definição de estratégias de desenvolvimento regionais;
 
– Subsidiar o Ministério na identificação de instituições atuantes no campo de CT&I, sediadas na região, com reais potencialidades de participação no Programa de Entidades Associadas às Unidades de Pesquisa do MCT.
 
Juntando-se as atribuições da ReNE com as de seu Conselho Consultivo, certamente, todo o desenvolvimento científico, tecnológico e inovador do Nordeste estava amparado por uma unidade diretamente ligada ao governo federal.
 
Não poderia haver notícia pior para o Nordeste. A extinção da ReNE corrobora com a quebra de continuidade na execução da Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. É uma medida que vai no sentido oposto do que se espera, de um momento em crise econômica, onde os países investem em C&T visando produzir conteúdo inovador na produção de bens e serviços.
 
Um país que abre mão da  pesquisa em C&T e se nega a constituir um projeto nacional de desenvolvimento, está fadado a se manter na periferia, consumindo tecnologia produzida por países desenvolvidos.
 
Mas a reação certamente virá, pois no Congresso Nacional a bancada nordestina não vai aceitar essa medida inconsequente e contra uma região tão importante para o país como é o Nordeste. A luta está só começando.
 
*José Antônio Aleixo da Silva
Professor titular da UFRPE e membro da Diretoria da SBPC.
**Luciana Santos
Engenheira eletricista e deputada federal do PCdoB.
 

 

SEMANA NACIONAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA E SEMANA MUNICIPAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Marcos Antonio R. P. de Lucena * e Rejane Mansur C. Nogueira **

 

 

A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) foi criada por meio de Decreto Presidencial em 9 de Junho de 2004, acontecendo oficialmente a cada ano, no mês de outubro através da parceria e execução por meio de centenas de instituições de todo o País, tais como, instituições de ensino e pesquisa, sociedades científicas, centros e museus de C&T, espaços científico-culturais, escolas públicas e privadas, órgãos governamentais, secretarias estaduais e municipais de CT&I e de educação, agências de fomento, empresas de base tecnológica, entidades da sociedade civil, parques ambientais, unidades de conservação, jardins botânicos e zoológicos, meios de comunicação, entre outras, contando nacionalmente com a coordenação do MCTIC, e dos coordenadores estaduais e locais. O principal objetivo da SNCT é o de aproximar a CT&I da sociedade, por meio de atividades acessíveis e inovadoras de divulgação científica, de modo a estimular a sociedade na discussão da Ciência e suas influências no cotidiano. Este ano acontece a 13ª SNCT cujo tema oficial é “Ciência Alimentando o Brasil”, com realização de 17 a 23 de outubro de 2016. O tema abrange contribuições de pesquisa e desenvolvimento tecnológico na cadeia produtiva de alimentos, na promoção da segurança alimentar e no combate à desnutrição. Este tema foi escolhido motivado pela decisão da Assembleia Geral das Nações Unidas, que proclamou 2016 como o Ano Internacional das Leguminosas (AIL).

A SNCT é coordenada no estado de Pernambuco, pelo Prof.  Dr. Antonio Carlos Pavão, Diretor Presidente do Espaço Ciência, e conta com o apoio da Secretaria de CT&I de Pernambuco (Secti), Secretaria de Educação de Pernambuco, Facepe, Alepe, Ufpe, Ufrpe, Fundaj, Fiocruz, e Sbpc/PE, entre tantas outras instituições.

A Abertura estadual da SNCT foi realizada em São Vicente Ferrer, na Quadra Esportiva Fernando Régis de Albuquerque, no dia 17/10. A solenidade de abertura, em São Vicente Férrer, contou com a presença estimada de 2000 pessoas, a maioria estudantes das escolas do município, além da Secretária de CT&I de Pernambuco, Lúcia Melo e de outras autoridades. O encerramento da SNCT aconteceu no domingo, dia 23/10, às 9h, no município de Bonito, no Colégio Municipal Padre Viana de Queiroz, Avenida Dr Joaquim Nabuco, Centro, com um público da mesma proporção da abertura. Em ambos os eventos, além das atividades locais de Oficinas, minicursos e palestras, os municípios receberam o Ciência Móvel, projeto itinerante de divulgação e popularização da ciência do Espaço Ciência, executado a partir das Caravanas da Astronomia, que oferece observações telescópicas guiadas por especialistas da área, e a Caravana dos Notáveis Cientistas Pernambucanos, iniciativa do Espaço Ciência em parceria com a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), que busca tornar conhecida a produção científica local e seus representantes. Com o apoio das secretarias estaduais e municipais, os eventos contaram com a participação de estudantes e professores de cidades de todo o estado.

A SNCT foi articulada por meio de 6 (seis) reuniões preparatórias envolvendo representantes oficiais de 30 municípios e 50 instituições. As três Caravanas citadas acima foram itinerantes tendo sido deslocadas para diferentes cidades ao longo de toda a SNCT. Foram produzidas com os recursos advindos do MCTIC, 40 exposições interativas com o tema: "Ciência Alimenta o Brasil?", abordando diferentes aspectos relacionados, tais como os transgênicos, e mitos e verdades sobre alimentação. As exposições foram disponibilizadas para várias instituições, por exemplo, uma delas está aos cuidados da SBPC/PE e será exposta com mediação durante as atividades do Projeto da SBPC “SBPC VAI À ESCOLA” e na UFPE, Biblioteca Central. Essa atividade é um protagonismo do Espaço Ciência e uma ação inovadora visto que parte dos recursos foram gastos com material que será usado em vários eventos, quais sejam, exposições permanentes.

Pernambuco conta hoje com a participação de 30 municípios, mais de 100 instituições, e praticamente 6000 atividades cadastradas. Em 2016, até o presente momento, estamos em segundo lugar no ranking nacional de número de atividades cadastradas, perdendo apenas para Minas Gerais. Em 2015 Pernambuco ficou em quarto lugar. Vale ressaltar que as atividades da SNCT ainda continuam acontecendo e muitas instituições ainda estão executando e cadastrando atividades.

Ao longo dos anos estados e municípios criaram suas semanas estaduais ou municipais de C&T, articuladas com a SNCT. No caso do Recife, a Semana Municipal de Ciência e Tecnologia (SMCT), foi criada em 2006, e já está na sua 11ª edição, com atividades direcionadas à população em geral e, principalmente, aos estudantes, sendo realizada concomitantemente à SNCT, no período de 17 a 23 de outubro, coordenada por Alexandra Braga, Gerente de Apoio à C&T, da Secretaria de Desenvolvimento e Empreendedorismo, da PCR. A SMCT está contando com uma extensa programação com dez Pólos, incluindo Mostras Audiovisuais e Pedagógicas, Seminários, Oficinas, Exposições de Ciências e de Robótica, Feira de Ciências e Conhecimentos. Alguns dos Pólos são: Museu de Ciências Nucleares, Museu Cais do Sertão, Museu Militar do Forte do Brum, Caixa Cultural, Espaço Ciência (Museu Interativo de Ciências), Jardim Botânico do Curado. Durante a Feira de Conhecimentos da Rede Municipal de Ensino da Cidade do Recife a Sbpc/PE em parceria com a equipe da Secretaria de Educação da Prefeitura do Recife (PCR) fez parte do corpo de avaliadores e premiou os três melhores trabalhos para participação e apresentação na Jornada Nacional de Iniciação Científica, durante a 69ª Reunião Anual da SBPC, que acontecerá de 16 a 22 de julho de 2017, na Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, cujo tema será “Inovação, Diversidade e Transformações”.

Muitas atividades aconteceram e estão acontecendo nos municípios e nas instituições. Destacamos as atividades de várias instituições com atividades bem representativas tais como a Fiocruz, Fundaj, Secti e Facepe, entre tantas outras. Por exemplo, o espaço ciência recebeu cerca de 8000 visitantes durante a SNCT. A Secti e Facepe promoveram no dia 21 de outubro, durante a SNCT,  “Seminário sobre Inovação e Competitividade”. O evento ocorreu no Auditório Pelópidas Silveira do Instituto de Tecnologia de Pernambuco – ITEP. A Sbpc/PE tem atuado com atividades na SNCT, em apoio e parceria com várias instituições, por exemplo, do Projeto “SBPC VAI À ESCOLA”, em Premiações, Palestras, e Oficinas; e em comemoração às SNCT e SMCT, a ALEPE no dia 21/10, promoveu o Grande Expediente Especial para homenagear os pernambucanos que mais contribuíram com o progresso científico, através do “Memorial Notáveis Cientistas Pernambucanos”, criado pela Lei Estadual nº 13.176/2006, no qual a Sbpc/PE tem representação, para distinguir personalidades já falecidas que colaboraram para a expansão do conhecimento no Estado.

Salientamos, em especial, a reativação durante a SNCT do Jornal da SBPC/PE, nesta edição especial, voltada para o evento.

Links úteis:
http://semanact.mcti.gov.br/
http://semanact.mcti.gov.br/a-semana
http://www.secti.pe.gov.br/abertura-da-semana-nacional-de-ciencia-e-tecnologia/
http://www.espacociencia.pe.gov.br/noticias/galeria-de-fotos-abertura-da-semana-nacional/http://cienciaetecnologiarecife.com/

*Marcos Lucena,
Secretário Regional da SBPC/PE e Pesquisador titular em CT&I da Fundaj*

**Rejane Mansur C. Nogueira,
Secretária Adjunta da SBPC/PE e Professora titular da UFRPE

 



BONITO SEDIOU ENCERRAMENTO DA SEMANA NACIONAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA

 

 

A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), coordenada em Pernambuco pelo Espaço Ciência, chegou ao fim com 5.346 atividades no estado, líder nacional em cadastramentos. A solenidade estadual de encerramento do evento foi realizada no domingo(23), no Colégio Municipal Padre Viana de Queiroz, em Bonito, e contou com a presença de estudantes de diversos municípios de Pernambuco.

O evento contou com palestra do professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e diretor do Espaço Ciência, Antonio Carlos Pavão, apresentações culturais e com a exposição de uma das quarenta unidades da exposição interativa “A Ciência Alimenta o Brasil?”, elaborada e distribuída pelo museu.

Além disso, Bonito recebeu o Ciência Móvel, projeto itinerante de divulgação e popularização da ciência do Espaço Ciência, executado a partir das Caravanas da Astronomia e dos Notáveis Cientistas Pernambucanos. “A primeira oferece observações telescópicas guiadas por especialistas da área. A outra é uma iniciativa do Espaço Ciência em parceria com a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), que busca tornar conhecida a produção científica local e seus representantes”, explica Pavão.

A secretária de Educação, Juventude, Esportes e Lazer da cidade de Bonito, Maria Elza Silva, destaca que o município convidou estudantes e professores de cidades de todo o estado para a cerimônia de encerramento. “Por aqui, oferecemos minicursos e palestras específicas para alunos, professores e merendeiros. A Semana Nacional foi além dos muros de nossas escolas”, comenta a secretária.

 


 

MEMORIAL NOTÁVEIS CIENTISTAS PERNAMBUCANOS HOMENAGEIA MAIS TRÊS CIENTISTAS

José Antônio Aleixo da Silva *

Ao completar 10 anos da aprovação da lei Estadual n. 13176 de 28 de dezembro de 2006, que atendeu à solicitação de um grupo de pesquisadores pernambucanos, a Assembléia Legislativa de Pernambuco, no dia 20 de outubro do corrente ano, promoveu um grande expediente especial para homenagear mais três notáveis cientistas pernambucanos.

Entre as autoridades presentes estavam o deputado federal João Fernando Coutinho, autor da proposta da lei supracitada, Ivon Palmeira Fittipaldi atual presidente da Comissão de Mérito do Memorial, Rejane Jurema Mansur, secretária adjunta da SBPC/PE, deputado estadual Lula Cabral autor do requerimento para o grande expediente, parentes dos homenageados e outras autoridades.

Inicialmente, o Professor Romulo Simões Cezar Menezes da UFPE proferiu a palestra “Ciência alimentando o Brasil: uso de técnicas nucleares na agricultura”.

Após, foram anunciados os homenageados de 2016, que foram os seguintes cientistas:

Área I – Ciências Exatas, da Terra e Engenharias  
SEBASTIÃO SIMÕES FILHO (1927-1991)
Engenheiro químico industrial que com seu exemplo de vida contribuiu de forma marcante exercendo papel de pioneiro no empreendedorismo tecnológico no Estado, legado deixado pela idealização, construção e gestão da Companhia Pernambucana de Borracha Sintética (COPERBO), tendo sido também fundador e o primeiro Diretor Presidente da Fundação de Amparo à Ciência do Estado de Pernambuco (FACEPE)

PAULO JOSÉ DUARTE (1914-1995)
Químico industrial, dedicou-se intensamente e durante toda sua vida à educação, pesquisa e trabalhos nas áreas de Química e Geologia na Universidade de Pernambuco, indústrias, inúmeras sociedades e associações de uma forma memorável e deixando um extenso legado para nossa história, no desenvolvimento da Ciência e Tecnologia no estado de Pernambuco.

Área II –  Ciências Humanas, Letras e Sociais
ARIANO SUASSUNA (1927-2014)
Cientista Social, dedicou sua vida à pesquisa ligada ao campo das ciências sociais no desenvolvimento e busca de uma nova linguagem estética de interpretação da cultura popular de seu povo, resultando em notável carreira de escritor, ensaísta, dramaturgo, romancista e poeta, culminando no legado deixado por suas obras primas: “O auto da Compadecida” e o genuíno “Movimento Armorial do Recife”

Anteriormente, os seguintes cientista foram homenageados:

Ano 2007:
GILBERTO DE MELLO FREIRE (1900-1987) Sociólogo
PAULO REGLUS NEVES FREIRE (1921-1997) Pedagogo
JOSÉ LEITE LOPES (1918-2006) Físico teórico
GILBERTO OSÓRIO DE ANDRADE (1912-1986) Geomorfologista
ALUÍZIO BEZERRA COUTINHO (1909-1997) Biólogo
NELSON FERREIRA DE CASTRO CHAVES (1906-1982) Nutricionista

Ano 2008:
MÁRIO SCHENBERG (1914-1990) Físico teórico
FERNANDO JORGE S. DOS SANTOS FIGUEIRA (1919-2003) Médico
MANOEL CORREIA DE ANDRADE (1922-2007) Geógrafo

Ano 2009:
AUGUSTO CHAVES BATISTA (1916-1967) Micologista
JOSUÉ APOLÔNIO DE CASTRO (1908-1973) Geógrafo
LUIZ DE BARROS FREIRE (1896-1963) Engenheiro Civil

Ano 2010:
EVALDO BEZERRA COUTINHO (1911-2007) Filósofo
JOÃO VASCONCELOS SOBRINHO 91908-1989) Agrônomo
ULYSSES PERNAMBUCANO DE MELLO SOBRINHO (1892-1943)

Ano 2011:
AGGEU DE GODOY MAGALHÃES (1898-1949) Médico
LEOPOLDO NACHBIN (1922-1993) Matemático
CELSO MONTEIRO FURTADO (1920-2004) Economista

Ano 2012:
NAÍDE REGUEIRA TEODÓSIO (1915-2005) Médica
LUIZ PINTO FERREIRA (1918-2009) Advogado
JOAQUIM MARIA MOREIRA CARDOSO (1897-1978) Engenheiro Civil

Ano 2013:
Pe. JOSÉ NOGUEIRA MACHADO (1914-1996) Filósofo
JAIME DE AZEVEDO GUSMÃO FILHO (1932-2013) Engenheiro Civil
OSWALDO GONÇALVES DE LIMA (1908-1989) Químico

Ano 2014:
DÁRDANO DE ANDRADE LIMA (1919-1981) – Botânico
Pe. PAULO GASPAR DE MENESES (1924-2012) Filósofo
RICARDO DE CARVALHO FERREIRA (1928-2013) Químico teórico

Ano 2015:
RUY LUÍS GOMES (1905-1984) Físico Matemático
FREDERICO SIMÕES BARBOSA (1916-2004) Médico
ADONIS REIS LIRA DE CARVALHO (1928-2014) Médico

*José Antônio Aleixo da Silva
Professor titular da UFRPE e membro da Diretoria da SBPC.

 


 

 Ciência Jovem espera 10 mil pessoas

 

A Ciência Jovem chega a sua 22ª edição com a expectativa de atrair cerca de 10 mil pessoas ao Shopping Paço Alfândega, onde será promovida entre os dias 9 e 11 de novembro. Uma das três maiores feiras de ciências do país, o evento apresentará 270 trabalhos de cinco países e é a única mostra a garantir a presença de trabalhos de todos os estados do Brasil.

A participação da rede estadual de ensino é destaque na feira. No ano passado, 2/3 das escolas participantes da Ciência Jovem eram públicas. Em 2016, o evento contará com a participação de 100 escolas estaduais de Pernambuco. “Nenhuma outra feira tem uma adesão tão grande do ensino público. Valorizamos os projetos desenvolvidos de forma integrada ao currículo da escola e trabalhados durante todo o período letivo”, destaca o diretor executivo do Espaço Ciência, Antonio Pavão.

Para Pavão, a feira de ciências deve ser vista como uma revolução pedagógica.  “Através dela, incentivamos um ensino investigativo e experimental nas escolas. Queremos que os estudantes desenvolvam trabalhos durante todo o ano letivo e que a Ciência Jovem seja um grande espaço de exposição. A participação no evento já uma vitória”, comenta.

Dividida em cinco categorias, a feira premiará alunos da Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação especial, além de estudantes de escolas estrangeiras. O Espaço Ciência financiará a vinda de uma equipe de alunos de escolas públicas de cada estado do Brasil.

Transporte
O Espaço Ciência oferecerá transporte gratuito para a feira, durante seus três dias de duração. A partir das 10 horas da manhã, de uma em uma hora, os ônibus partirão do museu com destino ao Paço Alfândega. Também será possível fazer o caminho inverso. As viagens serão organizadas através da distribuição de fichas, que poderão ser adquiridas na recepção do Espaço Ciência ou no balcão de recepção do shopping.

Serviço// 22ª Ciência Jovem
Local: Shopping Paço Alfândega, Bairro do Recife, Recife-PE
Datas: 9 a 11 de novembro
Horário: das 10 às 13 horas; das 14 às 18 horas
Entrada: Gratuita

 


 

FACEPE lança novo edital de parcerias para Inovação Tecnológica e Formação Qualificada

28 de outubro de 2016

A Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (FACEPE) lança novo edital que integra o Programa de Apoio a Parcerias para a Inovação Tecnológica e a Formação Qualificada (PITEC) e convida empresas interessadas a apresentarem propostas para obtenção de apoio financeiro complementar para atividades de pesquisa ou de formação de recursos humanos. O limite para submissão será até 30 de maio de 2017 e possui um investimento estimado de R$ 2 milhões.

As propostas devem ser encaminhadas à FACEPE pelo Coordenador Geral da Proposta, via Internet, por intermédio do Formulário de Solicitação para Inovação – SIN (modalidade PITEC), disponível no Sistema AgilFAP na página eletrônica da FACEPE (http://agil.facepe.br), a partir da data indicada. O solicitante deverá selecionar como “natureza da solicitação”, a opção “Edital 15- 2016 - PITEC - FACEPE”. Além do envio do formulário eletrônico, a submissão da proposta requer também a entrega de documentação complementar (impressa) até o dia 31 de maio, na sede da FACEPE, situada à Rua Benfica, 150, Bairro da Madalena, Recife – PE.

O PITEC estimula empresas que tenham interesse e visão inovadora para fomentar a realização – nas universidades e institutos de pesquisa sediados em Pernambuco – de projetos de pesquisas científicas e tecnológicas, de desenvolvimento e inovação, em temáticas de seu interesse. Ao mesmo tempo incrementa a cooperação entre pesquisadores das instituições e aqueles de empresas inovadoras, situadas ou não no Estado.

Clique aqui e confira o edital

 


 

 SERGIPE QUER REATIVAR A SECRETARIA REGIONAL DA SBPC

Jose Fernandes de Lima *

Os professores, estudantes e pesquisadores de Sergipe estão se movimentando no sentido de reativar a Secretaria Regional da SBPC no Estado.

A Professora Lígia Pavan, secretária regional do Distrito Federal, que se encontrava em Sergipe para um congresso em sua área, participou de duas reuniões com pesquisadores sergipanos para divulgação das atividades da SBPC. A primeira teve lugar no Auditório do CCSA da Universidade Federal de Sergipe, no dia 21 de outubro e contou com a participação de vários membros da Associação Sergipana de Ciências.

A segunda reunião ocorreu na Universidade Tiradentes por ocasião da Semana de Pesquisa daquela universidade e contou com a participação de vários professores e estudantes. Em ambas reuniões a Professora falou sobre a estrutura da SBPC e sobre sua importância para o desenvolvimento da ciência brasileira.

Estando presente em ambas reuniões, na qualidade de sócio domiciliado em Sergipe, procurei estimular novas filiações e informei ser o número mínimo de 50 sócios uma condição necessária para pleitearmos uma secretaria regional.

A recepção foi boa e os presentes demonstraram interesse em desenvolver esforços para que ampliemos o número de sócios o mais rapidamente possível.

A aproximação dos pesquisadores sergipanos com a SBPC terá continuidade e já está combinada uma visita do Professor Aleixo da Universidade Federal Rural de Pernambuco e membro da Diretoria da SBPC para conversar com os professores e pesquisadores sergipanos sobre a importância de uma Secretaria Regional da SBPC em Sergipe.

* José Fernandes Lima , Ex-reitor e Professor da UFSE


 

EDUCAÇÃO: FALAR MENOS E FAZER MAIS

Isaac Roitman*, Correio Braziliense –DF de 04.11.2016

Em 1932, um grupo de 26 intelectuais, entre eles Anísio Teixeira, Cecília Meireles, Fernando de Azevedo e Roquete Pinto, lançou o Manifesto dos pioneiros da educação, no qual consta: "Na hierarquia dos problemas nacionais, nenhum sobreleva em importância e gravidade ao da educação (...) Todos os nossos esforços, sem unidade de plano e sem espírito de continuidade, não lograram ainda criar um sistema de organização escolar à altura das necessidades modernas e das necessidades do país. Tudo fragmentado e desarticulado". Passaram-se 84 anos e o documento é contemporâneo. Se naquela época as recomendações dos nossos pioneiros tivessem sido seguidas, certamente estaríamos hoje mais bem preparados para atender à demanda crescente por novas capacitações e atitudes.

A medida provisória que propõe alterações no ensino médio colocou a educação na pauta da sociedade. No Brasil, o sistema de pós-graduação está em um patamar de qualidade aceitável. No entanto, esse não é o caso dos demais níveis de ensino. Avaliações periódicas conduzidas nos últimos anos vêm constatando uma queda na qualidade de educação do ensino fundamental e médio. De modo geral, os egressos do ensino médio entram nos cursos universitários despreparados, pois foram submetidos a um processo educacional ultrapassado, focado no treinamento do aluno para passar nas provas, sem valorizar o desenvolvimento de sua capacidade crítica e criativa.

O reconhecimento da importância do papel da educação na sociedade tem mobilizado os governos de quase todos os países do mundo no sentido de implementar políticas para o seu desenvolvimento. No Brasil, infelizmente, não avançamos na conquista de uma educação de boa qualidade para todos. O primeiro Plano Nacional de Educação foi um fracasso. O segundo plano parece seguir na mesma trilha devido à escassez de recursos para sua implementação. Essa falta de visibilidade de resultados é desalentadora para os muitos que labutam na área de educação.

Encontramo-nos em quadro de imensa desigualdade social, com uma parcela considerável da população marginalizada, sem condições dignas de moradia, sem acesso a serviços de educação e saúde de boa qualidade, sendo muitas vezes exposta aos riscos de ambientes marcados pela falta de ética e violência. Nesse contexto, a educação de boa qualidade surge como a única saída para livrar o indivíduo do círculo vicioso em que se encontra, na medida em que promove a conscientização dos seus direitos e atitudes, além, evidentemente, de desenvolver competências e habilidades  que lhe possam ser úteis no campo profissional.

O tema educação não pode ser colocado somente, como ocorre, no cardápio das promessas dos candidatos a cargos no governo. A estagnação ou retrocessos no nosso sistema educacional comprometerá o futuro das próximas gerações e do país. As soluções estão à disposição para o estabelecimento de uma política de estado de longo prazo que poderá redundar em uma verdadeira transformação social.

O primeiro passo será formar e valorizar o que chamo de novo professor. Um estimulador de crianças e jovens com capacidade de avaliar cada estudante para estimular as potencialidades individuais. Ele será, como um gênio da lâmpada, quem permitirá a concretização dos sonhos de cada estudante. Ele será o arquiteto de uma sociedade civilizada, com comportamento solidário e ético e que respeite o planeta. Esse novo professor deve dominar as ferramentas tecnológicas. O seu trabalho deve ser valorizado, e aos poucos, o seu salário deverá estar no topo da tabela salarial do servidor público.

Os clássicos métodos da aprendizagem devem ser substituídos por atividades em que haja o protagonismo do educando. A aula expositiva deve ser gradativamente substituída por trabalhos em grupo que envolvam temas, desafios e resolução de problemas. O ambiente escolar deve ser confortável e lúdico e as avaliações devem ser feitas não para classificar os alunos, mas para indicar a melhoria da aprendizagem. A família deverá ser um parceiro fundamental da escola. Estão à nossa disposição experiências educacionais de sucesso no Brasil e no exterior. Vamos fazer uma boa escolha e fazer um planejamento de escala para que possamos proporcionar uma educação de boa qualidade para todas as nossas crianças e jovens. Essa é a grande prioridade para o Brasil. É preciso fazer, para acontecer.

*ISAAC ROITMAN é Professor emérito e coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro da Universidade de Brasília e membro do Movimento 2022 O Brasil que queremos

 


 

COMO É DIFÍCIL ESTUDAR POLÍTICA E DIREITO ESPACIAL NO BRASIL!

José Monserrat Filho *

    “Enxergar o que está diante do nosso nariz exige um esforço constante.”
    George Orwell (1903-1950), escritor, jornalista e ensaísta político inglês. (1)

    
Dois eventos acadêmicos recentes mostraram claramente o quanto é crucial para o Brasil desenvolver o estudo aprofundado de Política e Direito Espacial, cujos problemas tanto afetam o mundo de hoje. São eles o 7º Simpósio de Sensoriamento Remoto de Aplicações em Defesa – SERFA 2016 (2), promovido em São José dos Campos, SP, no Instituto de Estudos Avançados (IEAv), do Depto. de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) do Comando da Aeronáutico, de 24 a 27 de outubro passado, sob o tema central intitulado “Integrando Novas Tecnologias Espaciais para o Desenvolvimento Nacional”; e o IV Congresso Internacional de Direito Ambiental Internacional (3), sob o tema geral “Governança Ambiental global”, realizado na Universidade Católica de Santos, SP, de 26 a 28 de outubro, que, em boa hora, incluiu questões de Política e Direito Espacial.
    
O Simpósio SERFA abordou aspectos do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), novas tecnologias espaciais, como aplicações de pequenos satélites, e seu aporte ao desenvolvimento da nossa indústria espacial. O evento aproximou pesquisadores, órgãos de governo e empresas da área de defesa. Suas apresentações alinharam a Estratégia Nacional de Defesa (END) e as diretrizes do Comando da Aeronáutica (COMAer).
    
Eis alguns dos principais trabalhos apresentados: Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), do Cel. José Augusto Peçanha Camilo, da Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE); New Space: Uso de pequenos satélites no sensoriamento remoto, de Carlos Gurgel, Diretor da AEB; O COMDABRA (Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro) como comando de emprego do Poder Aeroespacial, do Cel. Élison Montagner; Cubesats e oportunidades para o setor espacial brasileiro, de Rodrigo Leonardi, pesquisador do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE); Experiências adquiridas na operação de sistemas espaciais de sensoriamento remoto, do Capitão-Tenente Cledson Augusto Soares, Núcleo do Centro de Operações Espaciais Principal (nuCOPE-P) da Aeronáutica; NewSpace e o futuro das atividades espaciais, de José Bezerra Pessoa Filho, professor do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) do DCTA; Os grandes desafios do Direito Espacial Internacional hoje, do autor do presente artigo; A militarização do espaço exterior como fator de inovação do Direito Internacional Humanitário: uma investigação comparativa, do Cel. Alexsandro Souza de Lima, do Estado Maior da Aeronáutica (EMAER); Atividades de Intelligence, Surveillance, Reconnaissance (ISR) na FAB (Força Aérea Brasileira), do Brigadeiro Paulo Eduardo Vasconcellos, do EMAER; Projeto Amazônia SAR e Atividades de Sensoriamento Remoto SAR no Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia), de Edileuza de Melo Nogueira e Cristina Beneditti, do Censipam; SISFRONT (Sistema Integrado de Saúde das Fronteiras) e Atividades de Sensoriamento Remoto SAR no Exército Brasileiro, do Major Engenheiro Cartógrafo Carlos Alberto Pires de Castro Filho; e Vulnerabilidades do GPS em aplicações de Defesa, do Cel. Lester Abreu de Faria, da Universidade da Força Aérea (UNIFA).
    
O Congresso de Direito Ambiental Internacional examimou – além de importantes temas específicos desse ramo do direito – as contribuições do Direito do Mar ao Direito Espacial, assunto exposto por Maria Helena Rolim, professora visitante do UN/IMO International Maritime Law Institute, Malta; a exploração industrial e comercial de recursos naturais de corpos celestes, como a Lua e asteroides – questão apresentada por Olavo Bittencourt Neto, professor da Universidade Católica de Santos; os grandes desafios do Direito Espacial hoje, tema discutido pelo autor do presente artigo; a política espacial brasileira como ensaio para a governança, ensaio da doutoranda Márcia Alvarenga dos Santos e do Prof. Olavo Bittencourt Neto; e a ajuda que vem do céu: o uso da tecnologia espacial para o atingimento de objetivos do desenvolvimento sustentável, trabalho dos estudantes Camila Marques Gilberto, Josiene Pereira de Barros, Lilian Muniz Bakhos e Patrícia Cristina Vasques de Souza Gorisch, todos da Universidade Católica de Santos.
    
E no entanto, Política e Direito Espacial não constam dos currículos das escolas e universidades, nos cursos de Direito, Relações Internacionais e Ciências Sociais e Humanas. E olhe que vivemos num tempo em que as atividades espaciais são indispensáveis à vida cotidiana de todos os países e povos, nas áreas de telecomunicações, inclusive a Internet, observação da Terra, monitoramento e proteção dos recursos naturais, no cuidado permanente com as cidades, o meio ambiente, a agricultura, a pecuária, as florestas, a água, os rios, os mares e oceanos, as mudanças climáticas e a previsão do tempo, a teleducação e a tele-saúde, as epidemias, a luta contra os desastres naturais e provocados, a defesa do planeta contra raios e objetos naturais e artificiais que caiam do céu, o conhecimento e o estudo da Terra e dos corpos celestes em todos os seus aspectos. O céu não é o limite das atividades espaciais, que nos colocam frente a frente com o que nos é mais próximo e mais distante, mais simples e mais complexo, mais fácil e mais difícil.
    
Cabe, ao mesmo tempo, salientar o papel especial do Direito no mundo contemporânio, que engloba, também e em particular, o Direito Espacial. O mestre Manfred Lachs (1914-1993), jurista polonês de renome mundial, um dos maiores internacionalistas do século XX, ex-Presidente da Corte Interncional de Justiça, de Haya, e ex-Presidente do Instituto Internacional de Direito Espacial, soube como poucos frisar esse papel. Ele escreveu: “No mundo atual, (…) a função preventiva do Direito tem uma imporância mais vital do que nunca antes. É preciso fazer os homens do mundo inteiro sentirem isso, a fim de incitá-los a abandonar um pouco o espírito paroquiano, passar-lhes o sentimento da existência de um interesse comum e de responsabilidade na aplicação do Direito na vida cotidiana das nações, fazê-los compreeder (…) que é melhor agir juntos, com sabedoria, do que cometer loucuras, em separado.” (4) Hoje isso tem alvo certo: o Direito Espacial.
    
O Brasil é país continental. Temos de zelar por uma área com mais de 12 milhões de km², que inclui o território nacional, suas águas territoriais e sua zona econômica exclusiva. Somos extremamente ricos em recursos naturais da mais alta relevância. Nossas florestas, a começar pela Amazônia, são fonte inesgotável de riquezas. A Floresta Amazônica cobre a maior parte da Bacia Amazônica da América do Sul. Abrange 7 milhões de km², dos quais 5,5 milhões são cobertos pela maior floresta tropical remanescente do mundo, e dispõe da maior biodiversidade do planeta. É um dos seis grandes biomas brasileiros. A região pertence a nove países. A maior parte dela, 60%, é do Brasil, 13% é do Peru e partes menores são da Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e França (Guiana Francesa). Agricultura e pecuária, juntas, são peças importantíssimas da nossa economia. Respondem por cerca de R$100 bilhões em exportações. Contudo, não preparamos devidamente a base humana necessária para aproveitar tamanhas vantagens. Nossa população, de mais de 200 milhões de almas, carece, nas cidades e mais ainda no campo, de assistência médica e de escolas de qualidade, sobretudo nos níveis fundamental e médio.
    
Todo esse quadro configura uma nação injusta e alheia a seu tempo, com um punhado de ricos, milionários e bilionários, ao lado de milhões de miseráveis, pobres, sacrificados e sofredores, com escasso acesso à saúde, à educação e à cultura, que levam uma vida difícil, quase sem perspectivas e esperanças. Uma nação que não aproveita racional e equitativamente suas riquezas e suas capacidades criativas. Que não ataca com determinação suas gritantes carências e insuficiências, e a necessidade intransferível de desenvolver em grande escala as áreas de educação, cultura, ciência, tecnologia, inovação e todos os avanços nestas áreas capazes de trazer mais bem-estar e felicidade para a população brasileira.
    
O espaço é uma dessas áreas essenciais. O mundo evidencia isso a cada momento. Não podemos continuar com programas espaciais civil e de defesa que não são prioritários, nem têm condições de atender às nossas demandas, algumas delas, aliás, absolutamente elementares.

Seguir ignorando, no governo, nas escolas, universidades e centros de pesquisa, e na mídia em geral, o debate estratégico sobre Política e Direito Espacial no século XXI é um atentado contra o futuro do país, de seu povo e, especialmente, das novas gerações – que hoje já sofrem com a falta de visão das lideranças políticas nacionais.

Estamos em pleno Século do Espaço. Contudo, ainda vivemos no século passado.

* José Monserrat Filho - Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e ex-Chefe da Assessoria Internacional do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Agência Espacial Brasileira (AEB). E-mail: <Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.>.

    Referências

    1) Esta famosa frase de George Orwell (pesudônimo de Eric Arthur Blair, nascido na India Britânica, hoje República da Índia, independente desde 1947, aparece no livro de Tony Judt, O mal ronda a Terra – Um tratado sobre as insatisfações do presente, como epígrafe do primeiro capítulo intitulado O modo como vivemos hoje. Os romances mais conhecidos de George Orwell são A revolução dos bichos (1945) e 1984 (1949).
    2) Ver <http://www.ieav.cta.br/eventos/serfa/serfa2016/>.
    3) Ver <http://www.unisantos.br/direitoambientalinternacional/html/programacao.html>.
    4) Lachs, Manfred, Le Monde de la Pensée en Droit International – Theories et Pratique, France, Paris: Ed. Économica, 1989, p. 230.


 

MEC DESCARTA RETIRAR MP DO ENSINO MÉDIO

Estadão de 03.11.2016

Diante da polêmica da ocupação de escolas pelo País, a oposição ao governo do presidente Michel Temer pediu ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que substitua a Medida Provisória (MP) que reformula o ensino médio por um projeto de lei que está em tramitação na Casa há quatro anos.

O pedido foi feito pelo deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), que conseguiu o apoio de colegas do PT. Segundo o deputado, a ideia é aproveitar as discussões que já foram feitas na Casa sobre o tema e diminuir as críticas à maneira como o governo escolheu reformular o ensino médio, por meio de uma Medida Provisória. “O viés autoritário de uma MP não combina com a educação e causou um clima de indignação na comunidade escolar”, disse Silva. “Não existe reforma na educação com canetada”, completou o deputado, que ficaria responsável pelo diálogo com o governo.

Procurado. Maia confirma que foi procurado pelo deputado e por integrantes do PT com o pedido e se disse disposto a assumir o papel de interlocutor com membros do governo. “A questão da MP ou PL (projeto de lei) não está sendo tratada. O que queremos é garantir o debate na Câmara. Isso sim é o mais importante”, afirmou.

Silva diz que o fato de o relator do projeto de lei na Comissão Especial – deputado Wilson Filho (PTB-PB) – ser da base do governo facilitaria o acordo, mas a ideia enfrenta resistência no governo.

“Não há hipótese de trocarmos a MP até porque ela é democrática, constitucional. No popular, isso é conversa para boi dormir”, afirmou o ministro da Educação, Mendonça Filho.

Segundo ele, há mais de 50 convidados para discutir o texto na Comissão Geral e se dispôs a ir ao Congresso quantas vezes forem necessárias para explicar a MP. A expectativa é votar a proposta até dezembro, segundo o ministro.

Rodrigo Maia já avisou que não entrará em confronto com o governo. “Se Mendonça não quer, vamos deixar como está. Assunto resolvido”, disse o presidente da Câmara.
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Mais de um ano após início do surto, incerteza paira sobre a microcefalia

Efeitos do Zika no desenvolvimento das crianças seguem em investigação. Para infectologista, desdobramentos da infecção ainda estão no início.

 A epidemia de microcefalia em Pernambuco ainda reserva muitos desafios a todos os envolvidos: famílias, poder público e classe médica. Dezenas de médicas e médicos mergulharam de cabeça em pesquisas sobre o que hoje se chama Síndrome Congênita do Zika vírus. Desde os primeiros casos, em outubro de 2015, quando se constatou uma evolução do padrão de microcefalia no estado, cada notificação gerou mais perguntas sobre como a infecção pelo vírus interfere na formação do cérebro dos bebês. Um ano depois, os estudos ainda carecem de certezas.

“É tudo muito novo sobre o Zika, em comparação com outras causas de doenças congênitas. É um fenômeno que não aparece escrito em nenhum momento na literatura científica nacional e internacional”, destaca a médica infectologista Regina Coeli, do ambulatório de Doenças Infectocontagiosas e Parasitárias (DIP) Infantil do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), localizado no bairro de Santo Amaro, área central do Recife.

Coeli é uma das médicas que está escrevendo este novo capítulo da história da epidemiologia no Brasil e no mundo. No ambulatório onde atua, coordenado por Ângela Rocha, também infectologista pediátrica, cerca de cem crianças com microcefalia são atendidas e acompanhadas regularmente, além de outras tantas que são casos suspeitos. O fato é que todas elas estão em investigação constante, incluindo as que têm diagnóstico de microcefalia tanto confirmado quanto descartado.

 “A criança que nasceu com outras alterações pode vir a apresentar alguma alteração no cérebro no decorrer da evolução. Não tem como dizer que não vai aparecer mais nada”, reflete Regina Coeli. Apesar de tantas questões a serem respondidas, a colega Ângela Rocha percebe que os caminhos para a compreender o fenômeno e seus desdobramentos estão se abrindo.

"A gente entende hoje que a microcefalia é o ponto mais grave da infecção por Zika intraútero. Por isso, a gente chama de síndrome congênita do Zika. O bebê pode ter apenas alterações visuais, auditivas. Às vezes, o tamanho da cabeça é até normal, mas quando vamos ver o exame de imagem, tem uma alteração, um comprometimento no cérebro", complementa Rocha.

Força-tarefa
Enquanto as dúvidas vão se esclarecendo e outras vão surgindo, o Ministério da Saúde disponibilizou, em janeiro deste ano, para médicos e gestores públicos de todo o país, as Diretrizes de Estimulação Precoce para crianças de até três anos com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor decorrente de microcefalia.

A iniciativa é uma tentativa de resposta ao cenário de urgência que decorre do aumento dos casos de microcefalia em todo o país: de acordo com a Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES-PE), entre outubro do ano passado e 8 de outubro deste ano, 2.149 casos suspeitos de microcefalia foram notificados, tendo 389 sido confirmados. Em 2014, o estado registrou apenas 12.

Com isso, 26 unidades estaduais de saúde passaram a tratar crianças com microcefalia e oferecer atendimento psicossocial a elas e suas famílias, quando antes apenas duas tinham o serviço, o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP) e a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD).

Os quadros também foram reforçados com a contratação, via concurso, de 2.891 profissionais, entre médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, fonoaudiólogos e técnicos de enfermagem, o que acarretou num aumento de R$ 6 milhões por mês na folha de pagamentos do Estado.

 A estimulação precoce visa maximizar o potencial de cada bebê inserido no programa estabelecendo o tipo, o ritmo e a velocidade dos estímulos e designando, na medida do possível, um perfil de reação, desde o período neonatal. Tudo num ambiente favorável para o desempenho de atividades que são necessárias para o desenvolvimento da criança.

No Hospital Oswaldo Cruz (HUOC), hoje uma das unidades de saúde que mais recebe crianças com a síndrome, teve início um atendimento multiprofissional, com a inserção de fisioterapia e fonoaudiologia. O hospital também trabalha de forma integrada com outras unidades, como a Fundação Altino Ventura, centro de referência em oftalmologia, para onde são encaminhadas as crianças que apresentam comprometimento na visão em decorrência da síndrome.

De acordo com a coordenadora do DIP Infantil/HUOC, Ângela Rocha, a estimulação precoce tem tido boa resposta. "Não há como padronizar [o resultado]. De uma criança que teve uma lesão importante, não se vai esperar que fique como uma criança completamente formada. No entanto, com a estimulação, há correção de algumas coisas. Dentro da lesão que ela sofreu, a gente tentar fazer com que ela consiga o melhor ganho, o melhor rendimento. As mães mesmo relatam como elas [as crianças] estão melhores", esclarece.

 Devido à grande demanda, há crianças em lista de espera para a estimulação. E não se sabe se essa lista pode crescer ainda mais. O verão está voltando e, com ele, o mosquito transmissor do Zika vírus, o Aedes aegypti, que se reproduz em épocas quentes e chuvosas. Ângela Rocha complementa que o enfrentamento ao mosquito transmissor não é apenas responsabilidade da população.

"No combate ao vetor, a gente sempre teve muita dificuldade. Há quanto tempo vemos campanha contra o mosquito da dengue, não é? Mas é complicado se falar em conscientização da população, principalmente se não tem saneamento básico. É uma população que tem a dificuldade de coleta de lixo e de água encanada", conclui a infectologista.

Balanço financeiro
O surto de arbovirores (dengue, zika e chyncungunya) e microcefalia gerou no estado a necessidade de promover uma movimentação milionária de recursos para a saúde pública. O governo alega ter investido, com a reestruturação da rede de saúde estadual e os investimentos em pesquisas sobre a doença, mais de R$ 65 milhões, tudo do orçamento do próprio estado.

Segundo dados da Secretaria de Saúde, o único repasse da União enviado para Pernambuco foi de R$ 3,2 milhões, referente à portaria interministerial nº 405, que definiu os valores para os estados da Federação levando em conta o número de casos confirmados e em investigação contidos no informe epidemiológico nº 16, de 5 março de 2016. À época, Pernambuco tinha um total de 1.455 casos confirmados e em investigação.

O valor foi recebido em duas parcelas, liberadas em março e maio deste ano, e foi voltado, exclusivamente, para o fechamento dos diagnósticos dos bebês e não para acompanhamento e tratamento desses pacientes. Esse repasse ainda foi dividido com os municípios, tendo R$ 1 milhão sido destinado para as prefeituras.

 


 

O QUE É O MAYARO, VÍRUS QUE PODE ESTAR SE ESPALHANDO PELO CONTINENTE E PREOCUPA CIENTISTAS

Maria Esperanza Sánchez, BBC Brasil de 01.11.2016

O mosquito Aedes aegypti, que transmite a zika, a febre amarela e a chikungunya, também pode ser um vetor da febre mayaro.

Primeiro foi o chikunguya e, depois, a zika. Agora, cientistas e epidemiologistas começam a se preocupar com outro vírus: o mayaro.

Pesquisadores da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, anunciaram ter encontrado no Haiti um caso inédito de mayaro, doença caracterizada por uma febre hemorrágica similar à da chikungunya.

Ainda que o vírus não seja totalmente desconhecido - foi detectado nos anos 1950 -, até agora só haviam sido registrados pequenos surtos esporádicos na região amazônica e seus arredores.

Especialistas alertam que este caso pode ser um indício de que o vírus está se espalhando e já começa a circular pela região do Caribe.

"Os sintomas são muito similares aos da chikungunya. Por isso, quando o paciente vai ao médico, pensam se tratar dessa doença e não sabem que é mayaro", disse John Lednicky, que liderou a equipe da universidade americana responsável pelo estudo.

Lednicky explicou não haver nenhum sintoma que distingue a chikungunya da febre mayaro. Ambas provocam febre, erupções na pele e dores nas articulações.
Em ambos os casos, os efeitos são mais prolongados do que em paciente com dengue e zika, chegando a durar de seis meses a um ano.

"O que está acontecendo é que estamos nos deparando com pacientes que se queixam de erupções na pele e dores musculares prolongadas, mas os exames dão negativo para Zika e Chikungunya. Então, o que afinal eles têm?", disse Lednicky.

O preocupante é que o vírus detectado no Haiti é geneticamente diferente dos que haviam sido descritos previamente, esclareceu o especialista.

"Não sabemos se é um vírus novo ou uma nova cepa de diferentes tipos de Mayaro."

Casos de mayaro

O vírus foi descoberto em 1954 em Trinidad e Tobago, mas até agora só se sabia de surtos isolados na selva amazônica e em outras partes da América do Sul, como Brasil e Venezuela.

O caso encontrado pela Universidade da Flórida foi identificado a partir de uma amostra de sangue de um menino de 8 anos de uma zona rural do Haiti. Ele tinha febre e dores abdominais, mas não apresentava erupções nem conjuntivite, sintomas normalmente associados à chikungunya.

Pesquisadores da universidade colheram uma série de amostras durante e depois do surto de chikungunya no Haiti.

Após a análise virológica e molecular para detectar os vírus da dengue e da zika, foi confirmada a presença da dengue no paciente alvo do estudo, mas também de um novo vírus, identificado depois como o Mayaro, disse Lednicky.

Enquanto a atenção do mundo estava voltada para a  zika, "a descoberta deste outro vírus é uma grande fonte de preocupação", disse Glenn Moris, diretor do Instituto de Enfermidades Patógenas Emergentes da Universidade da Flórida.

Investigação precisa de recursos

Lednicky explicou que é "difícil avaliar o quão grave é o surto de mayaro neste momento", já que existem poucos estudos sobre o vírus.

"No Brasil, há dois tipos genéticos diferentes, e não sabemos qual é o mais virulento. Faltam mais estudos e monitoramento das áreas afetadas."

Um problema é a falta de recursos para fazer essas pesquisas, segundo médico americano.

"Na Universidade da Flórida, estamos buscando fundos, mas é difícil obtê-los para esse tipo de estudo nos Estados Unidos. E no Haiti, os poucos recursos que eles têm são necessários para cobrir as necessidades mais básicas dos pacientes."

Lednicky acrescentou não saber o que vai acontecer no Haiti após a passagem pelo país do furacão Matthew, que poderia ter levado os mosquitos transmissores da doença até a República Dominicana e outras ilhas caribenhas.

Possível adaptação do vírus

A semelhança com o vírus da chikungunya também preocupa os cientistas.

Em um artigo publicado na revista Scientific American, Marta Zaraska, jornalista especializada em ciência, destaca que isso poderia explicar por que o Mayaro pode se tornar um problema generalizado.

"Ambos os vírus eram originalmente transmitidos por mosquitos da selva, infectando pessoas na região amazônica, mas o Chikungunya tem se adaptado e hoje é transmitido por mosquitos urbanos, como o Aedes albopictus e o Aedes aegypti", que também transmitem a febre amarela, a dengue e a zika. Segundo Zaraska, "o mesmo pode estar ocorrendo no caso do Mayaro".

Em exames de laboratório, foi provado que o Aedes albopictus e o Aedes aegyptipodem ser vetores da febre mayaro - e o fato do vírus ter sido detectado no Haiti sugere que ele também está se adaptando ao ambiente urbano.



 

HISTÓRIA DA AT&T É A HISTÓRIA DO TELEFONE

MUNDO DIGITAL. Blog de Ethevaldo Siqueira, 23.10.2016

A primeira chamada telefônica do mundo é feita em Boston por Alexandre Bell em março de 1876, numa conversa prosaica com seu companheiro de trabalho, Thomas Watson, quando ele chamou o amigo pelo telefone: “Mr. Watson, come here. I need you”.

Logo após a invenção do telefone, em 1876 e a obtenção de sua patente, em 1877, nasce a American Telephone and Telegraph Company, com o nome original de Bell Telephone Company. Sua primeira linha telefônica de longa distância ligava Nova York a Filadélfia.


Bell, com 45 anos, fazendo a primeira chamada de Nova York para Chicago em 1892

 
    • Em 1913, a AT&T se torna um monopólio aprovado pelo governo, mas concorda em permitir a existência de companhias telefônicas que se conectem com sua rede de longa distância.

    • Em 1915, é inaugurada a primeira linha transcontinental, com 5.500 km de extensão entre Nova York e São Francisco. Graham Bell e Thomas Watson fazem a primeira chamada e, novamente, Bell diz: “Mr. Watson, come here. I need you.”

    • Em 1916, as ações da AT&T se tornam uma segurança para viúvas e órfãos, tal era a estabilidade e confiança em sua rentabilidade.

    • Em 1919, surgem os primeiros telefones com discos rotativos para chamada: os Rotary Phones.

    • Em 1925, são criados os Laboratórios Bell (Bell Labs).

   • Em 1927, é inaugurado o primeiro cabo telefônico que permite as ligações radiotelefônicas entre Nova York e Londres.

    • Em 1938, operadoras são chamadas de “garotas do telefone” (Telephone Girls). No treinamento, elas eram ensinadas a dizer: “AT&T, this is Rose, how may I help you?” E a ligação local era completada ao plugar o cabo no painel à sua frente. Vale lembrar que os primeiros operadores eram jovens adolescentes que haviam trabalhado em telegrafia, conforme conta o historiador da AT&T George Kupczak.


    • Em 1946, o primeiro telefone móvel faz uma chamada de um carro que cruzava o Central Park em Nova York com um link de rádio que conecta ao Upper East Side de Manhattan.

    • Em 1947, nasce o transístor, em 23 dezembro de 1947, quando os Laboratórios Bell anunciam a invenção do transístor por três de seus cientistas: William Shockley, Walter Brattain e John Bardeen – laureados pelo Prêmio Nobel de Física de 1956. Esse novo componente dá origem à microeletrônica e é uma das maiores invenções do século 20. (Veja matéria especial sobre o transístor)

    • Em 1951, “adeus telefonistas” – nasce o DDD (discagem direta à distância).

    • 1956, o primeiro cabo transatlântico exclusivo para telefonia, com pares de fios que permitem até 36 conversações simultâneas através do Atlântico, o que significa o triplo da capacidade das ligações radiotelefônicas.

    • Em 1984, o juiz Greene conduz o processo de dissolução do Sistema Bell (The Bell Breakup), iniciado dez anos antes, por decisão do governo dos EUA, como ação decorrente da lei antitruste. A telefonia do antigo Bell System é repartida para sete empresas regionais, as chamadas Baby Bells. Resta à AT&T apenas os serviços de longa distância e a fabricação de equipamentos telefônicos.

    • Em 1991, a AT&T não tem sucesso nos novos negócios, entre os quais a fabricação de computadores, a operação de uma rede nacional de telefonia móvel celular e outros. Com resultado da desregulamentação decidida pelo Congresso em 1996, a AT&T adquire a segunda maior rede de TV a cabo dos EUA.

    • No ano 2000, novo Breakup. AT&T se divide em quatro, para prestar serviços de longa distância, wireless, TV a cabo e internet.

    • Em 2005, uma Baby Bell compra a AT&T, que estava reduzida a uma simples operadora de telefonia local, diante da quebra de paradigmas imposta pela internet e pela telefonia móvel celular. A Baby Bell que compra a AT&T é a SBC (ex-SoutheWestern Bell), segunda maior Baby Bell.

    • Em 2014, a AT&T volta a crescer. Depois da tentativa frustrada de comprar a T-Mobile nos EUA, a AT&T decide comprar a operadora de TV via satélite DirecTV.

    • Em 2016 – A AT&T adota a filosofia da permanente reformulação, reinvenção e jamais estacionar. Ou, nas palavras de seu CEO: “Reformule-se, reinvente-se e não queira parar.”


 

SERÁ QUE O SER HUMANO PODERÁ MESMO VIVER NO ESPAÇO?

BBC de 28.10.2016

O ser humano foi talhado para viver na Terra - viver fora dela exigirá vencer muitos desafios.
Quais e quantas lembranças os astronautas conseguiriam ter após retornar de uma viagem a Marte?

Parece uma pergunta irrelevante, mas esta é uma das maiores preocupações dos especialistas devido a um fenômeno conhecido como "cérebro espacial" (space brain), que descreve os sintomas após uma exposição prolongada aos raios cósmicos.

Esses raios carregam tanta energia que podem penetrar o casco de uma nave espacial. De acordo com cientistas da Universidade da Califórnia em Irvine (EUA), a exposição a partículas carregadas de alta energia - os raios cósmicos não são exatamente raios, mas partículas - pode causar danos de longo prazo ao cérebro.

Inflamação no cérebro
Entre os efeitos do cérebro espacial estão alterações cognitivas e demência. Possíveis danos causados pelos raios cósmicos ao corpo já eram conhecidos, mas acreditava-se que eram de curto prazo.
Em experimentos em camundongos, porém, Charles Limoli e sua equipe descobriram que os níveis de inflamação no cérebro continuavam significativamente elevados e danosos aos neurônios mesmo após seis meses, afetando comportamento, memória e aprendizagem.
"São más notícias para astronautas que embarcarem em uma viagem de ida e volta a Marte de dois ou três anos", comentou Limoli.

Extinção do medo
Para o Limoli, entre outros possíveis problemas decorrentes do fenômeno do cérebro espacial estão a diminuição do rendimento, ansiedade, depressão e alterações na hora de tomar decisões.

Os testes realizados na Terra não conseguem estudar os efeitos da radiação espacial sobre os astronautas porque o escudo magnético da Terra nos protege deles. [Imagem: NASA]


"Muitas dessas consequências adversas podem continuar e progredir ao longo da vida. O ambiente espacial traz perigos únicos para os astronautas", afirmou Limoli.

Os pesquisadores também descobriram que a radiação afeta a "extinção do medo", processo pelo qual o cérebro reprime experiências desagradáveis e estressantes do passado - por exemplo, quando alguém sofre uma queda de cavalo e volta a montar.

"O déficit na extinção do medo pode torná-los (astronautas) propensos à ansiedade," assinalou Limoli. "Isso poderia ser problemático em uma viagem de três anos de ida e volta a Marte."

Proteção ou prevenção
Os raios cósmicos descarregam muita energia ao se chocar com o corpo humano. Na Estação Espacial Internacional, onde os astronautas vivem de seis meses a um ano, eles estão protegidos porque se encontram ainda dentro da magnetosfera da Terra, que atua como escudo contra radiação. O mesmo não aconteceria em uma aventura rumo à Marte.
Construir naves espaciais com uma capa protetora dupla pode não ser útil, pois nada parece resistir a essas partículas de alta energia. Por isso, os especialistas sugerem o desenvolvimento de tratamentos preventivos para proteção do cérebro.


 

INSCRIÇÕES PARA O PRÊMIO NACIONAL DA BIODIVERSIDADE SEGUEM ABERTAS ATÉ 22 DE NOVEMBRO

 Portal do EcoDebate de 03.11.2016


O objetivo é reconhecer o mérito de iniciativas, atividades e projetos que se destacam por buscar a melhoria do estado de conservação das espécies da biodiversidade

As inscrições para o Prêmio Nacional da Biodiversidade (PNB) podem ser feitas até 22 de novembro. O resultado será divulgado em 22 de maio de 2017, em Brasília, durante as comemorações pelo Dia Internacional da Biodiversidade. Os finalistas recebem certificado de participação, e os vencedores, um troféu.
Promovido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Jardim Botânico do Rio de Janeiro, o PNB tem inscrições gratuitas, pela internet.
O objetivo é reconhecer o mérito de iniciativas, atividades e projetos que se destacam por buscar a melhoria do estado de conservação das espécies da biodiversidade brasileira, incluindo a manutenção ou a mudança para uma categoria de menor risco de extinção, contribuindo para a implantação das Metas Nacionais de Biodiversidade.
Critérios
Também são elegíveis experiências que comprovem o alcance de ao menos um dos critérios: redução do declínio ou aumento do tamanho da população; redução da fragmentação ou aumento da conectividade entre as subpopulações; ampliação da área de distribuição da espécie, mesmo que seja por identificação de novas áreas ou redução de ameaças às populações.
“A prorrogação do prazo de inscrição possibilita ampliar a participação e alcançar outros projetos que possam concorrer ao Prêmio”, explica Marília Marini, diretora-adjunta do Departamento de Conservação da Biodiversidade, do MMA.
Categorias
O PNB disponibiliza sete categorias: sociedade civil; empresas; iniciativas comunitárias; academia; órgãos públicos; imprensa e MMA. O vencedor em cada uma delas será escolhido entre três finalistas, que concorrem também ao prêmio especial Júri Popular, definido por meio de votação eletrônica.
Os critérios avaliados pela comissão julgadora serão a efetividade quanto ao estado de conservação da espécie, impactos ambiental, social e inovação. Na categoria Imprensa, também será levado em conta o alcance da matéria ou reportagem.
Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério do Meio Ambiente (MMA)
 


 

FACEPE lança novo edital de parcerias para Inovação Tecnológica e Formação Qualificada

28 de outubro de 2016

A Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (FACEPE) lança novo edital que integra o Programa de Apoio a Parcerias para a Inovação Tecnológica e a Formação Qualificada (PITEC) e convida empresas interessadas a apresentarem propostas para obtenção de apoio financeiro complementar para atividades de pesquisa ou de formação de recursos humanos. O limite para submissão será até 30 de maio de 2017 e possui um investimento estimado de R$ 2 milhões.

As propostas devem ser encaminhadas à FACEPE pelo Coordenador Geral da Proposta, via Internet, por intermédio do Formulário de Solicitação para Inovação – SIN (modalidade PITEC), disponível no Sistema AgilFAP na página eletrônica da FACEPE (http://agil.facepe.br), a partir da data indicada. O solicitante deverá selecionar como “natureza da solicitação”, a opção “Edital 15- 2016 - PITEC - FACEPE”. Além do envio do formulário eletrônico, a submissão da proposta requer também a entrega de documentação complementar (impressa) até o dia 31 de maio, na sede da FACEPE, situada à Rua Benfica, 150, Bairro da Madalena, Recife – PE.

O PITEC estimula empresas que tenham interesse e visão inovadora para fomentar a realização – nas universidades e institutos de pesquisa sediados em Pernambuco – de projetos de pesquisas científicas e tecnológicas, de desenvolvimento e inovação, em temáticas de seu interesse. Ao mesmo tempo incrementa a cooperação entre pesquisadores das instituições e aqueles de empresas inovadoras, situadas ou não no Estado.

Clique aqui e confira o edital

 


 SECRETARIA REGIONAL DE PERNAMBUCO

Prof. Marcos Antonio Lucena - Secretário Regional

Profa. Rejane Mansur Nogueira - Secretária Adjunta

 

José Antônio Aleixo da Silva (Editor)Professor titular da UFRPE e membro da Diretoria da SBPC.

Bianca Pinto Cardoso
Designer do Jornal

 

Sobre a SBPC-PE

Somos uma Secretaria Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), entidade civil e sem fins lucrativos voltada para a defesa do avanço científico, tecnológico e do desenvolvimento educacional e cultural do Brasil.

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